Secrets of the Light and Shadow
13 Capítulo 12
Notas iniciais
Realmente, o caminho até o acampamento era lindo. Alex ia à frente mostrando o caminho. Aiden olhava desconfiado para ela, até que entendia ele, por mais que ela fosse minha família, tínhamos que ter cuidado redobrado. Mas, normalmente, os membros dos acampamentos protegem os procurados por mercenários e não gostava dessa raça (irônico, era uma mercenária indo para um acampamento), Alex sabia disso e falou que não tinha problema. Não conversamos durante o caminho, Aiden ficou tenso quando entramos na floresta, eu sabia, era por causa do ataque. Sentia que ele estava preparado para tudo. Peguei sua mão e caminhamos bem próximos.
Depois de 25 minutos de caminhada silenciosa, Alex parou e encarou o nada.
– Algum problema? – Perguntei.
– Não. Nós chegamos. – Ela sorriu.
– Não vejo nada. – Aiden falou tenso, ele olhava demais ao nosso redor.
Alex apenas estalou dedos e um portal apareceu. Ok, aquilo era normal para mim.
– Como você fez isso? – Aiden estava sério, mas perplexo.
– É uma mágica tão simples, apenas desejar que algo se esconda e depois querer que apareça. Bloqueio mais do que simples. – Falei olhando para a floresta.
– Sabe, são poucas bruxas que conseguem fazer esse bloqueio. Quem os faz são as fadas, igual ficar invisível. Outra habilidade das fadas é usar energia concentrada para atacar os outros.
– O QUE? – Dessa vez eu e Aiden exclamamos chocados. Era o que nós fazíamos.
– Há touché. – Ela sorriu.
– Podemos entrar? – Falei exasperada.
– Claro, vamos. – Alex nos guiou, sentia que ia descobrir coisas que ia mudar a minha vida e a de Aiden.
DENTRO DO ACAMPAMENTO, CABANA DE ALEX
– Ok, agora pode explicar essa história direitinho. – Falei. O local era um escritório bem bonito, havia uma mesa grande, ela sentou na cadeira única no lado da parede, eu e Aiden sentamos a frente dela.
– Eu não sou uma fada. – Aiden falou inconformado.
Alex riu e eu olhei para ele com curiosidade.
– É um pouco mais complexo do que isso, Flamevell. Vou explicar a história de Mellany e acho que com isso vou explicar o que te incomoda, ok? – Ela sorria amigavelmente.
– Beleza, agora explica.
– Bom, vamos começar com a pergunta que mais está incomodando você Mellany, por que seus pais foram caçados. Quando eles apenas eram namorados, uma hibrida entre bruxa e fada fez uma profecia, de que a Luz e a Escuridão iriam voltar. Mas ela foi muito específica sobre os pais das crianças, só não especificou quais seria o casal responsável por cada um. Os nomes desses casais eram Helen Morgan e Erik Simmons, outro era Sarah Carrigan e Petrus Flamevell. Quando minha irmã ouviu esses boatos, ela foi atrás desses dois. Sarah era uma hibrida de fada e vampira e Petrus era lobisomem. Como eu sou uma boa localizadora, encontrei-os com muita facilidade. Eles conversaram e decidiram não deixar isso interferir na vida deles. Então, seus pais Mellany e os pais do Aiden conseguiram se casar e tiveram uma vida complicada, mas vi que cada um estava feliz. O problema foi quando Helen e Sarah ficaram grávidas, o que a bruxa disse estava sendo seguido, foi aí que a vida dos quatro se tornou um inferno. Caçados e procurados de todos os lados, seus pais Aiden, procuraram a minha proteção, logo depois de seu nascimento. Eu cuidei de você por um breve período, mas eles logo partiram. Perdi vocês dois, mas quando se encontraram com 6 anos, foi um alivio para mim. Soube que tinha esperança.
– Esperança de que? Pelo que vejo, só tem desgraça nessa história. – Aiden disse, ele estava estranho.
– Você sabe como termina as lendas da Luz e da Escuridão, não sabe? Com um dos dois, morto. E não é qualquer morte, luta de espadas ainda da uma chance de sobrevivência, mas quando a lamina esta com o sangue de quem a empunha, a morte é certa. Outro jeito é por estrangulamento. As lutas desses dois são violentas e as mortes, são mais do que horríveis. Com vocês dois se amando, não há motivos para um matar o outro.
– Como eu consegui escapar dos fanáticos, sendo que continuo com o mesmo nome? – Ele perguntou.
– Seu nome não era Aiden Flamevell, era Gabriel Carrigan Flamevell, em homenagem ao arcanjo. Espalharam esse nome por aí e te rebatizaram de Aiden Flamevell, quando acharam algo suspeito, eu mesma fiz com que acreditasse que você era primo de Gabriel Carrigan, filho do falecido irmão de Petrus, Davi.
– Meu nome sempre foi Mellany, não é? – Perguntei.
– Sinto te informar, mas não. Esse nome foi dado por Phillips Dust, ele não queria manter seu nome, achou que mudando, a sua família verdadeira nunca iria te achar. Seu nome é Audrey Morgan Simmons.
– Audrey? Que nome foi esse? – Perguntei com curiosidade.
– Pesquisei seus nomes verdadeiros nos arquivos que se tem conhecimento sobre a Luz e a Escuridão e as notícias só pioram. A Luz já veio como mulheres e homens, igualmente para a Escuridão, só que quando a Luz vem com o sexo masculino, tem o nome de Gabriel desde o nascimento e a Escuridão de Audrey. E sempre foi assim, eles mudaram, mas quando nasceram, tiveram esses nomes. Eu sinto muito Mellany.
AIDEN P.O.V.
– Eu sinto muito Mellany. – Essa frase me fez gelar por dentro. – E sinto ainda mais por você Aiden. Não queria falar isso para vocês, mas era a única que teve coragem.
Comecei a rir, mas eu queria chorar.
– VOCÊ SÓ PODE ESTAR BRINCANDO! ME DIZ QUE ISSO É UMA BRINCADEIRA ALEX! – Gritei. Dei socos na mesa que deixaram algumas rachaduras.
– Infelizmente, estaria mentindo, acho que isso explica o porquê não conseguiu controlar o lobo perto da Mellany e os ferimentos dela não curaram sem ajuda. Seus instintos gritam para matá-la, mas você a ama tanto que nem percebe. – Ela falou séria.
Quando olhei para Mell, ela estava olhando para a janela atrás de Alex, eu vi as lagrimas escapando de seus olhos. Era a primeira vez que a vi chorando sem demonstrar alguma reação.
– Por isso que eu sou boa mercenária, por isso consigo matar sem peso na consciência, por isso sou boa em ser cruel quando quero. Eu sou o lado ruim do mundo, não é? – Ela falou friamente.
– Não, você só tem poderes sombrios. – Alex amenizou, mas nós todos sabíamos a verdade, Mellany era o lado maligno das pessoas e dos poderes do mundo, ela era o mau. Mas não via isso nela, em nenhum momento, até mesmo quando ela matava os outros mercenários.
Tentei encostar-se a ela, mas Mellany levantou e saiu andando para fora do escritório.
– Aonde você vai? – Alex levantou, mas não saiu do seu lugar.
– Andar, preciso esfriar a mente. – Ela falou friamente.
– Vou com você Milly. – Falei levantando.
– Não! Vou sozinha. – Ela voltou a andar e sumiu de nossa visão.
Alex caiu pesadamente em sua cadeira e colocou as mãos no rosto. Ela ficou arrepiada.
– Ela esta com um sentimento estranho. Esperava raiva, mas ela esta normal. – Ela retirou as mãos do rosto e me olhou. Alex tinha um olhar doce, igual à Mell quando ela queria. Realmente, as duas eram parentas. Ela sorriu de modo triste. – Estou ficando com medo de você me analisando assim, não está óbvio que sou tia dela?
– Desculpa, é que... Quero ir atrás dela e dizer que está tudo bem. – Respirei fundo.
– Estou vigiando pelo elo que temos. – Ela fechou os olhos e se concentrou. – Ela esta sentada na floresta, sua mente esta vazia, Mellany não está pensando muito nisso. Prefiro que seja assim.
– Vou atrás dela. – Levantei e sai do local. Os sobrenaturais que lá estavam seguiam sua vida normalmente. Então segui o caminho com tranqüilidade. Não andei muito na floresta pra ver uma figura encolhida no chão de cabelo azul. Fui andando lentamente até ela.
– Fica fácil de te localizar com esse cabelo. – Falei sentando do seu lado.
– Falei pra você não vir. – Mellany disse. Seus olhos estavam fechados.
– Acha mesmo que ia te obedecer? Você não manda em mim. – Falei me aproximando do seu rosto.
Ela abriu os olhos, olhou para mim e sorriu.
– Gosto do seu sorriso. – Ela encostou sua testa na minha e fechou de novo os olhos.
– Você é o causador deles. – Mellany sorria, mas vi de novo lágrimas saindo de seus olhos.
Levantei seu rosto lentamente e a beijei e sabe que perdemos a noção do tempo? Mellany que se afastou.
– Aiden, preciso te falar algo. Acho que nunca disse isso. – Ela parecia nervosa.
– O que? – Fiquei curioso.
– Eu te amo. Preciso de você, como nunca precisei de ninguém na minha vida. – Ela sorriu, mas não parava de chorar.
Ela nunca tinha falado isso pra mim. Sorri de volta.
– Eu também te amo, desde quando te conheci. Sempre precisei de você na minha vida. – Abracei Mell com força.
– To morrendo sufocada. – Sua voz saiu baixa. Parei o abraço e a olhei. Nós nos encaramos e caímos na gargalhada.
– Desculpa, minha intenção era parecer fofo.
– Falhou com abraço. – Ela ria muito.
Ficamos mais um tempo rindo, mas depois ficamos sérios.
– O que vamos fazer sobre a nossa nova identidade, Audrey? – Perguntei olhando para ela com preocupação.
– Não sei Gabriel. Primeiro, saber se realmente temos esses poderes mesmo e se tivermos mesmo, aprender a controlá-los. – Ela suspirou e olhou para o céu. – Tempos de tempestade estão vindo e temos que nos preparar.
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