Secrets of the Light and Shadow
12 Capítulo 11
Notas iniciais
(Musica única: https://www.youtube.com/watch?v=BIHrkqBFUL4 )
AIDEN P.O.V.
Voltei para a casa e fui olhar como Mellany estava. Ela dormia só era estranho ver ela ali parada como uma estátua. Mell era branca, mas estava pálida. Era uma visão assustadora e impotente.
Pensei bem e deitei ao seu lado, ela encostou a cabeça e os ombros em mim, mas Mellany mesmo inconsciente não estava mexendo as pernas. “Espero que ela melhore logo” pensei.
TRÊS DIAS DEPOIS
– Você tem que comer algo Milly. – Falei pela milésima vez.
– Não quero comer, estou sem fome. – Ela estava mal, a palidez continuava e jurava que ela estava com febre, mas Mellany não queria tomar remédio, nem sequer gostava de ouvir isso.
– Não quero saber. – Desci e peguei um biscoito qualquer na cozinha. Subi as escadas e entreguei o pacote.
– Já falei que não quero. – Ela deixou o pacote de lado. Peguei e o abri. – Você vai comer?
– Não mesmo, quem vai comer é você. – Sentei ao lado dela e como ela estava fraca, forcei ela comer. Ela tentou negar, mas não conseguiu.
Depois de ela comer o pacote inteiro, lhe entreguei um copo de agua.
– Pronto, não foi tão difícil não é? – Tentei parecer tranquilo, mas não estava. Aquela culpa estava me matando lentamente, minando a minha sanidade.
– Não, mas estou sem fome. Posso dormir? – Ela estava bem pálida e tão fraca. Era o meu pesadelo.
– Durma. – Desci e sentei na sala. Eu comecei a me afundar nos pensamentos obscuros, mas fui interrompido por uma batida leve na porta. Isso sim era novidade, afinal desde que chegamos ninguém havia tido coragem de vir aqui.
Fui meio receoso até a porta, quando abri, era uma mulher bem mais baixa que eu. Até a Mellany era mais alta que ela. Ela tinha cabelos negros até a altura do ombro e era branca, e eu deveria estar devaneando, pois ela tinha semelhanças suaves com a Mellany.
– Posso ajudar? – Estava desconfiado.
– Sim Aiden, preciso falar com a Mellany.
– Como você sabe quem eu sou? E a Mellany esta impossibilitada.
– Não preciso falar como sei quem é você, e eu sei que ela esta impossibilitada, por isso estou aqui. Agora sai da minha frente. – Ela me empurrou e correu para o quarto. Tranquei a porta rapidamente e a segui.
– Quem é você? – A voz da Mellany era fraca, mas ainda sim ela parecia petulante.
– Apenas saiba que não vou te fazer mal, agora volte a dormir. – Ouvi a respiração da Mell antes acelerada e agora estava tranquila e normalizada.
Entrei no quarto, ela estava dormindo. Como isso era possível?
– Agora vou poder te curar com mais tranquilidade. – Ela suspirou.
– Curar? – Pensei um pouco – Fada?
– Sim, somos as únicas que curam não é? – Ela tinha me dado essa patada, igual à Mellany quando estava sobe stress.
– Credo, você esta igualzinha a ela. – Eu estava indiferente sobre a presença daquela mulher, só não havia expulsado ela, pois ela era uma esperança de melhora de Milly.
– Talvez. – Ela investigou as lacerações e o parecia checar se ela estava com febre. – Caramba, isso só prova a minha teoria. Ela esta absolutamente debilitada. – Ela parecia devanear.
– Desculpa, mas não estava aqui para cura-la? – Perguntei ríspido.
– E estou, mas tenho que ver como ela esta. – Ela também foi grossa.
Fiquei quieto, essa estranha mulher pareceu gostar. Só fiquei observando ela olhar os ferimentos de modo minucioso.
– Pode me dar licença por um momento? Não gosto de fazer isso com um olhar de ódio mortal. – Ela pediu com ironia.
Sai do quarto e fiquei encostado na parede. Ouvi algumas frases em uma língua desconhecida e vi alguma luz forte. Então entrei novamente no quarto.
Aquela mulher estranha estava sorrindo, então olhei para Mell, ela estava branca, mas não pálida como antes. Ela foi tirando a gaze que estavam nas pernas de Mellany. Haviam sumido. Eu nunca tinha visto uma magia tão poderosa quanto aquela. Na verdade, nunca havia visto aquele ser de perto, só na teoria. As fadas só ficam em grupos, mais conhecidas como acampamentos, eles ficam escondidos no meio da floresta. Só as fadas daquele acampamento ou guiadas por elas conseguem ter acesso. Estas acolhem muitos sobrenaturais e humanos em situação de perigo e que são boas de acordo com uma avaliação.
– Como você sabia que Mellany estava precisando de ajuda? E quem é você? – Agora estava com mais duvidas sobre essa mulher estranha.
– Sou Alex Morgan. É eu sei um nome genérico, mas gosto dele. – Ela falou calmamente, parecia estar mais tranquila. Ela estava no pé da cama, e fui me aproximando dessa tal Alex, ela não iria sair dessa casa sem dar explicações.
– E como sabia que a Mell estava precisando de ajuda? – Fiquei na sua frente.
– Porque eu sinto com a mesma intensidade que ela qualquer sentimento, sensação e etc. Precisava aliviar a dor dela, eu prometi isso. – Alex parecia ter um pesar enorme.
– Prometeu? Como assim, sente tudo o que ela sente?
– Prometi, para mãe dela. Minha irmã. Ela enfraqueceu essa linha criando ela comigo, ela sente o que a Mellany sente, mas a Milly não sabe que ela existe. Mas eu posso a fazer sentir o que eu sinto. É confuso, mas na prática é mais fácil. – Ela sorriu um pouco.
– Então você é tia dela? – Isso explicava a semelhança suave com Mellany. O formato do rosto e formato dos olhos. Mas eram semelhanças difíceis de perceber.
– Sou parente de sangue. – Ela posou o olhar na figura deitada na cama. Estava respirando tranquilamente em sono profundo. – Eu sinto tanto não ter chegado a tempo no orfanato e pego ela para cria-la, mas estava predestinado que Phillips a criasse. Mas não poderia lutar contra o destino. – Ela queria chorar, mas estava segurando.
– Pode me contar essa história? – Perguntei. Ela apenas balançou a cabeça positivamente. – Então vamos para a sala, vamos ter mais liberdade.
Começamos a descer as escadas, teríamos uma longa conversa.
MELLANY P.O.V.
Dormi logo após aquela mulher estranha falar comigo. “Durma” foi o que ela disse. Tive um estranho sonho, estava andando no meio da floresta, eu não sabia o caminho que seguia, mas sentia que aquela era a direção era a certa. Então, cheguei num acampamento de fada. Era um local lindo, parecia saído de um livro.
Acordei e ouvi vozes. Aiden e a voz daquela estranha mulher.
Comecei a levantar e percebi que minha coxa estava sem as lacerações. Fiquei em pé e comecei a seguir as vozes. Então desci as escadas e vi Aiden e a mulher. Ela parecia ser nova, mas sabia que não era. Ela levantou e ficou me olhando, tinha os cabelos negros, que chegava aos ombros, branca, esguia e era um pouco menor que eu. Ela olhou pra mim e seus olhos estavam ficando cheios de lagrimas. Ela tinha algo em seu rosto, que era parecido com o meu.
– Mellany...! – As lágrimas transbordaram de seu rosto.
Um impulso me moveu e a abracei, ela chorou mais, as minhas também transbordaram, mas não tanto quanto as dela. Eu senti um conforto familiar.
– Eu não te conheço, quem é você? – A afastei, ela parecia estar feliz.
– Alex Morgan, do acampamento Paradiso. Mas pra você, sou irmã de sua mãe. – Ela falava sério.
– Minha... Mãe? Você é minha tia então? – Fiquei chocada com a notícia.
– Sim, eu sei que você vai ficar com raiva e me perguntar o porquê de não ter cuidado de você, mas estou aqui para te falar o que aconteceu. Estava falando para o Aiden.
– Acho que vocês duas tem muita coisa pra conversar e sem a minha interferência. – Ele rapidamente levantou e subiu as escadas.
– Agora somos só nós. Pode explicar essa história inteira. – Falei realmente curiosa.
– Bom, vamos voltar alguns anos.
– Esta sendo gentil, 16 anos. – Falei com sarcasmo.
– Então, a 16 atrás, sua mãe estava grávida de você e havia alguns fanáticos perseguindo todos vocês. Seu pai estava a ponto de matar a todos, mas os levei para Paradiso e ficou tudo bem, só que quando sua mãe estava com 6 meses, esses fanáticos conseguiram nos achar, então houve uma batalha, que vencemos. Seus pais decidiram que seria melhor não ficar mais em um local. Foi aí que eles sumiram, mas podia sentir a presença de sua mãe, ela estava agoniada e temerosa. Você nasceu 15 dias antes de dar 9 meses. Deu tudo certo, sentia a felicidade que estava presente nela, mas logo foi substituída pelo medo. Ela chorou com você em seus braços e foi o único momento que ela compartilhou completamente comigo, senti a angustia, o amor... Tudo. Sua mãe te amou muito, foi uma decisão difícil deixá-la no orfanato. Quando ela finalmente me falou que tinha a deixado naquele local, corri para adotá-la, mas Phillips já havia o feito. Alguns anos depois, ele se mudou pra essa bela casa, então vi a chance de me aproximar, mas quando eu falei quem eu era, ele me ignorou e fugiu com você. Só que eu sempre soube que um dia iria voltar pra cá.
– Eu me sinto em casa aqui. – Falei tentando assimilar aquela história.
– Pois Paradiso e a minha presença estão próximas. Querendo ou não, você conviveu lá conosco, só não era nascida. – Ela realmente parecia estar olhando para o passado.
– Por que não fala os nomes dos meus pais? Você esta evitando falar desde que começou a falar essa história. – Estava curiosa e chocada.
– Sei que vai procurá-los, mas já mandei alguns agentes meus e eles não foram encontrados. O nome de sua mãe é Helen Morgan e o nome de seu pai é Erik Simmons. – Ela parecia estar forçando para ficar calma.
– Não vou procurá-los, mas minha mãe era fada não é?
– Sim, por que pergunta?
– Fadas, com a sua família, não tem uma ligação sentimental ou algo assim? – Eu não conseguia entender isso.
– É um alelo familiar forte, o clã das fadas tem a mesma força das matilhas dos lobisomens, a união é a mesma, são poucos os que são “desgarrados”. Mas por quê? Não entendi isso ainda.
– Se as fadas têm essa ligação, por que não consigo sentir? – Perguntei indignada.
– Bom, ela conseguiu uma forma de enfraquecer esse alelo com ela. O problema é que ela teria que refazê-lo com outra pessoa e Helen o refez comigo. Por isso que quando você estava com medo ou sofrendo, sentia uma calma estranha. Só que sempre vai ter o resquício da linha original. Então, enquanto as duas tiverem vivas, vão sentir que estão, mas não vai ser intenso. – Ela explicava de modo tão simples e natural.
– Nossa, é muito pra absorver.
– Eu sei, vamos fazer o seguinte, amanhã você fará uma visita a Paradiso e tem pessoas que gostaram de falar com você. – Ela queria que eu fosse lá. Mas mesmo assim.
– Olha, não vou fugir, mas preciso de alguns dias para pensar. – Declarei, estava confusa e sentia como se estivesse flutuando.
– Tudo bem, vou deixá-la com seus pensamentos. – Ela levantou e foi em direção a porta, mas se virou e correu para me abraçar. Depois de algum tempo abraçada comigo, Alex voltou à porta e voltou a me olhar, ela queria marcar meu rosto ou algo do tipo. – Espero que realmente vá até Paradiso. Adeus Mellany. – Ela saiu da casa.
Fiquei olhando para a porta e ouvi os passos de Aiden descendo as escadas.
– Ouvi a conversa toda, não deu pra evitar. – Ele falou com um pouco de remorso, mas era quase nulo, pois Aiden queria tanto saber sobre meu passado e ele descobriu certas coisas ao mesmo tempo em que eu.
– Tudo bem Aiden. – Estava em choque demais pra dar bronca nele.
– Mas posso falar uma coisa? – Ele sentou ao meu lado no sofá.
– Diga. – Olhei para ele.
– Por que seus pais estavam sendo perseguidos? Foi a única parte que não entendi. – Ele me olhava com curiosidade.
– Isso também esta me intrigando. – Levantei e peguei sua mão. – Vamos dormir um pouco.
– Ótima idéia. – Ele me pegou no colo e subimos para o quarto rindo.
ALGUNS DIAS DEPOIS
– Esta pensativa demais Mell. – Aiden falou enquanto tomávamos café-da-manhã.
– De fato, quer ir a Paradiso descobrir mais sobre meu passado? – Perguntei seriamente.
– Lógico! – Ele sorriu radiante.
– Então, vamos tomar café, nos vestir adequadamente e irmos.
– Como? Até onde sei você não sabe como chegar lá.
A campanhinha tocou, Aiden olhou para mim, curioso. Levantei e fui abrir a porta, Alex me abraçou levemente.
– Ótimo que decidiu Mellany. Bom dia Aiden! – Ela acenou para o garoto. Acompanhei-a até a mesa e nós sentamos.
– Vocês vão gostar de lá. O caminho também é lindo. – Ela sorriu.
– Eu quero saber mais sobre meu passado. – Falei determinada.
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