Secrets of the Light and Shadow
11 Capítulo 10
Notas iniciais
(Musica: https://www.youtube.com/watch?v=mCYfw2CyUdA )
AIDEN P.O.V.
Liguei para Ben, não sei bem o motivo de ter feito isso, talvez quisesse que nossos amigos soubessem que iriamos morrer ou então sermos capturados. Mais provavelmente morrer.
– Alô? – Benjamin parecia surpreso com meu numero.
– Ben, não tenho muito tempo. – Falei rápido. Eu e Mellany estávamos entrando na floresta que rondeava a casa, não era um momento de se falar devagar.
– Diga Aiden. – Ele captou minha apreensão.
– Estamos sendo seguidos. – Ouvi um barulho vindo de trás de nós. – Algo se aproxima.
A ligação caiu. Então eu e Mell corremos mais rápido ainda. Ela não parecia se importar com a minha rapidez, pois a acompanhava sem esforço.
Fui jogado contra uma arvore e Mellany soltou um grito.
ALGUNS DIAS ANTES
Depois de chegarmos a nossa nova locação (que eu não tinha nem ideia onde estávamos), Mellany não me disse em nenhum momento e aquilo estava me matando de curiosidade. A casa no lado de fora tinha um aspecto sombrio, mas o interior era diferente, ele tinha cores mais claras, quebrando a seriedade da parte de fora.
– Isso que é indecisão. – Falei observando a casa.
– O que é indeciso? – Mallany perguntou.
– A fachada do lado de fora da casa é macabro, mas o interior é claro e alegre. Fiquei confuso.
– Phill quis assim, pois aí ninguém sem interesses fortes se aproxima da casa. É o instinto natural dos homens evitarem algo que trás desconforto visual. – Mell parecia estar olhando se havia poeira.
– Bom, o caseiro veio aqui há pouco tempo, mas já juntou poeira. Depois tenho que fazer uma limpeza na casa. – Ela parecia reparar em cada mínimo detalhe.
Vi um sorriso se espalhar pelo rosto dela.
– Qual o motivo desse sorriso Mell? – Estava bem curioso.
– Fico lembrando de Phill, ele comprou essa casa para nós vivermos em paz por um tempo, mas ele quis ir embora por motivos que desconheço. – Ela parecia triste.
– Você esta bem? – Eu estava ficando preocupado com Mellany, ela estava relembrando de coisas demais, e não eram memórias agradáveis.
– Estou. – Ela parecia pensar em algo, mas sorriu para mim. – Fiquei feliz por não ter perguntado demais onde estamos.
– Eu ainda não desisti, mas dei uma pausa.
– Depois eu falo, não há necessidade de ser dito agora. – Mellany andou até a cozinha. Ela pareceu mexer em alguma coisa por lá – Tem que abastecer a geladeira e a dispensa.
– E o caseiro?
– Ele nunca iria deixar comida estragar, então não tem comida aqui. Você quer ficar aqui ou vai comigo fazer compras? – Ela estava animada, nem parecia que havia saído de um avião em pouco tempo. Mas não queria ficar sozinho, então fomos para cidade comprar comida. Foi bem divertido.
Depois que chegamos a casa, Mellany começou a limpar e arrumar tudo que via de errado. Ajudei-a, mas não estava com o mesmo pique que ela. Logo que terminamos, eu desabei no sofá. Ela sentou do meu lado.
– Cansado?
– Bastante, da onde tirou tanta energia? – Perguntei bem curioso.
– Bom, eu me acostumei com essa rotina. Quando saio do avião, vou para a casa que estou, chego lá e olho como esta, se esta limpa ou se tem comida, caso não esteja limpa, sem comida ou os dois faço o necessário e depois descanso. Melhor se livrar logo das obrigações.
Entendi seu ponto de vista, mas mesmo assim era peculiar. Ela levantou e disse que ia fazer algo pra comermos e depois irmos dormir. Era cedo, ainda havia a luz solar entrando pela janela, mas não questionei. Apenas tirei um cochilo.
************
Eu treinava com Mell nos horários que ela havia colocado, afinal pra que treinar se tem coisa melhor pra fazer?
Mellany quase me esganou esse dia, tanto que nesse treinamento quase sai com um braço quebrado. Era só uma brincadeira, depois de muitos socos e chutes pedi desculpas e até que o ritmo diminuiu um pouco, mas ainda tem vezes que ela me deixa com uns roxos.
Ela parecia de novo preocupada com a lua cheia que logo ia voltar e também insistia que algo estava bem errado. Algo iria acontecer, de acordo com a mente dela.
Faltava um dia para a lua cheia e eu senti que algo vigiava a casa, estava observando. Levantei e fui olhar a janela do quarto. O céu estava limpo, as estrelas e a lua semicheia eram vistas sem esforço algum. Observei a floresta que rondava a casa, parecia estar tranquila.
Senti alguém me abraçando, pela altura, era Mellany.
– Acordou ou não dormiu? – Ela parecia preocupada.
– Acordei, acho que suas neuras estão passando para mim. – Falei brincando.
– Besta. – Ela deu um tapa na minha cabeça e começou a me puxar pra cama. – Vamos voltar, amanhã começa seu autocontrole.
– Tudo bem. – Deitamos e voltamos a dormir, mas a mesma sensação que dominou os instintos de Mell nos últimos dias estava se manifestando em mim.
**********
– Você melhorou bastante Aiden! – Mell elogiou, realmente, sentia que estava bem melhor nas lutas do que algumas semanas antes.
– Mas ainda não estou tão bom pra enfrentar um cara como Thompson. – Ele estava “suando”.
– Thompson só mercenários como Phillips podem enfrenta-lo.
– Por quê?
– Porque ele é um cara que se esquece dos antigos golpes e truques, só os “macacos velhos” podem pega-lo com seus truques antiquados, mas que ainda tem eficiência. – Ela parecia estar bem orgulhosa com a minha evolução. – Vamos entrar Aiden, esta escurecendo.
Enquanto caminhávamos, um frio estranho desceu pela minha coluna. Empurrei Mellany e algo passou bem rápido entre nós. Ela rapidamente voltou para meu lado e olhamos o que tentou nos atacar. Um lobo, ou lobisomem, afinal ele era maior que um lobo normal. Mell começou a recuar.
– O que você esta fazendo? – Perguntei, nunca tinha a visto recuar pra nada.
– Desculpa, mas lobos na lua cheia eu não enfrento. Afinal são bem mais fortes que o normal. – Eu via uma ponta de medo em seus olhos, poderia ter sido alguma experiência traumática com Phillips. – Corre Aiden!
Nós nos viramos e começamos a correr, não era a melhor opção, mas a única disponível. Corremos para a floresta. Liguei para Ben, não sei bem o motivo de ter feito isso, talvez quisesse que nossos amigos soubessem que iriamos morrer ou então sermos capturados. Mais provavelmente morrer.
– Alô? – Benjamin parecia surpreso com meu numero.
– Ben, não tenho muito tempo. – Falei rápido. Eu e Mellany estávamos entrando na floresta que rondeava a casa, não era um momento de se falar devagar.
– Diga Aiden. – Ele captou minha apreensão.
– Estamos sendo seguidos. – Ouvi um barulho vindo de trás de nós. – Algo se aproxima.
A ligação caiu. Então eu e Mell corremos mais rápido ainda. Ela não parecia se importar com a minha rapidez, pois a acompanhava sem esforço.
Fui jogado contra uma arvore e Mellany soltou um grito.
MELLANY P.O.V.
Gritei quando vi o lobo empurrar Aiden contra umas das arvores que nos cercavam. Aquele maldito cão gigante me encarou. Ele parecia estar se divertindo com meu receio.
Ele veio pra cima de mim, mas me esquivei com facilidade. Ele ficou nessa de ficar me atacando, pois percebi que queria me ver cansada e assim acabar comigo.
Subi rapidamente em uma arvore. Ele começou a pular, mas não me alcançava.
Então outro lobo enorme o atacou, eu olhei para o lugar que Aiden tinha sido jogado, tinha algumas peças de roupa. Os dois se atacavam ferozmente. Era horrível de ver e presenciar aquilo.
Até que o “Aiden” conseguiu ferir de modo significante o lobo que havia nos atacado. Nesse tempo consegui descer da arvore. O outro fugiu correndo da melhor maneira que podia.
Aquilo tinha acabado, ou eu achei que tinha. O lobo que eu julgava ser o Aiden me encarou, ele não parecia ter um lado humano, era como se fosse só instinto.
Eu já tinha visto aquele olhar. “Droga, me ferrei bonito agora!” Pensei e comecei a correr. Eu agora teria que correr pela minha vida. Era tão estranho ter que correr igual a uma maluca, fugindo de um lobo que havia perdido o controle. E ironicamente era a segunda vez que isso acontecia. O perseguidor se aproximava rápido. Droga, eu não conseguia correr mais do que isso, então veio a um forte impacto do meu lado direito. Eu cai e fui rolando pelas folhas secas e mortas. Então, dentes perfuraram meu calcanhar esquerdo e começaram a me arrastar. Comecei a gritar, não sei o porquê, mais gritei com toda a força. A força que era exercida sumiu, levantei e me deparei com aquele lobo/Aiden me encarando. Era um olhar completamente animal e que me fez tremer e temer pela minha vida. Sem o apoio da minha perna esquerda foi difícil me desviar de ataques simples, consegui a muito custo. Então ele cansou de jogos e atacou minhas pernas. Ele queria me estraçalhar viva, consegui me afastar de novo, só que como se levanta sendo que seu calcanhar esquerdo esta ferido e sua coxa direita perfurada? Desistir de tentar lutar naquele momento.
– Eu te desculpo. – Falei em meio à dor, e então comecei a ser puxada novamente.
AIDEN P.O.V.
O chão fazia barulho e minha cabeça doía. O problema que quando engoli minha saliva, parecia que tinha ferrugem no meio dela. Abri os olhos e passei a mão na minha boca, estava com sangue. Parecia estar seco, mas mesmo assim. Comecei a levantar e vi que tinha um pequeno rastro de sangue, levava a uma pessoa de cabelo azul que usava a mesma roupa da Mellany do dia anterior.
– Não, não, não... – Fui me aproximando e essa pessoa estava deitada de lado. Vi-la-ei e me deparei com Mell no meio de uma poça de sangue. Seus braços estavam feridos, as suas pernas estavam completamente mordidas e sua blusa estava rasgada na barriga, aonde tinha uma marca de unha. Um ataque perfeito de um animal.
– Mellany... Eu sinto... – Estava com ela no meu colo. De repente seus olhos tremeram e abriram.
Ela parecia querer falar, mas nada saía de sua boca.
– Não gasta sua energia. – Eu estava chorando e não era pouco.
– Eu... Eu... – Sua voz não era mais alta que um sussurro. Ela desmaiou. “O que eu fiz?” pensei, estava com o gosto de sangue presente na minha boca, me lembrando a todo o momento do que havia feito. Eu havia atacado a pessoa com quem mais me importava em toda minha vida.
Assim que vi o vislumbre da casa, corri, Mellany necessitava que fosse tratada logo. Pois não sei por que motivo os machucados ainda soltavam um pouco de sangue. Quando entrei na casa com ela, a sentei no sofá e corri para colocar uma roupa, coloquei a primeira minha que vi. Eu teria que limpar todos os machucados dela, então a peguei novamente e fui para o quarto em que estávamos lá tinha uma banheira que seria bem útil naquele momento. O enchi com agua morna e coloquei Mellany lá, comecei a retirar o que sobrou das roupas dela. Seu tênis estava completamente rasgado, assim como sua blusa e calça. Então ai que pude ver o estrago em si. Limpava cada parte machucada dela, a pele das pernas dela que estava mais destruída, mais especificamente de seu calcanhar esquerdo e coxa direita. Eles estavam em carne viva. Comecei a limpar pela aquela área. Ela começou a acordar de novo.
– Mellany? – Chamei. Ela abriu os olhos e me olhou. Parecia extremamente cansada, mas em meio a seu rosto de dor, pude ver um sorriso. – Por que esta sorrindo?
– Eu... Preciso... De... Agua... – Foi o que disse. Sai correndo rapidamente e peguei a garrafinha dela de agua e voltei ao banheiro, Mellany estava com a esponja, limpando seu braço esquerdo. Ela foi limpando e olhando.
– Aqui esta a agua. – Chamei sua atenção e a entreguei a garrafinha. Ela a segurou com as duas mãos e acabou com ela rapidamente. Voltei a ficar do seu lado e peguei a esponja.
– Obrigada Aiden. – Ela parecia estar feliz, de um modo estranho.
Voltei a ajuda-la. Seus braços agora estavam limpos. A agua da banheira ficou com uma cor de sangue que não é bem dissolvido.
Limpei sua barriga, estava com um arranhão, sorte que não era profundo. Então foi rápido. Mas quando chegou às pernas, foi difícil.
– Acho que aqui não tem como limpar, só com outros produtos. – Ela tentou mover a perna, mas quando o fez vi que ela segurou pra não gritar.
– Vamos sair da banheira. – Comecei a puxa-la.
– Não, tem que trocar a agua e eu tomar um banho de verdade. Faz o seguinte, escoa a agua com sangue que eu tomo um banho, aqui sentada.
– Tem certeza?
– Absoluta, pode escoar a agua. – Ela falou, logo que a agua foi toda embora, liguei a ducha que havia em cima dela. Ela retirou as roupas intimas e começou seu banho. Mas não o prolongou. Logo a peguei no colo e a levei para a cama, a ajudei a se enxugar e peguei um vestido dela e a ajudei a coloca-lo.
– Você fica no quarto hoje. Vou pegar os remédios para limparem melhor seus machucados. – Comecei a sair do quarto.
– Aiden! – Ela chamou minha atenção.
– Diga.
– Pegue apenas o álcool, gaze e duas toalhas. E obrigada.
– É a minha culpa, minha obrigação.
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Bom, sabia o que ela queria fazer, mas aquilo seria muita loucura. Voltei com o que ela pediu. Então ela pegou uma das toalhas e colocou em cima de seus ombros, a outra pediu para cobrir a cama em abaixo de suas pernas. Então jogou o álcool em cima da coxa e depois do calcanhar, enquanto a substancia passava pela pele destruída ela apertava com os dentes a outra toalha.
Aquela cena era horrível de se ver e presenciar, mas não ia demonstrar o quão horrorizado fiquei, então fiquei ali. Tudo era minha culpa, eu devia ter me controlado. Depois que aquela tortura terminou, Mellany pediu para descansar. Deixei-a no quarto e fui para o lado de fora da casa. Gritei com toda a minha força.
– Como pude ser tão fraco? EU DEVIA TER ME CONTROLADO! VOCÊ É FRACO AIDEN FLAMEVELL! – Cai no chão e não pude evitar aquelas malditas lagrimas, de culpa e sofrimento. – Por quê não consegui?
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