Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)
34 Capítulo 33 - The Happiest Man
CAPÍTULO 33 – THE HAPPIEST MAN
“O homem mais feliz”
– NARRAÇÃO –
Sirius correu escada acima e assim que abriu a porta do quarto que dividia com Jullie, viu a ruiva deitada de lado na cama, abraçada à um travesseiro e com o rosto úmido. Ele não suportava vê-la chorar. Logo que trancou a porta do quarto, aproximou-se calmamente e deitou ao lado da ruiva, uma das mãos sustentando a cabeça enquanto a outra abraçava a noiva pela cintura.
– Eu sempre fui igual ao papai... – começou ela, já sabendo o que Sirius queria – Centrada, reservada, inteligente... Ele era advogado e todos os amigos o respeitavam, eu queria tanto ser como ele! Deixá-lo orgulhoso! – sorriu – Mas nós nunca nos divertíamos muito, ele trabalhava o dia todo, eu lia meus livros e mamãe saía fazer compras ou lia histórias para mim. E então ela engravidou de novo. Eu fiquei feliz, é claro, teria uma irmã para brincar! Quando Jackelinne nasceu, nós percebemos que ela não tinha nada em comum comigo ou com o papai, era exatamente uma cópia da mamãe e de toda a família dela, ou seja, extrovertida ao extremo. Jack deu muito trabalho à noite e chorava tão alto que realmente doíam os ouvidos, mas mesmo assim nós amávamos a ruivinha de olhos azuis.
Sirius prestava atenção em tudo atentamente, não queria perder uma palavra sequer da história de vida de Julianne.
– Ela bagunçava tanto a casa que todos comentavam a diferença entre nós duas. – continuou ela – A primeira vez que eu vi meu pai brincar de verdade foi quando ela tinha cinco anos e mostrou um brinquedo à mamãe. Ele nunca havia brincado comigo daquela forma, mas eu entendia... Nós dois éramos reservados, então não tinha muita diversão entre nós. – disse colocando uma das mãos sobre a de Sirius, que descansava em seu ventre. – Por ela ser a mais nova, tinha todas as atenções em qualquer lugar que fôssemos, e sempre que eu ganhava alguma coisa, ela queria também. Até ai tudo bem, afinal, a irmã mais nova tende a imitar a mais velha. Eu nunca me importei com isso, até gostava de saber que ela queria ser como eu, que me via como um exemplo. Apesar das diferenças éramos tão unidas!
– Mas? – adivinhou ele.
– Mas, foram justamente essas diferenças que causavam brigas constantes... – completou – Jack sempre teve tudo que queria, então quando eu negava alguma coisa ela já ficava emburrada e chorava. Sempre gostou de chamar atenção e fazia tudo que fosse preciso para isso... Ela escolheu ir para Beauxbatons porque apenas as garotas ricas e importantes iam para lá. Todo mês nossos pais tinham que ir para alguma reunião, ou ela machucava alguém, ou ofendia ou aprontava alguma brincadeira de mau gosto. Jack sempre foi infantil e usava os olhos claros pidões para conseguir o que quisesse.
– Para você isso deve ter sido terrível...
– E foi. – concordou brincando com os dedos do noivo – Nossos pais trabalhavam sempre e lembro que uma vez eles não puderam nos levar para casa no natal, então Jack foi para Hogwarts para ficar comigo. É claro que ela já deu um jeito de chamar atenção para si mesma. Com o sorrisinho inocente ela conseguiu conquistar todos os meus amigos e até me ignorava às vezes, jogando na minha cara o quão chata e antiquada que eu era.
– Você não é antiquada... – sussurrou no ouvido dela, que sorriu.
– Aquele foi o pior natal da minha vida. Ela precisava provar que era legal e a melhor forma de fazer isso, na opinião dela, ela aprontar alguma coisa comigo. – disse mais séria – Ela colocou cola no banco do Salão Principal e me fez sentar ali sem perceber. Quando fui levantar não consegui e fiquei grudada no banco, ela começou a gargalhar e todos que estavam ali acompanharam. Foi a maior humilhação que já passei na escola. Sabe o que meus pais disseram? “Ela é apenas uma criança Jullie, não se preocupe”. Eles nunca a repreenderam, era a bonequinha de porcelana deles enquanto eu tinha que ser...
– A responsável. – completou Sirius, imaginando o que a ruiva já tinha passado com a irmã.
– Mas eu realmente nunca liguei, não era de guardar mágoas e sempre a perdoava. Era uma criança afinal. – continuou – Eu estava no último ano quando conheci o Jonathan, ele era encantador e, assim como eu, sério, recatado, responsável. Ele era nascido trouxa, mas também filho de um dos maiores milionários do mundo não bruxo. Nos dávamos bem, tínhamos os mesmos interesses e, logo depois da formatura, começamos uma amizade forte que, anos depois, se tornou namoro.
Sirius não ficou confortável de ouvir sobre o ex-namorado de Jullie, mas conteve seu ciúme.
– Eu nunca o apresentei à minha família e só fiz quando Alessa já tinha seus dois ou três anos. Éramos noivos e íamos nos casar em breve. – disse a ruiva recordando o passado – Jack estava viajando e voltou naquele dia para conhecer meu noivo, mas é claro que ela não havia mudado. Assim que o viu soltou seu sorrisinho sedutor e perguntou a mesma coisa que perguntou para você mais cedo... “Você tem algum irmão Jonathan? Eu bem que queria um milionário desses para mim”. Ela flertava com ele descaradamente e eu era tão cega que não percebia. – completou fechando os olhos – Faltava um mês para o casamento quando Jonathan veio falar comigo e terminou tudo. Ele disse que não íamos dar certo e que ele havia se apaixonado por outra mulher, que ela estava grávida e ele pretendia assumir.
– Que canalha!
– A pior parte veio no dia seguinte. – continuou – Na geladeira tinha um bilhete da Jack. Ela dizia que ia embora, que estava grávida e ia se casar. Com o Jonathan. – disse engolindo o choro – Eu fiquei tão mal de saber que minha própria irmã tinha dormido com meu noivo e engravidado! Eles teriam um filho juntos e me abandonaram sem qualquer explicação! Eu chorei tanto nas noites seguintes que a Alessa, ainda tão pequena, ouvia e ia ficar comigo... Ela foi a única que me viu chorar.
– Por isso que são tão unidas?
– Acho que sim... – respondeu – Jackelinne mandava cartas todos os meses contando como era boa a vida de casada, que o marido dava tudo que ela precisava, o quanto a barriga crescia e muitos outros detalhes da vida deles. Ela foi tão insensível! – murmurou — Mas foi então que percebi que não sentia falta do Jonathan e que nunca doeu pensar nele com outra mulher, apenas machucava o fato de essa mulher ter sido minha própria irmã. Acho que eu caí na realidade e descobri que nós nunca nos amamos, estávamos apenas... Acostumados. Então eu a perdoei e desejei que aquele casamento desse certo, para os dois e para a criança.
– Mesmo roubando seu noivo ela teve a coragem de te mandar cartas contando como ele era?
– Talvez estivesse se vangloriando de finalmente ter algo que eu nunca teria. Quando Eva completou um ano Jack mandou uma carta dizendo que ela e Jonathan ia se divorciar porque não combinavam e estavam sempre brigando. Ela era irritantemente infantil e Jonathan só descobriu depois do casamento, obviamente não aguentou e a deixou.
– Ela voltou para casa de vocês?
– Não. Ela disse que tinha gostado de viver no Canadá e que ia ficar por lá. Jack nunca foi muito adepta à magia e adorava as noites canadenses. Eva foi criada por uma babá.
– E você?
– Meus pais perceberam o erro que cometeram na educação da Jackelinne e fizeram diferente com a Alessa. Ally era bagunceira sim, mas também muito educada e sabia quais eram os limites, nunca foi mimada ou infantil. — sorriu – Eu me formei e finalmente comecei a trabalhar no Ministério como assistente do meu pai, ele estava orgulhoso de mim e sempre dizia isso antes de voltarmos para casa. Mas então ele e a mamãe foram viajar para o mundo trouxa e sofreram um acidente... O trem em que estavam saiu dos trilhos, colidiu com um tanque de combustíveis e explodiu.
– Eu sinto muito...
– Eu tentei entrar em contato com a Jack e até deixei um recado com a babá, mas ela nunca apareceu para o enterro. – falou enquanto lágrimas caiam freneticamente e Sirius a abraçava ternamente – Então eu fiquei com a guarda definitiva da Alessa e assumi os negócios do meu pai. Eu nunca mais me relacionei com ninguém, tanto pelo medo de ser trocada de novo quanto para poder ter tempo para a Alessa... Ela era tão pequena...
– Jackelinne nunca mais apareceu?
– Nós mantivemos contato, ela mandou cartas se desculpando, dizendo o quanto estava triste e que só recebeu o recado semanas depois no funeral... Eu nunca acreditei, é claro.
– Se vocês estavam tão separadas, por que a convidou para ser nossa madrinha?
– Porque eu realmente acreditei que, com a maternidade, Jack havia mudado... Pensei que tinha crescido e se tornado responsável. Mas estava errada. – disse fechando os olhos enquanto Sirius beijava sua bochecha – Ela mal chegou e já deu seu sorrisinho sedutor para o meu noivo, fez com você exatamente a mesma coisa que com Jonathan, há anos atrás.
– Eu não sou como ele.
– Eu sei... Mas é que, de certa forma, estou com medo... – admitiu – Ela é muito mais divertida que eu, mais jovem e extrovertida. Ela sabe como seduzir um homem e já fez isso antes. Vocês são tão parecidos! Se ela fosse para Hogwarts certamente teria sido uma marota como você, talvez da mesma turma e da mesma casa... Nós somos totalmente diferentes Sirius, nós...
– Jullie, para... – interrompeu ele virando-a de costas na cama e acariciando as bochechas levemente rosadas, úmidas pelas lágrimas que caiam. – Eu não vou te deixar, não vou fazer a mesma coisa que aquele idiota do Jonathan fez! Somos diferentes sim, mas isso é bom!
– Bom?
– O que eu não tenho, você tem... E o que você não tem eu tenho. – respondeu sorrindo –Todos os dias descubro alguma coisa nova sobre você, seu passado... Seu corpo. – completou maliciosamente, fazendo-a rir – Viu? Eu amo esse sorriso, ele nunca é igual e isso me deixa louco de curiosidade para redescobrir cada coisinha.
– Você realmente não existe... – sorriu levando a mão direita para os cachos negros que caiam sobre o rosto de Sirius.
– Eu nunca te trocaria por outra mulher e muito menos por sua irmã... Ela pode cair aos meus pés, mas a única ruiva que consegue me colocar numa coleira e você. – garantiu – E isso nunca vai mudar.
– Eu te amo Sirius... – sorriu.
– E eu amo você. – respondeu aproximando os rostos e logo colando seus lábios nos da ruiva, que rapidamente o abraçou pelo pescoço. – É verdade o que ela disse? – perguntou depois de se separarem. – Está grávida?
– Ah, isso... – sussurrou encarando os profundos olhos negros à sua frente – Eu ia te contar no dia do casamento, mas parece que ela conseguiu estragar a surpresa...
– Você está grávida mesmo?! – surpreendeu-se, descendo os olhos e uma das mãos ao ventre da ruiva.
– Nós teremos um filho Sirius... – confirmou sorrindo.
Sirius não sabia se ria do quão inacreditável que era a ideia de ele ser pai ou se chorava de emoção. Jullie, por sua vez, ficou preocupada com o silêncio do noivo e seus olhos fixos no ventre que mal aparentava o volume de uma gravidez.
– Sirius... Você está bem? – perguntou ao perceber que Sirius estava pálido.
– Eu... Nós... Você... – tentou ele, mas não conseguia formar uma frase digna — ...pai?
– Se eu soubesse que você ficaria assim não teria contado... – disse preocupada – Sirius? Sirius, por Merlin, fale alguma coisa!
– Eu... Eu serei... Pai? – perguntou levantando os olhos e encarando os castanhos esverdeados de Jullie.
– Sim... – respondeu calmamente.
– Eu... Merlin, eu... – sussurrou, porém, a vertigem foi mais forte e logo Sirius desmaiou.
– Ah, que ótimo... Grande homem você é hein? – ironizou Jullie, porém, preocupada. – Sirius? Sirius!
Jullie tentou acordá-lo, mas nada parecia fazer efeito. Quando tentou uma última vez, Sirius levantou assustado, desequilibrou-se e caiu de costas no chão, levando Jullie junto.
– Sirius Black! – exclamou ela irritada – Seu... Seu cachorro sem vergonha! – disse batendo em seu peito levemente enquanto Sirius tentava segurá-la com as mãos.
– Ai, para ruiva! – pediu se divertindo com a expressão irritada da mulher. – Ai, não precisa fazer isso!
– Não precisa?! Eu acabei de te contar que estou grávida e você simplesmente desmaia?! – exclamou tentando se levantar, porém, Sirius foi mais rápido e virou-a contra o chão, prendendo seus braços acima da cabeça.
– Você me surpreendeu ruiva... Ai, para de me bater! – falou prendendo as pernas da mulher, que se debatia no chão.
– Você merece!
– E sabe o que você merece? – disse com um sorriso bobo nos lábios
– Alguém que não desmaie quando eu disser algo importante? – ironizou.
– Também... Mas merece todos os presentes que existem! – exclamou rindo — Você acabou de me tornar o homem mais feliz do mundo! Merlin, um filho! E com você! Eu te amo tanto Julianne Chambers, que se pudesse me casava com você amanhã mesmo!
– Seu cachorro! Tem ideia do susto que me deu? Pensei que ia ter um infarto e que não estava feliz com a notícia!
– Como eu poderia não estar feliz? – rebateu sorrindo – Vou ter um filho com a mulher mais incrível do mundo! Uma ruiva fogosa que...
– Para com isso! – interrompeu rindo e ficando instantaneamente vermelha com o comentário que quase teve que ouvir. – Ainda bem que eu não deixei para contar no dia do casamento, eu ia acabar ficando sem meu noivo e você iria desmaiar na frente de todo mundo... Sabe a vergonha que eu passaria?
– Seria interessante ver a sua cara depois...
– Seria interessante ver a marca da minha mão na sua cara depois que acordasse! – rebateu rindo.
– Vê? Você é incrível Jullie... – disse mais sério – Eu te amo e juro que você não vai se livrar de mim tão cedo depois de assinar os papeis do casamento...
– Eu sei... E mal posso esperar. – concordou sorrindo antes de sentir seus lábios serem capturados pelos de Sirius, que apertou sua cintura e beijou toda a extensão de seu pescoço repetidas vezes. Eles nunca se cansariam daquela sensação de primeira vez e do calor que preenchia seus corações a cada beijo ou abraço.
Enquanto Sirius e Julianne comemoravam a vinda do novo herdeiro, Violet e Vitor conversavam no quarto da garota.
– Dumbledore descobriu um jeito de derrotar Voldemort.
– Isso é incrível!
– Em teoria, sim... O problema é que será muito trabalhoso.
– O que quer dizer?
– Você sabe o que é uma Horcrux?
– Sei.
– São... sabe?
– Karkaroff era adepto à magia das trevas.
– Ótimo, me pouca meia explicação. – suspirou – E se eu dissesse que Voldemort criou Horcruxes?
– Ele conseguiu? – surpreendeu-se.
– Dumbledore descobriu que Voldemort criou sete Horcruxes.
– Merlin... Para criar uma Horcrux já é preciso um grande nível de maldade, mas sete? Isso chega a ser inacreditável!
– Eu sei, mas é verdade. – continuou Violet – Por isso eu sumi com o Harry por dois meses, Dumbledore nos mandou em uma missão para recuperar uma das Horcruxes.
– Espera, você e seu irmão se aventuraram em sabe-se lá onde para pegar um pedaço da alma do Lord das Trevas, colocando-se em perigo?! Estava louca? E que tipo de missão foi essa?
– Dumbledore descobriu quais são seis das Horcrux, sendo que uma já foi destruída. Eu e Harry viajamos porque eu era a única que conseguiria pegar a próxima Horcrux sem que ninguém soubesse! – insistiu – Ele nos mandou para 1974, quando o anel da família Gaunt estava em posse de Bellatrix Black.
– 1974? Bellatrix? Violet, o que aconteceu? – perguntou ainda mais preocupado e, com um suspiro, ouviu atentamente cada palavra da namorada.
Violet contou tudo, desde os detalhes mais insignificantes até quando finalmente conseguiu pegar o anel. Explicou quais eram as outras Horcrux e também confessou que Harry e Dumbledore foram atrás do medalhão quando o diretor foi morto.
– Por que não contou tudo isso para a Ordem? Nós podemos ajudar a encontrar essas Horcruxes e destruí-las!
– Não, não podem! – discordou – Apenas duas pessoas podem encontrar e destruir essas Horcruxes, e só uma delas pode derrotar Voldemort. Eu sou a escolhida Vitor, preciso fazer isso...
– Não, não precisa! Pelo menos não sozinha! – rebateu segurando suas mãos – Violet, isso é perigoso... Você ainda é muito nova e Voldemort está cada vez mais poderoso! Não é como se você saísse na rua e encontrasse por acaso alguma Horcrux! Ele vai descobrir e virá atrás de você!
– Eu sei, e é por isso que vou embora com o Harry, nós vamos procurar as Horcruxes juntos e vamos destruí-las, mas não podemos deixar que as pessoas que amamos se envolvam nisso... Vamos sozinhos, e se algo acontecer, pelo menos vocês ainda terão uma chance e...
– Violet, você tem ideia do que está falando? – disse incrédulo – Não, eu não vou deixar você fazer isso, é suicídio! – exclamou levantando-se.
– Você não é meu pai para dizer se posso ou não fazer! – disse ela explodindo, levantando-se também.
– Não é questão de ser ou não seu pai! Violet, você de novo vai assumir tudo sozinha quando inúmeras pessoas podem te ajudar! Essas Horcruxes são feitas por Magia Negra!
– Eu tenho Magia Negra no sangue!
– Você... O quê? – surpreendeu-se.
– De tempos em tempos um bruxo aleatório nasce com Magia Negra no sangue... Bem, eu sou o bruxo aleatório dessa vez. Por isso que a profecia me envolve! Minha Magia é a única que pode bater de frente com a de Voldemort e que tem chances de sobreviver! – exclamou nervosa, ela sabia que Vitor não gostaria da “novidade”, mas não imaginava que ele seria tão possessivo a ponto de proibi-la — Sei que posso localizar essas Horcruxes e sei que vou destruí-las! Voldemort vai pagar por cada lágrima que eu soltei e por cada morte que foi responsável!
– Violet, você está mergulhando num sentimento de vingança... – começou ele mais calmo.
– Não, apenas quero justiça. – rebateu ela – Snape uma vez me disse que a Magia Negra dentro de mim era poderosa e que, quando eu me descontrolasse, sentiria um desejo imenso de ver alguém sofrer... Ele estava certo. Todas as vezes que eu me descontrolei quase matei alguém e senti vontade de trucidar Voldemort, de fazê-lo sofrer por cada coisa ruim que causou na minha vida e fazê-lo se arrepender! Da próxima vez que nos encontrarmos eu juro que não vou me segurar...
– Seus olhos... – disse ele ao observar a coloração azul safira escurecer para um azul petróleo, quase negro.
Violet entendeu rapidamente o que estava acontecendo e fechou os olhos numa tentativa de se acalmar. Respirou fundo e, quando tornou a abri-los, viu Vitor ainda parado à sua frente, nenhum sinal de medo ou pavor.
– Desculpe, isso acontece às vezes... – disse mais calma.
– Violet, eu não estou tentando te controlar... – falou segurando seu rosto entre as mãos carinhosamente – Só não quero que se coloque em perigo, não suporto a ideia de você solta no mundo, sozinha e na mira de comensais impiedosos... Só de imaginar essa hipótese eu fico louco!
– Eu sei que é perigoso Vitor, mas eu preciso ir... – murmurou deixando lágrimas caírem de seus olhos – Devo isso à Dumbledore e ao mundo bruxo... E acima de tudo, devo isso à mim.
– Você não vai s...
– Vitor, por favor, não conta isso para ninguém... – interrompeu — Se o Alastor descobrir vai me trancar nessa casa até acabar a guerra!
– Me deixe terminar Violet – pediu ele – E eu não vou contar para ninguém.
– Então?
– Vou com você.
– Não.
– Lembra o que eu te disse quando começamos a namorar? Eu vou até o fim do mundo por você! – repetiu sorrindo. – Acho que as Horcruxes não estão no fim do mundo ainda não é? – debochou.
– Não, acho que não...
– Quando partimos?
– Eu combinei com as meninas e com o Harry de irmos durante a festa de casamento da Fleur. É a distração perfeita e eles só vão descobrir que desaparecemos quando estivermos longe.
– E para onde vamos?
Violet encarou-o profundamente, ainda não acreditando na grande sorte que tinha por conhecer as melhores pessoas do mundo! Vitor a olhava com tanto amor que ela finalmente convenceu-se de que ele falava sério quando disse que iria até o fim do mundo.
– Eu não estou sonhando? – perguntou acariciando o rosto de Vitor, que sorria – Você vai mesmo?
– Não vou te deixar sozinha Violet, nunca.
– Eu te amo tanto... – admitiu emocionada.
– Eu também te amo. – respondeu ele, porém, antes que pudesse selar aquele momento com um beijo de tirar o fôlego, ambos foram despertados pelos gritos de Sirius no andar de baixo. – O que está acontecendo?
– Não sei, mas tratando-se de Sirius Black é melhor irmos ver... – riu ela segurando a mão do namorado e seguindo até a porta para logo depois descer as escadas enquanto Sirius estava parado no meio da sala.
A ordem ainda não tinha ido embora e todos da casa estavam ali, esperando por alguma notícia que o Black daria. Jackelinne estava em pé ao lado da porta de seu quarto, e mesmo no andar de cima, conseguia ver claramente o rosto dos noivos.
– Bem, já que estão todos aqui, preciso dar dois recados importantes. – continuou Sirius seriamente. – Primeiro... Muitos de vocês não sabem, MAS, este cachorro solitário aqui ganhou uma coleira vermelha que ninguém mais pode tirar... – sorriu, deixando Jullie ainda mais vermelha. – Palmas para a noiva mais linda e incrível desse mundo: Julianne Chambers, minha querida futura Sra Black!
– Eu não acredito que ele está fazendo isso... – sussurrou Jullie estática enquanto todos batiam palmas e sorriam abertamente, uns mais animados que outros.
– Vamos Jullie, vem até aqui!
– Não, você não vai fazer isso comigo... – disse a ruiva recuando, porém, Tonks a empurrou de volta assim que ameaçou fugir.
– Vamos ruivinha, não é tão ruim assim... – sorriu Sirius abraçando-a pela cintura e roubando-lhe um selinho – Quero convidar todos vocês para nosso casamento daqui a uma semana.
– Casamento?! – surpreendeu-se Catherine – Sirius Black e casamento na mesma frase?
– Poxa, ninguém acredita em mim... Isso cansa sabiam?
– A culpa é inteiramente sua, Almofadinhas. – debochou Remo, abraçado à uma Tonks sorridente de cabelo rosa chiclete.
– Continuando... Essa mulher aqui ao meu lado me fez o homem mais feliz da face da Terra minutos atrás, e mesmo sabendo o que muitos de vocês vão dizer, eu preciso contar!
– Sirius... – tentou Jullie, nervosa e ainda vermelha, ela nunca tivera tanta atenção como naquele momento, e odiava isso.
– Senhoras e senhores, moços e moças... Pessoas... e Moody... – debochou sorrindo – Não sabem a felicidade que eu tenho de anunciar que a árvore genealógica da família Black terá dois maravilhosos acréscimos...
– Jullie, você... – começou Tonks surpresa.
– Sim! Eu estou grávida e muito em breve Sirius será pai! Pronto, falei. – exclamou Jullie, surpreendendo a todos que estavam ali.
Jackelinne observava com os olhos marejados enquanto sua irmã era tirada do chão pelo noivo e beijada apaixonadamente, seguido pela salva de palmas e abraços que a felicitavam pelo casamento e a gravidez.
Pela primeira vez Jack sentiu-se culpada por tudo que já fez com sua irmã mais velha e desejou ser uma pessoa melhor... Julianne merecia tudo de bom que existisse, e Jackelinne não via onde se encaixava nessa nova vida.
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