Sedução Da Noite
33 Uma estranha encrenqueira
Notas iniciais
Enquanto dirigia para a casa de seu mestre ao cair da noite, Alexya contraia e relaxava os músculos das mãos que seguravam o volante sentindo sua nova força. Ela não lembrava de ter se sentido dessa forma logo que bebeu o sangue de Lucian.
Seu corpo vibrava com o sangue da vampira e Alexya se sentia mais forte do que nunca. Era estranho, mas ela poderia até dizer que se sentia mais... Poderosa.
Deus, ela estava enlouquecendo, só pode.
Alexya sacudiu a cabeça enquanto imaginava como as companheiras de time estariam se sentindo agora. Ela não sabia se o fato de ser escrava de sangue de Lucian aumentava ou diminuía o efeito de ter bebido do sangue de Terri, mas algo dentro dela dizia que a pequena vampira era muito mais velha do que aparentava ser.
Como se o universo estivesse conspirando junto com Alexya, seu telefone começa a tocar animadamente “photograph” do Nickelback no descansa copos do carro. Era o toque para quando Melanie ligava.
– O que tinha naquele maldito vinho? – Melanie perguntou assim que Alexya atendeu.
– Boa noite pra você também, Mel. Como vai? – Alexya disse sarcástica.
– Boa noite. Estou maravilhosa, tanto em aparência quanto em força, agilidade, visão, rapidez e nunca estive mais graciosa. Estou me sentindo a porra de um gato, Alexya! Agora, o que tinha naquele maldito vinho? – Melanie cuspia as palavras em um frenesi que fez Alexya sentir pena da amiga por alguns segundos.
– Miau! – Alexya riu. – Que bom isso Melanie, mas pelo que me consta você sempre teve um porte atlético.
– Alexya, para de tentar me enrolar. Eu to falando bem sério aqui. Alguma coisa aconteceu depois daquela vergonha que você chamou de ritual. E não foi só comigo! Eu Já recebi quinze ligações e dez mensagens. O que – Melanie se interrompeu por cinco segundos. – Elena ta me ligando agora. E eu já posso até te dizer qual vai ser o maldito assunto.
– Então eu acho que você desliga e vai falar com ela, ué. – Alexya respondeu simplesmente. – E quanto ao vinho... Era só vinho ué. Mas o ritual foi real, e embora você possa não acreditar nos deuses, eles acreditam em nós. E você tem a prova em você.
– Alexya, você acha que eu sou estúpida? – Melanie gotejava veneno nas plavras.
– Não. Mas acho que você é muito descrente. Tenta não pensar muito pra não ter uma dor de cabeça. Apenas uma vez na vida só aceita e não pondera ok? Te vejo no treino amanhã.
– Alexya, você não está pensando em... – Melanie começou, mas Alexya desligou antes que ela pudesse terminar.
Sim, Mel. Eu estava pensando em desligar na sua cara e foi o que eu acabei de fazer. Alexya pensou.
Alexya saiu do carro e o celular começou a tocar novamente no bolso dos jeans. Ela sabia que sua amiga devia estar furiosa com ela nesse momento, mas ela sabia também que isso não duraria mais do que algumas horas. E com sorte ela estaria muito ocupada tentando explicar para as outras lideres de torcida algo que nem ela mesma compreendia.
Pobre Melanie. Às vezes Alexya pensava sobre contar a ela sobre os vampiros e lobisomens e essa coisa toda de escrava de sangue, mas ela sabia melhor do que fazer isso. Melanie era muito literal, e sua mente sistemática nunca aceitaria algo que ela não pudesse explicar.
Um barulho de algo se quebrando veio de dentro da casa de Lucian e Alexya sentiu a adrenalina começar a correr dentro dela.
Provavelmente Lucian esta de mau humor, pensou.
Ela abriu a porta da frente e teve que pular imediatamente para trás. Um Lucian extremamente atordoado tinha acabado de ser lançado na parede.
Graças a Deus seus reflexos estavam afiados essa noite, ou então ela estaria fazendo par com seu mestre no buraco que havia se formado na parede.
Alexya correu para junto de Lucian ao perceber que o vampiro sangrava. Uma mordida no ombro em que faltava um bom pedaço de carne estava se fechando em frente aos olhos dela com uma rapidez fora do normal e a camiseta que Lucian vestia estava em trapos e completamente manchada de sangue. Ao que parecia, aquela mordida não havia sido a primeira.
Lucian se levantou com uma raiva fora do comum e seguiu em direção a sala, só para que mais barulhos de coisas se quebrando fossem ouvidos.
Alexya se moveu cautelosamente em direção a entrada da sala para ver um cenário de destruição. A TV de tela plana estava completamente quebrada e deformada em um canto, a estante havia sido destruída e alguns pedaços de madeira jaziam no chão com sangue como se tivessem sido usados como estacas improvisadas. O sofá estava virado e quebrado também e pelo menos dois pilares pareciam como estalactites e estalagmites alinhadas, pois havia buracos no meio. As paredes pareciam uma tela em que tinta vermelha foi respingada com um pincel a distancia.
Sabina se mantinha escorada na entrada da sala como se ela estivesse vendo um filme de qualidade muito ruim e efeitos especiais piores ainda. Seu rosto estava contorcido em uma careta de desgosto, mas Alexya podia ver em seus olhos que ela estava preocupada com alguma coisa – provavelmente Lucian – por mais que ela não fosse admitir isso.
Lucian estava deitado no tapete da sala com uma das lascas da estante cravada em seu externo como uma maldita estaca. Seus olhos pareciam febris e ninguém menos que Johan pairava sobre ele com um olhar zombador.
– Já terminou seu pequeno show, Lucian? – Johan perguntou com escárnio.
O vampiro criador de Lucian usava Jeans e camiseta, mas tal como Lucian tinha marcas da briga. Sangue dele – e de Lucian – manchava a frente da camiseta branca de Johan, enquanto um rasgo com sangue tingindo as bordas que estava próximo ao coração do vampiro deixava Alexya saber que Lucian provavelmente havia tentado estacá-lo.
– Seu maldito. Você nunca vai chegar perto dela novamente. – Lucian esbravejou enquanto arrancava a maldita lasca com um gemido de dor.
– Temo que isso está além do seu controle, meu caro. – Johan censurou.
– E tampouco é você quem decide. – Sabina descruzou os braços e deu dois passos para perto de Lucian. – Que tal vocês pararem de agir feito dois idiotas agora? Destruir a sala não vai mudar nada.
Sabina estendeu a mão e ajudou Lucian a ficar de pé.
– Estou falando sério, Johan. Ela não quer ter mais nada a ver com você, e se eu fosse você eu manteria isso em mente. – Lucian aconselhou.
Por um momento um olhar de tristeza cruzou o rosto de Johan.
– Queria eu poder decidir me afastar. – Ele murmurou. – Mas não é assim tão simples.
Lucian assentiu como se entendesse.
– Pelo que eu sei fazer o certo nunca é fácil.
Johan sorriu sarcástico, e adotou sua postura de badboy novamente.
– Mas quem disse que eu quero fazer a coisa certa?
Lucian e Sabina apenas reviraram os olhos em sincronia e Alexya quis saber desesperadamente quem era a tal garota que conseguiu fazer com que seu mestre se metesse em uma briga com o próprio criador.
Mas pelo olhar no rosto de Johan, Alexya imaginou que ela logo viria a conhecer a senhorita encrenqueira.
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