Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)
19 Capítulo 18 - A Mission
Notas iniciais
CAPÍTULO 18 – A MISSION
“Uma missão”
– NARRAÇÃO – 08 DE MARÇO DE 1997 —
Violet ainda estava brigada com o pai, porém, cada vez que entrava na sala de aula e o via, sentia-se mais culpada pelo que fez. Sua vontade era render-se e pedir desculpas, mas o orgulho sonserino em seu peito a impedia de sequer se aproximar dele.
– Srta. Snape! – exclamou um sonserino do primeiro ano enquanto Violet e as amigas caminhavam pelos corredores. – Srta. Snape, o diretor está te chamando em sua sala...
– Dumbledore? – surpreendeu-se – Obrigada Chang. Vejo vocês depois meninas... – despediu-se indo até a sala do diretor, onde encontrou-se com Harry.
– Bom dia Srta. Snape... Sente-se, por favor... – pediu Dumbledore com uma expressão preocupada.
– Aconteceu alguma coisa professor? – perguntou encarando rapidamente o irmão.
– Creio que a senhorita soube que seu irmão teve aulas particulares comigo, certo?
– Sim, eram para ajudá-lo a se defender, não é?
– Em partes, sim... – concordou Dumbledore – Durante essas aulas mostrei ao Harry pequenos fragmentos da vida de Tom Riddle e suas ambições enquanto jovem.
– Sim, Harry comentou algo a respeito...
– Ótimo, então posso avançar um pouco... – disse o diretor – Há cerca de um mês dei uma missão ao seu irmão: conseguir uma memória com o Horácio sobre a juventude de Riddle que nos ajudaria a derrotar Voldemort.
– E você conseguiu? – perguntou ao irmão.
– Harry foi muito bem sucedido, e a memória que o professor nos cedeu confirmou minhas suspeitas... Srta. Snape, a Srta sabe o que é Horcrux?
– Horcrux... – repetiu – A palavra não me é estranha...
– Uma Horcrux é a palavra usada para um objeto onde a pessoa escondeu parte de sua alma.
– Espera, é possível dividir a alma? – surpreendeu-se a garota.
– Sim, é possível, mas poucos bruxos tentaram e quase nenhum obteve sucesso. Quando você divide sua alma em um objeto fora do corpo, e esse corpo é atacado ou destruído, ele não pode morrer, pois resta uma parte de sua alma segura e não danificada.
– Então... Seria um tipo de imortalidade? – perguntou Violet – Digo... Nem a velhice poderia matar a pessoa que dividiu sua alma?
–Exato.
– E como se divide uma alma? Não me parece algo muito...agradável...ou fácil de se fazer...
– E de fato não é. – concordou Dumbledore, satisfeito pelo raciocínio rápido da garota – Só é possível dividir sua alma através de um ato supremo da maldade. Assassinato. Matar rasga a alma. – explicou – Muitos bruxos das trevas foram atraídos por esse tipo de magia, inclusive Riddle.
– Então Voldemort conseguiu dividir sua alma? – surpreendeu-se Violet – Digo... Criar Horcruxes deve exigir muita maldade, mas também muita habilidade...
– Sim, sim... Ele sempre foi um bruxo poderoso... – concordou – Quando tinha a idade de vocês Tom estava fazendo tudo que podia para descobrir como se tornar imortal...
– E ele conseguiu? Ele fez uma Horcrux?
– Quatro anos atrás recebi uma prova de que Voldemort havia rachado sua alma. Creio que sabe as aventuras que seu irmão teve nos primeiros anos, não?
– Sim, Hermione me contou sobre a pedra filosofal e a câmara secreta...
– Isso mesmo, quando Harry estava em seu segundo ano, um diário contendo as informações necessárias para abrir a câmara foi entregue à Gina Weasley, que cega pelo poder nele contido, seguiu todas as informações de Voldemort. O diário de Tom Riddle foi a primeira Horcrux criada.
– Primeira? – repetiu – Quer dizer que ele criou mais de uma?
– Sim, acredito que sim... Ao que tudo indica, foram sete.
– Sete?! – repetiu em choque — Mas... Mas elas poderiam estar em qualquer lugar do mundo! Nem ele é tão poderoso a ponto de dividir a própria alma sete vezes! Ou é?
– Lord Voldemort pareceu menos humano com o passar dos anos, e sua transformação só poderia ser explicada pela mutilação da alma além dos limites...
– E o senhor sabe quais são as sete Horcruxes?
– Seis, na verdade. – respondeu – A sétima está dentro do próprio Voldemort e é o que o liga a seu corpo, deve ser destruída por último.
– Então... Se todas as Horcruxes forem destruídas, Voldemort morrerá? – perguntou esperançosa.
– Sim, acredito que sim... – respondeu o diretor – Sem as Horcruxes, Voldemort será um simples mortal com a alma mutilada e destruída. Porém, seus poderes mágicos e seu cérebro continuarão intactos, será necessário um poder fora do comum para derrotá-lo...
– Mas nós não temos esse poder...
– Pelo contrário, os dois tem o que precisam para derrotá-lo. – discordou Dumbledore – Especialmente a senhorita.
– Eu concordo que tenho habilidade em magia, mas não acredito que ela seja suficiente para derrotar um bruxo como Voldemort...
– A senhorita esqueceu-se de algo muito importante que manifestou-se em seu corpo nos últimos tempos e que tenta a todo custo esconder...
– Magia Negra? – surpreendeu-se.
– Sim, magia negra é antiga e muito poderosa e, se bem desenvolvida e controlada, pode se tornar invencível... – respondeu serenamente – Vocês dois possuem algo que Voldemort nunca teve: amor. Mesmo depois de tudo que ambos passaram, continuam mantendo esse sentimento puro em seus corações, e por mais orgulhosos que sejam, amam intensamente... – disse encarando Violet, referindo-se à briga entre ela e o pai.
– E como vamos encontrar essas Horcruxes?
– Bem, como sabem, durante os anos eu viajei e pesquisei muito para descobrir tudo que pudesse sobre o passado de Voldemort, e visitando as ruínas da antiga casa dos Gaunt, avós maternos de Tom, deparei-me com alguns documentos e até mesmo rastros de um anel...
– O anel dos Gaunt? – perguntou Harry pela primeira vez – Aquele anel é uma Horcrux?
– Sim Harry, creio que o anel dos Gaunt foi uma das primeiras Horcruxes...
– E as demais?
– Tom gostava de colecionar troféus de suas vitórias, e a última conhecida por mim foi a da noite da morte de Hepzibá Smith.
– A taça e o medalhão!
– Taça e medalhão? Que tipos de troféu são esses?
– A taça que pertenceu à Helga Hufflepuff e o medalhão de Salazar Slytherin.
– Os fundadores da Lufa-Lufa e Sonserina... – completou Violet, finalmente entendendo – Então... O anel dos Gaunt, o medalhão de Slytherin, a taça de Helga e o diário de Tom Riddle, fora a própria alma de Voldemort... Cinco. E as outras duas?
– Nagini. – respondeu Harry.
– Mas... Mas pode se dividir a alma com um...animal?
– É mais complicado e demanda muita confiança do bruxo, mas sim, é possível... – respondeu Dumbledore – Mesmo sendo ofidioglota, Voldemort tem um domínio fora do comum de Nagini e eles nunca se separam... Ela estava presente, inclusive, na cerimônia que o trouxe de volta e certamente foi ela também que atacou o Sr Weasley no Ministério com o seu rosto...
– Certo... Então... Se ele coleciona “troféus”, itens importantes, será que não criou uma Horcrux de Godric Gryffindor e Helena Ravenclaw?
– Não sei, mas estou pesquisando. Logo teremos respostas concretas, espero... – começou o diretor – Mas por enquanto, preciso que façam algo por mim, os dois.
– O que? — animou-se Harry.
– O anel dos Gaunt é a única Horcrux que eu tenho certeza da localização, a mais acessível para nós no momento. Preciso que o peguem.
– Certo... E onde está? – perguntou Violet suspeitando da missão, parecia fácil demais.
– Está nas mãos de alguém em quem Voldemort confia cegamente, seu mais leal comensal...
– Bellatrix. – adivinhou Violet, recebendo um aceno positivo de Dumbledore – Mas isso é impossível! Uma missão suicida! Bellatrix nunca deixaria um artefato tão poderoso quanto este acessível para nós dois...
– Sim, a senhorita está certa, neste tempo não conseguiremos pegar o anel...
– Neste tempo...? – surpreendeu-se Harry – O que quer dizer diretor?
– Preciso que os dois voltem para o tempo em que Bellatrix era apenas uma adolescente e, mesmo assim, já possuía o anel.
– Quer dizer que... Hogwarts? Mas... Não é perigoso? Se alguém nos ver pode causar um dano muito grande...
– Sim, mas apenas quando você volta para uma época em que você já existe... – explicou – Viagens no tempo são perigosas sim, mas precisamos arriscar... Vou mandá-los para o tempo em que Bellatrix estava em seu último ano de Hogwarts.
– E como o senhor tem certeza que ela já tinha o anel nessa época?
– Pesquisas Harry, apenas confiem em mim... – disse Dumbledore.
– Certo, e como seria essa...missão? – perguntou Violet.
– Bellatrix, mesmo adolescente, nunca confiaria mostrar o anel a qualquer pessoa, porém, tenho fé de que, se a senhorita se aproximar dela e conquistar sua confiança, o que sei que fará, a senhorita conseguirá pegar o anel.
– Espera... Eu?! – repetiu – Nós não temos exatamente uma boa ligação...
– Sim, mas ela não precisa saber disso... – sorriu o diretor – A senhorita voltaria como a única filha dela e, aos poucos, a conquistaria...
– F-filha? – gaguejou.
– E quanto a mim? A Violet já é da sonserina, para ela é fácil... Mas eu sou da grifinória! Terei que ir para a casa dela também?
– Não senhor Potter, não se preocupe. O senhor iria para ajudar sua irmã e, se for necessário, protegê-la...
– O que mais? – perguntou Violet temerosa – Tem mais não é?
– Sim... Infelizmente teremos que mudar seu nome. Bellatrix nunca acreditaria que a Srta é filha dela se seu nome permanecer com Prince Snape.
– Faz sentido... E como ficaria?
– Violet Eileen Prince Black. – respondeu sorrindo – Eileen Prince manteremos pois será impossível não associarem seu rosto á sua avó. Black para ligá-la diretamente à família Black.
– Eileen está viva nesse tempo? Pensei que ela tivesse morrido quando meu pai entrou em Hogwarts...
– Não, não... Ela sempre foi uma bruxa muito importante para Lord Voldemort, mas também era uma aliada minha. Vou mandá-los para fevereiro de 1974, Eileen faleceu em abril do mesmo ano, após abandonar definitivamente os Comensais da Morte por perceber as intenções de Tom em recrutar Severo.
– Certo... E eu diria que meus pais são Bellatrix Black e Severo Snape? Até onde seu eles nunca foram amigos...
– Por isso creio que seja melhor manter sua verdadeira história: Bellatrix é sua mãe adotiva e Severo seu pai biológico... Quanto à Lillian, fica a seu critério.
– Certo... – suspirou Violet – E quando partimos?
– Em dois dias.
– Mas... Semana que vem é o teste de aparatação... Eu não poderei fazer este ano então?
– Não se preocupe Srta. Snape, vou providenciar para que o seu teste seja depois da viagem...
Dumbledore conversou com os garotos por horas explicando cada detalhe do plano e o que deveriam fazer ou não durante a estadia no passado. Todos concordaram que, para que Violet conseguisse se aproximar de Bellatrix, teria que frequentar o último ano ao seu lado. É claro que o diretor a ensinaria coisas básicas para que não ficasse perdida nas aulas. Harry, por sua vez, decidiu permanecer no sexto ano, até porque era onde seu pai e padrinho estariam.
– É importante que não contem isso para ninguém... Nem mesmo seus amigos mais próximos ou Severo e Minerva.
– Meu pai não sabe?
– Não, até porque ele jamais permitiria...
– Com certeza não... – riu – Professor, qual será a nossa desculpa para ficarmos fora?
– Curso de aprimoramento oferecido pelo Ministério aos melhores alunos.
– Mas então por que Hermione não faria também?
– Vou conversar com a Srta. Granger e contar-lhe uma parte da verdade, mas apenas quando forem embora. – respondeu Dumbledore – E Srta. Black, é melhor se acostumar a ser chamada assim... – riu.
– Claro... – riu em resposta, porém, estava nervosa.
Muito nervosa.
Em menos de 48 horas ela embarcaria para o passado e ficaria um bom tempo convivendo com Bellatrix, Andrômeda e muitos comensais... Ela literalmente viveria com as cobras. Sem contar que encontraria os marotos e, com eles, Lillian.
Durante os dois dias que se seguiram, Dumbledore passou suas tardes ensinando coisas básicas de último ano à Violet, que aproveitou cada segundo. Os irmãos estavam realmente nervosos e até mesmo ansiosos, mas não conversaram com ninguém à respeito da missão, nem mesmo Rony e Hermione ou Alessa.
– 10 DE MARÇO DE 1997 –
– Estão preparados? – perguntou Dumbledore assim que os irmãos foram à sua sala naquela tarde.
– Um pouco nervosa, mas logo passa... – respondeu Violet.
– Vocês não contaram a ninguém, certo?
– Não. – respondeu Harry.
– Muito bem, então peguem isso... – disse o diretor entregando aos dois um colar com o vira-tempo – O Sr. Potter já viajou no tempo, então deve saber qual a sensação...
– Sim, e eu já contei para ela. Ontem fomos à biblioteca para sabermos mais sobre viagens no tempo...
– Ótimo! Ótimo, isso facilita muito... – animou-se Dumbledore – Antes que vão, preciso deixá-los sobre aviso... As pessoas mudam, e muitas das quais vão encontrar no passado, estão totalmente diferentes no presente, algumas para melhor, outras para pior... Então estejam preparados para o que vão enfrentar...
– Sim senhor.
– Creio que duas voltas externas e cinco internas sejam o suficiente... – começou Dumbledore assim que os meninos colocaram o colar sobre os pescoços. — Eu lhes desejo muita boa sorte, saibam que confio em vocês...
– Obrigado professor... – agradeceu Harry enquanto a irmã seguia as instruções do diretor.
Logo a imagem de ambos começou a tremer e a desintegrar levemente, porém, nesse exato momento, Snape e Minerva entraram na sala e presenciaram Violet desaparecer por completo.
– O que aconteceu? Onde está a minha filha? – perguntou Snape preocupado.
– Foram para o passado meu filho, Violet e Harry farão o que eu sou incapaz de fazer...
– Ficou louco?!! É perigoso viajar no tempo! – exclamou Snape, furioso – E por que não me contou?
– Porque sabia que não permitiria...
– É claro que não! Eu nunca mandaria minha filha em uma viagem no tempo que pode mudar o presente! – exclamou – Ainda mais agora que nós... Mas que droga Dumbledore! Espero que ela volte sem um único arranhão, caso contrário a culpa será toda sua! – exclamou o professor furioso deixando a sala do diretor.
– Você se superou dessa vez Alvo... – comentou McGonagall.
– Foi preciso Minerva... Só eles dois podem fazer isso e confio que farão...
– Espero que esteja certo, sabe que se algo acontecer com a Violet, Severo nunca irá te perdoar.
– Sim, eu sei... – suspirou o diretor. – Sente-se Minerva, preciso da sua ajuda...
– VIOLET – FEVEREIRO DE 1974 —
Meu pai ficaria muito, mas muito furioso. Logo os vultos à minha frente desapareceram e encontrei-me em um dos corredores abandonados do castelo, provavelmente já em 1974.
– Chegamos… — murmurei retirando o colar do pescoço do Harry e escondendo-o em minhas roupas.
– Espera... – disse confuso – Tem algo errado...
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