Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)
32 Capítulo 31 - Jackelinne
CAPÍTULO 31 – JACKELINE
“Jackeline”
– NARRAÇÃO —
– Violet Eileen, você é louca ou algo do tipo?! – exclamou uma voz masculina no ouvido da garota, que virou-se assustada.
– Merlin, que susto! – exclamou Violet dando-lhe um leve tapa no ombro.
– Não precisa me bater Violet... – riu ele.
– Não precisava me assustar Vitor. – rebateu cedendo ao sorriso que logo se alastrou em seu rosto. – Senti sua falta... – sussurrou enroscando os braços no pescoço do namorado e sentindo-se ser levantada do chão enquanto os braços fortes de Vitor seguravam fortemente sua cintura.
– Tem ideia da preocupação que senti? – disse ele com o rosto embrenhado nos cabelos negros da garota. – Você simplesmente sumiu sem dizer nada, ninguém sabia onde estava e Dumbledore só dizia que estava bem e incomunicável... Eu quase fiquei louco!
– Desculpe, mas era importante... – respondeu soltando-se e encarando-o.
– Vai me explicar tudo isso mais tarde, e nem pense em desaparecer de novo... – avisou sério – Da próxima não terá nenhum Dumbledore para me impedir de te procurar.
– Da próxima eu te aviso antes. – piscou sorrindo, porém, já sabendo que aconteceria uma segunda vez muito em breve. – O que está fazendo? – perguntou assim que percebeu que Vitor se aproximava e segurava seu rosto com uma das mãos enquanto a outra descia para a cintura.
– Estou recebendo minha namorada... – disse colando os corpos.
Violet tentou resistir, afinal, estavam em público e ninguém sabia que os dois eram namorados, especialmente pelo fato de serem aluna e professor. Mas assim que sentiu seus lábios serem capturados, suas defesas foram por terra.
Violet passou os braços sobre o pescoço de Vitor e sentiu quando seu corpo foi levemente tirado do chão enquanto o rapaz acariciava o rosto da garota entre beijos repletos de saudade.
Quase todos que estavam por perto presenciaram de longe o momento a dois dos garotos, inclusive Moody, que foi segurado por Jullie para não se meter.
Quando os dois se separaram, Violet lutava contra a vergonha, evidente em seu rosto vermelho, e a falta de ar repentina.
– Você é louco, por que fez isso?! – perguntou ela com o rosto ainda colado no dele.
– Preciso de motivos? – perguntou rindo e soltando-a, porém segurando suas mãos.
– Você é professor de Hogwarts e eu sou aluna! Agora vão dizer que além de tudo, ainda sou a favorita do instrutor de quadribol!
– Eles não vão dizer isso. – garantiu sorrindo galantemente.
– Como sabe?
– Porque não sou professor de Hogwarts.
– Como assim? – perguntou confusa.
– Madame Hooch voltou semana passada. Nós conversamos e, como eu sou um cavalheiro, decidimos que eu ficaria na escola só até o fim do ano letivo, depois ela volta para o cargo. – explicou diante de uma Violet boquiaberta. – Minerva disse que vai fechar a escola por esse ano, ou seja, sou oficialmente livre e desimpedido. O que é bom, já não aguentava mais as cantadas das garotas do último ano...
– Quem disse que é desimpedido? – rebateu levantando uma das sobrancelhas – Essa aliança no seu dedo diz o contrário Sr. Krum... E pode me passar a lista completa dessas “garotas” assanhadas que vamos ter uma conversinha. Parkinson estava entre elas não é? Espere até eu me encontrar com ela...
– Está com ciúmes?
– É claro que não!
– É claro que sim! – rebateu sorrindo — Não se preocupe com elas, sou completamente comprometido com uma mocinha linda de olhos azuis que, eu espero, não tenha arranjado nenhum outro admirador nesse tempo que esteve fora...
– Alguns... – sorriu marota.
– O que quer dizer?
– Quando eu falar onde estive vai entender, não se preocupe... – piscou.
– Agora é que fiquei preocupado.
– Não seja ciumento Vitor.
– Você que ameaçou as garotas do último ano e eu é que sou ciumento?
– A mulher sempre tem a razão.
– Ah claro, aprendi isso com a minha mãe e minha irmã, as duas sempre dobram meu pai quando querem e ele nem percebe... – riu. – Acho que estamos no mesmo caminho então.
– Se você diz... – reprimiu um sorriso.
– Ah, como é lindo o amor... – exclamou uma voz irritantemente conhecida aproximando-se do casal – Vocês formam um belo casal, especialmente se levarmos em consideração que são professor e aluna e estão no funeral do diretor...
– Rita Skeeter. Não pensei que a veria tão cedo... – disse Violet virando-se para a loira, porém, com um dos braços na cintura do namorado. – Nem mesmo aqui você não cansa de bisbilhotar a vida dos outros?
– Oh não querida, a notícia nunca para... – sorriu forçadamente ao lado da pena de repetição instantânea, que registrava cada movimento. – E agora que finalmente a encontrei longe de seus “protetores”, não posso deixar de fazer algumas perguntas.
– É claro que não. – ironizou — Seu faro para fofocas trabalha ininterruptamente.
– Como se sente sabendo que seu pai traiu a confiança de todos e matou o diretor Dumbledore?
– Isso não te diz respeito. – respondeu indiferente.
– Acha que pode seguir os mesmos passos que ele? Pode chegar a matar algum de seus protetores de uma forma tão horrível?
– É melhor se retirar Sra. Skeeter. – avisou Vitor seriamente.
– Não sabia que o senhor falava por ela Sr Krum... Estão realmente juntos? Mesmo sendo professor e aluna?
– Primeiro, não sou professor de Hogwarts. – começou Vitor – Segundo, se estamos ou não juntos, o problema é unicamente nosso e não te diz respeito.
– Foi apenas uma pergunta Sr Krum... – defendeu-se Skeeter – Mas acho que já deu para perceber que estão mesmo juntos. Aliás, adorei as alianças em seus dedos, realmente incríveis e provavelmente caras...
Violet odiava quando Skeeter se intrometia em sua vida daquele jeito, e quando Vitor a defendeu, uma ideia passou por sua cabeça.
– Quer mesmo saber a verdade? – perguntou Violet, surpreendendo os outros dois.
– Um jornalista sempre busca a verdade.
– Menos Skeeter, sabemos muito bem que você não segue esse princípio. – ironizou virando-se para o namorado – Eu sinto muito Vitor... – disse antes de agarrar o colarinho dele com as mãos e puxá-lo para baixo, colando os lábios e iniciando o beijo que tanto gostavam.
Skeeter ficou vermelha quando a garota fez aquilo e ficou ainda mais quando Vitor correspondeu ao beijo e abraçou Violet pela cintura com as duas mãos. Segundos depois, já convencida do que aconteceu entre os jovens, a loira finalmente os deixou em paz e voltou para importunar alguém.
Violet sorria entre os beijos e quando se afastou, viu um grande e satisfeito sorriso no rosto de Vitor.
– Você é realmente louca... – disse ele. – Por que fez isso?
– Preciso de motivos? – repetiu ela sorrindo. – Além do mais, prefiro que ela saiba por mim e não ouça em algum lugar e imagine coisas...
– Você sabe que isso vai aparecer na capa do Profeta Diário amanhã não sabe? “Violet Snape agarra o namorado logo após o funeral de Alvo Dumbledore.”
– Agarra? Eu diria que a “vítima” não teve nada contra...
– E não teve mesmo. – concordou. – Agora sim posso falar para quem quiser ouvir que Violet Snape é minha namorada... – disse abraçando-o — Saoirse com certeza vai criar um alvoroço.
– Alessa também. É o nosso carma não é? – brincou Violet.
– Acho que sim. – riu.
– Com licença... – disse uma voz suave interrompendo o casal – Desculpem interromper, mas eu vim para te levar embora antes que o Moody o faça. Ele não está muito feliz com o que viu...
– Ele viu? – perguntou Violet temerosa. O padrinho não era exatamente uma pessoa fácil de se lidar, aliás, depois de Snape era o que menos gostava do namoro.
“Snape... Esquece isso Violet!”, repreendeu-se a menina mentalmente.
– Sim... E antes que ele viesse resolvi aparecer primeiro.
– Obrigada. – respondeu Violet sorrindo. – Ah, já vou aproveitar para apresentar vocês dois... Jullie, esse é Vitor Krum, meu namorado. Vitor, essa é Julianne Chambers, irmã da Alessa e noiva do Almofadinhas... – completou.
– É um prazer Srta Chambers... – disse Vitor cumprimentando-a. – Almofadinhas noivo? Essa é realmente uma novidade.
– Às vezes nem eu acredito. – completou Jullie sorrindo amigavelmente.
– Você vai lá em casa depois? – perguntou Violet à Vitor.
– Claro, precisamos conversar não é? – insinuou. – Te vejo muito em breve... – disse beijando-a rapidamente, afinal, não podiam ficar se “agarrando” na frente dos outros. Skeeter foi um caso especial.
– Até breve Sr. Krum... – cumprimentou Jullie antes de acompanhar Violet pelo caminho de pedras até os portões de Hogwarts. – Então... Vitor Krum?
– Vitor Krum. – concordou a garota.
– Eu já o conhecia pelos jornais e, claro, o Torneio Tribruxo... Na época Skeeter dizia que vocês tinham algum envolvimento amoroso, parece que estava certa.
– Na verdade, nós não chegamos a nenhum envolvimento amoroso, foi só no final do ano passado que nós começamos a namorar.
– Ele parece bem apaixonado...
– Eu também estou. – respondeu corando levemente.
– Sabe, teremos reunião da Ordem daqui a pouco, então vocês poderão conversar... – falou Jullie logo após ultrapassarem os portões de Hogwarts e ambas aparatarem para Grimmauld Place – As meninas também vêm e Sirius vai aproveitar para convidar os padrinhos dele e eu os meus.
– Quem bom!! E eu não posso nem saber quem são? – arriscou abrindo a porta da casa.
– Não, será uma surpresa para todos! Só alguns sabem do casamento daqui a uma semana...
– A Tonks eu sei que sabe, ela me disse hoje.
– Fofoqueira.
– Finalmente chegaram... – sussurrou Sirius aparecendo subitamente ao lado das duas.
– O que aconteceu querido? Parece assustado... – perguntou a ruiva acariciando os cachos negros em suas mãos.
– Tem uma mulher louca que eu nunca vi na vida lá na cozinha... – sussurrou antes de beijar a bochecha da noiva.
– Então por que deixou entrar? – perguntou Jullie cruzando os braços, sem sequer imaginar quem era a tal mulher.
– Eu não deixei, ela simplesmente foi entrando e agora está comendo o bolo que você fez ontem! – reclamou.
– Espero que saiba que aquela cena aparecerá no Profeta Diário amanhã pirralha. – interrompeu Moody entrando na casa acompanhado de Tonks, Lupin, Alessa e os Krum – Sr. Krum, acho que precisamos ter outra conversa não é?
– Alastor! – repreendeu Violet corada ao perceber Saoirse, Vyola e James encarando o casal com um sorriso divertido. – Skeeter me provocou... – explicou enquanto Saoirse a abraçava.
– Claro, porque agarrar Vitor Krum em público é um bom modo de se vingar de uma jornalista fofoqueira... – ironizou Moody.
– Posso apostar que os dois não se importaram. – comentou Saoirse sorrindo.
– Obrigada pela ajuda Saoirse. – ironizou empurrando levemente a loira
– De nada cunhadinha. – piscou.
– Agora que chegou o reforço acho que você pode nos dizer quem é essa mulher louca que invadiu a cozinha e você deixou. – disse Jullie, porém, uma mulher saiu da cozinha com sorriso enorme.
– Falando de mim maninha? Sabe, aquele bolo é muito bom... Foi você que fez não é? Posso apostar que...
– Jackelinne?! – exclamou a ruiva surpresa. – Como você chegou aqui? E tão rápido...?
– Viu Eva? Não nos vemos há anos e quando chego ela nem me dá um abraço ou um sorrisinho... – comentou a mulher para uma menina de pouco mais de sete anos ao seu lado.
– Dramática. Você não mudou nada. – sorriu Jullie indo ao encontro da ruiva para abraçá-la fortemente – Senti sua falta Jack... Fico feliz que esteja aqui.
– Eu também... — respondeu a ruiva afastando-se do abraço – Só o seu casamento para me fazer voltar, tem ideia do tamanho desse milagre?
– Muito engraçado Jack. – ironizou Jullie pegando a garota no colo – Eva! Você é mais bonita pessoalmente...
– Ela é igual a você... Quieta, comportada... – lamentou — Uma pena, realmente.
– Ela deveria ser igual a você e te fazer passar pelo que nossa mãe passou. Eva, me diz que você já trocou algum creme dela por chantilly, por favor...
– “Nossa mãe”? – interrompeu Sirius.
– Ah sim... – disse Jullie – Jack, esse é Sirius Black, meu noivo. Sirius, essa é Jackeline Chambers e sua filha Eva. Jack é minha irmã.
– Irmã?! – surpreendeu-se Sirius, assim como todos os outros presentes.
– Essa praga fugiu de casa um pouco depois que a Alessa nasceu, casou com um milionário trouxa e sumiu. – acusou Jullie.
– Digamos que minha escolha de noivo não agradou muito e eu resolvi ir embora e me casar escondida. – comentou Jack – Mas com o tempo descobri que fiz uma enorme besteira. Jonathan não valia nada.
– Mamãe!
– O quê? É verdade... – respondeu Jack pegando a filha no colo – E onde está a Ally? Lembro que ela era uma praguinha irritante assim como eu.
– Obrigada pela parte que me toca Jack. — disse Alessa aproximando-se.
– Oh meu Merlin! – exclamou a mulher – Você está enorme... Que orgulho!!! – exclamou apertando as bochechas da menor e fazendo todos rirem com a expressão de raiva em Alessa.
– Infelizmente ela é igual a você. – lamentou Jullie abraçando Sirius pela cintura.
– Isso é um elogio ou uma ofensa?
– É claro que é elogio! – defendeu-se Jack assim que Alessa abriu a boca – Pense em mim como a ovelha negra da família. Jullie sempre foi a mais quieta, mais santa e mais comportada... Mas vejam só! Vai se casar com um criminoso fugitivo enquanto eu sou divorciada... Ally é a única esperança da família.
– Não sou criminoso.
– Talvez, mas continua sendo um fugitivo. – piscou Jack. – Você não teria um irmão, teria?
– Jack!
– O quê? Eu bem que queria um criminoso desses para mim...
– Jackeline! – repreendeu-a Jullie enquanto Sirius reprimia um sorriso.
– Onde está seu senso de humor? Foi brincadeira... – defendeu-se levantando as mãos — Então, vão me apresentar aos outros ou eu tenho que fazer isso?
– Ah, sim... – disse Jullie – Esses são Tonks e o namorado Lupin, Alastor Moody, James e Vyola Krum e os filhos Saoirse e Vitor, que é o namorado da Violet Snape. – apresentou.
– Violet Snape? A tal Escolhida que Rita Skeeter tanto fala? — perguntou interessada.
– Rita Skeeter não passa de um parasita que vive de fofocas.
– Isso eu sei... Quando me divorciei ela fez questão de estampar na página do Profeta Diário... Sabem quantas cartas de “coitada” eu recebi? Até Madame Maxime me convidou para um chá... Foi terrível!
– Madame Maxime não é muito discreta... – comentou Saoirse.
– Conhece?
– Estudei em Beauxbatons, mas ela é legal... – respondeu a loira.
– Bem, daqui a pouco os demais chegam para a reunião, por que não mostra à sua irmã o quarto que vai ficar? – sugeriu Sirius à Jullie, que assentiu.
– Reunião?! Ah eu não acredito, posso participar também? – pediu Jack empolgada — Eu sempre quis ser da Ordem da Fênix mas meus pais nunca deixaram...
– Jack...
– Por que você entrou e eu não? – interrompeu Jack com uma expressão infantil e birrenta — Poxa, isso é injusto! Só porque é a mais velha não significa que...
– Jack! – exclamou Jullie, já vermelha de vergonha com o “show” de infantilidade da irmã – Depois conversamos sobre isso tudo bem? Temos até o casamento para...
– Claro, uma semana. – ironizou Jack – Vocês dois são loucos em organizar um casamento em sete dias!
– Uma semana? – interrompeu Vyola, surpresa — Pensei que a Fleur e o Gui fossem se casar em duas semanas...
– Obrigada por estragar a surpresa Jack... – ironizou Jullie – Vamos subir logo para eu te mostrar seu quarto e conversar sobre certas coisas.
– Era sempre nesse parte que ela brigava comigo quando eu era pequena. Adeus mundo cruel! – dramatizou fazendo quase todos rirem, menos a outra ruiva, é claro, que agarrou em seu braço e a empurrou escada acima — Te vejo depois Sirius! – sorriu Jack antes de desaparecer o andar de cima.
– Desculpe o termo, mas sua irmã é louca. – comentou Sirius à Alessa.
– Nem me fale... Jullie já me contou cada coisa que ela aprontou...
– Ela estudou em Hogwarts? – perguntou Violet, não lembrando de nenhuma Chambers em 1975.
– Beauxbatons. Mas não pense que Madame Maxime conseguiu ensinar alguma coisa para ela... Jullie me disse que ela sempre ficava em detenção por aprontar com alguma colega ou colocar cola na cadeira do professor... Ou seja, é o oposto da Jullie.
– É, acho que deu para perceber... – ironizou Sirius.
– Qual é essa surpresa que a Julianne falou? – perguntou Vyola curiosa, porém, nesse momento a campainha tocou.
– Depois da reunião eu falo para todo mundo ao mesmo tempo, não se preocupem... – sorriu Sirius antes de abrir a porta e deixar entrar os Weasley junto à Hermione.
A notícia de que as Chambers eram três logo foi o assunto do momento e apenas quando os Seyfried, os Adams e Andrômeda chegaram é que a reunião da Ordem finalmente começou, deixando Jack e os adolescentes no andar de cima.
Enquanto a Ordem conversava sobre o que fariam a seguir, Violet falava com as meninas sobre a recente descoberta de Harry e Jack ajudava os gêmeos Weasley a ouvir alguma coisa atrás da porta.
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