Second Chance

33 Capítulo 32 – Escolhas


Notas iniciais
Oi gente, Antes de mais nada eu queria agradecer a Mandy Stoco pela linda recomendação. Essa semana o capítulo será excepcionalmente na terça e vou explicar isso depois. Espero que gostem E nos vemos lá embaixo nas notas finais.

Damon

*Flashback*

E aqui estamos… — meu irmão disse assim que parou o carro em frente ao mesmo hotel que costumo ficar todas as vezes que venho a cidade; eu poderia ter ficado no Washington Place, assim eu já estaria no local onde será a festa, mas esse seria uma grande conflito de interesses – Essa é a sua última chance de desistir e ficar lá em casa.

Confesso que pensei nessa possibilidade, fica na casa do Stefan. Eu economizaria dinheiro e ainda ficaria perto da minha sobrinha.

Mas não…, essa não é uma boa ideia…

Prefiro ficar no hotel, Stef – respondi, por fim – Aqui no hotel eu tenho mais privacidade.

Acho que você tem razão — soltou um longo e pesado suspiro.

E eu acho que você está inventando desculpas para não ir falar com a Caroline, como você disse que faria – brinquei – Porque eu não vou te deixar escapar dessa tão fácil, irmãozinho…

Pode ficar tranquilo, Damon, não vou desistir de ir falar com a Caroline – garantiu – Eu disse para você que faria isso e é o que eu farei.

Então acho melhor eu ir embora – retirei o cinto de segurança – Vamos almoçar juntos amanhã? Assim você terá oportunidade de me contar sobre a sua conversa com a Caroline.

Infelizmente eu não posso – respondeu – Tenho seção amanhã e passarei o dia inteiro; não é algo que eu goste, mas foi para isso que eu fui eleito.

Isso mesmo, irmãozinho – concordei – Vai trabalhar e fazer justo ao voto que eu te dei.

Você não votou em mim, Damon – lembrou – Você não vota no estado da Geórgia.

Certo, você tem razão — revirei os olhos – Mas se eu votasse na Geórgia, com certeza votaria em você.

Então nós nos vemos sábado a noite na festa – ele voltou ao assunto anterior – Ou você quer ir almoçar lá em casa no sábado?

Acho que nos vemos sábado a noite na festa então – respondi – Tchau, irmãozinho! E boa sorte na sua conversa com a Caroline, depois eu quero saber de todos os detalhes; quero dizer, nem de todos os detalhes, algumas coisas você pode guardar só para você.

Tchau, Damon… — comentei – E você também tenha juízo.

Pode deixar, irmãozinho… — abri a porta e sai do quarto antes de caminhar na direção do hotel.

**

Apesar de ser cliente daqui de vários anos, sempre que venho me hospedar, preciso preencher uma papelada enorme. Aquilo era trabalhoso e totalmente desnecessário; sinceramente, até hoje não entendo o porque e toda essa burocracia.

Está tudo certo, senhor… Salvatore… — disse dando uma olhada nos papéis que tinha acabado de preencher – Já vou pegar a chave do seu quarto.

Enquanto esperava a recepcionista voltar com a minha chave, peguei o meu celular. Decidi dar uma olhada nas mensagens que tinha trocado lá no aeroporto enquanto Stefan falava ao telefone com a Lyn.

Damon: Já estou em Washington, o Stef veio aqui me buscar. Ainda estamos no aeroporto, mas daqui a pouco ele vai me levar para o hotel.

Alaric: Perfeito! Seu irmão me deu mesmo o dia de folga justamente porque precisava ir te buscar e não iria para o escritório hoje. A Lexi já me avisou que buscaria as crianças no colégio e levá-los para o trabalho para depois levá-los ao cinema. O que significa que estou aqui, totalmente livre.

Damon: Era justamente o que eu queria ouvir. Mando uma mensagem assim que chegar ao hotel.

Alaric: Estarei bem aqui esperando.

Foi impossível não sorrir, exatamente como tinha feito no momento em que tinha lido aquelas mensagens pela primeira vez. Ric era meu melhor amigo de infância, de uma outra fase da minha vida, nunca pensei que as coisas pudessem acontecer da maneira que aconteceram.

Como a recepcionista ainda não tinha retornado com a minha chave, decidi digitar uma nova mensagem para ele.

Damon: Estou aqui no hotel de sempre. Ainda estou esperando pela minha chave, mas se quiser já pode ir vindo.

Não demorou muito para a resposta chegar.

Alaric: Já estou a caminho…

Desculpe-me pela demora, senhor Salvatore – a mulher, finalmente, reapareceu – Aqui está a sua chave, quarto 1120. Tenha uma boa estadia no nosso hotel.

Obrigado – agradeci – Tenho certeza de que terei sim uma ótima estadia.

Já dentro do elevador eu enviei uma última mensagem para o Alaric, dessa vez com o número do quarto.

*Fim do Flashback*

***

Amaldiçoei mentalmente seja lá quem estava me ligando naquele momento. Pela posição do sol dentro do quarto já devia ser quase meio dia, mas eu tinha ido dormir tarde e não pretendia levantar tão cedo, principalmente pela enorme dor de cabeça que estava sentido.

A situação só piorou quando vi o nome de Alaric piscando no identificador de chamadas. Imediatamente apertei o botão para rejeitar a ligação.

— Sinto muito, Ric, mas não é assim que as coisas funcionam – minha voz estava rouca – Você vai ter que fazer por merecer que eu atenda a sua ligação.

Como já tinha acordado mesmo, decidi me levantar e foi só então que eu me dei conta do moreno dormindo profundamente ao meu lado…

Estava começando a me lembrar de ontem a noite, eu conheci no bar que decidi ir depois de sair da festa. Acho que o nome dele é Logan, ou algo assim, não lembro muito bem…, tudo que eu sei nesse momento é que ele beija muito bem.

Balancei a cabeça negativamente tentando não pensar nisso agora e fui até banheiro. Tomei um longo banho, fiz a minha higiene matinal e quando retornei ao quarto a minha mais recente conquista estava sentado na cama, parecendo muito confuso sobre onde estava.

— Oi… — o chamei, fazendo com que se virasse na minha direção.

— Oi… — respondeu e foi então que meu celular, que eu tinha colocado no modo silencioso, começou a vibrar em cima da mesinha – Isso está tocando sem parar há alguns minutos, talvez seja melhor você atender.

Concordei com a cabeça antes de pegar o aparelho. Na realidade eu tinha recebido algumas mensagens, todas do Ric, para ser mais específico.

Alaric: Damon, estou tentando te ligar, mas você não me atende. Está tudo bem? Você saiu ontem sem se despedir, isso foi por causa da nossa conversa? Você está chateado comigo?

Alaric: Damon, é sério, nós precisamos conversar sobre o que houve na festa. Você pode estar com raiva, mas eu tenho meus motivos para agir dessa maneira, apenas me deixa explicar.

Alaric: Damon, apenas me ligue ou mande mensagem, por favor.

Uma outra coisa a respeito de Alaric Saltzman é que ele consegue ser muito teimoso quando consegue.

Damon: Ric, você magoou muito ontem. Preciso de um tempo para pensar sobre tudo. Por favor, respeita isso.

— Está tudo bem? — “Logan” perguntou, me tirando dos meus devaneios.

— Sim, está tudo bem – afirmei voltando a olhá-lo – Apenas alguns problemas, mas nada que precise se preocupar.

— Se você diz, então.. — deu de ombros.

Foi nesse momento que meu telefone voltou a vibrar, dessa vez era uma chamada. Imaginando que fosse o Ric já estava preparado para rejeitar a ligação, mas fui pego totalmente de surpresa quando vi que era o meu irmão.

— Eu preciso atender – avisei.

Ele concordou com a cabeça, então fui até a porta que dava acesso à varanda. Assim que coloquei o pé do lado de fora o vento frio me atingiu, mas até que não estava tão ruim…

— Stef – disse assim que atendi – O que meu irmãozinho caçula está ligando a essa hora em pleno domingo?

Não é tão cedo assim, Damon – lembrou – E pelo seu comentário já até imagino o quão tarde você foi dormir, mesmo tendo ido embora sem nem ao menos se despedir.

— Você estava tão ocupado conversando com várias pessoas que pensei que nem fosse sentir a minha falta – dei de ombros, mesmo sabendo que Stefan não podia me ver – E acredite, consegui fazer a minha própria festa depois de ir embora.

Pode me poupar dos detalhes— conheço muito bem meu irmão para saber que eles estava fazendo uma careta – Mas não foi para criticar o seu comportamento de ontem a noite que eu te liguei.

— Já imaginei – comentei – Então me diga, Stefan, porque foi que você me ligou?

Elena não está se sentindo muito bem hoje, então eu vou levar a Lyn para almoçar e estou pretendendo passar o dia fora com ela — explicou – Queria saber se você não quer ir nos encontrar.

Apesar de não me arrepender de ter saído relativamente cedo da festa ontem, lamento não ter tido tempo de conversar mais com o meu irmão. Sem contar que essa também é uma oportunidade de passa um tempo com a Evelyn, já que por morar longe quase não vejo a minha sobrinha.

— Acho uma excelente ideia – concordei, por fim – Onde você está pretendendo ir? Posso ir te encontrar no restaurante ou lanchonete.

Tenho uma ideia melhor — avisou – Vamos te esperar no parquinho que fica em frente ao meu prédio. Você sabe chegar até aqui, não é mesmo?

— Sei sim – afirmei – Vou trocar de roupa e te encontro ai em cinco minutos.

Ainda terminamos de nos despedir antes de desligar. Quando sai da varanda foi uma grande surpresa encontrar “Logan” de pé e já vestido para ir embora.

— Imagino que você deva fazer hoje – comentou – Então acho que é melhor eu ir embora.

— Acho que é melhor mesmo – respondi – Estou indo encontrar com o meu irmão e a minha sobrinha daqui a pouco, então…

— Claro…, eu entendo… — parecia ligeiramente frustrado, mas não fez nenhuma objeção – Deixaria o número do meu telefone, mas levando em consideração que você está em um hotel, imagino que não more aqui em Washington.

— Exatamente isso – concordei – Não que ontem a noite tenha sido ruim, mas já voltarei para casa ainda essa semana.

Apesar de teoricamente estar comprometido com o Ric, não posso dizer que fique sozinho quando estou em Los Angeles. Mas é claro que não passam de casos de uma noite, nada me apegar.

— Então eu já estou indo… — foi caminhando lentamente em direção a porta do quarto, provavelmente esperando que eu dissesse alguma coisa – Foi bom te conhecer.

— Digo o mesmo – completei.

Ele foi embora Assim que fiquei sozinho no local, fui rapidamente trocar de roupa para poder sair também.

***

*Flashback*

Perfeito…! — disse logo depois de tomar um grande gole do whisky – Eu estava mesmo precisando disso.

Você fala do whisky ou do sexo? — Alaric pergunta em um tom divertido enquanto puxava a garrafa da minha mão para também tomar um gole.

Estava falando dos dois… — sorri – Sinto a sua falta quando estou em Los Angeles, você sabe disso, não é? — passei os dedos pelo seu braço.

Eu sei disso, Damon, e, acredite, também sinto sua falta – admitiu – Você faz os meus dias bem menos entediantes.

Então vá para Los Angeles morar comigo – já perdi as contas de quantas vezes já fiz esse convite – Você pode trabalhar lá na agência e vamos poder passar o dia inteiro juntos.

Acho que você vai cansar de olhar a minha cara – revirou os olhos – Além disso, estou gostando de trabalhar como assessor de imprensa; com certeza é bem mais fácil do que trabalhar no jornal.

Você também pode trabalhar na assessoria de imprensa lá na agência – sugeri – Eu já te disse antes, estamos sempre lançando notas no jornal sobre desfiles ou campanhas em que estamos trabalhando. Não é a mesma coisa que trabalhar com política, mas você se acostuma também.

Damon, será que podemos conversar sobre isso uma outra hora? — pediu – Não estou com vontade de conversar sobre isso agora, por favor.

Era sempre assim, sempre que eu tentava tocar no assunto sobre finalmente nos assumirmos como um casal, Ric pedia para falarmos sobre isso. Mas uma hora teremos que ter essa conversa tão importante e definitiva.

Certo… — dei um longo suspiro antes de responder.

Nós quase não temos tempo apenas para nós dois, Damon – lembrou – Não vamos desperdiçá-lo falando de logística; temos coisas muito mais interessantes para fazer – essa última frase ele disse sussurrando.

Ele passou a mão pelo meu rosto antes de me beijar mais uma vez. Nesse momento esqueci de todos os problemas ao meu redor.

*Fim do Flashback*

***

— Tio Damon! — Evelyn, que estava brincando no balanço do parquinho, correu na minha direção no instante em que me viu – Que saudades!

— Princesinha! — me ajoelhei ficando na altura da minha sobrinha para poder abraçá-la – Também estava com saudades de você! Muitas!

Quando Stefan me contou que Elena estava grávida não fiquei muito animado com a ideia de ser tio, tinha certeza de que minha querida futura cunhada, apesar de dizer que foi um acidente, engravidou de propósito e, sendo totalmente sincero, até hoje penso dessa maneira. Mas no momento em que vi aquela pequena garotinha apenas algumas horas depois do seu nascimento e não teve como não me apaixonar, tanto que meu irmão acabou me chamando para ser padrinho dela.

Ver a Lyn assim, diante de mim, me faz questionar o fato do que porquê nunca tive meus próprios filhos…

— Papai disse que você vai almoçar com a gente – comentou – Isso é mesmo verdade?

— É verdade sim, Lyn – respondi enquanto colocava uma mecha do seu cabelo castanho para trás da orelha.

— Então acho que já podemos ir – Stefan parou próximo a nós – Não é mesmo, Lyn?

— Eu não posso ficar mais um pouquinho aqui? — ela pediu – Por favor! Por favor, papai! Aqui está tão legal!

Apesar de ser inicio da tarde de domingo, o parquinho estava lotado de crianças, o que era mesmo muito bom para a Evelyn, já que assim ela convivia com outros da sua idade. Fui filho único por apenas três anos e não lembro muito dessa época, então só posso imaginar como deve ser difícil para a minha sobrinha.

— Pensei que você estivesse com fome, minha filha – Stef comentou.

— E eu estou – afirmou – É que eu quero fica brincando mais um pouquinho com os meus amigos. Só mais vinte minutinhos, papai…

— Bom…, nós convidamos o seu tio Damon para almoçar – lembrou – Tem que perguntar para ele se está tudo bem.

— Está tudo bem, tio Damon? — seus olhinhos verdes se viraram para mim cheios de esperança.

— Acho que não tem problema ficamos mais um pouco aqui, Stefan – respondi – Sendo sincero, eu não estou mesmo com fome.

— Oba! — Lyn já saiu correndo de volta em direção ao parquinho.

— O jeito agora é esperar – meu irmão disse indo em direção ao banco de madeira em que já estava antes, eu apenas o segui – Mas eu já vou avisando que ela ainda pode demorar horas aqui.

Quando me sentei ao lado de Stefan percebi que havia um grupo de mãe nos observando do outro lado da praça. Pelo jeito não era muito comum ver pais trazendo os filhos aqui.

— Sinceramente, eu não me importo – dei de ombros – Mas agora me diga, o que a Elena tem?

— Ela está com um pouco de ressaca por causa de ontem a noite – explicou – Bebeu um pouco demais na festa.

— Uma esposa com problemas de alcoolismo… — comentei sarcasticamente – É melhor tomar cuidado, irmãozinho.

— Ela trabalhou duro para a festa dos pais ser um sucesso – lembrou – Não posso culpá-la por beber demais. Lena estava apenas comemorando.

— Se é assim que você pensa… — foi tudo que eu disse.

— Tudo que a Elena precisa no momento é descansar – continuou – Até tirei a Evelyn de casa para deixá-la totalmente em paz.

— E por falar em cunhadinhas, vamos falar de uma que eu goste – mudei de assunto – Conversei com a Caroline ontem a noite.

Stefan pareceu interessado nessa novidade.

— Quando você disse que ela estava de volta ao Washington não contou que ela estaria na festa – lembrei.

— Sendo sincero, eu também não sabia – disse – Elena só me contou ontem que tinha convidado ela.

— A Caroline também me contou ontem que está noiva de outro cara – comentei – Sinto muito por isso, irmão. Acho que em algum momento pensei que vocês dois pudessem sim voltar a se acertar, mas…

— O fato dela estar noiva não faz a menor diferença – avisou – Eu e a Caroline transamos.

Como é que é…? Stefan e Caroline transaram? Quando ela já está noiva? Por essa eu realmente não esperava…

— Espera um pouco, Stef! — falei tão alto que algumas pessoas acabaram se virando na nossa direção – Como assim você e a Caroline transaram? Explica essa história direito. Quando foi que isso aconteceu? — abaixei um pouco o meu tom de voz.

— Na quinta-feira quando fui conversar com ela, um pouco depois de te deixar no hotel – falou – Não foi nada planejado, simplesmente aconteceu. Estávamos conversando e quando eu me dei conta, já estávamos nos beijando e indo para o quarto dela.

— Isso é… — tentei pensar nas palavras certas, mas simplesmente não saiu nada.

— No dia seguinte eu achei que estava tudo bem, que talvez fosse ser difícil, mas que iriamos conseguir nos acertar de uma vez por todas – estava encarando os próprios pés – Então ela começou a falar que a noite anterior não tinha significado nada, que tinha sido apenas uma recaída e me expulsou do apartamento. E ontem na festa ela chegou junto com esse tal de Klaus, dizendo que ele tinha vindo lhe fazer uma surpresa e os dois ficaram noivos.

— Ele deve ser o pai da Libby, não é mesmo? — Stefan balançou a cabeça afirmativamente – E você dizendo que não estava com medo e que ele não era uma verdadeira ameaça.

— Continuo pensando da mesma maneira – afirmou – Não vou desistir da Caroline, ainda vou lutar por ela.

— Tem certeza de que essa é mesmo uma boa ideia? — quis saber – Pelo que ela me disse, parece muito feliz com o noivo.

— Ela também disse que os dois estavam meio que brigados antes disso – respondeu – Essa não me parece uma bela maneira de começar uma vida a dois, isso significa que eu ainda possa ter uma chance.

Estava prestes a dizer que os dois também não tinham exatamente uma boa base para começar uma vida a dois. Ele a trocou por uma carreira política e para ficar com a melhor amiga dela, isso não é algo que inspire muita confiança. Mas decidi guardar a minha opinião para mim mesmo.

— Ora, Damon, você deveria estar me apoiando – de alguma maneira, parecia que meu irmão tinha acabado de ler os meus pensamentos – Você mesmo disse que ficaria feliz que eu a Care nos acertássemos e que queria que ela fosse sua “cunhadinha”.

— Quer saber, Stef, eu já te dei concelhos o suficiente a respeito disso – avisei – Faça o que você quiser e se der certo, seja feliz.

Nossa conversa foi interrompida pelo toque do meu celular, era o Alaric mais uma vez, como eu já tinha imaginado; imediatamente rejeitei a chamada. Será que ele não desiste nunca?

— Ainda não, Ric… — sussurrei, revirando os olhos.

— Será que eu quero saber quem é que está tentando falar com você? — Stefan perguntou, fiquei pensando se ele tinha ouvido o que eu acabei de falar – Não vai me dizer que é assunto de trabalho, porque sei que se fosse isso você teria atendido.

— Bom…, você mesmo disse que não queria saber da minha vida amorosa, então… — lembrei, dando de ombros – Mas mudando de assunto outra vez, o que acha de irmos almoçar agora?

— É uma excelente ideia – concordou enquanto se levantava – Deixe-me apenas chamar a Lyn.

Enquanto meu irmão caçula ia até a beirada do parquinho para chamar a filha, decidi pegar o meu telefone e desligá-lo. Hoje o restante do dia será em família e quero que ele seja o mais agradável o possível.

***

*Flashback*

Quando acordei já estava de noite e a chuva que caia do lado de fora há algumas horas já tinha acabado, apesar de o vidro da janela ainda estar molhado, sinal de que isso não tinha acontecido há muito tempo. Eu também estava sozinho na enorme cama de casal.

Ric? — me sentei e concei um dos olhos, ainda meio sonolento – Ric? Onde você está?

Foi só então que eu reparei que a porta do banheiro estava fechada e a luz acesa, sinal de que ele estava lá dentro. O jeito era esperar.

Por sorte não demorou muito. Alaric voltou para o quarto vestindo as mesmas roupas que usava quando chegou e seu cabelo também estava molhado, sinal de que tinha acabado de sair do banho.

Você deveria ter me chamado – comentei – Adoraria ter tomado banho junto com você.

Estava com um pouco de pressa – disse enquanto pegava a sua carteira e o celular em cima da mesa – Preciso ir embora para casa.

Mas já? — eu me sentei, me preocupando em deixar o lençol cobrindo a parte de baixo do meu corpo – Pensei que você fosse passar a noite aqui comigo.

Acredite em mim, Damon, eu gostaria muito de fazer isso, mas não posso – respondeu – Lexi e as crianças já devem estar esperando por mim e se eu ficar aqui hoje ela desconfiará de algo e não podemos deixar isso acontecer.

Claro que podemos deixar isso acontecer, dessa maneira acabamos com essa mentira de uma vez por todas: pensei. Já estávamos nisso há quase cinco anos e já está mais do que na hora de admitir isso.

Você pode dizer que meu irmão te passou muito trabalho e que demorou mais tempo do que estava imaginando – sugeri.

Eu já falei para ele que estava indo resolver um problema no escritório e vou justificar a minha demorar por eu estar preso por causa da chuva – explicou – Mas não posso fazer mais do que isso e você sabe disso.

Se tem que ser assim, acho que não posso fazer nada – dei de ombros – Pelo menos a gente conseguiu se ver.

O que acha de almoçarmos juntos amanhã? — perguntou – Posso te ligar amanhã e combinamos tudo.

Claro – não era exatamente o que eu tinha em mente, mas já era alguma coisa.

Além disso, vamos nos ver sábado na festa – sentou-se na ponta da cama e colocou uma das mãos sob a minha – Quem sabe não arranjamos uma maneira que ficarmos a sós lá?

Acho uma excelente ideia – disse, dando de ombros.

Perfeito… — me deu um selinho antes de se levantar e caminhar até a porta – A gente se fala depois então.

Assim que fiquei sozinho, eu voltei a me deitar e passei a encarar o teto branco do quarto do hotel. Sinceramente, eu não sei como é que ainda consigo me sujeitar a uma situação dessas…

*Fim do Flashback*

***

Como eu já tinha imaginado, foi um almoço muito tranquilo e divertido ao lado do meu irmão e da minha sobrinha. Já estava escuro quando ele me deixou na porta do hotel e tudo que eu estava precisando era de um banho e depois cair na cama exausto.

— Senhor Salvatore! — uma das recepcionistas me chamou quando passei pelo balcão – Tem um homem aqui esperando pelo senhor.

Um homem esperando por mim? Quem poderia ser?

— Quem é que está esperando por mim? — qui saber imediatamente – E onde é que ele está?

— Bem ali – apontou na direção dos sofás da recepção.

Foi então que eu reparei Alaric sentando ali foleando uma revista. Assim que ele me viu ficou de pé e abriu um enorme sorriso.

— Damon! — disse quando eu me aproximei – Tentei te ligar várias vezes, mas seu celular caia direto na caixa de mensagens, então decidi vir direto para cá.

— Fui almoçar com o Stefan e deixei o meu celular desligado – respondi, embora soubesse que não devia a menor explicação para ele – Mas agora estamos aqui e você pode me contar o que quer comigo de tão urgente.

Ric não disse nada, apenas virou a cabeça para o lado e eu o acompanhei com o olhar, foi então que eu reparei na sua mala pousada no chão ao seu lado. Não sei exatamente o que aconteceu nas últimas horas, mas tudo indica que ele veio para ficar.

— Chega mentiras, chega de segredos… — balançou a cabeça negativamente enquanto falava – Contei para a Lexi sobre nós dois, toda a verdade, e ela me expulsou de casa.

Notas finais
O que acharam do capítulo no ponto de vista do Damon? E esse final? Com será que a Lexi vai reagir? *** Bom, amanhã é o aniversário da minha mãe e não teria como postar amanhã, então decidi postar hoje e vou tentar postar um outro cap na quinta ou na sexta *** Bom, é isso Comentem e digam o que estão achando. Recomendações?