Second Chance
31 Capítulo 30 – Noite de festa
Notas iniciais
Fiquei alguns instantes me encarnado no espelho depois de colocar o brinco. Optei por deixa o meu cabelo solto e liso acreditando que ele combinaria mais com o meu vestido vermelho sem mangas e com a saia batendo um pouco a baixo do meu joelho; tudo isso combinado com um sapato de solto, uma maquiagem simples, uma pulseira e, é claro, o anel de noivado brilhando na minha mão direita.
— Cheguei… — ouvi a voz de Klaus ao longe, sinal de que ele tinha, finalmente, tinha chegado em casa.
Me virei na direção da porta a tempo de ver o meu noivo entrando no quarto e trazendo o seu mais novo terno coberto por uma capa de plástico.
— Que bom que você chegou – comentei – Estava começando a pensar que você tivesse desistido de ir a festa comigo e tivesse fugido.
Ontem quando chegamos ao apartamento, comentei com o Klaus que havia sido convidada para a festa em comemoração do aniversário de 30 anos de casamento do senhor e da senhora Gilbert e ele ficou feliz em me acompanhar. O grande problema é que não tinha levado terno ou qualquer roupa formal para esse tipo e evento, então precisou sair para comprar alguma coisa de última hora.
— Deveria ter feito isso mesmo, você não tem ideia do quanto o shopping estava lotado, não sei como consegui caminhar por lá… — reclamou – As duas coisas que eu mais detesto no mundo: fazer compras e usar ternos.
— Mas você fez concordou em fazer as duas coisas que você mais desta no mundo, apenas por minha causa – sentei no seu colo e segurei o seu rosto para lhe dar um selinho – Não sabe o quanto eu estou feliz por isso.
— Só você mesma para me convencer a fazer isso mesmo – fez uma careta – Isso prova o quanto eu te amo…
— Isso é verdade… — concordei, encostando a testa contra a sua – Deveria ter me deixado ir com você, tenho certeza de que seria uma tarde menos entediante.
— Teria sido realmente bem melhor – afirmou com a cabeça – Mas você tinha tanta coisa para fazer hoje, essa longa ida ao shopping só ia te atrapalhar.
Ele tinha razão. Enquanto Klaus ia até o shopping, tive milhares coisas para fazer aqui, incluindo cabeleireiro e manicure.
— E como foi lá com o seu pai e o Steven? — quis saber – A Libby aceitou numa boa ficar lá com eles?
Essa foi uma das outras milhares de coisas que tive que fazer: deixar a Libby com meu pai e meu padrasto, ela vai passar a noite toda lá enquanto estamos na festa dos Gilberts.
— Acredite em mim, ela não ofereceu a menor resistência, Libby ama ficar lá – garanti – Mas, é claro, a primeira coisa que ela disse quando chegou foi que o pai dela estava aqui em Washington…
— Já tínhamos imaginado que ela faria isso – lembrou – E como foi que o seu pai reagiu?
— Muito bem, para falar a verdade – respondi – E quer que a gente vá almoçar lá com eles amanhã.
— Sério? — pareceu surpreso com isso.
— Meu pai ainda fica indignado que já estejamos juntos há cinco anos, que a Libby tenha quase três e ele ainda não te conheça – expliquei – E quer mudar essa situação o mais rápido o possível.
Outro ponto importante é que eu sei o quanto meu pai está incomodado por ter retomado a minha amizade com a Elena e também tem medo que eu possa ter algum tipo de recaída com o Stefan enquanto estiver sozinha aqui em Washington. Ele nunca comentou nada comigo, mas o conheço bem o suficiente para desconfiar.
— Amanhã a gente já iria mesmo até lá para buscar a Libby, então já podemos ficar para o almoço – sugeri – Aproveitamos o almoço e já contamos sobre o nosso noivado. Já está mais do que na hora, você não acha?
— Certo… — envolveu a minha cintura com os dois braços – Agora, eu preciso dizer, você está tão linda.
— Obrigada… — dei um sorriso sem graça em resposta.
— O que acha de esquecermos a festa e aproveitarmos que estamos aqui sozinhos? — sugeriu enquanto aproximava ainda mais a boca contra a minha.
— De maneira nenhuma, senhor Mikaelson… — reuni toda a força de vontade do mundo para conseguir me levantar do colo do meu noivo – Eu não passei horas me arrumando para ficar em casa, nós vamos sim.
— Sem graça… — fez uma careta para mim.
— Vou lá para fora esperar você se arrumar – avisei enquanto ia até a porta do quarto – Então já podemos ir.
***
Menos de meia hora depois, Klaus surgiu vestindo o seu terno preto, camisa branca e uma gravata azul que combinava perfeitamente com a cor dos seus olhos. Não demorou muito para chegarmos ao Washington Place, a festa já devia ter começado oficialmente há pouco mais de uma hora, e o local já estava quase lotado.
— Boa noite… — havia um homem na porta com uma prancheta nas mãos, provavelmente verificando que apenas os convidados entrariam no local – Posso saber os seus nomes.
— Eu sou Caroline Forbes – assim que eu respondi, ele começou a passar os olhos pela lista a sua frente.
— Aqui está! — disse alguns instantes depois – Posso ver os seus convites?
Entreguei os convites individuais e o segurança permitiu a nossa entrada. Exatamente como eu imaginei pela quantidade de carros parados do lado de fora, cetenas de convidados já conversavam, bebiam e alguns até mesmo dançavam. Apesar de frequentar a casa dos Gilberts desde que tinha uns sete anos, em uma primeira olhada percebi que não reconhecia absolutamente ninguém ali.
— E então? — meu noivo voltou a falar me tirando completamente dos meus devaneios – O que você quer fazer?
— Sinceramente, não sei… — dei de ombros – Gostaria de saber onde é que está a Elena ou até mesmo a Lexi, que também já deve estar aqui com o marido, assim veria alguém conhecido e ainda poderia apresentar vocês dois.
— Caroline! — me virei na direção de onde estavam me chamando; quase como se tivesse adivinhando, minha antiga melhor amiga veio correndo na nossa direção, trazendo consigo uma taça de champagne pela metade — Que bom que você veio… — completou enquanto me abraçava.
— Você me convidou, Lena, é claro que eu estou aqui – lembrei – Jamais te faria uma desfeita dessa.
— Essa festa estava tão chata até agora – fez um biquinho – Espero que você aqui as coisas fiquem melhores.
— Não posso dizer que seja aquela pessoa que anima as festas – dei de ombros – Mas, se você diz.
— Você está sendo modesta – continuou – Você se lembra daquelas coreografias que a gente fazia no colégio e um dia apresentamos para os meus pais em um jantar lá em casa? Aquilo foi tão divertido…
Revirei os olhos, não consegui acreditar que ela estava mesmo lembrando da nossa época de líderes de torcida no colégio, só espero que ela não queira que a gente repita aquela vergonhosa coreografia. Mas como Elena está aparentemente bêbada, então vou relevar esse comentário.
— E você, quem é? — perguntou olhando para Klaus, parecia que tinha notado a presença dele naquele momento.
— Eu sou o Niklaus Mikaelson – apresentou-se imediatamente.
— Mikaelson? — ela continuou a encarar o meu noivo atentamente – Esse não é o sobrenome dos donos do hotel que você foi trabalhar lá em Washington? Aliás, que também são os donos desse hotel aqui.
— Sim, o Klaus é um dos herdeiros da rede de hotéis Mikaelson – respondi, sem entrar em muitos detalhes – E, meu noivo.
— Noivo? — segurou a minha mão direita, notando pela primeira vez o anel de noivado nela – Caroline Forbes! É melhor a senhorita me explicar essa história direitinho…
— Care, eu vou pegar uma bebida para nós – Klaus avisou – Assim eu deixo vocês duas conversando.
Sendo totalmente sincera, não estava com muita vontade de conversar sobre o meu recente noivado, mas pelo jeito eu não tinha muita escolha no momento.
— Tudo bem – concordei, por fim.
Ele me deu um último selinho antes de se afastar de nós duas. Observei meu noivo caminhar até desaparecer no meio da multidão.
— Ele é um gato… — Lena comentou alguns segundos depois – Quando foi que isso aconteceu? Por que você não contou sobre ele antes? Aliás, você não estava com essa aliança quando te vi ontem de manhã.
— Acredite em mim, Lena, é uma longa história – revirei os olhos – Mas em resumo: Klaus chegou ontem aqui em Washington para me fazer uma surpresa e agora nós estamos noivos.
— Care, eu estou muito feliz por você – voltou a me abraçar – É sério mesmo! Quando eu soube que você tinha voltado para cidade e pensei que estivesse sozinha, tive medo que ainda não tivesse superado tudo que aconteceu há cinco anos, mas… — tomou o restante o conteúdo da sua taça – Então pelo jeito foi ele o tal “admirado secreto” que te enviou aquelas flores, não é mesmo? Isso é tão fofo!
— Lena, quantas taças você já bebeu? — decidi perguntar, preocupada.
— Acho que essa é a minha terceira ou quarta taça – disse – Mas relaxa, eu estou ótima. A minha tolerância para beber está lá no teto hoje.
Elena Gilbert foi a primeira pessoa com quem eu tomei o meu primeiro porre, quando tínhamos 16 anos e sei perfeitamente que ela não tem a menor tolerância para beber. Mas não serei eu quem irá censurá-la a respeito disso.
— Se você diz…. — soltei um longo de pesado suspiro.
— Ai está você! — fui pega totalmente surpresa quando Stefan surgiu onde estávamos, claro que eu sabia que ele estava aqui, mas por um momento acreditei poderia evitá-lo a noite toda – A sua mãe está te procurando em todos os lugares, acho que é algo relacionado a festa.
— Parece que o dever me chama… — entregou a taça, agora vazia, para o marido – Depois ainda vamos terminar a nossa conversa, Care.
Pensei que Stefan fosse atrás dela, mas ele ficou parado no mesmo lugar, me olhando de cima a baixo.
— Confesso que eu estou surpreso… — falou, por fim – Pensei que você fosse vir com o seu pai ou o seu padrasto, ou até mesmo que traria a Libby; mas não, decidiu vir sozinha mesmo.
— Stefan, você está enganado.. — comecei a explicar – Eu não…
— É preciso muita coragem e eu te admiro por isso – me interrompeu – Quem sabe a gente não consiga dançar hoje? Mas temos que ser discretos, afinal, ainda não consegui conversar com a Elena sobre nós.
— Stefan, o que faz você pensar que eu estou aqui sozinha? — consegui voltar falar.
— Amor, eu não sabia o que você queria, então eu trouxe uma taça de champagne – antes que qualquer um de nós dois pudesse fazer qualquer outra coisa, Klaus retornou, trazendo as duas taças que tinha prometido – Mas se quiser eu posso pegar uma outra coisa.
— O champagne está ótimo, obrigada, Klaus – respondi enquanto pegava o objeto da mão dele e tomava um gole da minha bebida.
— Então esse é o famoso Klaus… — Stefan comentou em seguida, fazendo com que meu noivo notasse a sua presença – Sou Stefan Salvatore e já ouvi falar muito ao seu respeito, você é o pai da Libby, não é mesmo?
— Exatamente… — ficou um pouco confuso e sem saber quem era aquele ali puxando assunto, mas, mesmo assim, confirmou – Mas eu sou bem mais do que só o pai da Libby, sou o noivo da Caroline – e em seguida segurou a minha mão para que ele também pudesse ver a aliança.
— Noivo…? — sussurrou, seu tom de voz era um misto de surpresa e decepção, não pude deixar de ficar totalmente sem graça com toda aquela situação – Vocês dois estão noivos?
— Exatamente! — afirmei, já que o assunto tinha começado… — Eu e Klaus vamos nos casar – entrelacei os dedos nos dele.
— E uma notícia praticamente em primeira mão – meu noivo continuou – Quase ninguém está sabendo, ainda nem contamos para os pais da Caroline – ele virou o meu rosto na sua direção para me dar um selinho, sei que foi um gesto totalmente inocente, mas não sei se o Stefan pensou da mesma maneira.
— Acho que posso me sentir honrado então… — deu de ombros – Caroline e eu éramos bem próximos quando ela se mudou para Londres e é bom saber que isso não mudou, mesmo depois de tantos anos sem nos vermos.
— Stefan é o marido da Elena – decidi explicar isso.
— Ora, Care, acho que sou um pouco mais do que o “marido da Elena” — usou as mesmas palavras que Klaus há alguns minutos – Eu sou também o ex-namorado da Caroline.
— Ex-namorado…? — ficou olhando para mim e para ele repetidas vezes – Ele é seu ex-namorado? Aquele seu ex-namorado?
— Sim… — foi tudo que eu consegui dizer enquanto balançava a cabeça afirmativamente.
— Então a Care já falou de mim – continuou – Então ela deve ter falado também da nossa querida Emma, que infelizmente perdemos antes de nascer, mas que não deixou de ser amada.
Aquilo tudo era demais para mim, sabia que não deveria ter vindo para essa festa. Precisava sair dali o mais rápido o possível…
— Acho melhor procurar uma mesa para nós – lembrei – Foi bom revê-lo, Stefan, a gente se fala outra hora.
Então comecei a puxar Klaus antes que ele pudesse falar qualquer outra coisa. Queria deixá-lo o mais longe possível do meu ex-namorado.
***
Conseguimos arranjar uma mesa que ficava o mais longe o possível da entrada do salão. No instante em que eu me sentei, tomei o restante do meu champagne de uma só vez, mesmo sabendo que aquilo poderia me fazer mal, mas não estava me importando com aquilo no momento.
Aquela conversa de alguns minutos era tudo que eu não queria que acontecesse hoje. A minha sorte é que não tinha tido consequências mais grave.
— Care…, você está tão quieta – meu noivo comentou depois de alguns minutos em que eu não dei nenhuma palavra – Não quer falar sobre o que acabou de acontecer?
— O que você quer que eu diga, Klaus? — já comecei a sentir as lágrimas se formando no canto dos meus olhos, estava me segurando para não começar a chorar – Meu ex-namorado, aquele com quem eu tinha acabado de terminar um relacionamento quando a gente se conheceu; ele se casou com a minha melhor amiga. E essa é toda a verdade que não te contei durante esses cinco anos.
— Isso eu percebi – segurou a minha mão – Mas é obvio que tem mais ai do que você está me contando. Agora que eu já sei uma parte da história, por que não me fala o restante.
— Certo, você tem razão – tive que concordar – Só, por favor, não fica com raiva de mim ou qualquer coisa parecida.
— Nunca… — balançou a cabeça negativamente – Estou aqui te ouvindo.
Então eu contei tudo: sobre como eu e Stefan nos conhecemos, o início do nosso namoro, a história do namoro falso com a minha, então, melhor amiga, minha gravidez, o casamento dele e da Elena, nossa briga, o aborto espontâneo e, por fim, o nosso término definitivo. Disse aquilo bem baixinho para não correr perigo de que ninguém ouvisse, mas por sorte todos pareciam muito distraídos em seus próprios mundinhos para prestar atenção em nós.
— E é isso – completei quando terminei a minha história – Acho que agora dá para você entender o que aconteceu comigo.
— Não consigo imaginar como é que você conseguiu passar por isso tudo sozinha – comentou – Deve ter sido difícil demais.
— Quando o nosso namoro começou a ficar sério, eu pensei em te contar toda a verdade, e depois quis fazer isso outra vez quando a Libby nasceu, mas acabei não tendo coragem – expliquei – Acho que de alguma maneira eu senti vergonha que você ficasse sabendo de tudo.
Você não precisava ter vergonha de mim, Caroline – insistiu – Para falar a verdade, eu te admiro ainda mas sabendo que você passou por isso tudo e, de certa forma, superar.
— E foi por isso que a minha amizade com a Elena acabou ficando abalada e perdemos o contato, principalmente porque eu não queria saber o quanto ela estava feliz com o meu ex-namorado – continuei – Mas atualmente isso é tudo totalmente insignificante.
— Tanto que parece que você retomou a sua amizade com ela – completou a minha frase.
— Não posso dizer que as coisas voltaram a ser como antes, mas já é um começo – dei de ombros – Ela e Stefan estão aparentemente felizes, tem uma filha juntos e nós também estamos muito bem com o nosso noivado e com a Libby. Não tem porque ficar guardando rancor.
Foi exatamente isso que decidi no momento em que Klaus apareceu e retomamos o nosso noivado: seguirei com a minha vida ao lado dele e da nossa filha, e o que se passou nesse mês em que estive aqui sozinha é passado. Agora é só esperar que o Stefan tenha o mesmo pensamento que eu.
— E esse é um dos motivos pelo qual eu te amo tanto – concluiu antes de me dar um selinho – O que acha de irmos dançar um pouco?
— Acho que preciso beber mais um pouco antes de ir dançar – respondi.
— Então é melhor eu ir pegar mais champagne para você – brincou enquanto se levantava – Não vesti esse terno apenas para ter uma conversa com o seu ex e depois ficar aqui sentado o resto da noite.
Fiz uma careta e ele mostrou a língua para mim em um gesto infantil. Isso era um óbvio sinal de que toda a tensão de alguns minutos antes tinha desaparecido.
***
Depois de mais algumas taças de champagne (acompanhados de alguns canapês, por insistência do Klaus para que não acabasse bêbada demais), avisei ao meu noivo que ligaria para a casa do meu pai para saber como é que a Libby está e também para poder tomar um ar. Ele comentou que eu estava sendo superprotetora demais, mas mesmo assim não me impediu de fazer isso.
Fui apenas com o meu celular até o terraço que ficava ao lado do salão de festas. Disquei rapidamente o telefone do meu pai e fiquei encarando a vista iluminada da cidade de Washington enquanto esperava que alguém atendesse.
— Olá, Caroline, querida!— ele disse depois do segundo toque, provavelmente já tinha visto o meu nome no identificador de chamadas – Imagino que você tenha ligado para saber como é que a sua princesinha está, não é mesmo?
— Exatamente isso – afirmei – Está tudo bem? Ela está se comportando direitinho?
Aquela não era a primeira vez que minha filha ficava de noite junto com os avôs, mas era a primeira vez desde que tínhamos mudado para o novo apartamento, sem contar que eu só a veria de novo amanhã. Por esses motivos eu decidi verificar se estava mesmo tudo bem.
— Você pode ficar tranquila, minha filha, a Libby está muito bem e se comportando direitinho – garantiu – Aliás, como sempre…
— E será que eu posso falar com ela? — quis saber.
— Ela está assistindo a um desenho com o Steven lá na sala— explicou — Não tenho certeza se ela vai querer parar para falar com você.
— Minha filha está me trocando por um desenho animado na televisão? — me fingi de indignada, balancei a cabeça negativamente mesmo sabendo que meu pai não estava vendo – Mas que coisa feia…
— Ninguém mandou você abandonar ela para ir a uma festa— entrou na brincadeira – É isso que acontece…
— Bom, não vou mais atrapalhar vocês – avisei – Diz para a Libby que eu liguei e mandei um beijo para ela.
— Pode deixar que eu avisarei— garantiu – Você também aproveite a festa ao lado do seu namorado e tenham juízo, não façam nada que eu não faria; ainda não estou preparado para ser avô outra vez.
— Quanto a isso pode ficar tranquilo, porque eu também não estou pronta para ser mãe outra vez – respondi.
— Melhor assim…— completou – Bom, então a gente se vê amanhã; você e o Klaus virão almoçar aqui para eu poder conhecer o meu genro?
— Claro que iremos – afirmei – A gente se vê amanhã na hora do almoço.
***
Depois de me despedir do meu pai e desligar o celular, eu ainda fiquei mais alguns minutos apreciando a vista. Já estava quase voltando para a festa quando dei de cara com Stefan entrando no terraço.
— Sabia que ia te encontrar aqui… — ele disse imediatamente.
— Que bom para você – sabia que tinha soado rude e essa era a minha intenção – Agora eu preciso ir encontrar o meu noivo.
— Então é assim que vai ser? — cruzou os braços ficou na minha frente, impedido que eu passasse – Quando é que você pretendia me contar que você estava noiva do pai da sua filha? Você me deixou acreditar que ainda tínhamos alguma chance, me fez pensar em um futuro ao seu lado e sua intenção esse tempo todo era apenas me enganar!
— Eu não enganei ninguém! — decidi deixar bem claro – Não que isso seja da sua conta, mas Klaus e eu estávamos brigados quando eu voltei para Washington, tínhamos terminado. Então ele chegou aqui ontem, conversamos, nos entendemos e agora estamos oficialmente noivos.
— Como você pode fazer uma coisa dessas comigo, Caroline…? — segurou os meus braços, me prendendo entre as suas mãos e me deixando imprensada contra a mureta da sacada – Como você pode aceitar se casar depois de tudo que aconteceu entre nós? Você diz que me ama e dois dias depois está ficando noiva de outro cara…
— Ele não é outro cara, é o pai da minha filha, meu namorado há mais de cinco anos – lembrei – Foi o Klaus que esteve ao meu lado quando você não estava!
— Pensei que já tivéssemos superado isso – insistiu – Eu não vou aceitar isso, Caroline, não depois de tudo que aconteceu na outra noite…
— O que aconteceu na outra noite foi apenas isso, uma noite, um momento, não vai se repetir – falei aquilo pausadamente para ver se ele consegui entender de uma vez por todas – E você pode até não aceitar, mas essa é a verdade: eu amo o Klaus e vou me casar com ele.
— Não acredito em você – seu tom de voz nesse momento era calmo, além disso ele não se afastou nenhum centímetro de mim.
— E eu não preciso que você acredite em mim – continuei.
— Sei que você também não acredita em si mesma – levou uma das mãos até o meu cabelo e colocou uma mecha atrás da orelha – Você pode até amá-lo, mas não da mesma maneira que você me ama. Você mesma me disse isso, aquela noite no seu apartamento.
Engoli em seco tentando não pensar no rosto de Stefan há poucos centímetros do meu. Por que foi que eu disse aquilo para ele mesmo?
— Foi algo que eu disse no calor do momento – dei de ombros tentando me fazer o mas indiferente o possível – Mas não é verdade…
— Se fosse assim, você não reagiria desse jeito a minha proximidade – seus lábios estavam quase tocando nos meus e eu podia sentir a sua respiração quente contra o meu rosto – Não se arrepiaria com o meu toque – passou a mão por toda extensão do meu braço – Nem mesmo gemeria daquele jeito enquanto fazíamos amor.
Desviei o rosto antes que ele acabasse me beijando. Ouvi Stefan rir de leve.
— Por que você não me diz de uma vez por todas que ama o Klaus mais do que já me amou em alum momento da vida? — sugeriu – Olhando nos meus olhos.
Voltei a encarar seus olhos verdes de maneira firme. Era agora ou nunca, eu tinha que fazer isso.
— Eu amo o Klaus mais do que eu já te amei… — afirmei – Mesmo nas melhores épocas do nosso relacionamento.
— É mentira…, agora tenho certeza – garantiu – Você não consegue mentir para mim, Caroline, nunca conseguiu.
Acariciou o meu rosto, apenas mais pequeno movimento de qualquer de nós dois e estaríamos nos beijando.
— Caroline? — nos afastamos assustado a tempo de ver Lexi apenas há alguns poucos metros de nós – Eu, desculpa, não queria interromper.
— Tudo bem, eu preciso ver se estão precisando ou procurando por mim na festa – Stefan avisou – A gente se fala depois, Care…
Ele ainda deu um beijo no meu rosto antes de voltar para dentro do prédio. Enquanto isso Lexi ainda estava ali, me observando atentamente.
— Será que eu quero saber o que está acontecendo? — assim que ela perguntou senti as minhas bochechas esquentando de vergonha.
— Acredite em mim, você não vai querer saber o que está acontecendo aqui – disse.
— Se é o que você diz… — deu de ombros antes de se encostar na mureta ao meu lado.
— O que você quer falar comigo? — decidi questioná-la logo de uma vez.
— Na verdade eu estava procurando pelo Ric – explicou – Ele disse que precisava fazer uma coisa, mas que voltava logo, isso já deve fazer uma meia hora. Você por caso o viu por ai?
Um pouco depois de chegar a festa tinha visto Lexi circulando acompanhada do marido pelo salão, mas não tinha chegado a conversar com os dois.
— Eu não o vi em lugar algum – respondi.
— Pensei que ele estivesse com o Stefan conversando algum assunto de trabalho, mas ele estava bem aqui com você – tinha certeza de que minhas bochechas tinham voltado a ficar vermelhas – Agora realmente não sei onde ele pode estar.
— Tenho certeza de que logo ele vai aparecer, Lexi – tentei tranquilizá-la – Talvez ele tenha ido lá para baixo dar uma volta no jardim.
— Espero mesmo que seja isso… — admitiu – Mas a verdade é que já tem algum tempo que Alaric já não é mas o mesmo comigo.
— Você acha que ele pode ter uma amante? — decidi verbalizar o que ela provavelmente estava pensando nesse momento – É isso?
— Sendo sincera, Caroline, eu não sei de mais nada – deitou a cabeça sob o meu ombro – Eu e o Ric começamos a namorar ainda na faculdade, casamos há pouco mais de dez anos apenas porque eu estava grávida, então alguns meses depois o Jordan nasceu e três anos depois, a Claire chegou. Não que eu não ame os meus filhos, é claro que eu amo, mas a verdade é que Alaric e eu nunca tivemos tempo para ser apenas um casal e isso de alguma forma isso me parece errado.
— Nada disso é sua culpa, Lexi, ou culpa do Alaric, nem mesmo culpa do Jordan e da Claire, foi algo que aconteceu e não diminui de maneira nenhuma a importância do seu casamento. Acredite eu sei disso, engravidei e tive a minha filha antes mesmo de me casar – tentei acalmá-la – E caso o seu marido tenha mesmo uma amante, vai ser ele quem vai perder isso.
— Só você mesma para me alegrar em um momento como esse – sorriu enquanto secava as lágrimas que começavam a cair do seu rosto.
Conhecia a Lexi há apenas um mês, mas eu sei que ela é uma boa pessoa e não merece sofrer dessa maneira. É em momento como esses que não consigo deixar de pensar na Elena, mesmo sabendo que o casamento dela e do Stefan é de fachada, não posso ser a responsável pelo fim do relacionamento dos dois.
— Pois é exatamente isso – completei – Bom, eu vou voltar para a festa, porque o Klaus já deve estar pensando onde é que eu posso estar. Você vem comigo?
— Vou ficar mais um pouquinho aqui – avisou – Mas não se preocupe, daqui a pouco eu volto para a festa.
— Está bem – concordei – E caso eu veja o Alaric em algum lugar, aviso que você está aqui.
Deu apenas mais um sorriso em resposta. Então eu coloquei a mão rapidamente no seu ombro antes de deixá-la sozinha naquele terraço.
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