Secrets of the Light and Shadow
2 Capítulo 1
Notas iniciais
O quarto estava escuro, perfeito. E o maldito celular estava tocando. Tem sempre algum filho da mãe para atrapalhar meu sono. Peguei o aparelho e olhei o numero. Tinha que ser o maldito, algum dia, iria arrancar a cabeça dele.
– Boa madrugada pra você também, Philips! — Disse com sarcasmo.
–Já esta na hora de levantar. Madrugada? Já são 5 da manhã. – Philips disse tranquilo
–Esta CEDO! – Soltei com raiva
–Acordou com o pé esquerdo, né? – Falou ele irônico.
–Talvez porque um filho da mãe me acordou enquanto dormia maravilhosamente bem.
–Lembre-se, foi você que pediu Mellany.
Ah! Droga era verdade.
–Desculpa Phil. Tinha me esquecido. – Falei arrependida.
–Imaginei. Mas posso falar o que penso sua ideia?
–Claro.
–Essa ideia tem tudo pra dar errado. Não pode se fixar Mel. Você sabe o que é.
–Eu sei que se preocupa Phil, mas preciso cometer meus erros.
–Tudo bem. Deixo você cometer seus erros, mas se acontecer algo, conte comigo. Preciso desligar. Se cuida Mel.
–Obrigada Phil, se precisar, te chamo. Se cuida também. Até mais.
Desliguei o telefone com mau humor e sonolenta.
Levantei e tomei um rápido banho. Quando saio do banho, olho meu reflexo no espelho mais próximo. Tinha altura mediana, branca, olhos castanhos, cabelo cacheado e escuro (ele era castanho, mas de uns tempos pra cá ele tem ficado bem escuro) e por trás de tudo isso, havia um passado. Ou melhor, uma realidade ruim. Ela era uma mercenária. E gostava do que fazia. Dava bastante dinheiro e deu uma oportunidade de desenvolver habilidades interessantes. Sabia atirar com armas de fogo, se virava bem com armas brancas e sabia lutar muito bem. Mas além do lado mercenária, ela tinha outro lado que necessitava esconder. Era uma sobrenatural, mas ser sobrenatural não era o problema. O real problema é quando você usa seus “dons” para ser mercenário, acaba sendo ruim. A maioria que segue esse caminho acaba se tornando cruel. Poucos são amigos, os outros se tiverem a chance, matam você. Quanto menos concorrência, melhor. Todos os mercenários são chamados de cruéis e sem coração. Mas eu tenho coração, embora às vezes, seja cruel. “Pare de se julgar!” Meu subconsciente gritou. Fui colocar minha roupa, escolhida na noite anterior. Calça jeans preta, all-star vermelho de cano médio e uma regata branca solta e longa com a estampa da Umbrella Coorporation. Olhei pela janela e o tempo estava fechado, então peguei minha camisa xadrez preta e roxa e coloquei dentro da bolsa. Olhei o relógio, tinha que descer e comer algo naquele momento, se não poderia perder a hora. Desci para o primeiro andar da casa e fui em direção à cozinha, mas estava realmente sem fome depois da conversa com Philips. Peguei uns biscoitos e aproveitei que tinha uma maçã a vista e a peguei. Comi rapidamente e subi para escovar os dentes e ajeitei o cabelo “Ele não ficou tão repulsivo hoje.” pensei. Desci e peguei minha bolsa e quando estava saindo, olhei para um espelho que havia no hall de entrada. Cabelos devidamente domados, roupas escolhidas para mostra minha personalidade e o rosto serio. “Pare de se olhar no maldito espelho!” disse a mim mesma. Desviei o olhar e sai para o ar agradável da manhã. Peguei meu fone e coloquei uma musica o mais alto que podia. Deu vontade de cantar, mas alcançar as notas que o pessoal do Combichrist é difícil. Cheguei à escola e logo fui à secretaria. Peguei tudo que era necessário para se entrar nas aulas. Andei por um corredor cheio de adolescentes. E a maioria me olhava com curiosidade. Fingi que não percebia e continuei andando. Das meninas que me olhavam, em sua maioria, falava mal, as outras só analisavam e nada diziam. Dos meninos eu não queria imaginar o que se passava nas suas mentes estranhas.
Cheguei ao armário e abrir o cadeado era o que eu queria, mas o mesmo não cooperava.
–Tente mais uma vez. – Disse uma voz feminina ao meu lado
Olhei para meu lado esquerdo e havia uma menina bonita, um tanto mais baixa que eu. Ela tinha o cabelo roxo. Voltei ao cadeado, quando tentei novamente, ele abriu.
–Obrigada. – Respondi me virando pra ela
–Não há de que. Às vezes, magica é necessária ate nas coisas mais simples. – Ela falou piscando o olho esquerdo
–Magica? – Perguntei, mas logo percebi o sentido e sussurrei. – Você é sobrenatural?
–Sim. – Respondeu ela sorrindo. – Prazer, meu nome é Claire Wall. E você, como se chama?
–Mellany Dust.
–Você é sobrenatural, né?
–Sim. Por quê? E você, é fada ou bruxa?
–Só sobrenaturais se identificam com facilidade. Sou uma bruxa. Mas e você? Sou rápida ao identificar os poderes e o seu esta difícil demais. Só aconteceu isso uma vez. E agora esta se repetindo.
–Difícil explicar, ser híbrida é difícil... – Falei com meio sorriso
–Ok. Informação demais. – Ela disse meio estranha.
Ri um pouco de sua expressão. No meio sobrenatural é bem estranho quando híbridos nascem, pois todos ficam com certa imagem na mente de duas espécies nada haver, se relacionando, um bom exemplo são os vampiros e lobos. Todos tem pavor dessa imagem.
–Olha... – Ela falou meio sem jeito. – a escola é grande você é nova, por acaso quer uma guia?
–Eu adoraria ter uma guia. Sério, vou me perder se alguém não me ajudar. – Eu disse derrotada.
–Tudo bem, serei sua guia por essa escola incrível. Mas antes, posso dar uma olhada no seu horário?
–Claro. – Entreguei a folha com os horários.
Ela olhou o papel atentamente e sorriu.
–Nossos horários são parecidos.
–Serio?
–Sim, me siga. Primeira aula, história.
–Eu gosto de história. – Admiti.
–Eu odeio, mas adoro o professor. – Ela falou sorrindo.
–O que?
–Você vai entender. – Ela disse me olhando divertidamente.
*****
Ao chegar à sala, sentei-me na carteira ao lado de Claire. Ela era bem animada e conversava com todos na sala. Bateu o sinal. Parecia a sirene do Silent Hill, daqui a pouco o Pyramid Head entrava na sala para ensinar a todos como partir uma manequim no meio. Sorri com o pensamento, mas logo fiquei séria. Não queria que Claire perguntasse o motivo da graça. Ela não era fã de jogos. Fiquei imersa em meus pensamentos até o professor chegar à sala.
–Bom dia coisas chatas.
Todos riram e alguns responderam.
–Vamos dar continuidade à matéria alunos.
Claire levantou a mão.
–Fale, mini gralha. – Falou o homem brincando.
–Há, há hilário. –Falou ela séria. – Tem uma aluna nova na sala. – Ela completou apontando para mim.
–Bom, se há uma aluna nova, ela vai ser devidamente apresentada a turma. Minha jovem venha até aqui e se apresente.
Fuzilei Claire com os olhos. Levantei e me aproximei do professor, ele tinha um sorriso agradável e inspirador. Virei-me e olhei para a turma.
–Meu nome é...
Fui interrompida pela entrada repentina de um menino na sala. Quando olhei para ele, seu rosto me pareceu estranhamente familiar.
–Mals aê professor. – Disse o garoto.
–Atrasado novamente. Esses jovens... Da próxima vez te dou um paranaue para ver se você fica mais esperto. – Falou o professor rindo. – Sente-se meu jovem. – Ele voltou sua atenção em mim. – Prossiga jovem.
O recém-chegado ficou me olhando. Seu olhar era de confusão. Ele se sentou e olhou para mim como todos faziam, mas no seu olhar parecia ter alguma... Expectativa?!
–Meu nome é Mellany Dust e sinceramente não tenho mais nada a falar sobre mim. – Disse brincando.
Todos os alunos riram menos o atrasado. Ele olhou para chão, tive a impressão que ele riu, mas quando voltou a olhar para mim, tinha uma expressão de surpresa e curiosidade. Por que ele era tão familiar?
O professor se apresentou rapidamente. Ele se chamava Mario Willians. Ele pediu para voltar para meu lugar e qualquer duvida chama-lo.
Enquanto o professor explicava a matéria, sentia que alguém me encarava e sabia que era o atrasadinho.
Quando a sirene do Silent Hill tocou, sai da sala rápido, queria me livrar daquela sensação. Mas enquanto estava no corredor uma voz familiar falou comigo.
–Milly, quanto tempo!
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