Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)
52 Capítulo 51 – Mommy
CAPÍTULO 51 – MOMMY
“Mamãe”
– NARRAÇÃO – FEVEREIRO DE 1998 —
Régulus estava quase inconsciente quando dois bruxos o carregaram para cima. O dragão foi acalmado e Alessa era arrastada pelo cabelo por um dos comensais. Vitor tentou lutar, mas após pegarem sua varinha acabou apanhando e teve ferimentos graves no estomago. Violet, por sua vez, continuava sob os efeitos da Magia Negra, a taça lhe foi tirada das mãos, o rosto recebeu um tapa e seus braços presos por dois fortes comensais, que confiscaram sua varinha e a levaram para o Hall de entrada, onde outros comensais os esperavam.
– Estou dizendo, ela foi muito convincente Madame, falava como a senhora... Eu tentei perguntar coisas que só a senhora saberia mas ela desviou exatamente como a madame faria... – explicava-se Trevor quando uma das portas foi aberta e por ela saíram diversos comensais.
O primeiro trazia Vitor e Régulus, o último agora acordado, logo em seguida uma ruiva presa pelos cabelos e por último uma mulher de cabeça baixa, longos cabelos negros e um vestido muito parecido com o que Bellatrix usava.
– Ora, ora se não é a ruiva bonitinha... – debochou Greyback aproximando-se de Alessa, que olhou-o enojada. – Posso ficar com ela? Da última vez o idiota do Snape acabou com a brincadeira... – sorriu ameaçadoramente.
– Vamos ver quem são os idiotas que tiveram essa genial ideia – disse Bellatrix aproximando-se de Vitor e Régulus, porém parou assim que reconheceu o último. – Não...
– Hey Trix... Quanto tempo não? – debochou encarando-a.
– Você... Não! Como... Como sobreviveu?
– Desapontada? – perguntou em falsa tristeza – Acho que seu mestre não vai gostar muito de sua grave falha...
– Posso dar um jeito nisso. – respondeu aproximando seus rostos.
– Consegue me matar agora? – sussurrou encarando-a, realmente interessado em saber a resposta.
Bellatrix não respondeu, apenas esbofeteou-lhe a face.
– E quem é a corajosa moça que se passou por mim? – perguntou aproximando-se da garota de cabeça baixa e, com a mão direita, levantando seu queixo.
Violet sentia uma enorme dor de cabeça que parecia trucidá-la de dentro para fora e a face ainda doía pelo tapa. Quando ergueu o rosto e abriu os olhos, Bellatrix a encarou surpresa. Seus olhos estavam negros como piche e em seu cabelo havia uma mecha branca, mas o que realmente a surpreendeu foram os olhos sem expressão, vazios e apagados.
Ali estava sua filha, vestida como ela. Bella deveria saber que a única pessoa capaz de imitá-la tão perfeitamente era a garota que criou e amou por tanto tempo. Ela não sabia o que fazer... Tinham acabado de capturar a pessoa que o Lord mais queria no mundo, mas no entanto, o que desejava era pegá-la no colo e deixá-la ir.
– Olá mamãe... – debochou Violet sorrindo de uma forma que Bella nunca havia visto.
Aquela não era sua filha, e no momento seguinte percebeu que, a julgar pelos olhos, Violet deveria estar inebriada de Magia Negra. Aparentemente sua magia estava mais forte que da última vez.
– Madame Lestrange, isso estava nas mãos da garota... – disse outro comensal, distraindo a atenção de todos para a taça que ele entregava à mulher de preto.
Bellatrix sabia das Horcruxes e sabia que aquele cálice era um deles, mas ao olhar para a filha percebeu que aquilo não passava de uma taça inútil naquele momento e surpreendeu-se. O que ela havia feito afinal? Talvez fosse a espada que o Potter roubou de suas mãos... Mas o Potter não estava ali, então como?
Alessa, Vitor e Régulus sabiam que aquele era o fim da linha. Violet sempre desmaiava depois de usar muita magia negra e dava para ver que ela não estava se aguentando em pé, embora a ruiva ainda acreditasse que algo milagroso poderia acontecer.
– O que fazemos com eles Madame Lestrange? – perguntou Trevor enquanto Bellatrix dava as costas para os prisioneiros.
– A ruiva pode deixar com o Greyback... – mandou.
– Não! – exclamou Violet sentindo-se perder o controle novamente, e daquela vez era tudo o que ela mais queria.
– E você acha que está em posição para reclamar de algo pirralha? – ameaçou Dolohov, que segurava os braços da garota em suas costas e puxava seu cabelo.
– Só uma pessoa tem permissão para me chamar de pirralha, e essa pessoa não é você. – rosnou.
E então aconteceu. Violet usou sua altura ao seu favor e, após empurrá-lo para trás e soltar-se das mãos do comensal, pegou algo em seu bolso e, assim que Dolohov avançou, enfiou-lhe no peito a lâmina de sua adaga. Todos observaram estupefatos o ato enquanto Bellatrix quase não conseguia acreditar no que a garota havia se transformado.
Os demais comensais livres avançaram rapidamente e, após retirar a adaga do peito de Dolohov, atirou-a no comensal que se aproximou primeiro, desviando seu corpo quando feitiços tentaram atingi-la. Já inebriada pela energia e poder que corriam livres por suas veias, lançou jatos de Magia Negra em cada um deles e derrubou todos.
– Crucio! – exclamou Rabastan, porém, Violet lançou um Protego.
Régulus viu sua varinha no cinto do comensal que o segurava e com uma rasteira derrubou-o e pegou a varinha de volta. Uma pequena batalha se iniciou e logo Vitor e Alessa também estavam soltos. Bellatrix permanecia parada no centro do Hall observando Violet, que aplicou uma rasteira em Rabastan e levantou-se rapidamente, estuporando-o logo em seguida. A garota viu seus amigos aproximarem-se da entrada e logo teve uma ideia. Encarou Alessa profundamente, que pareceu entender, e depois empurrou-os porta afora. A ruiva agarrou os dois homens e aparatou.
– Acho que foi deixada para trás garota... – debochou Greyback aproximando-se lentamente, como um caçador encurralando sua caça.
– Tem certeza? – sorriu – Lumus máxima! – exclamou abrindo os braços e provocando um grande clarão no ambiente, cegando quase todos os presentes. E então correu.
Correu o máximo que podia para fora e, quando chegou às escadas, sentiu braços agarrarem-na pela cintura. Virou-se e percebeu que Greyback não a deixaria ir tão facilmente. Violet então empurrou-o com as mãos e lançou-o para a parede fortemente.
– Crucio! – exclamou, fazendo-o gemer de dor – Isso é por ter mandado minha melhor amiga para a enfermaria ano passado...
– Peguem ela! – exclamou Bellatrix dentro do banco.
– Depois terminamos nossa conversa Greyback... – piscou antes de aparatar e desaparecer do lugar.
– Seus idiotas! – gritou Bellatrix jogando o cálice no chão com força. – O Lorde das Trevas saberá disso, podem esperar!
E então aparatou.
Mary e Hermione, que estavam não muito longe dali, observaram a cena assustadas e logo saíram para voltarem à casa de Régulus, onde os demais deveriam estar. Horas depois, quando chegaram, depararam-se com Emmanuelle tentando curar os ferimentos dos homens com magia enquanto ambos reclamavam por Alessa, que andava de um lado para o outro, os ter tirado de lá.
– Uou... Vocês estão realmente em péssimas condições... – comentou Hermione aproximando-se de Alessa e ajudando-a com o curativo na testa, que sangrava, enquanto Mary ajudava Emmanuelle. – E a Violet?
– Não voltou... – respondeu Régulus. – Ai!
– Para de reclamar Régulus. – repreendeu-o Emmanuelle.
– Eu ainda acho que não deveríamos ter deixado ela lá... – disse Vitor.
– Ela pediu que eu fizesse isso... – explicou-se Alessa. – Não tínhamos chance.
– Mas ao menos ela não estaria lá sozinha! E se ela foi capturada?
– Não foi. – garantiu Mary – Nós vimos quando vocês foram embora e vimos também quando ela saiu, derrubou o Greyback e aparatou.
– Então já deveria estar aqui... Espera, ela derrubou o Greyback? – surpreendeu-se levantando-se um pouco.
– Régulus Black! Se você não ficar quieto eu jogo álcool nessa ferida!
– Tá, calma Emm! – reclamou deitando-se novamente enquanto a mulher cuidava dos ferimentos.
Todos, entretanto, concordavam com ele. Violet já deveria ter voltado e, cerca de uma hora depois, concordaram em esperar até o dia seguinte. Se ela não voltasse, iriam se separar e procurá-la.
Violet, entretanto, estava diferente depois de ter absorvido a energia do cálice e sentia isso, mas ao mesmo tempo sentia-se perdida... Sozinha. Vagou a tarde toda pelas ruas de alguma cidade, que não reconheceu, quando chegou perto de um parque público. Atraída pelo som das vozes, sentou-se debaixo de uma árvore em frente ao playground e ali ficou, observando as crianças correrem por todos os cantos e suas mães se divertindo.
Algo a prendia naquele gramado, algo que não sabia descrever... Ela ainda sentia aquele poder em suas veias, mas também sentia algo forte no peito que a estava esmagando por dentro. Fechou os olhos e entregou-se à escuridão que tanto a perseguia. Queria mais que tudo ser livre novamente... Ser feliz. Ver aquelas crianças ali a fizeram desejar mais que nunca voltar à sua infância, à época em que tudo era mais fácil... Sem complicações.
– Você gostava daqui... – comentou uma voz feminina sentando-se ao seu lado no gramado.
Em sua mente, Violet abriu os olhos lentamente e virou seu rosto para a mulher, que a encarava preocupada. Novamente a garota perdeu-se no passado, mas ao invés de Mary estar ali para conduzir uma conversa até que ela voltasse ao presente, era Bellatrix quem estava. Um segundo se passou e logo Violet reconheceu a mulher, que estranhou quando lágrimas começaram a manchar o rosto pálido da menina.
– Mamãe... – sussurrou deitando o rosto sobre o peito de Bellatrix, que assustou-se e ficou sem reação. – Mamãe, eu quero minha boneca, não sei onde está...
– Você... O quê? – surpreendeu-se afastando Violet para olhar em seus olhos azuis úmidos.
Encarou-a por longos segundos e deduziu que a Magia já havia perdido o efeito, mas percebeu também que a garota parecia confusa... O olhar perdido, como uma criança longe da mãe.
– “Criança”... – sussurrou percebendo o que estava acontecendo. – Violet, onde estava até agora?
– Eu... Eu não sei... – choramingou deitando a cabeça no colo da mulher como uma criança assustada.
Bellatrix não sabia o que fazer, fora surpreendida duas vezes seguidas no mesmo dia e estava perdida. Foi então que lembrou de algo que Cissa havia lhe dito anos atrás. Muitos livros de Magia Negra diziam que, quando uma pessoa tinha um descontrole grande de si mesmo, a magia em seu corpo reagia de modo peculiar, levando sua mente para um período em que essa pessoa foi feliz, um período esquecido no tempo e que faz falta.
Violet parecia perdida e havia acabado de chamá-la de “mamãe”, os olhos pareciam vazios e ela agia como uma criança... E então Bellatrix entendeu. Violet havia se descontrolado naquela manhã e fugiu de si mesma... Fugiu para uma época em que foi feliz. Era a única explicação que fazia sentido.
– Eu “tô” com medo mamãe... – sussurrou Violet apertando o tecido do vestido em suas mãos.
– Shhh... Eu estou aqui, não precisa ter medo... – murmurou Bellatrix levantando-a e apoiando a garota de costas em seu peito, abraçando-a por cima dos braços da menina que chorava. – Você lembra desse parque? – perguntou encostando o queixo sobre a cabeça de Violet, que assentiu.
– Hoje não tem ninguém aqui... Por quê? – perguntou olhando para cima e, por um momento, Bellatrix lembrou-se da garota de sete anos fazendo-lhe a mesma pergunta.
– Porque as crianças cansaram de brincar e foram para casa...
– Nós também temos que ir? – perguntou voltando sua cabeça no colo de Bellatrix, que passou a acariciar os fios negros gentilmente.
– Não, não temos... – sussurrou observando o anel dos Black no dedo da menina – Hoje não.
A tarde estava fresca e uma brisa fria avisou que a noite já estava chegando. Bellatrix sabia que uma hora ou outra teriam que sair dali, mas adiaria isso o máximo que pudesse. Fechou os olhos e aproveitou, pela primeira vez em anos, a sensação de ter a filha aninhada em seu colo, adormecida. Logo o sono chegou e as duas permaneceram naquele gramado a noite toda.
Não demorou muito para que a garota acordasse com a brisa fria da manhã londrina. Ela não fazia ideia de onde estava, mas lembrava-se da cena que criou em sua mente. A verdadeira Bellatrix nunca estivera naquele lugar, mas sim na companhia da irmã, na mansão Malfoy.
– Você tem uma imaginação incrível Violet... – suspirou em nostalgia. Queria tanto que aquela cena algum dia acontecesse e sua mãe a entendesse tão rapidamente! Mas é claro que não iria acontecer. Levantou-se calmamente e, enquanto analisava o lugar ao redor, sentiu alguém se aproximar.
– Olha só o que temos aqui... – sorriu um homem com não mais de vinte e dois anos, analisando-a dos pés à cabeça maliciosamente – Você é uma graça sabia? O que acha de nos divertirmos um pouco?
Violet simplesmente ignorou e seguiu seu caminho quando o homem segurou-a pelo braço.
– Onde pensa que vai gracinha?
– Para longe de você. – respondeu com a voz fria.
– E o que a faz pensar que isso vai acontecer? – debochou trazendo-a para mais perto.
Violet encarou-o profundamente e, assustado, o homem viu os dois olhos azuis tingirem-se de preto rapidamente.
– Porque você vai me soltar agora... – disse em tom imperativo e, por incrível que pareça, ele obedeceu — Vai caminhar para longe até seus pés sangrarem... E quando isso acontecer, vai parar e perceber que é um completo idiota covarde e nunca mais machucará alguém.
– Nunca mais... – repetiu em transe.
– Vá. – mandou.
Assim que o homem virou-se para seguir seu caminho, Violet fechou os olhos e sentiu-se voltando ao normal... Ficou desconcertada quando percebeu que tinha acabado de usar a Maldição Imperius sem varinha ou mãos, o que a lembrou de tudo que aconteceu na tarde anterior.
– Dolohov...
A garota já estava entrando em desespero quando viu um velho senhor arrumando sua barraca de pipoca e algumas crianças chegando ao parque. Enxugou as lágrimas e aproximou-se do homem rapidamente, abraçando os próprios braços. Precisava saber de algo antes de ir.
– Com licença senhor... Pode me dizer que parque é esse?
– Hyde Park – respondeu com a cabeça baixa, porém, assim que a viu surpreendeu-se — Ah, olha só se não é a garotinha com nome de flor... Você cresceu! – exclamou o senhor de bochechas rosadas e cabelos brancos com um sorriso simpático no rosto.
– Eu...O quê?
– Oh, não se lembra de mim não é? Bem, não deveria... Você tinha o quê? Sete, oito anos? Era apenas uma criança na época...
– Desculpe mas... Nós já nos conhecemos? – perguntou confusa.
– Bem, muitas crianças passam por aqui todos os dias, e você está bem crescida, mas eu tenho certeza que é você... Os olhos, ah sim... Os olhos de safiras! – exclamou feliz – Você vinha todas as manhãs ao parque e corria até aqui primeiro. “Bom dia Sr Jack, como está hoje?” – imitou rindo – Você era um amor de menina, muito educada... Você vinha com sua mãe e, enquanto ela ficava sentada no banco, você brincava com as outras crianças e corria por todos os lados... Sabe, você não mudou muito.
– Eu... Vinha aqui... Com a minha mãe? – perguntou receosa.
– Ah sim, todas as manhãs! – afirmou – Às vezes vinha sua tia. E falando nelas, estão bem?
– Elas... Hmm... Sim, estão sim... – sorriu gentilmente. – O senhor se lembra delas?
– Não lembro muita coisa, a idade vem com força à essa altura mocinha... – riu – Bem, vamos ver... Sua mãe era muito quieta, não conversava com ninguém. Imagine só, não falar nada em um parque... – riu calmamente – Mas ela era muito bonita, com todo o respeito... E parece que a beleza é de família, porque eu lembro que sua tia era bonita e você também é. Só não eram muito...receptivas. – riu — Desculpe a pergunta mocinha, mas você parece não lembrar de nada disso não?
– Eu tive um...acidente... – respondeu dizendo a primeira coisa que lhe veio à cabeça – Não lembro muitas coisas da infância.
– Oh, me desculpe... Eu sinto muito... – lamentou tirando o chapéu colorido e sentando-se num banquinho.
– Não, tudo bem... — sorriu abraçando-se mais forte, a brisa fresca já estava mais forte e o frio também – Eu preciso ir agora... Obrigada... – sorriu.
– Claro! Deve estar com frio não? – disse apontando para a garota, que ainda abraçava os braços – Foi um prazer revê-la Violet, espero que o nome esteja certo, mande meus cumprimentos à sua mãe sim?
– Claro... – sorriu novamente – Até outro dia então... – disse afastando-se lentamente, a cabeça com mil pensamentos e o as costas doloridas pela noite mal dormida.
Pensou em tudo que aconteceu na tarde passada e perguntou-se como foi parar naquele parque... Provavelmente os efeitos da Magia Negra foram mais fortes dessa vez. Caminhou minutos até ter certeza que ninguém a viu e aparatou para duas quadras antes da casa do primo. Em cinco minutos estava de volta e, assim que abriu a porta e entrou, foi “atacada” por alguém, que se jogou sobre ela.
– Eu fiquei tão preocupada... – chorava Alessa apertando-a em um abraço, que logo foi correspondido. – Onde você foi? Está tudo bem? – perguntou afastando-se para encarar o rosto pálido da amiga enquanto os rapazes desciam a escada rapidamente e as meninas saiam da cozinha com Emmanuelle. – Violet?
– Eu... Eu não sei. – admitiu sentando-se no sofá acompanhada por Alessa, que sentou-se ao seu lado e abraçou-a de lado. – A última coisa que eu lembro foi de aparatar ontem de manhã e acordar hoje cedo no Hyde Park, onde descobri coisas assustadoras... Merlin, é tão confuso... – murmurou deitando o rosto no ombro da ruiva, que apenas encarou os demais. – E vocês? Estão bem? Vitor, Régulus... Eu vi vocês apanhando... – perguntou levantando o rosto chorando.
– Estamos bem, não se preocupe... – respondeu Régulus – Emm é uma ótima curandeira, eu já disse que ela deveria ser MediBruxa, mas ela não me escuta...
– Parem com isso. – reclamou a mulher aproximando-se de Violet e abaixando até ficar na mesma altura – E você querida? Também se queimou não foi?
– Eu...acho que sim... – respondeu deixando que a mulher erguesse a manga do vestido, porém, não encontrou nenhuma mancha ou machucado em seus braços. – Ou não... Mas eu lembro!
– Talvez sua magia tenha te curado... – sugeriu Hermione. – Magia Negra não faz apenas coisas ruins, não é Alessa?
– É... – sorriu a ruiva confortando-me.
– E quanto a isso? – perguntou Emmanuelle passando os dedos gentilmente sobre as veias do punho da garota, que ao invés da coloração esverdeada normal de qualquer pessoa, estavam negras e bem visíveis.
– Isso... Não estava aqui ontem... – respondeu sentindo uma formigação em seu peito.
– Violet, nós temos uma teoria e agora ela se mostra extremamente provável. – suspirou Mary sentando-se no sofá em frente.
– Sobre?
– Você. – respondeu encarando-a pesarosamente – Quando essa história de Magia Negra começou, você se descontrolava por pouco e não via ou ouvia ninguém... Apenas... Atacava. Tentou matar pessoas próximas várias vezes...
– Nossa, sério? Se você falasse eu nunca saberia. – ironizou Violet, o que surpreendeu os demais pela rápida mudança de humor.
– Me deixe continuar, por favor... É importante que entenda essa parte. – pediu Mary — Você nunca conseguiu se manter consciente quando perdia o controle, era como se uma nova Violet aparecesse! Uma Violet insensível e sanguinária...
– Escuta...
– Mas você mudou! – interrompeu Mary antes que Violet continuasse – Poxa, será que não vê? Depois que tomou a poção você ficou dias desacordada, quase nos matou e jogou o Vitor por uma parede!
– Espera, eu não tentei matar vocês...
– Alguns detalhes não precisavam ser ditos, você só ficaria mais nervosa – desculpou-se Mary.
– Então vocês decidiram que eu não deveria saber disso?! – exclamou.
– Sim! Você não estava bem Violet, ficou o dia todo encarando uma parede e quando fui falar com você suas memórias se resumiam à infância! Consegue imaginar como é ruim olhar sua amiga desesperada e perdida, pensando que é uma criança?!
– Eu não pedi para você fazer isso... – comentou Violet ressentida, os demais apenas observavam.
– Mas eu fiz, sabe por quê? Porque somos amigas, e isso é algo que um amigo faria. – rebateu engolindo o choro – Você começou a ter aqueles sonhos estranhos com um cara loiro e o medalhão, sonhou com seus piores pesadelos e se afogou com o próprio sangue... Você estava ficando pior Violet, e nós não sabíamos o que fazer! Então viemos atrás de Jean-Paul Mansel, nós sabíamos que estava ansiosa e nervosa, mas era apenas isso. Não se descontrolou totalmente e foi capaz de manter um diálogo com a pessoa que queria matar. Você conseguiu se controlar. – disse mais calma – Mas então você absorveu a magia do medalhão e, em admiráveis três dias, acordou sem qualquer mudança de comportamento e lembrava de tudo que havia acontecido. Uma grande evolução, sem dúvidas.
– Qual o ponto Mary? – perguntou impaciente.
– O ponto é que eu sei o que vai acontecer quando você absorver a última Horcrux! – exclamou nervosa – Mas você não quer nem ouvir o que tenho para dizer não é?
– Estou aqui não estou?
– Que droga Violet, para de falar como se me odiasse! – pediu irritada – Estou tentando explicar que você está controlando a si mesma cada vez mais! E consequentemente ficando mais perigosa. No cofre, por exemplo, mesmo inebriada pela sensação de poder, pela tentação do cálice, você viu que seus amigos estavam sofrendo e os jogou para longe! Depois, quando foram capturados, você fez a mesma coisa e os salvou! Tudo sob os efeitos da Magia Negra. Você se controlou como nunca havia feito antes! A cada horcrux que você absorve, adquire mais controle sobre si mesma... Mais força! Minha teoria é que quando pegar todas terá o controle definitivo, sem acessos de fúria que possam matar alguém... Ou perderá totalmente o senso do que é certo e errado.
– Me controlei? – debochou — Eles te contaram o que eu fiz com Dolohov? O elfo ou Greyback?
– Sim, mas esse não é o ponto...
– Não é o ponto?! – exclamou ofendida – Eu matei Mary! Me transformei em um monstro!
– Você não é um monstro. – respondeu Alessa atrevendo-se a falar. – É diferente... Especial... O que consegue fazer com sua magia é incrível! É...
– Incrível?! – irritou-se – Eu quase matei meus amigos, machuquei pessoas que amo e quase matei você! Duas vezes! – exclamou apontando Régulus, que não se atreveu a interromper a discussão acalorada – Eu usei duas maldições proibidas em menos de cinco horas naquele banco e eu gostei! Eu gostei da sensação de poder! Eu derrubei muitos comensais, feri outros e matei Dolohov! Eu simplesmente tirei minha adaga do vestido e cravei em seu peito, sem dó! – debochou — Eu torturei Greyback por segundos que achei maravilhosos e não senti arrependimento depois! Passei a noite em um parque de Londres e já comecei o dia lançando outra maldição em um idiota no parque apenas com o pensamento! Um trouxa indefeso e sem chance alguma de me enfrentar. Acham isso incrível?
– Você não vê? – intrometeu-se Alessa – Você está sim em um período ruim, mas pode fazer boas coisas! Coisas grandiosas! Caramba, você me salvou! Usou seu poder para ajudar uma amiga!! Você se sujeitou a tomar uma poção que não fazia ideia se iria funcionar e está aqui, forte, continuando! Então sim, você tem um poder incrível dentro de você Violet, um presente dos céus, se for analisar pelo lad...
– Isso não é presente! – gritou levantando-se abruptamente – Eu nunca pedi para nascer com essa droga de magia e daria tudo para tirá-la, para ser normal.
– Normal é algo muito relativo, o que é normal para a aranha é uma calamidade para a mosca, por exemplo... – comentou Vitor – O que é normal para o Lord das Trevas é o inferno para Dumbledore. Violet, você é uma pessoa incrível! Tem um coração enorme e está sempre ali para ajudar... Para os amigos! Você é diferente... Especial! É única!
– Vocês não entendem não é? – perguntou recusando-se a chorar – Não entendem tudo que já aconteceu comigo?! Por eu ser “diferente” fui abandonada num orfanato! Fui enganada e manipulada de todas as formas e sou tratada como uma moeda de troca... Um objeto que vai simplesmente salvar o mundo bruxo! Acham que eu gosto de ver todos sofrerem? De ter essa magia estúpida e por causa dela machucar quem eu amo?! Eu não pedi isso! Não pedi para ser a escolhida e não pedi para nascer!
– Você... O quê?
– De que adianta ter esse poder enorme se o que mais queria eu sei que nunca vai acontecer? Se as pessoas que eu mais queria ao meu lado querem me matar! – desabafou – Quer saber? Eu AMO meus pais! Amo Bellatrix Lestrange e Severo Snape com todas as minhas forças e ao mesmo os odeio pelo que fizeram comigo! Que droga! Assim como queria que fossem realmente meus pais, que me abraçassem e dissessem que tudo ficaria bem, desejo vê-los sangrar até a morte! Sofrendo por todas as mentiras, enganações, renegações! Eu odeio amá-los tanto! – gritou irritada e furiosa – Então não venham me dizer que sou apenas “diferente” ou especial, porque não sou! Sou um monstro, uma assassina! Matei pessoas e ainda sinto o gosto disso na minha boca, minhas mãos ainda formigam de ansiedade e meu vestido está sujo de sangue!
– Violet, você precisa...
– Não! Você não vai falar mais nenhuma palavra Meredith! — interrompeu empurrando-a com magia para o sofá, onde Mary caiu assustada – Vocês não fazem ideia do que eu passei e do que eu ainda passo por causa desse “especial”... Não imaginam a dor que eu carrego no peito e tento esquecer todas as manhãs quando acordo! Meu coração está em pedaços e estou vivendo com o que me restou. Todos os dias eu tento ser forte, forte por vocês, pelo mundo bruxo... Mas não sabem o quanto é difícil... O quanto dói! – gritou – Sabem, se eu pudesse voltar no tempo eu jamais iria confrontar Tom Riddle naquele cemitério, seria melhor se ele tivesse acabado comigo aquela noite...
– Preferia estar...morta? – hesitou Alessa chorando silenciosamente.
– Hoje? Não, cheguei até aqui e vou até o final. Mas naquele dia? Com certeza. – confirmou virando-se para a janela e observando o pouco movimento na rua – Eu nunca saberia que meu pai é um traidor, que minha mãe me ama ou o quão bom foi ser parte da família Black. Seria rápido, fácil... E digno. Pouparia tantos esforços! E eu não teria matado ninguém.
– Até mesmo os heróis matam...
– Chega! – gritou estourando alguns vasos da sala e assustando Alessa, que já chorava. – Eu estou cheia de todo mundo dizendo que eu sou a esperança! A heroína!
– Mas você é! – exclamou Mary — Você é a escolhida e não adianta dizer o contrário!
– Não interessa o que diz aquela profecia idiota! – rebateu furiosa – Eu sou apenas uma garota de dezoito anos que sente o gosto de sangue na boca todos os dias e que não se arrepende de ter matado Dolohov ou torturado Greyback! Que está ansiosa para ter mais e mais poder! Eu adorei me vestir de Bellatrix Lestrange e sentir o medo das pessoas de se aproximarem... – confessou, as orbes escurecendo levemente — A resignação no rosto de cada um... Submissão. Eu seria uma ótima comensal não é? Poderosa... Temida. Talvez eu deva abandonar essa besteira de Horcruxes e Relíquias da Morte e pensar melhor nas ofertas ao meu redor.
– Você não faz ideia do que está dizendo Violet. – comentou Régulus incrédulo. – Eu te conheço, essa não é você...
– Conhece? – desafiou – Será que conhece mesmo? Quem foi a primeira pessoa que ataquei e quase matei?
– O quê?
– Vamos, se me conhece deve saber a história... – pressionou – Responda!
– Eu... Eu não sei!
– Viu? Você não me conhece, apenas acha que sabe tudo a meu respeito porque fomos amigos por alguns meses há vinte e cinco anos! E você não faz ideia do que acontece dentro de mim. Só me deixem em paz... – rebateu afastando-se.
– Draco. – interrompeu Alessa levantando-se e fazendo-a parar – Antes do Baile de Primavera, certo? Vocês estavam ensaiando na sala da McGonagall e ele colocou um balde de água fria sobre a porta, quando você passou ficou ensopada. Você correu atrás dele pela escola toda e tentou matá-lo no jardim, na frente de todo mundo. – falou cruzando os braços, Violet continuava de costas – Você se descontrolou totalmente e estava apertando o pescoço dele com sua magia... Harry te segurou pela cintura e eu me arrisquei a entrar na sua frente e abaixei seus braços. Aquilo pareceu te trazer de volta, mas aí desmaiou. Quando acordou ganhou detenção da Umbridge e finalmente revelou o que ela fazia todas as tardes no seu pulso. “Não devo contar mentiras”.
– Uau... – sussurrou Régulus, que nunca havia ouvido essa história antes.
– Viu? Se tem alguém aqui que pode dizer que realmente te conhece, sou eu... Eu sei tudo sobre você Violet, sempre fui sua confidente... Sua irmã! E mesmo assim você não me contou nada disso... Não compartilhou comigo a dor que sentia e não deixou que eu tentasse te ajudar a reunir esses cacos no seu coração. Você simplesmente... Me ignorou. – disse com a voz vacilante pelas lágrimas – Você mudou Violet, e não é só por causa da poção. Ela apenas te deu coragem, não é? Vamos, diga que estou certa... Diga que sempre sentiu essa sede de poder mas nunca contou, pelo contrário! Fazia discursos moralistas! Você não é a mesma Violet de antes... Você...
– Qual Violet? – rebateu virando-se – A Violet idiota que acreditava em tudo? Aquela menina metida que chegou em Hogwarts pensando ser uma deusa, para no final descobrir que toda sua vida foi uma mentira?! A garota estúpida o suficiente para ser enganada por anos sem se dar conta?!
– A Violet que sabia amar! – gritou Alessa, descontrolando-se também – A que subia na vassoura e mostrava que garotas também podem ser boas no quadribol, a que amava seus amigos e sua família!
– Família? Que família?! – debochou indignada – Minha mãe biológica me jogou num orfanato assim que nasci, minha madrinha me deixou lá e não fez nada. Ah sim, minha mãe adotiva! Admito que ela me criou, me ensinou... Mas e depois? Deu um tapa no meu rosto! Me manipulou! Me treinou para matar! Oh, e tem meu pai... Oh Merlin, o melhor pai do mundo! – exclamou em deboche – Ele é incrível não é? Um exímio mentiroso. Eu realmente acreditei nele e em suas palavras carinhosas. Retribuiu, o amei também para no final ele matar Dumbledore na minha frente! Depois eu o segui, é claro, precisava de respostas... Mas quando perguntei se ele um dia me amou, sabe o que ele respondeu? Que foi tudo um jogo! – gritou – E ainda disse que sou “igual a minha mãe”, que acredito muito nas pessoas... Bem, ele está certo. Esse é o meu grande problema: acreditar! Eu não tenho família Alessa, nunca tive... Mas achei que você entenderia, já que assim como eu é órfã! Perdeu os pais e nunca teve quem preenchesse esse vazio.
– Eu não acredito... – murmurou incrédula – Você realmente está jogando na minha cara que não tenho família?
– Ah não, não foi isso... Você tem sua irmã não é? Duas! – debochou – Mas uma fugiu porque dormiu com o ex noivo da outra, então não conta... Você ainda tem a Jullie e, Merlin, ela realmente se preocupa com você! Agora tem a criança e o cunhado, a família perfeita.
– Violet para. – pediu incrédula.
– Devo comentar sobre como seus pais morreram por sua culpa? – acrescentou venenosa, a garganta ardendo e a cabeça explodindo. – Em como eles sofreram aquele acidente porque a filha deles estava gritando de birra no banco de trás, distraiu os dois e então um caminhão entrou na frente do carro e o tirou da estrada?
– Não fale o que você não sabe!
– É isso que você tanto esconde? Por isso nunca fala direito sobre seus pais?!
– Tem razão! Eu estava no carro quando aconteceu! – rebateu nervosa e levemente vermelha de raiva. – Talvez a culpa tenha mesmo sido minha...
– Eu posso ter a pior família do mundo Alessa, ou melhor, não ter família... Mas ao menos não tive a desgraça de ser a culpada por um acidente que os matou.
– Chega! – gritou a ruiva aos prantos. – Você não tem o direito de falar comigo assim!
– Eu estava indo para o quarto tranquilamente quando a santinha aqui resolveu brincar! Você pode ter me derrubado Alessa, mas eu te levei junto.
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