Segredo Virtual
15 Capítulo 15 Irmãos, Pais e Filhos
Notas iniciais
Bianca está deitada em sua cama, um pouco sonolenta, lendo novamente seu livro preferido "Ties of Blood". Jason entra pela sacada do quarto e Bianca se assusta ao vê-lo, colocando seu livro na gaveta e dando um sorriso para ele, que retribui:
—Queria vê-la. — Ele se aproxima da cama, deitando ao lado da irmã.
—Eu estava com saudades.
—Eu também, maninha. — Ele a abraça.
—Sara realmente está no Cold Blood? — Pergunta Bianca a ele, que estranha a pergunta.
—Como...
—Lídia.
—É... — Ele arfa e olha o candelabro encima da cômoda com suas velas acessas. — Isso realmente parece um castelo.
—Você poderia vir pra cá... Seria melhor, não acha? Imagina se pudéssemos conversar assim sempre, tomar café e jantar juntos.
—Melhor não, Bi. Me sinto um estorvo na vida da minha mãe.
—Eu te entendo. — Ela segura a mão do irmão. — Sei como se sente, só quero que seja feliz. — Ela beija sua bochecha e sorri para ele novamente. — Não quero ficar longe de você.
—Porque você tem todo esse afeto e carinho por mim? — Ele pergunta, se sentando na cama.
—Você é meu irmão.
—Eu sei, mas... Eu te deixei assim... — Ele diz, se referindo ao caso dela estar aleijada. — Deveria ter ódio por mim.
—Não me importo em ficar aleijada, cega ou até morrer, mas quero que você esteja ao meu lado. — Ele a abraça novamente e a beija na testa. — Eu sei que você era uma criança que desenvolveu essa tendência...
—Você está segura comigo, eu juro.
—Confio em você, bobão.
Um grito se ouve no corredor e logo após isso Sofia entra correndo ao quarto.
—Mãe, o que foi? — Bianca pergunta.
—SERGIO!
Ela estava como alguém que acabou de ver um morto. Acho que não faz muita diferença, nesse caso. O sósia entrara no quarto junto com o prefeito.
—O que houve? — Perguntou o prefeito, olhando para o sósia e percebendo que ele era o jornalista que estava no manicômio.
—Mãe, esse é Tyler, o sósia do meu tio. — Diz Bianca para sua mãe, que estava espantada.
—Meu Deus. — Disse Jason percebendo a semelhança.
Daniel tocara acampainha da casa de Ruby. Ele estava apreensivo, sua vida mudaria após aquele momento, mas estava realmente preocupado de como ia contar isso para Lídia. Ele foi embora do restaurante. Tinha que resolver aquilo e preferiu não avisar a sua namorada. Oliver o atende. Daniel pensa em correr, mas fica ali, firme.
—Posso falar com a sua família? É sobre Marina. -
Oliver o estranha, mas decide deixá-lo entrar. Ele entra e caminha até um sofá aonde estava Oscar. Marina vai para a sala acompanhada de Ruby, que estranha o garoto ali.
—É um amigo seu, Oscar? — Pergunta Ruby.
—Conheço de vista. — Diz ele, tentando não levantar suspeitas.
—Ele veio falar sobre a Marina.
Todos olham para ele esperando que seja algo sobre o incidente.
—Eu sou o pai do filho da Marina. — Marina se assusta e todos ficam surpresos.
—Filho?
Sua mãe ainda não contara a ela que está grávida.
Em uma rua calma e tranquila, não havia ninguém passando por ali, exceto uma mulher ruiva, com um chamativo vestido vermelho. Ela ouve um gemido, e ao avançar, percebe uma mulher caída no chão.
—Moça! — Ela balançava a moça tentando acordá-la. A mulher começa a chamar por ajuda, e a moça caída, Sara, parece ter acordado. -Moça...
Sara tirara uma faca, que estava escondida embaixo de seu corpo, e a esfaqueia, o que faz com que ela dê um grito alto. Rebeca chegara por trás com uma corda, sufocando-a. A mulher cai no chão, morta. Rebeca a levanta pelos braços e Sara pelas pernas, levando-a até um beco. Ellen e Thiago estavam sentados no chão ao lado de uma lixeira, já Jason, não estava ali.
—O que a gente faz com isso? — Pergunta Rebeca, já cansada.
—Sei lá, joga no lixo. — Responde Thiago, se levantando e indo abrir a lixeira. O corpo entra por inteiro, e nem foi preciso tanto esforço quanto era esperado.
—Já cansei. — Reclama Rebeca.
—Vou pra casa da minha mãe. — Sara vai embora.
Todos se sentam no chão. Após alguns minutos, Rebeca decide perguntar algo que queria saber a muito tempo.
—Ellen. — Ellen levanta a sobrancelha em sinal de que havia lhe ouvido. — Onde está o filho da Sara? — Thiago e Ellen trocaram olhares. Rebeca deduz que eles estavam decidindo se iam contar-lhe ou não.
—Tudo bem, Rebeca, iremos te contar, mas você...
—Não devo contar a Sara, eu sei disso. — Rebeca decide evitar uma longa conversa e "matar" logo sua curiosidade.
—Ok... — Ellen decide falar, mas é interrompida pela chegada de Jason, que estava carregando um celular na mão.
—E aí povo, tenho novidades. — Rebeca suspira e se levanta com a intenção de ir embora.
—Não vá, tenho certeza que vai querer ver isso. — Dizia ele, mostrando seu celular para ela. — Temos um fã, pelo jeito.
—Um blog fã do Cold Blood. — Dizia Rebeca para Ellen e Thiago, que não estavam ao alcance da tela.
—Isso pode nos trazer problemas... Deixa eu ver. — Ellen pega o celular da mão de Jason.
Sara batera na porta da casa de sua mãe. Após alguns segundos, Jessica veio abri-la, fazendo uma expressão de surpresa ao vê-la.
—Olá...Sara. — Ela não tinha a menor ideia do que dizer naquela situação. Descobrir sua filha adulta depois de vários anos seria uma surpresa pra qualquer um. — Entre. — Ela entrara e em seguida fechara a porta.
Sara caminha até a sala aonde havia vários porta-retratos com fotos. Em uma delas, havia a fotografia de uma mulher parecida com a Idosa da loja de bonecas, que Sara havia visto a um ano atrás e deduzido ser sua avó.
—Essa é minha vó? — Pergunta ela, segurando o retrato. Jessica caminha até ela e confirma com a cabeça ao ver a foto. — Cadê as fotos do meu pai?
— Minha história com seu pai é complicada. — Após alguns segundos de silêncio, ela começa. Sara coloca o retrato no lugar e senta-se no sofá.
—Tenho tempo. — Ela sorri. Jessica se sente um pouco incomodada e pressionada, mas cede à filha e senta-se no sofá.
— Minha mãe sempre saía a noite. Não sei o que fazia, mas garanto que não era por trabalho, então eu comecei a levar amigos meus pra casa, até que eu descobri que uma das minhas amigas era uma prostituta... E eu...Virei uma garota de programa... Acabei engravidando. Infelizmente, o homem com quem eu havia dormido era um amigo da faculdade. Ele assumiu você, nos entendemos por alguns meses e ficamos morando com a minha mãe, mas as coisas se complicaram...
Flashback On:
Jessica estava mais nova e em uma casa semelhante onde atualmente mora Ruby com seus filhos. Ela estava segurando Sara no colo, ela ainda não havia completado um ano, mas já estava grandinha para seus poucos meses de vida. Jessica estava indo para a sala, mas Sara acordou e começou a chorar. Seu pai estava no sofá, assistindo televisão e com uma garrafa de cerveja em sua mão.
—Faz ela calar a boca. — Ele não aguentava apenas alguns segundos de choro.
—Saiu com seus amigos de novo? — Pergunta Jessica, tentando acalmar Sara.
—Sim.
—Quanto você bebeu?
—Sei lá, pra que quer saber? — Sara não parava de chorar. Jessica decide sair da sala, mas seu marido a chamou.
—Deixa eu segurar ela.
Jessica não sabia as intenções dele, e tinha medo, as vezes. Alguns segundos se passaram e ela continuava sem reação.
—Deixa eu segurar a minha filha! — Ele se levantou, indo até ela, tentando pegá-la. Mas Jessica não deixou. Sua mãe acabara de chegar da rua com uma sacola de compras.
—O que houve? Dá pra ouvir vocês de lá de fora. — Pergunta a mãe de Jéssica.
—Ela não quer deixar eu segurar a minha filha!
—Você tá bêbado, da última vez que esteve assim... — Ela não continua a frase. Sua mãe estava presente.
—O quê?
Jessica permanece em silêncio, mas após alguns segundos de troca de olhares, ela decide falar.
—Ele bateu em mim.
Flashback Off
O prefeito sentava-se em frente a sua mesa de jantar. Não havia ninguém naquele cômodo, apenas ele, ali, sozinho. Tyler entra no cômodo para aproveitar a oportunidade de ter uma conversa franca com o prefeito. Ele senta-se a mesa, ao lado do homem.
— Boa tática, né? Ser um jornalista empregado do prefeito da cidade. — Diz Tyler para o prefeito, que não entende a razão pela qual ele está ali.
— O que você quer?
—Quero que solte minha prima, e saber porque a internou lá sem ninguém da cidade saber, apenas isso. — O prefeito sabia que ele poderia fazer seu plano ir por "água abaixo", então preferiu contar-lhe logo a verdade.
— Nosso casamento mudou esses anos, então eu e ela estaríamos juntos até o ano que vem, mas eu não aguentaria mais um ano com ela!
—Você sabe que é um fraco, né? Em vez de matá-la, prefere interná-la, é uma burrice. — O prefeito não sabe o que dizer, apenas se levanta. — Tire-a de lá e te deixo em paz.
— Você vai sair dessa cidade?
— Não.
Sofia entra desesperada no cômodo os dois se viram para ela.
—Bianca não está na quarto!
No restaurante, que ainda estava aberto, Lídia decidira fazer trabalho extra, já que não teria mais seu encontro com Daniel. Foi ela quem trouxe Bianca para lá sem que Sofia soubesse. Mesmo já estando tarde, ainda havia gente no local, e Bianca, com ajuda de Lídia, sentou-se em uma cadeira. A cadeira de rodas estava encostada ao lado da mesa.
—Quando ela vai chegar? — Pergunta Bianca, um pouco agitada.
—Tenha paciência. — Lídia foi levar uma bandeja para uma mesa. A cada pessoa que entrava, Bianca dava um sorriso, esperando ser Sara. — Para de pagar mico. — Lídia sussurra. Sara, então, entra pela porta e caminha até Bianca, que sorria como uma criança ao vê-la. Sara a abraça.
—Esse lugar mudou bastante. — Diz ela.
—Realmente, se eu não já tivesse visto, nem acreditaria. — Dizia Bianca, olhando para Sara.
—Como você tá? — Pergunta ela, tentando ser gentil.
—Porque não me disse que estava viva? — Ela queria chorar.
—Eu ainda não te perdoei por ter mentido pra mim.
—Pega leve,Sara. — Dizia Lídia, trazendo milk-shake para as duas.
—Sara, eu nunca quis esconder isso de você, mas era preciso.
—Não, não era. — elas permanecem em silêncio. — Você poderia ter me contado e evitado o sofrimento de várias pessoas.
—Não joga a culpa nela. — Lídia não queria ver nenhuma das duas magoadas.
—A culpa é minha, realmente ela é minha, Lídia. — Bianca sabia que aquela conversa não levaria a lugar nenhum, mas mesmo assim decidiu tentar recuperar a confiança de Sara. — As pessoas erram, Sara, somos humanos.
— Humanos pagam por seus erros, você não parece ter pagado.
—Eu tô aleijada! Não sei mais como é andar, correr...Você ainda pode usar as duas pernas, Sara, tome conta delas, alguém pode querer roubá-las.
— Não foi uma boa ideia eu ter vindo aqui. — Diz Sara, se virando.
— Mas você ganhou milk-shake de graça...
Ela vai embora.
—Essa conversa foi a mais rápida que eu já vi, então, clara e rápida. — Após sair do local, Sara deu de cara com uma moça morena e de olhos verdes.
—Aline?
— Eu preciso te contar a verdade, Sara. — A mulher parecia angustiada e apressada.
— Do que você tá falando? — Ela não sabia o motivo pelo qual ela queria conversar.
— Você matou seu filho, Sara.
Uma pessoa tocara a campainha da casa de Jessica, ela foi entender. Um homem de terno e gravata estava ali, parado, em frente a porta. Seus cabelos eram da mesma cor que o de Sara.
—Meu Deus.- Jessica fica sem expressão ao ver seu antigo marido parado em frente a porta.
—Precisava falar com você. — Disse ele.
—Eu não quero ouvir suas desculpas. — Ela tenta fechar a porta, mas ele coloca o pé na frente, impedindo que a feche. — Não vim pedir desculpas. — Ela abre a porta.
—Entre. — Ele entra e Jessica fecha a porta rapidamente indo até ele. — O que você quer?
— Achar a minha filha.
—Eu não sei aonde ela tá! — Jessica não queria ele ali, na mesma cidade que Sara.
— Pode me dizer então por que um tal de Dylan me mandou esse endereço dizendo que você sabe onde tá a minha filha? — Ele pega seu celular e mostra a mensagem para ela.
Na pousada, Sara havia se hospedado novamente. Ela acabara de ligar para Ellen, que estava no quarto debaixo. Sara queria acertar as contas, e por isso estava com uma faca escondida atrás de suas costas. Ellen entrara no local, apressada.
— O que foi? — Pergunta ela com um sorriso irônico no rosto.
—Porque está sorrindo? — Sara estranha sua reação.
— Você já descobriu, né? Que seu filho está morto e foi você que o matou.
Sara se surpreende.
—Por que você me fez fazer isso? — Ela estava com ódio, e ao mesmo tempo determinada, queria fazer vingança pela morte de seu filho.
— Queria que você fosse uma pessoas sem sentimentos, mas você não deixou que isso acontecesse! Você mesma tirou de você essa memória para poder evitar tamanho sofrimento, e você continua fraca, Sara!
Ela tenta esfaqueá-la, mas Ellen segura seu pulso. Lágrimas começam a deslizar sobre sua bochecha.
—Viu...continua fraca.
—Vai embora. — Dizia ela, aos prantos.
—Não chore, querida. Economize suas lágrimas para o futuro.
Thiago entrara no quarto carregando um bebê.
—O que Aline não te contou é que você teve gêmeos. — Sara deixa de chorar e prestar atenção no bebê que Thiago segura. — Eu a dei a criança e a liberdade. Não precisava mais dela, mas ela foi idiota e queria te contar em forma de vingança para meu plano dar errado. — Thiago entrega o filho a Sara, que deixa lágrimas caírem sobre o bebê e acaricia seu rosto rosado. — Thiago o recuperou, ele agora é seu... — Sara taca o bebê com força no chão, fazendo sua cabeça estourar. Thiago e Ellen ficam espantados com a situação. — SARA!
Continua...
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