Second Chance
32 Capítulo 31 – Que a disputa comece
Notas iniciais
Assim que sai do terraço decidi ir até o banheiro e também aproveitei para dar uma checada na minha maquiagem. Retoquei o lápis de olho, passei mais um pouco de batom e pronto…, já estava preparada para voltar ao salão onde acontecia a festa.
— Isso é totalmente ridículo!— reconheci a voz de Damon Salvatore que parecia vir do hall dos elevadores – Você não pode estar mesmo falando sério sobre isso.
— Pois eu nunca falei tão sério em toda a minha vida, Damon— ouvi a voz de um segundo homem, os dois pareciam estar no meio de uma discussão – Essa é a minha decisão final e você vai ter que aceitá-la, querendo ou não.
— Essa é a sua decisão final, Ric?— elevou um pouco mais o tom de voz e mesmo sabendo que nenhum deles podia me ver, decidi me esconder o mais longe possível do portal que separava aqueles dois ambientes do andar – Isso significa que você não quer ficar comigo? Porque foi o que eu entendi dessa palhaçada toda!
— Não, Damon, é claro que eu quero ficar com você — garantiu – Acontece que as coisas não são tão simples assim, não posso simplesmente largar tudo para o alto e ir embora para Los Angeles com você.
— E eu escuto isso há quase cinco anos – reclamou – Primeiro você disse seus filhos eram pequenos e que precisava de um tempo. Eu esperei, pacientemente, agora eles tem que idade o suficiente para saber que nem sempre o pai e a mãe precisam ficar juntos e que as vezes é até melhor que se separem.
Os segundos seguintes foram de total silêncio, gostaria muito de ver o que estava acontecendo ali, mas não posso correr o risco de ser descoberta.
— O que está te impedindo agora, Ric?— Damon insistiu – Seus filhos obviamente não são mais um impedimento, então qual o problema agora?
— Comecei a trabalhar com o seu irmãos há menos de duas semanas— respondeu – Quando me contratou o Stefan comentou como foi difícil conseguir um assessor de imprensa e não posso simplesmente deixá-lo na mão.
— Essa é a desculpa agora, mas e quanto a antes? E quando você perdeu o seu emprego no jornal?— continuou – Eu te convidei para ir para Los Angeles trabalhar comigo, seria a chance de nos prepararmos para morarmos juntos, mas você disse não e continua dizendo não!
— Damon…, por favor…— ele sussurrou, mas, mesmo assim, eu ainda estava conseguindo ouvi-lo – Essa é uma noite te festa e não quero discutir com você. Será que podemos conversar uma outra hora? Posso passar no seu hotel amanhã e…
— Não precisa, eu já entendi tudo…— o interrompeu – Você tem vergonha de mim, é isso…
— O que?— voltou a gritar – É claro que não é isso! Eu te amo, Damon, já te dei várias provas disso.
— Ficar comigo quando estamos sozinhos é uma coisa, mas assumir isso para o mundo…— soltou uma risada nervosa – Ai é uma coisa completamente diferente.
Percebi que se fosse esperá-los terminar aquela conversa iriai ficar ali o restante da noite. Então decidi revelar a minha presença, assim que me viu, Damon ficou me encarando, mas não parecia exatamente surpreso.
— Dam, eu… — o outro começou, mas então se virou assim que percebeu a minha presença; exatamente como eu estava imaginando, “Ric” era o Alaric, marido da Lexi.
— Oi, Caroline – meu ex-cunhado disse por fim.
— Então você é a famosa Caroline Forbes? — Ric perguntou parecendo bem preocupado por eu estar ali – Você é a nova supervisora aqui do hotel, certo?
— E você é o marido da Lexi, a minha gerente – esse meu comentário fez com que ele ficasse mais envergonhado do que já aparentava estar – A Lexi estava te procurando em todos os lugares, ela está lá no terraço agora.
— Certo… — deu mais uma rápida olhada em Damon – Acho que vou até lá falar com ela, então.
Alaric saiu apressado pelo mesmo caminho eu tinha feito há alguns minutos…
— É bom te ver novamente, cunhadinha – o segundo homem comentou – Será que eu posso perguntar o quanto dessa conversa você ouviu?
— O suficiente… — dei de ombros enquanto respondia.
— Eu tenho uma boa explicação para isso, cunhadinha – avisou – Sobre tudo que você acabou de ouvir, e garanto que tenho uma excelente explicação para isso.
— Damon, eu sinceramente não quero ouvir absolutamente nada – disse – Minha vida já é complicada o suficiente, não preciso ficar pensando no problema das outras pessoas também.
— Se você diz – continuou – Sabe, cunhadinha, essa é um dos motivos que eu sempre gostei de você.
— Por favor, Damon, para de me chamar de “cunhadinha” — pedi – Já não sou sua cunhada há muito tempo e me sinto estranha quando você continua a se referir a minha como se ainda fosse.
— Desculpe-me, cunhadinha, quero dizer…, Caroline – corrigiu-se imediatamente – Mas quero que você saiba que você sempre será a minha cunhada, não importa as escolhas erradas que o meu irmão.
Dei um sorriso sem graça com aquele comentário. Damon e eu tínhamos convivido por apenas um final de semana, mas tínhamos tido uma grande identificação um com outro nesse pouco tempo. Acho que poderíamos ter sido amigos.
— Não me leve a mal, eu sei que a Elena é, ou era, a sua amiga – continuou – Só que eu acho que o Stefan cometeu o maior erro da sua vida casando com ela. Os dois não se amam e sabem perfeitamente disso, eles só estão se enganando.
— Mas eles têm uma filha juntos – lembrei – Não posso dizer que esse casamento tenha sido uma perda de tempo total.
— A Lyn com certeza foi a única coisa boa nesse relacionamento – deu um sorriso bobo, provavelmente com a lembrança da sobrinha – Só que o amor pela filha não faz o Stefan enxergar que essa gravidez não foi sem querer como ele pensa.
Essa gravidez não foi sem querer como ele pensa? Lembro que, quando nos reencontramos, Elena me disse que tinha com o Stefan grávida de três meses, mas que tinha sido alto totalmente acidental. Será mesmo que ela tinha sido tão baixa e usado esse “truque” de engravidar de propósito?
— Mas vamos mudar de assunto – disse – Quero que você saiba que eu estou muito feliz por você estar de volta a Washington.
— Você já sabia que eu estava de volta? — apesar de já ter quase certeza de qual seria a resposta, decidi questioná-lo.
— O Stefan me contou assim que ficou sabendo – já deveria saber… — Caroline, talvez não faça mais nenhuma diferença agora, mas o meu irmão nunca deixou de te amar, ele só precisa deixar de ser cabeça dura e admitir isso.
Levando em consideração tudo que eu ouvi nesses últimos três dias, tenho certeza de que Stefan não precisa de nenhum incentivo para admitir nada…
— Realmente não faz a menor diferença – falei – Eu estou noiva e muito feliz – mostrei o meu anel de noivado.
— Bom…, meus parabéns então… — deu um suspiro triste – Meu irmão certamente é um completo idiota por ter deixado você escapar e agora, ele perdeu.
— É melhor eu ir procurar o meu noivo lá no salão – foi a minha vez de mudar de assunto – Você também vai voltar para a festa?
— Na verdade eu já estava indo embora – respondeu – Já fiquei tempo demais nesse lugar.
Ele deu de ombros e soltou um longo e pesado suspiro. Alguma coisa me dizia que aquela conversa que eu tinha acabado de escutar há alguns minutos era o motivo para ele querer ir embora tão cedo.
— Você tem certeza? — quis saber – Seu irmão pode ficar chateado por você estar indo embora no meio da festa.
— Eu falo com ele depois – garantiu – Nesse momento, tudo que eu preciso é encontrar um bar para beber e talvez encontrar um cara gato para dar uns beijos.
— Então acho que a gente se vê depois – completou.
— Tchau, Caroline – aproximou-se um pouco e deu um beijo no meu rosto – Foi bom te rever e espero que a gente possa se ver novamente enquanto eu ainda estou aqui em Washington.
***
Todos os convidados estavam de pé virados na direção ao palco improvisado que foi montado do lado oposto a porta. Não foi tão difícil localizar o Klaus, ele acenou para mim assim que me viu.
— Finalmente! — disse me entregando uma das duas taças que estava segurando – Onde é que você estava?
— Desculpe-me, eu estava me distraída conversando com a Lexi – disse – O que foi que eu perdi.
Rapidamente meu olhar encontrou com o de Stefan, que estava em um canto acompanhado de Elena, Evelyn, Jeremy e uma garota que não conheço, mas imaginei ser a namorada de Jer. Ele estava falando alguma coisa mas mesmo assim não parava de me encarar.
— Está na hora dos brindes – explicou – Para falar a verdade, eu estava indo te procurar quando vi você entrando no salão.
Stefan continuava a me encarar e não pude deixar de me lembrar da conversa que tive com o irmão dele há alguns minutos, ele conversou com o Damon ao mesmo respeito nos últimos cinco anos e era, provavelmente, a única pessoa com quem podia conversar sobre o assunto…
Balancei a cabeça negativamente, essa não é o melhor momento para pensar nisso.
— Caroline – Klaus me chamou, me tirando dos meus devaneios – Está tudo bem? Você parece pensativa, muito pensativa.
— Só estava querendo saber quando é que vão começar esse brinde – comentei a primeira coisa que veio a minha cabeça, ao mesmo tempo que entrelaçava a minha mão com a dele.
Quase ao mesmo tempo em que eu falei, o senador subiu no palco junto com a sua esposa. Imediatamente todos no local ficaram quietos.
— Boa noite a todos – ele começou a falar – Antes de mais nada, eu e Miranda gostaríamos de agradecer a presença de todos a nossa festa de aniversário de casamento. Queríamos cumprimentar cada um pessoalmente, mas não sabemos se será possível.
Todos os convidados começaram a bater palma e o senhor Gilbert parou por alguns instantes.
— Também quero agradecer aos nossos filhos: Elena e Jeremy, que tiveram a ideia dessa festa – continuou – Eles trabalharam muito para que a festa estivesse dessa maneira que vocês estão vendo agora.
Elena e seu irmão caçula acenaram enquanto as pessoas voltavam a aplaudir.
— É claro que eu não poderia deixar de falar sobre o motivo pelo qual estamos todos aqui – prosseguiu enquanto segurava a mão da senhora Gilbert – Têm sido trinta anos incríveis ao lado desse mulher e não posso deixar de agradecer a Miranda por todo o carinho e dedicação ao longo de todo esse tempo e, é claro, pelos dois lindos filhos que temos juntos.
Ele puxou o rosto da esposa para o beijo, que foi acompanhado de mais uma salva de aplausos.
— Então um brinde a tudo isso que acabei de falar – ergueu a taça, gesto que foi repetido por todos ao redor.
***
— O que você acha de me pagar aquela dança que está me devendo desde a hora que chegamos a festa? — Klaus sugeriu – Acredito que você já tenha bebido o suficiente para aceitar o meu convite.
Logo depois dos brindes, as pessoas retornaram as atividades que estavam fazendo alguns minutos antes. Dei uma olhada pelo salão sem saber exatamente o que estava procurando, foi quando encontrei Stefan dançando com a filha e mesmo sabendo que de certa forma estava fazendo algo “errado”, não pude deixar de sorrir com aquela cena.
— E então, o que você me diz? — voltou a perguntar, por sorte ele pareci não ter reparado no que eu estava fazendo.
— Claro – concordei, por fim – Vamos lá dançar.
— Caroline Forbes… — antes que pudéssemos ir para a pista de dança, o pai da minha antiga melhor amiga surgiu ao nosso lado – Não sabe como é bom ver você aqui hoje a noite.
— Olá, senador Gilbert – o cumprimentei – Acredite, eu também estou muito feliz por estar aqui hoje.
— Não sou mais senador, Caroline – disse – Agora estou ai, só aproveitando a aposentadoria e curtindo os netos.
— Isso parece bom, senhor Gilbert – dei um sorriso encorajador; desde que eu e Elena nos conhecemos o pai dela está na carreira política, é estranho pensar que o senador Gilbert não é mais um senador.
— Pode ter certeza – garantiu – Mas e como é que foram as coisas lá em Londres? Pelo que Elena comentou, o estagio foi uma grande oportunidade para a sua carreira e imagino que você deva ter aproveitado muito o tempo que passou lá.
— Querido, tem várias pessoas aqui querendo nos cumprimentar – eu mal abri a boca para responder e a senhora Gilbert apareceu bem ao lado do marido – Oh! Olá, Caroline…
— Senhora Gilbert – retribui o seu gesto.
— Miranda, eu estava falando para a Caroline o quanto estamos felizes por ela estar de volta a Washington – o homem continuou – E a Elena também parece bem empolgada com o retorno da melhor amiga.
— Com certeza foi uma grande surpresa – comentou – Quando você foi embora tão de repente, pensei que não fosse mais voltar de Londres.
— Na verdade a intenção era que eu não voltasse mais – admiti – Só que eu recebi uma proposta de trabalho muito boa, então…, aqui estamos.
Os dois ficaram em silêncio apenas me observando como se esperassem que eu dissesse mais alguma coisa.
— Esse é o Klaus… — lembrei que ainda não tinha apesentado o eu noivo – Esses são o senhor e a senhora Gilbert, os pais da Elena, que você já conheceu mais cedo.
— Ah sim! — acenou a cabeça na direção dos dois, que retribuíram o cumprimento da mesma maneira.
— Bom, Caroline, adoraríamos ficar aqui conversando com você, mas o dever nos chama – a senhora Gilbert avisou – Ainda temos várias pessoas para cumprimentar.
— Está bem, eu entendo – concordei – Afinal a festa é de vocês e precisam falar com todos os convidados.
— Vamos combinar de vocês irem almoçar lá em casa um dia desses – o homem sugeriu – Quem sabe não combinamos em um dia quando o Jeremy e a Anna ainda estejam na cidade e a Elena e o Stefan vão também. Tenho certeza de que será bem animado, como nos velhos tempos.
Eu e Klaus indo a um jantar na casa dos Gilberts junto com o Stefan e Elena? Isso certamente é tudo que eu não estou precisando no momento.
— Claro… — acabei concordando, por fim – Vamos combinar sim.
Fiquei observando os dois se afastarem, indo até um casal que não estavam muito longe de nós. Então meu noivo me abraçou pela cintura e apoiou o queixo no meu ombro.
— Eles parecem bem legais… — comentou, em seguida.
— E eles são mesmo muito legais – falei – Conheço Elena desde que tínhamos sete anos e praticamente cresci na casa deles. O senhor Gilbert raramente estava em casa por causa da carreira política e raramente eu o via; mas a senhora Gilbert foi praticamente a minha segunda mãe durante todo esse tempo.
— Você sabe que eu adoro ouvir as suas histórias de infância – fez com que eu me virasse e ficasse de frente para ele – Mas saiba que você não vai escapar de dançar comigo.
— Certo… — revirei os olhos – Pode fica tranquilo que eu não me esqueci disso…
— Perfeito! — estendeu a mão na minha direção – Então deixe-me fazer da maneira certa: aceita dançar comigo, senhorita Forbes?
— É claro que sim, senhor Mikaelson – sorri enquanto segurava a sua mãe e Klaus me guiou na direção da pista de dança.
***
Quando a música lenta começou, eu encostei a cabeça no ombro do meu noivo e ficamos ali dançando e seguindo o ritmo da canção
— Care, eu quero que você saiba que eu estou muito feliz por nós termos voltado – falou enquanto levantava o meu queixo para poder voltar a olhá-lo – Você não tem ideia do quanto.
— Também estou feliz que a gente tenha voltado, Klaus – garanti.
— Se você tivesse ideia do quão arrependido estou por ter brigado com você algumas semanas antes da sua vinda para Washington – continuou – Foi um motivo tão idiota. E depois ainda fui te pedir um tempo… onde é que eu estava com a cabeça?
— Não pensa nisso agora, Klaus – segurei seu rosto entre as minhas mãos – Estamos juntos novamente e isso é tudo que importa no momento.
— Você tem razão – sorriu e deu um beijo na ponta do meu nariz – Só queria que você soubesse que apesar do que aconteceu quando não estávamos juntos, continuo aqui, 100% ao seu lado e estarei sempre. Ou, pelo menos, enquanto você ainda me quiser, é claro.
Sabia perfeitamente do que Klaus estava falando, era do beijo (ou beijos, não sei) que tinha trocado com a Camile.
Não posso dizer que não me senti incomodada quando meu noivo confessou que ficou com outra mulher enquanto estivemos separados. Só encontrei Cami em apenas uma ocasião e trocamos algumas poucas palavras, mas somente nesse pequeno espaço de tempo pude perceber quais eram as suas claras intenções com o meu futuro marido. Então, na minha primeira oportunidade, ele a incentiva… Mesmo que repita milhares de vezes que não significou nada, não sei se posso ter total certeza disso.
Obviamente, Klaus deixou claro que está arrependido do que aconteceu e o fato de fazer questão de me contar comprova isso totalmente, o que é um total alívio. Sem contar que, apesar de claramente ter sido mais grave, faz com que eu me sinta menos culpada pelo que aconteceu entre em mim e o Stefan.
Há alguns poucos metros de nós ainda podia observar meu ex-namorado dançando com a filha e sorrindo enquanto a fazia dar uma voltinha em torno de si. Não pude deixar de pensar na oportunidade que tive de contar ao Klaus sobre a minha pequena recaída; apesar dele ter dito que me perdoaria da mesma maneira que eu o perdoei, mesmo assim não tive coragem de falar nada e guardar o que aconteceu apenas para mim.
— E o que você me diz…? — prosseguiu – Acha que vai conseguir aturar esse cabeça dura, mas que te ama muito, por muito tempo?
— Eu seria uma completa idiota se dissesse que não — respondi – Pois eu digo que pretendo ficar ao seu lado por muito, mas muito tempo mesmo. E quero muito saber se você também terá paciência para me aturar.
— Sempre, meu amor – garantiu – Você e a Libby são as duas pessoas mais importantes da minha vida e sempre serão.
Então Klaus diminuiu a curta distância entre os nossos rostos e me beijou, a princípio lentamente, mas foi aumentando a intensidade a medida que continuamos a dançar conforme o ritmo da música. Nunca fomos o tipo de casal que costuma fazer muitas demonstrações públicas de afeto (o pedido de casamento no dia da exposição dele, foi uma das exceções), mas não estou achando toda essa nova atenção ruim, é bom se sentir amada, ainda mais depois dessas semanas separados.
— Eu te amo, Caroline Forbes – meu noivo sussurrou depois de nos separarmos e encostou a testa contra a minha.
— Eu também te amo, Niklaus Mikaelson – retribui o seu gesto enquanto dava um pequeno sorriso.
— Com licença… — confesso que não foi nenhuma surpresa ver Stefan parado bem em frente a nós – Será que você me daria a honra de dançar com a sua linda noiva?
Ele estava mesmo me chamando para dançar? Isso é mesmo sério.
— Apenas por uma música – insistiu – E eu prometo que serei o mais respeitoso o possível – levantou as duas mãos em sinal de rendição.
— A Caroline é quem sabe – Klaus respondeu, olhando diretamente para mim – Não posso aceitar ou rejeitar esse convite por ela.
— O que você me diz, Care? — Stef prosseguiu – Uma dança pelos velhos tempos? — segurou uma das minhas mãos e deu um beijo na ponta dos meus dedos.
Abri e fechei boca várias vezes sem saber o que dizer. Dei uma rápida olhada no meu noivo e ele apenas deu de ombros, deixando claro que ele tinha dito a verdade antes e a escolha era inteiramente minha.
— Tudo bem, uma dança – acabei concordando.
Klaus me deu mais um selinho antes de voltar para a nossa mesa. Quando ficamos sozinhos, meu ex-namorado me puxou pela cintura e fez com que eu colocasse os braços em volta do seu pescoço.
***
Estava tentando me concentrar apenas na música que preenchia o ambiente e não no moreno que estava próximo demais a mim, mas era quase impossível. Aquela dança me fazia lembrar claramente dos nossos meses de namoro.
— Ela é adorável, não é? — me virei para onde ele estava olhando a tempo de ver Evelyn dançando com quem eu imaginei ser o pai de Stefan.
— Sim – concordei – Ela é mesmo adorável.
— As vezes eu fico espantado em como a Lyn tem crescido sem eu nem perceber – comentou – É difícil de imaginar que logo ela não vai mais ser a minha princesinha.
Foi impossível não sorrir com aquele comentário, apesar de ter um ano a menos que a filha dele, tenho as mesmas preocupações em relação a Libby.
— Eles crescem, é algo inevitável – lembrei – Mas de certa forma, ela nunca deixará de ser a sua garotinha, não importa quantos anos tenha.
Ele apenas deu de ombros e soltou um longo suspiro, no fundo sabia que eu tinha razão.
— Sabe, eu poderia te beijar agora mesmo – sua maneira de falar fazia parecer com que aquele fosse um assunto totalmente casual – Não tem nada me impedindo de fazer isso no momento.
— Você não teria coragem disso… — meu tom de voz era firme, mas por dentro eu estava preocupada.
— Quer apostar? — ele estava se divertindo com aquela situação – Fico imaginando o que o seu querido noivo pensaria disso.
— Pois vai continuar só imaginando – passei a encarar um ponto no chão próximo a nós – Estou em um momento bom momento, então, por favor, não atrapalha isso…
— Eu vi a cena de amor verdadeiro que vocês estava protagonizando há alguns minutos – continuou – Tenho certeza de que foi apenas para me fazer ciúmes. Vi que você percebeu que eu estava olhando.
— Nem tudo que eu faço é para te provocar, Stefan – alertei – Acredite se quiser, eu amo o Klaus, estou noiva e vou me casar com ele em breve.
— Sabe, eu até imagino como foram as circunstâncias em que vocês acabaram ficando juntos – mudou levemente de assunto, como se eu não tivesse dito nada – Você o conheceu em um momento delicado assim que chegou a Londres, ele foi carinhoso, vocês começaram a namorar; então o temo passou, você acabou engravidando e não tinha mais jeito, já estava presa a ele pelo resto da vida, então a solução foi aceitar o pedido de casamento, mas só depois quase de três anos. Resumindo tudo isso apenas para tentar me esquecer.
— As coisas não foram bem assim – respondi – Você não sabe de nada da minha vida, Stefan, não mais.
— Mas eu sei que você ainda me ama – lembrou – Isso você não pode negar, até porque já admitiu pra mim, mais de uma vez.
— Stef, eu estou falando, não atrapalha o meu relacionamento com o Klaus – repeti – Por favor, é tudo que eu te peço.
— Não posso cumprir isso que você está me pedindo, Caroline – negou com a cabeça – Sinto muito, mas eu não posso…
A música acabou e nós paramos de dançar e ficamos ali apenas nos encarando no meio da pista de dança.
— Já dancei a música que eu te prometi – disse – Agora, com licença, vou voltar para o meu noivo.
— Quero que você saiba que eu não vou desistir de você – segurou o meu pulso impedindo que eu me movesse – Será uma disputa interessante e tenho certeza de que o Klaus o será um adversário a altura.
Quando ele voltou a me soltar eu me afastei, queria ficar o mais longe possível de Stefan Salvatore.
***
— Acho que eu dancei demais… — Klaus deu a volta no carro e se sentou ao meu lado no banco do motorista depois de abrir para a porta que eu me sentasse do lado do passageiro – Meus pés estão me matando.
Ainda ficamos cerca de uma hora na festa e eu até comi um pedaço de bolo. Mas já tinha ficado tarde e era hora de ir embora.
— Se quiser eu posso fazer uma massagem no seu pé quando chegarmos em casa – sugeriu.
Tinha passado o restante do tempo em que passei no salão evitando Stefan. Percebi várias vezes que ele estava nos observando, mas fingi que não estava prestando atenção.
— Acho uma excelente ideia – concordei – Uma massagem nos pés é definitivamente tudo que eu estou precisando no momento.
Klaus ligou o carro e logo estávamos a caminho de casa.
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