Second Chance

9 Capítulo 8 – Por favor, me perdoa


Notas iniciais
Antes de mais nada, mil desculpas por não ter postado ontem. Eu já tinha avisado lá no face que eu só ia conseguir postar hoje porque eu me enrolei um pouco para conseguir escrever nesse feriado, mas aqui estámos. Eu já tinha avisando logo que comecei a postar a fic, que a maior parte dos capítulos teriam a narração da Caroline, mas que poderiam ter outros com o ponto de vista de outros personagens e esse aqui é o primeiro deles, que será narrado pelo Stefan. Bom, é isso, espero que gostem Nos vemos lá embaixo nas notas finais.

Stefan

*Flashback*

Apesar de ter vivido quase a minha vida toda na cidade e na mesma casa, já estou mais do que acostumado com mudanças. A primeira de todas foi quando eu perdi minha mãe com apenas seis anos e precisei me acostumar que a partir daquele momento éramos apenas eu, Damon e nosso pai, depois, aos 18 anos, fui embora de Atlanta para Yale fazer faculdade e quando me formei passei a morar em Nova York trabalhar na área filantrópica de uma empresa.

Agora, pouco mais de um ano depois, estou prestes a largar toda essa vida que construí em Nova York para fazer mais uma mudança, dessa vez para Washington D.C. Apesar de gostar do meu atual emprego, não posso deixar de ficar animado, afinal vou estar ao lado de um conhecido senador da república e esse é o primeiro passo para que eu possa iniciar a minha carreira política.

– Senhor, já chegamos... – a voz do motorista me tirou dos meus devaneios, estávamos parados na entrada do hotel.

– Certo! Muito obrigado! – dei uma olhada no valor que indicava o valor da corrida antes de abrir a minha carteira e pegar o dinheiro.

Eu tinha trazido apenas uma mala, então não precisei da ajuda dele para pegá-la e me dirigir a parte de dentro do hotel. Apesar de ser uma sexta-feira o saguão está praticamente vazio, provavelmente por ainda estarmos na parte da manhã, o lado bom disso foi que não tinha nenhuma fila na recepção, então não precisava esperar.

– Bom dia, senhor! – a mulher disse assim que eu me aproximei do balcão.

– Bom dia... – retribuiu o seu cumprimento – Eu tenho uma reserva em nome de Stefan Salvatore, liguei para cá há cinco dias para acertar tudo.

– Espere apenas um minuto – pediu enquanto digitava no computador a sua frente – Aqui está! Stefan Salvatore, suíte simples; é isso mesmo?

– Exatamente – afirmei com a cabeça.

– Vou precisar da sua identidade e do seu cartão de crédito – avisou sem retirar os olhos da tela.

Enquanto eu pegava a minha carteira no bolso da calça e retirava o que ela tinha pedido, a recepcionista se afastou e foi até a impressora, então voltou trazendo vários papéis e os colocou em cima da mesa.

– Por favor, preencha com os seus dados – pediu enquanto me entregava uma caneta – Quanto tempo o senhor pretende ficar hospedado no nosso hotel?

Sendo totalmente sincero, eu não sabia exatamente a resposta. Claro que eu pretendo mudar para um lugar em breve, já que tenho planos de permanecer aqui em Washington por vários anos. O problema é que eu ainda preciso procurar um apartamento para mim e enquanto isso vou continuar aqui mesmo no hotel.

– Prefiro deixar a minha permanência no hotel em aberto – respondi.

Então eu continuei a preencher todos aqueles papéis, o que demorou alguns minutos. Assim que terminei tudo, a mulher me entregou o cartão que dava acesso ao quarto e a chave.

– Precisa de ajuda para levar a bagagem? – perguntou antes que eu pudesse me afastar.

– Não precisa, posso levar sozinho – garanti e em seguida caminhei na direção aos elevadores.

**

Como eu tinha pedido, a suíte era a mais simples possível. Fui até o quarto e me sentei na cama; apesar de ter sido uma viagem curta, eu fiquei algumas horas esperando no aeroporto por causa do nevoeiro em Nova York e por esse motivo eu estava exausto, mas infelizmente não podia dormir, afinal ainda tenho muita coisa para fazer hoje.

Decidi, por fim, tomar uma rápida ducha, então vesti um dos meus ternos e fardei o restante das minhas roupas no armário. Quando eu terminei já tinha passado um pouco da minha hora tradicional de almoço, então fui para o restaurante do hotel para comer alguma coisa leve.

Já estava na metade da salada quando o meu celular começou a tocar. Era um número local que eu nunca tinha visto.

– Stefan Salvatore falando! – fiz a minha saudação de costume quando atendo ao telefone.

– Boa tarde, senhor Salvatore – a mulher do outro lado da linha falou – Aqui é Rose, secretaria do senador Grayson Gilbert.

– Oh sim! – o senador Gilbert sabia que eu estava chegando em Washington hoje e já estava esperando por essa ligação mais cedo ou mais tarde.

– O senhor Gilbert me pediu para ligar para saber se fez uma boa viagem – explicou – E também para avisá-lo que ele estará aqui te esperando as três horas tarde.

Dei uma rápida olhada no meu relógio, ainda tinha pouco mais de uma hora e isso era tempo mais do que o suficiente.

– Eu estarei ai – garanti – Até daqui a pouco – completei antes de desligar e enfim poder voltar ao meu almoço.

**

– Isso é tudo senhor Salvatore... – tínhamos feito um pequeno tour pelo escritório enquanto voltamos a sala do senador Gilbert – Acha que está pronto para começar a trabalhar aqui comigo?

– Pode ter certeza disso, senhor – afirmei – Como o meu pai já deve ter te falado, meu maior sonho é seguir a carreira política e por isso mesmo estou aqui.

– Eu sei disso – concordou – Só espero que você esteja disposto a trabalhar muito por isso.

– Acredite, eu estou – afirmei com a cabeça.

– Já que é assim – continuou – Você ficará na sala ao lado da minha e seu trabalho será ler e redigir os documentos que serão apresentados no senado, assim você já vai aprendendo o trabalho. Vou apresentá-lo oficialmente como meu novo protegido político e ano que vem formalizaremos a sua candidatura ao congresso.

– Estou totalmente preparado para isso – completei – Pode ter certeza disso.

– Perfeito! – pareceu satisfeito com a minha empolgação – Agora vamos ao outro ponto do acordo que eu imagino que seu pai já tenha conversado com você.

– Sim, senhor! – balancei a cabeça afirmativamente – Estou ciente disso.

Não estou tão animado assim para esse “acordo”, mas segundo meu pai, essa é a única chance de eu conseguir o apoio político do senador Gilbert, então eu terei que aceitar.

– Elena acabou de fazer 21 anos e tem feito algumas escolhas erradas na vida, acho que é coisa da idade... – deu de ombros – Mas tenho certeza de ela vai gostar de você, e você dela, é claro.

– Tenho certeza disso – menti; tinha visto algumas fotos antigas de Elena Gilbert, ela não é feia, mas não faz exatamente o meu tipo – Quando é que vou finalmente conhecê-la? – tentei fingir pelo menos um pouco de animação.

– A essa hora ela já deve ter saído da faculdade e provavelmente deve estar em casa ou no shopping – respondeu enquanto olhava para o relógio – Vou mandar uma mensagem para ela pedindo para vir aqui, assim posso fazer as apresentações.

Ele foi até a mesa e pegou o celular para digitar uma mensagem, não demorou muito para a resposta chegar.

– Elena está no shopping, mas vem para cá daqui a pouco – me explicou depois de ler o que a filha tinha escrito – Ela está com uma amiga, mas isso não será exatamente um problema.

– Então está bem – foi tudo que eu disse em seguida.

Enquanto esperamos por ela, vou te mostrar o projeto que estou preparando para levar o senado ainda esse mês...

**

Menos de meia hora depois a sala estava sendo “invadida”. Uma garota que eu imediatamente reconheci como sendo Elena Gilbert passou pela porta trazendo outra garota.

Foi então eu a vi. Ela era apenas um pouco mais baixa que eu, os cabelo loiros fazendo cachos sob os ombros e os olhos profundamente azuis, era simplesmente incrível e por algum motivo eu não conseguia parar de olhá-la.

– Olá, meninas! – o senhor Gilbert falou olhando de uma para a outra – Pelo tempo que a Elena disse que vocês iriam demorar imaginei que já estivessem chegando.

– Boa tarde, senador Gilbert... – a outra garota o cumprimentou formalmente.

– Será que você pode falar logo o que quer, pai? – Elena cruzou os braços, era claro que ela não tinha ficado nem um pouco feliz com a interrupção daquela que parecia ser uma tarde da garotas – Eu e a Care estamos com um pouco de pressa.

– Serei o mais breve possível, pode ficar tranquila – garantiu – Eu só queria te apresentar Stefan Salvatore, o pai dele sempre doa grandes quantidades de dinheiro para o meu gabinete e agora enviou o filho para ser o meu aprendiz. O Stefan pretende se candidatar a deputado nas próximas eleições – colocou as mãos sob as minhas costas enquanto me apresentava.

– Stefan, essa é a minha filha, Elena – prosseguiu – Eu te falei dela mais cedo.

– Oh sim, é claro – estendi a mão na sua direção e ela retribuiu o meu gesto – É um prazer conhecê-la, senhorita Gilbert.

– Por favor, me chame de Elena, ou melhor, me chame de Lena – pediu – E essa daqui é Caroline, minha melhor amiga – a apresentou, por fim.

Caroline. É um lindo nome para uma linda garota.

– Prazer me conhecê-la também, Caroline – ela sorriu assim que eu falei.

– Digo o mesmo... – fiz a mesma coisa que ela, tentando ser o mais charmoso possível.

– Stefan acabou de chegar a Washington e ainda não conhece nada por aqui – foi o senhor Salvatore quem prosseguiu, fazendo com que nós três nos virássemos na sua direção – Como vocês têm mais ou menos a mesma idade pensei que teria lugares muito mais interessantes do que eu.

– Claro, eu posso dar uma de guia turística – Elena afirmou com a cabeça antes de se virar para a amiga – Você gosta de boate? Eu e a Care estamos indo a uma hoje à noite e você pode ir conosco se você quiser, não é mesmo, Care?

– Claro – deu uma rápida olhada em mim antes de concordar – Quanto mais gente melhor.

– Parece divertido! – com toda a pressão do trabalho em Nova York fazia meses que eu não ia a uma boate, sem contar que seria uma ótima oportunidade de estar perto de Caroline e talvez até conhecê-la melhor – Se não for mesmo atrapalhar a noite de vocês.

– Não vai atrapalhar – Elena garantiu – Eu poderia te passar o endereço da boate, mas você não vai achar, então a gente passa para te buscar no hotel. Certo?

– Certo! – peguei um dos cartões que eu tinha dentro do bolso e entreguei a ela – Aqui está o meu telefone, vocês me liguem assim que estiverem saindo, para eu me arrumar e ir para a recepção.

– Faremos isso – completou – Vamos, Care! Ainda temos muita coisa para fazer antes de hoje à noite.

Elena e Caroline saíram da sala e eu fiquei algum tempo olhando para a porta imaginando que alguma das duas poderia voltar.

– E então, o que achou dela? – o senhor Gilbert decidiu perguntar, me tirando do transe.

– Ela é incrível! – não estava exatamente falando da Elena, mas...

– Sabia que você iriam se dar bem – sorriu – Tenho certeza de que essa noite será muito produtiva para que vocês dois se conheçam melhor.

– Também tenho certeza disso – concordei; essa noite será realmente inesquecível, para Caroline e para mim.

*Fim do Flashback*

***

– Isso não vai dar certo... – murmurei pelo que eu acho que foi a décima vez.

Apesar de não fazer muito o meu estilo, a minha intenção era passar a noite de sexta-feira em casa lendo um livro ou até mesmo assistindo alguma coisa na televisão. Em vez disso eu estou aqui, dentro de um carro no estacionamento em frente ao apartamento da minha ex-namorada, tudo isso graças a Elena, essa garota realmente pode ser muito persuasiva quando ela quer.

– É claro que vai dar certo, não tem como dar errado – afirmou – Você vai para o apartamento dela, toca a campainha e explica tudo que aconteceu.

– Isso se ela quiser falar comigo – dei de ombros – Caso você tenha se esquecido, a Caroline não me recebeu muito bem quando tentei falar com ela da última vez.

Chego até mesmo a sentir meu estômago revirar ao me lembrar da Caroline desmaiando segunda-feira na frente da faculdade. Infelizmente não pude ficar esperando que ela acordar na enfermaria da faculdade, sem contar que tinha certeza de que Care não iria querer me encontrar ali, então fui embora e depois disso não consegui saber como ela tinha ficado.

– Acredite, eu sei... – Lena deu de ombros – A Care também não quer falar comigo, caso você tenha se esquecido.

– Não esqueci – praticamente murmurei – Sinto muito, se para mim deve estar sendo difícil, imagina para você. A Care é a sua melhor amiga e...

– É por isso que você precisa ir falar com ela, não só por mim, mas também por você – me interrompeu – Estou feliz ao lado do Enzo e é injusto que você e a Caroline também não estejam.

Pegou o buquê que estava sob o banco de trás e me entregou.

– Rosas cor de pêssego, são as favoritas dela – continuou – Tenho certeza de que isso vai ajudar.

– Assim eu espero... – soltei um longo suspiro sem tirar os olhos de uma das rosas.

– Pense positivo – destravou o carro para que eu pudesse abrir a porta – Você vai me agradecer por ter te arrastado até aqui.

Sai de dentro do veículo e fiquei algum tempo olhando fixamente para o prédio. Procurei rapidamente pela janela do apartamento de Caroline, a luz está acessa, sinal de que ela está em casa.

– Qualquer problema você pode me ligar – Lena avisou – E se não conseguir falar no meu celular, você sabe o número do Enzo também.

E essa era a principal razão para eu estar aqui. Elena queria passar a noite com o Enzo, então ela avisou ao pai que nós dois iríamos “dormir fora”; então eu não posso nem ao menos pensar em colocar os pés em casa sem estar junto com a Elena, o que quer dizer que a minha conversa com a Caroline realmente precisa dar certo.

– Boa sorte... – completou antes de ligar o carro e sair do estacionamento.

***

O porteiro noturno já tinha me visto aqui milhares de vezes, então ele me deixou subir sem nem ao menos avisa que eu estava aqui. Assim que cheguei ao andar certo, toquei a campainha e não demorou muito para Caroline atender a porta.

– Oi, Care... – disse quando ela ficou alguns segundos apenas me encarando sem reação, dando um sorriso sem graça logo em seguida.

– O que é que você está fazendo aqui, Stefan? – sua voz saiu em um sussurro.

– Sei que você está com raiva de mim, mas só preciso que me ouça por cinco minutos – pedi – Será que eu posso entrar?

– Pelo jeito eu me esqueci de avisar para o porteiro da noite que a sua entrada aqui estava proibida... – revirou os olhos praticamente ignorando o meu pedido.

Ela tentou fechar a porta na minha cara, mas eu consegui colocar o pé na frente antes.

– Por favor, Care... Quero te explicar e você só precisa ouvir; depois disso eu posso ir embora e prometo nunca mais aparecer na sua vida – insisti – Cinco minutos do seu tempo, isso é tudo que eu te peço.

Ela ficou alguns segundos apenas me encarando. Queria muito saber o que estava passando pela sua cabeça nesse momento.

– Cinco minutos... – concordou por fim – Nem um minuto a mais, nem um minuto a menos – abriu espaço para que eu passasse.

– Muito obrigado, prometo que não vai se arrepender – garanti – São para você – entreguei para ela o buquê que eu estava segurando.

– São lindas... – ela deu um sorriso bobo enquanto olhava para as flores, mas o desfez quando percebeu que eu estava observando – Rosas pêssego são as minhas favoritas, obrigada.

Estava prestes a dizer que a Elena tinha me dito, mas não era uma boa ideia falar sobre minha suposta namorada agora.

– Fica a vontade – avisou – Eu só vou colocar essas flores na água.

Concordei com a cabeça e ela foi na direção da bancada que dividia a sala com a cozinha. Na mesa de centro tinha uma caixa de pizza e uma lata de refrigerante e a televisão estava ligada em um canal infantil qualquer.

– Pelo jeito a sua noite estava bem animada antes de eu chegar aqui – decidi brincar, apenas para descontrair o ambiente.

– Você quer um refrigerante? – perguntou logo em seguida, mais uma vez fingindo que não escutou o meu comentário.

– Quero sim... – respondi.

Caroline abriu a geladeira, então voltou para perto de mim e me entregou a lata de refrigerante. Depois disso, ela ficou encarando o chão parecendo não saber o que fazer ou dizer.

– Você parece bem melhor – decidi quebrar o silêncio – Fiquei preocupado quando você desmaiou na segunda-feira.

– Aquilo não foi nada... – deu de ombros – Eu não tinha tomado café da manhã naquele dia, por isso eu acabei desmaiando. Só isso.

É claro que eu não tinha acreditado em uma palavra daquilo; eu coloquei a mão no seu braço e ela estava quente, com toda certeza aquilo não foi um desmaio por falta de comida, foi algo muito mais sério. Mas Caroline parece bem agora, então não importa.

– Você pode pegar um pedaço se quiser – continuou, agora se referindo a pizza – Até bom que você esteja aqui, eu não ia conseguir comer isso tudo sozinha mesmo.

Eu me sentei no sofá antes de pegar um pedaço de pizza e abrir a minha lata de refrigerante. Enquanto isso Care foi para a poltrona, ficando quase em frente a mim.

– Tudo bem, Stefan, eu disse que te dava cinco minutos – disse – É melhor você começar a falar, o seu tempo está acabando.

– Eu sinto muito, Care – foi a primeira coisa que passou pela minha cabeça – Essa situação toda... a reportagem da revista..., não era para você descobrir desse jeito.

– Então você não nega o que eu li naquela reportagem? – senti um tom de lamento na sua voz enquanto fazia aquela pergunta.

– Gostaria, mas infelizmente eu não posso negar – lamentei – Só que não é nada disso que você está pensando.

– A desculpa mais velha do mundo – deu uma risada nervosa e revirou os olhos.

– Eu estou falando sério, Care – continuei – Nada do que eu falei nesse tempo que estamos era mentira; você é muito importante para mim e eu nunca quis te magoar.

– Devia ter pensando nisso antes de começar a namorar a minha melhor amiga enquanto nós dois ainda estamos juntos – reclamou.

– Eu e Elena não estamos namorando... – minha voz saiu em um sussurro, mas tinha certeza de que ela tinha ouvido – Pelo menos não da maneira que você está pensando.

Caroline se ajeitou na poltrona e cruzou os braços.

– Eu estou ouvindo – disse – O que, exatamente, está acontecendo entre você e a Elena.

Tudo bem... Tinha chegado a hora da verdade, Care parecia disposta a ouvir tudo que eu tenho a falar. Essa é a minha chance.

– Você sabe que eu vim aqui para trabalhar com o senador Gilbert em troca do apoio político dele para a minha candidatura, não é mesmo? – ela balançou a cabeça afirmativa – Acontece que essa não é a versão completa da história.

Caroline permaneceu em silêncio, apenas esperando para que eu continuasse.

– Há vários anos o senhor Gilbert tem demonstrado insatisfação em relação a Elena, principalmente quando se trata da escolha dela de namorados — prossegui com a minha explicação – Ele não sabia o que fazer, e foi quando meu pai apareceu pedindo um favor para mim e o senador Gilbert percebeu que eu poderia ser a solução para os seus problemas.

– Ele te ajuda e em troca você começa a sair com a Lena... – completou antes que eu pudesse continuar.

– Exatamente...! – aquela não era uma pergunta, mesmo assim eu afirmei – Um namorado para a filha que ele aprove e que também poderia controlar os passos era tudo que ele queria.

– O pai da Elena nunca foi a favor de nenhum namorado dela, era pior até mesmo que o meu pai, eu tenho acompanhado o sofrimento da minha amiga há anos – Care voltar a falar – Mas um cara que ele aprove e obrigá-lo a ser namorado da filha é algo que extrapola qualquer limite.

– Acredite em mim, Care, eu concordo com tudo que você falou – soltei um longo suspiro – Aparentemente ele acha que qualquer erro por parte dos filhos possa prejudicar a sua carreira política, então decidiu que era hora de tomar as rédeas da situação.

– Uau... – disse – Mas e quanto a você? Quando você soube o que teria que fazer...

– Meu pai me contou assim que ele e o senhor Gilbert conversaram e eu aceitei na mesma hora, afinal era uma coisa que eu queria muito e sem nenhum apoio nunca conseguiria; já namorei outras vezes e “fingir” que estava com Elena não seria tão difícil assim – aquilo não era algo do qual eu me orgulhava muito dessa minha atitude, mas eu prometi que seria 100% sincero essa noite caso ela me ouvisse – Mas tudo mudou no momento em que eu te conheci; não sei exatamente o que aconteceu comigo, você era tão bonita e no momento em que te vi pela primeira vez não consegui olhar ou pensar em mais nada. A principio pensei que não fosse ser nada demais, mas então a gente se conheceu melhor aquela mesma noite na sorveteria e ficamos pela primeira vez, eu já estava totalmente envolvido e não podia mais honrar aquele acordo, jamais poderia estar com uma garota sendo que estava apaixonado pela melhor amiga dela.

– Mas foi exatamente o que você fez – voltou a me interromper – Então o que aconteceu para você voltar a mudar de ideia?

– Estava disposto a lutar contra isso, bater o pé e deixar bem claro que eu não iria namorar a Elena, mas no fundo eu sabia que não podia, ou esse seria o fim da minha carreira política – continuei – Quando eu dei por mim, o senhor Gilbert estava conversando comigo e com a Elena, e nós dois estávamos oficialmente envolvidos nessa farsa.

Isso era outra coisa da qual eu não me orgulhava, mas eu simplesmente não podia deixar tudo que eu lutei para conseguir escorrer pelos meus dedos.

– Elena também não queria isso, ela está mesmo gostando do Enzo, então decidimos fazer um acordo: fingirmos namorar na frente dos pais dela e da imprensa, mas na verdade estarmos com quem realmente queríamos – expliquei calmamente todo o nosso plano – Ela falou com o Enzo que concordou com o nosso arranjo; eu estava procurando o momento certo para nós dois podermos conversar, mas aquela reportagem saiu antes do que eu estava pensando e o resto você já sabe.

Quando terminei a minha história, voltei a olhar para Caroline. Ela estava totalmente em silêncio, provavelmente tentando absorver toda a informação que tinha acabado de receber.

– Por favor, Care, fala alguma coisa – pedi.

– Eu fiquei mesmo muito chateada quando li aquela reportagem – falou – Me senti traída e uma completa idiota por ter caído na sua conversa. Preferia que você tivesse sido sincero comigo sobre não querer mais ser meu namorado do que descobrir tudo dessa maneira.

– Sinto muito por tudo isso, Care, acredite, eu me sinto da mesma forma por ter te magoado desse jeito – afirmei – Mas pode ter certeza absoluta de que não me cansei de você e sim, eu ainda quero ser seu namorado, do contrário eu não estaria aqui me humilhando para te ter de volta.

– Eu confiava em você, mais do que eu já confiei em qualquer outra pessoa e você destruiu isso – lamentou – Não é fácil para mim te perdoar depois de tudo que aconteceu.

– Não faz isso comigo, Care... – insisti – Eu estou aqui abrindo o meu coração, algo que eu nunca pensaria em fazer com qualquer outra pessoa que não fosse você. Por favor, me dá uma nova chance, prometo que você não vai se arrepender.

Ela apenas soltou um longo e pesado suspiro, passando a encarar o braço da poltrona. Então eu me levantei e fiquei na sua frente, me ajoelhando aos seus pés e segurando uma das suas mãos.

– Não vou mentir, eu tive várias namoradas ao longo da minha vida, mas nenhuma delas se compara a você – continuei – Você tem esse jeitinho meigo, essa maneira toda especial de ver a vida e foi impossível não estar completamente apaixonado, mesmo depois de pouco tempo juntos. Sou uma pessoa melhor ao seu lado, eu até mesmo tenho comido menos carne só por sua causa – ela soltou um pequeno sorriso com essa minha última frase – Eu te amo, Care...

– Eu também te amo, Stefan – admitiu – Não queria, mas a gente não manda no coração nem escolhe quem ama.

– Então vamos viver isso – pedi – É obvio que esse termino não está fazendo bem para nenhum de nós dois, então vamos parar de sofrer.

Aproximei-me ainda mais e uni meus lábios aos dela. Caroline soltou um gemido de surpresa, mas acabou correspondendo ao beijo, eu coloquei uma das mãos embaixo dos seus cabelos enquanto ela enganchava as pernas em torno da minha cintura. Por um instante, parecia que tudo estava resolvido entre nós.

– Não, Stefan... – ela me empurrou, sua voz estava totalmente ofegante – Sinto muito, mas eu não posso fazer isso.

– Por que não? – quis saber – Pensei que já tivéssemos deixado bem claro os sentimentos que temos um pelo outro.

– Ainda estou com raiva de você – explicou – Não sei se posso voltar a confiar em você.

Então eu mexi no bolso da calça jeans e retirei uma caixinha de madeira lá de dentro. Sorte que eu tinha me lembrado de pegá-la, aquele era mesmo o melhor momento para isso.

– Quem sabe isso não te faz mudar de ideia – disse enquanto entregava a caixa – Era para eu te dar isso só daqui a um tempo, talvez no nosso aniversário de um ano, mas dadas as circunstâncias...

– O que é isso? – olhou para o objeto e para mim repetidas vezes.

– Por que você não abre e descobre? – sugeri – Tenho certeza de que você vai gostar.

E lá estava ele: era um anel de ouro todo ornamentado com bolinhas em sua extensão e com uma única pedra azul escuro na parte de cima.

– É mesmo lindo... – concordou enquanto dava um sorriso – Eu...

– Era da minha mãe, presente do meu pai quando os dois ficaram noivos – segurei a mão dela e a Caroline não fez a menor objeção – Estava guardado desde que ela morreu e como os dois não tiveram nenhuma filha, meu pai decidiu que o anel seria para o primeiro filho que casasse dar de presente para a futura esposa. Ele me entregou antes de vir para Washington com a intenção de que fosse para a Elena, mas não acho justo deixar com ela algo que foi tão importante para os meus pais sendo que não é com ela que eu quero fazer planos para a vida.

– E você quer que eu fique com ele? – balancei a cabeça afirmativamente.

– Essa é a minha promessa para você – fiquei fazendo movimentos circulares com o polegar nas costas da sua mão – Sei que a situação não está ao nosso favor no momento, mas eu te prometo que será por pouco tempo, vou “terminar” com a Elena e quero me casar com você logo em seguida, não tem porque esperarmos mais para sermos marido e mulher.

Lágrimas começaram a surgir nos olhos de Caroline, ela tentou limpar rapidamente, mas eu consegui perceber. Detesto vê-la chorando, principalmente sabendo que eu fui o causador disso.

– Por favor, Care, não chora – com a mão que não estava segurando a sua eu acariciei o seu rosto – Se não for isso que você quer tudo bem, só não me excluí da sua vida, por favor.

– Não é isso, Stef... – balançou a cabeça negativamente – É só que..., ninguém nunca tinha feito nada parecido para mim. Não me importo que a gente tenha acabado de ter uma briga feia ou que a gente não esteja junto há tanto tempo assim, quero me casar com você e também acho que a gente não precisa esperar.

Peguei o anel e coloquei no dedo anelar direito antes de puxá-la para mais um beijo. Sem me separar dela por um segundo sequer eu me levantei e a trouxe junto comigo.

– Você é incrível... – sussurrei ainda com os lábios grudados aos dela – Prometo que não vai se arrepender por me dar essa chance.

Antes que eu pudesse perceber, estávamos caminhando em direção ao quarto. Nossa noite já só está começando...

***

Apesar de estava de olhos fechados, mas eu tinha plena consciência de que ainda estava escuro do lado de fora, comecei a tatear pela cama, mas não encontrei o que estava procurando; foi quando eu abri os olhos e descobri que eu estava sozinho.

– Care...? – me sentei e passei a mão pelo cabelo.

A porta do banheiro estava aberta e as luzes apagadas, o que significa que ela não está lá dentro. Decidi então me levantar, peguei a minha cueca boxe que estava caída no chão junto com as nossas outras peças de roupas e a vesti antes de sair do quarto.

Por sorte não foi tão difícil assim encontrar a Caroline. Ela estava na sala, um pouco encostada na janela parcialmente fechada e olhando para o anel da minha mãe, que agora estava reluzindo na sua mão.

– Mil dólares pelos seus pensamentos... – fui me aproximando lentamente, até que ela se virou na minha direção.

– Não tenho certeza se meus pensamentos valem tanto assim – brincou enquanto esticava os braços na minha direção para poder entrelaçar os dedos nos meus.

– Acredite em mim, tudo a seu respeito vale até mais do que eu posso pagar – garanti.

– Ainda acho que é melhor você não gastar o seu dinheiro comigo – revirou os olhos enquanto eu puxava a sua mão para beijar os nós dos seus dedos – Estava pensando em nós dois, na nossa conversa, nessa noite...

– Foi uma reconciliação e tanto, não é mesmo? – comentei ao mesmo tempo em que abri um sorriso malicioso.

– Seu bobo... – deu um tapa de leve no meu braço e eu fiz uma careta, fingindo dor – Não era sobre isso que eu estava falando.

– Só não me diga que você se arrependeu de ter voltado comigo? – perguntei totalmente apavorado.

– Claro que eu não me arrependi, Stef – negou com a cabeça e não pude deixar de soltar um suspiro de alívio ao ouvir isso – Mas você tem certeza de que é isso mesmo que você quer? Quero dizer: se sincero a respeito do seu relacionamento com a Elena e ficar comigo?

– Mas é claro que eu tenho certeza disso, Care – garanti – É tudo que eu mais quero na vida.

– Mesmo que isso acabe com qualquer possibilidade de você perder o apoio político do senador Gilbert? – voltou a questionar – Você mesmo disse que esse era o seu maior medo caso dissesse que não iria namorar a Elena. Nunca vou me perdoar caso você perca a possibilidade de realizar seu maior sonho por minha causa.

Abri e fechei a boca várias vezes sem saber o que falar a respeito disso. É claro que não seria uma boa perder o apoio do senador Gilbert, mas será que a minha carreira política é mais importante que estar ao lado da mulher que eu amo? Essa possível escolha não é algo que eu não quero pensar agora.

– Está vendo, você está até parando para pensar – continuou.

– Claro que não, Care – neguei com a cabeça, tentando afastar qualquer pensamento negativo sobre essa situação – Tenho certeza de que tudo vai dar certo, na minha candidatura ao congresso e no nosso relacionamento.

– Como você mesmo disse, o senhor Gilbert é capaz de qualquer coisa para tentar controlar a vida da filha e praticamente te obrigar a namorar a Lena é a maior prova disso – lembrou – Com certeza ele não vai aceitar isso com tanta facilidade.

– Não estarei sozinho nessa dessa vez, a Elena vai estar junto comigo – continuei – E depois disso tudo que você vai precisar preocupar é em como será o seu vestido no nosso casamento.

Eu a puxei pela cintura para poder abraçá-la e dei um beijo no topo da sua cabeça.

– Quero acreditar em você, Stef – sussurrou com a cabeça encostada no meu peito – Quero mesmo acreditar nisso.

– Então acredite – pedi – Eu te amo, Care.

Ela deu um pequeno sorriso antes que eu a beijasse. Pelo menos no momento, isso aqui é tudo que importa.

Notas finais
Pois é, no final das contas a Care acabou perdoando o Stefan, mas quanto tempo será que isso vai durar? O próprio Stefan disse que não sabe o que vai fazer se tiver que escolher entre a carreira política e a Caroline. E como já vimos no prólogo, eles irão se separar novamente... *** Bom, é isso Comentem e digam o que estão achando. Quem é que vai escrever a primeira recomendação?