Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)
18 Capítulo 17 - Unpleasantness
Notas iniciais
CAPÍTULO 17 – UNPLEASANTNESS
“Desentendimento”
– NARRAÇÃO – 11 DE JANEIRO DE 1997 -
– Minerva, esquece isso... – resmungou Snape enquanto caminhava com McGonagall pelos corredores – Não passa de uma grande besteira...
– Não é besteira Snape, é algo importante e deve ser comemorado!
– O que deve ser comemorado? – perguntou Violet aproximando-se.
– Nada de importante.
– O aniversário do seu pai. – respondeu Minerva ao mesmo tempo.
– Aniversário?! Quando é? – perguntou animada.
– Ontem.
– Ontem? – repetiu – Por que não me falou antes pai?
– Porque não é importante! – retrucou Snape – E parem com isso, aniversários não passam de besteira...
– Você não diz isso quando é o meu aniversário... – sorriu Violet.
– Você é jovem e eu estou cada vez mais velho... Principalmente agora que sou pai... – ironizou com um meio sorriso — Não gosto de comemorar meu aniversário e pronto, assunto encerrado. – falou deixando as duas sozinhas.
– Ele é muito teimoso...
– Engraçado, conheço alguém assim.
– Não sei do que está falando... – sorriu Violet – Mas falando sério... Eu queria dar alguma coisa para ele, só não sei o quê exatamente...
– Professora McGonagall! – exclamou um dos alunos aproximando-se – Professora McGonagall!
– Acalme-se garoto, por que esse alvoroço todo?
– O Prof Slughorn pediu que a senhora vá até a enfermaria, um aluno da grifinória foi envenenado...
– Merlin! – exclamou já acompanhando o aluno e Violet, que obviamente a seguiu. Os três andaram rapidamente pelos corredores e, quando finalmente chegaram à enfermaria, encontraram Snape, Dumbledore, Madame Ponfrey e Harry – Dumbledore, o que... Merlin! Ronald Weasley?! Mas... Sr Potter, o que faz aqui?
– Os garotos estavam na minha sala professora... – começou Slughorn, ainda confuso – O Sr. Weasley foi vítima de uma poção do amor poderosa, estava apaixonado coitado... Uma pena...
– Desculpe professor, mas um simples antídoto é o suficiente para poções do amor... – disse McGonagall, indignada.
– Eu preparei o antídoto professora, mas logo depois abri uma garrafa de hidromel que daria de presente ao professor Dumbledore... Quando o Sr Weasley tomou a primeira dose caiu sobre o tapete e começou a espumar pela boca... Então o Sr Potter, em um ato brilhante devo dizer, utilizou o Bezoar e interrompeu o envenenamento...
– Por Merlin, mas como isso foi acontecer? – escandalizou-se Minerva – Que motivos teriam para envenenar o Sr Weasley?
– Talvez não fosse para o Rony... – manifestou-se Violet pela primeira vez.
– O que faz aqui? – surpreendeu-se Minerva.
– Eu vim junto com a senhora... – respondeu inocentemente.
– O que a senhorita quis dizer? – perguntou Dumbledore calmamente, porém, já sabia a resposta.
– Primeiro o colar que mandaram pela Luna, agora uma garrafa de hidromel que mandaram pelo professor Slughorn... – começou a menina – Os dois presentes eram para o senhor, professor Dumbledore...
– Uma conspiração? – surpreendeu-se Slughorn – Eu não sabia sobre o hidromel, eu juro professor Dumbledore...
– Não se preocupe Horácio, eu sei... – respondeu diretor. — Sr. Potter, por favor, volte para suas aulas...
– Eu... Eu acho melhor me retirar... – disse o professor de poções, ainda atordoado – Te acompanho Harry... – completou saindo da enfermaria com o garoto ao seu lado.
– E quanto a você? – perguntou Snape encarando a filha questionadoramente.
– O quê?
– O que ainda faz aqui? Volte para a aula.
– Mas...
– Violet.
– Tá, tudo bem... – rendeu-se. – Já estou saindo... – disse ela, porém, ao deixar a enfermaria escondeu-se atrás da porta para ouvir a conversa.
– O Lorde das Trevas tentou te matar duas vezes, dentro da escola! Alvo, os familiares de vários alunos estão desaparecendo e agora você é claramente o próximo!
– Sim Minerva, eu sei...
– Como consegue ficar tão calmo? Deve ter alguém aqui dentro fazendo o trabalho...
– Já tomei as medidas necessárias Minerva, vamos descobrir quem está servindo de objeto para as aspirações de Tom...
– Estamos cada vez mais próximos da guerra, mas o que realmente me preocupa é que temos pessoas inocentes dentro desta escola que irão sofrer as consequências... Nossos alunos estão em perigo Alvo, precisamos fazer alguma coisa...
– Não há o que fazer Minerva. – respondeu Snape – A escola tem os maiores e mais poderosos escudos, aurores treinados estão guardando as únicas vias de entrada de Hogwarts e todos os professores foram avisados e estão preparados para proteger os alunos...
– Mesmo com tantas proteções o Lord das Trevas conseguiu penetrar na mente da Violet e entrou duas vezes em Hogwarts!! Primeiro um colar amaldiçoado mandou Luna Lovegood para o St Mungus e agora uma garrafa de hidromel envenenado trouxe Ronald Weasley para a enfermaria!
– Violet! – exclamou Snape, virando-se para a porta. – É falta de respeito ouvir atrás da porta...
– Desculpem, eu não resisti... – respondeu ela saindo de trás da porta.
– Vá para aula. – repetiu Snape friamente. – Agora.
Violet ficou surpresa, afinal, fazia um bom tempo que seu pai não a tratava com tanta frieza.
– Desculpe... – respondeu deixando definitivamente a enfermaria e seguindo até seu quarto, onde sentou-se em sua cama e pensou qual seria o presente perfeito para o pai. – Poxa, me sinto uma inútil agora...
– Por que esse negativismo todo? – perguntou Mary entrando no quarto.
– Acredita que ontem foi aniversário do meu pai e eu não sabia? – respondeu ela – Descobri hoje e estou tentando pensar em algum presente, mas estou me sentindo uma inútil por não conhecer os gostos do meu próprio pai!
– Hey calma aí... – começou Mary sentando-se ao lado da amiga – Então seu pai e seu namorado fazem aniversário no mesmo dia?!
– Eu não tinha pensado nisso... – surpreendeu-se Violet – Merlin! O que acontece se eu disser isso para o meu pai?
– Acho melhor evitar o máximo que puder... – riu.
– Até porque hoje não é um dia muito bom...
– Por quê?
– Voldemort deu um jeito de colocar veneno numa garrafa de hidromel, que coincidentemente era um presente do Prof Slughorn para Dumbledore.
– Merlin! Como isso foi acontecer?
– Minerva acha que tem alguém aqui dentro fazendo esses favores para o Lorde das Trevas, primeiro o colar enfeitiçado que mandou a Luna para o St Mungus, agora o hidromel envenenado que mandou o Rony para a enfermaria...
– Rony?
– É... Parece que ele comeu alguns bombons com poção do amor e ficou apaixonado por alguém, o Harry o levou até o professor Slughorn, que deu um antídoto. Então eles decidiram comemorar alguma coisa com o hidromel, mas como o Rony tomou primeiro, foi envenenado...
– Uau... Ele não tem sorte não é? – comentou Mary.
– Nenhuma... – respondeu. – Mas ele vai ficar bem, Harry deu bezoar para ele e impediu que algo pior acontecesse.
– Bezoar? De novo? Desculpa Violet, mas é estranho o Harry pensar justo nesse antídoto, que a maioria nem imagina que existe...
– É, eu sei... Ele melhorou bruscamente em poções, justamente a matéria que ele sempre foi o último da classe junto com Neville.
– Talvez seja a troca de professor... – sugeriu.
– Meu pai é um ótimo professor!
– Eu sei, mas não é novidade para ninguém que os dois se odeiam... – respondeu. – Mas enfim, se o Rony vai ficar bem, quero saber outra coisa...
– O quê?
– Como que você só descobre que seu pai faz aniversário um dia depois?
– E eu descobri por acaso! Ouvi uma conversa dele com a Minerva, e quando perguntei o motivo de ele não me contar, ele disse que não gosta de comemorar aniversário e, na idade dele, acha uma besteira. Agora não faço ideia do que dar de presente...
– Bom, ele é reservado não é? Acho que é bem óbvio que ele não gosta de receber tanta atenção... – explicou — Quanto ao presente, só precisamos pensar um pouco... Do que ele gosta?
– É fascinado por poções, livros e defesa contra as artes das trevas... Ele até criou alguns feitiços quando tinha minha idade...
– Então porque não dá um livro a ele? Talvez algum sobre antídotos raros...
– Duvido muito que ele não tenha lido todos os livros que existem na biblioteca de Hogsmead e do Beco Diagonal... E eu não tenho tempo nem disponibilidade para procurar algo bom, nem sair do castelo eu posso!
– Então temos que ser criativas... Algum tipo de...poção?
– Esse é um presente para um professor! No momento sou apenas a filha...
– Tá, tudo bem, esquece o que eu falei... – riu a garota – Poxa, eu não faço ideia... É difícil encontrar algo que seu pai goste, sem contar que eu estou com fome...
– É isso!
– Tá, o que eu falei que te deu uma ideia incrível?
– Não é um presente maravilhoso ou marcante, mas para quem soube agora do aniversário...
– O que é?
– Preciso ir, obrigada Mary, você é um gênio! – exclamou levantando-se rapidamente e descendo as escadas do dormitório.
Violet tinha um plano e, mesmo não sendo um presente tão bom, ao menos não deixaria a data passar em branco. Com isso em mente, entrou na cozinha de Hogwarts e começou a procurar certo elfo, porém, outro apareceu.
– Helga? – surpreendeu-se Violet – O que faz aqui?
– Helga é um elfo livre e Dumbledore ofereceu trabalho aqui, em Hogwarts... Helga está feliz!
– Que bom Helga! – sorriu Violet – Já que você trabalha aqui... Pode me ajudar com uma coisinha?
– Pode dizer menina Eileen.
– Ontem foi aniversário do meu pai, mas eu só descobri hoje...
– Ah sim, Helga lembra... Todos os anos a Sra. Eileen preparava o bolo que o Sr. Snape mais gostava, era a única vez que o garoto ria... – comentou Helga pensativa.
– Ele nunca comemorou com algum amigo?
– Oh sim, mas só uma vez... – respondeu sorrindo com a lembrança – Sra. Eileen uma vez chamou uma amiga do garoto Snape, os três se divertiram bastante e até Helga ganhou um pedaço do bolo...
– Qual amiga? – pensou já imaginando que a tal amiga fosse Lillian.
– A Sra. Eileen chamou a Srta. Black... – respondeu – Mas o que a menina Eileen precisa de Helga?
– Você sabe fazer esse bolo que comentou?
– O que seu pai mais gosta? Sim.
– Pode me ensinar? – perguntou – É que eu não tenho tempo para comprar nada...
– É claro menina Eileen! Helga a ensina com muito prazer!
– Ótimo! E qual é o bolo?
– É uma antiga receita da família Prince que a Sra. Eileen preparava apenas em ocasiões especiais, como o aniversário do garoto Snape... – respondeu afastando-se para pegar os ingredientes nos armários.
– Certo, vamos lá... – suspirou – O que eu tenho que fazer?
– Primeiro temos que cortar as framboesas e amassá-las bem...
– Framboesas? Meu pai gosta de bolo de framboesa? – surpreendeu-se – Não parece ser uma receita de família, é até comum no mundo trouxa...
– Mas essa receita é feita com framboesas silvestres e tem um ingrediente muito especial que, juntos, foram uma combinação única!
– Eu preciso experimentar esse bolo... – sorriu colocando um avental e pegando as framboesas que Helga deixou sobre o balcão.
Durante as próximas horas, enquanto as duas preparavam o bolo, Violet percebeu que Helga era mais que um simples elfo doméstico. Descobriu que todas as gerações dos Prince tratavam a pequena Helga como um membro da família e a respeitavam imensamente. Helga presenciou o nascimento de Severo, cuidou dele quando era uma criança e continuou cuidando mesmo sob os protestos e rejeições de Tobias Snape.
Violet quase perguntou qual “Srta. Black” era a amiga de seu pai, chegou até a cogitar a hipótese de ter sido Andrômeda, mas acabou desistindo quando Helga começou a explicar as últimas etapas do preparo do bolo.
– Pronto menina Eileen, agora é só esperar alguns minutos...
– Então enquanto isso vou pegar uma caixa para colocar o bolo. Eu já volto Helga... – avisou tirando o avental e saindo correndo da cozinha.
Assim que chegou ao dormitório, colocou as aulas de feitiços e transfiguração em prática e passou a conjurar embalagens, mudando uma cor e outra e até mesmo os formatos. Cerca de meia hora depois, quando finalmente encontrou a caixa perfeita, escreveu um cartão e voltou para a cozinha, encontrando o bolo já pronto, sobre a mesa.
– Uau... Como ele cresceu assim? – surpreendeu-se Violet ao ver que a massa havia dobrado de volume.
– Os da Sra. Eileen ficavam ainda maiores... – sorriu Helga.
– Ficou incrível! – agradeceu Violet. — Obrigada Helga...
– Desde a morte da Sra. Eileen que ele não come esse bolo, tenho certeza que o Sr. Snape vai gostar...
Quando Violet embalou o bolo e levou até o quarto do pai, esperava não encontrá-lo ali para que pudesse fazer uma surpresa parecida com a que fez com Vitor, mas não foi como imaginava. Ao entrar na sala particular do pai que era interligada com o quarto, deu de cara com Snape, sentado à mesa, lendo o jornal.
– Foi-se o tempo em que as pessoas eram educadas e batiam na porta antes de entrar... – suspirou ele, abaixando o jornal e encarando-a – Pensei que soubesse disso Violet.
– Pensei que não estava aqui...
– Oh, e o que queria na minha sala que eu não podia saber?
– Não precisa brigar comigo... – falou ressentida – Aliás, é a segunda vez hoje!
– Você queria que eu fizesse o quê? Te desse um abraço e achasse bonitinho ouvir atrás da porta ou invadir meu quarto? – ironizou irritado.
– É claro que não, só não precisa ser tão grosso! Eu entrei aqui porque queria fazer uma surpresa... Soube que é seu favorito... – falou colocando a caixa sobre a mesa – Mas não se preocupe, já estou saindo. – disse engolindo as lágrimas e saindo da sala, magoada.
Snape, por sua vez, bateu a mão raivosamente sobre a mesa e passou as mãos nos cabelos, suspirando fundo. Desde manhã estava irritado e, após descobrir certas coisas que a filha aprontou durante o natal, ficou ainda pior. Quando levantou-se e abriu a caixa, quase não acreditou no que viu. Dentro estava um bolo, e se não estivesse enganado, era o mesmo que sua falecida mãe fazia em seus aniversários.
“Para o melhor pai do mundo!”, dizia o cartão.
Por um momento arrependeu-se de tratar a filha daquele modo grosseiro e deixou a sala para procurá-la, porém, quando a encontrou, Violet conversava com Minerva e Tonks alegremente. Snape aproximou-se, mas assim que Violet o viu, despediu-se de Minerva e arrastou Ninfadora para longe.
Para Snape, que sempre foi exigente e até mesmo orgulhoso, aquela cena lhe subiu à cabeça e seu sangue ferveu. Como ela se atrevia a confrontá-lo?!
– Certo... O que aconteceu? – perguntou Minerva, que presenciou a cena toda.
– Aconteceu que ela conseguiu pegar minhas piores qualidades e as combinou com as da Lillian... – respondeu irritado – Ao mesmo tempo em que é teimosa como uma porta, é impulsiva como a Lillian e tem os olhos da minha mãe, que sempre conseguiu me desarmar... E eu odeio isso!
– O que ela fez dessa vez? – perguntou segurando o riso.
– Ela está brava comigo porque eu a repreendi hoje mais cedo e agora pouco... – respondeu – Ouvir atrás da porta e invadir minha sala não é algo que eu espere da minha filha!
– Mas...?
– Mas ela entrou na minha sala porque queria fazer uma surpresa... – suspirou cruzando os braços – Ela fez o mesmo bolo que minha mãe costumava fazer no meu aniversário...
– E isso mexeu com você, não é Severo? – adivinhou.
– Isso não exclui o fato de que ela é teimosa e irresponsável! – exclamou – Ela te contou o que aprontou durante o natal? Que fugiu com a Tonks?
– Como assim fugiu?!
– Ela simplesmente saiu da sede da Ordem depois das nove, com uma auror recém-formada, e passou quase a noite toda na casa de uma pessoa que é marcada de morte por comensais!
– Merlin! O que ela estava pensando?
– Como sempre, só na diversão! As duas, aliás! – irritou-se – E a melhor parte é que eu só descobri porque a Tonks pensou que eu sabia e veio pedir desculpas... Juro que se eu pegar aquele velho rabugento eu o trucido! Ele deveria cuidar dela não?!
– Severo...
– Não adianta falar nada Minerva, eu sei que ele se torna um velho babão quando está perto dela e adora quebrar as regras... Não pense que eu esqueci quando ele a incentivou a criar um grupo clandestino que quase custou sua vida! – exclamou nervoso.
– Severo, será que não vê que ela é igual a você?
– Eu não sou irresponsável e penso muito bem antes de fazer qualquer coisa que possa afetar outra pessoa!
– Pois então converse com ela! Não adianta reclamar que ela é irresponsável e ficar de briga! Converse, explique a situação e seja firme!
– E você acha que eu já não fiz isso? – ironizou – Não adianta conversar Minerva, eu posso falar o que quiser que, meia hora depois, ela esquece tudo e volta a fazer o errado! Exatamente o que fez agora... Ela está de birra porque a repreendi e decidiu me ignorar!
– Também não é assim Severo...
– É claro que é. Em 90% dos casos ela não pensa nas consequências e faz o que bem entende! Mas dessa vez ela que terá que pedir perdão, não vou me desculpar por repreendê-la. – falou deixando Minerva sozinha.
– Eles são mais parecidos do que pensam... – suspirou, decidindo não se envolver na discussão de pai e filha.
Snape manteve sua palavra e absteve-se ao máximo de agradecer a filha pelo presente. Violet, por sua vez, não admitiu que estivesse errada e resolveu tomar a mesma medida de seu primeiro ano em Hogwarts, quando esperou até que o pai se desculpasse.
Nesse desentendimento entre os dois, os dias foram passando e logo fevereiro chegou. Rony ainda estava na enfermaria e não sairia à tempo para o próximo jogo de quadribol, que seria entre Grifinória e Lufa-Lufa. Harry não teve outra opção como capitão do time a não ser substituir Ronald Weasley por Córmaco McLaggen.
A pior decisão que poderia tomar.
Se Martin McFelys atrasou e garantiu a derrota da Sonserina em seu primeiro jogo, Córmaco McLaggen fez o mesmo com a Grifinória. Além de atrapalhar os demais jogadores, usou o tempo que poderia defender os aros dos leões para se mostrar à plateia e, em uma de suas jogadas exibicionistas, rebateu um balaço na direção de Harry Potter, que ficou ferido e também foi para a enfermaria.
Violet ficou furiosa com McLaggen e jurou que se vingaria do loiro grifinório assim que tivesse a oportunidade, mas até lá, resolveu fazer companhia ao irmão, que ainda não havia se conformado pela derrota de 320 a 60.
Rony, por sua vez, aproveitou a ocasião para finalmente terminar seu “relacionamento” com Lilá Brown, que não ficou nada satisfeita, e Gina, sua irmã mais nova, resolveu seguir seus passos e terminou com Dino Thomas.
– Pessoal, vocês precisam ouvir isso... – disse Hermione entrando no quarto da enfermaria. – Hagrid acabou de me mandar esse bilhete: “Caros Harry, Rony e Hermione, não sabem a tragédia que acabou de acontecer... Aragogue morreu! Estou tão triste que mal posso falar, mas ficaria contente se vocês viessem ao enterro que preparei... Aragogue era um grande amigo e fará muita falta, sei que os meninos entendem...”
– Eu não sentirei falta dele... – comentou Rony.
– Vocês não estão pensando em ir, estão?
– É claro que sim, precisamos ajudá-lo nesse momento...
– Precisamos vírgula! Eu não vou...
– Eu também não, e espero que você não vá Harry, é perigoso! Hagrid marcou para amanhã à tarde na Floresta Negra! Se eu fosse vocês, me preocuparia mais com o teste que temos semana que vem de aparatação...
– E eu vou ao enterro Mione, Hagrid é nosso amigo e merece nosso apoio...
– FEVEREIRO –
Aragogue seria enterrado naquela tarde, sob um carvalho, na Floresta Proibida. Hagrid chorava muito e esperava que algum dos garotos, Harry ou Ron, viesse ajudá-lo.
Ron, aliviado, teve como desculpa sua estadia na enfermaria. Já Hermione preferiu dizer que estava ocupada estudando para o teste de aparatação, que aconteceria uma semana depois. Harry, por sua vez, finalmente decidiu tentar pegar a memória de Slughorn novamente e, após uma conversa com os dois amigos, percebeu que tudo que precisava era sorte.
Sorte engarrafada, para ser mais específico.
– E então... Como se sente? – perguntou Hermione após Harry tomar a Felix Felicis que ganhara em uma das aulas de poções.
– Bem... Estou bem... – respondeu. – Preciso ir ver o Hagrid.
– O quê?! Não! Harry, você precisa falar com o Slughorn para pegar a memória!
– Mas eu sinto que o lugar que tenho que estar hoje é com o Hagrid... – responde decidido, deixando Hermione de boca aberta.
– Mas...
– Vejo vocês depois... – disse ele deixando a enfermaria com passos decididos.
Apesar de ir contra seus amigos, Harry sentia que o lugar certo para ele estar aquela tarde era com Hagrid, logo, usou sua capa da invisibilidade para conseguir sair do castelo. No caminho, entretanto, encontrou-se com Slughorn e arriscou uma nova cartada, um plano formando-se em sua cabeça.
– Ora Harry, o que faz fora de seu dormitório? Sabe que em poucas horas será o toque de recolher... – comentou o professor sorrindo.
– Sim, professor, eu sei... Mas é que Hagrid está me esperando na cabana... – começou – Não sei se o senhor sabe, mas a aranha de estimação dele morreu hoje e será enterrada daqui a pouco...
– Aranha?
– Sim, ela era gigante, realmente enorme! Vivia na floresta e podia até falar...
– Ora, eu ouvi rumores que tinha acromântulas na floresta... – comentou interessado – É verdade então?
– Oh sim... – respondeu Harry, percebendo que a curiosidade do professor seria um grande trunfo – Mas este, Aragogue, foi a primeira que Harry criou, eles eram realmente muito próximos... Ele está tão arrasado professor, e pediu para que eu fizesse companhia no enterro...
– Tocante, tocante... – suspirou, porém, algo iluminou seu olhar – Se bem que... Veneno de acromântulas é muito valioso... É praticamente impossível conseguir de acromântulas vivas, mas se esta morreu agora, talvez ainda tenha veneno... Claro que eu não faria nada que magoasse Hagrid...
– Se o senhor quiser pode me acompanhar... Tenho certeza que Hagrid vai gostar...
– Sim, sim... Claro Harry. – concordou – Te encontro lá em baixo então. Só vou trocar minha gravata por algo melhor para a ocasião e pegar duas garrafas, vamos beber em nome de Aragogue... – respondeu ele entrando no castelo apressadamente.
Harry estava confiante de que conseguiria as memórias, só precisava esperar o momento certo. Desceu as escadas do jardim pensando em como convenceria o professor, até que finalmente chegou à cabana de Hagrid e entrou.
O gigante estava triste e arrasado, seu grande amigo estava morto e não havia nada a ser feito. Hagrid enterraria Aragogue em seu próprio jardim, debaixo de uma das abóboras, e assim que Slughorn chegou, a “cerimônia” começou.
Todos falaram palavras tocantes e, em meio a cada uma delas, ouvia-se um soluço de Hagrid. Slughorn, é claro, perguntou se não haveria problema pegar algumas gotas de veneno do aracnídeo, e após Hagrid concordar, encheu dois vidrinhos de poções, mantendo um enorme e radiante sorriso.
Assim que o enterro terminou, os três entraram na cabana e passaram a beber em memória de Aragogue. Harry, entretanto, sabia que não deveria beber e, conforme o tempo passava, repunha magicamente a garrafa sem que os outros percebessem.
Sua chance finalmente chegou quando o assunto na mesa virou-se na direção da morte dos Potter.
– Você se lembra? – perguntou Slughorn.
– Não, eu era um bebê na época... – respondeu – Mas eu soube muita coisa sobre eles depois... Meu pai morreu primeiro. Sabe algo sobre?
– Não... Não sei... – gaguejou, afetado pela bebida, enquanto Hagrid roncava sobre a mesa.
– Voldemort o matou primeiro e passou por cima dele para chegar até minha mãe.
– Oh Harry, eu sinto muito, sinto muito mesmo...
– Sabe, ela teve uma escolha... Ele queria a mim e disse que a deixaria ir caso me entregasse, mas ela disse não...
– Ela... Ela poderia... Ela poderia ter... Merlin, isso é horrível! – exclamou — Por mim já basta! Não quero mais ouvir sobre isso...
– Desculpe – mentiu – O senhor gostava dela?
– Se eu gostava? – ironizou – Quem que a conheceu e não se apaixonou? Tão inteligente, tão engraçada, divertida... Ela era uma de minhas melhores alunas...
– E no entanto o senhor não ajuda o filho dela... – rebateu Harry, iniciando seu plano – Ela deu a vida por mim e o senhor não me dá uma memória...
– Oh Harry... Essa memória não tem nenhuma ajuda... – respondeu ele com os olhos cheios de lágrimas.
– Tem sim. Dumbledore precisa da informação, eu preciso da informação...
Slughorn estava com os olhos vermelhos e lágrimas escorriam de seus olhos. Harry então foi mais além.
– Minha irmã é a escolhida professor, a eleita! E eu sou o único que pode ajudá-la...
– Ela é? – surpreendeu-se. – Oh pobres crianças... Vocês são tão jovens!
– Por favor professor, minha irmã precisa de ajuda! Ela também é filha da Lillian e está em perigo, talvez até mais do que eu... Por favor, eu preciso dessa memória, para ajudá-la!
– Eu... Eu tenho vergonha do que aparece naquela memória Harry, creio que fiz um grande mal aquele dia... – choramingou, o plano estava dando certo.
– Se o senhor me entregar essa memória, seja lá o que quer que tenha feito, será redimido... – tentou – Me dar essa memória iria nos ajudar a derrotar Voldemort, e seria também um ato muito nobre...
– Oh Harry, você acha que pode derrotá-lo? Você e sua irmã?
– Com essa memória, sim, nós podemos. – respondeu confiante – Faça isso em nome da minha mãe professor, tenho certeza que ela ficaria orgulhosa...
Longos minutos em silêncio se passaram e, quando Harry pensou que havia perdido novamente, Slughorn tirou a varinha de suas vestes e encostou a ponta sobre uma das têmporas, retirando um pequeno fragmento azulado e prateado de sua cabeça e colocando-o num vidrinho.
– Não fique com raiva de mim quando ver isso Harry, por favor... – sussurrou derrotado entregando o pequeno vidro ao garoto, que sorriu.
– Obrigado professor, muito obrigado mesmo... – respondeu vendo o velho homem deitar sua cabeça sobre a mesa e fechar os olhos, sucumbindo ao sono.
Harry não poderia estar mais feliz. Saiu da cabana correndo e logo que entrou no castelo, foi em direção à sala do diretor, encontrando-o pálido e cansado, porém, assim que Harry contou-lhe a novidade, abriu um sorriso e pegou a penseira. Naquela noite, finalmente, ambos viram as memórias de Slughorn sobre a noite em que Tom Riddle perguntou ao professor a respeito de Horcruxes.
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