Second Chance

7 Capítulo 6 – Traição?


Notas iniciais
Oi gente!!!! Quarta-feira, dia de capítulo novinho de SC para vocês. Espero que gostem E nos vemos lá embaixo nas notas finais.

A chuva começou a cair com mais força no instante em que eu estacionei no prédio da minha melhor amiga. Pensei que Stefan já estaria ali me esperando, mas como não estava, peguei o meu celular para poder ligar para ele.

Oi, espera só um minuto... – do outro lado da linha pude ouvir os seus passos e em seguida o som de uma porta sendo fechada, provavelmente estava procurando um lugar para falarmos sossegados – Pronto, Care, pode falar.

– Onde é que você está? – quis saber – Eu já estou aqui embaixo. Meu pai e o Steven já devem estar nos esperando.

Depois de pouco mais de um mês de namoro, finalmente tomei coragem e contei ao meu pai sobre o Stefan. Não posso dizer que ele ficou exatamente feliz com a novidade, mas mais tarde naquele dia ele me ligou sugerindo que marcássemos um jantar para que ele pudesse conhecer melhor o meu namorado, embora eu tenha quase certeza de que isso foi ideia do Steven.

Estou terminando de me arrumar – explicou – Já vou descer para te encontrar.

– Se você quiser eu posso subir um pouquinho para te esperar – sugeri – Assim você não precisa correr para terminar de se arrumar.

Não! – praticamente gritou, o que me fez dar um pequeno salto no banco do carro por causa do susto – Quero dizer, não vou fazer você fechar o carro e vir aqui em cima só para descer junto comigo, não quero te dar trabalho.

– Não é trabalho nenhum, Stefan – garanti – Assim eu aproveito e converso um pouco com a Elena – fazia uma semana que eu só conversava com ela por telefone, acho que esse deve ser o maior tempo que eu fiquei sem ver a minha melhor amiga.

Ela não está em casa – explicou – Saiu cedo, acho que para ver alguma coisa na faculdade.

Sabia muito bem o que esse “ver alguma coisa na faculdade” queria dizer. Elena provavelmente foi ver o Enzo.

– É mesmo uma pena... – lamentei.

E não precisa se preocupar, eu não vou demorar – completou – Só estou tentando ficar arrumado o suficiente para poder e conhecer o meu sogro.

– Está bem... — foi impossível não sorrir com esse comentário.

Só estou tentando causar uma boa primeira impressão – disse – Algum problema com isso, senhorita Forbes?

– Nenhum problema – balancei a cabeça negativamente, mesmo sabendo que ele não estava me vendo – Mas se você está mesmo querendo causar uma boa primeira impressão, saiba que meu pai detesta atrasos.

Fica tranquila, em cinco minutos eu estou aí – garantiu – Beijos...

Antes que eu pudesse falar qualquer outra coisa, Stefan já tinha desligado. Fiquei ali olhando as gotas de chuva batendo na janela do carro e foi impossível não começar a lembrar sobre a conversa que tive com o meu pai no inicio dessa semana.

*Flashback*

– Olá, Caroline! – a secretária do meu pai abriu um enorme sorriso assim que me viu, ela trabalha no escritório há anos e me conhece desde que eu ainda usava fraldas – Seu pai avisou que você estava vindo vê-lo.

– Oi, Emily – retribuí o seu cumprimento – O professor da minha última aula de hoje avisou que não poderia ir e como eu estava com esse horário vago, decidi vir até aqui. Tinha mesmo que falar com ele, que melhor horário para fazer isso que agora?

– Com certeza – concordou – Nesse momento, o senhor Forbes está em reunião com um cliente, mas você pode se sentar e esperar por ele.

– Certo, obrigada, Emily – sorri antes de me sentar na sala de espera.

Depois de me acomodar no sofá, peguei o celular dentro da bolsa e notei uma mensagem de Elena que tinha chegado há poucos minutos.

Elena: Care, está tudo certo para almoçarmos juntas hoje?

Caroline: Claro! Estou aqui no escritório do meu pai, mas não devo demorar muito. A gente se encontra na praça de alimentação?

Elena: Perfeito! Nós duas temos muito que conversar. Quero saber como estão as coisas entre você e o Stefan, quero saber de tudo! Quero dizer, nem tudo, apenas as coisas permitidas para se falar em público.

Caroline: Só você mesma, Lena... Pois fique sabendo que eu também quero saber sobre você e o Enzo.

Elena: Combinado. Bom, agora eu tenho que ir, estou no meio de uma aula totalmente entediante. A gente se vê mais tarde.

Caroline: Até daqui a pouco...

– Você está com um sorriso tão bonito, Caroline – estava encarando a tela do meu celular aberta na conversa com a minha melhor amiga e a voz de Emily fez com que eu saísse do transe – Além disso, você está com um brilho no olhar.

Nem mesmo tinha reparado que eu estava sorrindo, é algo que eu faço quase que involuntariamente quando estou perto, falo ou até mesmo penso no Stefan.

– Pelo jeito a reta final da faculdade está fazendo muito bem para você – continuou.

– Eu também acho isso, Emily – concordei – Sendo sincera, acho que nunca estive tão feliz quanto estou agora.

– Fico mesmo muito feliz com isso – foi a vez dela sorrir.

Não demorou muito para a porta da sala do meu pai ser aberta e ele sair de lá acompanhado de outro homem, que trazia várias plantas debaixo do braço.

– Então isso é tudo, senhor Shane – apertaram as mãos enquanto se despediam – As obras começam na semana que vem e pode ficar tranquilo, eu irei supervisionar a equipe de perto pessoalmente.

– Muito obrigado, senhor Forbes – ele agradeceu – Bom, eu já vou indo.

Então o homem saiu; meu pai o seguiu com os olhos, provavelmente esperando que ele desaparece na curva que lavava ao hall dos elevadores e só depois se virou na minha direção.

– Caroline, minha querida – segurou a minha mão para me ajudar a levantar – Espero que não tenha ficado muito tempo esperando aqui.

– Oh não, na verdade, eu acabei de chegar – expliquei – Se soubesse que você estava ocupado com um cliente eu teria vindo em outro horário, não quero atrapalhar o seu trabalho.

– Você nunca me atrapalha. Na verdade, aquele era o meu último cliente da parte da manhã – respondeu – Mas vamos entrando, sabe que a sua visita aqui é mais do que bem vinda, e às vezes eu tenho a impressão que o Steven te vê mais do que eu, sabia?

– Com ciúmes, senhor Forbes? – não pude deixar de rir da careta que ele fez com o meu comentário – Pois saiba que se você aparecesse às vezes na delicatessen, iria me ver.

Ele me guiou na direção da sua sala e, enquanto fechava a porta, eu me acomodava em uma das confortáveis poltronas que tinha no local.

– E por falar em delicatessen... – continuou enquanto se sentava em frente a mim, do outro lado da mesa – Você vai trabalhar hoje à tarde?

– Não – neguei com a cabeça – Essa foi uma longa semana na faculdade e o Steven me deixou compensar esse dia de trabalho na semana que vem.

– Melhor para mim, assim terei mais tempo com a minha filha – pareceu mesmo satisfeito – O que acha de almoçarmos juntos? Acho que não fazemos isso desde o seu aniversário.

– Combinei de almoçar com a Elena hoje, e depois vamos passar o dia no shopping – disse – Sinto muito, pai; mas podemos marcar outro dia.

– Quando você quiser – afirmou – Agora... Quer que eu peça para a Emily te trazer uma água? Talvez um café?

– Eu não quero nada, pai, obrigada – respondi – Na verdade eu pretendo ser breve, queria falar uma coisa com você.

– Então diga... – continuou.

E tinha chegado o momento. Stefan e eu fazemos um mês de namoro hoje e acordei totalmente decidida a contar sobre ele ao meu pai. Claro que eu sei que as coisas não serão tão simples assim e esse é o maior motivo do meu medo.

– Primeiro de tudo eu quero te pedir desculpas por não ter falado nada antes – nesse momento eu estava olhando para as minhas próprias mãos – Eu só queria esperar o momento certo para isso e espero que entenda o meu lado nessa situação toda.

– Queria esperar o momento certo para falar comigo? – seu rosto ficou branco por um instante – Caroline! Por favor, não diga que você está grávida!

– Claro que não! – apressei-me em responder – Por que você pensou logo isso?

– Você está tão séria que... – balançou a cabeça negativamente, provavelmente querendo espantar qualquer outro pensamento ruim – Mas se você não está grávida, então que queria me contar?

– Eu estou namorando! – disse bem rápido, mas sabia que meu pai tinha entendido muito.

– Namorando... – repetiu em um sussurro – Mas eu pensei que você estivesse focada na faculdade e não estivesse com planos de namorar ninguém por agora.

– E eu não estava, mas aconteceu – dei de ombros – O nome dele é Stefan e é uma das pessoas mais incríveis que eu já conheci, tenho certeza que você vai gostar dele.

– Duvido muito disso – revirou os olhos – A sua mãe sabe de você e do tal de Stefan?

– Contei a ela há algumas semanas – sendo mais específica foi no dia seguinte a quando eu passei minha primeira noite com Stefan, liguei para a minha mãe assim que cheguei em casa e ela ficou bem feliz com as novidades – E o Steven também já conhece ele, na verdade.

– Isso quer dizer que eu sou o último a saber – reclamou.

– Não fiz de propósito, acontece que você tem um histórico de não reagir bem aos meus namorados – lembrei – O Stefan é importante para mim e queria dar um tempo antes dele ser obrigado a passar pelo estresse de conhecer o sogro.

– Você o ama? – quis saber, me pegando totalmente de surpresa.

Fiquei algum tempo pensando no que responder. Gosto do Stefan e de estar com ele, mas amar? É algo tão forte, tão definitivo.

– Não sei... – disse, por fim – Stefan e eu estamos juntos há apenas um mês, é um pouco cedo para falar de amor, mas posso dizer que eu estou feliz com ele, muito feliz.

– Que bom – continuou.

– Sei que eu demorei muito para te contar, mas quero que você conheça logo o Stefan – avisei – E sei que ele também está doido para te conhecer.

– Ainda preciso absorver o fato de você ter um namorado antes de finalmente conhecê-lo – respondeu – Espero que você entenda o meu lado.

– Claro que eu entendo... – sei muito bem que ele está fazendo isso por vingança, mas não estou com vontade de discutir com o meu pai agora – Bom, agora eu preciso mesmo ir, tenho que encontrar com a Elena.

– Está bem, minha filha – ele me deu um beijo no rosto antes que eu me levantasse.

Saí de lá com uma sensação de frustração. Por um lado, a reação do meu pai até que foi melhor do que eu poderia imaginar, mesmo assim não estou me sentindo com o dever cumprido.

*Fim do Flashback*

Stefan chegou cerca de cinco minutos depois, exatamente como tinha me dito que faria. Assim que eu o vi, destravei a porta para que meu namorado pudesse entrar no carro.

– Oi, Care... – fechou o guarda-chuva e o colocou no banco de trás antes de me dar um selinho – Você está linda!

Na verdade eu não poderia estar mais simples: tinha colocado uma calça jeans, uma blusa qualquer, uma sapatilha e coloquei uma jaqueta por causa do frio. Sabia perfeitamente que ele estava sendo totalmente exagerado.

– Deixa de ser bobo, Stef – revirei os olhos.

– Eu já disse várias vezes e volto a repetir: você subestima muito a sua beleza – continuou – Será que você realmente não vê a quantidade de caras que olha para você na rua?

– Isso decididamente é delírio da sua cabeça – garanti.

– Não vou discutir com você, Care – fez uma careta – Agora, não é melhor a gente ir embora? Você disse agora a pouco que o seu pai detesta atrasos.

– Tem razão – liguei o carro – Vamos lá...

***

A chuva tinha dado uma diminuída de uns minutos para cá, mas ainda continuava forte. Por isso decidi dirigir a uma velocidade razoável para evitar qualquer perigo de derrapagem.

– Conte-me alguma coisa do seu pai – pediu – Tudo que eu sei até agora é que o nome dele é Bill e não costuma ser muito amistoso com os seus namorados.

– Bom, meu pai tem 47 anos e é engenheiro civil – falei sem tirar os olhos da estrada à minha frente – Ele é sócio de um famoso escritório e trabalhou nas primeiras obras de campanha do senhor Gilbert quando ele ainda era deputado; foi assim que eu e a Elena acabamos nos conhecendo e viramos amigas.

– Pensei que vocês duas tivessem se conhecido porque tinham estudado na mesma escola – observou.

– Nós estudamos juntas – na época meu pai já ganhava bem o suficiente para me colocar em um colégio particular, o mesma para onde Elena foi quando se mudou com a família aqui para Washington, um pouco mais de um ano depois de mim – Mas nós nos conhecemos algumas semanas antes, quando fui com o meu pai em um almoço na casa dos Gilbert; eu e Elena brincamos juntas, então quando as aulas começaram nós estávamos na mesma sala e não nos desgrudamos mais desde então.

– Agora eu entendi – continuou – E como foi o relacionamento dos seus pais? Quero dizer: o seu pai tem um namorado, mas em algum momento ele namorou a sua mãe, não foi?

– Não exatamente – tentei explicar, dando de ombros – Meus pais são amigos de infância, lá de Mystic Falls. Minha mãe decidiu se dedicar à academia de polícia assim que terminou o ensino médio, mas logo que ela virou xerife decidiu que queria ter filhos e decidiu pedir para o meu pai ser o doador; ele aceitou, mas deixou bem claro que queria fazer parte da vida do bebê. E foi assim que eu nasci.

– Do jeito que você fala, seu pai parece mesmo uma pessoa incrível – pela minha visão periférica, percebi que ele estava sorrindo – Também dá para ver que ele gosta muito de você.

– Sim, é verdade – tinha acabado de parar em um sinal vermelho, então soltei uma das mãos do volante e coloquei sobre a dele – Você está com medo de conhecer o meu pai?

– É claro que não! – apressou-se em responder, mas não estava conseguindo passar muita confiança no seu tom de voz – Estou falando sério, Care!

– Você não precisa mesmo se preocupar com nada, Stef – garanti – Vou estar lá com você o tempo inteiro e não vou deixar meu pai fazer nada de mal com você.

Stefan engoliu em seco e eu não pude deixar de rir. Foi nesse momento que o sinal abriu; agora estávamos a apenas poucos metros do edifício em que o meu pai mora.

***

Quando o elevador chegou ao andar, toquei a campainha do apartamento. Não demorou muito para meu padrasto abrir a porta.

– Aí estão vocês! – Steven me abraçou com bastante força – Essa chuva toda lá fora, fiquei preocupado.

– Não costumo correr quando está chovendo, não precisa se preocupar – garanti – Você se lembra do Stefan, não é mesmo? – além daquele dia em que jantamos juntos, durante esse primeiro mês de namoro, ele também foi à delicatessen algumas vezes para me encontrar depois de um dia de trabalho.

– Claro que eu me lembro – estendeu a mão para cumprimentá-lo – Como você está, Stefan?

– Muito bem – afirmou enquanto retribuía o gesto.

– Por favor, entrem – ele deu espaço para que pudéssemos passar pela porta, a sala estava totalmente vazia – Seu pai está lá no escritório respondendo alguns e-mails de última hora, mas já vem aqui para falar com vocês.

Não pude deixar de suspirar aliviada. Acho que por um momento eu realmente acreditei que meu pai poderia ter arranjado alguma desculpa para não estar presente nesse almoço.

– Agora eu preciso terminar a nossa comida – avisou – Vocês ficarão bem aqui sozinhos?

– Claro... – afirmei – Não precisa se preocupar, Steven, vamos ficar muito bem aqui.

– Então está bem – deu um beijo no meu rosto – Qualquer coisa você pode me chamar, Caroline.

Assim que ele foi para o outro cômodo, eu fui até o sofá para poder deixar a minha bolsa. Quando voltei a me virar, Stefan estava olhando alguns porta-retratos. Neles, continham o meu crescimento ao longo de todo esse tempo.

– Você era tão fofa quando era bebê... – me aproximei e vi que ele estava me segurando uma foto minha aos dois anos de idade e meu pai estava ajoelhado ao meu lado – Quero dizer, você ainda é fofa, mas...

– Eu entendi, Stef, não precisa me explicar – ri enquanto tirava o objeto da sua mão – Lembro-me que eu ficava tão feliz quando vinha aqui visitar o meu pai, mas quando minha mãe disse que eu ia me mudar aqui para Washington, não fiquei tão feliz assim. Só que agora, eu simplesmente não consigo imaginar como seria a minha vida se tivesse continuado a morar em Mystic Falls.

– Fico feliz que você pense assim – me puxou pela cintura para que eu pudesse ficar mais perto dele – Se você não tivesse vindo para Washington, a gente nunca teria se conhecido.

– Ou talvez sim... – dei de ombros – Talvez não fosse da maneira que aconteceu, mas se fosse o destino, a gente teria se encontrado, de uma maneira ou de outra.

– Prefiro não confiar no destino – sussurrou, agora com os lábios bem próximos aos meus – Gosto das coisas do jeitinho que aconteceram. É o que torna tudo mais do que especial.

Fiquei na ponta dos pés para poder beijá-lo, permanecendo assim por alguns instantes. Um pigarro fez com que nos afastássemos, e lá estava o meu pai, parado na nossa frente, com os braços cruzados.

– Oi, pai... – entrelacei os dedos nos de Stefan enquanto falava – Conseguiu responder todos os seus e-mails de trabalho?

– Sim. Não era nada tão importante assim, mas você sabe como eu não gosto de deixar nada pendente – explicou antes de se virar para o meu namorado – E você deve ser o Stefan...

– É um prazer conhecê-lo, senhor Forbes – estendeu a mão, tentando demonstrar bastante animação – Caroline só fala coisas boas a respeito do senhor.

– O engraçado é que eu só fiquei sabendo da sua existência na semana passada – observou – Antes disso eu nem mesmo sabia que a minha filha estava namorando.

– Pai! – o reprimi – Eu já te expliquei porque não te falei do Stefan antes, pensei que tivesse entendido os meus motivos.

– Estava apenas comentando um fato... – deu de ombro como se tivesse falado algo a respeito do tempo – Acho que preciso de uma dose de uísque. Você quer uma também, Stefan?

Ele olhou rapidamente para mim, como que para ter certeza de que não era nenhum truque do meu pai. Eu apenas assenti em resposta.

– Eu aceito uma dose, sim – afirmou, por fim.

– E quanto a você, Caroline? – dessa vez ele perguntou diretamente para mim – Vai beber alguma coisa?

– Estou dirigindo, pai – expliquei – Acho que vou pegar um refrigerante lá dentro.

Eu me apressei para ir até o outro cômodo, onde encontrei meu padrasto já colocando a lasanha dentro do forno.

– E como estão as coisas lá dentro? – quis saber.

– Acho que está indo tudo bem – dei de ombros – Pelo menos ele ainda não lançou nenhum olhar mortal para cima do Stefan. Isso sempre é uma coisa boa.

– Verdade... – concordou – Mas é melhor você ficar lá por perto, só por garantia.

– Eu só vim aqui mesmo pegar um refrigerante – disse enquanto ia até a geladeira – Já estou voltando para lá.

***

Quando retornei para a sala, os dois estavam sentados um em frente ao outro, então eu me aproximei e me acomodei no sofá bem ao lado do meu namorado.

– Que bom que você voltou, Caroline – meu pai falou, como se continuasse uma conversa que eu, aparentemente, interrompi – Estava perguntando para o Stefan como foi que vocês dois se conheceram.

– Foi a Lena que nos apresentou – não era exatamente uma mentira, já que se não fosse pela minha amiga, nós dois nunca teríamos nos encontrado.

– Elena Gilbert? – balancei a cabeça afirmativamente – Interessante...

– Na verdade, senhor Forbes, não foi exatamente a Elena quem nos apresentou – Stefan me corrigiu – Eu conheci as duas exatamente no mesmo dia.

– No gabinete do pai da Elena – completei – O Stefan está trabalhando lá, por isso ele se mudou aqui para Washington.

– Então você está trabalhando com o senador Grayson Gilbert – continuou a olhá-lo atentamente enquanto falava – Você é o novo assessor dele ou alguma coisa parecida?

– Sou o aprendiz dele – respondeu – Pretendo ser candidato nas próximas eleições, quero seguir os mesmo passos do senhor Gilbert: congresso, senado e, um dia, a Casa Branca.

– O Stef é muito determinado no que faz! – tentei demonstrar no meu tom de voz o quanto eu estava orgulhosa por ele ser assim.

– E pelo visto o senhor usou toda essa sua determinação para conquistar a minha filha... – não sabia exatamente onde o meu pai queria chegar com aquelas palavras, então apenas continuei a observar.

– Sua filha é muito especial para mim, Senhor Forbes – segurou uma das minhas mãos, entrelaçando os nossos dedos – Para mim ela não é apenas uma conquista qualquer; eu levo o meu namoro com a Caroline muito a sério, nunca duvide disso.

– Caroline também é muito determinada quando se trata daquilo que ela quer – continuou, ignorando totalmente o que Stefan tinha acabado de falar – Sempre foi a melhor aluna da sua série quando estava na escola e agora está seguindo o seu sonho, estudando hotelaria; desde pequena eu e a mãe dela sempre soubemos que a Caroline estava destinada a coisas grandiosas e posso afirmar sem medo que ela conquistará o mundo um dia.

– Caroline é mesmo uma pessoa maravilhosa – meu namorado afirmou.

– Se nós concordamos quanto a isso, acho que já posso te fazer a pergunta mais importante de todas – seu rosto ficou bem sério logo em seguida – Quais são as suas intenções com a minha filha?

– Pode parecer totalmente clichê, mas são as melhores possíveis – afirmou, usando bastante convicção no seu tom de voz – Um dia eu pretendo me casar e formar uma família ao lado dela.

– E é isso mesmo que você quer, minha filha? – e pela primeira vez desde que me sentei ele faz a pergunta diretamente para mim.

– Ainda é um pouco cedo para pensar em algo tão sério quanto um casamento e o Stefan sabe muito bem disso – respondi – Mas um dia, quando ambos estivermos com estabilidade financeira, então sim, eu pretendo me casar com o Stefan. Nunca pensei em nada assim com meus outros namorados, mas agora penso.

– Sendo bem sincero, essa não é a resposta que se espera ouvir da sua filha de 21 anos, no dia em que se conhece o namorado dela – deu um longo suspiro antes de continuar – Mas se vocês dois pensam dessa maneira, e estão felizes com isso, acho que não tenho escolha, a não ser dar a minha benção.

– Obrigada, pai! – foi impossível não sorrir nesse momento – Não sabe o quanto é importante, para mim, ouvir isso de você.

– Mas saiba que se ele te magoar de alguma maneira, pode vir falar comigo – completou – Vou fazê-lo se arrepender do que quer que ele tenha feito.

– Pois eu posso garantir, senhor Forbes, que eu nunca farei nada que magoe a sua filha – levou a minha mão até os seus lábios.

– Com licença... – Steven apareceu na porta que dava acesso à cozinha – O nosso almoço já está praticamente pronto; qual de vocês vai me ajudar a arrumar a mesa?

– Eu te ajudo, querido... – meu pai avisou enquanto se levantava – Imagino que vocês dois tenham muita coisa para falar depois dessa nossa conversa.

Então os dois seguiram para a cozinha, e no instante em que ficamos sozinhos, pude ouvir Stefan soltar um suspiro de alívio.

– Até que não foi tão ruim assim, não é mesmo? – comentei, deitando a cabeça no seu ombro – Parece que meu pai adorou você.

– Se você chama todo aquele interrogatório de ter adorado alguém... – reclamou – Então sim, ele me adorou.

– Acredite em mim, a situação foi milhões de vezes pior quando ele conheceu os meus ex-namorados – segurei o seu rosto para que pudesse me olhar diretamente – Ele até nos deu a sua benção, é só você não me magoar.

– Nunca te magoaria – me deu um selinho – Jamais.

***

Depois do almoço, apesar da minha insistência de que ele passasse a noite comigo, acabei deixando Stefan em casa. Assim que eu cheguei ao meu apartamento, decidi assistir a um filme qualquer na televisão, mas acabei dormindo na metade.

A única vantagem, é que eu acordei bem cedo no dia seguinte. E por eu estar de excelente humor naquela manhã de domingo, decidi me arrumar e sair para tomar café na lanchonete que ficava perto da minha casa, algo que eu já não fazia há bastante tempo.

– Bom dia! – a mulher disse assim que eu me aproximei do balcão – O que a senhorita vai querer?

– Bom dia! – retribui o cumprimento – Vou querer dois bolinhos de amora e um café com leite médio.

– Certo... – começou a anotar o meu pedido no computador a sua frente – São 15 dólares.

Peguei a minha carteira dentro da bolsa e retirei o meu cartão de débito lá de dentro, fazendo o pagamento e pegando em seguida o comprovante de compra.

– A senhorita pode se sentar – avisou – Logo alguém irá levar o seu pedido até a mesa.

Concordei antes de me afastar. A lanchonete estava vazia, então escolhi um lugar perto da janela, onde eu podia ver o movimento do lado de fora e ainda tomava um pouco de sol.

Enquanto esperava, decidi pegar o meu celular para poder olhar a edição on-line do jornal. Normalmente, eu passo direto pelo caderno da coluna social, mas tinha uma chamada com o sobrenome da Elena no título, então decidi lê-la.

Senador Gilbert apresenta seu novo sucessor e futuro genro

O senador Grayson Gilbert e sua esposa, Miranda, abriram as portas de seu elegante apartamento em um bairro nobre da cidade em Washington D.C durante um elegante jantar na noite da sexta-feira para apresentar aos seus amigos e aliados aquele que será o seu provável sucessor no cenário político: o jovem Stefan Salvatore, de apenas 24 anos. A grande surpresa da noite ficou por conta de que Salvatore também está namorando a filha mais velha do senador, Elena Gilbert.

“Os dois se conheceram há pouco mais de um mês e foi uma surpresa quando nos contaram que estavam namorando, mas se Elena está feliz ao lado de Stefan, eu e meu marido não vamos nos opor” afirmou Miranda. O jovem casal foi visto de mãos dadas durante todo o evento, além de trocarem alguns beijos e posarem para diversas fotos.

Será que teremos casamento em breve? Não sei, mas posso garantir que ficaremos de olho e seguindo cada passo desses dois.

Antes da matéria tinha uma foto do senhor e da senhora Gilbert juntamente com Stefan e Elena. Já no final, tinha outra, apenas do “casalzinho feliz”.

Uma lágrima surgiu no canto dos meus olhos, mas eu a limpei rapidamente. Então foi por isso que Stef não quis ir jantar na casa do meu pai na sexta-feira. Ele disse que estava ocupado com alguma coisa do trabalho e que preferia no sábado. Isso também explicava o porquê dele não querer passar a noite comigo ontem.

– Não posso acreditar nisso... – sussurrei, sem tirar os olhos do celular.

– Está tudo bem? – a garçonete tinha acabado de parar ao meu lado e colocava o meu pedido em cima da mesa – A senhorita parece preocupada com alguma coisa.

– Estou bem... – menti, negando com a cabeça – Mas obrigada por se preocupar.

Ela apenas sorriu e se afastou. Foi nesse momento que meu celular começou a tocar, era Stefan, eu apenas apertei o botão para rejeitar a ligação e joguei meu telefone dentro da bolsa; provavelmente ele deve ter descoberto sobre a reportagem e deve estar pensando em uma boa desculpa para me dar, mas eu não quero ouvir absolutamente nada. Não quero ouvir nada vindo dele ou da Elena, nunca mais.

Notas finais
Por favor, não queiram me matar por esse final. Todos já sabem que o relacionamento da Caroline e do Stefan não será fácil, mas ainda tem muitas coisas para acontecer e muitos capítulos com o Stefan e a Caroline namorando. Fiquem tranquilos que o Stefan terá uma boa explicação para dar para a Care e a reconciliação deles vai compensar tudo isso. *** Fora isso, o que vocês acharam do Stefan indo conhecer o sogro? E a reação do pai da Care quando soube que ela tava namorando? *** Bom gente, é isso Comentem e digam o que estão achando.