Notas iniciais
Esse capítulo saiu extremamente longo. Mas espero que gostem. Boa leitura! ;*

“Milly, quanto tempo!” Só havia uma pessoa nesse mundo que me chamava assim. E pelos meus cálculos havia 9 anos que não via essa pessoa.

– Aiden? – Me virei e me deparei com o atrasado da aula de História.

– Quem mais seria? – Ele disse sorrindo.

Corri para abraça-lo. Era reconfortante e até nostálgico estar abraçando Aiden.

– Uau! É novata, mas é rápida. É das minhas. – Claire disse sorrindo maliciosamente. “De onde essa menina apareceu? E que porra de comentário foi esse? Vou mata-la lenta e dolorosamente” pensei ficando vermelha.

– Claire! Eu o conheço. Ah bastante tempo por sinal. – Foi o máximo que conseguir dizer.

– Claire, posso ser o guia dela. E além do mais, tenho que colocar a conversa em dia com a Mellany. Pode descansar de seu posto. Tchau. – Disse Aiden tranquilamente. “Ele a mandou ir catar coquinhos educadamente. Ela vai dar um soco nele. E eu vou comprar a pipoca para assistir. Ele nunca foi bom de briga.” Pensei, mas me arrependi. Credo, eu estava pior do que imaginava.

– Só não faz perder as aulas. Nos vemos no intervalo Mellany. Bye-bye. – Ela saiu, mas ficava constantemente para nós.

– Você conheceu a melhor pessoa dessa escola. Meio maluquinha e tendência a ser ninfomaníaca no futuro, mas ótima pessoa e personalidade fácil de lidar. – Ele falou. Credo again, ele me deu uma descrição de Claire que eu demoraria algumas horas pra conseguir se tivesse em missão, e em semanas para descobrir de modo normal.

– A conhece tão bem assim? – Perguntei curiosa.

– Talvez. – Ele estava hesitando para falar. Pelo pouco da reação das pessoas que eu estudei, ele estava ansioso e receoso? Evento passado. Sim, era isso, ele e Claire tinham um passado. Só teria que confirmar.

– Só talvez? – Eu fingi que acreditava. Acho que foi convincente.

– É. Não é nada demais, mas não quero falar sobre ela, mas de você. Eu não te vejo a 20 anos.

– Eu sei Aiden, tive que ir embora, é complicado... Espera, 20 anos? Calculei 9. – Falei rindo.

– Eu imaginava. Você e seu pai mudavam pra caralho. E são 20 na minha mente. Não gosto de números ímpares e exagero nesse sentido é meu forte. 20 anos. – Ele disse implicante. É isso não havia mudado.

– É... – E comecei a rir de sua lógica afetada. Bom era engraçada. E até que para mim tinha certo sentido.

– Por que esta nessa cidade?

– Simpatizei por ela. Estou começando a achar que foi destino.

– Acredita nisso Milly?

– Não. Odeio a ideia de que minha vida esta pronta e eu só estou atuando em um teatro produzido por uma mente doentia.

– Nossa! Você não era assim na quarta série.

– Assim como?

– Formadora de opiniões, fria e calculista.

– O que?

– Calma. Só estou brincando.

– Nossa. Rei das brincadeiras sem graça. – Falei sarcasticamente.

– Gostei da blusa, vou roubar de você. Fica esperta. – Ele falou rindo.

– Esta no seu DNA. – Apontei para seu braço sorrindo ironicamente. Ele estava bem diferente da quarta série. Ele estava mais moreno, havia deixado o cabelo crescer (nunca havia percebido, mas ele tinha o cabelo cacheado, e bem mais cacheado que o meu), tinha entre 1,75 e 1,80 de altura teria que pergunta-lo (mas que droga, ele era mais alto que eu. Bem mais alto), olhos castanhos e no dia usava uma camisa preta do Metallica e calça jeans azul, fora o All-Star simples e gasto e ele estava mais magro. “Mas por que eu estava reparando se ele estava mais magro?” pensei. Acabou que ele percebeu meu olhar analisando-o.

– Nossa, estou tão bonito assim? – Ele perguntou olhando nos meus olhos.

– Não. É que... Ah! Sei lá. Esquece! – Estava irritada e nervosa. Por que raios eu estava nervosa por estar olhando ele?

– Esta muito estressada moça. – Ele disse de modo calmo. Mas ele estava tentando não sorrir?

– Me mostre à sala Aiden. – Falei com uma voz fofa.

– Qual sua aula?

– Literatura.

– Siga-me. – Ele respondeu sorrindo.

******

Quando a sirene do Silent Hill tocou novamente, era o intervalo. As aulas passaram rápido. Talvez a presença de Aiden tivesse ajudado o tempo passar. Juntei meus pertences e fui andando tranquilamente até a porta. Até alguém me puxar contra o corpo do “agressor” e eu senti que a pessoa passou alguma coisa na minha nuca. Naquele momento, agi por instinto. Tirei a mão de alguém da minha nuca e me soltei de quem me agarrava. E empurrei o mais forte que podia contra a parede. Na hora que me virei, vi quem era. Era Aiden. Ele estava sentando no chão aonde eu havia o empurrado. Pelo seu rosto, ele estava com dor.

– Desculpa Aiden! – Disse morrendo de culpa. “É uma droga agir por impulso, mas só raramente.”

– Tudo bem. Embora, minhas costas estejam doendo bastante. – Ele disse com uma cara de dor.

– Desculpa mesmo, não fiz por mal.

– Ok. Mas, — Ele me olhou curioso – como você fez isso? Um contra ataque desses, embora seja fácil, requer técnica.

Opa! Pergunta reveladora demais.

– Aprendi por aí. E embora não pareça, sou muito flexível. – Respondi evasiva.

– Aprendeu por aí? Que lugares você frequenta? – Ele perguntou ironicamente.

– Nunca se sabe. Agora, para de preguiça e levanta. Eu te ajudo. – Eu disse pegando suas mãos e puxando ele.

– Obrigado. Mas eu não engoli essa história. Você esta me escondendo alguma coisa.

– Aiden, parece que é besta. Não escondo nada. Agora, vamos comer alguma coisa? – Falei sorrindo.

– Vamos. Estou faminto. – Ele respondeu com uma expressão estranha.

******

– Para de comer! – Claire disse.

– Deixa ele comer, Claire. Embora seja meio assustador. – Eu disse. Do jeito que Claire me olhou, eu devia estar com uma expressão bem esquisita. Voltei a ficar séria e retornei a vitamina que eu tomava e olhei Aiden, era meio creepy ele comendo, mas a expressão de Claire era hilária. E os dois estavam se alfinetando, o que deixava tudo mais hilário.

– Me deixa comer, troço. – Aiden se dirigiu a Claire. Que não foi nada gentil e lhe mostrou o dedo médio. “Gentileza passou longe desses dois” pensei.

Eu estava sem fome e a comida que eles serviam não era tão apetitosa. Comprei uma vitamina de morango da cantina daquela escola, era bem cara, mas até que valia a pena. Ofereci aos dois e eles aceitaram só que não ia dividir o copo, então comprei para os dois, na hora que voltei com os copos eles arregalaram os olhos e exibiam uma expressão “Da onde saiu todo esse dinheiro?” ri da cara dos dois e disse que era uma bobeira todo aquele teatro. Olhei para os dois, Claire comia um salgado que havia comprado e tomava a vitamina de bom grado e alfinetava Aiden. Ele comia a comida fornecida pela escola e tomava a vitamina, mas senti uma resistência em aceitar a vitamina na hora que eu lhe ofereci o outro copo. Resolvi participar da brincadeira.

– Você é magro de ruim Aiden. – Falei olhando para meu copo. A expressão havia vindo à mente aquele momento, ele era magro e comia feito um elefante. Genética boa é outra história, mas era eu era mulher, e ficava inconformada pela genética dele ser melhor que a minha. Tinha que falar alguma coisa para me sentir melhor.

– Você disse a verdade. Se não fosse o DNA do Slender, você ia ser bem mais cheinho. – Falou Claire.

Eu não aguentei aquilo e cai na gargalhada. DNA do Slenderman é demais para a minha pessoa.

– Affe Claire, vai pro inferno dançar salsa com o Zalgo ou com o Samael.

– Calma moço. – Falei imitando-o.

Ele me olhou com uma indignação. Era a vez de a Claire cair na gargalhada. Sorri ironicamente.

– Na verdade a outro motivo par a eu estar com essa fome.

– Que seria? – Perguntou Claire.

– Uma pessoa me deu uma surra, e agora eu tenho que me recuperar. – Ele disse olhando para mim.

– Como é que é? – Perguntou Claire a mim – Você deu uma surra nele?

– Digamos que alguém tentou me assustar, mas acabou assustado. – Respondi.

Nós continuamos naquilo até a sirene do Silent Hill tocar. Próxima aula Educação Física. Bom, pelo menos sei me virar bem quando preciso.

*******

Cheguei à quadra e o professor pediu para me apresentar para a turma. Bom, a maioria já sabia meu nome. E Claire e Aiden estavam na minha classe de Educação Física. O treinador pediu para eu ficar sentada na arquibancada e na próxima aula eu iria me movimentar. Enquanto eu ouvia musica e via todos jogando queimada. Era um ótimo jogo, embora cruel. Pois era, meninas X meninos. E em 20 minutos o time masculino venceu sem dificuldade.

– Treinador Sead, precisamos de mais alguém no time. – Uma das meninas falou.

– Os times estão com o mesmo numero Hannah.

– Por favor, professor, deixa a novata entrar no time. – Ela fez uma carinha pidona.

– Bom, não é a mim que você deve pedir. É a ela. – Ele apontou para minha figura.

Hannah veio na minha direção.

– É Mellany seu nome, né?

– Sim.

– Entra no nosso time, por favor.

– Os meninos terão uma vida extra.

– Sabe jogar? – Ela perguntou desesperada

– Meu jogo favorito. Sempre fui passável. – Respondi sinceramente.

– Aceita entrar no time?

– Claro. Estava ficando entediada e com pena de todas as jogadoras.

– Treinador, ela aceita! – Ela gritou.

– Mellany, assuma seu posto. Meninos, vocês tem uma vida.

Bom os meninos comemoraram a vida extra. “Não por muito tempo queridos” pensei. Havia observado o modo de jogo de todos os meninos e traçado táticas. Queimar o mais fraco, para ele não conseguir pegar a bola. E pelo fato da força masculina ser muita, isso seria fácil. Era só criar a distração.

– Mellany vai ser a primeira a jogar. – Hannah disse. Ótimo, planos em ação.

A bola foi entregue a mim. E os meninos correram. Focalizei o mais fraco, e olhei para Aiden. Jurava ter visto Aiden tremer. No ultimo momento que realmente mostrei meu alvo. Mas era tarde, ele foi acertado. As meninas estavam vermelhas pelas boladas. Se a bola caísse na minha mão, todos que eu acertasse iam ficar igualmente vermelhos.

– Professor, ela tacou a bola com muita força! – O perdedor disse.

Não consegui me conter.

– Uau! Você é um tremendo fracote, não aguenta uma bolada feminina. Nem foi tão forte e não pegou direito. Da próxima a precisão vai ser perfeita. – Falei zombeteira. As meninas riram e alguns meninos riram também, os outros esconderam o riso.

Ele veio possesso em minha direção. E eu li o que ele dizia “- Você é a próxima a ser queimada”!”e eu respondi igualmente silenciosa “ – É isso que vamos ver.” .

Bom, ele tentou me acertar de todos os jeitos. E quando ele tentava, eu pegava a bola e queimava alguém. Era uma ótima tática, porem falha, pois eu me defendia muito bem, mas as outras meninas não. Então o numero do time masculino estava seriamente reduzido, mas o feminino também.

Passou mais um tempo, e só restou uma pessoa de cada lado do time, eu e Aiden. Os meninos haviam utilizado sua vida, mas eu acabei com ela facilmente. Ele não era o mais rápido, mas era um dos mais fortes do time, quando ele lançava a bola em minha direção, era difícil de esquivar. Eu estava penando, pois estava cansada. Não era o tipo de coisa que eu fazia sempre. Até que ele acertou meu braço, e eu tive que pensar bem rápido, ele tinha bons reflexos, na hora que a bola bateu no meu braço, ela estava tão forte que ela voltou na mesma intensidade e foi na direção do rosto dele. Ele acabou segurando a bola e me salvou. As meninas do outro lado vibraram e Aiden ficou abismado, acho que ninguém havia escapado de seu ataque. Ele lançou a bola novamente, dessa vez eu peguei e lancei mais forte que podia. Acertou em seu ombro e voltou, mas a maldita bola me acertou na barriga e segurei a bola, mas na hora a dor foi imensa. Eu não aguentei ficar em pé. Cai de joelhos no chão. Comecei a respirar fundo. Quando alguém teve alguma reação, me levantei e lancei a bola em direção a ele. Dessa vez a bola acertou a mão dele, mas ele não conseguiu segurar e ela tocou o chão. O jogo havia acabado. Foi ai que eu me sentei no chão, mas não aguentei ficar sentada, terminei de deitar no chão e respirei fundo. Se eu ficasse parada, a dor logo passaria.

– Milly, você esta bem? – Aiden disse, “como ele chegou tão rápido?”.

– Estou só com dor, por causa da bolada na barriga. Nada demais. Já vai passar. – Eu falei com a dor estampada em meu rosto.

– Mellany, vamos levar você para enfermaria. – Disse o treinador Sead.

– Não há necessidade. A dor logo passara professor. – Falei. Eu tenho pavor de enfermarias ou qualquer lugar que me lembre de hospitais.

Fui ignorada e levada à maldita enfermaria. Bom não foi só eu, Aiden também teve que ir por causa de seu braço. Tirando esses acontecimentos, o resto das aulas foram entediantes. Quando a sirene do Silent Hill tocou (nunca vou assimilar essa merda a alguma coisa normal.) fui caminhando pela escola até a saída. Fui caminhando ouvindo minhas musicas no ultimo volume. Até que alguém bate no meu ombro. Quando me viro, Aiden parecia estar meio estressado, retirei os fones.

– Fala Aiden.

– Por isso você não me ouviu gritar seu nome.

– É. Não sou sociável quando estou com meus fones. – Admiti sorrindo.

– Não sorri assim. – Ele disse olhando nos meus olhos.

– Por que não? – Perguntei curiosa.

– Seu sorriso me desarma. – Ele disse. Admito, ele me deixou sem reação. Eu juro que o vi ficando vermelho. Estava estampado em seus olhos “Da onde eu tirei coragem para falar isso?” Olhei para ele e sorri de novo. Ele sorriu de volta. – Mas, o que você esta ouvindo? – Ele completou saindo do assunto.

– Estou ouvindo a musica Ultranumb do Blue Stahli. Eu ouço essa musica e esqueço o mundo.

– Bom saber que seu gosto musical é ótimo.

– Por quê?

– Adoro Blue Stahli. Na verdade, eu gosto de Screamo.

– Explica muita coisa. Mas desculpa, não sou tão fã assim, só curti o som. Confesso, sou eclética.

Ele fez uma cara compreensiva. Mas senti desapontamento.

– Pois é. Minha visão de musica boa mudou bastante. Hoje em dia tenho de tudo no meu cartão de memória.

Bom, no caminho até minha casa, conversamos sobre musicas e jogos. Foi alto nível de nerdice presente naquela conversa. Até que eu parei na frente de minha casa.

– É aqui. Bom, eu vou entrando.

– Não vai me convidar para entrar? – Ele perguntou brincando. Mas eu senti que ele queria mesmo.

– Hoje não, esta uma bagunça. Tenho que arrumar, quem sabe outro dia. – Na verdade tinha armas em plena vista lá dentro.

– Tudo bem, mas vou ficar esperando pelo convite. – Ele disse – Foi bom te ver de novo, até amanhã.

– Foi ótimo te ver de novo, até. – Eu falei entrando na casa.

Joguei minha bolsa/mochila no sofá e olhei pela janela. Ele estava se afastando da casa. Sentei no sofá e pensei em tudo o que aconteceu. Como aquilo foi possível? Ir para uma cidade qualquer e achar Aiden lá e conversar como se eles nunca tivessem se separado? A minha mente dava muitas voltas. Decidir não pensar muito nisso. Fui tomar um banho, para depois comer alguma coisa e ir dormir. Amanhã tinha aula e mais um dia ao lado de Claire e principalmente ao lado de Aiden.

Notas finais
Comentem e acompanhem a história seus lindos. Quero melhorar com a ajuda de vocês. Beijos e até o próximo.