Seducing The Enemy
18 Capítulo XVIII – What I Did For Love
Notas iniciais
Capítulo XVIII – What I Did For Love
Quinn era colocada em uma maca e gemeu de dor quando alguém esbarrou em sua perna. Gritou quando sentiu uma mão apertar seu tornozelo. Jogou a cabeça para trás na maca e sentiu uma mão em seu cabelo. Era levemente acariciado em um cafuné tranquilo. Quase conseguiu relaxar.
– Vai ficar tudo bem... — Alguém sussurrou em seu ouvido enquanto acariciava o seu cabelo.
Sentiu alguém tocar em seu ombro e apertar, então gritou quando outra pessoa apertou seu tornozelo. Um "shh" foi sussurrado em seu ouvido e sentiu uma beliscada em seu braço e seu corpo começou a relaxar instantaneamente.
Mas não dormiu. Sentiu quando a maca foi levantada. Abriu os olhos e percebeu que estava sendo colocada em uma ambulância. Sentiu sua mão ser segurada e escutou algumas pessoas falando.
– Eu vou ligar para a mãe dela e você vai com ela para o hospital.
– Você não vai?
– É melhor você ir, ela fica mais tranquila com você.
– Mas você é a namorada dela!
– É melhor você ir... Ela vai se sentir melhor com você.
E tudo apagou.
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Quando abriu os olhos, teve certeza de que estava em um hospital. O cheiro a fazia querer vomitar. Ergueu a mão e a apertou na testa. Gemeu quando tentou mexer a perna.
– Hey Quinnie... — Olhou para o lado e viu sua mãe sentada em uma cadeira ao lado da sua cama.
– O que...?
– Você escorregou fazendo um passo e... — Sua mãe balançou a cabeça e Quinn levantou a própria cabeça, olhou para baixo e viu sua perna erguida. Gemeu e jogou a cabeça para trás. — Está quebrada, querida.
– Quer dizer que...
– Ainda não temos certeza, você terá que fazer fisioterapia por um tempo. — A mão da sua mãe acariciava seu cabelo enquanto Quinn respirava fundo e tentava não se sentir uma idiota por ter feito o que fez. – Tem alguém aqui que quer te ver.
Quinn olhou para sua mãe e franziu o cenho.
– Taylor?
– Hmmm. Ela também quer, mas ela foi buscar alguma coisa para comer. – Sua mãe levantou e foi até a porta. – Essa é morena.
Quinn só conseguiu pensar em Santana, mas quando a porta se abriu e viu que não era a latina, um sorriso cresceu em seu rosto, mas logo sumiu quando lembrou que a morena não queria saber dela.
– Vou deixá-las a sós. – E Judy saiu do quarto.
Rachel a olhou timidamente e se aproximou lentamente até se sentar onde Judy estava. A morena se aproximou mais com a cadeira e Quinn respirou fundo. Rachel sempre estava linda, e isso fazia seu coração acelerar tanto que o ar da sala desaparecia.
– Parece que você foi a única a quebrar a perna. – A morena murmurou e cruzou as pernas, colocando as mãos no colo e brincando com os dedos.
– É... acho que o universo está tentando me dizer alguma coisa. – Brincou e sorriu ao ver o sorriso contido no rosto de Rachel. – Então... qual o resultado?
– Ganhamos. – Rachel diz e levanta os olhos. Eles tinham um brilho que fez Quinn sorrir mais ainda e seu coração acelerar. – Graças a você...
– Não! Não é graças a mim, vocês foram fantásticos! – Guinchou e se arrumou para sentar na cama, sua perna esticando e grunhiu de dor, fazendo Rachel morder o lábio, preocupada. – Eu falo sério. Vocês foram perfeitos.
– Vocês também estavam sendo perfeitos, então você fez aquela coisa e acabou fazendo isso com a sua perna. – A morena aponta para a perna no ar e Quinn cora. – Porque fez aquilo?
– Rachel...
– Se você acha... se você acha que eu poderia perdoar você, por isso... Quinn, eu não acredito que você fez isso! – Guinchou e levou as mãos até o rosto.
Quinn arregalou os olhos surpresa. Ela nem tinha pensado que fazendo aquilo – sacrificando as chances do VA ganhar – iria fazer Rachel perdoá-la. Ela só queria fazer o New Directions ganhar. E queria jogar na cara de Jesse que ela não era quem ele pensava que era. Ela não era uma máquina que ele poderia fazer o que quiser.
Mas Rachel não completou o primeiro pensamento. Ela disse que se Quinn achava que ela iria perdoá-la pelo o que ela fez, mas ela não disse se perdoou. Ela não terminou a frase. Agora o coração de Quinn acelerou.
– Rachel... O que eu fiz, não tem nada a ver com o que a gente teve. O que eu sinto por você apenas me fez ter certeza do que eu estava fazendo... tudo bem que eu não sabia que iria quebrar a perna, achei que iria só escorregar...
– Você também bateu a cabeça. Teve uma concussão. – Rachel murmurou baixinho e Quinn sorriu carinhosamente.
– Eu realmente não lembro de muita coisa depois que desmaiei. – Confessou e Rachel ergueu os olhos. – Lembro de algumas vozes... de sentir dor, mas só isso.
Rachel corou levemente e assentiu. Quinn deitou a cabeça no travesseiro e ficou observando a morena. Seu sorriso foi suavizando até ficar uma expressão relaxada. Estava feliz por Rachel está ali.
– Como foi? – Perguntou baixinho e Rachel a olhou confusa. – Quando ganharam. Como foi?
Rachel sorriu imensamente. Quinn sentiu seu coração acelerar mais ainda.
Então Rachel começou a falar. Falava de como ela ficou nervosa quando eles disseram quem tinha ficado em terceiro lugar, e como ficou feliz quando não disseram que tinha sido eles. Quinn descobriu que o Vocal Adrenaline ficou em segundo lugar, e tinha sido classificado para as Nacionais. Sabia que tinha dedo de Jesse nisso. Ele sempre dava um jeito de conseguir as coisas que não conseguiu antes. Mas não se preocupou com isso. Ela iria sair do Vocal Adrenaline. Isso era certo.
Alguns minutos depois, Judy voltou para o quarto com Taylor. A ruiva sorriu quando viu Rachel e Quinn sentiu o corpo tenso. Mas quando a morena sorriu de volta – um sorriso bem verdadeiro – ela sentiu o corpo relaxar. Mas a duvida continuou na cabeça. Taylor sentou na cama ao lado de Quinn que não soube como agir, mas a ruiva não fez nada, apenas continuava tomando o seu café enquanto falavam de assuntos alheios.
O que Quinn mais estranhou, foi que Taylor não fez um só movimento para tocá-la. E isso a deixou com pensamentos na cabeça. Pensamentos e duvidas.
Logo Rachel alegou que iria ter que ir embora, seu pai tinha vindo lhe buscar. Ela não se aproximou de Quinn para falar com ela. Apenas acenou para todos e saiu.
Quinn ficou pensando se Rachel a perdoou. Sabia que era algo muito difícil de acreditar, mas sentia essa esperança.
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Logo Taylor e Quinn ficaram sozinhas. Judy tinha ido para casa pegar algumas roupas, já que Quinn iria ter que passar uma noite lá, e ficar de observação para ver se a batida na cabeça não iria se transformar em algo mais sério. Mesmo que Quinn estivesse odiando isso.
– Então. Nós perdemos. – Quinn falou e Taylor assentiu enquanto comprimia os lábios. – E você? Como você está?
Taylor deu de ombros.
– Estou bem. De qualquer jeito, estamos nas Nacionais. – Balançou a cabeça e viu a ruiva rir.
– Jesse?
– Sim. Ele surtou, então foi conversar com algumas pessoas, e até o final do dia, nós estávamos nas Nacionais.
Taylor sentou onde Rachel estava e cruzou as pernas. Se inclinou para frente e pegou as mãos de Quinn entre as suas. Quinn a olhou curiosa.
– O que aconteceu entre você e a Rachel? – Perguntou baixinho. A ruiva não a encarou, apenas balançou a cabeça de um lado para o outro.
– Conversamos. – Disse simplesmente e Quinn ficou mais curiosa ainda.
– Sobre...?
– Você. – Disse mais uma vez e Quinn ficou irritada.
– Sim?
– Quinn. Entenda uma coisa. – Quinn ergueu uma sobrancelha e a ruiva se aproximou dela. – Você nunca vai saber sobre o que a gente falou.
– Porque?! – Guinchou. Ela realmente estava preocupada com isso.
– Porque é algo entre a gente, você não tem que saber disso! — Quinn fez um beicinho e sentiu um leve tapinha em seu braço. – Não se preocupe, não é nada péssimo.
Quinn a olhou assustada e Taylor gargalhou.
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Entrou em casa se apoiando nas muletas. Olhou para o sofá e suspirou aliviada, saltitando com uma perna só até lá e se jogando, respirando aliviada e olhando para a pessoa que lhe encarava rindo.
– Sério, você precisa aprender a andar de muleta. – Santana disse ainda rindo.
– Eu não quero aprender. Eu quero é arrancar essa bota! – Grunhiu apontando para a bota ortopédica que usava. Agarrou a perna e colocou em cima do centro.
– Own, mas é uma bota sexy. – Santana zombou e se jogou ao lado de Quinn no sofá. – É sério, você se fodeu lindamente naquele palco. Juro que achei que você tinha morrido.
– Amo a sua sinceridade.
– Claro que ama. Mas falo sério! Sua cabeça bateu com força lá, todo mundo parou, menos os seus amigos corações de gelo que continuaram cantando como se nada tivesse acontecido. Sério, não sei como você consegue suportar aquela gente. Tive vontade de socá-los. Um a um.
– Eles são legais. O problema é que eles são, como eles dizem, “nascidos para o palco”. Ou seja, nada os atrapalha. Nada os tira da concentração. É meio ruim.
– Muito ruim. E eles ainda nem foram para o hospital ver se você estava bem!
Quinn olhou para a latina, ela parecia bem indignada. Sorriu de canto e tentou esconder. Mas ela não poderia não brincar com Santana.
– Você está mais ofendida do que eu já estive em todo o tempo que estudei com eles. – Falou baixo e olhou de canto para Santana, que tinha corado consideravelmente. Ela ficou feliz. Santana se preocupava com ela, mesmo depois da merda que ela fez com Rachel. – Obrigada. – Disse e escorregou no sofá, deitou a cabeça no ombro da latina e o sentiu tremer em uma risada de Santana.
– Até a Rachel foi te visitar no hospital. – Comentou e Quinn voltou a sentar normalmente no sofá. Olhou para a perna e suspirou.
– Acha que ela me perdoou?
– Claro que não! Ela só estava preocupada com você. Afinal, ela ainda te ama. – Quinn olhou para Santana de canto e suspirou pesadamente.
– Eu também a amo. – Falou baixinho e olhou para as mãos sobre o colo. Apertou os dedos da mão direita e respirou fundo. – Eu fiz merda demais, e quero arrumar tudo isso.
– Não vai ser muito difícil. – Santana murmurou e Quinn a olhou assustada. – A merda que você foi grande. Muito. Fodeu com os sentimentos dela, e ainda os seus. E agora você vai ter que foder com os sentimentos da sua namorada.
Os olhos de Quinn arregalaram e Santana assentiu sabiamente.
– Isso não vai acontecer.
– Quinn. Vamos ser honestas. – Santana sentou ereta e olhou para a loira. Elas se encararam por alguns segundos. Santana bateu a mão na cabeça de Quinn.
– Ouch! – Quinn gemeu e passou a mão onde Santana tinha batido. – Porque fez isso?
– Porque você é a pessoa mais confusa que eu já conheci! – Santana guinchou e bateu de novo na lateral da cabeça de Quinn, que se arrastou para longe da latina enquanto esfregava o local dolorido. – Sério mesmo! Você poderia ter se decidido desde o inicio! Mas ficou nessa frescura de “não quero magoar ninguém”, sendo que, você acabou magoando todo mundo nessa porra. – Santana se inclinou e falou bem próxima do rosto de Quinn. – Inclusive você.
– Você acha que eu não sei disso? – Quinn passou as mãos pelo rosto e olhou para a latina. Santana bufou e olhou séria para Quinn, antes de erguer a mão e bater na testa da loira. – Sério! Pare com isso.
– Eu vou parar, quando você entender que não é mais uma criança que tem que implorar para que não matem a formiga, simplesmente, porque ela tem sentimentos. Você é uma adulta... ou quase isso. E no seu caso, o movimento que você fizer, vai estar machucando alguém. Então, vamos colocar Taylor e Rachel de lado. O que você quer fazer? O que não vai te machucar?
Quinn balançou a cabeça e olhou para o lado. Para sua perna dolorida e imobilizada. Ela mentiu para Rachel. Disse que ter quebrado a perna em cima do palco não tinha nada a ver com a morena, mas era mentira. Tinha tudo a ver com ela. Todas as suas decisões, tudo o que está acontecendo, tem a ver com Rachel Berry. Quinn sabia que a amava, mas não sabia que isso influenciava em tudo o que fazia. Suspirou pesadamente e voltou seus olhos para Santana.
– Eu amo a Rachel. – Disse e viu Santana erguer as mãos para o céu e murmurar um agradecimento. Quinn revirou os olhos e foi sua vez de bater na latina, só que estava longe demais para bater na cabeça, então bateu no braço.
– Okay, só não devolvo isso porque você está com a sua perna fodida. – Santana resmungou enquanto esfregava o local dolorido.
– Sim, okay. Eu disse que eu amo a Rachel, mas... eu não sei se vou ser capaz de terminar com a Taylor. Eu também a amo. Muito. Ela é muito especial para mim. Não posso simplesmente jogá-la fora como se não significasse nada. – Explicou rapidamente e viu Santana revirar os olhos dramaticamente. – Eu estou falando sério!
– Tanto faz! Você se preocupa demais com as pessoas, isso é cansativo.
– Talvez porque eu sou humana?!
– Isso é uma fraqueza. – Santana brincou e foi à vez da loira revirar os olhos.
– Diz isso até Brittany aparecer aqui, então você vai ficar com o rabinho entre as pernas e...
Novamente Santana bateu nela. Dessa vez, no joelho.
– Deixe a minha Britt fora disso.
– Okay, okay. – Quinn se encolheu e jogou a perna quebrada para o lado, colocando-a no chão e pegando as muletas. Pronta para se levantar.
– Para onde vai? – Santana perguntou enquanto observava Quinn se levantar.
– Comer. – Respondeu e pulou até a cozinha.
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– Então... quanto tempo para ela tirar o gesso? – Judy perguntou para a médica. Quinn observava a doutora olhar os papeis em sua prancheta e rezou para que fosse logo.
– Próxima semana, nós estaremos removendo o seu gesso. Fico surpresa que tenha se curado tão rápido, Srt. Fabray. – Dra. South disse ainda olhando para os papeis. Ela tinha os olhos azuis fixados neles, então os dirigiu para Quinn, que se encolheu. Dra. South era uma mulher bem intimidante, e bem bonita. Seus longos cabelos loiros e olhos azuis eram o que a deixava mais intimidante. – Depois que retirarmos o gesso já poderá começar a fisioterapia, e daí depende de você.
– Achei que tudo dependesse de mim, desde o inicio. – Quinn resmungou distraidamente e sentiu a mão da sua mãe apertar o seu ombro com mais força. Grunhiu de dor apertou os lábios fechados.
– Sim, tudo sempre depende do paciente. E do jeito que você se curou, acho que realmente teve boas influencias esses dias.
Santana – além da sua mãe – foi a pessoa que ela mais viu esses dias. Não achava que era uma boa influencia. Melhorar era quase uma obrigação quando a latina ficava empurrando-a e socando seu braço. E também batendo na sua testa e na sua cabeça.
– Eu não diria boas... – Resmungou e sentiu o aperto em seu ombro aumentar. – Ai!
– Algum problema, querida? – Sua mãe perguntou, sua voz soando exageradamente doce. Quinn apenas grunhiu.
– Bem, acho que está bom por hoje. – A Dra. South se levantou e foi até a sua mesa pegando um pirulito do grande pote ao lado da foto dela com a sua filha. – Aqui, para ajudá-la a melhorar.
– Eu não acho que...
– Muito obrigada, Dra. South. – Judy disse e pegou o pirulito, entregando-o a Quinn.
Dra. South sorriu e acompanhou as duas até a porta. Judy empurrava a cadeira de rodas de Quinn que resmungou por ficar sentada. Ela preferia as muletas, ao menos ficava em pé e não dependia de uma pessoa para ficar se locomovendo.
Chegando em casa, Quinn saiu do carro com a ajuda da sua mãe e foi pulando até a porta, entrou e acendeu as luzes. Foi para a sala e se jogou no sofá, respirando fundo aliviada pelo conforto do sofá que ela passou a semana inteira. Já que não poderia subir escadas para ir para o quarto.
– Quer que eu faça alguma coisa para você comer? – Judy perguntou e jogou o pirulito no colo de Quinn.
– Um suco de laranja?
– Vou ver se ainda temos algumas laranjas, mais alguma coisa?
– Não, só isso. Obrigada mãe.
Judy acariciou o cabelo de Quinn e passou indo para a cozinha.
A campainha tocou e Quinn resmungou. Judy passou correndo para a sala e abriu a porta.
– Olá, Sra. Fabray.
– Oh. Olá. – Judy olhou para Quinn que se esticava para ver quem era. – Quinnie, acho que é para você.
Era Rachel.
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