Notas iniciais
Sabem, eu não gosto de pedir favoritos e recomendações porque penso que cada um deve favoritar e recomendar o que gosta, de livre e espontânea vontade... Fico tão feliz quando isso acontece! Sinal de que estou agradando... ^^ Obrigada Ludbella18!

CAPÍTULO 20 – DANGEROUS

“Perigoso”

– VIOLET – FEVEREIRO DE 1974 -

Fiquei longos minutos no banheiro... A água era tão boa que me esqueci completamente de onde estava e até mesmo esperei que Alessa invadisse o lugar a qualquer momento. Mas obviamente isso não aconteceu, eu estava no passado e no mesmo quarto que as irmãs Black, sendo duas delas minhas “tias” e a mais velha minha “mãe”.

Olhei para a foto que Andrômeda me dera minutos antes e encarei o anel de opala negra. Se aquele era realmente o símbolo dos Black e pertenceu à Druella Rosier Black, por que NB havia me dado de aniversário?

– O que eu tenho a ver com Bellatrix, Andrômeda e Narcissa Black? – revoltei-me, porém, assim que percebi o que havia dito, arregalei os olhos – Narcissa Black! NB!

NB só poderia ser Narcissa Black, mas mesmo assim não fazia sentido. Narcissa era esposa de Lucio Malfoy, um comensal! Por que mandaria bilhetes a mim com informações importantes e arriscaria o casamento perfeito?

“É seu por direito — NB”

“Normalmente o símbolo dos Black é passado para os filhos mais velhos, sendo que apenas os homens são enterrados com o anel. – explicou – Quando minha mãe morrer, seu anel será passado para Bellatrix, que consequentemente deve passar para seu primogênito, e eu posso apostar que é você. Os outros filhos ganham anéis mais simples quando nascem, como o meu...”

– Se era da mãe da Bellatrix, e ela é minha “mãe”... Então o anel pertence à mim. – concluí – Mas não faz sentido! Ela nem me considera sua filha! E duvido muito que Narcissa Malfoy vá contra a ideologia do marido para ajudar uma suposta sobrinha... Deve ter outra explicação...

Assim que terminei o banho e voltei para o quarto, percebi que algo negro repousava sobre minha cama. Aproximei-me e então vi que se tratava de uma camisola longa de renda e um robe, ambos extremamente luxuosos. Deduzi ser de Andrômeda, já que Bellatrix e Narcissa jamais dariam algo seu para uma desconhecida.

Logo vesti a camisola e me deitei, deixando o colar de minha avó sobre a pequena cômoda e o vestido que usei à tarde sobre a cadeira. Eu queria mais que tudo descansar, mas aquela noite não foi bem assim.

Alessa estava à minha frente, ela sorria docemente e me chamava com o polegar repetidas vezes. Vozes infantis soavam e risadas eram ouvidas. Quando dei um passo à frente a imagem da ruiva foi se esvoaçando e logo desapareceu. Vi-me então num longo corredor em tom de bege escuro, o papel de parede estava todo rasgado, o chão completamente tomado pela poeira e diversos móveis quebrados jogados pelo caminho. Dei dois passos e as luzes se apagaram totalmente, restando apenas um pequeno feixe luminoso no final do corredor.

A expressão “há sempre uma luz no fim do túnel” nunca me pareceu tão verdadeira.

Um frio percorreu minha espinha e senti um vulto passar por mim, mãos geladas tocavam de relance minha pele, o som de galhos tocando as janelas e trovões rompendo os céus deixava a atmosfera ainda mais assustadora. Recuei três passos assim que a luz do fim do corredor se apagou e corri. Corri o mais rápido que pude, porém, nunca parecia ser suficiente.

– Eileen... – sussurrava alguém ao meu ouvido.

Virei-me rapidamente, porém, não havia ninguém ali. Recuei dois passos e senti mãos frias segurarem meus braços. Tentei me soltar, porém, os risos de um homem infiltravam-se em meus ouvidos enquanto algo liso cortou levemente meu braço.

E então gritei, gritei por ajuda e implorei que parassem, e foi nesse momento um homem apareceu, meu captor. Ele não passava dos quarenta anos, seus olhos eram esverdeados e a pele pálida contrastava com os cabelos castanhos. Se eu não estivesse assustada poderia considerá-lo bonito. Novamente tentei me soltar, mas ele era forte e parecia intrigado.

– Me solta... – pedi com lágrimas nos olhos, o que aparentemente o deixou ainda mais confuso.

– Você não é Eileen Prince... — sussurrou passando as pontas dos dedos frios como os de um reptil sobre meu rosto. Quem...é...você?

Eu estava assustada e tentei novamente me soltar, e dessa vez consegui. Empurrei-o com todas as minhas forças e, para minha surpresa, ele foi lançado para o fim do corredor. E então corri. Tropecei nos móveis várias vezes ao longo do caminho, o corredor não parecia ter fim.

– Ninguém foge de Lord Voldemort!

Fiquei estática com aquelas palavras e finalmente voltei meu rosto para trás, vendo o mesmo homem me encarando com uma varinha de ossos em suas mãos, apontada em minha direção.

Voldemort...

Aquele era Lord Voldemort do passado!

Mas como ele...

– Crucio!!

Um raio verde saiu de sua varinha e atingiu-me no peito, fazendo-me arquear o corpo e cair de joelhos no chão, que percebi estar úmido. A dor era horrível e cada vez mais eu gritava... As piores lembranças possíveis vieram à minha mente, como mil agulhas perfurando minha pele. Reunindo todas as forças que ainda tinha, levantei minha mão e, novamente usando magia negra, consegui criar um escudo ao meu redor, dando-me a chance de me recuperar.

Segundos depois senti as mesmas mãos frias em meu pescoço enquanto meu corpo foi bruscamente jogado contra a parede. Voldemort estava claramente furioso e apertava cada vez mais forte meu pescoço, tentei me soltar, mas era praticamente impossível.

– M-me s-so-olta... P-p-por fa-av-vor... – pedi fechando os olhos.

Eu tinha certeza que não sairia viva dalí.

– NARRAÇÃO —

– Façam alguma coisa, pelo amor de Merlin, eu quero dormir! – exclamou Bellatrix irritada enquanto Narcissa e Andrômeda sacudiam a menina.

– Violet!!! – gritou Andy sacudindo-a fortemente.

NÃO!– Violet arfou e sentou-se bruscamente na cama.

Suas mãos estavam trêmulas e a pele em chamas. A garota estava confusa e mal conseguia respirar, seus olhos então percorreram o quarto e perceberam as duas Black mais novas a encarando, porém, ambas recuaram assustadas.

– Bella, veja isso... – pediu Narcissa levantando-se e engolindo em seco.

Violet passava as mãos no cabelo e dizia repetidas vezes algo indescritível, e quando Bellatrix se aproximou percebeu do que a irmã falava. A garota estava extremamente pálida e com profundas olheiras, os olhos azuis estavam negros e apavorados, assim como as veias do pescoço saltadas.

– Ela está ardendo em febre... – murmurou Bella cuidadosamente colocando a palma de suas mãos sobre a testa da menina.

– Violet? Você está bem...? – perguntou Andrômeda.

A garota então pareceu despertar de seu transe e encarou Andrômeda, que estava claramente preocupada. Violet então percebeu o que aconteceu e levantou-se rapidamente de sua cama em direção ao banheiro, porém, sentiu uma pontada em seu braço e uma fraqueza repentina, apoiou-se no batente da porta e colocou a mão livre sobre o braço, sentindo-o úmido. Quando retirou a mão e percebeu que sangrava, Andrômeda já estava ao seu lado, encarando a mão avermelhada.

– Você está sangrando! – espantou-se.

– E-eu... Não é nada... Estou bem... – respondeu Violet com a voz rouca antes de trancar-se no banheiro.

– Violet! – gritou Andy do outro lado.

As irmãs Black ainda estavam em choque, porém, após esperarem por uma hora, decidiram deitar e fazer perguntas no dia seguinte. Nada tirava da cabeça de Bellatrix que aqueles eram os efeitos de Magia Negra, e ela estava disposta a descobrir.

Violet ficou extremamente assustada quando encarou-se no espelho e percebeu os olhos negros, a pele pálida e as veias saltadas. Ela sabia que aquilo era Magia Negra e que estava ficando cada vez pior, jogou água fria no rosto e no pescoço e logo depois lembrou-se do sangue. Tirou a camisola e viu um corte de aproximadamente 5 centímetros um pouco abaixo dos ombros, a origem do sangue. Limpou o lugar inúmeras vezes, porém, a mancha negra que formou-se ao redor do corte não saía de modo algum. Esfregou o braço desesperadamente numa tentativa falha de tirar aquela mancha, mas só servia para fazê-lo arder e sangrar ainda mais. Ela já estava cansada de chorar e, assim que deitou-se na banheira de água morna, finalmente relaxou por completo.

– VIOLET –

Isso é impossível... Como Voldemort conseguiu me encontrar mesmo no passado?!

Fiquei quase a noite toda trancada no banheiro e deitada no chão frio. Estava cansada e não conseguia raciocinar direito, mas não podia dormir, tinha medo de ter pesadelos com Voldemort novamente.

Quando a manhã chegou, lavei novamente o rosto e dei uma última conferida em meus olhos, que já haviam retornado ao normal, e finalmente deixei o banheiro. Olhei ao redor e percebi que as meninas ainda dormiam, o que facilitou para o meu lado. Vesti-me rapidamente com o uniforme que Dumbledore havia mandado e saí do Salão Comunal em direção ao Salão Principal.

Poucos alunos estavam presentes e entre eles Lillian, que encarou-me profundamente e sorriu, simplesmente a ignorei e caminhei até a mesa da Sonserina, onde Harry sentou-se segundos depois.

– O que aconteceu? Você está horrível...

– Não consegui dormir... – respondi com a voz levemente rouca – Ele invadiu minha mente ontem à noite... De alguma forma conseguiu me encontrar.

– Mas... Mas ele é do futuro! Até mesmo um bruxo poderoso como ele não consegue ultrapassar barreiras temporais! – murmurou abaixando o tom da voz.

– Eu não sei como, só sei que ele quase me matou em um sonho! – sussurrei assustada – E deixou um presentinho no meu ombro...

– O que quer dizer?

Virei-me para seu lado e abaixei a gola da camisa, que estava com os dois primeiros botões abertos, e revelei a mancha negra em meu ombro, que também carregava marcas avermelhadas de tanto esfregar.

– O que é isso?!

– Não sei! No sonho alguma coisa me cortou e quando acordei, estava sangrando... Depois que limpei percebi essa mancha e, por mais que eu tentasse, não consegui tirar...

– Isso é impossível... Tem certeza que não esbarrou em alguma coisa à noite e pensa que foi no sonho?

– Não sei, eu acordei com a Andrômeda me sacudindo, estava com febre... – respondi tentando tomar suco, porém, minha garganta estava ríspida, como se eu tivesse gritado a noite toda. – Eu estou com medo Harry, e se o Voldemort daqui conseguiu me encontrar e, de alguma forma, fez isso comigo? E se isso acontecer de novo? E se ele encontrar você também?

– Hey, acalme-se... – pediu abraçando-a de lado ternamente – O que acha de falarmos com Dumbledore?

– Se eu falar sobre isso, terei que dizer tudo sobre o futuro, e não podemos fazer isso... – recusei deitando meu rosto em seu ombro. – Vou tentar fazer uma Poção do Sono sem Sonhos, quem sabe assim consigo dormir?

– Vai roubar os ingredientes do estoque da escola? Lembre-se que não é mais o seu pai que cuida dele... – riu.

– Eu sei, mas é o Slughorn. Ele não percebe nem se eu pegar debaixo de seu nariz...

– Tudo bem, mas tome cuidado... – respondeu – Precisamos encontrar aquilo logo para voltarmos, aí você poderá falar com Dumbledore.

– Tudo bem.

– Passa lá na mesa depois... – murmurou Harry beijando meu rosto.

– Até depois Harry... – sorri fracamente voltando minha atenção para o café da manhã, até que alguém sentou-se à minha frente.

– Será que eu posso saber o que esse bombom tá fazendo fora da caixa?

– Sirius Black! Sua fama realmente tem fundamento... – ri.

– Você também é famosa por aqui... Mas me responde, quando você caiu do céu, doeu muito?

– Não costumo cair da vassoura nos jogos de quadribol. – devolvi, fazendo com que os poucos sonserinos da mesa rissem.

– É, pelo jeito você é igual à Transfiguração...

– Ah é?

– Muito difícil! – exclamou — Escuta, você acredita em amor à primeira vista ou eu tenho que passar por aqui mais uma vez?

– Sabia que você é um tremendo de um cachorro?

– É... Já me disseram isso... – suspirou apoiando a cabeça com as mãos – Mas falando sério, seu pai é advogado? – perguntou sério.

– Não... – respondi desconfiada. – Por quê?

– Porque ele fez direito... – respondeu ele com um sorriso que eu poderia jurar que matou muitas garotas na escola.

– Merlin, eu não acredito que você disse isso... – falei incrédula, porém, sem conseguir esconder um sorriso. – Sério que essas cantadas funcionam com as meninas?

– Costumam dar certo... – respondeu dando de ombros – Eu tenho charme e um rostinho invejado por todos, ser engraçado geralmente me dá uns pontinhos à mais...

– Bem, você conseguiu alguns pontos comigo...

– Ah é? – falou com um sorriso malandro.

– Sim, pontos negativos.

– Ai, essa doeu... – reclamou colocando uma das mãos sobre o coração dramaticamente.

Pelo canto dos olhos pude perceber que muita gente prestava atenção na conversa, e foi nesse exato momento que a turminha do Malfoy e as meninas se aproximaram. Assim que Régulus viu Sirius ao meu lado, começou a rir e puxou Andrômeda junto.

– Se essas cantadas funcionam, algo está errado com as meninas da escola... – continuei.

– Então por isso que está aqui? Para me mostrar o caminho certo?

– Merlin, fica cada vez pior! – exclamei vendo Régulus cruzar os braços ao lado das primas logo atrás de Sirius.

– Tá, tudo bem... Não vou forçá-la a nada... – disse levantando as mãos em rendição — Pode ao menos me emprestar um pedaço de pergaminho e uma pena?

– Para quê?

– Para escrever à sua mãe e agradecê-la por te colocar no mundo... – piscou.

Bellatrix o encarava incrédula, e obviamente não aguentei ficar sem fazer brincadeiras.

– Bom, acho que não será necessário...

– E por que não? – perguntou confiante.

– Porque ela está atrás de você... – pisquei de volta.

Régulus então não aguentou e caiu na risada. Sirius sorriu novamente e levantou-se, porém, assim que viu Bellatrix o encarar com o olhar furioso, ficou pálido e perdeu o sorriso.

– Belinha!

– Vaza Sirius. – respondeu ela com a expressão de poucos amigos.

– Mas o espaço é público e livre... – falou com um sorriso malandro, porém, algo no olhar de Andrômeda me dizia que aquilo não daria certo.

– Minha varinha adora se libertar de vez em quando e estuporar certos idiotas. Além do mais, suas pulgas vão sujar a mesa...

– Ai... Assim machuca meu coração... – disse fazendo drama – Só me responde uma coisa. Você por acaso não cansa de ser uma ladra?

– Como é?

– Poxa Belinha, você roubou todo o brilho das estrelas e colocou nos olhos da sua filha, isso não se faz... – disse arrancando risos de todos que estavam por perto, menos Bellatrix, que o encarou como se tivesse vontade de trucidá-lo. – Foi bom te ver Belinha. – piscou afastando-se.

– Juro que um dia eu mato esse garoto... – reclamou Bellatrix.

– Então você ganhou um admirador querida Vi? – brincou Régulus sentando-se ao meu lado, assim como Andrômeda, que ficou na ponta da mesa.

– Não enche Reg... – murmurei sorrindo.

– Isso seria impossível, não tenho copo para encher.

– Andrômeda, me fala uma coisa, o humor é de família?

– No caso deles dois, sim, não sei quem é pior... – respondeu sorrindo, porém, logo encarou-me de uma forma estranha — Você está melhor? – murmurou – Eu... Nós ficamos preocupadas ontem...

– Ah, sim, obrigada. – respondi – E desculpe por acordá-las...

– Você está vermelha e algo me diz que não foi pelas cantadas ridículas do meu primo... – comentou colocando o pulso em meu rosto – Você está com febre!

– Febre? – perguntei surpresa verificando a temperatura da minha testa, e realmente, eu estava fervendo.

– É melhor ir à enfermaria...

– Não deve ser nada... Mas mesmo assim, obrigada Andrômeda – sorri levantando-me. Assim que dei o primeiro passo percebi o quão cansada estava, meu ombro doía e minha cabeça estava pesada.

Como posso me sentir tão ruim de um minuto para o outro?

Sorri levemente para Harry na outra mesa, que me encarou questionadoramente, e deixei o salão, porém, logo que virei o corredor que ia para a enfermaria, senti uma forte tontura e precisei me apoiar à parede.

Droga!

– Violet? – ouvi alguém me chamar, porém, tarde de mais. Minhas pernas fraquejaram e, no momento seguinte, desmaiei.

********************

– Srta. Black?

Tudo estava escuro e, lentamente, uma luz amarelada quebrava a escuridão. Abri os olhos vagarosamente e pouco a pouco percebi imagens tomando formas. Olhei ao redor e vi que estava na enfermaria, com Dumbledore e uma versão mais jovem de Madame Ponfrey ao lado da cama.

– Como eu cheguei aqui? – perguntei um pouco rouca.

– A Srta desmaiou enquanto vinha para cá e um dos alunos a trouxe... – explicou Ponfrey analisando meus olhos com uma lanterninha que eu podia jurar ser do mundo trouxa – Como a Srta está se sentindo?

– Cansada...

– O que aconteceu? Dumbledore disse que a Srta estava tão bem ontem.

– Eu não dormi a noite toda, tive pesadelos terríveis...

– E o corte em seu ombro?

– Eu... Eu não sei... – tentei fugir, porém, os olhos astutos do diretor perceberam.

– Srta. Black, a Srta sabe algo a respeito de Magia Negra? – perguntou ele calmamente, surpreendendo-me.

Eu não podia falar sobre o futuro, mas também não podia ignorar o que acontecera... Precisava falar com alguém e esse alguém era Dumbledore.

– Sim... – suspirei olhando para o teto – Sim, eu sei.

– Papoula, poderia nos deixar um momento, por favor?

– Claro, com licença. – assentiu a mulher deixando a enfermaria logo em seguida.

– Então... O que acha de me dizer a verdade?

O encarei profundamente e, após me convencer de que era o certo a se fazer, comecei a falar.

– Como eu disse em sua sala ontem, estamos prestes a entrar em guerra no futuro. – comecei — Voldemort será derrotado daqui a alguns anos por conta de uma profecia inacabada e marcará alguém como seu igual. Esse alguém será um bebê de cerca de um ano, o único que sobreviverá à Maldição da Morte. Alguns mais tarde, entretanto, o Lord das Trevas retornará ainda mais forte. – expliquei — Duas profecias foram feitas e, de acordo com elas, duas pessoas são capazes de derrotá-lo, sendo que apenas uma pode determinar o destino do mundo bruxo, levá-lo a glória eterna ou matá-lo definitivamente. “Aquele nascido no início do nono mês, fruto da traição e rejeição, nascido de grandes opostos.”

– Continue... – pediu repentinamente sério.

Eu. – falei – Nasci em 2 de setembro, minha mãe biológica é grifinória e traiu o noivo com meu pai, que é sonserino. Eu sou a escolhida e, por conta da profecia, tenho uma espécie de conexão com Voldemort... Ele quer que eu seja uma comensal e pra isso invade minha mente sempre que pode. Normalmente eu consigo evitar, mas à noite fico vulnerável e ele aproveita a oportunidade para me fazer ter pesadelos ou visões.

– A Srta disse que normalmente consegue evitar... Mas pelo que sei ainda é muito jovem para trancar a mente diante de alguém tão poderoso.

– Bellatrix me ensinou Oclumência desde que eu era pequena e quando conheci meu pai ele também me ajudou a aperfeiçoar algumas coisas. Mas como disse, à noite fico vulnerável. Pensei que estando no passado me livraria dessas invasões, mas estava errada. Ontem à noite Voldemort entrou na minha mente, era como se tivéssemos nos encontrado pessoalmente... Foi tão real!

– O que aconteceu nesse pesadelo?

– Ele estava tão diferente... Não sabia quem eu era, estava confuso e quando corri, tentou me matar... Ele me chamou de Eileen. – expliquei – Andrômeda me acordou à noite e então percebi que estava com febre e...

– Sim...?

– No sonho ele me feriu no ombro, quando acordei meu ombro estava sangrando. De alguma forma ele conseguiu fazer contato comigo e conseguiu me ferir fisicamente... Eu tentei tirar essa mancha negra da pele, mas não sai de jeito nenhum. – suspirei — E... Bom, acho que o senhor sabe que, de tempos em tempos, um bruxo aleatório nasce com Magia Negra em suas veias, certo?

– Sim, eu sei.

– Pois bem... Não sei se é por causa da profecia, da minha família ou uma tremenda coincidência, mas eu nasci com Magia Negra e ela está ficando cada vez mais forte, especialmente quando me descontrolo. Essa magia se concentra nas palmas das mãos, por isso usei luvas por um tempo, mas depois que eu consegui me acalmar melhor, não precisei mais...

– A Srta disse que um bebê derrotará Tom e sobreviverá à Maldição da Morte...

– Harry Potter.

– Seu irmão. – completou surpreso — Eu sinto muito por suas experiências, nenhuma criança deveria passar por isso.

– Não sinta, elas serviram para me deixar mais forte... E eu agradeço muito pela Evans ter me abandonado, caso contrário eu seria totalmente diferente e nunca teria conhecido meu pai ou meus amigos.

– O passado pode machucar Srta Black, mas como eu vejo é: você pode fugir dele ou aprender com ele. – concordou – Creio que tenho uma teoria a respeito do que aconteceu.

– Qual?

– A Srta disse que tem uma conexão com a mente de Voldemort, certo? Pois bem, acredito que, quando a Srta veio para o passado e deixou sua mente vulnerável, ela se conectou com a de Voldemort desse tempo... Por isso ele aparentou estar confuso em seu sonho, porque ele não sabia que alguém poderia se unir a ele dessa forma. Uma conexão como a que a Srta fez noite passada necessita de grande esforço, esgota a mente e, no seu caso, aflora a Magia Negra que corre em suas veias. Creio que sabe que, quando esse tipo de magia aparece em alguém, essa pessoa fica fora de controle até que a magia se estabilize, é como se fosse um processo...

– Então o corte foi por conta do excesso de magia negra que eu usei para tentar sair do sonho, logo, o que aconteceu lá refletiu em meu corpo?

– Exato. E agora que Voldemort percebeu a conexão entre vocês, ele tentará novamente para saber quem é a Srta. Portanto, peço que tome cuidado, ele não medirá esforços para chegar ate a senhorita.

– Sim, eu sei... Ele usa as técnicas mais baixas a seu favor...

– Infelizmente não podemos controlar nossa mente enquanto dormimos, mas podemos evitar sonhos, deixá-la vazia. Uma Poção do Sono Sem Sonhos deve ajudá-la até que volte para seu tempo. Agora descanse, vou falar com Madame Ponfrey sobre a Poção e pedir para que o aluno que a ajudou entre... – falou afastando-se.

– Obrigada professor Dumbledore... – agradeci, recebendo um pequeno sorriso em troca.

Assim que o diretor deixou a enfermaria, fechei os olhos e respirei fundo. Era tão bom poder conversar sobre aquilo...

– Você está bem? – perguntou alguém fazendo-me abrir os olhos.

– Pa.. Snape! – surpreendi-me – Você... Foi você que me trouxe?

– Sim... Eu... Eu percebi que não estava bem e te segui, mas no caminho você desmaiou e eu tive que te trazer. – falou timidamente aproximando-se — Está melhor?

– Sim. Obrigada... – sorri.

– O que Bellatrix disse ontem... Sobre você ser minha filha... É verdade?

– Sim, é verdade... – confessei – Você é meu pai.

– E Bellatrix sua mãe?!

– Ela me adotou quando eu tinha cinco anos, minha “mãe” biológica me mandou para um orfanato quando nasci e ninguém ficou sabendo da minha existência...

– Então eu não sei? No futuro, digo...

– Só soube que eu estava viva quando fui para Hogwarts aos quatorze anos. – respondi.

– Quem... Quem é sua mãe biológica?

– Evans – respondi, afinal, ele tinha o direito de saber.

– Lilly?! – perguntou num misto de alegria e surpresa. – Ela... Ela te abandonou?

Nesse momento sua expressão de alegria transformou-se em tristeza e mágoa. Certamente não esperava que a santa Lillian Evans fosse abandonar a filha.

– Infelizmente, mas, por favor, não vamos falar nisso sim? – pedi.

– Tudo bem, desculpe. Você mora com quem?

– Meus padrinhos e você.

– E quanto à Bellatrix?

– Temos alguns...problemas...de relacionamento. Nós meio que... Perdemos o contato há um tempo. E não, não pergunte dela.

– Na verdade eu ia perguntar como é o nosso relacionamento...

– No início foi terrível. Nós dois somos geniosos e vivíamos discutindo nos corredores de Hogwarts... A genética dos Prince é forte. – ri com a lembrança – Mas depois de um tempo cedemos um pouco e melhoramos bastante. Somos muito unidos, nos amamos... – Severo sorriu levemente – E você me chama de “princesa”, um trocadilho muito bom se for considerar meu sobrenome... – ri.

Foi nesse momento, conversando com meu pai do passado, que eu percebi o quanto sentia falta do meu pai do futuro e o quão idiota havia sido nossa discussão.

– Posso perguntar quem são seus padrinhos?

– Minerva e Alastor.

Alastor? Ninguém o chama de Alastor... – estranhou — Por isso você ficou estática quando o encontrou?

– Digamos que sou a única que posso chamá-lo assim. – sorri — Ele é bem diferente dessa época, ao menos comigo. Foi estranho ouvir palavras duras dele sendo que no futuro ele me trata como uma filha. Quando você não está por perto é ele quem cuida de mim...

– Esse realmente não é o Moody que eu conheço...

– Vocês... Vocês são amigos? Eu percebi que você fala muito com a Narcissa, mas não te vi conversar com a Minerva ou Alastor... Se bem que eu cheguei ontem à noite, então não tive o que ver realmente...

– A Cissa é minha amiga sim, talvez a única verdadeira... Nós nos damos muito bem e nos entendemos também.

Então Narcissa é a Srta Black que Helga comentou! Será que eles mantêm contato?

Não, não é provável... Ele teria me dito, certo?

– Quanto à Minerva e Moody, eles se formaram quando entrei no primeiro ano, mas ficamos bem próximos quando eles entraram como estagiários em Transfiguração e DCAT. Ele ainda é estagiário e está se preparando para ser auror, mas a Minerva já é professora oficial.

– Ela é uma ótima professora... – sorri.

– Vocês se dão bem no futuro não é?

– Muito... – respondi.

– Sr. Snape. – chamou Madame Ponfrey entrando na enfermaria – O senhor tem aulas daqui a pouco, é melhor ir e deixar a Srta. Black descansar.

– Claro. – respondeu ele levantando-se – Hmm... Até depois então, Violet.

– Até. – sorri, sentindo falta de um “te vejo depois princesa”.

– Como a Srta está? – perguntou Ponfrey assim que meu pai saiu.

– Muito melhor. Na verdade, eu queria até voltar para as aulas...

– Sinto muito, mas isso não é possível.

– Por quê?

– Porque precisa descansar e se recuperar.

– Mas eu estou bem! – rebati – Por favor Madame Ponfrey, eu posso voltar para as aulas...

– Como sabe meu nome?

– Digamos que sou uma visita frequente na enfermaria do futuro... – sorri marota – Por favor, me deixa sair...

– Tudo bem... – rendeu-se suspirando – Mas tem que me prometer que vai se controlar e se alimentar direito...

– Eu prometo.

Notas finais
Emoções à flor da pele nesse capítulo hein?? Snape do passado é mais aberto à conversas e menos carrancudo... Quem gostou dessa versão??? E quanto à suspeita da Violet sobre NB, concordam?? Faz muito, muito sentido... Prometo que vou desvendar o mistério em uns...7 capítulos, talvez... Agora, uma salva de aplausos para Sirius e Régulus Black!! Os irmãos mais conquistadores e engraçados da escola!!!! Isso, mais palmas, vamos!! Kkkkk Não sabem o quanto me diverti escrevendo essa parte! Agora imaginem se o Snape do futuro descobre que o “cachorro” paquerou sua princesa... A Jullie teria que reunir pedaço por pedaço depois... kkkkkkkk -------- Capítulo 21 – People Change (...) - Qual é o seu problema?!! – gritou a loira furiosa tentando se soltar, porém, não era forte o suficiente. - Você! Você é o meu problema! – rebateu ele igualmente furioso, surpreendendo-a. (...) ------------ Muita gente vai chorar com essa cena e a vontade de degolar esta pobre autora provavelmente vai aumentar uns... 40%. Mas não cedam à tentação! Permaneçam firmes e fortes! kkkkkkk Bjjss e não deixem de comentar... Até o próximo!!!!