Notas iniciais
Oi gente... Então... Demorei muito não é? Desculpem, por favor! Eu realmente estou atolada de coisas para fazer, é escola, trabalho, problemas e mais problemas... Desculpem, vou tentar demorar menos no próximo... Sorry. Gi47, obrigada pela recomendação! Me deixou muito feliz!!!! Obrigada!! Esse capítulo demorou a ficar pronto, também, porque envolve certos assuntos complicados. Mas aqui está! Espero que gostem!

CAPÍTULO 40 – I’M GOING HOME

“Estou indo para casa”

– AGOSTO DE 1997 —

O frasco nas mãos de Violet era tudo que importava naquele momento. Ela apenas deveria se concentrar e logo em seguida dispersar magia negra na poção. Fácil, certo?

Errado.

Todos estavam apreensivos e a maioria não acreditava que Violet conseguiria fazer aquilo sem consequências graves. Vitor, talvez, fosse o mais esperançoso. Inspirou, colocou o frasco no chão à sua frente e fechou os olhos.

– VIOLET –

Assim como aconteceu quando salvei Alessa, respirei fundo e deixei que imagens viessem à minha mente. Os pedaços que lembrava da infância, os momentos em família com Alastor e Minerva, os abraços, as conversas com as meninas e Harry... Mas não parecia ser suficiente.

Por que não acontece nada?

Tentei novamente e dessa vez arranquei os pensamentos mais profundos da minha mente. Meu pai, minha mãe, os sonhos bons, a seleção das casas... E dessa vez uma pequena faísca saiu de minhas mãos, mas ainda não era o bastante.

– Violet, o que você pensou quando salvou a Alessa? – perguntou Mary despertando-me.

– Coisas boas... – suspirei frustrada.

– O que exatamente?

– Alessa. – respondi – Eu pensei em tudo que já passamos e então aconteceu... Foi... Natural.

– Certo... Você precisou de pensamentos felizes para salvar uma amiga... – comentou Alessa com um olhar agradecido – O que precisa para encontrar um inimigo?

Então um estalo veio à minha mente. Era tão claro que senti-me idiota por não perceber antes. Se usei lembranças boas para salvar minha melhor amiga, precisaria de memórias ruins para ativar a poção que encontraria meu maior inimigo. Fechei os olhos novamente e deixei que as brigas no orfanato aparecessem, as discussões com Bellatrix e até mesmo a primeira briga com Alessa. Nada. Novamente a frustração chegou e senti raiva de mim mesma.

Quando eu mais queria controlar aquela magia, não conseguia. Quando queria usá-la, também não conseguia. Qual o problema comigo?!

Eu estava com raiva de mim mesma por não conseguir fazer algo tão “simples” e com ódio que alguém como Voldemort pudesse usá-la o momento que quisesse. Não era justo! Senti uma faísca ascendendo em meu peito e a palma de minhas mãos formigou.

– Vi, é melhor esquecer isso...

– Ainda não confia em mim não é? – perguntei ressentida.

– Não é isso... Você mesma sabe que não está conseguindo! E além do mais, é perigoso...

– Chega Harry! – exclamei abrindo os olhos, porém, minhas mãos continuavam erguidas em direção do frasco – Você deveria me ajudar a descobrir o motivo de eu não conseguir e não me mandar esquecer! Mas que droga! Voldemort entra na minha cabeça e consegue me manipular o quanto quiser, mas eu não posso sequer usar minha própria magia!

– Violet...

– O quê?!

– Está dando certo... – sorriu Hermione apontando minhas mãos.

Segui seu olhar e vi que estava certa, a palma das minhas mãos estavam com um leve brilho negro que parecia querer se expandir.

– É isso... – sussurrei. Para salvar Alessa eu pensei em Alessa, para encontrar Voldemort eu deveria pensar em Voldemort!

Novamente direcionei minhas mãos para o frasco e, repirando fundo, encarei fixamente o líquido verde em seu interior. Pensei em como fui manipulada e em como Voldemort moldava e controlava minha vida sempre que quisesse. Ele queria dominar o mundo bruxo, destruir os nascidos trouxas e matar as pessoas que eu amava. Tudo por poder.

Mas dessa vez eu não deixaria que ele conseguisse.

– NARRAÇÃO –

Violet encarava o frasco à sua frente de tal forma que parecia estar em uma hipnose. Todos estavam preocupados, é claro, e perceberam a irritação da garota, mas após a mini discussão com Harry, resolveram ficar em silêncio.

Logo viram as faíscas negras crescerem nas mãos de Violet como pequenos raios e trovões, que alongavam-se da palma das mãos brancas até o frasco com líquido verde. Quando os raios esbranquiçados tocaram o interior do frasco, uma explosão aconteceu e a poção começou a borbulhar descontroladamente, alternando entre a cor roxa, verde e negra. O líquido parecia instável, ergueu-se como um chafariz até alcançar a altura das mãos de Violet e seguiu nessa direção.

Harry tentou impedir, mas parou assim que Hermione segurou seu braço e lançou-lhe um olhar reprovador.

Violet parecia hipnotizada pelo líquido e não percebeu quando a ponta de seus dedos foi tocada pela solução gelada, penetrando em sua pele. Fios negros então começaram a subir pelos braços da garota até chegarem ao pescoço, onde alastraram-se ao redor do mesmo e continuaram a subir, alcançando o rosto, os contornos da bochecha e do nariz para chegarem, finalmente, nas têmporas, onde penetraram novamente. Uma tênue fumaça arroxeada então despregou-se do interior do frasco e seguiu até Violet, que como se já soubesse o que fazer, fechou os olhos e inspirou.

Segundos se passaram e nada aconteceu, até que Violet finalmente abriu os olhos, como se tivesse acabado de sair de um mergulho de horas à fio. Encarou cada um dos que estavam à vista e por um momento sentiu-se confusa, não sabia o que fazer ou dizer. Quem eram aquelas pessoas? E o mais importante: onde estavam?

Vitor, por sua vez, assustou-se ao perceber que a garota já não tinha os olhos azuis de sempre, mas sim negros. Sua pele estava mais pálida e algumas veias do pescoço saltadas. Antes que falasse qualquer coisa, porém, Sophie tocou o braço de Violet.

– Violet?

– Quem...é você? – perguntou confusa e assustada.

– Meu nome é Sophie... – disse pausadamente – Somos amigas... Lembra?

– Amigas? Mas... Eu não... Não sei quem é você... Você...

– Posso te pedir um favor? – perguntou calmamente — Feche os olhos Violet...

– Por quê? – falou desconfiada enquanto os demais a encaravam perplexos. Todos lhe eram familiares, mas ela não conseguia lembrar-se de onde.

– Confie em mim Violet... Feche os olhos... – disse com um sorriso tão doce e amigável que Violet não pode dizer não e fez o que a loira pediu – Isso... Agora, quero que se acalme, tudo bem? Respire fundo e só então abra os olhos...

Violet fez o que lhe foi pedido. Ainda com os olhos fechados, não viu rostos ou coisas concretas, mas mesmo assim sentiu algo bom se formando, para então sombras aparecerem e tornarem tudo um pesadelo. Tentou repirar fundo, pensar em algo que não fossem aquelas sombras horríveis e abrir os olhos, mas não conseguiu. Forçou sua mente a dissolver os pensamentos ruins e acreditou ter conseguido, mas então abriu os olhos e viu sete sombras desfocadas, grandes olhos vermelhos e o chão cheio de serpentes.

Seus olhos se arregalaram e tudo de pior passou por sua cabeça. Era o fim, certamente. Levantou-se assustada e tentou sair dalí, mas uma das sombras a segurou pelos braços e tentou contê-la. Violet debateu-se ainda mais e gritou, implorando que a deixassem ir. Ela chorava e tentava de todas as formas sair daqueles braços assustadores, mas então outra sombra aproximou-se e, com um sorriso no que parecia ser um rosto, disse que tudo ficaria bem.

Não, não, não, não, não, não... – repetia ela, sentindo os mesmos braços que seguravam os seus segundos atrás prendendo sua cintura fortemente.

Novamente tentou fugir e se debater, e quando mãos seguraram seu rosto, pensou que morreria ali, sem ninguém para ajudá-la e longe de todos que amava, se é que amava alguém... Cerrou os olhos fortemente e desejou que a sombra a matasse rapidamente, sem dores...

– Violet! – gritou a sombra à sua frente.

Aquela voz era imensamente familiar aos ouvidos da garota, que debatia-se entre abrir os olhos e contemplar a sombra de seus pesadelos, ou mantê-los fechados para evitar o medo que se alastrava em suas veias.

– Vai ficar tudo bem, não vou deixar ninguém te machucar... – pediu alguém em seu ouvido, mas em um tom mais baixo, preocupado e...hipnotizante.

A garota queria acabar logo com tudo aquilo e, quando abriu os olhos, não encontrou a sombra dos pesadelos, mas sim a imagem borrada de alguém. Não conseguiu discernir quem, ou o quê, era, mas as mãos continuavam em seu rosto enquanto Violet forçava sua mente a decifrar o que via.

– Isso... Olha para mim... Lembra quem sou? – perguntou uma voz calma feminina. – Violet?

– Não... — choramingou novamente.

– Somos amigas, lembra? Grandes amigas... – disse novamente.

Pouco a pouco a imagem se estabilizava e logo Violet percebeu fios avermelhados emoldurando um rosto ovalado e grandes olhos castanhos.

– Alessa...? – murmurou Violet quase sussurrando quando reconheceu a dona das mãos que seguravam seu rosto.

Olhou ao redor e, após encontrar olhares preocupados dos seus, agora conhecidos, amigos, percebeu o que tinha acabado de acontecer. Sentiu algo ruim em seu peito, como se estivesse faltando algo, e entrou em desespero. Ela queria preencher aquele buraco, mas não sabia como. Gritou, pediu ajuda e tentou se soltar novamente, mas os braços ao seu redor eram fortes demais e ainda a continham.

Ela precisava sair dalí o mais rápido possível, e o único jeito de livrar-se de seu “cativeiro” que passou em sua cabeça foi chutá-lo o mais forte que conseguisse. Deu certo. Quando o aperto afrouxou, Violet correu sem destino e subiu todas as escadas que conseguia. O ar lhe faltava e a visão já não estava tão boa, estava cansada e precisava descansar, mas não queria parar com medo que a pegassem novamente.

Quando finalmente parou, encostou-se em uma parede fria e encarou o teto, tentando recuperar o fôlego. Em algum lugar dentro de si mesma ela sabia que estava ficando louca e que deveria voltar para o lugar de onde saiu, mas a parte assustada de sua mente dizia o contrário e ficava apavorada só de pensar na possibilidade de ser presa novamente.

Violet precisava encontrar uma forma de preencher aquele vazio incômodo, mas como?

Imersa em pensamentos confusos, a garota não percebeu quando alguém se aproximou. Aproveitando a distração, Vitor agarrou seu braço e a puxou ao seu encontro. Violet assustou-se com o abrupto movimento e encarou o “agressor” pronta para fugir novamente, mas assim que viu seu rosto, parou.

– Não, por favor, não... – pediu choramingando – Eles vão me pegar... Estão por perto! Vão me pegar...

– Quem?

– As sombras... Elas estão em todos os lugares... – respondeu agarrando a camisa de Vitor com as mãos – Eu vi, são muitas... Por favor, não me leva de volta... Elas vão me pegar, vão me matar... Elas...

– Shhh... Vai ficar tudo bem... – disse abraçando-a e beijando levemente o topo de sua cabeça. – Eu não vou deixar ninguém te pegar...

– Mas elas vão...

– Vou te proteger... – sussurrou em seu ouvido – Sempre.

– Sempre? – perguntou erguendo o rosto e encarando-o.

– Enquanto estiver vivo, ninguém tocará em você... – garantiu afastando os fios negros que caiam no rosto da garota. – Eu prometo. Confia em mim?

Violet quis fugir, correr até não aguentar mais. Mas ao mesmo tempo, com todas as forças, queria ficar ali para sempre. Estava hesitante quanto à voltar, mas tinha certeza que confiaria sua vida à Vitor e acenou positivamente, sorrindo levemente.

Ele sorriu também e abraçou-a fortemente, como se não quisesse que aquele momento acabasse. Quando afastou-se para beijá-la, entretanto, sentiu o corpo de Violet amolecer e logo segurou a garota desmaiada.

– Vai ficar tudo bem... – sussurrou beijando sua testa e ajeitando-a em seus braços enquanto voltava para o salão, onde todos esperavam ansiosamente.

– Eu disse que não daria certo! Isso é loucura, como vocês pensaram em pedir algo assim para ela?! – exclamava Harry andando de um lado para o outro, até que viu a irmã nos braços de Vitor. – Como ela está? – perguntou aproximando-se.

– Confusa, mas bem... – respondeu Vitor – Precisa descansar.

– Os efeitos da poção foram muito fortes e talvez ela fique um tempo desacordada. Eu já arrumei um lugar para ela dormir... – disse Mary apontando para um dos quartos abandonados.

– Então é melhor dormirmos também... Aconteceu muita coisa hoje. – sugeriu Hermione.

E assim foi feito. Vitor ajeitou-se ao lado de Violet enquanto os demais dormiam no “quarto” em frente. A noite passou sem novidades para os oito jovens e nenhum deles acordou antes das nove do dia seguinte, e no depois do seguinte.

Longos dias se passaram e Violet continuava dormindo. Harry estava muito preocupado, é claro, mas acreditava que a irmã conseguira acordar como sempre fez.

– O que faremos agora? – perguntou Rony. – A Violet está dormindo há três dias! Nós não podemos ficar parados...

– Tem razão Rony... – suspirou Mary – Precisamos continuar com o plano, com ou sem a Violet acordada.

– Tudo bem... – concordou Hermione pegando um pequeno caderno e uma caneta, que Rony ficou encantado em conhecer – Bem, eu estava conversando com a Sophie outro dia e fizemos uma “lista” do que precisamos achar: o medalhão, a taça, Nagini, Voldemort, o colar, alguma coisa de Rowena Ravenclaw, esse “raio” e, é claro, a espada com veneno de basilisco.

– As únicas coisas que temos uma ideia de onde estejam são o medalhão e a espada... – continuou Sophie – Então vamos priorizar esses dois até que a Violet consiga rastrear os outros. – explicou – Eu estava pesquisando antes de sairmos de Hogwarts, e encontrei algo muito interessante sobre o medalhão... Segundo alguns livros da seção proibida, Salazar Slytherin não admitia que bruxos sem pureza de sangue entrassem em sua casa pois eram “indignos de confiança”, então ele guardava muito bem seus pertences com feitiços de proteção e tentou convencer os outros fundadores à excluir essas pessoas da escola. Não deu certo, é claro. Mas, Salazar era adepto à Magia das Trevas e já li em vários livros que ele chegou a enfeitiçar objetos pessoais com essa magia...

– Nossa teoria é que, já que o medalhão era uma joia de família, ele obviamente não arriscaria que um nascido trouxa tocasse, então usou as artes das trevas para “proteger” o medalhão. Contando que Voldemort fez o mesmo, e talvez pior, o medalhão pode ter uma carga negativa muito grande e pode afetar quem estiver muito perto...

– E o que isso significa?

– Lembram o que aconteceu com a Luna e o colar enfeitiçado? – perguntou Hermione – É a mesma coisa, só que mais forte. As artes das trevas podem “seduzir” quem chega muito perto, e isso é perigoso... Você está com problemas se ficar emocionalmente dependente da Horcrux.

– Dessa vez eu não entendi... – disse Alessa.

– Usando um exemplo mais fácil... – começou Sophie – Lembra como a Violet foi atraída pela energia que emanava do colar enfeitiçado? Magia Negra faz isso, ela seduz as pessoas que estão muito perto e, caso você esteja confusa emocionalmente, pode mexer com sua cabeça e te influenciar a fazer coisas que normalmente não faria... Por isso ela surtou por um tempo e mudou completamente.

– Acontece que a Violet já tem isso no sangue, nós não, por isso precisamos ter cuidado quando encontrarmos alguma Horcrux. Se você ficar muito tempo por perto, acaba se tornando totalmente dependente... – respondeu Hermione – Além desse fato, Salazar Slytherin tinha preconceito com todas as outras casas, então se eu, o Harry ou o Ron nos aproximarmos muito, o efeito desse medalhão será muito mais forte do que seria caso fosse um sonserino, sangue puro.

– E o mesmo vale para a espada. Ela pertenceu à Godric Gryffindor, e ninguém além de um grifinório poderia encontrá-la facilmente. – continuou Mary – Por isso vamos nos dividir. Harry, Rony e Hermione vão atrás da espada, os outros, do medalhão. Sem contar que a Violet conheceu o Régulus, e se ele realmente traiu os comensais, ela pode convencê-lo a nos ajudar.

– Por mim tudo bem... – disse Rony. – Mas como vamos achar a espada? E o irmão do Sirius?

– Quanto ao medalhão, vamos esperar a Violet acordar... A espada... O que minha mãe te disse quando leu o testamento de Dumbledore? – perguntou Sophie diretamente ao garoto de óculos – Sobre a espada...

– Que era propriedade do Ministério...

– Então onde estaria uma propriedade do Ministério? – perguntou retoricamente – Mesmo minha mãe sendo a Ministra, eu não acho que ela poderia intervir e mandar que devolvessem a espada à Hogwarts, essa responsabilidade é do setor de objetos mágicos, que normalmente arquiva esses artefatos em um cofre, onde apenas os membros da cúpula têm acesso.

– Eu não sei se fico aliviado por ter uma ideia de onde está a espada ou se fico apavorado com a ideia de ter que ir atrás dela! – comentou Rony.

– Não tem como procurar a sua mãe antes? – perguntou Harry — Para termos certeza de que a espada realmente está no Ministério?

– Não sei... Precisamos descobrir primeiro como estão as coisas no mundo bruxo. – respondeu a loira – Se nada mudou, então eu posso procurar o meu pai.

– Precisamos do Profeta Diário e de ingredientes para poções. – completou Mary – Quando saímos eu não percebi que deixei a maior parte em casa. Nós podemos ir ao Beco Diagonal e compramos tudo. A essa altura todos os estudantes de Hogwarts estão comprando material... Seríamos apenas mais duas.

– Ótimo. Então depois poderemos dar o próximo passo. – concluiu Hermione.

E assim foi feito, cerca de duas horas depois Sophie e Mary deixaram a segurança do lugar e foram ao Beco Diagonal. Normalmente o movimento seria forte aquele mês, considerando que os primeiranistas de Hogwarts comprariam suas coisas para o primeiro dia na famosa escola de magia, mas não foi bem isso que as meninas encontraram.

O movimento de pessoas estava relativamente mais fraco, e enquanto as crianças encaravam vassouras novas com os olhos brilhantes, os mais velhos levavam uma expressão tensa e carregada, como se estivessem prontos para fugir a qualquer sinal de perigo. Muitas lojas, antes vigorosas, estavam abandonadas. Até mesmo a Olivaras, maior loja de varinhas daquele lugar, mantinha-se fechada por grossas taboas cruzando a diagonal das portas.

Sophie não sabia o que pensar, certamente muita coisa mudou nos últimos três dias, e percebeu também que os pais não contavam tudo que acontecia fora dos portões de Hogwarts. Tentando ignorar esses pensamentos, dirigiu-se à Farmácia, porém, Mary paralisou ao ler a manchete do Profeta Diário.

Enquanto Harry e Vitor conversavam amigavelmente, no quarto ao lado a garota adormecida começava a dar sinais de vida por meio de pequenos movimentos. Em sua mente, entretanto, imagens desconexas apareciam.

– VIOLET –

Uma casa cor salmão.

Era uma rua aparentemente tranquila e serena... Mas então um homem loiro apareceu à minha frente e entrou na primeira casa... Não vi seu rosto, mas ouvi gritos e logo depois um clarão verde saindo das janelas. E então a imagem mudou. Havia outro homem, acorrentado, as vestes sujas e o rosto coberto pelos cabelos grisalhos desgrenhados e sujos. Estávamos em uma espécie de calabouço, as paredes de pedras despontadas e úmidas, um som de gotas caindo ao fundo e uma voz fria chamando pelo homem.

– Onde está Gregorovitch?!

– Eu não sei... Já disse, por favor, piedade... – reclamava o homem com uma voz extremamente familiar.

– Pois eu acho que está mentindo...

– Por favor... – pediu novamente, erguendo o rosto.

Assim que vi os olhos azuis suplicantes, reconheci o homem rapidamente e sufoquei um grito com as mãos. O medo repentinamente invadiu minhas veias e logo me vi correndo por um corredor totalmente diferente do lugar. Outra imagem.

Dessa vez era um quarto grande, cheio de móveis antigos e quinquilharias. Confusa, dei um passo à frente e o chão de madeira rangeu aos meus pés. Então senti algo estranho em meu peito, como se uma força invisível estivesse puxando minha mente para algum lugar desconhecido. Era uma sensação de vazio, como se eu estivesse oca e procurasse preencher esse buraco com algo daquele quarto. Olhei novamente e percebi que uma das placas de madeira do chão estava entreaberta, e uma fina e delicada luz esverdeada brilhava ali dentro.

Aproximei-me novamente, mas então senti uma mão apertar meu pescoço. Não vi quem era, mas tentei me desvencilhar... Ele era mais forte e pude perceber que um de seus braços carregava uma cicatriz na altura do cotovelo. Assustada, tentei fugir, e quando o ar começou a me faltar, um flash e novas imagens começaram a se formar.

Crianças correndo, uma mulher tentando controlá-las e uma varinha em suas mãos. Então vi bonecas enfileiradas sobre uma cama com cobertas esverdeadas. Uma escada com degraus negros, um degrau com fundo falso... O mesmo homem loiro de costas. Um parque com crianças, um escorregador.

– Não! – exclamei abrindo os olhos e aspirando todo o ar que podia.

Minhas mãos subiram imediatamente para o pescoço e senti uma leve ardência. Fora real?

Olhei ao redor e, confusa, concluí que não sabia onde estava. Como eu havia chegado ali? Em um momento estava em Hogwarts, no outro, em um quarto estranho. Tentei me levantar e senti algo macio sob meus dedos. Uma boneca loira, lábios rosados e veludo verde cobrindo o corpo em porcelana. Cachos dourados.

Aquela boneca me era estranhamente familiar. Curiosa, peguei-a nos braços e observei os olhos verdes pintados e os sapatos delicados nos pezinhos. Nada.

Um flash veio à minha mente...

– Tem certeza que é seguro deixar aqui? – perguntou uma mulher enquanto um homem loiro guardava algo debaixo do assoalho.

– Não, mas é o único lugar por enquanto... – respondeu ele.

E como veio, foi embora.

O que...? – perguntei a mim mesma. Forcei a memória, mas não fazia ideia de quem eram as duas pessoas. Olhei ao redor novamente e então compreendi.

Lembrei-me de onde estava, do que precisava fazer e do que fiz.

Da magia fluindo por entre minhas veias, a energia revigorante que me invadia conforme o conteúdo do frasco desaparecia. Mas então senti-me instantaneamente envergonhada pelo papel da noite passada e pela confusão que causei nos meus amigos... Lembrei-me de correr, gritar, fugir. Mary preocupada. Sophie chorando. Vitor correndo atrás de mim e prometendo que eu ficaria bem.

Olhei para minhas mãos procurando por algum sinal de que eu tivesse conseguido absorver a poção noite passada, e assustei-me quando percebi que uma fina linha negra cortava ambas as mãos e subia pelo braço até desaparecer em um fio imperceptível.

– Eu consegui... – sussurrei observando a marca nas mãos.

Embora satisfeita de que tenha dado certo e que estava viva, senti que ainda não era suficiente. Tinha um buraco dentro de mim e eu precisava preenchê-lo, era uma necessidade que se alastrava por meu peito, dando-me a certeza de que realmente faltava algo.

Tentei ignorar esse incômodo e sai do quarto, precisava encontrar os outros e saber se fiz algo mais vergonhoso na última noite e me desculpar. Deixei me guiar pelo som de vozes e logo encontrei Vitor, Harry, Alessa, Rony e Hermione, conversando.

– Será que aconteceu alguma coisa? – perguntou Harry.

– O que aconteceu? – perguntei, recebendo olhares surpresos de todos. – Por que estão me encarando desse jeito?

– Você... Acordou! – respondeu Harry levantando-se – Mais cedo do que esperávamos... Está tudo bem? – perguntou abraçando-me ternamente. A necessidade dentro de mim cada vez mais forte.

– Acho que sim... – respondi tentando entender o que se passava no meu peito. – O que aconteceu? Por que essas caras?

– É que dessa vez você não ficou desacordada por muito tempo... – disse Alessa, abraçando-a também. – Três dias.

– Isso é bom... Não é?

– Ótimo, significa que você está melhorando e que a Magia Negra não tem mais os mesmos efeitos. – sorriu Vitor abraçando-me por trás e fechando seus braços em minha cintura.

– Onde estão a Sophie e a Mary?- perguntei ao perceber a ausência das duas, porém, meus olhos estavam estranhamente fixos nos de Harry.

– Foram ao Beco Diagonal. – respondeu Ron – Elas precisavam de algumas poções e também foram comprar o jornal...

– Jornal? – repeti angustiada. – Não podiam ter deixado a Sophie ir!

– Por quê? – estranhou Hermione, porém, antes que eu pudesse responder, a porta foi aberta com violência.

– Sophie!! – exclamou Mary tentando acompanhar a loira, que entrou tempestivamente e se jogou nos braços da primeira pessoa que viu.

– O que... – começou Alessa apertando-a em seus braços com preocupação enquanto a loira soluçava. — Você está chorando! Sophie?

– Minha mãe... – respondeu tentando conter as lágrimas.

Merlin... – sussurrei – Sophie, eu sinto muito...

– O que tem sua mãe? – perguntou Rony, confuso.

Mary então estendeu uma edição do profeta diário e entregou à ele.

Ministra Seyfried é encontrada mor... – começou a ler, porém, parou assim que percebeu o teor da notícia.

– Sophie... – falei aproximando-me.

– Você sabia? – perguntou com os olhos vermelhos e a ponta do nariz rosada.

– Eu... Sim. Antes de eu sair do casamento um patrono do Shacklebolt apareceu e avisou que “O Ministério caiu. A Ministra está morta. Eles estão chegando”.

– O quê?! – exclamou nervosa – E por que não me contou?!

– Sophie, eu não tinha certeza de nada! Podia ser apenas um truque da Ordem para despistar os comensais!

– Bem, não é um truque! – exclamou novamente, claramente furiosa comigo. – Você deveria ter me falado! Mesmo sem certeza, eu merecia saber!

– O que você queria que eu fizesse? “Sophie, sua mãe está morta, mas não se preocupe, deve ser um truque”? – respondi ironicamente tentando me aproximar, porém, ela se afastou rapidamente. – Sophie, por favor, me entenda! Eu não tive tempo! Nós chegamos aqui e já começamos a falar sobre as Horcruxes, eu usei magia e só acordei agora!

– MINHA MÃE ESTÁ MORTA! – gritou – Não é um assunto qualquer que possa ser esquecido facilmente! Você devia ter falado assim que chegamos!

– E depois o quê?! Você sairia correndo e voltaria para a festa, que foi invadida pelos comensais? Arriscaria ser pega por eles?! Você não poderia fazer nada!

– Violet! – tentou Mary lançando-me um olhar repreensivo.

E foi então que me toquei. Como fui tão idiota em falar aquilo para a Sophie? Ela tinha acabado de perder a mãe!

– Sophie, desculpa... Eu não quis dizer isso... – tentei depois de ter percebido a idiotice que falei. – Eu...

– Não, você está certa. – interrompeu magoada – Eu não poderia fazer nada, até porque eu estava ocupada fugindo para te ajudar!

– O que quer dizer com isso?

– Eu não deveria ter vindo. Como fui tão burra?!

– Sophie...

– Merlin, meu pai deve estar desesperado... Ele está sozinho enquanto eu estou aqui! – disse repentinamente nervosa – Eu perdi o enterro, eu... Minha mãe... Nós nem conversamos direito da última vez... Merlin, isso é horrível... Última vez...

– Sophie, por favor, me perdoa... Eu não queria te machucar antes de ter certeza que era verdade!

– E como teria certeza? – ironizou. – Ou ia esconder isso até que acabássemos a missão e voltássemos? Ia deixar que eu chegasse em casa e descobrisse que minha mãe está morta há meses?!

– É claro que não! Sophie, você está nervosa, por favor, me entende... – tentei novamente.

– Não! Eu não vou ficar aqui... – rebateu afastando-se. – Vou voltar para casa, meu pai precisa mais de mim que você...

– Tem certeza? – perguntou Mary – É perigoso lá fora, e você como filha dela é um grande alvo...

– Ela não é mais empecilho para ninguém, como eu posso ser um alvo? – perguntou retoricamente enquanto se afastava e corria para algum quarto. Tentei ir atrás dela, mas acabei desistindo. Sophie estava magoada e não aceitaria conversar comigo.

– Violet... – tentou Alessa, porém, a ignorei e peguei o Profeta Diário.

Meryl Seyfried foi encontrada morta no escritório de sua casa. Ao que parece, comensais invadiram a casa da ministra e, durante o duelo que se seguiu, a Sra Seyfried foi atingida pela Maldição da Morte. Um raio certeiro em seu peito. Os culpados não foram encontrados ainda e uma investigação foi aberta no departamento de aurores. – li, pulando para o próximo parágrafo — Os aurores Catherine Addams e Pierce Seyfried também estavam presentes no duelo e saíram feridos, porém, a auror Addams já foi devidamente tratada e encontra-se em casa. Quanto ao auror Seyfried, marido da ministra, nenhuma aparição até o momento. Pierce Seyfried simplesmente desapareceu.

– Isso é grave, muito grave... – comentou Rony. – O que acontece agora? A última esperança que o mundo bruxo ainda tinha acabou...

– Foi divulgado esta manhã que o até então chefe do Departamento de Aplicações das Leis da Magia, Pio Thicknesse, assumirá o lugar de Ministro da Magia por tempo indeterminado.

– Voldemort assumiu o Ministério. – disse Hermione – Isso é a pior coisa que poderia ter acontecido. Se antes ele tinha pessoas infiltradas, agora ele tem o Ministério todo. Pode fazer o que quiser, aplicar as leis que quiser...

– Não vai demorar até chegar à Hogwarts, isso se já não chegou... – respondi amassando o jornal e jogando-o furiosamente no chão.

Notas finais
Yeah! A Magia Negra está de volta ^^ Mas as consequências foram ruins hein? A poção mexeu com a cabeça da Violet e é a culpada por essas imagens e flashes que aparecem do nada, sem contar o incômodo que ela sente... No próximo vou explicar o que aconteceu com a Violet e como será daqui pra frente. Esqueçam a Violet equilibrada, a partir desse capítulo teremos alguns... curtos circuitos. Kkkkk Vitor foi um fofo ^^ Sophie! Ela reagiu melhor do que imaginavam ou pior? Teve até uma mini discussão com a Violet! Juntou uma loira desequilibrada com uma morena entupida de magia negra, deu nisso! Kkkkk E o grupo sofreu sua primeira baixa. Não sei se perceberam, mas Andrômeda fez Violet prometer que entraria em contato dois dias depois da fuga, passaram-se três... Só eu acho que a Sra Tonks está extremamente preocupada? ----------- Capítulo 41 – Need “(...) A partir de hoje, você não será mais a mesma... Eu sinto muito, não previ isso. (...)” --------------- Desculpem, de novo! E não deixem de comentar hein! Prometo que respondo todos!