Segredos de Família
8 A Abertura do Testamento.
Estavam sentadas ao redor da mesa de reuniões do escritório dos advogados Branca e Margot, um do lado da outra, Catarina do outro lado da mesa, em frente a mãe, encarando-a e do lado de Catarina estavam Elizabeth e Paula e na ponta da mesa o advogado responsável pelo testamento de Carlos. O velório havia sido há alguns dias, Catariana ainda estava muito abatida com tudo aquilo e participar da leitura do testamento do pai tendo que encarar sua mãe a machucava ainda mais, ela queria que seu pai estivesse ali.
— e qual é o motivo de ainda não termos começado a leitura? — disse Margot quebrando o silêncio.
— porque existem partes interessadas que ainda não chegaram – respondeu o advogado, e no exato momento, a porta abriu e todos ficaram chocados, quem entrou foi a mulher jovem e bonita que estava no velório aquele dia, que saiu sem dizer nenhuma palavra deixando todos intrigados – a, boa tarde Susana, pode se sentar.
Susana entrou e sentou-se na mesa também sem falar com ninguém. Ela sentia-se uma estranha ali dentro e sabia que seria hostilizada, mas mesmo ela ficando quieta, Margot partiu para o ataque.
— e essa daí é quem? — disse ela.
— Susana é a mãe, por tanto responsável legal de Jorge, um dos filhos do senhor Carlos – respondeu o advogado.
— o que? — indagou Branca – mais um bastardo?
— olha lá como fala do meu filho hein – nesse momento Susana não conseguiu ficar quieta – bastardo é uma bofetada que eu vou meter na tua cara se falar assim do meu filho de novo!
— e quem você pensa que é? No mínimo é alguma prostitutazinha que Carlos bancava – disse Margot.
— vamos manter o nível e o respeito aqui dentro por favor, acalmem-se vocês três antes que eu pessa para se retirarem – disse o advogado – façamos a leitura do testamento e depois vocês se resolvem lá fora.
Os demais presentes na mesa estavam chocados com toda aquela situação, com toda aquela baixaria, mas todos ficavam felizes em saber que mais alguém ia lutar com Branca pelos bens.
— falta mais alguém? — perguntou Catarina.
— sim, ainda tem a Regina, a irmã de Carlos, ela disse que ia se atrasar alguns minutos mesmo, pois ela estava fora do país e só conseguiu voltar hoje – respondeu o advogado.
Mais alguns minutos de silêncio se passaram e então Regina chegou.
— desculpem, o trânsito estava horrível, eu vim direto do aeroporto – disse ela sentando-se.
— que lindo, pro velório do irmão ela não foi capaz de vir, mas para a abertura do testamento ela veio correndo – disse Branca em resposta.
— a, olá Branca, nem tinha te notado aí – respondeu ela – pode fazer o favor de não dirigir a palavra a mim? Eu sei dos motivos pelos quais eu não pude vir antes e você não tem nada a ver com isso. Quem corre atrás de dinheiro aqui é você, eu trabalho e se duvidar meus bens são muito maiores do que os do meu irmão, pois como eu disse eu trabalho — disse ela em tom de escárnio – sei que você não está muito familiarizada com esse verbo.
O advogado então abriu o envelope e começou a ler. Como é obrigado por lei, cinquenta por cento de tudo o que era de bens do casal, ficou com Carlos, porém o restante ficou tudo com os demais filhos e para a irmã. Margot foi completamente excluída do testamente e Carlos fez uma cláusula dizendo que o escritório de advocacia só poderia ser colocado sob a diretoria de Margot, o que ele sabia desde o começo que eram os planos de Branca, se Catarina fosse colocada junto com ela, em uma diretoria conjunta.
— mas isso é um absurdo! Eu agora sou a dona desse escritório, como é que não posso decidir quem será a diretora dele? — Branca estava com ódio.
— Branca, você não é a dona do escritório – corrigiu o advogado – como o escritório trabalha com ações, você tem quarenta e nove por cento dele, os outros cinquenta e um estão divididos entre os filhos e a irmã, ou seja, nenhuma decisão poderá ser tomara em sozinha por você, haja visto que se os demais acionistas de juntarem em um voto, eles tem mais ações que você – ele voltou-se aos demais presentes – alguém tem alguma objeção ao pedido de Carlos?
— eu tenho – disse Catarina – nem eu e nem Margot somos aptas para comandar aquilo tudo, eu acho que devemos fazer uma votação lá dentro e escolher alguém de lá para que assuma.
— sempre querendo me derrubar né sua infeliz? — disse Margot.
— acorda garota, nunca trabalhamos lá, a gente não conhece o dia a dia da empresa como é que vamos ser diretoras? Você deveria ao menos trabalhar lá alguns anos para querer se candidatar a presidente.
Como Carlos sempre quis deixar a empresa para a família e comandada por ela, todas as ações estavam em sua posse, então todos os acionistas dela estavam presentes naquela sala.
— imagino que ninguém se oponha a fazermos uma votação para escolher um novo presidente – disse o advogado.
— claro que sim, eu me oponho! — disse Branca.
Como era de se esperar, todos ficaram do lado de Catarina.
— ótimo, então essa semana mesmo vou organizar tudo para a votação – continuou o advogado.
Passados alguns minutos para algumas considerações finais, todas foram dispensadas e saíram juntas do escritório, pouco se falaram, e a exceção de Branca e Margot, cada uma foi para um lado. Assim que Catarina chegou em casa, foi para seu quarto e logo em seguida, Margot entrou em seu quarto sem bater ou se anunciar.
— escuta aqui garota, você acha que vai voltar pro Brasil depois de dez anos pra acabar com a minha vida você está muito enganada! — ela entrou apontando o dedo na cara de Catarina.
— a última vez que tive o desprazer de falar com você foi a dez anos nesse mesmo quarto e você estava na mesma posição. Se você não sair daqui agora eu vou meter a mão na tua cara de novo, exatamente como daquela vez – respondeu Catarina, calmamente.
— você não pode exigir que haja uma votação, você sabe muito bem que eu sou apta para assumir a diretoria do escritório!
— acorda Margot, você nunca passou um dia lá dentro garota, você nem conhece a empresa. Não é porque você é formada em direito, administração e o inferno que for, você sabe que não está, mas o teu ego não deixa você ver. Agora saia do meu quarto, faça o favor – disse Catarina apontando para a porta.
— eu vou fazer você se arrepender de ter se metido no meu caminho Catarina.
— não conte com isso.
Margot saiu e o telefone de Catarina tocou, era o número do escritório do pai.
— alô, Catarina? — disse a secretária – desculpa te incomodar, mas é que aconteceu uma coisa meio estranha aqui.
— sem problemas, o que houve? — perguntou Catarina, preocupada.
— então, é que tem uma moça aqui na recepção, ela disse que se chama Lívia. Ela já havia estado aqui antes, no dia em que seu pai morreu sabe, ele conversou com ela e saiu daqui transtornado e acabou sofrendo o acidente em casa sabe…
— e o que ela quer aí? — perguntou Catarina.
— é que… — a secretária ficou alguns segundos em silêncio, então ela disse – é que ela disse que seu pai não morreu em um acidente e que ela sabe o motivo pelo qual ele foi assassinado.
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