Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)
47 Capítulo 46 – Hey Trix
Notas iniciais
CAPÍTULO 46 – HEY TRIX
“Olá Trix”
– NARRAÇÃO – DEZEMBRO DE 1997 —
– Então, em que posso ajuda-la senhorita...?
– Jullian Sulivan. – completou a ruiva ajeitando o casaco e sentando-se em frente ao homem – Eu preciso de ajuda num processo sigiloso...
– E do que se trata?
Enquanto Alessa contava sua história, muito bem ensaiada à noite, Vitor parou o carro na esquina da casa dos Mansel. Mary estava nervosa, e Violet sentia-se mais ansiosa que o normal.
– É a última casa da rua. – começou Mary – Nos fundos tem um jardim fechado que dá acesso à porta da cozinha. Nós vamos tocar a campainha e quando a Sra Mansel atender você dá um jeito de destrancar a porta. Se eles forem inteligentes, o medalhão está escondido no porão ou no sótão, então deve ter uma porta perto da cozinha que dá para as escadas.
– Certo, entendi. E como eu vou sair depois? Vocês não vão conseguir enrolar por muito tempo...
– Se você ainda estiver na casa e precisar de ajuda, use isso... – disse Vitor entregando-lhe uma moeda trouxa. – Acho que se lembra dos galeões enfeitiçados que a Hermione fez, certo?
– São iguais? – perguntou guardando a moeda no bolso do casaco.
– Sim. Qualquer coisa é só avisar que damos um jeito de entrar. – garantiu Vitor – Só espero que o medalhão realmente esteja aqui...
– Está. – respondeu firmemente – Eu posso sentir... É uma energia forte, tentadora... O medalhão está naquela casa. Podemos ir logo?
– Você está bem?
– Claro, e ficarei ainda melhor quando tiver o medalhão em minhas mãos. – afirmou saindo do carro e avançando conforme o planejado.
Violet estava agitada e Vitor e Mary perceberam. Ela estava a menos de um quarteirão de uma grande fonte de magia negra e obviamente foi afetada.
– Bem, vamos lá... – suspirou Mary soltando o cabelo e saindo do veículo também.
Ambos estavam nervosos, claro, mas conseguiram controlar muito bem enquanto Mary tocava a campainha e esperava uma velha senhora abrir a porta.
– Sim? – perguntou com sua voz calma e doce, porém, sem deixar de analisar as roupas negras com receio.
– Bom dia Sra Mensel, desculpe incomodar, mas será que poderíamos conversar um momento? – começou Vitor – Sou Adam Chase e esta é a minha parceira, Amélia Franz, somos aurores.
– Aurores? – repetiu.
– Sim, será que poderíamos entrar? É realmente importante e creio que a rua não seja adequada para tratar desses assuntos... – completou Mary amigavelmente.
– Claro, por favor, entrem... – sorriu educadamente e, enquanto fechava a porta, apertou um discreto botão ao lado da janela antes de se virar para o casal. – Querem alguma coisa? Um chá, talvez? Suco?
– Ah não, muito obrigada. – agradeceu Mary. – Estamos à trabalho.
– Claro, e o que querem exatamente? Disseram que era algo importante...
– Como a senhora deve saber, as coisas não vão muito bem no nosso mundo... Muitas pessoas fugiram de Azkaban e precisamos de ajuda.
– Eu fiquei sabendo de algumas coisas, está muito ruim? – perguntou demonstrando preocupação.
– Pessoas estão desaparecendo, outras simplesmente abandonando seus cargos e “viajando”... Ninguém confia em ninguém...
– Um caos. – completou ela. – E o que vocês querem exatamente?
– Ajuda. – respondeu Vitor – Uma moça suspeita de assassinato foi vista na cidade há poucos dias e estamos a procura dela... – disse pegando um pequeno cartaz no bolso com uma foto e mostrando à mulher, que ficou espantada – Violet Black.
Emmanuelle ficou rapidamente surpresa e não conseguiu esconder a evidência em seus olhos.
– A senhora está bem? – desconfiou Mary.
– Sim, eu... Me desculpem, mas é que não dá para acreditar... Ela é tão jovem... Parece ser tão cheia de energia, com uma vida toda pela frente... Hmm... Black, não é? – engoliu em seco. – Algum parentesco com Sirius Black, o assassino?
– A senhora o conhecia?
– Bem, quem não ficou sabendo da tragédia envolvendo os Potter, não é? – respondeu.
– Sim... Bem, a Srta Black é uma das primas do Sr Black, mas não há provas de que estejam em contato, apenas boatos.
– Entendo... E... O que ela fez exatamente? – perguntou, atenta ao barulho da porta dos fundos.
– É uma das principais suspeitas de ter assassinado Alvo Dumbledore.
– Ah sim, uma pena... – disse levantando-se — Olhem, eu realmente não vi essa garota nas redondezas, mas se a vir eu os aviso... Tem algum cartão?
– Não fazemos cartões. Mas a senhora pode entrar em contato com o Ministério, é claro...
– Tudo bem, eu faço isso... – garantiu abrindo a porta da casa. – Obrigada por avisarem...
– Claro, e desculpe novamente por incomodá-la. – disse Mary saindo da casa ao lado de Vitor.
– Estranha... – comentou Vitor assim que a porta foi fechada em sua cara.
Emmanuelle fechou a porta rapidamente e a trancou, logo correndo pela sala até chegar ao telefone. Discou um botão vermelho e no segundo toque foi atendida enquanto ligava um pequeno televisor em um fundo falso no armário.
– Temos um problema. – começou ela encarando a gravação com atenção. – Um casal acabou de sair daqui dizendo que eram aurores à procura de uma fugitiva, mas tenho certeza que não são, é um truque, eles estavam vigiando a casa há semanas! Enquanto eles conversavam comigo uma mulher entrou pelos fundos e está agora no porão, está muito perto de você-sabe-o-que...
– Droga. – ralhou o outro – Como ela é?
– Não dá para ver o rosto, mas de costas não me parece muito velha... Casaco preto longo, cabelos negros encaracolados até a cintura... Não muito alta...
– Ela nos encontrou... – sussurrou. – Droga! Escute, não desça, ouviu? Ela é perigosa e não tem escrúpulos, continue vigiando que estou saindo agora. Ela tem um bom grupo, uma moça tentou me enrolar agora pouco também. Estou na esquina, abra a porta Emm.
Emmanuelle correu até a porta e, assim que a abriu, um homem apressado entrou e foi até o televisor da gravação.
– Eu não acredito que ela nos encontrou... – sussurrou afastando-se e abrindo um compartimento secreto debaixo da escada, de onde tirou duas varinhas e entregou uma à senhora ao seu lado.
– Os supostos aurores estavam procurando uma mulher... Acho que gostaria de saber que...
– Agora não Emm, eu vou descer, tome cuidado, pode ser que os outros voltem... Não desça, ouviu?
– Tudo bem, tome cuidado filho... – disse ela antes do rapaz abrir a porta do porão cuidadosamente e desaparecer pela escada.
Enquanto Emmanuelle fechava todas as portas e janelas da casa, Jean-Paul descia a escada escura cuidadosamente. Ele sabia que uma hora ou outra viriam atrás dele, mas não imaginava que ela apareceria à surdina e sem fazer estardalhaço. Não fazia sentido.
Violet, por sua vez, estava inebriada e já não pensava racionalmente. Enquanto caminhava lentamente para não fazer barulho, sua garganta estava seca por poder, suas mãos formigavam e seu coração batia apressado na ânsia de segurar tamanha energia em suas mãos. Ela sabia que o medalhão estava ali, podia sentir! Abaixou-se lentamente e sentiu-se arrepiar com a magia que emanava do chão onde pisava. Estava ali em baixo, é claro.
A garota estendeu sua mão e sentiu sua magia se desprender da madeira e puxá-la como um elástico. Estava quase conseguindo, quase obtendo o que tanto desejava... Mas então alguém a puxou pelos braços brutalmente e passou um deles em seu pescoço, apontando uma varinha na lateral de seu rosto.
– Hey Trix... – sussurrou uma voz masculina em seu ouvido – Não pensei que a veria depois de tanto tempo... Você é muito impulsiva, mas admito que foi um bom plano. Só precisa de... Ajudantes melhores. – riu ele apertando seu pescoço.
Violet foi pega de surpresa e não acreditava que não havia sentido a presença daquele homem. Seu pescoço doía, mas a ânsia de poder era mais forte e ela já não estava no controle de si mesma.
– Agora, você vai me dizer o que faz aqui e quem são seus amiguinhos lá em cima e...
Antes mesmo que o loiro pudesse terminar a frase, Violet soltou as mãos do braço do homem e, com as palmas abertas, colocou-as para trás, liberando sua magia e lançando o rapaz para o outro lado da sala rapidamente. Ouviram um estrondo no andar de cima e, aparentemente, alguém lutava.
Violet não tinha tempo para perder com duelos idiotas, então voltou sua atenção ao chão de madeira. Ela sabia que estava ali em baixo, então tudo que precisava fazer era abrir caminho. Estendeu suas mãos na direção do chão e um jato de energia esverdeada atingiu o assoalho, rapidamente abrindo um buraco.
– Expelliarmus! – gritou o homem apontando sua varinha para Violet, que foi atingida e bateu com força na parede. – Você não vai pegar nada aqui Trix!
Violet sentiu seus ossos doerem. Ela queria, ou melhor, precisava, da energia do medalhão... E nada ficaria em seu caminho. Levantou-se rapidamente e, assim que ergueu o rosto, Jean-Paul viu os olhos negros e o rosto conhecido, baixando sua guarda.
– Violet... – sussurrou surpreso, abaixando a varinha lentamente. – Você...
– Ninguém ficará no meu caminho... – interrompeu ela erguendo-se totalmente e o encarando com o olhar mortal. – Quer brincar? Vamos brincar... – sorriu maliciosamente erguendo uma das mãos.
– Não! – exclamou antes de sentir seu corpo ser lançado para trás e colidindo com a parede fortemente. – Você está com eles não é? Com os comensais!
– Você está no meu caminho, e vou tirá-lo... – avisou avançando rapidamente até o homem, que logo sacou a varinha.
– Então não me deixa outra escolha... Sectumsempra! – exclamou e, antes que Violet desviasse, foi atingida e caiu de joelhos no chão, gritando. – Ninguém vai pegar o que tem aqui Violet, nem mesmo você... Imperio! – mandou – Levante-se... — Violet levantou-se e prostrou-se em frente ao homem alto e loiro — Agora você vai sair daqui sem machucar ninguém e nunca mais voltará ou contará a alguém sobre essa casa...
– Tenho planos melhores. – rebateu erguendo as mãos novamente e as espalmando no peito dele, que sofreu um grande impacto e colidiu com a parede logo atrás.
– Como você... – tentou ele, porém, sentindo o sangue sujar sua camisa.
– Ninguém te contou? – sorriu – Posso resistir facilmente às Maldições Imperdoáveis...
– Eu deveria saber...
– Você não vai me atrapalhar novamente Sr. Mansel, e vou me certificar de que não atrapalhará a ninguém mais... – sorriu diabolicamente estendendo o braço direito e, conforme sua mão se fechava, o pescoço do homem era brutalmente apertado.
– Violet, para... – pediu ele já sentindo falta de ar – Por favor, sou eu... Régulus...
– Sabe o que você é? – perguntou aproximando-se e apertando ainda mais – Um mentiroso... E logo estará morto...
– Não! – tentou gritar, mas era difícil falar.
– Adeus Sr Mansel... – sorriu.
– Violet para! – exclamou uma voz feminina descendo a escada rapidamente – Violet, por favor, não faz isso... – pediu a ruiva aproximando-se calmamente.
– Por quê? Ele tentou me matar...
– Você precisa do medalhão, lembra? Não precisa dele...
– Ele vai me atrapalhar de novo.
– Não, não vai... Eu dou um jeito nele, não se preocupe... – garantiu a ruiva tirando sua varinha. – Mary! – gritou — Ele não vai nem se mexer... Pode soltar...
– Se ele tentar me atrapalhar de novo eu o mato. – afirmou soltando o loiro e rapidamente pulando no buraco no chão.
– Obrigado... – tossiu ele tentando levantar.
– Se você se mexer eu cumpro a promessa que ela fez. – avisou fazendo-o ficar quieto.
– O que aconteceu? Está tudo bem? – perguntou Mary descendo a escada rapidamente.
– Ela quase o matou. Como estão as coisas lá em cima?
– Sra Mansel deu trabalho, mas Vitor a prendeu. Está tudo certo e... – começou Mary, porém, parou assim que ouviu um grito do buraco.
– Violet! – exclamou Alessa aproximando-se do buraco, pronta para pular. – O que tem lá em baixo?! – perguntou para Jean-Paul.
– Feitiços protetores.
– Que tipo de feitiços?
– Do tipo que fazem sua pele queimar e confundem sua mente... – respondeu.
– Droga, eu vou descer, cuida dele Mary...
– Não! – interrompeu ela. – Ela vai pensar que você quer atrapalhá-la também... Não quer um ferimento grave e um risco de morte, quer?
– Mas...
– Ela vai ficar bem... Com a magia que tem nada pode pará-la... – garantiu Mary.
– Vocês são comensais também?
– Acho que isso não te diz respeito. – rebateu Alessa furiosa. – Mary, pegue a corda, vamos amarrar esse imbecil.
– Vamos ver... Mary Addams, Vitor Krum... Você deve ser Alessa Chambers, não é?
– O quê? – surpreendeu-se a ruiva enquanto sentava o homem em uma cadeira e, com a varinha, o enrolava numa corda.
– Violet me contou há anos atrás... Ela fez uma viagem, lembram? Era uma boa pessoa na época, ou ao menos era o que aparentava... Sabe, ela voltou por você... Foi atacada não é?
– Quem é você? – rebateu.
– Aqui? Jean-Paul Mansel, advogado fracassado e isolado... – respondeu – Em Hogwarts? Régulus Arcturus Black, ex-comensal, ao seu dispor...
– Então você realmente sobreviveu... – comentou Mary dando um último nó no braço do homem – Como?
– Digamos que tenho meus dotes... – sorriu. – Há quanto tempo ela se tornou comensal?
– Ela não é. – respondeu a ruiva – Já você... Tenho minhas dúvidas.
– Dúvidas? Bem, espere a Poção Polissuco perder o efeito e então veja meu braço Srta Chambers...
Antes que Alessa pudesse refutar, um estrondo foi ouvido na madeira do assoalho e uma intensa luz esverdeada saiu pelo buraco.
– É, acho que ela derrotou meu bichinho de estimação... – comentou Jean-Paul.
– Que tipo de bichinho? – perguntou Vitor descendo as escadas e arrastando Emmanuelle amarrada.
– Ah, nada de mais... Apenas alguns Grindylows.
– Você tem um lago embaixo da casa?! – exclamou Mary.
– Protegido por magia. Incrível não é? – sorriu.
– Ela já lutou com alguns, lembram? No Torneio... – disse Vitor amarrando Emmanuelle a uma cadeira ao lado de Jean-Paul. – Vai ficar bem, não se preocupem.
Vitor estava certo. Violet havia descido longas escadas de pedra por uma espécie de “torre” subterrânea que acabava em um amontoado de água. Tudo estava silencioso e extremamente calmo, mas seu coração batia cada vez mais forte e suas veias pareciam arder em brasas com a proximidade. Quando apoiou um dos braços na parede úmida, sentiu-o queimar e soltou um grito agudo. A garota encarou a água, não pensou duas vezes e, utilizando o Feitiço Cabeça-de-Bolha, simplesmente mergulhou, vendo-se em um “mini lago particular”, repleto de algas e pequenos peixes inofensivos.
Nadando cada vez mais para o fundo, viu ao longe uma caverna, ela sabia que estava ali dentro. Apressou-se e, quando finalmente alcançou, sentiu suas pernas serem presas por tentáculos frios e pegajosos a puxando para fora. Irritada, virou-se rapidamente pronta para atacar e surpreendeu-se ao reconhecer um dos Grindylows que “conheceu” durante o Torneio Tribruxo.
Logo apareceram outros e Violet ficou presa pelos pés e braços, porém, sua Magia e raiva eram maios fortes e, com apenas um puxão, trouxe um dos Grindylows ao seu encontro e descarregou um forte jato de magia negra no pequeno ser, que foi praticamente desintegrado. Os demais, talvez por vingança, ou persistência, pensou ela, avançaram ao mesmo tempo, e foi nesse momento que ela fechou os olhos e, abrindo os braços, emanou uma poderosa luz verde enegrecida e dizimou os demais Grindylows, sem piedade.
Feito isso, estava a um passo do que tanto almejava. Nadou para dento da caverna e encontrou, sob um altar, uma pequena caixa dourada trancada a chave. Quando pegou em suas mãos o sangue parecia correr mais rápido e sentiu suas veias saltarem em seu pescoço, sentia-se forte, porém dependente.
O escuro começou a assustá-la e o silêncio perturbá-la. Guardou a caixa cuidadosamente em seu bolso e começou a voltar, porém, um dos Grindylows pareceu não estar morto e, com seus caninos pontiagudos, perfurou o braço da garota, que ao gritar acabou com o Feitiço Cabeça-De-Bolha. Novamente usou magia para contê-lo, mas o braço ardia imensamente e ela não conseguia diferenciar o “animal” das algas e começou a afundar.
O pequeno Grindylows não desistiu e avançou para destroçar a “carne macia”, mas Violet o viu e, irritada e assustada, colocou as mãos sobre o rosto protetoramente e um jato de energia o atingiu e o derrubou inconsciente nas profundezas do tal poço. Ela estava cansada e seu braço sangrava dolorido, seu oxigênio estava acabando e precisava de ar o mais rápido possível. Nadou com todas as forças que tinha nas pernas e, quando finalmente chegou à superfície, inspirou fortemente e tossiu a água que engoliu. Ouviu vozes logo acima, talvez uma discussão, ela não sabia. Subiu as escadas com dificuldades, o discernimento afetado pela proximidade da Horcrux e o braço ainda dolorido, a garganta em chamas.
– Você é maluco! Ela não veio aqui para matar ninguém e muito menos é um deles! Está contra eles! – gritava Alessa – Me solta Vitor!
Violet estava nos últimos degraus quando viu uma sombra sobre si e, assim que mãos quentes a pegaram pelos braços, gritou de dor. Estava inflamado, obviamente.
– Oh Merlin, parem com isso! – exclamou Mary ajudando Violet a sair do buraco.
Jean-Paul, agora com sua aparência normal e livre das cordas, olhou com culpa a garota encharcada sendo carregada por Vitor e deitada no chão, o braço sangrando e a pele levemente arroxeada, talvez pelo esforço.
– Violet? O que aconteceu? Encontrou os Grindylows não é? – perguntou Alessa enquanto tirava o pesado casaco preto e a deixava apenas com sua calça de couro e blusa.
– Não existem Grindylows. – respondeu com a voz fraca observando os diferentes rostos ao seu redor.
– Mas...
– Não mais. – acrescentou antes de tossir novamente.
– Não mais? – repetiu Régulus – Isso significa que...
– Você... – disse ela ao encontrar o rosto conhecido. – Seu desgraçado! – exclamou levantando-se rapidamente e aplicando-lhe um dos golpes que aprendera com Bellatrix no passado, encostando-o na parede e tirando a caixa de seu bolso. – Abra.
– Violet...
– ABRA! – gritou furiosa – Eu quase morri lá embaixo para encontrar uma caixa trancada! Abra agora ou não precisará mais de sangue!
– Tudo bem, tudo bem, calma... – disse rapidamente, tirando o colar que usava e pegando o pingente. – Essa é a chave, ela... – começou, porém, Violet arrancou de suas mãos e encaixou o pingente na caixa, abrindo-a.
Ela quase não conseguia acreditar no que via... Ali, dentro daquela pequena caixa quadrada, estava o tão esperado Medalhão de Slytherin, uma Horcrux carregada de Magia Negra que a tentava apenas com sua presença.
– Não, deixa... – sussurrou Mary segurando o braço de Vitor, que ameaçou avançar.
Quando Violet pegou o medalhão em suas mãos, sentiu seu corpo vibrar inteiramente, um êxtase indescritível que fez seu coração bater mais rápido. Uma fina camada de magia, como se fosse pó impregnado em uma velha tapeçaria, despregou-se do medalhão e, assim que tocou a pele de Violet, seguiu como uma corrente elétrica pelas veias da garota.
Um clarão preencheu o ambiente e todos puderam sentir o quão poderosa era a magia que Violet absorvia, como se aquilo fosse seu único meio de vida. Ainda com olhos fechados, Violet sentia-se incrivelmente forte, como se nada no mundo pudesse derrota-la. Sentia o inebriante sabor do poder e queria mais, precisava de muito mais.
Quanto aos demais, jamais viram algo parecido e estavam realmente assustados, surpresos pelo enorme poder que Violet poderia ter dentro de si. Quando ela finalmente abriu os olhos, estavam negros como piche. Suas mãos soltaram o medalhão, que caiu no chão como se tivesse sido pulverizado por uma bomba atômica, inútil.
Régulus tentou aproximar-se calmamente, porém, a garota interpretou como uma ameaça e o mandou para a parede com sua magia, fazendo-o desmaiar. Avançou novamente, e dessa vez queria dizimá-lo, mas foi atingida nas costas por um poderoso feitiço e caiu na inconsciência, cedendo ao cansaço que a preenchia.
– Oh Merlin! – exclamou Emmanuelle assustada ao examinar Régulus – Ele não está respirando...
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