Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)
40 Capítulo 39 – Dark Magic
Notas iniciais
CAPÍTULO 39 – DARK MAGIC
“Magia das Trevas”
– NARRAÇÃO –
Se você está lendo isso, significa que eu provavelmente já estou longe... Me desculpe Alastor, eu sei que prometi que nunca mais fugiria, mas não posso! Eu preciso fazer isso. Você tem sido um pai para mim, minha família!, e não quero que pense que estou jogando tudo para o ar, pelo contrário, mas gostaria que entenda... Esse é o meu destino Alastor, eu sou a Escolhida e sei que posso vencê-lo! Eu consigo e queria que acreditasse também... Por favor, não me procure, estou bem! As meninas estão comigo e o Vitor também...
Eu amo você! E me desculpe...
– “Violet Black”. – terminou Moody, amassando a carta em suas mãos – Ela é uma adolescente! Como acha que...
– Moody! – interrompeu Andrômeda – Violet não é mais criança... Além do mais, todos nós sabemos que ela o Harry são os únicos que podem parar Voldemort. Precisamos acreditar que eles vão fazer isso Moody, sabe que têm capacidade...
– Eles vão conseguir, têm que conseguir... – lamentou Molly enxugando seus olhos com um lenço de tecido florido.
– Eu realmente espero que ela volte inteira. – resmungou Moody, porém, nesse momento Catherine e George aparataram com Pierce e Meryl, um tanto debilitada apoiada no marido.
–Graças a Merlin, pensamos que algo tinha acontecido com você... – começou Molly aproximando-se, porém, foi barrada pela loira.
– Onde está a Sophie? – perguntou ignorando a ruiva e recusando a cadeira que lhe foi oferecida.
Meryl não estava nada bem. Quando a porta de sua sala explodiu, foi lançada brutalmente para a parede e bateu o rosto e parte do braço, sem contar o Cruciatus que Bellatrix “gentilmente” lhe lançou.
– E as meninas? – completou Catherine limpando o rosto levemente ralado – Não estou vendo nenhuma delas...
Meryl percebeu algo errado quando viu Molly e Vyola alternarem olhares preocupados entre si. Tudo de pior passou pela sua cabeça e o desespero começou a invadir seu coração de mãe.
– Onde está a Sophie? – perguntou novamente, porém, mais nervosa.
– Meryl, ela... – hesitou Molly, não sabendo como dizer.
– Ela fugiu com as amigas para caçar Voldemort. – respondeu Moody tentando conter sua raiva. Ele havia prometido que cuidaria dela e deixou que a garota fugisse debaixo de seu nariz.
– O quê?! Isso significa que... Sophie... Merlin, não, por favor... Ela... Está sozinha lá fora?! – exclamou a loira – Ela não sabe que umas das cabeças que Voldemort mais quer é a minha e ela pode sofrer com isso?! Preciso encontrá-la... – disse afastando-se em direção à porta, porém, Pierce a impediu.
– Acalme-se Meryl, ela ficará bem... – disse ele, tentando esconder sua preocupação para acalmar a esposa — Sophie já é maior de idade e está com as amigas e com o Vitor...
– “Com as amigas”? – repetiu Catherine – Então Mary...
– Ao que parece, o “Trio de Ouro” fugiu com as meninas da sonserina e com o Sr Krum.
– Minha Mary... – sussurrou Catherine deixando rolar uma lágrima silenciosa por seu rosto enquanto George a abraçava.
– Só espero que ela não veja os jornais da próxima semana...
– Por quê?
– Porque para todos os efeitos, a Ministra Seyfried foi assassinada por Lord Voldemort. – respondeu Meryl fechando os olhos.
– Então é um pouco tarde demais... – comentou Andrômeda – Violet estava comigo quando Shacklebolt avisou que “o Ministério caiu, a Ministra Seyfried está morta. Eles estão chegando”.
– Eu conheço a Sophie, se ela ouvir que estou morta, vai entrar em desespero e talvez faça alguma besteira. Vou encontrá-la antes disso. – disse decidida aproximando-se novamente na porta.
– Não, você não vai sair daqui também... – impediu Pierce – Temos que confiar que a Violet não vai dizer nada... E nossa filha é forte! Ela vai voltar...
– Pierce...
– Vamos ficar aqui e você precisa descansar... – disse ele novamente abraçando-a.
Meryl quis retrucar, mas já não aguentava mais de cansaço e dor nos braços. A notícia de que sua filha poderia estar em algum lugar perigoso a deixou extremamente preocupada e nervosa. Sophie era seu bem mais precioso, não podia perdê-la... Com mil probabilidades passando por sua cabeça, a ex Ministra não aguentou a fraqueza que se apoderou de suas pernas e deixou-se desmaiar na segurança dos braços de seu marido, que rapidamente a segurou.
– NARRAÇÃO – ESCÓCIA –
Violet ainda pensava no que ouvira de Shacklebolt enquanto as meninas dormiam no banco de trás do carro trouxa que Vitor dirigia. Seria possível que Meryl, aquela mulher que sempre se mostrou tão forte e independente, estivesse morta? Tinha que ser mentira... Para o bem de Sophie e do resto do mundo bruxo.
– Você está bem? – perguntou Vitor percebendo o olhar distante da namorada.
– Você acha que é verdade o que o Shacklebolt disse?
– Ah, isso... Bom, eu não acreditaria tão fácil... Ela sempre foi forte não é? Talvez seja algum plano...
– Ou talvez seja verdade. – completou pessimista.
– Acho melhor não contar nada sobre isso... Não temos certeza e só a faria sofrer. – disse ele indicando a loira sonolenta no banco de trás.
– É, eu sei... – suspirou – Mudando de assunto... Como você aprendeu a dirigir essa coisa em tão pouco tempo?
– Não é tão difícil quando parece.
– Ah claro, para quem já conduziu um navio, o que é um simples carro? – ironizou.
– É quase igual, só que menor e com maiores danos. – riu.
– Eu não quero ser chata mas... Vai demorar?
– Me diz você... – respondeu apontado para fora.
A rua estava escura e a lua brilhava no céu estrelado. Violet engoliu em seco. Logo no final da rua, um imponente castelo de tijolos acinzentados mostrava-se maior do que Violet se lembrava, levando-a para um mundo totalmente diferente do que vivia. À sua frente estava o lugar onde passou toda a sua infância, onde foi treinada para ser comensal e onde viveu acreditando em tudo que Bellatrix lhe dizia.
– Uau... – exclamou Alessa ao perceber o castelo – Isso era um Internato?!
Enquanto as meninas desciam, Vitor pediu que fossem entrando até que ele guardasse o carro na rua de trás. Com um feitiço simples Mary quebrou o cadeado e logo os enormes portões de ferro enferrujado foram abertos, fazendo um irritante barulho.
Sophie foi à frente e abriu caminho por entre a vegetação que cresceu e se estendia por todo o caminho do portão até a entrada do castelo. Ao chegarem, contornaram-no e encontraram a portinhola do porão, recoberta de folhagens e musgos.
Quando todos passaram pela portinhola, Violet entendeu o que acontecia ali em baixo. O extenso corredor empoeirado contrastava com as paredes desgastadas e com a sequência de portas enferrujadas que deixavam o ambiente mais sombrio e claramente abandonado. As luzes, provavelmente efeitos de magia, piscavam a cada segundo.
Violet então fixou os olhos nas portas e percebeu que em todas elas tinham duas letras e uma data. Talvez fosse algum código para as matérias, mas, ao seguir em frente encontrou uma porta fechada, a única que não estava tão enferrujada. Nela, duas letras e duas datas.
V.E. 1988 – 1993.
Violet sentiu um calafrio em sua espinha e um nervoso percorrê-la. Em algum lugar dentro de si, sabia o que era aquele quarto. Aproximou a mão da maçaneta empoeirada e, enquanto os demais obervavam o lugar, Violet respirou fundo e abriu a porta.
O quarto era relativamente pequeno. Três paredes em uma tonalidade acinzentada com arabescos vermelhos gastos e a quarta recoberta por musgo nas pedras polidas e quebradas. Violet deu um passo à frente e vislumbrou a cama suja e desmontada encostada à parede do fundo, um armário logo na frente e no chão o que aparentemente já foi um tapete.
– VIOLET –
Aquilo era demais para mim. O lugar parecia realmente abandonado, mas as imagens que vinham à minha cabeça diziam o contrário. Eu não lembrava de nada que acontecia ali, mas sabia que aquele era o meu quarto.
Minhas mãos correram pela parede desgastada e lembranças de uma criança desenhando no rodapé eram tão vívidas quanto o salto rosa que eu ainda usava. Quando olhei para o armário, a imagem de alguém puxando um fundo falso e escondendo papéis suavizou-se em minha mente. A curiosidade me pegou completamente e, quando percebi, estava encarando o armário aberto e vazio. Eu sabia que tinha alguma coisa ali, só precisava encontrar...
Empurrei todos os cantos do armário, mas nada aconteceu. Senti alguém perto de mim, mas não me importei e concentrei-me no que estava fazendo. Estava quase desistindo quando meus dedos afundaram em um dos cantos. Com uma força a mais o painel logo desabou e revelou um fundo branco intacto repleto de fotos coladas.
Quase não acreditei no que vi e logo lágrimas caíram de meus olhos silenciosamente.
Em todas as fotos uma garotinha de cabelos negros e olhos azuis estava abraçada à uma mulher de rebeldes madeixas pretas e outra de fios castanhos que reconheci imediatamente como Bellatrix e...Narcissa Malfoy. Em todas as figuras estávamos sorrindo e aparentemente felizes, sem preocupações... Como uma família.
– O que é isso?! – surpreendeu-se Mary enquanto olhava foto por foto.
– São... Fotos da minha infância... – respondi incerta.
– Sra Malfoy? – perguntou Sophie assim que viu Narcissa. – Violet, ela te conhecia?
– Eu... não sei... Mas... Como uma pessoa que nunca quis ter filhos e que odiava crianças criaria uma?
– O que quer dizer?
– Bellatrix sempre odiou crianças, então ela precisaria de ajuda para cuidar de mim... Quem melhor que a própria irmã, que já era mãe?
– Isso faz muito mais sentido... – concordou Alessa – E esse garoto? – disse apontando para uma das fotos de baixo.
Nela, Bellatrix estava comigo no colo e Narcissa com um garoto loiro de olhos acinzentados, as duas sorriam e eu estava feliz.
– Draco... – respondeu Sophie antes que eu abrisse a boca. – Vocês cresceram juntos?!
– Eu não sei! – estava me sentindo frustrada – Por que eu não lembro de nada disso?! Por que eu não consigo sequer responder se um dia o conheci, se éramos amigos ou se nos vimos uma única vez?!
– Você era pequena... Talvez não tenha retido essas informações e...
– Não Mary, não faz sentido! Eu me lembro de coisas vagamente... De um quarto, onde Bellatrix me colocava para dormir e contava histórias, um quarto que não existe no Orfanato e nem no Internato! Até os cinco anos eu tenho algumas memórias, mas depois estão todas fragmentadas, isoladas! Eu não consigo formar uma sequencia de acontecimentos porque eu não me lembro de nenhum deles! – exclamei nervosa – Essa foto, por exemplo! Eu não me lembro de estar sentada em uma escada com uma boneca no colo e Narcissa Malfoy ao meu lado... – falei encarando uma das fotos, porém, algo nela me era extremamente familiar. – Boneca...
– Mas onde eu coloco mamãe? Aqui não dá para guardar... – reclamou uma garota de aproximadamente nove anos segurando uma boneca em seus braços. – E se eu não esconder as outras crianças vão pegar...
– Eu já sei onde... – respondeu Bellatrix levantando-se e afastando a cama da parede. – Vamos criar um esconderijo secreto que apenas nós duas saberemos... Tudo bem? — após um aceno positivo da garota, levantou a varinha e, com um feitiço não-verbal, abriu um quadrado no chão perto da parede.
– Acho que os outros já chegaram... – disse Sophie.
Tinha acabado de ver um pedaço da minha infância e algo me dizia que não era invenção como a vez em que pensei ter conversado com Bellatrix na Casa dos Gritos, era real. Olhei em volta e, assim que vi a cama quebrada e enferrujada no canto do “quarto”, fui até ela e arrastei-a. Assim como na lembrança, havia a marca de um quadrado ali, uma espécie de alçapão. Saquei a varinha e abri a portinha de madeira, revelando um grande espaço debaixo do chão. Nele, uma caixa cinza empoeirada.
– O que é isso? – perguntou Alessa.
O pequeno cadeado já estava velho e, com apenas um pouco de força, quebrou. Dentro da caixa, envolta em uma espécie de papel de seda, estava a boneca das fotos. Toda branquinha, o cabelo dourado amarrado com fitas e os olhos esverdeados. Um sorriso amigável tingido de rosa e um vestido verde de veludo cobriam o pequeno sapato de mesmo tom. Quando aproximei-a de meu rosto para ver melhor, o suave aroma de flores me atingiu e um flash acendeu em minha mente.
– Você está mimando a garota Cissa... – reclamava Bellatrix enquanto uma pequena versão minha abria uma caixa cuidadosamente.
– Pare com isso Bella, é apenas um presente! – respondeu Narcissa sorrindo – Eu não posso dar bonecas para o Draco, então darei para a minha sobrinha!
– Ela é linda! – exclamou a menina sorrindo abertamente – Olha mamãe, ela é loirinha...
– Como se diz? – perguntou Bella levantando uma das sobrancelhas.
– Obrigada tia Cissa... – respondeu a garota levantando-se do chão com a boneca e abraçando a mulher.
– Agora você precisa dar um nome a ela... – disse ajeitando a fita vermelha no cabelo da boneca.
Minha pequena versão olhou atentamente para a boneca, depois encarou Narcissa e logo sorriu.
– Narcys... – sussurrei surpresa enquanto uma lágrima solitária escorria em meu rosto. — Essa boneca... – falei em um mix de sensações – Eu lembro dela! Foi a Narcissa que me deu, ela disse que não podia dar bonecas para o filho, então daria para a sobrinha... Ela realmente ajudou a Bella a me criar! – exclamei sorrindo e abraçando a boneca – Essa boneca era a minha favorita, eu carregava para todos os lados e queria esconder das outras crianças porque tinha medo de estragarem... Por isso o esconderijo...
– E o que é Narcys?
– É o nome que eu dei à ela... Em homenagem à “tia Cissa”... – respondi.
Por um lado, estava aliviada que uma parte dos meus sonhos realmente era verdade. Bellatrix e Narcissa me criaram e, um dia, fomos felizes... Uma família.
Por outro, senti raiva e frustração. Eu não conseguia lembrar nada, não sabia como eram os meus aniversários, se é que um dia foi comemorado, não lembrava dos momentos em “família” e não fazia ideia de quando ou como conheci Draco Malfoy na infância.
Por que eu não conseguia?!
O que tinha de errado comigo que bloqueava tantas coisas que eu gostaria de lembrar?
– Os outros já chegaram e estão nos esperando no salão... Você está bem? – perguntou Alessa abaixando-se ao meu lado.
– Vou ficar. – respondi, não estava com ânimo para dizer tudo que sentia e perder tempo com isso. Enxuguei as lágrimas e, ainda abraçada à boneca, fui até o armário e coloquei todas as fotos na minha bolsa. Rosa.
Droga.
– Eu tenho que trocar essa roupa...
– Ah, mas ficou tão bonitinho... – riu Alessa abraçando-me pelos ombros e me acompanhando até o salão, onde os demais nos esperavam.
– Violet?! – surpreendeu-se Harry ao ver as roupas que eu usava. – Então a tal Cosette era você?
– Uau, fiz tanto sucesso assim? — perguntei sentando-me entre Vitor e Alessa.
– De acordo com Saoirse, “essa Cosette é uma mala, quem ela pensa que é?!” – citou Rony. – Nunca imaginei que ouviria uma garota reclamar tanto! O que você fez para ela?
– Prefiro deixar essas lembranças apenas nesse “uniforme rosa”... – debochei apontando para o vestido e a sandália rosa – Então... Qual o plano?
– Sim, por favor... O Ron já me encheu o suficiente... – reclamou Hermione abrindo a bolsa e tirando alguns livros. – “Segredos das Artes das Trevas”.
– Nome bom para um livro... – ironizou Rony.
– Eu encontrei esse livro em Hogwarts... Não me perguntem como, nem mesmo eu sei...
– Como você encontra um livro e não sabe onde?
– Eu não sei Ron, simplesmente apareceu na mesa da biblioteca... – respondeu Hermione – Enfim, esse livro é perfeito! Fala sobre tudo que possa imaginar de Artes das Trevas, inclusive Horcruxes.
– Vocês já sabem o que é e como se faz uma Horcrux, então vamos pular direto para a parte de como destruí-las. – continuou Sophie – De acordo com esse livro, há duas formas. A primeira é o remorso.
– Remorso?
– Voldemort teria que sentir remorso verdadeiramente por todos que matou para só então conseguir “juntar” os pedaços da Horcrux, de um modo extremamente dolorido, claro. – explicou Mary – Mas isso é improvável, então nos resta a segunda opção: precisamos de algo tão destrutivo que nem mesmo uma Horcrux possa reparar-se.
– Veneno de basilisco só tem um antídoto e é raro: lágrimas de fênix... – continuou Hermione – Por isso o Harry conseguiu destruir o diário de Tom Riddle no segundo ano, porque ele usou uma das presas do basilisco impregnada de veneno.
– E como vamos conseguir veneno de basilisco? – perguntou Rony — Eu duvido que exista outra cobra gigante no subsolo do castelo...
– A espada de Godric Gryffindor que o Harry usou para matar o basilisco. – respondeu Hermione – O metal da espada é muito poderoso e, uma vez com o veneno, não sairá tão cedo... Se conseguirmos pegá-la, podemos destruir as Horcruxes.
– Certo... Sabemos como destruí-las, mas como vamos encontrá-las? – perguntou Harry.
– É aí que vem a pior parte... Nesse mesmo livro há um conto muito antigo com a receita de uma poção extremamente rara. – continuou Sophie – Essa poção, se preparada corretamente, é capaz de localizar qualquer coisa, desde simples cadernos à objetos carregados de Magia Negra, só precisamos dar a ela uma direção. No nosso caso, Horcruxes. Hermione, Mary e eu pesquisamos sobre ela e pegamos tudo que era necessário, então já está pronta... Só falta um ingrediente extremamente importante, a direção. – disse erguendo um pequeno frasco transparente com um líquido esverdeado que, aos meus olhos, dançavam e me convidavam.
– Como funciona? – perguntou Vitor pela primeira vez.
– Então... Nós não podemos simplesmente derramá-la em uma “bússola” e deixar que ela nos indique o caminho certo... Só há um jeito de fazer isso... – disse Hermione cautelosa, encarando-me.
– O que estão me olhando?
– Violet, o que pode ser tão destrutivo quando veneno de basilisco e é tão raro quanto?
Oh droga...
– Magia Negra. – respondeu a loira. – Você é uma das únicas pessoas que possui essa magia no sangue, você nasceu com ela e já tivemos provas do quão perigosa pode ser...
– Certo... – hesitei — E o que eu teria que fazer?
– Primeiro, precisamos do ingrediente final da poção... Uma amostra do que estamos procurando.
– Algo com magia negra. – completou Mary encarando-me – Você teria que descarregá-la nesse frasco... Sem varinha. Você já fez muitas vezes Violet, só precisa se concentrar...
– E não é perigoso? – perguntou Vitor — O que aconteceria com ela?
– Perigoso sempre é, mas como ela já tem essa magia dentro dela será muito mais fácil... – explicou Hermione. – O máximo que pode acontecer é o mesmo da época do colar enfeitiçado de Hogsmead...
– Não. – recusou Harry imediatamente – Eu vi como ela ficou daquela vez, sem chance...
– Eu faço. – interrompi.
– Violet, é perigoso! Da última vez você ficou desacordada por dias!
– Eu sei Harry, mas é nossa única chance! – rebati – Não podemos perder tempo com essas preocupações bobas! Além do mais, eu já fiz isso...
– Quando? – desafiou.
– Alessa, depois que foi atacada pelo Greyback, o que os médicos disseram quando você acordou?
– Eles disseram que foi um milagre eu responder às medicações trouxas... Por quê? – respondeu desconfiada.
– Porque as medicações nunca fizeram efeito. – respondi – Há anos atrás, séculos, as pessoas com Magia Negra não eram apenas os bruxos das trevas, ma curandeiros. Eles simplesmente liberavam a energia que tinham para a pessoa doente e ela acordava.
– Você...
– Eu fiz isso. – assumi – Você só acordou porque eu transferi grande parte da minha energia para você usando magia negra. Por isso eu fiquei quase uma semana desacordada, era a primeira vez que eu tinha feito aquilo e eu precisei me esforçar muito para conseguir te alcançar... – falei – Se eu consegui trazê-la de volta, posso muito bem fazer de novo... E nem precisa de muito esforço...
– Você tem certeza? – perguntou Harry, ainda contrariado, enquanto os demais ficaram em silêncio com a minha revelação.
– Eu sei que posso fazer isso Harry... Apenas confie. – pedi e, após relutar, todos acabaram concordando.
– Certo... Você prefere fazer isso amanhã?
– Não, faremos agora. – recusei ajeitando-me no chão.
– Tudo bem... – suspirou Sophie – Mas alguém tem que ficar atrás de você, caso desmaie ou algo assim...
Logo que Vitor colocou-me encostada em seu peito, Sophie pegou o frasco que estava com Hermione e me entregou. Segundo ela, eu deveria agitá-lo um pouco e então descarregar magia em direção ao líquido esverdeado. Fácil. Certo?
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