Second Chance
10 Capítulo 9 – Damon Salvatore
Notas iniciais
Stefan estava já estava no local combinado quando eu cheguei. Parei o carro apenas há alguns metros do meu namorado e ele se aproximou no exato momento em que eu saia do veículo.
– Pontual como sempre, senhor Salvatore... – fiquei a ponta dos pés para lhe dar um selinho – Acho que posso me acostumar com isso.
– Pois pode se acostumar – garantiu – Nosso tempo juntos é escasso demais, não quero desperdiçar nem um minuto sequer.
– Gosto da maneira como você pensa – brinquei.
Apertei o botão para poder abrir o porta-malas e ele foi até lá colocar a bolsa que estava segurando.
– Você tem certeza de que isso que você trouxe tudo que precisa? – não estava olhando, mas tinha certeza de que Stef estava se referindo a minha mala – Eu detestaria que você esquecesse alguma coisa importante em casa.
Foi impossível não revirar os olhos. Tudo bem que era evidente que eu estava levando um “pouquinho” mais de coisa que ele, também não era para tanto...
Achei que eu tivesse dito que nós só íamos passar três dias fora, não três meses — comentou.
– Se fossemos passar três meses fora teria um caminhão atrás de nós, isso sim – dei de ombros, o que o fez fazer uma careta – É claro que se meu querido namorado me dissesse para onde estamos indo, teria facilitado na minha escolha de roupas.
Ontem eu fiz a minha última prova do ano e com isso estou oficialmente de férias segunda metade de janeiro, Stefan também conseguiu uns dias de folga com o senhor Gilbert; então decidimos fazer uma “fuga romântica de final de semana”. O grande problema é que ele não quer me contar para onde estamos indo, e olha que eu já tentei arrancar essa informação de todas as formas possíveis, mas meu namorado está mesmo irredutível.
– Não adianta, Care, eu não vou te contar para onde estamos indo – avisou – Você vai ter que esperar até chegar lá para descobrir.
– Você é um idiota – cruzei os braços e me fingi de brava.
– Posso até ser um idiota, mas sou o idiota que você ama – enganchou os dois dedos indicadores nos passadores da minha causa jeans, me puxando para mais perto de si – Você já esperou duas semanas, o que tem aguentar mais algumas horas?
– Acho que você tem razão – apenas dei de ombros.
– Além disso... – continuou – Quando chegarmos ao nosso destino, prometo te fazer uma massagem bem relaxante.
Aquela realmente era uma proposta tentadora. Eu estava exausta por causa da minha última semana de prova e tudo que eu preciso no momento é de uma massagem relaxante do meu namorado.
– Olha que eu vou cobrar essa promessa – coloquei os braços em volta do seu pescoço.
Nesses poucos mais de dois meses desde que voltamos, nós temos sido bem cuidadosos quando estamos em publico, mas isso não está acontecendo. Sendo bem sincera, não me importo que alguém nos flagre, assim acabamos logo com essa palhaçada; não sei o que Stefan está pensando, mas ele também não está me impedindo.
Foi então que o celular dele começou a tocar, atrapalhando o nosso momento.
– Desculpa, Care, eu preciso atender – avisou enquanto olhava o identificador de chamadas – Não se preocupe, isso não deve levar mais do que um minuto.
– Claro, sem problema... – afirmei com a cabeça.
– Perfeito – me deu mais um selinho antes de colocar o telefone no ouvido – Oi, senhor Gilbert! Tudo bem, eu não estou ocupado, pode falar — revirei os olhos quando ele se afastou, já deveria saber quem é que estava ligando.
Enquanto Stefan conversa com o sogro, decidi fechar o porta-malas e me encostei no carro para poder esperar. Pela grade que dividia a rua do parque dava para ver algumas crianças brincando no parquinho infantil, apesar do frio do inicio de dezembro, elas pareciam bem animadas e também cheias de energia.
Foi impossível não me lembrar de mim mesma mais ou menos com essa idade e vindo para esse mesmo parque com o meu pai, eu era capaz de brincar horas e horas. Também fico me imaginando daqui há alguns anos, mãe e trazendo meu filho ou minha filha nesse mesmo lugar.
– Tudo bem, senhor Gilbert, resolvemos isso quando eu voltar de viagem, mas agora eu preciso ir, já vão anunciar o meu voo – meu namorado se aproximou novamente depois de alguns minutos – E sim, pode ter certeza de que eu vou me divertir muito na minha viagem. Até terça-feira... — completou antes de desligar – Está tudo bem, meu amor?
– Sim... – balancei a cabeça afirmativamente – O que o senhor Gilbert queria?
– Falar sobre uns relatórios que ele quer que eu leia na semana que vem – deu de ombros – Mas na verdade ele ligou mesmo para poder ficar de olho em mim; acredite, o senhor Gilbert consegue ser tão controlador comigo quanto é com a filha.
Isso não era novidade; se a intenção dele era arranjar um namorado para Elena que ele aprovasse, era óbvio que iria tentar controlar todos os passos do casal. Apesar de estar totalmente segura a respeito dos sentimentos do Stefan por mim é inevitável não me sentir incomodada com a situação.
– Caroline Forbes... – balançou a cabeça negativamente – Não me diga que você está com ciúmes?
– Claro que eu não estou com ciúmes, Stef – garanti – Só que é um pouco estranho saber que você está aqui comigo na oficialmente namora a minha melhor amiga, acho que essa é uma coisa que eu nunca vou conseguir me acostumar.
– É por pouco tempo, Care, eu prometo – continuou enquanto colocava uma mecha do meu cabelo para trás da orelha – Aguente mais alguns meses e depois disso eu serei só seu e de mais ninguém.
Dei um fraco sorriso em concordância, mas a verdade é que eu não acredito que isso será apenas por “pouco tempo” quanto Stefan afirma...
– Só uma coisa que eu queria saber – decidi mudar ligeiramente de assunto – Aonde você disse que ia para o senhor Gilbert nesse final de semana? Ainda mais sem a Elena.
– Eu disse que precisava ir a Nova York para o casamento de antigo colega da faculdade – explicou – É claro que ele perguntou porque a Elena não ia comigo, mas ela afirmou que iria se sentir entediada em uma festa que não conhecia ninguém e por isso não queria ir.
– Entendi... – observei.
– Mas e quanto a você? – foi a vez dele perguntar – Tenho certeza que você disse alguma coisa para o seu pai para evitar que ele ou o Steven liguem durante o final de semana.
– Meu pai sabe como as semanas de prova na faculdade são estressantes para mim, então avisei que iria passar o final de semana em um resort fora da cidade junto com alguns colegas de curso para comemorar o inicio das férias – não gosto de mentir para o meu pai, mas não é como se eu tivesse escolha, afinal ele acha que o meu termino com o Stefan foi definitivo e não pode nem sonhar que não foi.
– Bom, então é melhor a gente ir – avisou, por fim – Você vai me deixar dirigir?
– Você quer dirigir o meu carro? – olhei para o veículo e para ele repetidas vezes – Sabe o quanto eu tenho ciúmes do meu “bebê”.
– Caso você tenha se esquecido, eu sou o único aqui que sabe para onde nós estamos indo – lembrou – Logo eu sou o único que sabe o caminho, então me deixar dirigir vai ser muito mais fácil do que te guiar.
– Tudo bem – acabei me convencendo enquanto entregava a chave para ele – Mas toma muito cuidado.
– Fica tranquila, Care, eu não vou bater o seu carro – garantiu antes de me dar um selinho.
***
Já fazia cerca de uma hora e meia que tínhamos saído de Washington e pela direção que seguimos é provável que já estejamos dentro do estado da Pensilvânia. Encostei a mão no rosto e fiquei observando a paisagem passar rapidamente, era uma atividade quase hipnotizante e estava me dando um pouco de sono.
– Você está tão quieta – Stefan observou alguns minutos depois – Quase não falou desde que entramos no carro.
– Só estou observando aproveitando a viagem – dei de ombros – Esse é um dos milhares de motivos que eu prefiro dirigir, viagens longas de carro sempre me dão um pouco de sono.
– Acabamos de passar por uma placa indicando que tem um posto de gasolina ali na frente – avisou – Estamos mesmo precisando abastecer o carro, então podemos esticar um pouco as pernas e talvez até comer alguma coisa.
– Não estou com fome – respondi; e esse era o outro grande problema, o sacolejo do carro sempre acabava me deixando enjoada – Mas eu concordo sobre esticar as pernas.
– A senhorita é quem manda – ele diminuiu a velocidade para poder entrar no posto.
Depois de encher o tanque de veículo, decidimos ir até a loja de conveniência. Eu pedi uma água com gás, enquanto Stefan escolheu uma xícara de café.
– Ainda falta muito para chegarmos? – decidi perguntar quando nos sentamos em uma mesa próxima a janela.
– Acredito que mais uma hora de estrada e já chegaremos ao nosso destino – disse depois de dar uma olhada no relógio.
– Perfeito! – comentei satisfeita – E você não vai mesmo me dizer para onde você está me levando.
– Decididamente não – negou com a cabeça – Já disse que é uma surpresa e pretendo manter isso até que a gente chegue.
– Não é que eu não confie em você, Stef – continuei – Mas é que eu me sentiria muito mais segura se tivesse 100% de certeza que você não está me seqüestrando.
– Eu me sinto um pouco triste ao te ouvir falando isso – deu de ombros se fingindo de triste – Mas tudo bem, eu te falo: estamos indo para Nova York.
– Cidade de Nova York? – não era exatamente o que eu estava esperando, mas certamente seria bem romântico passear em Nova York com o Stefan, mesmo sendo por apenas três dias.
– Não exatamente – apressou-se em corrigir – Uma cidadezinha a 15 minutos de Manhattan, é lá que fica a casa de praia da minha família.
– Então estamos indo para a casa de praia da sua família – conclui.
– Depois que eu meu irmão saímos de casa, ninguém mais vai até lá com a mesma frequência de antes – falou – Apesar de meu pai sempre pagar alguém para arrumar e ver como estão as coisas, a casa fica vazia a maior parte do tempo. É uma região bem tranquila e simpática, tenho certeza de que você vai adorar.
– Eu também tenho certeza disso – afirmei – Três dias em um lugar tranquilo, sossegado e isolado, apenas eu e você, parece a definição do paraíso para mim.
– E para mim também – colocou a mão sob a minha.
Então terminamos as nossas bebidas antes de pagarmos a conta e seguimos com o restante da nossa viagem.
***
Como Stefan tinha falado, pouco mais de uma hora depois da nossa última parada, chegamos ao nosso destino. Quando saímos de dentro do carro eu fiquei observando o lado de fora da casa: era madeira, aparentava ser grande e ainda ficava a poucos metros da areia da praia, era mesmo o local perfeito.
– O que achou? – ele perguntou enquanto colocava as nossas malas no chão – É tudo que você imaginava?
– Mais do que isso, até – dei um pequeno sorriso na direção do meu namorado antes de voltar a olhar para a porta da casa – Então foi aqui que você passou grande parte da sua infância?
– Não exatamente grande parte da minha infância, mas foi uma parte até significativa – deu de ombros – Sempre passávamos pelo menos uma semana das férias de verão aqui e sendo sincero era a época do ano que eu mais esperava.
Aposto que você deve ter trazido várias das suas namoradas aqui – continuei; por incrível que pareça não me sinto incomodada com as ex-namoradas do Stefan, afinal, ele teve uma vida antes de mim da mesma maneira que eu tive uma vida antes dele.
– Na verdade eu nunca trouxe uma garota aqui – respondeu – Você é a primeira e espero que seja a última – quando Stef parou ao meu lado ele me girou para que ficássemos frente a frente e colocou os dois braços em volta da minha cintura.
– Até que eu gosto de ouvir isso... – sussurrei – Vou começar a me achar com você me falando essas coisas.
– Pois pode se achar – garantiu antes de me dar um selinho.
Ficamos ali por alguns minutos, apenas nos beijando e nos curtindo. Era realmente muito bom podermos ficar juntos sem preocupação ou medo se sermos pegos; apesar de ter algumas casas em voltar, provavelmente são todas de veraneio e não devem ter ninguém nesse momento.
– Boa tarde, Stefan! – nos viramos a tempo de encontrar uma senhora que devia ter idade para ser minha avó, ela estava segurando uma sacola de compras – Que surpresa ter você por aqui, meu querido!
– Oi para você, senhora Flowers – meu namorado acenou e maneira simpática para ela – Eu estava um pouco ocupado, primeiro o final da faculdade e depois eu comecei a trabalhar..., mas então decidimos passar esse final de semana aqui.
– Faz muito bem – continuou – E quem é essa jovem toa simpática ao seu lado?
– Essa daqui é a minha namorada, Caroline – a puxou para mais perto de mim enquanto respondia – Care, essa é a senhora Flowers, ela mora na casa ao lado desde que eu me entendo por gente.
– É um prazer conhecer a senhora – respondi da maneira mais simpática o possível.
– Digo o mesmo – repetiu o meu gesto – Mas me diga, querido, como estão o seu pai e o seu irmão?
– Eles estão bem – afirmou.
– Que ótimo! — completou – Bom, vou deixar vocês dois sozinhos, aproveitem o final de semana; quem sabe a gente não se esbarra nesses dias que em que vocês estão aqui.
– Claro! – Stefan sorriu; quando a mulher se afastou ele voltou a me abraçar – Não precisa se preocupar, a senhora Flowers deve ter uns 90 anos, acho que ela nem ao menos lê ou assiste jornal, muito menos qualquer página de fofoca.
– Acho bom mesmo – disse – Mas se sair alguma notícia no jornal dizendo que você está traindo a Elena com uma loira misteriosa, não venha me culpar.
– Nunca iria te culpar por uma coisa dessas – garantiu – Mas imagino que você não veio até aqui comigo para ficarmos apenas aqui fora, vamos logo entrar na casa.
Soltei um gritinho de surpresa quando Stefan pegou no colo.
– Você é doido... – “reclamei” sem conseguir parar de rir – O que é que você está fazendo?
– Apenas entrando com você do jeito certo – avisou.
– Caso você tenha se esquecido, nós não somos casados – lembrei – Com certeza deve existir alguma superstição sobre não poder carregar ninguém assim quando não se é casado.
– Estou apenas treinando... – deu um beijo no meu ombro – Daqui pouco tempo estaremos oficialmente casados, eu prometo.
***
Apesar dos meus protestos iniciais, Stefan fez questão de me carregar no colo até dentro de casa, quando ele me colocou no chão saiu novamente para trazer o restante das nossas coisas e eu fiquei ali observando todos os detalhes da sala.
Logo depois da entrada tinha uma espécie de Hall com um móvel cheio de fotos; já na sala, propriamente dita, tinha uma mesa de jantar de seis lugares, dois sofás em frente a um móvel com uma televisão juntamente com um aparelho de DVD e um vídeo-game e uma lareira, além disso tem uma porta de vidro de por onde podíamos ver a praia, uma outra que provavelmente levava para a cozinha e a escada que deveria dar acesso aos quartos.
Enquanto esperava segurei um dos porta-retratos que estava mais próximo de mim, nele tinha uma foto da mãe de Stefan parada na frente da casa, ela parecia bem nova que na outra imagem que eu vi, provavelmente ainda nem devia ter dito os filhos. Olhando mais atentamente para aquela mulher eu pude ver várias semelhanças dela com o meu namorado.
– Prontinho está tudo aqui... – Stef comentou antes de ver o que eu estava fazendo – Meu pai nunca teve coragem de retirar nenhuma dessas fotos, ele acrescentou mais uma ou duas ao longo dos anos, mas todas que estavam aqui na época da minha mãe, permanecem aqui.
– Gosto de ver fotos antigas – admiti – Elas contam uma história, sem contar que é muito divertido ver como as pessoas eram alguns anos antes.
– Isso é verdade – encostou o queixo no meu ombro.
– Você se parece tanto com ela – comecei enquanto ele colocava a mão sob a minha.
– Você acha? – pareceu surpreso com o meu comentário – Todo mundo sempre dizia que o Damon parecia com a minha mãe e eu com o meu pai, principalmente os olhos.
– Os olhos talvez... – dei de ombros – Eu não conheço o seu pai, mas por essa foto dá para ver que você se parece muito com a sua mãe.
– Acho que eu tenho sorte, dizem que ela era mesmo muito bonita – comentou enquanto se afastava – Mas mudando de assunto, você quer que eu ligue a lareira?
– Quem sabe mais tarde – disse – Não está tão frio para você ligar a lareira mais tarde. Podemos procurar um bom filme para ver na televisão, então ficamos abraçadinhos no sofá, talvez tomando um bom vinho.
– Você não poderia ter uma ideia melhor – segurou as minhas mãos enquanto me puxava para perto novamente – Meu pai tem uma adega no porão, se você quiser pode até escolher uma garrafa.
– Não entendo absolutamente nada de vinhos – dei de ombros – Prefiro que você mesmo escolha.
– Se é assim que você prefere – sorriu antes de dar um beijo na ponta do meu nariz.
– Mas sabe do que eu estou precisando agora? – ela balançou a cabeça negativamente – De um bom banho, de preferência com o meu namorado junto comigo.
– Seu pedido é uma ordem, senhorita Forbes – completou antes de voltar a me segurar no colo.
***
Apesar de não termos passado dos beijos e de algumas carícias, o nosso banho demorou bem mais tempo do que o normal. Quando fomos para o quarto, Stefan finalmente cumpriu a promessa que me fez quando ainda estávamos em Washington e me fez uma massagem relaxante.
– Está gostando? – ele perguntou enquanto fazia movimentos circulares contra o meu ombro.
– Sim... – balancei a cabeça afirmativa, foi impossível não soltar um gemido de satisfação – Eu estava mesmo precisando disso, você não tem ideia.
– Percebi, você está mesmo bem tensa – concordou – Mas não se preocupe, quando eu terminar aqui você vai ser praticamente uma nova mulher.
Stef continuou a massagem, intercalando com beijos por toda a extensão das minhas costas. Ele estava sentado sob as minhas coxas e pude perceber o quanto ele estava “animado”.
– Será que você se importa se a gente parar por aqui? – tinha certeza de que meu namorado estava revirando os olhos, mesmo assim ele com certeza iria aceitar a minha decisão – Eu preciso mesmo dormir um pouquinho.
– Claro, não tem problema – concordou antes de sair de cima de mim – Dorme um pouco, enquanto isso eu posso sair para comprar alguma coisa para comermos. Você quer sugerir alguma coisa?
– Batata-frita com Milk Shake – respondi.
– Certo, tem uma lanchonete no centro da cidade – avisou – Talvez eu demore um pouquinho mais do que se eu fosse ao mercado, você se importa?
– Nem um pouquinho – neguei com a cabeça – Enquanto isso eu posso continuar a dormir.
– Está bem, Care – deu um beijo no meu rosto – Daqui a pouco eu estou aqui.
Fechei os olhos. Tudo que eu me lembro foi de ouvir o barulho da porta do quarto se fechando e poucos instantes depois estava caindo na inconsciência.
***
Não sei por quanto tempo se passou, mas não deveria ser muito tempo, pois quando acordei Stefan ainda não tinha voltado.
Fui até o banheiro para poder lavar o meu rosto, estava olhando o meu reflexo no espelho quando ouvi o barulho no andar debaixo. Então eu saí apressadamente para descer as escadas, o problema é que não foi o meu namorado que eu encontrei quando cheguei a sala.
Ele não era muito mais velho do que eu, estava usando uma camisa azul que combinava com os seus olhos, óculos escuros pendurado na gola e uma bermuda jeans. Eu o reconheci imediatamente como Damon, o irmão mais velho do Stef.
– Quem é você? – franziu a testa enquanto me encarava – O que está fazendo na minha casa.
– Desculpe-me, eu sou a namorada do Stefan – estendi a mão para cumprimentá-lo – Você é o Damon, não é mesmo?
– Exatamente – afirmou enquanto retribuía o meu gesto – Então quer dizer que você é a minha nova cunhadinha...
– Acho que pode dizer isso – fiquei ligeiramente envergonhada com aquele comentário.
– Elena, não é mesmo? – continuou – Passei o dia de ação de graças com o meu pai em Atlanta e ele não parava de repetir sobre o fato do Stefan estar namorando a filha mais velha do senador Gilbert. Sendo sincero, já não aguentava mais ouvir o seu nome.
– Na verdade, meu nome é Caroline – comecei a enrolar as pontas dos cabelos, além disso estava olhando para todos os lugares, menos para Damon.
– Entendo – foi tudo que ele disse – Mas onde é que está o Stef?
– Care, eu cheguei! – já foi me chamando assim que entrou em casa, provavelmente pensando que eu ainda estava lá em cima dormindo – É melhor você vir logo, a batata-frita costuma ficar horrível depois que esfria.
Ele parou assim que viu o irmão, ficou ali o encarando de cima a baixo.
– Olá, irmãozinho... – Damon finalmente falou – Pelo jeito nós dois tivemos a mesma ideia de vir até aqui nesse final de semana.
– Sim, é o que está parecendo – concordou, ainda parecendo incrédulo por vê-lo aqui – A decisão de vir aqui foi meio de última hora. Como ninguém vem aqui, por isso não achei que tivesse de necessidade de avisar a você ou ao papai.
– O mesmo comigo... – deu de ombros – Eu meio que estou comemorando o fato de estar solteiro novamente, Taylor e eu terminamos.
– Ora... – pareceu bem surpreso com o comentário do irmão — O que aconteceu com o “eu estou apaixonado”? ou o “Taylor é o homem da minha vida”? Você até mesmo o levou para o papai conhecer.
Então quer dizer que o Damon é gay? Não posso dizer que esperava por isso, mas isso explica o fato de Stefan ter reagido de uma maneira tão natural quando contei a respeito do meu pai e Steven.
– Acontece que Taylor não era tão gay quanto afirmava ser – explicou – Eu o peguei se agarrando com uma das modelos da agência.
– Sinto muito por isso, cara – lamentou.
– Não tem problema, eu já superei – garantiu – Claro que se eu pudesse teria demitido os dois, mas infelizmente eu não sou o único sócio, então não tenho essa autoridade sozinho – soltou um longo suspiro – Mas sabe, vocês chegaram aqui antes de mim, se quiserem eu posso ir embora, jamais estragaria o final de semana de vocês.
– De maneira nenhuma, Damon, essa casa é tão sua quanto minha – garantiu – Vamos adorar ter você aqui conosco, não é mesmo, Care?
Claro – afirmei – Você já veio até aqui, seria até egoísmo da nossa parte fazer você ir embora novamente.
– Já que é assim, eu ficarei então – avisou – Mas vou passar a maior parte do tempo trancado no meu quarto ou na praia, assim não vou interromper os dois pombinhos.
Então ele pegou a sua mala e nos deu um último aceno antes de subir as escadas.
***
– Por que você nunca me disse que o seu irmão é gay? – estávamos no sofá da sala comendo a batata-frita e tomando o Milk Shake que o Stefan, tínhamos ligado a televisão, mas eu não estava prestando a menor atenção no que estava passando – Você sabe perfeitamente que eu não iria achar estranho ou até mesmo nojento.
– Sim, Care, eu sei de tudo isso – respondeu – Só achei que não era algo relevante, já é algo tão natural para mim.
– Sei exatamente como é – continuei – Desde que eu me entendo por gente sabia que meu pai “gostava de garotos”, não sabia exatamente o que isso significava, até que ele e o Steven começaram a namorar.
– O Damon até teve algumas namoradas quando estava no colégio – explicou – Então uma vez em que veio para casa, durante as férias da faculdade, eu acabei entrando no quarto do meu irmão e o encontrei com outro cara, os dois estavam sem camisa e se beijando. Foi quando ele decidiu ter uma conversa sincera comigo, meu pai também sabe e apóia as escolhas do meu irmão.
– Isso é mesmo muito importante – concordei – Meus avós não apoiaram o meu pai quando souberam que ele era gay, nem mesmo quiseram me conhecer quando eu nasci, nunca os conheci e não sei nem se ainda estão vivos.
– Bom, agora vamos parar de falar sobre o Damon ou sobre o seu pai e o Steven – retirou o copo a minha mão e o colocou sob a mesa de centro – Temos coisas muito mais interessantes para fazer, como terminar o que começamos hoje mais cedo.
Então ele começou a me beijar. Eu até correspondi por uma pequena fração de segundos, mas então consegui reunir forças para empurrá-lo.
– De jeito nenhum, Stefan – disse – Eu não vou trazer com você sendo que o seu irmão está na mesma casa que a gente, ainda mais na sala.
Ele disse que vai ficar no quarto mesmo – lembrou – E não tem importância se não formos muito silenciosos, acredite, o Damon me deve uma.
Não é questão de sermos silenciosos ou do seu irmão conseguir nos ouvir – expliquei – Acontece que o seu irmão acha que eu sou a sua amante.
Isso é sério? – Stef começou a rir – Por que você acha isso?
– Antes de você chegar ele me chamou de Elena – falei – Parece que seu pai contou a ele sobre vocês e quando eu disse que era a sua namorada, ele fez associação.
– E se eu for lá falar com o Damon e explicar toda a situação? – sugeriu – Você vai se sentir melhor assim.
– Com certeza vou me sentir bem melhor – afirmei – Apesar de toda a situação, eu já não me importo de precisarmos namorar escondidos ou por você estar fingindo estar com a minha melhor amiga. Mas saber que alguém pensa que eu sou sua amante é tão..., não sou esse tipo de pessoa e me incomoda muito que achem que eu sou.
– Tenho certeza que o Damon vai entender perfeitamente o nosso lado – garantiu – Meu irmão sempre desejou que eu corresse atrás da minha felicidade, da mesma maneira que ele fez. E quando eu disser que estamos felizes e que é com você que eu quero estar e não com a Elena, ele irá me apoiar para que eu tenha aquilo que desejo, talvez até fale com o nosso pai para que ele também dê uma força.
– E você acha que isso ajudaria na situação? – decidi perguntar – Talvez o seu pai consiga convencer o senhor Gilbert a retirar a condição para te dar o apoio político?
– Provavelmente não – deu de ombros – Mas não vamos nos preocupar com isso agora – segurou a minha mão e me deu um beijo nos meus dedos.
E isso era tudo que eu venho ouvido nos últimos dois meses: “não vamos pensar nisso agora”. Fico pensando quando é que vai ser a hora para pensarmos nisso.
– O que acha de assistirmos mais um pouco de televisão? – sugeriu enquanto fazia com que eu deitasse a cabeça no seu colo – E não se preocupe, não vou “tentar” nada com você antes de falar com o meu irmão e explicar que você não é a minha amante.
– Acho bom mesmo – fiz a cara mais séria que eu consegui – Você vai falar com ele logo, não é mesmo?
– Claro – afirmou – Se eu conheço o meu irmão, ele deve estar arrumando todas as suas coisas meticulosamente dentro do armário, então vou dar um tempo para que ele termine isso – deu de ombros – Enquanto isso, vou ficar mais um tempo curtindo a minha namorada, até porque esse é o propósito desse final de semana.
Então ele começou a mudar rapidamente os canais da televisão procurando alguma coisa que pudéssemos assistir. Enquanto isso também estava passando a mão pelo meu cabelo. Aquele era mesmo um raro momento de tranqüilidade entre nós dois e eu estava realmente adorando.
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