Secrets
3 Caminho Errado
Notas iniciais
Correr. Tentava concentrar-se apenas em correr, salvar-se. Mas para onde estaria indo? Havia ouvido algumas vezes, que havia entre aquele labirinto abrigos. Mas se os túneis já estavam a ceder, durariam os abrigos? Ou serviriam apenas de falsa esperança.
Passara por um dos pouco túneis que ainda não desabaram. Lili não sabia o porquê, mas parará a sua entrada. O ar gélido fazia seus dentes tremeram. O que estou fazendo? Ruídos ecoavam abafados pelos estrondos dos túneis a ruir... ruídos diferentes, como... rugidos.
Dizia a si mesma, que deveria sair dali, que deveria voltar a correr... mas alguma coisa, parecia chama-la... convidando-a a se aventurar pelo túnel... Por que... Eles lhe despertavam, algo muito além da curiosidade... encarava a escuridão que o consumia... tentava ouvir apenas os ruídos, parecia tão, familiar.
–Lily! — Annie gritara, a garota já estava a metros dela, iria seguir por outro túnel — Venha!
Seu olhar era aflito, a mão estendida, por mais que Lily fosse incapaz de alcança-la. Olhara-a, por mais que soubesse que devia segui-la, por mais que que que sua consciência grita-se com ela... algo naquele túnel, havia algo...
Tudo tremia, rachaduras se estendiam mais e mais, por todos os lugares, menos... Naquele túnel, mordera o lábio. Tinha alguma coisa lá, aqueles ruídos, o ar gelado...
Eu estou ficando louca... talvez realmente estivesse... talvez já fosse.
Olhara Annie, mais uma vez, uma ultima vez. Poderia lhe levar a morte, mas se nunca fosse sucumbiria a loucura. Tinha de seguir, tinha de saber...Voltara a correr, desta vez rumo a escuridão.
Parecia que havia fugido do cenário de desespero, podia ainda ouvir as bombas, mas as explosões ecoavam ao longe. O túnel não tremia, não rachava, permanecia intacto firme. A partir de certo tempo, Hera começara a se erguer por suas paredes, por mais que não houvesse luz, as plantas vingavam, se erguiam vorazes pelas pardes e teto.
A cada passo os sons da guerra se tonavam ocultos, cada vez mais distantes, como se estivesse se afastando daquela realidade. Gritos, bombas, sofrimento, ficavam ao longe como lembranças esquecidas. Não corria mais, andava rente a parede, em passos lentos. Plantas rasteiras se encontravam sobre seus pés, era como andar sobre veludo. Aos poucos o túnel reclinava-se para cima, subindo, levando-a de volta a superfície.
Ouvia ainda os rugidos, a cada passo se tornavam mais altos. Não sabia qual era o animal que produzia tal som, mas ele lhe soava familiar, como o latido de um cão.
Seus olhos foram feridos pela luz, após tanto tempo imersa na escuridão o mais fraco raio de sol, era a mais intensa luz. Para, tentava fazer os olhos se acostumarem com a luz, tentava abri-los o mais que podia.
O túnel enfim terminara, era de se esperar que os sons agonizantes lá se tornassem mais altos, mas ela tinha de se concentrar para ouvi-los, de tão ao longe que agora se viam.
Acostumara-se com a claridade, retomara a subida, passos cada vez mais lentos, por mais que não quisesse admitir, tinha medo do que fosse encontrar.
Havia no final um pequeno comodo, que como todo o resto do túnel coberto por heras, mas diferente do resto, estava quente. Em seu centro, uma escada como a da livraria, mas esta era feita de metais mais nobres. Levava a um estreito túnel, de onde emanava a luz.
Sentia como se bandos e bandos de aves brigassem em seus estomago. Não havia seguido até ali para nada, tinha de pelo menos descobrir de onde vinham os ruídos, e talvez por que lhe eram tão familiares. Mas no fim daquelas escadas poderia haver nada, ou apenas destruição.
Poderia ser apenas sua mente em colapiso, tudo que estava a ocorrer levaria muitos a completa insanidade, ruídos inexistentes. Não pode ser. Tentara discutir com a parte lógica de si mesma, havia alguma coisa a mais, não eram apenas sons estranhos. Havia algo a mais, os ruídos pareciam chama-la, como se implora-se a Lily que viesse ao seu encontro.
Tirara a groso casaco, que antes estava fino para o frio, e que agora a esquentava. Amarara-o na cintura. Olhara a escada, estava empoeirada, mas a prata que parecia ser feita refletia graciosa a luz do sol. Os ruídos por fim a convenceram a subir, a escadaria de prata.
A alternativa de que ao fim do túnel encontraria uma cidade destruídas, com bombas caído sobre tal, fora descartada. Pouco antes de chegar ao fim, os ruídos pararam dando lugar ao canto de aves, estes desconhecidos.
Colocara a cabeça para fora da abertura do túnel. No começo se maravilhou com o que viu, mas logo assustou-se. Lily se via no meio de uma floresta, a mais bela que já vira, arvores de tamanhos e formas diferente, com tons variados de verde, cada uma mais magnifico que o outro, todos encantavam-a. Flores que nunca vira, com uma beleza incomparável.
Saia de vez do túnel. Permanecia sentada a sua entrada, maravilhando-se com tudo a sua volta. Mas como poderia haver uma floresta ali? Viera a sua mente Willdeler não tinha nenhuma floresta que ainda se resta-se de pé. Todas que rodeavam a cidade já havia sido derrubadas ou morreram com as pragas.
Pousara a sua frente uma ave, tirando sua atenção dos pensamentos. Não imaginara que algo poderia se mais magnifico que a floresta, aquele animal não podia se comparar com quaisquer outra que já havia visto. Grande como um falcão, mas esta tinha penas azuis como o céu, manchadas do mais belo violeta. Com uma calda que clareava até se tornar um doce verde esmeralda.
O Pássaro movia a cabeça de um lado para o outro,como se Lily o intriga-se. Ela sorria para ele, sua beleza era tanta que lhe tirava a preocupação da cabeça. Como se estivesse se assustado, em um salto a ave levantara voo, indo para entre as arvores. Lily tentou segui-lo com o olhar mais este desaparecera.
–Adeus amiguinho. — Sussurrara.
A quanto tempo estava a andar não tinha ideia. Tentara explorar os arredores, tentando não se afastar de mais do túnel. Haviam, mais aves maravilhosas, de tamanhos e cores variados. Alguns animais que lhe lembravam esquilos, outros coelhos, mas nenhum era conhecido.
Voltara mais uma vez ao túnel, mas desta vez não o encontrara. Droga, me perdi! Tentara pensar no que fazer, se realmente tentar encontrar o túnel seria uma ideia considerada boa. Poderia até voltar, mas achava que naquela floresta estaria segura, por mais que alguma coisa viesse ataca-la, seria melhor lutar de mãos vazias do que voltar a cidade, para morrer soterrada.
Sentou-se aos pés de uma das arvores, com intuito de pensar, de tentar organizar as ideias. Mas ao relaxar o corpo pode ver o quanto cansada estava, por mais que tenta-se continuara acordada, porém o sono a vencera.
*
Acordou quando ao sol se punha, a floresta se tornara mais bela a luz do por do sol. As aves se iam, junto aos pequeninos animais que vira antes, a floresta começara a imergir no silêncio, na escuridão. O ar frio começara a tomar o lugar.
Poderia voltar ao túnel, se esse não houvesse perdido de vista, podia dormir na sala da escada, lá se sentiria mais segura.
Levantou-se rapidamente, a aquele ponto Lily já estava faminta. A ultima coisa que comera fora um pedaço do bolo de chocolate, do qual o resto fora devorado por Annie.
Annie, onde estaria agora? Onde estariam seus pais, amigos? Sua Avó? A guerra realmente teria sido entre as duas potencias apenas, ou como as outras duas envolvera mais nações? Não via nenhuma justificativa para o combate, para colocar em joga a vida de tantas pessoas. Destruir o mundo só por causa de capital.
Começara a andar novamente, os animais subindo em arvores, todos eles até os que lhe lembravam coelhos. Posso fazer isso também. Se todos os animais subiam nas arvores, devia ser esta a melhor ideia. Começara a procurar uma arvores que fosse capas de suportar seu peso, não era algo muito difícil devido a variedade de arvores que ali se encontravam.
Já estava pronta para escalar, não seria difícil, sempre que ia em Londres visitar sua Avó escalava as arvores do jardim, quando criança levava as bonecas para brincar, e agora levava livros, para se aventurar. A lembrança lhe doía o peito, talvez não voltasse a ver sua avó, talvez ficasse ilhada naquela floresta, talvez não.
Alguma coisa passara correndo a suas costas, ela virara o mais rápido que era capaz, nada. Outra vez algo correra atrás de si, tentara ver o que era mais uma vez, sem sucesso. Rosnados, garras sobre o chão, devagar virou-se tentando não fazer qualquer movimento brusco. Duas feras de olhos verdes, a encaravam, estas ela conhecia. Tigres
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