Sedução Da Noite
32 Um ritual acima de qualquer suspeita
Notas iniciais
– Pronto, agora é só acender as velas e esperar as garotas chegarem. – Melanie disse enquanto arrumava a ultima caixa de velas em um circulo no chão.
A coisa toda parecia saída de um filme classe B de iniciação a algum tipo de grupo satânico, mas Alexya pensou que seria melhor assim.
Elas estavam no porão da casa de Melanie, e Alexya esperava seriamente que aquilo desse certo. Era a sua única chance.
– Até agora eu não consegui entender qual é a coisa das velas e a taça com vinho. Não faço idéia de como isso vai fazer a gente ganhar o campeonato, Alexya. – Melanie murmurou quanto começava a acender as velas no sentido horário.
– É como um ritual de invocação de força, Melanie. – Alexya deu de ombros. – Minha tia bruxa me mostrou esse livro que continha isso. A gente só precisa invocar a deusa Ártemis e pedir para ela batizar o vinho. Depois, a gente bebe e jura que, caso ganhemos, vamos oferecer a nossa vitória a ela em um novo ritual.
– Isso parece como um monte de bobagem pra mim. – Melanie murmura, mas continua a acender as velas.
– Pode até ser, mas nós não temos mais nada a perder, temos? Se não der certo, ao menos a gente tentou. – Alexya declarou.
A verdade era que não existia ritual para deusa nenhuma. Deus, ela nem sequer acreditava nessas coisas sobre os Deuses Olimpianos. Para Alexya, mitologia era só uma forma bonita que as pessoas criaram para explicar aquilo que não entendiam, e os Deuses eram só algo para o qual eles precisavam ofertar a sua fé. Nada mais do que isso.
Mas Alexya não poderia contar a Melanie que junto com o vinho, tinha um bom meio litro de sangue de um vampiro. Uma vampira, na verdade.
Ela só esperava que ter feito um pacto com Terri pelo sangue desvinculado dela fosse valer a pena.
Alexya ainda se recusava a aceitar que conseguir o sangue havia sido tão fácil. Terri apenas tinha dado voltas ao redor de Alexya na noite passada e negado cada uma das ofertas de Alexya. Ela não queria nada que Alexya pudesse oferecer, aparentemente.
Até que, como se tivesse tido uma ótima idéia vindo de lugar nenhum, ela disse que queria o sangue de Alexya em troca do dela.
Alexya apenas havia dado de ombros e estendido o pulso para que Terri a mordesse. Não seria a primeira vez que ela seria mordida por um vampiro, e alguns ml de sangue era um preço pequeno a se pagar, afinal.
Mas Terri apenas negou com a cabeça, e com um sorriso de quem entendia das coisas, disse que não tomaria sua recompensa naquele momento. Que o sangue com vinculo é o sangue mais doce existente, e ela deixaria aquela sobremesa para um momento especial.
Alexya simplesmente não se importava se seria naquela hora ou depois, ela só estava preocupada em conseguir o sangue de Terri antes que ela pudesse mudar de idéia sobre burlar as leis.
Alexya até ofereceu-se para dar seu numero de celular, mas tal qual Lucian na noite em que se conheceram, Terri apenas balançou a cabeça e disse que a encontraria quando ela precisasse. Ela não se importou com aquilo, e após Terri encher uma long neck com seu sangue, Alexya pegou seu carro e dirigiu para casa, a memória de ter visto Josh no metamorphose há muito esquecida.
No silencio do porão de Melanie, um toque alegre de celular tocou.
Melanie sacou o celular no bolso dos seus jeans e leu a mensagem no visor.
– Elas estão aqui. – Melanie declarou.
A ansiedade tomou conta de Alexya, enquanto ela pedia a Melanie para mandar as garotas descerem e trancarem a porta atrás de si.
Uma a uma, as lideres de torcida desceram as escadas e olharam confusas para o circulo enorme feito de velas acesas que tomava o chão do porão. No centro, Alexya havia posto uma pequena mesa com uma toalha negra por cima. Havia disposto ali um cálice elaborado que ela havia comprado em uma loja de antiguidades, onde o sangue de Terri repousava junto com um pouco de vinho tinto suave.
– Olá, garotas. – Alexya sorriu na semi-escuridão para seu time. – Queiram por favor formar um circulo atrás das velas, sim?
As garotas murmuraram alguns “sim”, e “claro” e moveram-se até formar um segundo circulo ao redor do primeiro. Melanie havia se juntado a elas, mas Alexya permanecia no centro, ao lado do cálice.
– Vocês foram chamadas aqui hoje, para um ritual de força da Deusa Ártemis. – Ouviram-se alguns risos abafados, ao que Alexya censurou com um olhar mordaz. – Essa pode ser a nossa única chance de ganhar o campeonato, e eu peço que vocês levem isso a sério.
As meninas respiraram fundo e assentiram em concordância.
– Por favor, dêem as mãos e fechem seus olhos. – As meninas obedeceram dando suas mãos as meninas que estavam aos seus lados e todos os olhos na sala se fecharam, menos os de Alexya.
– Ó Deusa Ártemis! – Alexya estendeu suas mãos para o alto para o caso de alguma das garotas resolver olhar, e seguiu com sua falsa fala ritualista. – Viemos aqui essa tarde, como suas humildes servas pedir para que nos abençoe, nos dando a força necessária para que possamos ganhar a competição.
Alexya fez uma pausa dramática e verificou se as garotas estavam de olhos fechados. Algumas tinham em seus rostos sorrisos bobos, mas todas permaneciam com os olhos fechados.
Ótimo.
– Dê-nos, ó poderosa Deusa, força e agilidade pra ganhar e lhe ofereceremos nossa vitória. Batiza esse vinho, ó poderosa Deusa, e nós, suas humildes servas lhe seremos eternamente devotas. Aqui e agora, lhes oferecemos nossa alma imortal, ó Deusa.
Alexya pegou o cálice que continha o sangue de Terri e caminhou até onde Melanie estava, decidindo começar pela melhor amiga.
– Esse é o sangue que contem a força e agilidade da Deusa. Beba dele e se comprometa a ser sua serva. Diga: Eu me comprometo! – Ela disse enquanto parava em frente a Melanie.
Melanie repetiu o mantra de “eu me comprometo” e tomou um bom gole do sangue, fazendo uma careta pelo sabor.
Alexya seguiu em sentido horário, passando por cada uma das garotas, fazendo-as entoar “eu me comprometo” e lhes dando um gole do sangue de Terri. Quando a ultima das garotas bebeu, Alexya ergueu a taça para o alto e bradou:
– Nós nos comprometemos, ó Deusa!
Em seguida, secou o conteúdo do Cálice em bons quatro goles, para que não sobrasse nada que pudesse afirmar que o que elas beberam não era somente vinho.
Alexya pediu para que as garotas apagassem as velas aos sopros, como sendo aquele o final do ritual, depois iluminou seu próprio rosto com a lanterna-chaveiro que estava no seu bolso.
– Que a Deusa esteja com vocês. – Ela disse de forma sinistra.
Em seguida, Melanie ligou a luz.
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