Segredo Virtual
16 Capítulo 16 As Coisas Realmente Mudaram?
Notas iniciais
—Esse não é meu filho. — Afirmava Sara, esfregando os olhos. — Meu filho tem uma pinta na testa, se vocês não perceberam. — Thiago e Ellen trocam olhares, percebendo que haviam sido enganados por Aline. — Acho melhor vocês irem atrás dela. — Thiago sai correndo do quarto, com a esperança de achar Aline na rodoviária.
— Por que matou essa criança? — Ellen já havia matado todo tipo de pessoa, mas isso já havia anos. Sara continuava fraca, na visão dela, mas na verdade, ela tinha muito potencial.
— Me disse que eu era fraca, quis provar o contrário. — Ela se caminhando até a saída, Ellen a acompanha, deixando o bebê morto no chão.
Flashback On:
Sara segurava uma arma. Naquela época, sua barriga já estava grande, dando para perceber que já fazia mais de 4 meses. Lágrimas caiam de seus olhos. Ellen a encorajava a fazer aquilo, mas ela não queria. Aline também estava ali, observando aquela situação desumana e covarde. Ela sentia pena de Sara e de todas as pessoas que foram submetidas a fazerem esses testes.
— Eu não posso fazer isso. — Ela estava aos prantos, apontando a arma para uma idosa amarrada em uma cadeira e com um esparadrapo tampando sua boca. Mesmo não podendo falar, Sara via a angustia daquela idosa em seu olhar de pavor.
—Vamos, Sara! — Encorajava Ellen, já cansada daquela situação. Sara estava ali a meia hora. — Faça isso!
—Cansei! — Thiago caminhara até Sara ficando atrás delas e segurando sua mão. — É assim que se faz trabalho completo, Sara. — Thiago a ajuda a atirar. A bala do tiro pegou no peito da idosa, morrendo imediatamente pelo perfuramento no coração. Ellen e Thiago saem da sala. Aline leva em uma bandeja um sanduíche para Sara, que se senta no chão, se esbaldando em lágrimas.
— Calma... — Aline tenta acalmá-la, mas nada resolve. Ela senta-se ao lado dela, tentando refugiá-la... Ela entende tamanha dor, e mesmo nunca tendo passado por uma situação tão amarga e deprimente como esta, Aline queria apoiá-la.
Flashback Off:
Tyler estava na sala da casa de Ruby. Fazia bastante tempo que não via sua prima, quase cinco anos, desde o do último natal em família. Oscar e Marina estavam ao lado de "seu tio" no sofá. Pela idade, era melhor chamá-lo assim, e ele mesmo tinha concordado com isso.
—O que tá fazendo na cidade? — Pergunta Ruby, segurando um copo com café e se sentando no sofá, de frente para Tyler.
— Eu sou jornalista aqui há alguns meses, e não sabia que vocês estavam aqui, mas descobri.
— Que bom. — Ela toma seu café.
— Como você tá, Má? — Marina não o responde. Elaa não lembrava de seu tio, então não tinha intimidade com ele, mas decide dar um sorriso torto e um pouco desagradável. — O que foi?
— Ela perdeu a memória. — Após essa frase, dita por Ruby, Oliver chegara em casa, indo até a sala e dando de cara com a ultima pessoa que gostaria de ver no momento; O jornalista, Chantagista e Justiceiro.
— Oi, Oliver, lembra de mim? Não nós vemos há um bom tempo. — Ele se referia aos natais que a família passava juntos. Como Oliver se lembraria de seu rosto, sabendo que apenas o veria uma vez por ano?
— Não... — Não sabia o que dizer nem o que fazer, queria apenas matá-lo com torturas, algo que não seria tão difícil fazer com alguém como ele.
— O natal de família... Se lembra quando ainda tinha? — Ruby tenta lembrá-lo, fazendo Oliver ir até o fundo de sua mente para recordar das festas de natais.
— Ah, sim... — Ele tinha uma vaga memória daquela época.
Sofia descia as escadas da mansão, indo diretamente para a cozinha. Como já estava á noite e já havia jantado, os empregados estavam em seus quartos, repousando, como sempre faziam após as dez e meia. Ela ouviu um barulho na porta dos fundo e foi até lá. O prefeito trazia, algemada e com um esparadrapo na boca, sua ex esposa. Sofia fica irritada e um pouco preocupada com ela ali.
— O que lá tá fazendo aqui?
— O sósia do Sergio é o jornalista, eu não podia deixar ela lá no hospício, ele ia dar um jeito de tirar ela de lá. — O prefeito a empurrava, mas ela não queria andar.
— E você trás ela pra cá?
— Só me ajuda a esconder ela. — Ele a pega no colo. Sofia abre a porta do porão, para que ele entre.
— Mãe... — Bianca entra na cozinha e vê todos ali. — Meu Deus...
— Bianca, volta pro quarto!
Ela roda a cadeira tentando ir até Naomi, mas sua mãe a segura.
—Bianca, volta agora!
Bianca a olha com desprezo. O prefeito leva Naomi para o porão.
— Vocês se merecem. — Diz ela, saindo pela porta dos fundos.
— Aonde você vai?
No banheiro da rodoviária, Aline colocava uma fralda nova no bebê, que estava em cima de uma bancada. Depois, ela o pega no colo, mas antes que pudesse sair, Sara e Ellen entram, fechando a saída.
— Seu joguinho acabou, Aline. — Sara se aproxima dela, estendendo a mão. Ellen continuava em frente a porta, mas Aline se recusa a entrega-lo. — Dá o meu filho! — Ela se aproxima mais de Aline, que a encara, sem expressão.
— Eu passei todo aquele tempo com você, Sara. — Ela tenta conversar, ganhar um tempo para ver como as coisas vão seguir, ela sabia que corria risco de morte.
— Pensava que você era minha amiga.
— Não existem amigos quando se está preso contra sua vontade. — Ela se dirigia a Ellen. Poucos sabiam de sua história para chegar ali. Aline o entrega, se ajoelhando diante de Sara, que pegava, pela primeira vez, seu filho no colo. — Acabe logo com isso. — Aline se rendeu para morrer. Sofreu muito naquele lugar e apenas queria uma vingança digna, que infelizmente não foi concretizada.
— Eu não vou te matar. — Ellen conta para Aline, que vai até ela.
— O quê?
Sara estranhou, mas não estava "ligando". Finalmente estava com seu filho nos braços, só havia o visto uma vez quando nasceu. Foram dias dolorosos, mas que valiam a pena, ao vê-lo. Seus olhos lacrimejaram como nunca antes, mas nenhuma lágrima caia. Ela queria ser forte, mas não conseguia, ao estar com seu filho.
— Eu prometi que te daria liberdade, eu cumpro minhas promessas. — Ellen abre a porta para ela, que a olha nos olhos. Ellen apenas desvia o olhar e Aline vai embora.
— Por que a deixou ir? — Mesmo não se importando tanto com aquilo, Sara sabia que Ellen era humana e tinha um coração, mas por que se importaria com uma mísera escrava?
— Tenho pena dela...
Mulheres começam a entrar no banheiro. As duas saem do local, com pressa.
Estava ele sentado, observando as ondas do mar indo e vindo. Seu amigo sempre sentara naquele penhasco e já fazia muito tempo que não o via. Queria saber como ele está e o que faz, mas sabia que esse era o lugar mais óbvio para encontrá-lo. As coisas podem ter mudado para Daniel, mas ele ainda se importava com seus antigos amigos, que o vingaram. Não se lembra se contou a Lídia o motivo para entrar no Cold Blood, mas foi por eles serem seus ídolos.
Seus pais foram assassinados por seu tio quando ele era pequeno. Seu ódio era uma obsessão, queria justiça a qualquer custo, então, Cold Blood o matou. Ele fez de tudo para entrar, e finalmente conseguiu. As lembranças de Daniel eram dolorosas e ao mesmo tempo prazerosas, amava Lídia acima do Cold Blood, mesmo não conseguindo demonstrar, na época em que Sara ainda estava na cidade. Mas após abandonar aquele grupo de assassinos, mudou completamente seu jeito de pensar e agir. Ele se virou ao ouvir passos. Jason deu um sorriso e se sentou ao seu lado.
— Veio me procurar?
— Faz tempo, né?
— Como vai seu namoro com a Lídia?
Daniel não queria lhe contar o que estava havendo, então mentiu, dizendo que tudo estava bem tranquilo. Foi uma conversa longa e desabafadora, para Jason, que contou tudo o que estava havendo.
Flashback On:
Lídia estava vendada. Sentia a areia em seus pés, ouvia o som de crianças correndo e o barulho do mar. Obviamente estava na praia, mas não sabia o porque de Daniel tê-la levado lá.
— Já posso tirar?
Ele a guiava pela praia, queria fazer uma surpresa para ela.
— Pode. — Ela tirou a venda e se deparou com um piquenique. Havia um bolo de aniversário e varias guloseimas que os dois gostavam. — Gostou? — Lídia sorriu para ele, dando-lhe um beijo. — Vou considerar isso como um sim. — Eles se sentam e começam a desfrutar dos doces. Lídia ouve alguém a chamando e olha para o lado. Sua filha corria até ela, e logo atrás, Jessica.
— Oi, Rose. — Elas se abraçam fortemente, Lídia havia voltado a cidade já fazia algumas semanas e não via a sua filha há bastante tempo.
— Oi, tia.
Flashbacks off:
Sara, Ellen e Thiago voltavam para a cidade. Desceram de um táxi e pararam em frente a pousada. Eles vão caminhando até a portaria, mas ouvem a sirene de um carro de policia, que estaciona defronte a pousada após o táxi ir embora.
— Mãos para o alto. — Dizia o policial, descendo do carro e apontando a arma para Thiago, que segue suas instruções.
— O que tá acontecendo? — Pergunta Ellen para o policial, que algema Thiago.
— Ele faz parte do maior grupo de assassinos da região. — O policial o leva para o carro.
— Com qual provas está se baseando? — Sara e Ellen estavam assustadas, tudo poderia vir a tona. Mas não mais assustadas que Thiago, que estava absurdamente apavorado.
— Temos um vídeo que veio de um blog. — O policial vai embora, levando Thiago para a delegacia. Sara e Ellen se olham, sem saber o que fazer.
— O Thiago foi preso? — Rebeca pergunta. Fazia uma hora após o ocorrido. Sara ligou para ela e para e Jason, e todos decidiram se encontrar no restaurante.
— É, parece que aquele blog tá denunciando a gente. — Ellen pega seu celular e mostra vídeo para todos.
Foi ontem, enquanto cremavam o corpo do homem que torturaram. Todos estavam em volta de uma fogueira e Thiago foi o único que tirou sua máscara. A câmera parecia gravar sobre uma árvore, pois havia um galho na parte superior da gravação.
— O que podemos fazer? — Rebeca queria ajudar e seria capaz de tudo, a qualquer custo.
— Eu não sei, é impossível hackear o blog. — Revela Ellen. — Eu já tentei.
— Então, só podemos esperar. — Jason se levanta, indo embora do restaurante. Rebeca vai, também.
— Eu também vou indo, Sara. — Ellen se retira e Lídia vai até a mesa, se sentando ao lado de Sara.
— O que tá acontecendo?
— Muitas coisas... Sabe, quando eu estive aqui agora há algumas horas, eu não tinha percebido como este lugar mudou...
— É... Foram bons tempos aqueles em que vivíamos na adrenalina. — O sentimento de nostalgia tocava Lídia por dentro, se transformando em um sorriso de recordações.
— Não, não foram. — Sara abaixa a cabeça. Lídia percebe seu baixo astral e tenta animá-la.
— Consigo te comprar com um Milk-shake? — Sara bota um sorriso bobo no rosto. Lídia ri e pede pra sua colega de trabalho trazer-lhe um. — Sabe... Você estava grávida, Sara... Eles mataram seu filho?
— Eu tive gêmeos... E matei um deles.
Lídia se assusta com Sara. Não imaginava sua boa amiga como uma assassina, e ainda mais de crianças.
— Eles te fizeram um monstro, Sara.
— Não ... Me fizeram forte. — Lídia a abraça com força. — Você é a unica pessoa na minha vida que eu posso confiar, sempre posso contar com você.
— Para com frase de filme, que se não, eu choro.
Thiago estava preso. Um milagre deixarem receber visitas após apenas uma hora de prisão. Ele sentava-se em uma cadeira em frente a uma mesa, a pessoa que viera visitá-lo também se sentara.
— Deu tudo certo. — Diz Thiago, se referindo a sua prisão. — Mas acho melhor irmos bem devagar, o Baile de máscaras é só daqui há dois meses, e até a Ellen preparar tudo, talvez já até tenha esquecido desse incidente.
— Eles vão pagar por me rejeitar, eu juro. — Marina deu um sorriso maléfico. Thiago segurara sua mão. a apertando firmemente.
— Não pense só em você, eu também quero vingança contra eles.
Continua...
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