Second chance
2 Meu dia de sorte, ou não
Notas iniciais
Eu estava caminhando pelas ruas de Atlanta numa manhã de sol, procurava por suprimentos, minha comida havia acabado ontem e meus primeiros socorros estavam no fim. Resumindo, eu estava faminta e com um corte nos braço que provavelmente estava inflamado.
Tentei pensar em outra coisa que não fosse o ronco do meu estômago, então comecei a observar a cidade. Já havia visitado Atlanta antes, mas quando eu vim aqui, a cidade estava iluminada e cheia de vida, uma cidade que atraia muitos turistas, mas agora estava destruída e morta, literalmente. Eu gostava daqui, mas não era o tipo de lugar onde eu gostaria de morar, eu era de Gainesville , uma pacata cidade na Geórgia, o tipo de lugar onde as pessoas se reuniam na frente das casas pra contar como foi seu dia para os vizinhos .
Sabia me locomover pelas ruas de Atlanta, quer dizer, sabia ir para centros comerciais e pontos turísticos. Mas alguma coisa me dizia que esses lugares estavam com a maior concentração de mortos, e minha munição não estava tão boa.
Me dirigi para a área residencial da cidade. Iria procurar nas casa por comida e, se tivesse sorte — o que era muito difícil — , encontraria algum material de primeiros socorros.
Comecei por um bairro que possuía casa brancas com varandas. Se ignorasse um ou dois mortos andando por aqui e ali, seria ate uma vista legal, de um bairro normal.
Sabe quando eu pensei que teria sorte e encontraria tudo que precisasse ? Eu estava errada.
Olhei nas primeiras seis casas e não encontrei nada, nem se que uma lata de sardinha. Mas em compensação , havia matado uns cinco mortos. Isso seria ate engraçado se não fosse trágico
Caminhei em direção a uma casa branca com creme, era uma bela casa.Assim que consegui passar pela porta, me deparei com vários retratos quebrados, fotos rasgadas e muitos cacos de vidro espalhados pelo chão. Olhei em volta, pensando no que teria acontecido ali, então notei que, na parede em cima da lareira, ao lado do sofá, estava um fotografia intacta , completamente solitária. Pelo que pude ver de longe, era um casal sem filhos, apenas um cachorro. Mas assim que fui me aproximando, percebi que a mão da moça repousava sobre a barriga que começara a aparecer, ela estava esperando um filho.
Desejei internamente que eles tivessem sobrevivido a tudo isso e conseguido ter a criança.
Assim que eu chegava perto da fotografia, vi um espelho na parede, pude ver meu reflexo , minha nossa, eu estava horrível , meus cabelos castanhos estavam sujos e bagunçados, minhas roupas estavam manchadas com sangue e sujeiras, a blusa que um dia fora branca, agora estava meio avermelhada e completamente imunda, meu jeans azul estava com marcas de terra e rasgados no joelho, meu casaco , que estava amarrado na cintura, estava com respingo de sangue, não sei dizer se era meu ou de um dos mortos. Resumindo, eu estava um caco, o tipo de aparência que dizia que eu era uma sobrevivente .
Acho que acabei me distraindo demais com minha deplorável situação que não percebi quando alguma coisa puxou meu pé , me fazendo cair em cima dos cacos.
Ok, eu sabia que não era sortuda, mais isso ja era pura sacanagem do universo.
Havia um morto atrás do sofá, preso entre os destroços de uma mesa, que agora segurava meu pé. Chutei forte sua cara, mas senti uma dor aguda em minha perna. Chutei novamente, mas dessa vez com a outra perna, fazendo com que meu all star ficasse sujo de sangue.
Tive um pouco de dificuldade pra mata-lo, mas consegui enfiar um caco de vidro grande o suficiente em sua cabeça . Assim que fiquei de pé, senti novamente a dor na perna.
Sentei-me no pé da escada e olhei para o ferimento. Foi a uns dez cm a cima do joelho, um golpe de mais ou menos do tamanho do meu dedo indicador. Precisaria de pontos, mas minha linha havia acabado, lembrei do por que eu estava revirando residências abandonadas no apocalipse.
Pensei no que fazer, xingando baixinho diversas vezes enquanto amarrava a ultima gaze no corte. Meu plano era procurar linha e agulhas esterilizadas pelas casas , fazer a sutura e comer algo na casa em que eu fosse passar a noite.
Moleza
Fiquei de pé com dificuldade, sentindo uma pontada de dor a cada passo que dava. Dei uma ultima olhada pela cozinha, não achando nada, e caminhei para o segundo andar, não encontrando nada novamente.
Andei para a próxima casa, não achei os materiais médicos, mas achei três latas de feijão.Sorri satisfeita, resolvi que comeria primeiro e pensaria no ferimento depois.
Na casa ao lado, eu hesitei em entrar, a porta estava destrancada, o que não era comum. Todas eu tinha que arrombar ou entrar por alguma janela. Mas eu estava com tanta fome que não me preocupei tanto, mas estava atenta , preparada pra qualquer ameaça.
Entrei silenciosamente na casa, um pé após o outro, com a arma em mão, pronta para atirar .
Olhei ao redor, aparentemente não havia ninguém, me sentei no sofá empoeirado e observei mais atentamente a casa em quanto comia meu feijão.
Nas paredes havia fotos de criança e adultos, estranhei no começo , mas logo vi varias fotos de um casal de idosos , as crianças eram netos e os adultos, filhos crescidos.
A foto que mais me chamou atenção foi a que estava em cima da mesinha do telefone, ao meu lado. Mostrava dois idosos , uma senhora com cabelos brancos como algodão e olhos castanhos como madeira estava beijando o rosto de um senhor que possuía olhos castanhos quase pretos e um lindo sorriso no rosto. Eles pareciam bem felizes.
Não pude evitar me perguntar se chegaria a ter essa idade, mas não pude pensar tanto.
Um barulho vindo da escada me fez levantar rapidamente, mas continuei de costas.Apenas me virei quando ouvi o barulho de uma arma sendo destravada.
Uma pessoa que pensasse claramente viraria de vagar e calma, sabendo do risco que corria de levar um tiro no meio da fuça, mas eu ?Saquei minha arma e virei de uma vez, destravando-a também , mostrando que eu não estava com medo de ser morta.
Mas a maior surpresa foi quem estava me apontando a arma.
Hoje realmente não era meu dia
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