Second chance

3 New Opportunity


Notas iniciais
Eu fiquei meio triste por não ter nenhum comentário, me falem se estão gostando ou não , se eu preciso mudar algo. Mas enfim, espero que estejam gostando Agora vamos pro capitulo

Vamos a uma breve recapitulação do meu dia. Primeiro,me machuquei com um caco de vidro e por pouco não fui mordida por uma daquelas coisas. Segundo, acabei com meu ultimo mantimento medico. E quando eu achava que tudo estava começando a melhorar, sou ameaçada por um garoto com um chapéu de xerife.

Valeu força superior, amo você, seu lindo

O garoto que mantinha a arma apontada pra minha cabeça deveria ter mais ou menos a minha idade, ele era mais alto — o que dificultaria minha situação em uma luta corpo a corpo — e seus olhos eram incrivelmente azuis, como uma piscina em dia de sol, sua pele branca dava um contraste com seus cabelos castanhos escuro. Ele era o tipo de menino que , em um mundo normal, seria disputado por varias garotas.

Percebi que ele também me analisava disfarçadamente, provavelmente pensando se valeria a pena poupar minha vida ou se deveria apenas disparar a pistola. Pensei rapidamente no meu estado, não era um dos melhores, mas meus olhos castanhos claros deveriam me deixar com uma aparecia minimamente melhor . Mas quem se importa? Eu poderia estar morda daqui a um minuto

Eu esperava que minha expressão não entregasse o quanto eu estava assustada, não queria atirar no garoto, duvido que conseguira mata-lo, diferentemente dele, que, pelo visto, não hesitaria em me matar. Quem sabe se eu falasse com ele, eu poderia pegar minhas coisas e ir embora ? Não custa tentar

— Olha garoto, eu não quero problemas — falei tentando parecer segura do que estava dizendo

Ele não respondeu, apenas manteve sua postura, com a arma apontada para mim. Isso já tava me cansando, e, o fato ter levantado rápido demais fez com que o ferimento abrisse mais, molhando o curativo mal feito e manchando minha calça . Estava ardendo, mas não iria abaixar minha arma e demonstrar fraqueza.

Ele com certeza percebeu o sangramento, pois de vez em quando desviava seus olhos para minha perna. Eu estava prestes a abaixar a arma pra tentar conter o sangramento , mas ouvi alguém falar do andar de cima, tirando qualquer resquício da possibilidade de abaixar minha arma

— Carl eu encontrei...- quando o homem chegou no fim da escada e me viu, parou de falar. O garoto do chapéu era muito parecido com ele, acho que eram pai e filho, mas o cara ,mais velho parecia mais amigável — Ei garota, abaixe essa arma, ninguém precisa se machucar .

Não respondi, mas fiz um sinal com o queixo indicando que só abaixaria quando o projeto de xerife abaixasse a arma também .

O homem mais velho olhou pro garoto de forma significativa, como se estivessem tendo uma discussão silenciosa. Por fim o garoto abaixou a arma, hesitei um pouco, mas acabei abaixando a minha também, pondo minha mão, agora,livre no ferimento que sangrava, já havia molhado minha calça com o liquido vermelho. Gemi baixinho, tanto de dor quanto de frustração .

Vendo que eu não iria iniciar a conversa, o cara mais velho falou

— Você esta machucada? — aquela era a pergunta mais estúpida a se fazer para alguém que estava sangrando

— Não, sabe, eu adoro me sujar com catchup no meio de um apocalipse — falei sarcasticamente, em quanto tentava conter o sangramento de alguma forma

— Educação passou longe- o garoto murmurou, mas acabei ouvindo

Ignorei e continuei tentando estancar o sangramento, sem sucesso algum.Acabei desistindo e rasgando um pedaço da manga da camisa e amarrando na perna por cima da gase ensanguentada .

Os dois me encaravam durante o processo, podia sentir seus olhares sobre mim.

Quando levantei para encara-los, o mais velho perguntou

—Qual seu nome ?

— Alexia — falei simplesmente, não iria dizer meu nome completo pra dois estranhos — E o seu ?

— Rick Grimes — falou o mais velho, logo depois colocou a mão no ombro do garoto — Esse é o Carl, meu filho

Assenti com a cabeça. Manter uma conversa nunca fora meu forte, nem quando o mundo era mundo. Notando meu silencio, o garoto/Carl perguntou

— Como conseguiu esse ferimento ? — ele provavelmente estava se perguntando se não era uma mordida ou um arranhão

— Eu me distrai um pouco e um dos mortos puxou meu pé, me derrubando em cima de cacos de vidro, um deles ficou preso, o que resultou nisso — falei apontando pra ferida

Carl assentiu com a cabeça e se dirigiu para a cozinha, provavelmente a procura de suprimentos, me deixando a sós com Rick

— Esta sozinha, Alexia ? — ele perguntou, acho que pelo meu estado

—Sim, ja faz mais ou menos um ano- falei, me senti frustrada por não ter noção do tempo, mas deveria ser aproximadamente isso

—Onde estão seus pais ?- ele disse com cautela

Eu ja tinha superado a morte deles, mais falar em voz alta e com alguém que não fosse minha consciência ainda era meio difícil

— Estão mortos — disse friamente, tentando afastar as lembranças que vieram involuntariamente

Rick assentiu, tentando imaginar uma historia que explicasse como uma pirralha como eu consegui sobreviver tanto tempo sozinha.

— Quantos zumbis você ja matou ? — zumbis ?, acho que ele estava falando dos mortos,parei um pouco pra pensar, eram muitos, perdi a conta rapidamente

— Demais pra contar — disse por fim

— Quantas pessoas você ja matou ? — aquela pergunta me pegou de surpresa. Afinal, por que ele queria saber? Isso era uma coisa minha

— Por que se importa ?- respondi com outra pergunta

— Pode me responder, garota ?- ele disse serio, pensei e respondi, muito envergonhada e tomada pela culpa

— Matei cinco pessoas, ok ? — falei de cabeça baixa, ja tinha me dito muitas vezes que foi em defesa própria, ou eu os matava ou eles me matavam, mas não conseguia deixar de me senti envergonhada

— Por que ? — ok, primeiro esse cara mete o nariz onde não é chamado, me fazendo falar de coisas que me deixam extremamente culpada e ainda me pede o porque ? Isso era demais

— Não é da sua conta — eu havia cansado de ser educada e obediente, meus motivos, eram MEUS motivos, não diziam respeito a mais ninguém senão a mim.

— Por favor, estou tentando te ajudar garota, me responda- ele disse calmamente, como quem fala com uma criança que faz birra no meio do supermercado. Por algum motivo, isso me deixou irritada, mais do que eu ja estava

— Eu tive meus motivos — Disse tentando escapar de ter que explicar

— Quais seriam ? — respirei fundo, alto o suficiente pra ele perceber que eu não queria responder, mas ele continuou aguardando uma resposta aceitável.

—Eu precisei, tá ?- falei lembrando dos três da fazenda e dos dois caras com quem eu e Mary topamos na floresta, eles fariam coisas bem piores do que nos matar- Três caras ameaçaram a mim e minha família quando ainda estavam vivos, e os outros dois tentaram estuprar a mim e minha amiga na floresta. Tive que mata-los para salvar nos duas .Era eles ou nos. Sei que você faria o mesmo pra proteger aqueles que ama.Mesmo que isso custe sua humanidade.

Rick assentiu e pensou por um momento, durante esse tempo, fui inundada com as lembranças tristes, mas a mais dolorosa foi quando eu perdi Mary, não sabendo se ela estava viva ou não . Nos separamos quando uma horda de mortos/zumbis cercaram a casa que estávamos passando a noite , ela disse que atrairia eles pra longe e eu corria dali, foi o que fizemos, mas não consegui encontra-la novamente.

Senti meus olhos ficarem marejados , ameaçando deixar as lágrimas caírem. Respirei fundo e voltei a encarar Rick ,que ainda estava perdido em pensamentos .

Parei para analisa-lo , ele parecia o tipo de homem que ja tinha visto de tudo, e levava o peso do mundo nas costas. Seus olhos perdidos me mostravam que eu estava certa.

Quando ele finalmente saiu de seu transe, voltou a me encarar e perguntou

— Gostaria de vir conosco ?- se eu achava que as perguntas tivessem me deixado surpresa, isso nem se compra, eu havia notado que as roupas dele e do seu filho não estavam sujas ou acabadas como as minhas, mas não tinha imaginado que faziam parte de um grupo.

Fiquei paralisada por um momento. Um grupo, novas pessoas . Seria uma nova vida se eu aceitasse.

Eu não tinha mais nada a perder , então resolvi aceitar

—Eu...- mesmo certa da minha decisão, ainda estava meio com o pé atrás, os grupos que eu tinha encontrado pela estrada não eram exatamente pessoas boas . Mas alguma coisa me dizia pra aceitar, alguma coisa em Rick me lembrava meu pai — Eu quero

Ele sorriu abertamente, como se tivesse alcançado seu objetivo do dia. Ele se aproximou e segurou meu ombro, colocando minha mochila nas costas e nos guiando ate a porta. Sorri com isso, era difícil encontrar pessoas boa hoje em dia, mas tenho certeza de que eles são pessoas boas.

Eles

Me lembrei do projeto de xerife/ Carl, não tinha o tinha visto desde que ele foi pra cozinha

— Cadê o seu filho.... Carl ?- tive dificuldade em pronunciar seu nome, mas acho que saiu certo

— Já deve esta no carro,esperando por nos.

Se eles estavam de carro, o acampamento era longe. Mas ...espera . Se eles tinham um carro, deveriam esta em um lugar seguro.

— Aonde estão acampados? — perguntei casualmente

— Não é bem um acampamento — ele disse simplesmente, ficando calado logo em seguida

Resolvi esperar para ver, acabando com as perguntas em minha mente e apenas seguindo Rick em direção ao carro onde Carl e um rapaz asiático conversavam.

Assim que nos aproximamos, o rapaz asiático me analisou e olhou de relance para Carl, como se perguntasse "é essa que você falou ?", Carl afirmou minimamente com a cabeça .

— Essa é Alexia- Rick me apresentou, pondo as mãos em cada ombro meu- Alexia esse é o Gleen , e o Carl você ja conhece

— Oi — falei timidamente — Pode me chamar de Alex

— Ola Alex- Gleen falou com um sorriso amigável no rosto — Vai vim conosco , certo ?

— Vou — falei — estou andando sozinha faz muito tempo, acho que vai ser bom ficar com outras pessoas

— Você vai gostar do resto do pessoal, são ótimas pessoas — Gleen parecia disposto a manter uma longa conversa, mas Rick falou que tínhamos que nos apressar, algo sobre entregar logo os suprimentos

— Temos que ir — Rick disse sentando no banco de motorista, sendo seguido por Gleen no passageiro , eu e Carl sentamos nos bancos de trás — Hershel vai dar uma olhada no ferimento da Alex quando chegarmos , acho que precisará de pontos

— Também acho — eu disse- eu ia fazer uma sutura, mas fiquei sem o material necessário

Já com o carro em movimento, Rick disse

— Não se preocupe, Hershel vai cuidar disso quando chegarmos

Sorri discretamente, pondo um fim a conversa, mas Rick e Gleen continuaram conversando entre sí . Fiquei observando quando saímos da cidade e os prédios começaram a dar lugar para grandes arvores .

Pensei em quanto tempo fazia que eu não andava de carro, parecia que tinha sido em outra vida .Eu ate continuaria observando a paisagem, mas alguém cutucou meu ombro.Era Carl, achei estranho , ele não tinha trocado uma palavra sequer comigo desde que saiu da casa

— O que foi ?- perguntei

— Quantos anos tem ?- ele perguntou , pensei rapidamente, eu deveria ter por volta de 14 ou 15, por ai

— Vou fazer quinze, eu acho

— Eu fiz quinze tem um mês — ele respondeu

— Não tenho uma noção muito boa de tempo- falei , eles deveriam ter um calendário, ja que Carl sabia sua idade certamente- Vocês tem um calendário ou algo assim?

— Temos três — ele disse me encarando — as pessoas gostam de ter noção de tempo, acho que se sentem mais no controle da situação

—Deve ser , não temos controle de muitas coisas hoje — falei olhando pros seus olhos azuis, só agora notando o quanto são belos, lembram o céu. Como um pedacinho do céu no meio desse inferno

Ele desviou olhar rapidamente, corando em seguida. Ri com isso, ele estava com vergonha , tadinho.

Não falamos mais nada, apenas voltamos a olhar para as janelas .

Estava ouvindo os murmúrios da conversa entre Rick e Gleen , mas não prestei muita atenção, pois estava muito ocupada olhando para a grande prisão na nossa frente .

Olhei para Carl , que soltou um risinho pela minha cara de espanto. Era o lugar perfeito. As cercas, antes usadas para manter os prisioneiros dentro, serviam para manter os zumbis fora, e a grande variedade de celas, dava bastante espaço, fora a área que dava para plantar a comida.

Parece que eu ia gostar do meu novo lar, gostar bastante

Olhei para Carl sorrindo e ele sorriu de volta . Tomei isso como um "seja bem vinda ", silencioso

O carro foi em direção ao portão, e uma mulher negra com uma katana nas costas abriu-o , ou melhor , arrastou-o . O portão parecia ter sido derrubado e ainda não fora consertado

Olhei para Carl curiosamente e perguntei

— O que houve com o portão ?

— Tivemos uns problemas com um cara maluco que se autointitulava "O governador " — ele disse descendo do carro

— Pelo jeito, vocês venceram — falei pegando minha mochila e pondo nas minhas costas

— Não só vencemos — ele disse ,pegando uma bolsa no porta malas do carro- Demos um belo chute nele e nos seu seguidores — Ele disse com um sorriso orgulhoso, em quanto me ajudava a caminhar. Minha perna ainda estava machucada.

Só pude rir de seu comentário. Não conhecia o Governador , mas ja sabia que ele era igual aos caras que mataram meu pai, que tomam as coisas dos outros.

Mas o grupo de Rick parecia forte, tive certeza de que essa nova família eu não ia perder tão facilmente

Notas finais
Mais um capitulo concluído com sucesso Mary foi vagamente mencionada, só pra não ficar uma grande lacuna em relação a ela, mas sua participação na historia ainda não acabou Okay, sem spoiler me falem se gostaram e tals Beijos de luz