Branca, obviamente, havia contratado o melhor time de advogados que o dinheiro poderia pagar e se livrou do inquérito, pois com a morte do marido ela herdaria tudo e acabara de se tornar uma das mulheres mais ricas do país, ou seja, uma mulher com quem poucos policiais teriam coragem de investigá-la, porém o que ela ainda não havia se dado conta é que ela poderia manipular tudo e todos a seu redor, menos Catarina.

Quando Branca e Margot chegaram em casa, Catarina estava na sala de entrada, com o rosto inchado de tanto chorar.

— Catarina? Quando você chegou aqui? — disse Margot olhando para a irmã.

— quando é que vocês iam me contar que meu pai morreu? — ela ignorou Margot, falando diretamente para Branca – você sabe o tamanho da humilhação de saber que a única pessoa da minha família está morta por meio de um jornal em um aeroporto?

— dá pra dar licença por favor Catarina, nossa mãe não está bem – interveio Margot.

— sua mãe – rebateu Catarina – e cala a boca que eu não estou falando com você.

— deixa Margot, eu estou acostumada com a falta de educação dessa daí, sempre foi assim, ela não se deu conta de que ela está dentro da minha casa – disse Branca.

— sua casa não, pois você não tem carta de inventariante para se dizer dona dela – ela deu alguns passo e ficou cara a cara com a mãe – eu vim pra descobrir o que você tem a ver com a morte do meu pai, pois eu sei que tem seu dedo no meio. Se foi você quem arremessou ele daquela escadaria, você vai pagar muito, mas muito caro por isso – Catarina saiu, esbarrando em Margot fazendo-a dar alguns passo para trás. Ela subiu em direção a seu quarto.

Branca e Margot foram até o quarto de Branca.

— era só o que me faltava, depois de tudo isso a filha da besta resolver voltar e me atormentar? — Branca olhou no espelho e bufou – ela deveria ter continuado seja lá onde quer que estivesse limpando bunda de refugiado, essa sim vai ser um pesadelo.

— mas mãe, o que será que ela pode fazer? — Margot estava em tom de deboche – ela é só uma frustrada.

— mas você não vê Margot, o que eu me livrei lá na delegacia ela pode fazer, ela pode trazer atenção para dentro dessa casa e isso poderá ser muito ruim – Branca olhou nos olhos de Margot – Catarina pode trazer grandes problemas.

Catarina fez questão de cuidar de todos os detalhes do velório, ela não deixou que Branca cuidasse de nada. Ela preparou a igreja, escolheu o caixão e não voltou para casa naquela tarde, ficou o tempo todo na igreja pensando no pai, esperando o corpo chegar. Quando o corpo chegou, ela foi até perto dele, colocou as mãos sobre as mãos do pai e uma lágrima escorreu em seu rosto. Ali naquele momento, ela jurou justiça.

Branca e Margot foram as primeiras pessoas a chegarem no velório, logo após o corpo ter chegado, Branca colocou uma cadeira ao lado do caixão e ficou lá, imóvel, encarando o corpo como se estivesse conversando com ele, então, pessoas começaram a chegar. Catarina estava sentava em um dos bancos da igreja que ficava próximo da porta. Aquela cena de Branca de fazendo de viúva sofrendo e então uma mulher extremamente elegante entrou no velório, ela estava usando um vestido preto lindo e um chapéu com um par de óculos pretos, junto com ela estava uma garota mais jovem, tinha, aparentemente, a mesma idade de Catarina, talvez um pouco mais nova, e as duas eram assustadoramente parecidas, Branca olhou para a mulher e, a princípio não a reconheceu, mas assim que a mulher tirou o chapéu e os óculos, Branca estremeceu, aquele cabelo chanel preto era o mesmo chanel de anos atrás. Ela reconheceu aquela mulher cujo casamento ela destruiu anos atrás.

— meus parabéns Branca, finalmente você conseguiu – disse Elizabeth.

— o que você está fazendo aqui? — disse Branca com ódio na voz.

— eu precisava ver com meus próprios olhos o que você conseguiu fazer a esse coitado. Ele foi fraco a vida toda a finalmente você conseguiu matá-lo.

— olhe o peso de suas palavras – disse Margot surgindo atrás da mãe.

— tendo sua mãe jogado ele da escada ou não, foi a sua mãe quem matou esse pobre coitado, eu tenho certeza, pois das duas uma, ou ele foi arremessado ou ele pulou de desgosto por finalmente ter descoberto quem é a Branca de verdade – rebateu Elizabeth. Ela tinha um tom de voz afiado.

— o que você quer aqui? — Branca levantou-se e encarou Elizabeth.

— eu jurei que ia me vingar de você, lembra? Isso começa agora.

— está tudo bem aqui? — disse Catarina se aproximando.

— você deve ser Catarina? — Elizabeth abraçou-a, um abraço apertado e com sentimentos sinceros – eu sei que você está sofrendo e estou aqui para tentar amenizar essa dor – ela estendeu o braço, fazendo um sinal para que a garota mais jovem que entrou com ela se aproximasse – Paula, essa é sua irmã Catarina.

Naquele momento, Branca e Margot ficaram mudas, Catarina ficou feliz e a abraçou a irmã.

— ao menos uma notícia boa no meio desse pesadelo! — disse Catarina.

— é um prazer conhecê-la finalmente Catarina, ouvi muito sobre você – disse Paula.

— que história é essa de irmã? Você nunca teve filho com o Carlos! — Branca fazia força para não aumentar o tom de voz e não chamar atenção.

— quando você destruiu o meu casamento eu estava grávida, sua cadela, mas eu não vou mais perder tempo com você.

— você vai ter que provar isso – disse Margot.

— mas é claro, o nome de Carlos está na minha certidão de nascimento minha querida – disse Paula — o fato de ele não ter contato para vocês não muda o fato de que ele me reconheceu.

Branca ficou chocada, como é que Carlos havia assumido a criança e não havia contado para ela?

— podemos ir lá pra fora conversar um pouco? — disse Paula para Catarina.

Catarina assentiu e as duas foram para frente da igreja, deixando Branca e Margot ali paradas, boquiabertas.

— então Catarina, você já deve ter ouvido falar de mim, meu nome é Elizabeth, a primeira mulher do seu pai. — disse Elizabeth.

— sim eu sei, a mulher que a Branca separou do meu pai – completou Catarina.

— é, seu pai me disse que podia confiar em você, pois você sabe a mãe que tem – continuou Elizabeth – eu queria ter apresentado vocês duas em condições diferentes, melhores do que no velório dele, mas é que foi tudo tão repentino sabe, eu tenho certeza que a Branca está envolvida nisso.

— não sei Elizabeth, a Branca é mau caráter, mas assassina eu não sei se ela chega a esse ponto – Catarina não conseguia ver Branca como uma homicida.

— bom, mas o fato é que eu queria avisar você que Paula e eu vamos lutar por nossa parte na herança – disse Elizabeth.

— claro, é o direito de vocês e podem contar comigo – Catarina sempre foi uma mulher justa – mas eu quero conhecer melhor vocês, principalmente você Paula, uau, uma irmã, sempre quis ter uma irmã! — Catarina mudou de expressão – quer dizer, claro, tem a Margot mais…

— nem precisa termina a frase – disse Elizabeth com um sorriso nos lábios.

Depois de alguns minutos, mais e mais pessoas chegando, teve uma pessoa dentre todas elas que chamou atenção. Era uma mulher jovem e linda, ela estava toda de preto e tinha uma criança nos braços, um bebê. Ela foi até o caixão, aproximou-se dele com a criança no colo, ela chorava muito. Um choro discreto, mas ela chorava muito, então uma das mãos ela colocou sobre as mãos de Carlos e o choro aumentou, aquela mulher estava sofrendo muito. Branca viu aquela cena com estranheza. Ela e Margot e estava em um canto onde havia uma mesa com café, Branca largou o café sobre e mesa e disse a Margot eu já voltava. Quando Branca se aproximou, a mulher levou um susto.

— quem é você? — perguntou Branca.

Ela olhou para Branca e ficou muda, ela sabia que aquela era a viúva, já havia visto fotos dela e sabia de quem se tratava.

— meus pêsames – foi a única coisa que ela conseguiu dizer antes de virar-se e sair, deixando Branca falando sozinha.

Margot chegou perto da mãe.

— quem é essa?

— problemas – disse Branca – mais problemas.