A cada dia que se passa, parece ficar mais difícil superar tudo que passei e estou passando. Já tem 8 anos que perdi meus pais em um acidente, quando estávamos indo visitar meus avós em Barcelona (Espanha), na verdade eu estava indo conhecê-los algo que não foi possível realizar, e eu fui à única sobrevivente. Sol e Paul eram meus pais, eles morreram na hora, não tive tempo nem mesmo de me despede, estávamos um pouco brigados por algo bobo, e me arrependo de ter feito isso. Minha mãe estava grávida de 3 meses, mas não houve nenhuma maneira de salva-lo também, portanto, eu sou filha única. Agora vivo com minha tia Anita em Madrid, mas as cenas do acidente ainda vagam minha mente.

***

Quando cheguei à cidade, minha tia estava a minha espera no aeroporto, ela parecia um pouco triste e distante, ela era alta, cabelos negros e cacheados, olhos de um castanho esverdeado, sua pele era parecida com a de uma criança, muito delicada, porém era muito séria, pelos me parecia quando estava com 9 anos.

- Olá Sophia! — ela não estava muito animada, talvez seja por conta do incidente — Como você está linda hoje!!

- Oi tia — eu não fazia ideia do que falar.

- Está preparada para conhecer sua nova casa?

Permaneci em silêncio, minha mente nada processava, não tinha informações nem mesmo palavras para serem lançadas, minhas perguntas de sempre havia me abandonado.

- Não fique assim Sophia, podemos superar tudo isso juntas — ela estava fazendo de tudo para me ajudar, porém não fazia ideia de como meu coração sentia falta da doce voz de meus pais. — sei que você é muito forte, e que iria superar tudo isso. Agora venha, vamos para casa, você deve estar muito cansada.

- Sim, um pouco — foi tudo que consegui dizer.

No caminho para casa, não conversamos nada, minha mente estava sempre a voltar para a ultima cena que eu vira antes da morte de meus pais. Nada mais parecia fazer sentido, sempre estava a faltar uma parte de mim, eu já não fazia mais ideia de como caminhar ou ate mesmo no que pensar.

Ao chegar a casa, minha tia já estava um pouco mais animada, e também parecia um pouco legal.

- Chegamos — ela anunciou quando o carro parou.

Minha reação foi um pouco de espanto, pois era igualzinha a casa de meus pais. Era grande com dois andares, com vidraças de modelos antigos assim como minha mãe gostava, a porta de madeira mantinha sua cor viva, ela tinha uma cor avermelhada um pouco apagada pelo tempo.

- Vamos entrar? — ela me convidou com um sorriso delicado e apreensivo.

- Sim — era tudo o que eu podia dizer.

Quando finalmente entramos na casa, tudo parecia muito aconchegante, ela parecia maior ainda quando vista por dentro. Logo que entramos pude me deparar com a sala de visitas, que tinha uma cor amarronzada, era lagar, tinha sofás escuros, quadros da natureza para que pudesse dar um ar mais natural ao ambiente, às janelas pareciam ainda mais bonitas enfeitadas com lindas cortinas vinho. Tudo parecia que estava em seu devido lugar, talvez se mudássemos alguma coisa do lugar poderia ficar um pouco desconcertado. Também havia uma linda lareira na parede central da sala, onde continha algumas fotos da família toda, ate mesmo de meus pais. Na foto minha mãe Sol estava com os cabelos negros e curtos, se parecia muito com minha tia, meu pai como sempre estava com seu lindo cabelo castanho (super liso), eles estavam muito feliz.

- Você quer conhecer seu quarto primeiro, ou... – minha tia mal terminou a frase e eu já interrompi sua frase.

- Quero tomar um banho primeiro. – digo decidida.

- O.k., então vamos para seu quarto para que você possa se aconchegar melhor.

As escadas eram lindas e delicadas, o corre-mão tinha detalhes sobre a mitologia grega, algo que sempre me fascinou. Meu quarto ficava quase no fim do corredor, e pude perceber que assim como a porta principal, todas as portas daquela casa eram muito parecidas, o que as diferenciava uma das outras eram os detalhes que sempre tinham algum significado por trás. Não faço ideia de como minha tia sabia que eu gostava de mitologia, mais minha porta tinha praticamente toda a história, as imagens estavam em alto relevo, era difícil de acreditar que aquilo poderia ser feito pelas mãos de um ser normal.

- Espero que goste do quarto, Sophia – ela estava esperançosa – fiz o melhor que pude. Agora fique a vontade.

- Obrigado.

O quarto era grande e convidativo, tinha cor de marrom avermelhado, as janelas abriam para fora (com detalhes da mitologia também), podia se dizer que o quarto era perfeito para mim. Minha cama era de solteiro e ficava no canto direito (da janela), meu guarda-roupa ficava atrás da porta, havia uma cômoda perto da porta do meu banheiro, onde um espelho estava acima.

Entrei para o banho, e tentei esquecer do mundo lá fora, devo ter permanecido em baixo do chuveiro cerca de 30 minutos. Quando saí, todas as minhas malas já estavam no quarto. Peguei uma camiseta branca e uma calça de moletom roxa, e fui para cozinha a procura de comida, pois estava faminta.

Quando cheguei lá, não aconteceu nada demais, eu comi as panquecas que minha tia fez, depois assisti um pouco de televisão com ela, e finalmente fui para cama.