Segredos
25 Promessas e lágrimas
Notas iniciais
Capítulo 25
Promessas e Lágrimas
Tudo parecia estar fora de contexto. Era como seu eu e meu emprego não fizéssemos mais sentido. Pela primeira vez depois de muito tempo, eu sentia medo. Nada mais era certo pra mim, acho que minha única certeza, era ele! O sentimento que eu tinha por ele e era isso que me assustava tanto. A partir do momento em que eu finalizasse minha verdadeira missão eu estaria traindo o que sentia por Natsu. Mas eu não trairia meu país. Não poderia.
– LUCYYYY! – Levy quase gritava em meu ouvido
– O que?
– Nossa, eu estou aqui quase três minutos tentando te chamar.
– Desculpe, eu estava numa viajem louca aqui na minha cabeça
Ela riu alto
– Quer dizer um lugar chamado Natsu?
– Do que você está falando?
– Bom desde que ele saiu em missão com a Lissana você está nesse estado
Comecei a rir histericamente
– Que estado?
– De negação é claro!
– Uma coisa não tem nada a ver com a outra!
– Claro que não, até por que, o sorriso que ele tinha no rosto quando foi chamado e o jeito de como se desfez ao saber que iria em missão com Lissana e o fato dela ter dormido no quarto dela noite passada, me dizem muita coisa! – retrucou com um sorriso malicioso
– Qual é Levy...
– Você pode enganar qualquer um aqui. O idiota do Sting, o estranho do Rogue e até mesmo o bronco do Gajeel, mas sabe, é impossível mentir pra mim.
– Cadê o idiota do Gajeel pra te atazanar ein?
– Ele foi na mesma missão que Natsu e Lissana, só que partiu um pouco antes. – deu de ombros — Agora, não muda de assunto não. Estamos falando dos seus segredos, das coisas que você esconde – fez uma cara maligna para enfatizar
– O que exatamente você sabe que eu escondo? – perguntei fingindo medo
– O seu amor pelo Natsu e sei lá, a forma como você quer fugir dele como se fosse algo impossível.
– E é! – sussurrei
– O que disse? – perguntou com a testa franzida
– Não é nada! Creio que acabo de descobrir o porquê de você ser o cérebro do grupo
Ela deu uma piscadela e um sorriso acolhedor
Como eu poderia ficar longe dela também? Como eu viveria sem eles? Até mesmo do mala do Gildarts eu sentiria falta, meu coração parecia estar ferido de forma irreversível. E eu sentia que tudo aquilo estava perto do fim, e minha intuição nunca falhava. Eles de certa forma se tornaram uma família, uma que eu nunca poderia ter de verdade, então como poderia traí-los? Meu coração havia tomado um sentimento que nunca havia sentido antes: a dúvida.
– Lucy... – senti os dedos de Levy em meu rosto – Por que está chorando? Você está bem?
– Eu não estou... – passei a mão por minha bochecha e capturei aquela pequena gota d’agua.
Eu estava chorando? Por quê? Eu nunca choro. Eu nem mesmo sei o significado disso
– A quem você quer enganar Lucy? Você está sobrecarregada! – Parece que eu ouvia meu subconsciente, mas não, era só Levy, novamente me enxergando de maneira que eu não queria me enxergar — Alguma coisa está te incomodando muito!
Alguns segundos silenciosos se passaram, até eu conseguir reagir.
– Não, não é nada! – Me levantei, mas antes que pudesse sair, ela segurou meu braço e me abraçou. Tão forte que me fez chorar, eu não queria um rosto inchado, mas a sensação do abraço dela era tão bom, tão seguro e quente, que me permiti chorar, e pela primeira vez, chorar de verdade.
*--*
Eu e Levy ficamos em seu quarto por horas lendo livros e trocando comentários até ela pegar no sono. O quarto dela era acolhedor e fofo. Tinham vários livros na pequena estante e até mesmo nos cantos do quarto e em um deles havia um bom espaço com várias coisas de costura, inclusive botões. Não sabia que ela gostava disso, ela nem mesmo tem mãos pra isso. Dei um sorrisinho bobo.
Layla me ensinou a costurar, minha vontade de aprender veio daquele filme Coraline, eu era apaixonada com todos aqueles personagens com olhos de botão, então Layla fez um pra mim, mas não lembro exatamente o que fiz com ele.
Então, foi como se uma lâmpada surgisse em minha cabeça, como nos desenhos animados. Olhei pra Levy e ela ainda dormia um sono pesado. Então me sentei na cadeira, peguei quatro botões e fui colocar meu plano em prática. Antes que Levy pudesse acordar
NATSU POV ON
Lissana passou por Gajeel como um tornado
– Ei ei ei... Não precisa me jogar no chão!
– Vá se danar idiota – ela fez um gesto obsceno com a mão
– Nossa – Ele deu uma risada esquisita me alcançando – Não sei o que você fez com ela Natsu, mas seja o que for eu não queria estar na sua pele se trombasse com ela sozinha! Creio que hoje você vá dormir na presença de uma calça jeans
– Não, não vou não!
– Vishh, o que aconteceu com vocês dois?
– Não existe mais “nós dois” e sim ela e eu, separados.
– Você tá me zoando? – Perguntou incrédulo
– Ahm, não!
– E aquele papo todo de promessa e cumprir enquanto viver?
– Eu simplesmente cansei cara! Eu tapei os olhos pra muita coisa de errado que a Lis fez, principalmente comigo, por que a amava e também porque prometi a Mira que cuidaria dela, eu prometi isso a ela, mas sabe... Isso faz tanto tempo, a gente era criança, Mirajane desapareceu junto com o irmão... Eu simplesmente acho que posso continuar protegendo-a, mas não preciso me casar com ela pra isso.
– Mas e a parte de amar ela? Esse é o motivo para se casar não é? – O encarei, ele estava me testando, mas não de uma maneira ruim, queria que eu admitisse pra mim mesmo tudo aquilo.
– Quando disse pra ela que continuaria cuidando dela, mas como amigo, é como se eu me libertasse de um peso que não era meu, o amor que eu sentia por ela, surgiu dessa promessa. Eu ainda sinto um sentimento especial por ela, até por que eu gostava da Lis desde os dez anos de idade, mas não é mais o suficiente. Eu sinto que algo bem maior já tomou conta de mim
– Algo com enormes seios – Gajeel fez um biquinho tosco e começou a apalpar seios imaginários em seu peito. Dei uma risada baixa – Não precisa se sentir culpado! – ele afirmou sério, me encarando – Natsu o que você fez por ela, creio que cumpre mil vezes essa promessa, o sumiço da Mirajane e do Elfman não são culpa sua e você age como se fosse. Eles não desapareceram, eles a deixaram. Não julgo por que não sei qual o motivo de eles terem feito isso, provavelmente por que sacaram o pé no saco que ela é – sussurrou o restante da frase me fazendo rir – Escuta, ela é uma boa pessoa quando não age como vítima e te coloca com réu. Lissana já está bem grandinha e sabe muito bem se proteger sozinha
– Eu sei, mas...
– E sabe também que ela vai te atazanar e te ameaçar e vai se portar como inocente, fraca e indefesa pra te fazer mudar de ideia sempre que puder. Mas presta atenção Natsu, você conquistou sua liberdade, fugiu dessa gaiola, não deixe ela te enganar e te engaiolar de novo não. Você merece mais que isso, e a Lucy também!
– Eu...
– Olha quem está de volta!! – Sting gritou – Como foi?
– Tudo ocorreu como Gildarts queria! – Gajeel respondeu – Você está bêbado? Onde está a minha baixinha?
– Com a Blondie no quarto dela! – falou um pouco arrastado – E não, não estou bêbado, ainda!
– No quarto da Levy ou da Lucy? – Perguntei
– Dela!
– Levy? – Gajeel perguntou confuso
– Lucy? – Perguntei mais confuso ainda
– Pare de dizer em enigmas Sting! – Gray reclamou do sofá – Estão no quarto da Levy, agora parem com essa algazarra, alguém está tentando ver tv aqui
– Hora de beijar minha baixinha – Ele respondeu animado com aquele biquinho tosco de novo – Vamos Natsu
– Hãm?
– Lucy também está lá certo? Você tira ela de lá, pra eu matar a saudades da minha Levyzinha
– Cara que nojo! Eu posso ver os corações voando daqui! – Gray gritou fazendo uma careta de nojo
– Quieto, friendzone! – Gajeel fez língua — Vamos Natsu, antes que o recalque dele consiga me atingir!
*--*
Gajeel abriu a porta devagar e antes de entrar congelou no meio dela
– Anda logo cabeça de parafuso! – ele continuou atônito – Gajeel? Aconteceu alguma coisa?
Empurrei seu ombro conseguindo passagem e ao me deparar com a cena, acho que fiquei igual ele, ou até mesmo pior. Nos encaramos por poucos segundos e voltamos a olhar para frente. Aquela com certeza, era de todas, a melhor coisa que já vi, ou vimos na vida.
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