Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)
51 Capítulo 50 – Insanity
CAPÍTULO 50 – INSANITY
“Insanidade”
– NARRAÇÃO – 17 DE JANEIRO DE 1998 —
– Não! Nem pensar, vocês não vão fazer isso!
– Mas Violet...
– Mas nada, isso é loucura!
– Sabe, vocês poderiam falar na nossa língua... – sugeriu Alessa revirando os olhos.
– Vocês acham que tem alguma chance de invadirem o cofre dela e ninguém desconfiar?! O Gringotes tem segurança máxima! Os elfos, duendes, bruxos de alto escalão, membros do ministério... Já ouvi falar até de dragões!
– São apenas boatos. – rebateu racionalmente – Quais as chances de colocarem um dragão debaixo da terra em um centro comercial sem que ninguém veja?
– Ah não sei... Quais as chances de colocar cinquenta demônios de água em um lago debaixo da terra em um bairro trouxa residencial e ninguém perceber? – ironizou. – Hermione, é loucura! E para isso precisam de algo dela...
– Já temos. – disse pegando um frasco na bolsa com fios de cabelos negros. – Vocês não acreditariam no que o Ministério tem naquelas salas...
– Hermione...
– Nós podemos fazer isso! Enquanto a poção fica pronta nós vigiamos o Gringotes de longe e investigamos mais sobre a Bellatrix e os comensais... Os duendes não vão arriscar dizer não à Comensal Lestrange quando ela aparecer por lá para abrir o cofre!
– Se vocês já tem certeza de que vão fazer isso, porque veio falar com a gente? Vocês poderiam fazer tudo sozinhos...
– Aí que está o problema. Precisamos de alguém que conheça os hábitos da Bellatrix, como ela fala, como anda, manias... Alguém que conviveu com ela tempo o suficiente...
– Não... – sussurrou.
– Precisamos de você.
– Não! – exclamou nervosa levantando-se rapidamente. – Vocês querem que eu tome outra poção, entre no segundo lugar mais seguro que existe me fazendo passar por comensal, entre no cofre da minha mãe e depois simplesmente saia dizendo tchau aos duendes sem ninguém perceber?! E se realmente tiver uma horcrux lá? Vocês sabem que eu perco o controle. Eu quase matei do Reg duas vezes por estar perto do medalhão...
– Desculpa Violet, mas eu acho que ela tem razão... – comentou Mary. – Eu sei que é perigoso, mas temos grandes chances de encontrar algo que nos ajude lá dentro!
– E quanto a mim?! – exclamou Violet nervosa enquanto Régulus aproximou-se lentamente. – Vocês não pensam como seria? Se alguém desconfiar vai atacar! Acho que sabem que se me atacarem eu vou revidar! Eu posso matar alguém lá e nem me dar conta!
– Violet, eu te entendo, de verdade... – começou Hermione – Mas essa é nossa melhor opção... Você cresceu com ela... Bellatrix te ensinou muita coisa e se tem alguém aqui que a conhece tão bem a ponto de falar como ela, esse alguém é você...
– Hermione...
– O que é mais fácil? Eu, que não tenho nada de especial, encontrar uma horcrux no cofre de uma das famílias sangue-puro mais antigas ou você, que pode rastreá-la rapidamente? – continuou a castanha – Sem contar que você é legalmente filha dela, aquele cofre te pertence de certa forma.
– Certo... Supondo, apenas supondo, que eu aceite essa maluquice... – perguntou sendo abraçada de lado por Régulus, que tentava acalmá-la — Como seria? Você tem um plano?
– Primeiro prepararíamos a poção, o que dura um mês... – começou Hermione enquanto Violet cruzava os braços – Nesse período vamos vigiar o Gringotes e ver se ela ou algum outro comensal aparece, como se comportam. Quando ficar pronta, duas pessoas podem se vestir de comensais para te acompanhar e nós aparatamos perto de lá para você tomar a poção. Depois entramos, você pede para abrir seu cofre e, se algo der errado, eu tenho a capa do Harry comigo... Entramos, você procura a horcrux no cofre e depois saímos... Com alguma sorte ninguém vai notar diferença.
– Eu sei como entrar no cofre e sei como eles agem. – começou Régulus – Se você for convincente o suficiente, eles vão passar direto pelas proteções extras e não terá problemas, já que não arriscariam isso com a verdadeira Bellatrix. O cofre dos Lestrange, por ser de uma família antiga, é um dos mais profundos e mais protegidos e não precisa de chave... O duende só precisa colocar a mão na porta.
– Certo... E quem seriam os comensais?
– Acho que o Régulus e o Vitor poderiam se passar por comensais, são altos, fortes... Só precisam da roupa certa. – comentou Alessa. – Uma de nós pode ficar debaixo da capa para o caso de vocês precisarem de ajudas invisíveis e as outras duas ficam lá fora, se aparecer alguém podem avisar pelas moedas.
– Violet, por favor... Você pode fazer isso! – insistiu Hermione.
Violet fechou os olhos, não acreditava que estava passando por aquilo... Com certeza iria se arrepender mais tarde.
– Tá, tudo bem... – suspirou abrindo os olhos. – Eu posso saber como minha mãe age, fala ou anda, mas não sei como um comensal age.
– Nisso eu posso dar um jeito. – interrompeu Régulus – Já fui um deles lembram? E vocês não vão acreditar no que tenho guardado no porão... – sorriu.
– E quanto à varinha e as roupas? Nós... – perguntou Violet, porém, nesse momento uma imagem veio á sua mente.
Viu Voldemort em frente os portões de Hogwarts, e enquanto caminhava para dentro da escola, viu a capa negra do novo diretor aproximar-se. Violet ficou confusa e, por um segundo, sentiu-se perdida ao encarar os grandes olhos negros do homem que um dia chamou orgulhosamente de pai.
Régulus percebeu a súbita mudança na garota e perguntou o que aconteceu, mas Violet estava imóvel, os olhos sem foco. Os demais tentaram chamá-la, mas ela continuava em seu mundo particular. Viu Voldemort aproximando-se do jardim ao lado do Lago Negro, viu Snape atingir a tumba de Dumbledore com um feitiço e as paredes desmoronarem sobre o chão. A figura do ex-professor estava intacta, talvez preservada com algum feitiço. Em suas mãos sobre o peito, uma varinha longa e lustrada. A Varinha das Varinhas, reconheceu Violet.
– Não... – sussurrou ao perceber o que estava acontecendo.
Voldemort então arrancou a varinha das mãos frágeis e a estendeu para o alto, lançando um poderoso jato de magia no céu escuro sem estrelas. Tinha tomado posse da varinha mais poderosa de todas, afinal...
Violet abriu os olhos assustada e percebeu que todos a encaravam preocupados, enquanto Emmanuelle lhe entregava um copo com água.
– Ele conseguiu... – sussurrou com a voz fraca. – A Varinha das Varinhas é dele.
– Como vamos derrotar alguém que possui uma varinha invencível?
– Horcruxes. – respondeu Violet decidida – Precisamos encontrar e destruir as horcruxes de uma vez por todas! Droga, vou me arrepender disso mais tarde, mas vamos entrar no Gringotes o mais rápido possível. Reg, você tem poções prontas aqui?
– Só as com fios de Jean-Paul...
– Então faremos uma. E você vai nos ensinar a agir como um comensal, precisamos das roupas e de uma varinha digna de Bellatrix Lestrange... Com sorte posso dizer que a minha foi roubada em alguma missão.
– Eu tenho roupas de comensais guardadas no porão, acho que servem no Vitor e em você. Quanto à varinha, pode deixar que dou um jeito. – começou Régulus — Alguém aqui já lançou a Maldição Imperius? Quem for ficar debaixo da capa precisa aprender. Se eles desconfiarem precisa estar pronto para lançar algum feitiço ou maldição.
– Eu acho que tem que ser a Alessa, porque quando a Violet se descontrola é a única que consegue pará-la. – sugeriu Mary. – Eu posso ficar fora do banco...
– Todos concordam? – perguntou Régulus e, assim que assentiram, continuou – Certo, Violet, Vitor e Alessa, já viram um dragão antes certo?
– Odeio dragões, especialmente se for um Rabo Córneo Húngaro. – comentou Violet fazendo Vitor rir.
– Bem, de qualquer forma não precisaremos lutar com um... Os cofres mais “importantes”, por assim dizer, têm dragões como guardas, mas os duendes possuem uma espécie de chocalho que os afasta, então não se preocupem com essa parte. Só precisamos deixar você convincente o bastante.
– E quando começamos?
– Agora. – respondeu Violet.
– Certo, então vamos fazer o seguinte... Eu posso ir até lá agora e vigiar o banco, como funciona, o que acontece, quem aparece... Enquanto isso vocês treinam e fazem tudo que precisam, em um mês eu volto e colocamos o plano em ação.
– Tem certeza Mary? Pode ser perigoso você ir sozinha e ficar lá tanto tempo...
– Então a Hermione vem comigo não é?
– Claro.
Assim foram passando os dias e logo o mês havia terminado. Nesse intervalo de tempo Mary e Hermione aprenderam tudo que puderam sobre o banco e voltaram com novidades. Régulus, por sua vez, ensinou o que sabia sobre ser comensal à Violet e Vitor, mostrando as diferentes formas que usavam para obter coisas e como ameaçavam. Violet estava indo muito bem, mas às vezes esquecia alguns detalhes e arruinava o disfarce. Vitor, por outro lado, era um bom aprendiz e logo se comportava como um verdadeiro comensal. Alessa, com a ajuda de Emmanuelle, preparou a Poção Polissuco conforme a “receita” que Rég ganhara do amigo e aprendeu o que pode sobre Maldições.
Quando fevereiro chegou, Violet estava vestindo o longo vestido negro e suas botas quando Emmanuelle entrou e lhe entregou uma caixa. Um colar idêntico ao que Bellatrix sempre usava. Violet então pegou sua bolsa e colocou o último item que faltava para seu disfarce. O anel dos Black. Olhou-se no espelho e acreditou que a mãe ficaria orgulhosa de vê-la daquela forma. Talvez fosse um dos maiores sonhos de Voldemort: vê-la como uma comensal. Algo que nunca aconteceria, pensou.
Violet respirou fundo e foi até a sala, onde todos esperavam ansiosamente. Régulus e Vitor usavam longos e negros casacos, Vitor com o cabelo castanho pelos ombros e barba, assim como Régulus, que já estava com seu habitual disfarce de Jean-Paul e carregava uma câmera na mão.
– Uau... Está linda moça... – elogiou Régulus rindo, porem, não deixando de imaginar que Violet seria uma comensal encantadoramente perigosa.
– Engraçadinho...
– Ele está certo... – disse Vitor puxando-a pela cintura – Você fica linda de qualquer jeito... – sussurrou em seu ouvido e puxou-a para um beijo casto, porém apaixonado.
– Hey, pode parar com essa saliência na minha sala com a minha prima... – interrompeu Régulus aproximando-se.
– Ciumento. – riu Violet mostrando-lhe a língua.
– Vitor, é melhor você e as meninas irem agora e aparatarem no final da rua, eu e a Vi vamos depois para não levantar suspeitas. Você espera no Caldeirão Furado e toma alguma coisa, nós dois vamos aparecer daqui a pouco e te chamamos, certo?
– Claro... – disse ele antes de dar um selinho em Violet e sair da casa com as meninas.
– Então... – começou Violet — Quais serão os nomes?
– Bellatrix Lestrange, Frederick Bordon e Dragomir Despard, minha humilde pessoa. – disse fazendo uma pequena reverência no último nome. – Sabe, eu quero uma foto nossa quando isso acabar... – riu – Régulus Black e sua adorada prima Trix! É uma boa legenda para uma foto não é?
– Claro, se quiser posso autografa-la com um sincero “morra”...
– Acho que a verdadeira Trix pularia a parte do autógrafo e iria direto para o “morra”. – gargalhou. – Mas enfim, vamos?
– Claro, vamos acabar logo com isso... Não acredito que concordei com essa loucura... – reclamou saindo da casa enquanto Régulus fechava a porta rindo.
– Concordou porque é outra louca também.
– Acho que é de família... – insinuou e, ao ver Régulus fechar a cara, riu – O quê? Você começou...
– Jean-Paul! – exclamou uma senhora japonesa enquanto regava o jardim – Há quanto tempo não o vejo hein? Você sumiu! – comentou observando o homem loiro e a moça de olhos penetrantes.
– Olá Sra Dubois, como está? – respondeu simpático como de costume.
– Ah, você sabe... A idade chega sem avisar e quando vê já está reclamando de dores nas costas. E que roupas são essas, querido? Até parecem aqueles caçadores dos filmes...
– Hoje tem uma festa à fantasia na casa de um amigo e estamos indo para lá... – explicou-se.
– “Estamos”? – repetiu indicando Violet.
– Ah sim, desculpe... Esqueci de apresentar... – fez-se de desentendido – Essa é Eileen Mansel, uma prima distante da minha mãe que veio nos visitar. Eileen, esta é a Sra Dubois, nossa vizinha.
– É um prazer conhecê-la mocinha... – disse a mulher apertando a mão de Violet alegremente. – Seus olhos são lindos...
– Obrigada Sra Dubois. – respondeu gentilmente – Podemos ir Paul? Estou ansiosa para conhecer as festas de Bordeaux.
– Claro! Estamos indo, até mais Sra Dubois! – disse ele arrastando Violet para dentro do carro e dando partida, deixando uma Sra Dubois sorrindo ironicamente em frente a sua casa. – Desculpe por isso... Ela sempre foi um tanto...
– Intrometida?
– Eu ia dizer fofoqueira, mas intrometida serve... – riu virando a esquina. – Bem, vamos ter que deixar esse carro em algum lugar antes de aparatar. Quer café?
– Se livra logo do carro e vamos, por favor... – pediu girando o anel em seu dedo distraidamente.
Cerca de cinco minutos depois ambos aparataram em um beco antes do Caldeirão Furado e pararam. Alessa os estava esperando com a capa e ficou em silêncio quando Violet suspirou fundo, pegou o frasco da mão de Régulus e engoliu de uma só vez. Sentiu-se tonta e tudo parecia girar, seu estômago reclamava e sua pele borbulhava. Percebeu que o vestido ficou mais justo na cintura e sentiu-se mais alta, o volume dos cabelos negros encaracolados sobre suas costas pesava tanto quanto o anel em seu dedo. Não havia mais volta, era Bellatrix Lestrange.
– Incrível... – sussurrou Régulus – Então é assim que ela está hoje?
– Podemos ir? – pediu Violet incomodada, um sentimento estranho tomando conta de seu coração, um sentimento que ela ignorava com todas as suas forças.
– Madame Lestrange... – disse indicando para que ela fosse na frente.
Alessa sorriu e cobriu-se com a capa enquanto Violet rapidamente fechou a expressão e, meio segundo depois, entrou no Caldeirão Furado com Dragomir Despard ao seu lado. O bar estava quase deserto, se não fosse por um grupo de bruxos no canto e um homem sentado de costas para a entrada. O grupo olhou rapidamente para Violet e logo encolheu-se de volta nas sombras enquanto Tom, o dono do lugar, limpava alguns copos atrás do balcão.
– Madame Lestrange! – murmurou ele surpreso e, quando Violet parou, reverenciou-a como um servo. Violet simplesmente o ignorou enquanto o outro homem, Vitor, levantou-se rapidamente e, após deixar uns sicles sobre o balcão, seguiu Violet e Régulus para fora da estalagem em direção ao pequeno quintal.
Régulus então ergueu a varinha e bateu em um dos tijolos da parede à sua frente, que logo começou a girar e uma porta se abriu no centro da parede, dando espaço para a visão do Beco Diagonal. Uma vez atravessado, fechou-se. Violet quase não acreditou na situação que se encontrava o lugar tão agitado e movimentado que conhecera anos antes, quando seu pai a trouxe para comprar o material da escola.
Quase todas as lojas estavam fechadas, algumas com madeira pregada nas portas e inúmeras outras dedicadas às artes das trevas recém-abertas. Pessoas maltrapilhas esgueiravam-se na rua suja e mendigavam por ajuda, afirmando que eram bruxos.
Violet percebeu que todas as pessoas que estavam, de alguma fora, em seu caminho, escondiam-se rapidamente enquanto outras encolhiam-se de medo. Uma decisão sábia, pensou ao lembrar que quem estava ali era a Comensal Lestrange. Um homem com curativos ensanguentados, porém, aproximou-se desesperado.
– Meus filhos! O que fez com eles... Você sabe... Por favor...
– Saia da frente seu verme. – murmurou Violet, sem parar de andar, entretanto, nesse momento o homem aproximou-se ainda mais e chegou a encostar em seu pescoço.
Antes que ela fizesse qualquer coisa, Vitor ergueu a varinha e estuporou o homem rapidamente. Violet congelou onde estava quando todos ao redor começaram a fugir do lugar e cabeças apareciam nas janelas. Estava quase chamando Régulus e Vitor quando uma voz chorosa apareceu em suas costas.
– Mas o quê... Por que fez isso?
Violet virou-se e deu de cara com um bruxo alto, magro, cabelos lisos acinzentados com nariz largo, encarando-a surpreso.
– O que você quer?
– Pensei em cumprimentá-la Madame Lestrange. – respondeu ofendido. – Mas se minha presença a aborrece...
– Trevor. – murmurou Régulus numa tentativa de ajudar Violet.
– Sim... E você quem é? Como sabe meu nome?
– Dragomir Despard. Ouvi falar de você. – respondeu simplesmente.
– Dragomir Despard... Nunca ouvi falar. – comentou – Enfim, desculpe Madame Lestrange, mas estou surpreso em vê-la por aqui...
– Está? – perguntou levantando uma das sobrancelhas.
– Bem, ouvi que depois da...hm...fuga, que aconteceu na Mansão Malfoy, os habitantes da mansão estavam confinados...
Violet não fazia ideia do que Trevor estava dizendo e Régulus não sabia como ajudá-la, mas novamente a garota colocou seus anos de convivência com a mãe em prática e se saiu muito bem.
– Bem, acho que isso não lhe diz respeito Trevor, talvez meu crédito com o Milorde seja maior que o dos outros, não acha? – ironizou virando-se e voltando a caminhar.
– Sim, é claro... Diga, como ele te ofendeu? – perguntou acompanhando-a e apontando o homem estuporado no chão.
– De um modo que nunca mais fará novamente. – respondeu friamente, tentando evitar a presença do bruxo, mas ele era insistente.
– Esses sem-varinha são inúteis mesmo, mas desde que mantenham-se implorando, por mim tudo bem... Acredita que um deles queria eu intercedesse por ele no Ministério? Idiota, como seu eu fosse levantar minha varinha e... Hey, qual varinha você está usando? Ouvi dizer que a sua foi roubada e...
– O que pretende com tantas perguntas Trevor? – perguntou virando-se rapidamente com a expressão raivosa. – Não sei quais rumores você tem ouvido por aí, mas me parece um tanto insolente de sua parte vir confirmá-los comigo.
– Claro, claro... Desculpe Madame Lestrange, eu só pensei...
– Não me interessa o que pensou. – interrompeu calmamente com a voz fria – Tenho assuntos a resolver, se não se importa... – disse virando-se novamente e continuando seu caminho até as escadas de mármore polido que davam na porta de bronze do Gringotes.
Assim como Mary havia dito, os duendes que normalmente ficavam na entrada do branco foram substituídos por dois bruxos com bastões dourados. A Sindicância da Honradez, como chamava. Violet viu dois bruxos passarem primeiro e ficou logo atrás. Assim que aproximou-se, Alessa apontou sua varinha para os bruxos e murmurou “Confundo” duas vezes. Violet aproveitou e seguiu seu caminho, porém um deles a barrou.
– Um momento madame..
– Você acabou de fazer isso. – ralhou impaciente enquanto os dois guardas se entreolhavam.
– É, você acabou de checá-los Marius... – confirmou o outro confuso deixando Violet, Vitor e Régulus passarem. Alessa ficou satisfeita e continuou com o plano.
Violet caminhou calmamente pelo longo corredor de mármore branco até o Hall de Entrada, onde inúmeros duendes sentavam-se atrás de balcões atendendo os primeiros clientes da manhã. No final da sala, um velho duende examinava algumas moedas quando parou ao perceber Violet e os demais à sua frente.
– Madame Lestrange! – exclamou surpreso erguendo o rosto – O que posso fazer pela senhora hoje minha querida?
– Desejo entrar no meu cofre.
O duende pareceu recuar um pouco e logo todos ao redor viraram suas cabeças na direção da mulher de cabelos negros.
– A senhora tem...identificação?
– Identificação? – repetiu incrédula – Eu não preciso de identificação.
– Sua varinha servirá madame... – disse ele estendendo seus longos dedos finos para pegar a varinha que Violet lhe entregou.
Régulus e Vitor provavelmente pensaram o mesmo que Alessa, que finalmente percebeu que, se era verdade que a Mansão Malfoy sofreu uma fuga e todos ali estavam confinados, a verdadeira Bellatrix Lestrange não deveria aparecer em público. Alessa então estendeu sua varinha para o duende e, pela primeira vez na vida, murmurou “Imperio”.
– Varinha nova madame? – perguntou o duende sob o efeito da Maldição após pouco observar a varinha em suas mãos.
– Suponho que saiba que a minha foi roubada... – explicou Violet impaciente. – Vai demorar? Tenho outros assuntos a resolver e não gosto de esperar. – disse enquanto o duende batia palmas e um duende mais jovem aparecia ao seu lado.
– Vou precisar dos Clankers. – disse ele ao outro, que desapareceu e voltou rapidamente com uma bolsa de couro cheia de metais ruidosos. – Então, Madame Lestrange, se puder me acompanhar... Vou levá-la até seu cofre.
O velho duende então pulou do balcão e caminhou alegremente na direção de Violet, que ficou surpresa por ver um duende tão feliz. Sabendo que todos a encaravam, ela apenas assentiu e seguiu o pequeno ser, entretanto, outro duende apareceu correndo para impedi-los.
– Espere, Bagrot! – exclamou ele aproximando-se – Recebemos instruções... Desculpe madame, mas há ordens especiais acerca do cofre dos Lestrange.
– Sim, sim eu sei... Madame Lestrange deseja visitar seu cofre, família antiga, velhos clientes... Por favor madame, me acompanhe...
O velho duende caminhava calmamente até uma das portas do hall enquanto Violet o seguia com Vitor e Régulus. Alessa permaneceu quieta quando passou pela porta e, assim que foi fechada, tirou a capa de si.
– Eles sabem. – avisou aproximando-se e guardando a capa na bolsa – É claro que Bellatrix Lestrange não deveria aparecer em público depois que sabe-se lá quem fugiu da mansão Malfoy e levou sua varinha... Antes de fechar a porta eu vi o Trevor entrando, um dos duendes falou alguma para ele e ele saiu do banco correndo.
– Não dá para sair. – avisou Vitor – Já estamos aqui, então vamos continuar. E o duende?
– Imperius. – admitiu Alessa satisfeita – Ele precisa pilotar o carrinho até o cofre, mas tomem cuidado, eles sabem que impostores estão no banco e vão tentar nos impedir... – avisou tentando ignorar os gritos que ouviu atrás da porta enquanto o duende assobiava chamando um carrinho, que logo chegou.
– Certo, vamos lá... – suspirou Vitor entrando no carrinho e ajudando Violet com o vestido enquanto Régulus ajudava Alessa e o duende “dava a partida” no carrinho.
– A propósito, você foi muito bem lá Violet... – elogiou Régulus enquanto Violet via o painel do carrinho, indicando a velocidade cada vez maior.
Violet não prestou atenção em nada do que disseram, sentia um buraco em seu peito e quanto mais profundo iam pelas rochas e cofres, sentia sua garganta ficar seca e arder em ânsia. Não demorou para sentir uma forte brisa de energia vir em sua direção e fechar os olhos, apreciando o poder que estava prestes a absorver.
Quando Alessa gritou, entretanto, abriu os olhos e percebeu uma parede de água logo em frente. Imediatamente lembrou-se do que passou para pegar o medalhão e, como se fosse automático, ergueu as mãos e criou um escudo protetor sobre o carrinho. Entretanto, o escudo pareceu proteger apenas ela, pois logo viu Vitor e Régulus com suas aparências originais e Alessa com os cabelos ruivos pingando, tossindo água.
– Isso não é justo, porque não... – começou a ruiva, porém, o carrinho saiu dos trilhos e lançou todos para fora.
Alessa gritou esperando pelo impacto quando sentiu seu corpo flutuar parado. Abriu os olhos e viu que Violet estava levitando todos eles. Juntando com o fato de que suas veias estavam saltadas, a ruiva adivinhou que ela já não estava controlando si mesma.
– De nada. – disse Violet ainda com o rosto de Bellatrix enquanto caminhava até o duende, assustado com o que viu – E você seu sersinho, vai nos levar até o cofre dos Lestrange...agora. – ameaçou com a voz fria aproximando seu rosto do velho duende, que assentiu rapidamente e seguiu seu caminho por entre as pedras.
Enquanto Violet seguia o duende, sentia seu sangue correr mais rápido, como se conseguisse ouvir cada gota escorrendo por entre suas veias. Os demais não falaram nada, sabiam que Violet estava sentindo a Horcrux e decidiram que ficariam quietos. Quando o duende finalmente parou e Violet viu o dragão adormecido logo em frente, numa enorme cratera, aproximou-se e abaixou ao lado do duende.
– Se esse animal machucar qualquer um de nós, pode se considerar morto anão. – ameaçou com a voz baixa e ameaçadora. – Agora use essa sua bolsa para algo de útil e depois abra o cofre.
– Sim madame, é claro... – engoliu em seco enquanto tirava uma espécie de chocalho feito com metais ruidosos e mexia-o fervorosamente, o que afastou o dragão até chegarem ao cofre. O duende estendeu sua mão esguia e espalmou-a sobre a porta, que logo em seguida foi destravada e abriu.
– Imperio. – murmurou Violet estendendo seu braço para o duende, que logo sofreu os efeitos devastadores da Maldição – Você fica aqui duende, e vai abrir a porta quando mandarmos, ouviu?
– Sim Madame Lestrange – assentiu com o olhar desfocado.
Dito isso, Violet virou-se e entrou no cofre, que foi fechado assim que os demais a seguiram, surpresos por ela lançar uma maldição sem varinha. Violet estava ficando mais poderosa a cada dia, e eles viram isso.
– Tomem cuidado... Esse cofre provavelmente tem os feitiços de Germino e Flagrante. Qualquer coisa que tocarem aqui dentro irá se multipicar absurdamente, e sua pele vai queimar caso entre em contato com algum metal... – avisou Régulus avançando.
– Ótimo. – ironizou Alessa, porém, Violet não ouvia nada, sentia seu corpo ferver, e não era de antecipação. Algo estranho estava acontecendo e ela não sabia o que era.
Ao mesmo tempo, sentiu a energia que a próxima horcrux emanava e se viu atraída para a imensidão do cofre repleto de tesouros. Seus olhos estavam atentos e observavam tudo, a magia cada vez mais tentadora, mais próxima... Enquanto caminhava evitava todos os demais tesouros que estivessem ao redor, como se soubesse os desvios na hora certa.
Foi então que sentiu seu peito explodir em ânsia, a pele formigava... Olhou para cima e viu uma taça. Uma pequena taça dourada com asas... Com o símbolo de Helga Hufflepuff.
Aproximou-se irracionalmente, mas seu vestido enganchou em uma pilha de moedas e a derrubou sobre a garota, que pisou em uma delas e escorregou. Deu grito agudo quando sentiu sua pele queimar por baixo da manga do vestido enquanto mais e mais moedas se multiplicavam. Vitor e Régulus aproximaram-se rapidamente e a ajudaram a levantar, mas para isso acabaram esbarrando em outros metais, que queimaram suas peles e multiplicaram-se rapidamente. Alessa observava tudo de longe e lançava feitiços de levitação para tirá-los de lá, mas não estava tendo muito sucesso.
Violet logo se viu coberta até a cintura de moedas, cálices e joias, sua pele ardia em brasas e, quando viu os outros dois gritando de dor, levantou o braço e empurrou-os automaticamente para fora daquela bagunça, caindo ambos seguros na entrada do cofre onde não havia nada.
– Violet! – gritou Vitor tentando se aproximar, porém, Alessa o segurou.
– Não, ela não nos quer lá... – avisou
– Lembre-se que ela quase me matou duas vezes por tentar pará-la, não quero que aconteça uma terceira. – completou Régulus ajudando a ruiva. – Ela consegue fazer isso... Matou cinquenta demônios de água, o que são algumas queimaduras?
Enquanto os três discutiam, Violet se contorcia de dor, suas pernas ardiam e seus braços estavam cheios de bolhas. Sentia sua face úmida pelas lágrimas, mas também sentia a horcrux extremamente perto...
Em um acesso de raiva, abriu os braços rapidamente e logo lançou todos os objetos para longe, porém, ao esbarrarem em si mesmos, multiplicaram-se descomunalmente e ameaçavam nos demais. Violet não se importou e exclamou um Expelliarmus na prateleira que guardava a taça, fazendo-a despencar no chão como cascata, os objetos se multiplicando... Quando finalmente alcançou a taça, sentiu sua pele toda ferver, arder em chamas! Seu coração parecia querer explodir a qualquer momento, seus batimentos acelerados.
A mão sobre a taça parecia um sangue suga que sugava a energia vital do objeto, absorvendo mais e mais. Violet sentiu uma brisa fresca em seu pescoço e algo frio e eletrizante percorreu sua espinha. Alessa e os outros observavam assustados quando a imagem de Bellatrix Lestrange começou a borbulhar e, pouco a pouco, os cabelos crespos voltando à textura original, a pele adulta voltando à adolescente e o rosto de Violet Snape Black assumir seu corpo novamente.
– Isso... É impossível... – sussurrou Régulus – A poção dura seis horas, não se passaram nem três!
Violet estava voltando à sua forma natural, porém, a pequena mecha branca que Bellatrix sempre carrega em seu cabelo não desapareceu do de Violet, parecia um parasita que queria fixar-se à nova hospedeira. Os olhos azuis voltaram e, por um segundo, Violet recordou sua consciência e voltou a ser ela mesma, mas no segundo seguinte um tom negro piche corroeu seus olhos azuis e a Magia Negra se espalhou.
Mesmo após absorver toda a magia presente no cálice, Violet não o soltou enquanto caminhava até os outros três, paralisados na entrada com o que acabaram de presenciar.
– Abra o cofre duende! – exclamou Violet do lado de dentro e, segundos depois, a porta do cofre mexeu-se e abriu, revelando o pequeno duende parado logo ao lado.
Ouviu passos se aproximando e respirações aceleradas. Tinha que sair dalí o mais rápido possível, só não sabia como. Alessa pareceu perceber o dilema e logo o resolveu numa atitude impensada. Ergueu a varinha e atingiu as correntes que prendiam o dragão vermelho com um feitiço estuporante.
Assim que as correntes se quebraram, o dragão começou a se movimentar rapidamente, ansioso pela liberdade... Mas então inúmeros bruxos apareceram no subterrâneo e feitiços passaram a voar com facilidade entre os presentes. Régulus estava fora da ação por um bom tempo, logo, foi o primeiro a ser estuporado. Alessa tentou ajudá-lo e um bruxo mais velho a segurou pelo pescoço, roubando sua varinha.
Sobraram apenas Vitor e Violet, que duelavam bravamente, porém, Vitor distraiu-se por um segundo quando atingiram Violet no braço e tornou-se uma presa fácil quando a namorada caiu.
Todos foram capturados.
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