Catarina estava com medo, ela sabia que havia agora chagado em um momento que ela vinha evitando a anos: era hora de ir atrás de Paulo.

O relacionamento do dois havia acabado da pior maneira possível, ela sentia-se mal pois achava que havia sido traída e agora sabia que Paulo devia ter ressentimentos pois havia sido injustiçado, Catarina sentiu-se na obrigação de pedir perdão, mas havia um motivo muito maior que esse amor mal-acabado entre os dois, o filho que ela acabara de descobrir que está vivo é filho de Paulo também e ele tinha o direito de saber que ela estava viva, além disso Catarina não tinha mais ninguém com quem poderia contar, ela pediria ajuda de Paulo.

— Catarina? — disse a secretária – o senhor Paulo vai recebê-la agora – ela estendeu o braço para apontar a porta aberta da sala de Paulo.

Catarina levantou-se e foi até a sala dele, com a espinha gelada e o coração nas mãos. Quando ela entrou, Paulo fez sinal para que ela senta-se na cadeira a sua frente, porém sem prestar muita atenção em quem havia entrado, pois estava concentrado em alguns papéis sobre a mesa “sente-se” disse ele, então Catarina fechou a porta, virou-se para Paulo e disse “olá Paulo”.

Paulo reconheceu aquela voz. Poderiam passar-se cinquenta anos que ele reconheceria aquela voz.

— Catarina? — Paulo levantou-se de vagar e olhou para ela chocado.

— tudo bem com você Paulo? — Catarina ficou onde estava. Havia um escritório de distância entre os dois, mas parecia que havia um abismo.

— tudo bem e com você? — disse ele com a voz baixa.

— na verdade não Paulo, você deve imaginar que para eu estar te procurando, boa coisa não é.

— sente-se – disse ele apontando uma das cadeiras em frente a sua mesa.

— Paulo, eu não quero fazer muitos rodeios então eu vou direto ao assunto. A nossa filha está viva.

Paulo olhou fixamente nos olhos de Catarina.

— o que é que vocês está dizendo?

— eu descobri que a minha mãe agiu para nos separar na época. Ela sabia que mesmo com o flagrante que ela havia armado com a Margot, por causa do bebê eu iria querer continuar com você, então ela trocou o nosso filho por uma criança morta no hospital.

— se isso for uma desculpa pra se reaproximar me mim, fique sabendo que é sádico!

— você se sente tão importante a ponto de imaginar que eu inventaria uma história dessas para chegar perto de você? — Catarina havia ficado chocada em ouvir aquilo, tão chocada quando Paulo ao ouvir a história dela – por mim eu nem vinha atrás de você, iria atrás da minha filha sozinha, o problema é que eu preciso de ajuda, pois eu nem sei por onde começar, eu não tenho ninguém pra me ajudar — Catarina começou a chorar – eu fui sacaneada pela minha família a vida toda e agora eu descubro isso e não tenho ninguém para pedir ajuda!

— vamos com calma Catarina, me conta essa história direito! — Paulo estava chocado com tudo aquilo.

Catarina acalmou-se. Depois de quarenta minutos, Catarina havia contado tudo e Paulo estava disposto a ajudar tudo.

— eu vou ligar pra Hermes, um investigador famoso aqui da cidade, vamos achar essa Solange e entrar em contato com ela o mais rápido possível.

Catarina ficou com muita vontade de pedir desculpas para Paulo, por tudo o que havia acontecido, desculpar-se por ter agido daquela maneira com ele a onze anos atrás, pois agora ela sabia que havia sido tudo uma armação para ambos, ela queria dizer que ainda o amava, dizer que ela queria poder se acertar com Paulo para os dois poderem viver o amor deles, porém a única coisa que ela teve coragem de fazer no momento foi despedir-se.

— bom, você tem meu número, assim que você conseguir alguma coisa me ligue – Catarina tinha aflição na voz.

Paulo também tinha vontade de voltar a se entender com Catarina, pois agora ele entendia que ela também havia agido com tanta injustiça com ele no passado pois ela foi levada ao erro, o problema agora era outro. O problema era alta, loira, chique e muito bem educada, seu nome era Verônica e usava um anel de noivado que Paulo havia dado para ela.

***

Regina havia acabado de almoçar e pegou o carro, avisou a empregada que se alguém perguntasse por ela era para avisar que não tinha notícias dela. Ela pegou o telefone e ligou para o policial que era seu amigo e ajudante.

— oi Regina, tudo bem?

— não sei, me diga você – ela respondeu.

— então, tem uma coisa meio estranha acontecendo sabe, como você me disse que o garoto é álibi do Rafael, eles dois entraram juntos no motel, o mesmo daquele dia, mas não ficaram nem quinze minutos e foram pra um apart-hotel. Nesse apart eles estão desde o começo do dia. O carro que eles entraram saiu, mas não vi quem estava dirigindo então depois de alguns minutos ele voltou. Como o vidro é fumê, não deu pra ver se tinha mais alguém junto. O meu palpite é que cansaram do motel, alugaram isso aqui e, ou algum deles foi buscar alguém, essa tal amante do Rafael e eles estão fazendo alguma coisa, se é que você me entende, ou o garoto saiu, deu o carro pra amante e ela voltou no lugar dele e o garoto ficou de fora da festa. Desculpa falar de um modo tão cru, mas é que eu acho que você está nesse rolo e tanto tempo sabe.

— sem problemas, obrigado por tudo meu amigo, essa mentira acaba hoje – ela fez uma pequena pausa, e então falou novamente – me passa o endereço.

O local era longe, ela levou quase uma hora para chegar lá. Quando ela chegou, ela foi até a recepção e foi direta ao assunto com o recepcionista.

— eu vou subir pro quarto do Rafael Fontana sem ser anunciada. Qual é o número?

— desculpa senhora, ninguém pode subir sem ser anunciado – disse o garoto que estava lá.

— não, meu querido, você não entendeu – ela abriu a bolsa e puxou um maço enorme de dinheiro – qual é o quarto?

— bom, como eu ia dizendo, ninguém que é visto entrando pode subir, mas existem tantas falhas na segurança hoje em dia, um perigo – ele pegou o maço de dinheiro e colocou no bolso – é o quarto 701.

Regina foi até o elevador e subiu até o sétimo andar.

Quando a campainha tocou, Rafael ficou feliz, ele saltou da cama.

— deve ser o lanche que pedi pra gente – ele deu uma risada – estou cansado e com fome.

Ele foi até a porta e quando abriu ele congelou. Regina estava ali parada a sua frente, ela tirou os óculos e olhou diretamente nos olhos de Rafael.

— ou você me convida pra entrar agora ou eu começo o barraco aqui no corredor mesmo – Rafael continuou petrificado em frente a mulher, então ela começou a gritar – ou você vai me chamar pra entrar ou eu vou começar a quebrar tudo aqui no corredor mesmo meu amor!

Então Rafael pegou Regina pelo braço e a puxou para dentro do quarto.

— Regina eu vou vestir uma roupa e vamos conversar em algum lugar, vamos conversar de modo… — ele foi interrompido por Regina.

— vá até no quarto e peça pra sua amante se vestir, pois eu aposto que a vagabunda está nua na cama, e vir até aqui – Regina mudou a expressão completamente deixando aparente seu ódio – eu quero ver a cara dessa cadela, quero ver se é uma cara conhecida.

— Regina, vamos conversar, pelo amor de Deus, eu faço tudo o que você quiser para que isso aqui não vire um barraco, não precisa ver, vamos sair daqui!

— você vai chamar a tua amante ou não vai?

— meu amor, vamos conversar eu te amo – Rafael foi interrompido novamente, mas dessa vez por uma bofetada na cara.

— amor na tua boca é um palavrão, não me chame de amor – ela gritou – se você não vai chamar essa cadela, eu vou até ela!

Regina foi até a porta que havia ali, quando ela abriu a porta deparou-se com a cama bagunçada e notou que alguém estava escondido sob os lençóis.

— além de vadia é covarde? — Regina gritou e arrancou o lençol.

A imagem que ela se deparou foi algo que ela nunca imaginaria nem em seus pesadelos. Ela ficou completamente paralisada...