Secrets & Lies (‘The Orphan’ – Season 4)
22 Capítulo 21 - People Change
Notas iniciais
CAPÍTULO 21 – PEOPLE CHANGE
“Pessoas Mudam”
– VIOLET — FEVEREIRO DE 1974 -
Cerca de meia hora depois eu já estava com meu material, carinhosamente cedido por Dumbledore, à caminho da aula de DCAT, que havia começado cinco minutos antes.
– Com licença... – falei batendo na porta da sala – Desculpe o atraso professora, mas eu estava na enfermaria e tive que pegar meu material antes de vir...
– A Srta é a garota do futuro não é? – perguntou a velha senhora – Bem, não pense que poderá entrar quando quiser...
– Sim, eu peço desculpas novamente professora, mas eu realmente só fui liberada da enfermaria há poucos minutos. Tive que pegar meu material e ainda colocar o uniforme... Mas caso precise, Madame Ponfrey e o professor Dumbledore podem confirmar.
– Certo, certo, entre... – mandou impacientemente – Sente-se com a Srta. String, por favor...
– Tudo bem, obrigada professora... – sorri em resposta entrando na sala e sentando-me ao lado de Meryl, o único lugar vago. – Qual é o nome dela? – sussurrei.
– Galatea Merrythought. – respondeu no mesmo tom. – É melhor prestar atenção, ela tem uma visão muito boa para encrenqueiros...
– Muito bem, como eu dizia... Hoje aprenderemos o Patrono, um feitiço de proteção muito útil para enviar mensagens e se defender de seres das trevas como Dementadores. Srta. Black, posso perguntar se já aprendeu esse feitiço em seu tempo?
– Na escola ainda não, mas sim, eu aprendi – respondi.
– Aprendeu com seus pais então, suponho?
– Sim.
– Muito bem, o que acha de demonstrar?
– O quê? – surpreendi-me.
– Vamos logo garota, não temos o dia todo. – repreendeu-me — Vamos, venha até aqui...
– Tudo bem. – respondi levantando-me e sacando a varinha.
Poxa, mal cheguei!
Eu sabia feitiços não verbais, logo, coloquei-os em prática. Pensei nos melhores momentos que tive em minha vida e logo sibilei “Expecto Patronum!” em minha mente, simultaneamente a uma volta com a varinha ao redor da cabeça, exatamente como meu pai costumava fazer.
Da ponta da varinha saiu um pequeno lampejo de luz prateada que começou a subir e a dobrar de intensidade. Logo tomou a forma de uma águia que crescia gradativamente enquanto sobrevoava a sala e, em questão de segundos, meu patrono adquiriu o tamanho do teto. Com um grunhido de ave e um bater de asas, a luz prateada estendeu-se pelas paredes enquanto a águia desaparecia.
Não sei quem, mas logo palmas foram puxadas e toda a sonserina aplaudia fervorosamente.
– Isso... Isso foi incrível! – disse ela incrédula – A Srta conseguiu executar um feitiço não-verbal para criar um Patrono Corpóreo Celestial! Se me permite a pergunta, quem lhe ensinou isso?
– Minha mãe ensinou o Patrono e meu pai feitiços não-verbais. – respondi sentando-me.
– Meus parabéns Srta. Black, foi realmente incrível... 50 pontos para a Sonserina.
Nos próximos minutos a professora explicou toda a parte teórica da matéria e pediu uma redação de 4 pergaminhos sobre o Patrono, lição que eu obviamente não faria.
– Então a Bella te ensinou aquilo? – perguntou Meryl assim que saímos da sala.
– Sim. – respondi. – Qual a próxima aula?
– Clube de Duelos – respondeu Bellatrix com um sorriso diabólico no rosto.
– Certo... E o que seria?
– Vocês não têm Clube de Duelos?
– Não, Dumbledore os proibiu depois do segundo ano, e como eu entrei em Hogwarts no terceiro... – insinuei – Mas como são esses Clubes de Duelos?
– Basicamente? O professor escolhe as duplas e vocês duelam. – respondeu Régulus — Feitiços verbais e não verbais são permitidos, e aqueles que conseguem usar armas extras, como facas ou adagas, ficam em um espaço reservado com proteções a mais. Você já duelou?
– Sim.
– Não acredito, você é muito delicada. Apenas pessoas brutas usam armas. – respondeu ele, porém, nesse exato momento Bellatrix lhe deu um tapa no braço – Eu não disse?
– Sabe usar uma adaga, faca ou alguma arma que não seja magia? – perguntou ela, ignorando o comentário do primo.
– Eu aprendi a usar adagas, mas faz um tempo que não pratico então devo estar uma negação... – respondi.
– Por que será que isso não me surpreende? – ironizou Andy.
– O quê? – perguntei
– Bella gosta de usar varinha e adaga... – respondeu – Ela tentou me ensinar, mas não tenho paciência e a Cissa é muito delicada...
– Só por curiosidade... Quantos anos você tinha quando aprendeu a usar adagas? – perguntou Régulus.
– Acho que nove ou dez...
– Bella, você ensinou uma menina de dez anos a usar adagas?! – repreendeu-a Meryl.
– O quê? Quanto mais cedo melhor... – justificou-se Bellatrix fazendo-me rir.
Bellatrix do passado é muito melhor do que imaginei...
– Acho que eu esqueci tudo sobre como usar adagas...
– Usar armas ou magia é algo que nunca se esquece. Você pode até ter perdido a prática, mas garanto que não esqueceu.
– Aprendi só o básico mesmo... Eu era muito pequena então minha mãe não usou, e nem podia, usar a força que tinha.
– Não é algo que se diga: “Nossa, como ela é uma mãe responsável!” Mas serve... – comentou Meryl fazendo-nos rir.
– Violet? – chamou alguém, porém, me arrependi de dar atenção.
À minha frente estavam Harry e Sirius me encarava descaradamente, piscando logo em seguida. Logo ao lado outros três garotos me encaravam, certamente Lupin, Tiago e Pettigrew, e uma ruiva sorria.
Oh droga, isso não vai dar certo...
– Me disseram que você conseguiu lançar um patrono incrível... – começou Lillian com um sorriso no rosto. – Um patrono muito poderoso, com certeza.
– Obrigada. – limitei-me fechando as mãos em punho. – E para você é Srta Black.
– Mas você é minha filha. – respondeu a ruiva, o que me deixou com raiva.
– Como é? – surpreendeu-se Narcissa, que aparecera repentinamente com Lucio e Catherine.
Ótimo, agora tem plateia!
– Harry?
– Desculpe, acabou escapando... – disse culpado.
– Não brigue com seu irmão, ele apenas me contou algo que eu tinha o direito de saber.
– Irmão? Mas ela não é filha da Trix? – sussurrou Régulus para alguém.
– Eu não sou sua filha Evans. – rebati friamente – Você não tem direito algum sobre mim.
– Harry me contou o que eu fiz, ou vou fazer, mas por favor, acredite... Eu não farei! Eu prometo que...
– Não! – exclamei – Você fez sim, e isso eu nunca vou perdoar. No que depender de mim, você não se aproximará da minha vida.
– Por favor, me ouça!
– Você não tem o que falar, a partir do momento em que mandou para aquele orfanato imundo você perdeu todos os direitos que poderia ter! Conforme-se.
– Não fala assim com a sua mãe, ela só quer se aproximar de você!
– Não vejo onde isso é da sua conta Potter. – respondi frisando o Potter.
– Você realmente é uma sonserina nata. Eu disse Lilly, ela é como todos os outros sonserinos, arrogante e cheia de si... – rebateu ele.
– Se ela for sua filha, vai acabar com esses grifinórios... – sussurrou Régulus, provavelmente para Bellatrix.
– Pai... – tentou Harry, porém, foi ignorado totalmente.
– Você não me conhece para dizer se sou ou não como os outros sonserinos. E se eu fosse você Potter, pensaria bem antes de insultar alguém...
– Isso por acaso é uma ameaça? – debochou.
Muitas pessoas pararam para assistir o “show” no corredor, porém, eu não me importava com nenhuma delas. Tudo que via eram Tiago Potter e Lillian Evans.
– Viu Lilly? São todos iguais! Metidos, preconceituosos e das trevas!
– Como eu pensei, apenas o Sirius e o Lupin prestam nesse grupo, e você é um imbecil Potter... – respondi rispidamente – Acha que só por ser popular pode fazer o que quiser e quando quiser.
– Olha como fala comigo Black! – exclamou sacando a varinha.
– Tiago. – pediu Remo segurando-o.
– Vamos Potter, diga que estou mentindo! – exclamei aproximando-me – Diga que não é arrogante e irresponsável, que maltrata e ofende as pessoas para se sentir mais forte e mais popular!
– Chega!
– Você não é ninguém para impor respeito Potter, não passa de um moleque arrogante que se acha melhor que todo mundo e tem mente pequena de pensar que a Grifinória só tem heróis e a Sonserina vilões. – falei com a voz baixa e firme, eu sabia muito bem como ser assustadora e fria. — Não passa de um verme, que humilha os mais fracos para se mostrar e é idiota o suficiente para não perceber o rato traidor ao seu lado.
Sirius encarou Pettigrew confuso, porém, logo voltou sua atenção à discussão.
– Você não sabe do que está falando!
– É claro que sei! Não sou idiota Potter, sei que mesmo namorando com a Evans você continua ofendendo os mais novos...
– Você o quê? – surpreendeu-se a ruiva.
– Eu não fiz nada Lilly, ela é que está mentindo!
– Lembre-se que sou do futuro, sei coisas que você nem imagina...
– Parem com isso! – pediu Lillian – Eu sei que está magoada comigo e que provavelmente me odeia, mas gostaria que usasse essa oportunidade para me conhecer melhor... Deixe que eu me aproxime Violet, por favor... Eu sou sua mãe!
– Não, não é! – rebati furiosamente – Você me rejeitou para ficar com o Potter, esqueceu que eu existia e simplesmente seguiu em frente! Me privou de conhecer meu pai... – falei aproximando-me, a pele fervendo de raiva e a voz novamente baixa e controlada. – Você acha que não dói? Acha que não machuca quando ouço todos dizerem que o Harry teve tudo enquanto eu estava num orfanato?! Enquanto eu fui abandonada?!! É claro que dói!. Seu objetivo era fazer com que minha existência fosse apagada de sua vida. Meus parabéns, você conseguiu. Eu nunca existi e graças a Merlin não sou uma Evans.
– Violet... – pediu a ruiva já chorando e soluçando – Me dê uma oportunidade... Podemos ser grandes amigas!
– Pensei que fosse inteligente... Minha mãe não é e nunca será você.
– E quem é? – perguntou amargamente – A Black mais velha?
– Ao contrário de você ela me tirou daquele buraco trouxa e me deu tudo que eu poderia precisar. Tudo que você não deu. – murmurei de forma que apenas nós duas escutávamos – Ela cuidou de mim, me protegeu e esteve ao meu lado sempre que precisei.
Tudo bem, essa parte não era verdade, mas eu estava com tanta raiva que machucá-la me dava um prazer especial.
– Mas eu te agradeço pelo que fez. – falei colocando uma máscara de indiferença – Graças a você eu fui muito bem criada, sei feitiços que a maioria dos bruxos da minha idade não sabe e fui para a Sonserina. Eu agradeço todos os dias por ter a genética da família do meu pai e nenhuma da sua. Graças a isso tenho princípios e sou uma excelente sonserina. Não precisei de você afinal.
– Violet... – pediu Harry abraçando Lillian pelos ombros. – Por favor...
– Não se aproxime de mim novamente. Faça o que sabe fazer de melhor e esqueça que eu existo. – falei para logo em seguida caminhar pelo corredor calmamente, ignorando os olhares curiosos da “plateia”.
Eu estava com raiva, muita raiva, e precisava soltá-la. Assim que virei o corredor comecei a correr sem destino, subi escadas, atravessei corredores e, quando percebi, estava parada em frente à uma porta prateada.
Sala Precisa...
Não pensei duas vezes e entrei, porém, não percebi que não estava sozinha. Olhei ao redor e vi milhares de prateleiras em madeira e uma enorme variedade de objetos de vidro. Dei dois passos e consegui identificar uma foto na qual Lillian, Harry e Tiago sorriam felizes.
Novamente a raiva me consumiu, peguei o porta-retratos nas mãos e o lancei contra a parede usando toda a força que uma batedora deveria ter.
– Como ela se atreve? – perguntei à mim mesma — Como ela pode pensar que um simples pedido de desculpas resolve? – exclamei pegando um objeto de vidro e jogando na parede furiosamente. – “Quer ser minha amiga?” – outro vaso jogado na parede – Esquece que eu acabei com a sua vida e vamos seguir em frente! – outro vaso.
Dessa vez passei a mão sobre uma das prateleiras e tudo foi para o chão, o barulho dos cacos de vidro ecoou pelo salão. As lágrimas que eu prendi finalmente começaram a despontar em meus olhos, minhas mãos fecharam-se em punho e, como eu costumava fazer nos jogos de quadribol com um bastão, dei um soco na prateleira que derrubou todos os objetos de vidro que ali estavam.
– Sabe, você pode fazer melhor... – disse alguém fazendo-me virar abruptamente.
– Bellatrix? – surpreendi-me – O que faz aqui?
– Eu te segui. Você é rápida... – comentou caminhando com as mãos nas costas e parando ao meu lado. – Então a Evans é sua mãe biológica?
– Ela não é minha mãe!! – repeti raivosamente enquanto mais lágrimas caiam.
– Não? – perguntou distraidamente passando as mãos nas prateleiras – Não foi isso que me pareceu...
– Mãe é quem cuida, quem ensina e quem protege. – rebati – Ela não fez nada disso, não tem nenhum direito sobre mim.
– É, eu ouvi... E você a odeia só porque ela te abandonou? – perguntou apoiando-se na parede ao lado.
– Só? – repeti incrédula – Eu era um erro! Ela sabia que perderia o noivinho caso alguém soubesse de mim e se escondeu! Lillian Evans fugiu como uma covarde e me abandonou assim que nasci! Depois, obviamente, voltou para os braços do querido Potter, casou e formou uma família, teve outro filho! Ela deu tudo que tinha por ele, inclusive a vida. E quanto a mim? O que eu recebi? – perguntei amargamente – Fui jogada num orfanato e esquecida. Meu pai nunca soube que era pai e eu sempre acreditei que ele havia me rejeitado também... Me esquecido. Sempre que alguém fala o quanto Harry tem os olhos da mãe a ferida em meu peito se abre ainda mais.
Naquele momento não me importei em contar tudo sobre o futuro, assim como não me lembrei que à minha frente estava a comensal mais fiel à Voldemort. Só queria soltar a raiva que sentia.
– E onde eu entro?
– Você me adotou quando fiz cinco anos e me criou. – respondi um pouco mais calma, respirando fundo e fechando os olhos. – Ensinou tudo que sei hoje e me preparou para que eu fosse uma grande bruxa. Quando completei 14 anos fui para Hogwarts e finalmente conheci meu pai.
– E continuamos em contato?
– Não... Tivemos alguns problemas de convivência... – respondi abrindo os olhos e segurando o pingente que sempre carregava em meu pescoço – Digamos que eu nunca soube que você era uma Comensal, por isso acabamos nos afastando enquanto meu pai se aproximava.
– E eu te dei tudo o que precisava?
– Nunca me faltou nada materialmente. E tenho lembranças muito boas da infância... – comentei sorrindo ao me lembrar dos treinos em que caíamos na grama e ríamos até perdermos o fôlego. Mas logo depois ela fechava a expressão e voltava a exigir algo que eu não conseguia fazer. E então discutíamos. – Fomos felizes um dia...
– Isso é bom. – concordou.
Bellatrix encarou-me profundamente e, por longos segundos, perguntei-me o que havia acontecido com a mulher fria, cruel e insensível que conheci no futuro. A Bellatrix que estava à minha frente era calma, educada e nem um pouco cruel ou insensível. Ela estava ali, me ouvindo, e não disse uma palavra sequer para me atazanar.
– Por que não me chama de mãe? – perguntou repentinamente.
– É meio estranho ser chamada de mãe aos dezoito anos por uma garota da mesma idade... – respondi incrédula – Pensei que não iria gostar...
– Tem razão, é estranho. Sou muito nova para ser mãe, só Bella sim? – comentou fazendo-me rir.
O que aconteceu com a Bellatrix comensal? Mas que droga Violet, por que você está deixando ela entrar?
– Por que está fazendo isso?
– O quê?
– Por que me seguiu até aqui e está tão interessada?
– Meu pai sempre diz que “quando uma pessoa está com raiva, deixe que ela fale tudo que pensa, tudo que está engasgado. Ouça atentamente e conduza a conversa para que essa pessoa desabafe. Depois da tempestade sempre vem a calmaria.” Ele faz isso comigo e com minhas irmãs, e eu estou fazendo com você. Agora está mais calma não é?
Eu não acredito...
– Sim... – respondi incrédula – Mas eu ainda não acredito que você fez isso... Você não é assim...

– Pessoas mudam. – respondeu convencida – Muito bem, perdemos o Clube de Duelos, vamos logo para a aula que a próxima é poções... Slughorn é um paspalho, mas você não faz o tipo que gosta de fugir das aulas.
– NARRAÇÃO – ABRIL DE 1997 –
– Olhem quem está de volta! – comentou Rony durante o almoço.
– Luna! – exclamou Hermione levantando-se e correndo até a amiga, que sorria como uma criança em seu aniversário.
Obviamente todos do salão perceberam e muitos alunos levantaram-se para cumprimentar Luna, inclusive Sophie, Mary e Alessa, que estavam imensamente felizes.
– Finalmente! Pensei que ficaria mais tempo longe... – comentou Mary abraçando a loirinha corvinal.
– Eu também, mas felizmente estou melhor... – sorriu docemente. – Onde está a Violet?
– Teve que viajar... Ela vai ficar tão feliz quando souber! – respondeu Sophie – Como você está?
– Estou inteirinha. – sorriu. – Talvez dê até para ir à Hogsmead amanhã!
– Você se lembra quem te entregou aquele colar? – perguntou Hermione mais séria.
– Não... – suspirou – Juro que estou tentando, mas minha memória não passa de um borrão naquela tarde... – respondeu, porém, nesse exato momento Draco Malfoy entrava no salão.
A loira o encarou como se tivesse algo importante para lhe dizer, o que não passou despercebido por Sophie, que também o encarou preocupada. Draco, por sua vez, estava claramente nervoso e, depois de afrouxar a gravata, deu meia volta e saiu do salão.
– Eu já volto... – disse Sophie para as meninas.
– Sophie, não é melhor esperar?
– Eu cansei de esperar... – respondeu ela caminhando rapidamente para fora do salão e encontrando Draco no final do corredor – Draco!
– Agora não Sophie. – respondeu continuado seu caminho
– Não dê as costas para mim! – gritou Sophie chamando a atenção de vários primeiranistas que passavam no corredor, porém, ele nem sequer virou-se.
“Você me paga Draco...”, pensou ela.
Sophie estava furiosa e resolveu seguir o namorado, que por ser mais rápido, forçou-a a correr para conseguir acompanhá-lo de perto. Draco, por sua vez, estava desesperado com suas tentativas falhas de matar Dumbledore, subiu as escadas e entrou no banheiro dos monitores.
“Estou decepcionada com você Draco”, dissera sua mãe. Ele nunca deveria ter aceitado a Marca Negra, e ao lembrar que prometeu à Sophie não ceder, se sentia sujo olhando em seu reflexo no espelho.
– Draco Malfoy, você não vai fugir de mim! – exclamou Sophie entrando no banheiro e trancando a porta com magia.
– Sophie, agora não...
– E quando vai me explicar o que está acontecendo?!
– Sophie, por favor, eu estou tentando ser gentil...
– Isso é ser gentil? Você mudou completamente!
– Eu não mudei, sempre fui assim e você sabia quando começamos a namorar!
– Não! Eu me recuso a acreditar! – gritou em resposta – Você gostava de ficar perto de mim, me abraçava com carinho e eu realmente sentia meu coração pular pela boca com um só olhar! Eu ainda sinto, mas tudo isso se tornou algo dispensável para você, algo frio.
– Não é dispensável, nunca foi...
– Pois não parece! Draco, eu amo você, mas sinto falta do sonserino orgulhoso que discutia com os amigos por motivos idiotas como um doce, que vive brincando e fazendo piada... Que sorri quando me vê e que é feliz!
– Sinto muito... – sussurrou encarando o rosto de Sophie através do espelho.
– Pare de se lamentar! Mas que droga Draco, o que custa falar? De todas as pessoas as que você tem mais liberdade são Violet e eu. Ela não está aqui, mas eu estou e sou sua namorada. – falou aproximando-se dele – Estou bem ao seu lado, mas você não parece perceber...
– Sophie, por favor... – pediu fechando os olhos numa tentativa de evitar o pesadelo que viria a seguir caso contasse a verdade.
– Para com isso! Reaja! – exclamou ela agarrando os ombros do garoto e balançando suavemente – Você quase não come direito, vive sozinho pelos cantos e evita qualquer contato! Seus amigos se afastaram, ninguém mais quer ficar perto de você... Será que não vê que está se afundando cada vez mais?
– Sophie para! – virou-se rapidamente para encarar a loira à sua frente e segurando em seus braços fortemente. – Você realmente acha que eu não sei? É claro que eu vejo as pessoas se afastarem de mim!
– Então por quê?! Por que você foge de mim o tempo todo e é tão grosso comigo?! Há semanas que não ficamos juntos e não temos uma conversa digna!! O que eu te fiz Draco?
– Será que não vê que não estou com cabeça para conversar? – exclamou balançando-a pelos braços.
– Qual é o seu problema?!! – gritou a loira furiosa tentando se soltar, porém, não era forte o suficiente.
– Você! Você é o meu problema Sophie! – rebateu igualmente furioso surpreendendo-a.
– E-eu? – gaguejou finalmente soltando lágrimas.
– Nós não estamos dando certo Sophie, eu não te mereço... – respondeu mais calmo, porém, sem soltá-la.
– Você está louco... Só pode ser... – disse incrédula com os olhos úmidos.
– Eu finalmente percebi que você não serve para ser uma Malfoy – disse friamente, porém, com uma enorme dor no peito – Somos completamente diferentes, nunca daria certo...
– Então eu não sirvo para você? É isso?! – exclamou incrédula – EU sou a droga do problema?!
– Sophie... – tentou ao perceber a besteira que estava fazendo.
– Chega! – gritou furiosamente – Você não tem o direito de me seduzir, usar por um tempo e depois dizer que não sirvo mais!
– Eu nunca te seduzi, apenas...
– Me solta que você está me machucando!
Draco finalmente percebeu que ainda a segurava fortemente pelos braços e soltou-a, percebendo a marca avermelhada de suas mãos na pele branca da garota.
– Desculpe, eu... Eu estou fazendo tudo errado... – suspirou passando as mãos no cabelo nervosamente para logo em seguida apoiar-se na pia novamente. – Desculpe Sophie...
– Se você me quer longe precisa de uma desculpa melhor. – disse rispidamente.
– Você quer mesmo saber?
– É claro que eu quero!
O garoto então desabotoou as mangas de sua camisa e arregaçou a esquerda, estendendo o braço pálido na direção da loira e exibindo em seu pulso a Marca Negra. Sophie ficou em choque e, quando percebeu o que havia acontecido, seu rosto tornou-se repentinamente pálido e seus olhos banharam-se em lágrimas.
– Você... Você mentiu... – falou com a voz fraca.
– Eu não tive escolha...
– Você prometeu! – gritou furiosa – Prometeu que ficaríamos juntos, eque não seria um deles!!
– Eu não posso ir contra minha família!
– Não minta para mim!! – exclamou aproximando-se e, num rápido movimento, deferindo-lhe um tapa com todas as forças que conseguiu reunir — O problema é que você é uma marionete nas mãos do seu pai!!
– Não fala assim da minha família!
– Você mentiu para mim Draco, me enganou da pior forma possível... – falou numa crise de choros – Me seduziu, me envolveu e me fez me apaixonar perdidamente... Você me fez promessas Draco, me deu esperanças de um futuro... Juntos!
– Me desculpe...
– Eu realmente cheguei a pensar que nós iríamos nos formar em Hogwarts, depois iríamos ficar noivos e por fim você me pediria em casamento... – confessou passando as mãos no cabelo – Eu imaginava nosso casamento num campo florido, todos os nossos amigos presentes nos desejando felicidades... Meu pai me entregando a você e minha mãe implicando com alguma coisa...
– Sophie...
– Eu fui uma idiota em pensar que poderia ser a pessoa certa para te dar herdeiros. Pensei que criaríamos uma família juntos... – choramingou com o rosto avermelhado – Mas você acabou de matar qualquer esperança e qualquer sonho que eu já tive... Você matou tudo Draco, tudo! – sussurrou – Eu sempre soube que nosso relacionamento seria complicado, mas acreditei que nosso amor poderia ultrapassar essas barreiras...
– Sophie, me desculpe, por favor... – pediu segurando o rosto da loira entre as mãos e fechando os olhos – Eu não queria te magoar, mas também não tive escolha...
– Você poderia ter enfrentado seu pai, poderia ter pedido ajuda á Dumbledore e até mesmo à mim. Por Merlin Draco, minha mãe é a Ministra, ela podia ajudar... – sussurrou passando as mãos sobre as do namorado e também fechando os olhos. – Eu te amo muito, mas se tem algo que não posso e não consigo perdoar são traições... Você me prometeu que não se tornaria um deles e quebrou sua promessa.
– Me perdoa Sophie, me perdoa... Por favor... – pediu beijando-lhe a face desesperadamente.
– Você tinha razão, eu não sirvo para ser uma Malfoy. Não sou fria, egoísta ou manipuladora. – respondeu esquivando-se. – Assim que a Violet voltar você vai contar a verdade para ela, e se não o fizer, eu faço. Garanto que ela não será tão passiva quanto eu. – avisou limpando as lágrimas — Quer saber? Chega... Cansei. Não me procura mais.
Com um peso no peito Sophie afastou-se e saiu do banheiro correndo em direção às masmorras. Seu coração estava partido, ela sentia-se traída e manipulada, como se não tivesse importância alguma ao ex-namorado. Ex-namorado... Essa era uma palavra dura e doía muito em seu peito quando a garota trancou-se em seu quarto pelo resto da tarde.
Draco, por sua vez, estava se sentindo imundo. Ele acabara de destruir o coração da garota que amava e doía repassar a imagem daqueles olhos verdes incríveis tão tristes e sem vida. Ele a havia decepcionado e nunca teria seu perdão, mas saber dos planos que Sophie tinha na cabeça só o fazia se sentir pior. Tinha também o fato de que, assim que Violet voltasse, teria que enfrentá-la e contar toda a verdade.
E novamente ele partiria o coração de alguém que amava.
Pela primeira vez, Draco Malfoy deixou-se cair de joelhos no chão úmido do banheiro e libertou a dor e a vergonha que sentia por meio de lágrimas e gritos desesperados. Tinha raiva de si mesmo e, para descontar sua repulsa, sacou a varinha e praticamente destruiu o lugar. Havia água no chão, os espelhos estavam quebrados e, se Snape não tivesse aparecido, as paredes seriam as próximas.
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