Secrets

1 Desventuras em Série


Ponto de Vista Rachel Cloud

Eu estava sentada na arquibancada olhando o treino dos garotos do basquete. Eles corriam agora de um uma faixa da quadra à outra, eu podia ver o suor pingar e encharcar as suas camisas azuis. Suspirei. Como seria namorar um daqueles caras? Devia ser o paraíso, por que todos eram lindos e... Tomei uma bolada no rosto e cai deitada.

Olhei a minha volta à procura de alguém me olhando depois daquela cena, e para a minha surpresa não estava mais no ginásio vendo os garotos, estava no meu quarto, cercada pelas minhas coisas, e principalmente um livro, que pelo visto tinha caído da prateleira bem no meu rosto. Peguei-o e li seu titulo.

— Química? Serio?! — Sentei na minha cama e olhei em volta – Bela maneira de começar o dia Rachel, acordada pelo livro de... – Me dei conta de algo e puxei o celular rapidamente – Droga... A prova é hoje e... Droga! Dormi demais!

Pulei da cama e sai correndo em direção ao meu armário, peguei a primeira jeans que vi pela frente e coloquei. Ajeitei a blusa que eu estava usando, peguei um casaco e joguei a mochila nas costas. Eu estava há pouco tempo... tempo não... não tinha tudo isso... minutos de perder o ônibus para a escola. Bati a porta do apartamento e sai correndo do prédio. Senti meu pé trancar em algo e quando dei por mim já estava de cara no chão com os joelhos doendo.

— Mas... — Olhei para trás e vi várias caixas do lado da porta do prédio, e o cachorro que tinha me derrubado que me lambia como se pedisse desculpas – Tudo bem garoto, só não fique mais no caminho – Levantei e voltei a correr em direção ao ponto de ônibus, só que agora estava bem mais complicado de fazer isso, cada passo que eu dava sentia meus joelhos oscilarem

Quando finalmente cheguei no ponto vi o ônibus indo embora, já estava até fazendo a curva.

— AH! EU NÃO ACREDITOO — Joguei a mochila com força no chão. O que eu ia fazer agora? Tenho a maldita prova de química, não posso faltar, ainda mais que eu estudei até tarde — AHH, QUE RAIVAA!! – Bati o pé e peguei-a novamente

Vi meus livros caindo no chão, não pude acreditar naquilo, eu consegui rasgar a mochila.

— Já vi que acordei com o pé esquerdo! – Falei sozinha – Vou pegar o primeiro taxi que eu ver, é a única maneira de chegar na hora – Juntei minhas coisas e coloquei na mochila como se fosse uma sacola

Vi um taxi entrando na rua e fiz sinal. Ele parou na minha frente e eu entrei mexendo na mochila.

— Para a Escola Stretsen, por favor! – Procurei minha carteira na mochila e nada.

— Tudo bem senhorita Cloud.

Olhei para o lado espantada. Como o taxista sabia meu nome?

— Pai!?Por que você esta dirigindo um taxi? – Olhei para ele, que estava com um terno preto que realçava seus olhos azuis claros e seu cabelo loiro.

— Filha, nem todos os carros amarelos são taxis, achei que você soubesse disso. – Disse meu pai me encarando com um olhar preocupado e zombeteiro. – Estou levando o carro do Gary Sulivan para a oficina. – Ele agora estava com um sorriso simpático no rosto.

— Mas você não tinha que estar trabalhando? – Meu pai é um dos editores chefes da empresa Camp Magazine uma das maiores do mercado, e digamos que ele ganha... relativamente bem.

— Você não deveria estar no ônibus indo para a escola? – Falou completamente serio e depois deu uma risada — Vim pegar um café para o pessoal e meu colega me emprestou o carro — Ele deu um leve sorriso depois de me responder – Agora você responde — Bufei

— Fiquei ontem o dia inteiro estudando para a prova de química de hoje, acabei indo dormir tarde e perdi a hora – Como é que uma pessoa pode ser tão burra ao ponto de não colocar o celular para despertar para fazer uma prova no dia seguinte?!

— E essas calças rasgadas? – Olhei para a minha calça achando estranho, afinal, quando a peguei ela não tinha nenhum rasgo.

Surpreendi-me, pois alem das calças estarem rasgadas nos joelhos elas estavam sujas de sangue

— Droga! – Exclamei sem pensar

— O que houve? – Meu pai deu uma rápida olhada para mim, já que agora ele estava dirigindo

— Quando estava saindo tropecei em um cachorro, nem vi que tinha me machucado – Olhei para as palmas de minhas mãos e reparei que também estava cortada — Escuta pai, você acha que seu colega vai se importar de você me levar para escola no carro dele?

—Claro que não querida — Ele me deu um sorriso e começou a dirigir

Liguei o som do carro para ver se me acalmava um pouco antes da prova e deixe tocando

(...)

Cheguei na escola com os materiais quase caindo da minha sobra de mochila. Meu pai conseguiu chegar antes do ônibus, então eu tinha passado de atrasadíssima para adiantada. Comecei a caminhar.

Minha escola era formada em três prédios “brancos”; um ginásio de basquete, vôlei e handebol; um ginásio de natação; duas piscinas externas; uma lanchonete; quatro quadras externas: rúgbi, basebol, vôlei e basquete e sem contar o estacionamento da ala este e oeste. Da para se dizer que o terreno da escola é grande para Miami Beach.

Sentei em um dos bancos perto do estacionamento dos ônibus, coloquei minha mochila do meu lado e analisei meu estrago. Minha calça jeans, que antes era clara, estava com um circulo escuro em cada joelho, um rasgo que ia de uma costura a outra mostrava os cortes na pele, minhas mãos estavam com as palmas todas arranhadas mas agora não estavam mais sangrando, e minha blusa preta estava toda amarrotada. Parecia que eu tinha sido...

— Meu Deus, garota, você foi atropelada? – Olhei para cima para encontrar com os olhos castanhos da minha melhor amiga, Katerine Ranger.

— Se você considera tropeçar em um cachorro atropelamento, então é, fui atropelada – Dei de ombros e me ajeitei no banco

— Correção, você quem atropelou – Ela deu um sorrisinho de sabe tudo.

— Tanto faz, você entendeu – Rolei os olhos.

— Estudou para a prova? – Ela me olhou como se tentasse disfarçar algo,

— Sim – Falei enquanto me virava para descobrir o que, ou quem, podia estar atrás de mim, mas não consegui ver pois um par de mãos tapou meus olhos.

— Adivinha quem é! – A voz um pouco grossa atrás de mim falou, eu já sabia quem era, afinal, rotina é rotina.

— Jorge Washington, o senhor por aqui – Puxei a mão dele.

— Muito engraçado, Ray – Um cara alto, loiro e lindo sentou do meu lado e me deu um beijo no rosto

— Muito Obrigada por me cumprimentar senhor James Fletcher. – Reclamou Kate

— Aii, esqueci da namorada, como pude? – Ele botou as mãos na cabeça e depois abraçou-a.

— Palhaço – Os dois sempre ficavam tão bem juntos

(...)

Entrei na sala de química, que ainda estava vazia, andei até meu lugar ao fundo da sala e larguei meu material na classe enquanto ia me sentando. Abri meu caderno e comecei a fazer pequenas anotações sobre o que eu sabia da matéria. Quando dei por mim já havia escrito uma folha frente e verso e estava sentindo a minha mão úmida, o que eu achei estranho. Larguei a caneta e virei minha mão direita sentindo um leve desconforto e vendo que ela estava com a palma coberta de sangue. Levantei e passei por algumas pessoas que agora estavam na sala e sai em direção ao banheiro.

Andei mais ou menos uns trinta passos e esbarrei em alguém, acabando sentada no chão com as mãos sendo usadas como apoio para o corpo.

—Baby! Estava mesmo querendo te ver, nós precisamos conversar – Olhei para cima e me deparei com o cara que eu menos queria ver. Meu ex-namorado idiota: Frederick Billford – Vem que eu te ajudo – Ele estendeu a mão para mim.

—Não quero a sua ajuda, obrigada! – Mesmo com dor levantei-me sozinha antes dele ter qualquer reação.

—Baby! Eu sei que você ainda é apaixonada pelos meus cabelos castanhos claros – Ele passou a mão no cabelo enquanto fazia um sorriso presunçoso – e meus lindos olhos azuis escuros – Senti o riso vindo quando ele começou a piscar exageradamente os olhos, mas me segurei.

—I-di-o-ta! – Falei sem rodeios e comecei a caminhar novamente

—Rachel, nós precisamos conversar, não se faça de difícil – Ele me segurou pelo ombro e de reflexo tirei sua mão.

—Seguinte, Frederick: eu já havia te dito, nós não temos mais nada para conversar, você preferiu aqueles idiotas então fique com eles, mas me larga de mão – Dei as costas para ele novamente e voltei a caminhar.

—Rachel – Ele me puxou pelo ombro novamente.

—Encosta a mão em mim mais uma vez e eu juro...juro mesmo, que vou quebrar o seu nariz de novo – Ele sabia muito bem que eu faria se fosse preciso, então logo me soltou – Obrigada, agora se me der licença eu tenho mais o que fazer – Voltei a andar.

Há um ano, quando comecei a namorar aquele traste, ele não era um traste era o cara mais legal que eu conhecia, trabalhava, ajudava a família, se divertia comigo e os nossos amigos, tirava boas notas e era super carinhoso. Nunca imaginei que um dia ele ficaria desse modo, na verdade nunca pensei que ele gostasse de pessoas desse tipo.

Há uns três meses atrás ele começou a fazer coisas para “aparecer” pro grupinho que se autodenomina “A Elite” da escola. Eu estranhei o comportamento dele, porque ele sempre pareceu não gostar deles assim como o nosso pessoal, na verdade nós éramos...digamos que... a oposição pra eles.

A Elite era um bando de garotinhos e garotinhas do papai, riquinhos, que se achavam melhores que qualquer um dentro da escola por terem mais dinheiro e estarem em todos os cantos da escola como os melhores. Eram poucos os que gostavam deles, mas, eram ainda menos os que reagiam contra já que tinham medo de censura.

Bom, voltando ao assunto... dois meses e meio atrás, quando o pai de Fred foi promovido, chamaram-no para o grupo. E ele sem nenhuma preocupação aceitou, afinal era o que ele queria. Ele começou a tratar mal as pessoas, a fumar e beber em qualquer canto e participar de corridas ilegais. Eu não concordava com o que ele tinha se tornado, tentei de todas as maneiras fazê-lo parar e a voltar a andar conosco, mas era tudo inútil, por que enquanto eu tentava puxar ele para um lado, ele queria mais era me puxar para lá junto com ele. Em um dia que ele ia correr, ele me obrigou a ir junto, porque queria que eu estivesse lá para vê-lo ganhar. Mas o que eu vi mesmo foi um garoto bêbado, pulando na minha volta, tentando me enfiar dentro de um carro.

Quando chegamos ao lugar que ele ia correr, já tinha uma corrida em andamento. Ele parou o carro um pouco longe da pista, mas deu para ver exatamente o momento em que um dos caras derrapou na curva e o carro capotou duas vezes e só parou quando já estava “colado” no muro. Eu fiquei espantada demais com a cena para pensar em alguma coisa.

Flash Back On

Fred ligou o carro e começou a dar a ré

“- O que você esta fazendo? Nós temos que ajudar” – Estava todo mundo indo embora, sem nem se importar com o motorista do carro

“- Baby, nós temos que ir embora, isso sim. Daqui a pouco a polícia esta aqui, eles ajudam o cara, mas a gente tem que sair daqui, sou muito novo pra ir em cana” – Ele nem olhava na minha cara,só para frente do carro

“- Você só pode estar ficando maluco. Para a droga desse carro que eu vou ajudar” Comecei a tentar virar a chave para desligar o carro, mas ele me impedia

“- PARA COM ISSO! Já falei nós não vamos voltar, eu não vou ir preso. E se você voltar lá vai fazer o que?Dar uma de Huck e desamassar o carro com as mãos?” – Ele estava alterado,brabo,continuava sem olhar na minha cara

“-Se for preciso vou! AGORA PARA A DROGA DESSE CARRO” – Comecei a puxar o braço dele

“-VOCÊ QUER O QUE? QUE EU BATA O CARRO TAMBÉM?”- Ele puxou o braço das minhas mãos e eu fiquei sem reação

Por mais que eu soubesse que não era ele, eu vi a cena de Fred dentro daquele carro, capotando

“-Eu não quero que você bata o carro. Se eu realmente quisesse, não iria pedir para você parar de correr e beber todo santo dia” – Eu havia chegado a um ponto que eu não conseguia mais alterar meu tom de voz, somente era baixo e sem entonação

“-Baby,você sabe que não vai acontecer nada comigo,eu sou um ótimo motorista” – Ele estava me olhando com um pequeno sorriso

“-Não me importa se você dirige bem ou não. Você dirige bêbado! É a ultima vez que eu vou pedir. Para com isso!” Eu estava olhando para os meus joelhos, mas soube quando ele bufou

“-Eu não vou parar. Eu não vou bater. Da pra parar de me agourar?!” – Ele deu um soco no volante quando terminou de falar

“-Eu não estou te agourando” – Falei completamente incrédula “-Eu só estou preocupada com você!” — O sinal fechou e ele parou o carro

“-Eu não quero a sua preocupação. Eu sei me cuidar sozinho. Será que você não consegue entender?!” — Ele estava passando as mãos freneticamente no cabelo

“-Ah, eu entendo muito bem. Se você quer continuar correndo...corra...mas corra sozinho. Estou cansada de ficar me preocupando com você. Se você não precisa da minha preocupação, tudo bem. Eu termino a minha participação na tua vida aqui. Não temos mais nada para conversar.” – Saí do carro batendo a porta com força e fui embora caminhando sem olhar para trás

Flash Back Off

(...)

Em vez de ir para o banheiro acabei na enfermaria.

A enfermeira me explicou que quando caí mais cedo, tinha entrado uma pedrinha na minha mão, por isso que eu ainda estava com tanta dor e não parava de sangrar.

Voltei para a sala de aula, que agora estava cheia e sentei no meu lugar.

— Ray, hoje eu vou sentar aqui atrás com o Dilan, ok? – Olhei para trás e vi que Lauren, minha parceira de química e também minha amiga, estava debruçada sobre a mesa falando comigo

— La, tudo bem, só me alcança as folhas que eu te emprestei na outra aula, que eu quero dar uma olhada em uma coisa, ok? – Dei um sorrisinho para ela

— Ok! – Ela sentou, pegou minhas folhas, escreveu alguma coisa no cabeçalho e me entregou

“Vou sair com ele depois da aula *-* , depois te conto os detalhes”

Ps: Ele não é lindo ?!?! *-*

Depois de ler dei uma olhadinha para trás. Dilan era um garoto simples, mas como ela disse... lindo. Cabelo castanho bem escuro, meio arrepiado, nariz pequeno, boca... tentadora com uma mandíbula bem acentuada, não consegui ver os olhos dele, o corpo até parecia ser um pouco malhado

— Uau! – Falei e Lau enrubesceu

— Hm... Do que vocês estão falando? – O garoto agora tinha olhado para cima, curioso.

— Prova de química. Muita matéria pra estudar sabe... uau! – Vi Lau relaxar na cadeira.

(...)

— Bom dia turma! – O professor entrou na sala – Bom! Como muitos de vocês deveriam saber, hoje teríamos uma prova – Ele deu um sorriso irônico e sentou na cadeira

— Teríamos? Não vamos mais ter?

— Bem observado Srtª. Cloud. Não teremos a prova!

— Não me leve a mal, não é que eu não tenha gostado da noticia, mas, por quê? – Perguntou Kevin.

Eu não acredito que eu passei tudo isso hoje só por causa dessa prova, e agora não vai ter. Ah que raiva!!

— Temos um aluno novo na escola desde ontem! E a pedido do pai dele, nenhum dos professores vai fazer prova essa semana, para ele poder pegar a matéria – O professor largou um monte de cadernos em cima da mesa e sentou-se – Agora... Abram o livro na pagina 26 e façam as...

— Legal, mais um babaca na escola – Sussurrei só para mim enquanto o professor dizia o que fazermos

—Mas professor, essa seria a semana de provas finais, e a seguinte pelo que estou lembrada as recuperações. Vai mudar o dia do conselho de classe com tudo isso? – Uma das garotas sentadas ao fundo da sala perguntou

—Provavelmente sim, vendo pelo fato que não teremos as notas fechadas na data prevista

“Que beleza, lá se vai minha chance de ficar um tempo sozinha na casa de praia do papai antes dele tirar seus dias de folga” – Pensei enquanto escrevia

(...)

Assim que tocou o sinal para o intervalo fui me encontrar com o pessoal na cantina.

— Ray! Me espera! – Parei a poucos passos da porta enquanto Tery vinha em minha direção – Como foi a prova? – Voltamos a caminhar

— Não teve. Parece que tem um aluno novo na escola com um papaizinho que veio intervir para que ficássemos uma semana sem provas – Rolei os olhos – pro bonitinho se adaptar. Aff!

— Você deveria estar comemorando, já que não vai ter que fazer as provas finais essa semana – Ela abriu a porta da cantina enquanto falava e esperou que eu passasse

— Não me entenda errado, eu estou feliz por não ter as provas – Entrei na cantina e a esperei – Só que no final corri tanto hoje para nada.

Ela deu uma risadinha e assentiu

Logo avistamos o resto do pessoal e começamos a andar. Sentei-me ao lado de Mike, onde dava para ver toda a cantina

— Perdemos alguma coisa? – Joguei minha mochila na mesa e roubei uma batatinha de Jay

— Ali – Mike fez sinal com a cabeça indicando algo mais a frente dele

Tinha um garoto sentado em cima de uma mesa. A umas três mesas bem à frente de Mike. Ele estava de costas para nós, vestia um moletom azul marinho bem largo, cabelos levemente curtos e bem pretos. Parecia estar bem à vontade.

— O que tem de mais no garoto? – Falei colocando mais uma batata na boca.

— A “Elite” está indo até ele – Mike levantou uma das sobrancelhas

Olhei com mais atenção. Três garotos estavam indo em direção ao cara sentado. Eu sabia muito bem quem eram eles.

Loiro, metido a bom e tudo o que tinha de músculos não tinha de cérebro, esse era Doug Feden, um dos principais membros da “Elite”; O magrelo de estatura mediana era Damien Aono, braço direito de Doug; E para completar a trupe meu ex, Frederick Billford, o novo brinquedo do grupo.

Eles pararam de frente para o garoto. Pelo visto, o desconhecido não estava entendendo muito bem a conversa, mas só acenava com a cabeça. Doug e Damien já estavam parecendo perder a paciência, mas aquele garoto provavelmente não percebeu, já que eles estavam fazendo de tudo para disfarçar, e Frederick... estava mexendo no celular, encostado na mesa.

— Impressão minha ou eles estão recrutando? – Surpreendi-me de saber que não era a única prestando atenção naquela cena

— Eu não faço a mínima idéia Jay

Quando voltei a prestar atenção vi o garoto levantar e ir andando ao lado de Frederick

— Bom, se for, eles acabaram de conseguir mais um para o grupinho – Jay tomou um gole de refrigerante enquanto me olhava e eu apenas assenti

(...)

Finalmente, agora estava indo para o ultimo período, não via à hora de chegar em casa e tomar um banho bem demorado, sem ninguém me incomodar

— Maninha, só pra garantir, quando a gente chegar em casa o chuveiro é meu

— Ah não, pode tirar o cavalinho da chuva Michael, o chuveiro é meu

— Gente, não briguem, eu cedo o meu lugar para um de você, não quero tomar banho mesmo – Olhei para baixo, de onde vinha a voz

— Nem pense nisso Gabriel – Falei olhando meu irmãozinho de cima a baixo

O garoto tinha lama até no cabelo. Quando eu tinha meus sete anos eu não ficava tão suja quanto ele.

— Uau!! Meu irmão, hoje você se superou, vai é toma banho na entrada do prédio. Por que se a dona Fátima te vir entrar no prédio nessa sujeira, ela expulsa a gente – Mike não consegue mesmo ficar sem tirar sarro

— O sujuesmundo, você não vai escapar do banho. Vai pra aula de uma vez praguinha – Gabriel me deu um sorrisinho e saiu correndo pelo corredor, deixando um rastro de lama – Ele com certeza é SEU irmão Michael

— Pelo que eu me lembro você também é, minha ranzinza preferida – Não deu tempo de fugir, quando vi meu irmão tinha me colocado de baixo do braço e estava me levando para algum lugar

— Mi..ke — O nome dele saiu em partes, de acordo com cada passo que ele dava – Me coloca no chão... eu tenho que ir para a aula – Comecei a espernear que nem criança pequena e ele começou a rir

— Vou pensar se te mando para a aula, sua nerd

— Nerd não... CDF – Cruzei os braços como pude e fiz cara de braba

Ele dobrou umas duas ou três vezes, desceu dois lances de escada e abriu umas duas portas comigo debaixo do braço

— Mike, isso já está ficando vergonhoso sabia – Falei ainda de braços cruzados e ele soltou uma risadinha

— Vergonhoso é ficar na escola com essa cara mal lavada e essas calças rasgadas – Quando ele falou isso quis sumir

— Da pra me colocar no chão, por favor? – Pedi com toda a educação, já me dando por vencida

Ele deu uma risadinha e me colocou em pé de frente para ele

— Como sou seu irmão mais velho, estou te livrando do último período. Olha só como eu sou querido. Vem, vamos para casa, mais tarde eu venho buscar o Gaib. Você precisa descansar – Ele tirou uma das mechas de cabelo do meu rosto – Caramba, que galo enorme em – Ele deu uma risadinha, mas dava para ver que ele estava preocupado

— Maluco – Dei uma risadinha – Mamãe vai te matar

— Ela não precisa saber – Colocou o braço sobre meu ombro e fomos embora

(... Continua No Próximo Capitulo...)

Notas finais
Comente e faça seu autor feliz :)