Secrets
2 Vizinhos Novos
Ponto de Vista Rachel Cloud
Eu não queria dormir, mas Mike me incomodou tanto que acabei indo. Não foi má idéia, bem pelo contrario, agora eu provavelmente estava sonhando.
— Ei! Você está bem? – Olhei em minha volta. E para a minha surpresa eu estava novamente no ginásio, exatamente onde eu deveria ter caído deitada, depois da bolada
— Aham! Muito bem na verdade – Sentei-me e vi que não tinha nenhum machucado
— Que bom! – Olhei finalmente para quem estava falando comigo. Eu nunca o tinha visto, mas ele me parecia familiar, olhei com mais atenção.
— Conheço? – Não consegui me deter.
— Hmm... – Ele colocou a mão atrás da cabeça e olhou para cima mordendo o lábio — ...Na verdade não – Ele me olhou novamente, só que agora mais atento. Alguma coisa nele era familiar, mas eu não sabia dizer o que. Os olhos castanhos não lembravam ninguém, o cabelo preto, acho que também não.
— CARA! VOLTA PRO JOGO – Olhei para a quadra junto com o garoto do meu sonho.
Para a minha surpresa era Fred que estava lá em baixo, com uma bola de basquete embaixo do braço.
— Desculpa, tenho que ir – Ele me deu um sorriso, levantou-se e começou a andar.
Fiquei acompanhando-o com o olhar. Cabelos levemente curtos e bem pretos. De onde eu conhecia esse garoto?
Eu estava acompanhado-o ainda e reparei que sua roupa começou a ficar preta quando ele estava chegando aos garotos. E minha nossa, os garotos estavam em fila.
*Coloque para tocar agora*
My Chemical Romance — Welcome To The Black Parede
Começou a tocar um piano ao fundo enquanto ele descia os últimos degraus e entrava na fila. Todos olharam para onde eu estava e fizeram uma reverencia e voltaram a formação. Então começaram a marchar pelo ginásio em minha direção
When I was a young boy, (Quando eu era um garotinho,)
My father took me into the city (Meu pai me levou à cidade)
To see a marching band. (Para ver uma banda marchando.)
Eu não estava entendendo absolutamente nada. Eles não iam jogar basquete?
He said, "Son when you grow up, (Ele disse, "Filho quando você crescer,)
would you be the savior of the broken, (você seria o salvador dos destruídos,)
the beaten and the damned?" (dos derrotados e dos condenados?")
Eles fizeram uma roda na minha volta.
He said "Will you defeat them, (Ele disse "Você os derrotaria,)
your demons, and all the non-believers, (seus demônios, e todos os incrédulos,)
the plans that they have made?" (os planos que ele fizeram?")
Dois garotos tentaram pegar meus braços, mas desviei
"Because one day I'll leave you, (“Porque um dia eu o deixarei,)
A phantom to lead you in the summer, (um fantasma para guiá-lo no verão,)
To join The Black Parade." (Para me juntar ao Desfile Negro.")
Senti um formigamento e olhei para baixo. Minhas roupas também estavam ficando pretas. Andei involuntariamente em direção a eles, que abriram caminho e começaram a me seguir pelo ginásio como se eu fosse a líder
When I was a young boy, (Quando eu era um garotinho,)
My father took me into the city (Meu pai me levou à cidade)
To see a marching band. (Para ver uma banda marchando.)
Eu estava um pouco mais a frente que eles
He said, "Son when you grow up, (Ele disse, "Filho quando você crescer,)
would you be the savior of the broken, (você seria o salvador dos destruídos,)
the beaten and the damned?" (dos derrotados e dos condenados?")
Foi então que eles pararam, eu comecei a cair na escuridão e a musica começou a se afastar.
Sentei bruscamente na cama, finalmente estava em meu quarto e já era noite. Olhei no relógio 9:30 pm(21:30). Levantei e fui até o quarto de minha mãe. Ela estava dormindo. Mas não por muito tempo se essa musica continuasse nessa altura.
Sometimes I get the feeling she's watching over me. (Às vezes tenho a sensação de que ela está me observando.)
Fui para onde supostamente estava vindo o som
And other times I feel like I should go. (E outras vezes eu sinto que eu deveria ir.)
Bati com força na porta do vizinho da frente
And through it all, the rise and fall, the bodies in the streets. (E por isso tudo, a ascensão e queda, os corpos nas ruas.)
Ele não abriu. Bati mais forte ainda
And when you're gone we want you all to know. (E quando você se for nós queremos que todos vocês saibam.)
“Sentei” o dedo na campainha
We'll carry on, (Continuaremos,)
We'll carry on (Continuaremos)
Finalmente abriram a porta, a musica ficou ao fundo e fiquei pasma
—Pois não? – Alto, sem camisa, cabelos levemente curtos e bem pretos e olhos castanhos
Não tinha como não ser o mesmo cara do sonho só que com um sorriso muito mais perfeito.
Fiquei boquiaberta
— Sou a vizinha da frente – Falei apontando para a porta atrás de mim – Minha mãe esta dormindo, ela acorda cedo para trabalhar, pode deixar o som baixo, por favor? – Comecei a sentir frio
— Sem problemas – Ele deu um sorrisinho olhando para baixo
— Obrigada! – Agradeci assim que ele me olhou nos olhos
— Er...Você não quer... conversar um pouco? – Ele umedeceu os lábios
— Acho melhor não, outro dia quem sabe – Virei-me para ir embora
— Vizinha! – Me virei devagar morrendo de frio
— Fale! – Aproveitei o silencio e fui alguns passos em direção a minha porta e parei no meio do caminho
— Ei! Você tem nome? – Ele deu um sorrisinho debochado
— Tenho – Imitei o sorriso dele e bati a porta
(...)
— A-cóó-rrrr... – Abri os olhos bem devagar e vi Gaib, abaixado do lado da minha cama, com um fio de baba escorrendo do dedo que vinha em direção ao meu ouvindo
— Nem pense nisso – Sentei rapidamente
Ele começou a rir e saiu correndo porta a fora
— Já vi que hoje o dia vai ser agitado – Falei me atirando novamente na cama e tapando a cabeça
— Não sabia que você previa o futuro – Me surpreendi ao descobrir que não estava sozinha e sentei novamente na cama – Maninha, continua sentando assim, sem usar as mãos que você vai acabar com um tanquinho mais definido que o meu – Mik passou a mão na barriga e eu joguei o travesseiro na cara dele
— Idiota – Segurei a barriga para escondê-la
— Vamos, o café esta na mesa – Ele jogou o travesseiro no meu rosto, fazendo-me ir para trás
Logo que ele saiu do quarto me levantei e coloquei uma roupa confortável. Estava indo lavar meu rosto quando ouvi uma voz familiar. Sem nem pensar duas vezes fui correndo para a cozinha
— Lili – Minha cunhada estava sentada de costas para a porta e meu irmão estava ao seu lado
— Ray!Que bom que acordou – Ela me deu um sorriso
Fui em direção a Mik e dei um cascudo na cabeça dele
— Por que não me disse que ela estava ai?
— Você não perguntou
Lili deu uma pequena risada e pegou a minha mão
— Eu quero te mostrar umas fotos – Ela passou a outra mão por cima de uma pasta sobre a mesa
—Finalmente saiu – Sentei do outro lado dela – Deixa eu ver – Abri a pasta mas só tinha aquelas fotos em preto e branco que não da pra entender muita coisa
Minha cunhada esta grávida de quase três meses e já dava para ver uma pequena barriga saliente. Ela havia engravidado na primeira semana de setembro. Quando nós ficamos sabendo queríamos matar o Mik, afinal, os dois viraram maiores de idade há muito pouco tempo. Ele tem dezoito e meio e ela fez dezoito semana passada. Mas agora que todos...quer dizer...quase todos se acostumaram com a idéia as coisas estão indo melhor. Só minha mãe que não acredita que vai virar avó aos quarenta anos. Mas fora o titulo precoce esta tudo bem.
— Olha eu sei que não da pra identificar muito, mas eu vou tentar te explicar que nem a medica- Ela apontou para a primeira das seis fotos
— Um pé? – Passei o dedo por cima da linha
— Você é melhor que eu nisso, hein. – Ela me deu um sorriso
— Que nada. Foi só um chute – Admiti
— Garotas. Não querendo interromper, mas já interrompendo, a gente vai se atrasar – Mik apontou para o relógio
(...)
Chegamos poucos minutos antes do sinal e sai correndo para minha sala. Sentei em um lugar no fundo que sempre ficava vago e larguei meus materiais na outra classe, pretendia ouvir musica. O professor já estava iniciando a aula e liguei meu Ipod, passando as musicas sem prestar muita atenção.
—Bom alunos, hoje em física vamos trabalhar algo n... – O professor foi interrompido por uma batida na porta – Entre! — O diretor entrou na sala e parou do lado do professor e olhou para a porta
Parei em uma que não ouvia fazia algum tempo e deixei tocar ( Lenny Kravitz — I want to get away )
—Senhor McGregor, por favor entre – Todos ficaram olhando para a porta assim que o diretor falou isto.
Quando o garoto atendeu ao pedido do diretor e entrou na sala fiquei boquiaberta. Afinal, não havia me passado pela cabeça que ele estudasse aqui. Alto, cabelos levemente curtos e bem pretos, olhos castanhos, alguém que eu já havia visto e não fazia muito tempo. Ele puxou a alça da mochila, ajeitando-a no ombro e olhou para mim e deu um sorriso, o mesmo sorriso que havia me dado na noite passada e se voltou para o professor.
— Bom. Esta entregue – O diretor saiu rapidamente da sala
— McGregor – O professor o chamou – Apresente-se para a turma – Nenhum dos dois parecia animado com a chegada de meu vizinho
— Meu nome é Steve McGregor, tenho 17 anos como à maioria de vocês – Ele falou para a turma e depois se virou para o professor – Posso me sentar agora? Não gosto de apresentações!
— Tudo bem! Sente-se onde achar melhor – O professor pareceu indiferente com McGregor, só continuou escrevendo em seu caderno de chamadas
Me ajeitei na cadeira e comecei a rabiscar no caderno como em todas as aulas
— Posso sentar aqui? – Olhei para o lado e lá estava ele sorrindo para mim novamente
— Não! – Olhei para frente e vi que quem havia falado era Fred – Se quiser, sente aqui onde estou e eu vou para ai
— Desculpe, Frederick, mas não foi para você que perguntei – Assustei-me ao ver que os dois já se conheciam – E sim para essa bela garota – Olhei para ele e fiz a minha melhor cara de “ fala serio”
— Steve, Steve, você não vai querer arranjar briga comigo – Fred começou a levantar
— Oh! Podem parar com isso agora – Cadê o professor quando se precisa dele? Obvio que fuçando no caderno de chamada pra dize que esta fazendo algo. Lesado! – Sem briga estamos em uma sala de aula
Entrou mais alguém na sala e fiquei feliz em saber quem era
— Desculpe professor, perdi o ônibus – Dilan tinha acabado de chegar e veio em meu encontro – E ai cara, como é que vai? – Ele deu dois tapinhas nas costas de McGregor e um sorriso amigável – Ray, tem alguém sentado do seu lado? – Ele me perguntou e deu uma piscadinha
— Não! – Puxei minhas coisas e ele largou as dele
— Ei! Eu ia me sentar aqui – McGregor reclamou para Dilan
— Sorry, man! Preciso realmente conversar com ela – Ele deu dois tapinhas nas costas de McGregor novamente e sentou-se ao meu lado
— Ok cara, sem problemas – McGregor parecia meio irritado, mas foi sentar-se do outro lado da turma
Frederick não ficou nada feliz com McGregor tentando sentar ao meu lado, e menos feliz ainda com Dilan aqui
— O que precisava falar comigo? – Perguntei
— Nada, era só pra te tirar do meio da briga – Ele sorriu, e como sempre que fazia isso, seus olhos quase se fecharam por causa das suas bochechas.
Retribui o sorriso e agradeci
— Agora que o Sr. McGregor está devidamente acomodado, demos inicio a aula – O professor começou a falar sem parar e eu a anotar.
(...)
Ponto de Vista Frederick Billford
Saí da sala de aula ainda irritado. Quem aquele idiota pensa que é? Rachel é minha namorada, só por que ela decidiu ficar brabinha comigo essas ultimas semanas não quer dizer que eu não sou mais o namorado dela. Ela insiste em ficar andando com aqueles babacas enquanto podia estar andando conosco, sendo adorada por todos da escola, mas não, ela não quer aceitar o convite.
Fui até a parte de fora da escola onde estava Peter e Drew. Eles estavam sentados embaixo de uma arvore conversando. Indo em direção a eles também estavam Erin e Amber.
— Fala aí! O que aconteceu pra você estar com essa cara? – Drew estava com um sorriso irônico me olhando
— Manda o novato ficar longe da Rachel – Fui direto ao ponto – Ou eu juro que vou quebrar a cara dele
— Fred, você não esta em uma posição para poder brigar – Algo na voz e no rosto dele me fazia pensar que ele estava achando graça – Que eu saiba vocês não estão mais juntos
— Estamos juntos! Ela só esta... não sei, irritada por eu não andar com os amigos dela mais – Peter e Erin que estavam abraçados começaram a rir
— Bom, acho que você vai ter que avisar para ela que vocês ainda estão juntos, porque ela parece não saber – Amber se encostou na arvore e começou a lixar as unhas
— Amber, não pedi sua opinião – Falei sem pensar
— Frederick,cuidado como fala com a minha irmã – Drew já não estava achando graça mais
— Pode deixar Drew, eu sei me defender – Amber deu uma pequena risada e veio em minha direção – Fred, se vocês estão juntos ainda, por que ela não esta aqui com você? Por que ela esta com aqueles bastardinhos que ela chama de amigos? – Ela deu outra pequena risada – Acho que posso responder melhor que você – Ela veio mais para perto de mim e falo em meu ouvido – Ela não gosta mais de você!
— Ela me ama – Novamente não pensei antes de falar
— Se te ama, por que você não a convence a vir para a Elite? – Drew falou deitando-se na grama
— Já tentei, ela não quer – Falei desanimado
— Acho que vou ter que dar esta tarefa para o Steve então, ele parece ser capaz de convencê-la
— Drew, mantenha-o longe da Rachel – Minha irritação começou a aumentar novamente
— Manterei! É só você convencê-la de uma vez – Ele bocejou
— Eu vou convencê-la — Falei já irritado...
— Duvido – Peter e Erin falaram juntos
E sai andando pelo pátio, eles iam ver, ela vai entrar para a Elite, custe o que custar.
Ponto de Vista Katerine Ranger
Tinha esquecido meu livro de calculo no carro do Jay e precisava para o próximo período.
Estava indo em direção ao estacionamento, quando alguém esbarrou em mim.
— Olha por onde anda! – Olhei para a pessoa que havia falado
— Tinha que ser você, né Fred! – Juntei a chave do carro que havia caído no chão.
— Ah! Sai da frente ! – Me empurrou e saiu andando
— IDIOTA! – Gritei quando ele já estava longe.
Ele virou-se e me mostrou o dedo do meio enquanto andava de costas
— Estúpido – Rolei os olhos e saí andando
Quando cheguei no carro vi meu livro embaixo do banco do passageiro, abri a porta e entrei para pega-lo
— Sabe, seu plano esta sendo muito bom irmãozinho, mas esta demorando demais
— Paciência é um dom Amb. Se você souber esperar, tudo cairá no seu colo, com a maior facilidade
Drew e Amber estavam ao lado do carro, me mantive abaixada e continuei a escutar
— A sua paciência me irrita e não só a mim. Dilan já disse para trazer aqueles dois pro grupo de uma vez, eu já garanti o Fred, agora você tem que trazer a Rachel
— Amb, vamos combinar que o Fred não teve nada de desafio, afinal de contas, ele é uma anta. A Ray é um desafio, você sabe, e não vai demorar tanto quanto você pensa, afinal agora temos armas novas.
— Armas perigosas e não domadas meu querido – Ouvi Amber dar uma risadinha – Vamos que o sinal já vai tocar
Eu não fazia a menor idéia do que eles estavam tramando, mas boa coisa não era...
(...)
Ponto de Vista Rachel Cloud
Sai da sala de aula e fui até a biblioteca, precisava fazer um trabalho de historia. Logo cheguei até as duas portas de vidro onde tinha uma grande placa em cima, escrito: Biblioteca, e em letras menores embaixo: faça silencio.
Abri uma das portas e fui até a bancada da bibliotecária
— Posso ajudar senhorita? – A senhora de cabelos grisalhos, olhou para cima, o que fez sobressaltar o óculos redondo na ponta do nariz.
— Preciso fazer o trabalho do senhor Daves – Ajeitei a mochila no ombro
— Corredor doze, nas prateleiras de baixo – Ela falou e voltou a rabiscar no caderno sobre a mesa
A biblioteca sempre foi enorme, acho que era quase do tamanho do ginásio. Passei pelas primeiras prateleiras, e fui em direção as mesas que ficavam mais próximas e onde eu iria ter que pesquisar. Aproveitei que não tinha muita gente ali e larguei minha mochila no meio de uma delas. Fui até onde a bibliotecária indicou. Peguei alguns livros e levei para junto da minha mochila, folhei-os, anotei algumas coisas e voltei para olhar alguns outros.
Vi um livro que me chamou a atenção: A Elite. Era um livro marrom com escritos em dourado. Puxei-o cuidadosamente com a mão que estava livre para não derrubar nada, mas não obtive sucesso, vários livros caíram no chão. Vi a bibliotecária se esticar para ver o que tinha acontecido.
— Está tudo bem?
— Sim, já vou arrumar – Respondi para ela enquanto eu já juntava os livros
— Só faça silencio, por favor- Ela falou e volto para o que estava fazendo antes
Abaixei-me para arrumar a bagunça quando ouvi a porta bater.
— Preciso fazer um trabalho, posso me sentar por aqui? – Ouvi um garoto falar e espiei entre as prateleiras para ver se o enxergava
— Fique à vontade, só faça silencio – A senhora respondeu para ele
(... Continua No Próximo Capitulo...)
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