Second Chance
42 Capítulo 41 – Novidades em dobro
Notas iniciais
Dois meses depois
Foi um impossível não soltar um gemido quando colocava para fora o restante do meu jantar de ontem. Quando abri os olhos, pensei que tivesse acordado sem nenhum enjoo, algo que não acontecia há duas semanas; mas infelizmente tudo mudou quando eu me levantei e tudo que tive tempo para fazer foi correr na direção do banheiro.
Não existe nada pior do que enjoos matinais…
Quando percebi que já estava me sentindo bem melhor, me levante e fui até a pia para escovar os dentes e lavar o rosto. Foi enquanto que eu me olhei no espelho e eu estava totalmente pálida e com duas olheiras gigantes, precisaria passar muita maquiagem para disfarçar tudo isso.
Muito bem, Caroline, isso não é o fim do mundo, você já passou por isso antes — disse enquanto encarava o meu próprio reflexo – É só erguer a cabeça e fingir está tudo perfeitamente bem, simples.
Sai banheiro agradecendo mentalmente que já é sexta-feira, assim poderia ficar dois dias em casa descansando. Só eu sei o quanto estou precisando disso.
Mas antes eu ainda preciso enfrentar o dia de hoje…
***
Não troquei de roupa, apenas coloquei um roupão por cima do pijama para poder ir até a cozinha, e não foi nenhuma surpresa ao encontrar Kath e Libby já tomando café da manhã. Só o cheiro da comida delas já estava fazendo o meu estômago embrulhar novamente.
— Care… — minha amiga se levantou e me encarou preocupada – Você está bem?
— Estou bem sim – afirmei, embora não soubesse se estava conseguindo ser convincente – Foi apenas um enjoo matinal, mas já estou bem melhor.
— Enjoo matinal? De novo? — ficou me encarando de cima a baixo – Care, você precisa procurar um médico. Sentir enjoo por tanto tempo certamente não é normal.
— Eu não preciso ir ao médico, Kath – garanti – Acredite em mim, sei perfeitamente o que está acontecendo comigo.
— Será que sabe mesmo…? — continuava a me olhar desconfiada – Se eu não te conhecesse, diria que você está grávida de novo.
— Até parece, Katherine, é claro que não é isso – ri tentando desviar o assunto – Você está alucinando, amiga…
— Então me diga exatamente o que você tem – pediu – Já que sabe perfeitamente o que é como acabou de afirmar.
Dei uma rápida olhada em Libby. Ela estava concentrada no seu leite com cereais e não parecia prestar atenção ou se importando com a nossa conversa.
— Você sabe muito bem o que está acontecendo… — expliquei – Meu termino com o Klaus, foi tudo muito chocante para mim.
— Seu término com o Klaus? Isso te deixou assim? — seu olhar era totalmente descrente – Caroline, vocês já terminaram há mais de dois meses, além disso, nem mesmo na época você pareceu abalada. O que foi que mudou agora.
Katherine tinha toda razão. Não posso dizer que tenha ficado chocada com a atitude do meu ex-noivo de dar um fim ao nosso relacionamento, mas certamente não fiquei abalada.
*Flashback*
Ainda fiquei alguns minutos encarando a tela escura do computador depois que encerrei a chamada em vídeo com o Klaus. De certa forma é estranho saber que tudo chegou ao fim, mas não era o fim do mundo.
Retirei a minha aliança de noivado, não tinha porque eu continuar a usá-la se não estava mais noiva, e a coloquei em cima da minha mesinha. Depois disso desliguei o meu notebook e fui a direção a cozinha.
— Mamãe! — Libby sorriu assim que me viu, sua boquinha estava toda suja de farelos de biscoito de chocolate – Você já terminou de conversar com o papai?
— Sim, eu já terminei de conversar com ele, princesinha – peguei um guardanapo para poder limpá-la.
— Por que você não me chamou para dizer tchau para ele? — lamentou – O papai não queria falar comigo?
— Ora, nunca pense uma coisa dessas, Libby, é claro que o seu pai ficaria feliz em falar com você, há qualquer hora que for – garanti – Acontece que lá em Londres já está tarde e ele precisava ir dormir, afinal, ele trabalha amanhã.
Não foi exatamente aquele o motivo, mas era uma mentirinha inofensiva. Mesmo que eu e Klaus não estejamos mais juntos, quero que nossa filha saiba que ele nunca vai deixar de estar ai para ela.
— Tudo bem… — pareceu acreditar naquela minha história.
— Você tem certeza de que está tudo bem, Care? — Katherine decidiu perguntar – Aconteceu alguma coisa nessa conversa que você não está falando?
— Será que a gente pode conversar lá na sala? — pedi; claro que Libby ficaria sabendo, mas não queria que fosse agora e muito menos desse jeito.
— Claro, vamos lá… — concordou, já começando a imaginar o que eu tinha para dizer.
— Libby, princesinha, você fica esperando aqui, tudo bem? – avisei enquanto passava a mão pelo seu cabelinho loiro – Eu e a tia Kath precisamos ter uma conversa de gente grande.
Fomos para perto do sofá, pois era o ponto da sala mais distante da porta da cozinha.
— Acabou… — decidi ser direta, sem rodeios – Eu e o Klaus… Simplesmente acabou…
— Como assim acabou, Caroline? — parecia realmente chocada com aquela revelação, até mais do que eu tinha ficado – Vocês decidiram dar um tempo no noivado e esperar mais ou pouco para marcar a data do casamento? Ou acabou mesmo?
— Acabou mesmo – respondi – Concluímos que não ia dar certo e decidimos seguir caminhos diferente.
— E você parece bem com tudo isso – observou – Está bem mesmo ou é uma das vezes em que você fingi estar bem, mas na realidade está desmoronando por dentro?
Kath não me conhecia há tanto tempo quanto Elena, mas garanto que as duas me conhecem exatamente da mesma maneira.
— Sim, eu estou bem, de verdade – garanti – Estou muito bem.
— Bom, agora você e o Stefan estão livre e desimpedidos – lembrou da conversa que tivemos assim que ela chegou a Washington – Será que isso é um sinal que de você vai correr direto para os braços dele agora?
— Correr para os braços do Stefan… — foi impossível não soltar uma risada nervosa – Confesso que, há alguns anos teria ficar extasiada caso eu e Stefan estivéssemos solteiros ao mesmo tempo e não pensaria duas vezes antes de correr para os braços dele – confessei – Mas agora: não.
— Care… — ficou me encarando – Você tem certeza?
— Nunca tive tanta certeza da minha vida – afirmei – Kath, eu passei um ano namorando o Stefan, nós terminamos e pouco tempo depois eu conheci o Klaus. Essa será a primeira vez em seis anos que eu estarei completamente solteira e quero aproveitar isso, investir na minha carreira e curtir a minha filha; é disso que eu estou precisando agora.
— Isso é, realmente, muito sábio da sua parte – concordou – Se isso te faz feliz, não irei me opor.
— Sim, isso me faz feliz – garanti.
*Fim do Flashback*
—Não menti, realmente estava me sentindo desse jeito naquele dia – completou – Mas depois a saudade começou a bater e percebi que o Klaus faz sim muita falta na minha vida. Esse enjoos são apenas estresse.
— E eu vou fingir que acredito nessa sua história – ela respondeu enquanto me olhava de cima a baixo.
— Pois acredita no que você quiser – dei de ombros enquanto ia na direção a bancada da cozinha – Pois eu estou falando a verdade.
Fiz apenas um chá para mim e peguei uma torrada pura, assim eu não corria risco de sentir outro enjoo, pelo menos não por agora.
— E você só vai comer isso? — Kath comentou – E depois diz que está tudo bem e que não está sentindo nada. Saiba que você não me engana, Caroline Forbes.
— Pois eu estou falando a verdade, estou ótima – garanti – Isso é apenas… uma prevenção.
— Certo, então vou te recomendar uma outra prevenção – pediu – Fique em casa hoje, eu levo a Libby para o colégio e fico no seu lugar no hotel, acho que depois de dois meses como sua assistente consigo fazer o trabalho por um dia.
Estava pronta para responder não, mas a verdade é que eu estou mesmo muito cansada, efeito dos enjoos e do trabalho da semana toda. Até que um dia de folga em casa não seria tão ruim.
— Tudo bem, acho que concordo com você – disse – vou ficar em casa hoje.
Já terminei o meu café da manhã! — foi nesse momento que Libby ficou de pé, totalmente orgulhosa e mostrando a sua tigela vazia.
— Mas que bom, minha princesinha! — abri um enorme sorriso para ela – Agora vai escovar os dentes e trocar de roupa, a sua tia Kath vai te levar ao colégio.
— Mas por que? — ficou olhando de mim para a Katherine repetidas vezes – Você não vai com a gente, mamãe?
— A sua mãe não está se sentindo bem hoje, Libby – foi minha amiga quem disse, enquanto se ajoelhava em frente a afilhada – Ela vai ficar em casa hoje, mas não se preocupe, não é nada de grave.
— Você devia ir ao médio, mamãe? — ela me avisou – Exatamente como faz comigo quando estou doente.
— Está vendo, Care? — Katherine exibia um sorriso vitorioso no rosto – Como você se sente sabendo que a sua filha de dois anos é mais racional que você?
— Não precisa se preocupar comigo, princesinha – avisei, tentando tranquilizá-la – E se precisar, eu irei ao médico sim.
— Você vai se sentir muito melhor quando for ao médico, mamãe – ela garantiu.
Foi impossível não revirar os olhos enquanto observava as duas saírem da cozinha. Assim que fiquei sozinha, sentei em uma das cadeiras vazias para poder tomar o meu café da manhã.
***
Logo que Kath e Libby saíram, fui levar todas as louças que tinha ficado sujas e depois decidi ir para a sala ver se tinha alguma coisa boa passando na televisão. Acho que não ficava a toa em casa durante a semana desde a época da faculdade e já tinha esquecido o quanto isso era bom.
Finalmente tinha achado um filme que parecia interessante quando a campainha tocou. Imediatamente pensei que minha amiga tivesse esquecido alguma coisa e voltou para buscar.
Mas não era a Katherine…
— Lena? — fiquei ali encarando a recém-chegada, minha melhor amiga de infância – O que você está fazendo aqui?
— Que bom, você ainda está em casa… — foi falando enquanto entrava no meu apartamento – Pensei que fosse precisar ir até o hotel te procurar.
— Na verdade, você nem iria me encontrar hoje no hotel – expliquei – Vou ficar em casa hoje.
— Melhor ainda… — continuou – Assim você vai comigo sem reclamar, pelo menso não tanto quanto se estivesse no trabalho.
— E para onde você está querendo me arrastar? — arrisquei perguntar – Será que eu, pelo menos, posso saber isso.
— Bom…, eu marquei para você uma consulta com a minha médica a doutora Fell – explicou – Ela foi minha obstetra e depois que a Lyn nasceu, continuou a ser a minha ginecologista. Ela é ótima, tirou todas as minhas dúvidas e aflições de mãe de primeira viagem, mas é claro que você não precisa disso.
Uma consulta com uma obstetra, eu já devia saber… Elena estava mesmo muito quieta nos últimos dias, já deveria imaginar que ela estava “aprontando”.
*Flashback*
— Caroline, o pessoal do almoxarifado entrou em contato – apesar de estar ao meu lado, a voz da Katherine parecia estar há milhares de quilômetros de distância – Precisamos fazer o pedido de produtos que são colocados nos quartos, não só os artigos de higiene, mas também os alimentos que são colocados no frigobar.
Preciso tirar essa dúvida da minha cabeça logo, ou então enlouquecerei. Dei uma olhada no relógio no canto do computador, espero que a Elena não demore muito para chegar.
— Care, você está me escutando? — ela voltou a chamar a minha atenção.
— Desculpa, eu estava distraída – balancei a cabeça negativamente – O que foi que você disse?
— Estava falando que precisamos repor o estoque o almoxarifado – repetiu.
— Oh sim, é claro – concordei – Pode pedir para o pessoal do almoxarifado para fazer o pedido que eu assino.
— Tem certeza de que está tudo bem, Care? — perguntou – Já tem uns dias que você anda distraída.
— Vou ficar bem, Kath – garanti – Só estava pensando em algumas coisas aqui…
Foi nesse momento que a porta da minha sala voltou a abrir. Elena estava segurando uma sacola de farmácia, e eu sabia muito bem o que tinha ali dentro.
— Desculpa, me falaram na recepção que você estava na sua sala – minha amiga avisou – Mas não sabia que estava ocupada trabalhando; eu posso voltar uma outra hora.
— Não, Lena… — a chamei – Kath, será que você se importa? Preciso resolver um problema com a Elena.
— Claro, sem problema – concordou – Enquanto isso vou resolver o assunto do almoxarifado.
Assim que Katherine saiu, Elena se aproximou e colocou a sacola em cima da minha mesa. E lá estava o teste caseiro de gravidez, assim como eu tinha pedido.
— Segundo a mulher da farmácia esse é um dos testes mais confiáveis – explicou – Se ele der positivo, as chances de ser verdade, são de quase 100%.
E finalmente chegou a hora da verdade. Minha menstruação estava atrasada há mais de um mês, pensei que não era nada demais, mas quando os enjoos começaram… Eu precisava tirar essa dúvida, precisava contar para alguém, ninguém melhor para isso do que a Elena.
— Bom, acho melhor eu fazer logo esse teste – avisei pegando a caixa e me levantando – Você fica aqui me esperando, Lena?
— Claro – afirmou com a cabeça – Vou estar aqui esperando por você, Care.
Sorri enquanto ia até o banheiro que ficava dentro da minha sala.
*Fim do Flashback*
Logicamente o teste deu positivo. Sei muito bem que Elena tinha milhares de perguntas para me fazer sobre o que estava acontecendo, mas não fez nenhuma delas; eu apenas disse que precisava de um tempo para processar tudo e minha amiga aceitou. Claro que eu não poderia confiar que ela continuaria em silêncio por tanto tempo assim.
— Não acredito que você realmente fez isso, Lena… — reclamei, por fim – Acredite, eu ia marcar a consulta com uma obstetra na semana que vem. Pode ter certeza de que eu sei a importância do pré-natal.
— Pois não parece… — revirou os olhos – Care, você já está sabendo desse resultado há dez dias e ainda não marcou uma consulta com a obstetra. As coisas não podem ser assim…
Soltei um longo e pesado suspiro antes de me jogar no sofá. Conhecia Elena Gilbert bem o suficiente para saber que ela não mudaria de ideia sobe me levar a médica dela.
— Você não tem que ir se encontrar com o Enzo hoje ou algo parecido? — quis saber – Não estou querendo ser grossa nem nada parecido, eu só não quero atrapalhar o tempo que você tem para ficar com o seu namorado.
— Para a sua informação, o Enzo está em Nova York esse final de semana, a trabalho – respondeu – E mesmo que ele estivesse aqui, tenho certeza de que não se importaria, é por uma boa causa.
— Pelo jeito não vou mesmo conseguir me livrar de você hoje… — revirei os olhos.
— Care, você sabe que eu não tenho sido a melhor amiga do mundo nos últimos anos – lembrou – Não estava com você durante a gravidez da Libby, não te apoiei durante esse momento, nem estava ao seu lado quando ela nasceu. Se não estava lá quando teve a sua primeira filha, me deixe estar dessa vez, com esse bebê.
Durante esses últimos dois meses, eu e Elena temos trabalho duro para recuperar a nossa amizade. Houve um tempo que achei que isso não seria possível, muita coisa aconteceu nesses últimos cinco anos, coisas que acabaram nos afastando, mas admito, é bom tê-la de volta a minha vida.
— Você tem razão… — acabei concordando – Quero que você esteja ao meu lado nesse momento, da mesma maneira que quero estar ao seu lado quando decidir ter filhos com o Enzo.
— Acredite, isso ainda deve demorar bastante… — admitiu – Então, enquanto isso, vamos cuidar do seu bebezinho. E é melhor irmos logo, a consulta é daqui há uma hora.
— Certo… — voltei a me levantar do sofá – Deixe-me apenas trocar de roupa, então nós poderemos ir.
***
E lá estávamos nós, na recepção, esperando que a médica me chamasse para a consulta. Não pude deixar de me preocupar com a sensação de Dèjá Vu que aquela cena me trazia, era tudo assustadoramente nostálgico.
— Care, antes que te chamem para a consulta – estava distraidamente folheando uma revista, quando Elena voltou a falar – Mas eu não vou conseguir ficar totalmente relaxada se não te fizer essa pergunta.
— Que pergunta? — seu olhar era sério e não pude deixar de ficar curiosa.
— É sobre o pai desse bebê – explicou – Você sabe quem é o pai? Quero dizer, você tem certeza de quem é o pai?
— Lena…, você perguntar uma coisa dessas até me ofende… — respondi.
— Caroline, não é isso! — apressou-se em continuar – Mas é que você estava noiva do Klaus quando se envolveu com o Stefan e ele esteve aqui em Washington há dois meses, não seria um crime se você não tiver certeza de quem é o pai.
Não foi fácil decidir contar sobre minha recaída com o Stefan para Elena, mas decidi fazer isso em homenagem a nossa confiança recém-readquirida. Para a minha sorte, minha amiga aceitou tudo sem problemas.
— Além disso, caso o bebê seja do Stefan, a Lyn será meio-irmã do seu filho ou da sua filha, por mais que isso seja estranho, as coisas não deixariam de ser especiais – continuou – Claro que se for do Klaus, será incrível também.
— É do Stefan, eu tenho certeza – decidi continuar a ser totalmente sincera – Klaus e eu nunca esquecíamos a camisinha e a última vez em que eu estive com ele foi há três meses, antes mesmo de eu voltar para Washington, se tivessem uma possibilidade desse bebê ser dele, eu já estaria desconfiada há mais tempo.
— Você tem razão – concordou – Foi por isso que você pediu um “tempo para processar tudo”? Porque você está confusa sobre ter um filho com o Stefan?
— De certa forma sim… — dei de ombros.
— Você sabe que vai precisar contar a verdade para o Stefan, não é mesmo? — e finalmente, ela disse as palavras que eu não queria escutar – Ele é o pai e tem o direito de saber disso…
— Elena! — antes que eu pudesse responder qualquer coisa, fomos interrompidas – Faz tempo que você não aparece, está tudo bem?
— Está tudo bem sim, doutora Fell – minha amiga garantiu, enquanto ficava de pé para poder cumprimentar a outra mulher – Preciso marcar uma consulta de rotina, mas hoje estou aqui por causa da Caroline, a minha melhor amiga.
A doutora Fell não parecia ser muito mais velha do que nós. Ela era um pouco mais baixa do que eu, seus olhos e seus cabelos eram castanhos e também mantinha um sorriso amável no rosto.
— Olá, Caroline! — virou-se para mim no mesmo instante – O que a traz aqui hoje?
— Ela está grávida – foi minha amiga quem disse por mim – Bom, pelo menos foi o que o teste de farmácia indicou.
— Bom, esses testes de farmácia raramente dão falsos positivos, mas, por via das dúvidas, vamos fazer um exame de sangue apenas para comprovar – avisou — Zoe, por favor, leve o material para a coleta de sangue até a minha sala – agora virou-se na direção da sua secretária.
— Claro, doutora Fell – afirmou.
Enquanto isso, por favor, vamos até a minha sala – avisou nos guiando na direção da porta.
***
O laboratório ficava no mesmo centro comercial que o consultório e a doutora Fell pediu urgência no resultado do mu exame de sangue. Então um pouco mais meia hora depois para comprovar que o resultado positivo do teste de farmácia, eu estava mesmo grávida.
Enquanto esperávamos a médica começou a fazer algumas perguntas e com o meu histórico de já ter tido um aborto espontâneo, mesmo sabendo que eu já tinha tido uma outra gestação que foi até o fim sem maiores problemas, ela decidiu começar a me examinar. Por sorte, aparentemente estava tudo bem comigo e com o bebê.
Depois de algumas recomendações, uma lista de alimentos para evitar e a solicitação de exames e vitaminas, finalmente tinha chegado a hora de trocar de roupa para fazer a primeira ultrassonografia.
***
Assim que começamos, a doutora Fell ficou vários minutos apenas encarando o monitor com a testa franzida, sem deixar de mexer com o aparelho na minha barriga e sem dizer uma única palavra.
— Doutora, está tudo bem com o meu bebê? — decidi perguntar, levemente preocupada com todo aquele silêncio – Por favor, me diga a verdade…
— Está tudo bem sim – garantiu e não pude deixar de suspirar aliviada – Mas me diga uma coisa existe algum caso de nascimento de gêmeos, ou talvez até de trigêmeos, na sua família?
— Na família da minha mãe tenho certeza que não – disse – Não conheço a família do meu pai e ele não fala muito sobre eles, mas tenho quase certeza de que não há nenhum caso de gêmeos.
— E quanto a família do pai do bebê? — continuou com o questionamento.
Não soube o que dizer nesse momento. Apesar de termos namorado por vários meses, termos quase sido pais há cinco anos e de estarmos esperando um novo bebê, a verdade é que não sei muito a respeito do Stefan.
— Conheço toda a família próxima do pai do bebê – foi Elena quem respondeu, minha amiga estava sentada em um banco ao meu lado — Garanto que também não há nenhum caso de gêmeos.
Foi então que eu percebi onde ela queria chegar com tudo aquilo. A ideia me fez sentir um frio na espinha.
— Doutora, não está querendo dizer que…? — nem ao menos conseguia terminar a frase.
— Por que você mesma não vê – virou o monitor na nossa direção – Estão vendo essas duas manchas bem aqui? — apontou para duas bolinhas azuis meio deformadas – Este é um feto – apontou para a bolinha que estava mais próxima do canto da tela – E este é o segundo feto – apontou para a outra – Parabéns, Caroline, você será mãe de gêmeos.
Abri a fechei a boca várias vezes sem saber o que dizer. Gêmeos? Parecia uma ideia maravilhosa, mas, ao mesmo tempo, assustadora.
— Isso é incrível! — foi a minha amiga quem falou – Não é mesmo, Caroline?
Eu apenas balancei a cabeça afirmativamente, ainda em estado de choque.
— Pelo tamanho dos fetos, você deve estar com 9 ou 10 semanas de gestação – essa era mais uma confirmação de que os bebês eram mesmo do Stefan – E é claro, são muito saudáveis – completou – Você quer ouvir o coração dos seus bebês.
— É claro! — finalmente consegui responder.
Já tinha passado por isso com a Emma e depois com a Libby, as batidas do coração eram altas e aceleradas, um som que apenas uma nova vida era capaz de produzir. Só que dessa vez era duplo, dois coraçõezinhos apressados e me mostrando o quanto minha vida estava para mudar.
Senti as lágrimas se formando no canto dos meus olhos, foi nesse momento que eu prometi, que faria de tudo para proteger aqueles bebês, que eu já amava mais do que tudo na vida.
***
— Lena, eu quero te pedir um favor – já tínhamos saído da consulta e esperávamos a chegada do elevador – Sei que você eu o Stefan tem se visto várias vezes por causa do processo de divórcio e também por causa da Evelyn, mas, por favor, não conte nada para ele sobre os bebês.
— Jamais faria isso, não é algo que caiba a mim – garantiu – Já me menti demais entre vocês dois por uma vida.
— Acredite em mim, eu vou contar para ele – continuei – Só que…, eu não posso fazer isso agora.
— O que? — gritou mais alto do que estava planejando, por sorte estávamos sozinhas ali – Como assim você não pretende contar para ele agora, Care? Pretende contar quando? Quando eles estiverem se formando na faculdade?
— Vou contar antes dos bebês nascerem – afirmei – Só que eu preciso de um tempo para pensar.
— Já ouvi isso antes… — lembrou – E se não fosse por mim, você ainda estaria em casa “pensando”, ainda bem saberia que está esperando gêmeos.
— Gêmeos…, esse é justamente o problema, Lena – continuei – Há dois meses eu estava noiva, feliz e cheia planos, então meu noivo decidiu colocar um fim em tudo e acabei ficando bem, apesar de tudo. Então eu descubro que estou grávida e agora que são gêmeos; e o pai não é o Klaus, meu ex-noivo e sim um ex-namorado que me magoou, com quem eu terminei há cinco anos e com quem acabei tendo uma única recaída.
Elena não disse nada, apenas permaneceu em silêncio, provavelmente absorvendo tudo que tinha acabado de falar.
— Só uns dias é tudo que eu te peço, então eu contarei ao Stefan – completei – Ainda não sei como as coisas ficarão entre nós a partir do momento em que contar que estou grávida, mas sei que daremos um jeito.
— Tudo bom, isso deve mesmo ser muita coisa para uma pessoa só passar em tão pouco tempo – concordou – Claro, você pode esperar o tempo que for para contar o Stefan, não vou contar nada para ele, eu te prometo.
E foi nesse momento o elevador chegou ao nosso andar. Tudo que eu queria agora era voltar para casa, talvez comer alguma coisa e aproveitar o resto do meu dia de “folga”.
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