Second Chance
2 Não pode ser!
Notas iniciais
Atualmente...
Susana deixou o batom vermelho de lado e se olhou no espelho, se há três anos, quando tinha apenas 18 anos e passava pelo pior momento da sua vida, ela pudesse se ver hoje jamais acreditaria na mulher que havia se tornado. Sua vida mudou drasticamente, hoje ela era uma caçadora das sombras, filha do rei e da rainha, neta da mulher mais respeitada de Idris e sangue puro de Raziel. Qualquer pessoa em seu lugar estaria feliz, mas ela não, mesmo com tudo aquilo, por dentro Susana sentia falta de sua família de criação, queria ter impedido que seus irmãos morressem e que os senhores Pevensie tivessem falecido de tristeza.
— Pelo menos eles estão todos juntos. – disse ela a si suspirando de tristeza.
— Falando sozinha Pequena? – Jace havia entrado no quarto da irmã sem que ela percebesse, ele ia a chamar para tomar café, porém quando a viu, algo vez com que ele ficasse parado lhe admirando.
— Que susto Jace! Eu estava só pensando alto.
— Aham sei, então senhorita que pensa alta, vamos tomar café? – ela levantou e abraçou irmão, eles estavam indo para cozinha do Instituto até que encontraram Izzy.
— Bom dia minha Parabatai! – assim que Susana decidiu se mudar de vez para o Instituto, ela e Izzy se tornaram melhores amigas, porém só no meio de uma missão na Cidadela, elas descobriram que tinham a ligação Parabatai. -- Bom dia Jace!
— Bom dia – respondeu os dois irmãos. -- Izzy cadê o Alec? Hoje eu e ele temos treinamento logo pela manhã. – disse Jace enquanto trocava um olhar cumplice com a morena a sua frente.
— Xiiii, esse acordou num mau humor do cão. – respondeu Izzy se referindo ao irmão. -- Falando nele olha ele ali.
Alec era mais reservado, não gostava muito de brincadeiras que não fossem do seu trio de amigos e odiava ser cobrado pelos pais.
— Ei bebê volta aqui! Não vai falar com a gente? – Susana corria atrás de Alec que tentava não rir da voz fofa dela. -- Mas esse bebê não vai fugir de mim não! – ela deu um salto e parou bem em cima das costas dele, por um segundo ele chegou a vacilar, mas logo a segurou e começou a balançar. -- Pra quem não queria conversar o Senhor está bem animadinho. – Susana gargalhava acompanhada de Alec, logo atrás vinha Izzy que sorria vendo o irmão bem e Jace que sentia uma pontada de ciúmes.
Assim que eles acabaram de tomar café, Alec e Jace foram treinar, Izzy havia sido destinada para fazer autópsia, enquanto isso Susana ia analisar as missões do Instituto, assim que se sentou e começou a ler as fichas ela sentiu uma pontada em seu coração, uma pontada como se fosse um sinal, ela fechou os olhos e imagens dela com vestido medieval, sorrindo, brincando com os irmãos começaram a surgir na sua cabeça. – Nárnia. – mais imagens começavam a surgir em sua mente e uma forte dor de cabeça a vez se inclinar e esconder o rosto entre os joelhos. – Por que isso agora? Eu não quero lembrar nada disso Aslam. – Aslam, aquela palavra vez com que a dor pausasse, mas que uma imagem de um leão sorrindo ficasse na sua cabeça por longos segundos.
Antes que ela pudesse se levantar e respirar normalmente um dos funcionários veio ao seu encontro. – Senhorita Susana, Senhorita Susana, você está bem? – ela apenas balançou a cabeça em sinal de positivo. – A senhorita quer algo? Uma água? Ou um remédio?
— Quero não Matt, muito obrigada. – respondeu ela tentando recuperar o ar. – Você sabe quando minha avó volta de Idris?
Matt apenas negou com a cabeça e saiu de lá correndo, não queria ser ele a estragar a surpresa para a sua Susana.
Ela estava confusa não conseguia entender porque aquelas imagem invadiram sua cabeça de maneira incontrolável, já fazia mais de quatro anos desde ultima vez que esteve lá, não tinha motivos para tudo aquilo voltar, a única ligação que ela tinha com aquele mundo, hoje estava morta. – Matt, Adriele, aconteceu algo de estranho em Londres ontem à noite? – já que ela não achava uma resposta em sua cabeça, ela decidiu procurar nas ruas da cidade que era guardiã.
— Pra falar a verdade sim. – respondeu Adriele, arrumando seus óculos, enquanto procurava as imagens da noite passada. – Focos de luzes brancas, quase angelicais, foram vistas em vários pontos da cidade.
— E vocês falam isso só agora? – Susana estava começando a ficar brava, uma das coisas que havia aprendido nesses três anos era que qualquer pequena mudança poderia por em risco o mundo dos submundanos e dos mundanos. – Me mostra essas imagens já!
— Aqui senhorita. – Matt havia colocado no telão as setes imagens dos clarões, todos com uma hora de diferença, em nenhum deles era possível identificar algo, Susana observava atentamente cada detalhe, porém era só um raio fino de luz, quase que como celestial que começava no céu e acabava na terra, todos com duração de segundos. Quando ela estava preste a mandar duplas para analisar o campo seu sexto sentido a fez voltar a analisar as imagens. – Matt foca na imagem da sete da manhã. – quando ele deu zoom na imagem, Susana gelou, sentiu o sangue parar de correr pelo seu corpo e um frio percorrer sua espinha. --- Não pode ser!
— O que foi Senhorita? Tem algo errado?
— Adriele o que você vê nessa imagem? – a assistente olhou fixamente, mas nada viu, Susana insistiu para que a loira continuasse a olhar, assim tendo a mesma reação que ela.
— Senhorita? Porque nesse clarão tem o desenho da juba de um leão?
— Eu não sei Adriele, juro que não sei. – respondeu Susana tentando planejar o próximo passo que tomaria. Algo em seu coração lhe dizia que aqueles clarões e as imagens em sua cabeça estavam interligados. – Matt, imprimi todas essas imagens, coloca num arquivo e leva na biblioteca pra mim. E Adriele, ligue para Izzy fala pra ela que preciso da ajuda dela agora no Instituto.
Susana saiu de lá como um furacão precisava pesquisar nos livros antigos e achar uma resposta para tudo aquilo, ela estava com medo, todos esses acontecimentos relacionadas à Nárnia não poderiam ser normal. Aslam não mandaria sinais ao submundo, ele nem deve saber que o submundo existe, pensou Susana.
Ela estava tão preocupada que passou por Jace e nem percebeu, ela nunca havia feito isso com ele, por isso ele foi atrás dela rumo à biblioteca. – Ei, aonde é o incêndio pra você sair assim como um furacão? – perguntou ele fechando a porta da biblioteca.
— Jace está tudo muito estranho! Muito estranho mesmo. – Susana andava de um lado para outro com as mãos na cintura e no rosto uma expressão de desespero.
— O que está estranho Su? Alguém te fez algo? – Jace já sentia seu instinto protetor aflorar e a raiva começar a surgir em seu sangue.
— Os sinais Jace. – ele a olhou confuso então ela continuou. -- Eu estava analisando os arquivos como faço toda quinta feira, de repente imagens relacionadas à Nárnia começaram a surgir na minha mente eu não conseguia controlar uma dor enorme invadiu minha cabeça, era a mesma dor de quando ouvi o pedido de socorro do anjo Eziel.
— Su calma, às vezes isso foi só pela data que se passou. – ele foi para abraçá-la, porem ela desviou e continuou a sua teoria.
— Ai depois, Matt e Adriele me mostraram imagens de setes clarões que desceram do céu pra terra noite passada, todos com uma hora de diferença. – Susana já tremia de nervoso. – E no ultimo clarão Jace, tinha a Juba, a Juba de Aslam.
Jace parou por instante não sabia o que dizer, mas pelo olhar da irmã sabia que tudo aquilo tinha um significado, um significado que a deixava atormentada. – Mas Su, isso não pode ser possível, esse mundo, ou melhor, país nunca teve nenhuma relação com o nosso, nem os livros mais antigos falam sobre ele.
—Eu sei Jace, mas também sei em meu coração que tem coisa ai, naquele lugar também tinha muita gente ruim.
— Você está se referindo a ele? – perguntou Jace com ciúmes.
— Não Jace. – respondeu ela tentando evitar a imagem que vinha em sua mente. – Estou falando do lado negro, da feiticeira branca e outras coisas, bem ou mal eles tinham demônios e nos matamos demônios. E se algum deles descobriu um portal lá e está vindo para cá?
— Pode ser uma possibilidade, mas pouco provável, não temos e nunca teremos portais com eles! Eles não são nossas responsabilidades. – assegurou. -- Vem cá Pequena, vai ficar tudo bem, confia em mim. – ela se escondeu no peito dele sentindo o calor de seus braços lhe passando segurança. – Eu não vou deixar acontecer nada com você, nem que isso custe minha própria vida. – completou Jace depositando um beijo no topo da cabeça dela.
Eles passaram um bom tempo na biblioteca, Jace fazia de tudo para que ela sorrisse e esquecesse aquela historia, porém quando Izzy chegou acompanhada de Alec e Matt com as fotos a duvida voltou a sua cabeça, os quatro começaram a analisar as imagens, porém a única pista era a juba na sétima foto, eles procuraram em livros, pergaminhos, mas nada relatava sobre Nárnia e algum portal para o submundo.
À noite caiu, Izzy olhou no relógio cutucando Jace, ele logo entendeu o sinal e deu um chute na perna de Alec, fazendo com que o mesmo desse um pulo, chamando a atenção de Susana também.
— Alec está tudo bem?
— Está sim Su, só lembrei-me de uma coisa importante que eu e Jace temos que fazer. – respondeu ele sorrindo torto, enquanto encarava o loiro com um olhar mortal.
— Que coisa? – perguntou ela com um sorrisinho malicioso.
— Coisas de homem, Senhorita Susana. – respondeu Jace já puxando o amigo pelo casaco de couro.
— Ué, coisas de homem? Izzy o que deu neles?
— E eu lá sei Su? Eu amo os homens, mas entender eles é uma missão que nem nós caçadoras de sombras conseguimos realizar. – as duas trocaram uma breve gargalhada. – Mas vamos temos que nos arrumar.
— Para que? – perguntou Susana desconfiando do comportamento da sua Parabatai.
— Temos um jantar de negocio com os vampiros. Lembra? Precisamos conseguir o auxílio deles para que o novo tratado funcione.
Susana tentou contestar a amiga, mas antes que pudesse dizer algo, Izzy já estava lhe arrastando para o quarto. – Em cima da sua cama tem um vestido mara que eu comprei pra você, usa ele com a sandália preta. – antes que ela pudesse responder, Izzy entrou no seu quarto deixando Susana plantada como uma arvore no corredor.
Depois de certo tempo ela foi tomar banho, colocou o vestido azul turquesa, de alcinha, com um decote V, bem marcado até a cintura, formando depois uma saia leve e pouco rodada que parava um pouco acima do joelho. Passou uma maquiagem leve, valorizando bem seus olhos e foi procurar por Izzy. Mas ao chegar ao quarto da morena não tinha ninguém, o mesmo aconteceu quando passou no quarto de Jace e de Alec, o Instituto todo estava silencioso, as pessoas que sempre estavam andando para lá e para cá, hoje haviam desaparecido. –Isso está muito estranho.
Ela começou a fazer com que sua pulseira de cobra virasse uma adaga, assim se preparando para um possível ataque, ela ia andando devagar, analisando todo o local, quando chegou à sala central tudo estava escuro, os telões desligados, ninguém trabalhando, tudo no maior silencio. Susana respirou fundou se preparando para luta e acendeu a luz.
— Surpresa! – gritaram todos, Alec e Jace soltavam balões, Izzy segurava um bolo, Max pulava como um coelhinho chamando pelo seu nome e o resto dos funcionários, sua avó e seus pais estavam sorrindo como bobos.
— O que é tudo isso? – perguntou ela envergonhada, transformando sua pulseira no formato original.
— Hoje faz três anos que você veio pra casa minha menina. – respondeu Anna indo abraçar a filha.
— Faz três anos que comemoro a minha família completa. – completou Felipe indo abraçar a filha também, trazendo Jace e Max junto.
— Obrigada por tudo, eu amo vocês. – respondeu ela segurando as lágrimas, ela ia abraçando alegremente um por um, sentindo todo aquele carinho.
— Su, sabia que foi muito difícil fazer o Jace guardar segredo? – disse Max puxando a atenção da irmã, Susana gargalhou e Jace deu um leve peteleco na cabeça do pequeno. Mas antes que ela pudesse falar algo um estrondo aconteceu, o chão todo tremeu, Susana abraçou Max o protegendo em seus braços, Jace abraçou os dois, tentando encontrar em meio às pessoas e os gritos a figura dos pais.
Depois de quase 30 segundos de tremor o silencio veio, todos estavam agachados no chão com olhares assustados e confusos. – O que foi isso Su?
— Eu sei Max, mas está tudo bem agora. – respondeu Susana trocando um olhar preocupado com o irmão mais velho.
— Caçadores, todos vocês peguem suas armas e descubram o que aconteceu – Gritou Margaret do centro da sala.
Logo todos começaram a sair, paravam na mesa de arma escolhiam uma e iam correndo em direção à saída, eles não sabiam o que poderiam encontrar, mas sabiam que se fosse necessário morreriam para derrotar.
— Su não vai. -- Max segurava Susana pelo vestido implorando para que ela ficasse ela tentou se soltar perguntando o porquê do pequeno está assim. – Não quero te perder, já fiquei quatro anos da minha vida sem você.
— Meu amor, você não vai me perder. – respondeu ela depositando um beijo na testa dele. – Afinal de contas, não é você que diz que sou a melhor caçadora mulher?
Ela saiu correndo, pegando sua arma preferida, lá fora viu todos seus colegas parados em um circulo, correu em direção a Jace. – Jace? – gritou fazendo com que o irmão a olhasse, quando ela viu a expressão de pânico nos olhos dele correu mais rápido ainda, Jace foi de encontro tentando a segura-la, mas era tarde, Susana havia entrado na roda e já via a imagem que deixou todos assustados.
— Não pode ser!
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