Second Chance
21 Capítulo 20 – Perfeição amargurada
Notas iniciais
Apesar de não ter dormido tão cedo como estava planejando acordei anormalmente bem disposta quando o despertador do meu celular tocou na mesma hora de sempre. Pelo jeito a minha noite de ontem com o Klaus acabou sendo bem produtiva.
Como de costume, meu noivo já não estava mais deitado ao meu lado da cama. Mas eu certamente não estava esperando chegar ao quarto da Libby e não encontrá-la dormindo ainda.
– Mas que grande surpresa... – cheguei a cozinha e encontrei Klaus e nossa filha sentados na mesa e já fazendo as suas refeições matinais – Os dois amores da minha vida já acordado e bem dispostos.
– Papai disse que ele vai me levar para a faculdade e que de tarde vamos até o centro comunitário e depois vamos sair para lanchar – minha princesinha bateu as mãos uma na outra, totalmente empolgada – Vai ser tão legal!
– Mas que bom, minha filha... – limpei sua boquinha que estava suja de leite e cereal – Parece que vocês vão ter um dia bem divertido.
– Eu tenho apenas uma aula hoje de manhã e depois preciso ficar mais um tempo para receber os trabalhos dos alunos de surrealismo – Klaus explicou – Depois disso vou direto para o centro comunitário, sei que você acha que lá é um lugar bem melhor para ela que na faculdade e eu concordo plenamente com você a respeito disso.
Quando voltei a trabalhar assim que acabou a minha licença maternidade nossa primeira intenção foi colocar a Libby em uma creche, mas eu li tantos absurdos que acontecem nesses lugares que decidimos revezar levando nossa filha para o trabalho ou a deixando com uma babá de vez em quando. A ideia inicial era colocá-la na escola apenas quando estiver com uns quatro ou cinco anos, mas agora com a nossa ida para Washington a primeira coisa que farei quando chegar lá é matriculá-la em uma escola.
– Claro, não tem problema – afirmei – Mas, se você quiser, eu posso levar a Libby comigo para o hotel.
Sabia que esse era o maior absurdo que eu poderia propor nesse momento e o motivo tem nome e sobrenome: Elijah Mikaelson. Apesar de Libby saber que tem outros tios além de Rebekah, Klaus prefere que nossa filha nem ao menos veja o restante dos seus irmãos; não sei se posso concordar 100% com essa escolha, mas é a família dele, então prefiro não dar a minha opinião.
– Nós dois iremos nos virar bem, não é mesmo, Libby? – ela apenas balançou a cabeça afirmativamente – Quer que eu prepare o seu café da manhã, meu amor?
– Não precisa, eu mesma posso fazer isso – avisei enquanto pegava duas torradas para passar geleia de morango e depois coloquei um pouco de café na minha caneca antes de me sentar ao lado do meu noivo.
– É hoje que você vai conversar com a minha mãe? – ele quis saber – Sobre a proposta de Washington?
– Que proposta de Washington? – Libby ficou olhando de um para o outro, totalmente confusa.
Klaus e eu nos encaramos. Assim que Esther fez a proposta e decidimos por aceitá-la, achamos melhor esperar estar tudo certo para conversarmos com a nossa filha sobre a nossa mudança.
– Vamos falar sobre isso mais tarde, princesinha – passei a mão pelo seu cabelinho enquanto explicava – E sim, Klaus, hoje que eu vou falar com a sua mãe.
O tablet de Klaus, que estava em cima da mesa tocou indicando a chegada de um e-mail, então ele foi ver a mensagem imediatamente. Percebi que sua testa foi franzindo a medida que seus olhos passavam de um lado para o outro da tela.
– Essa não... – finalmente falou, colocando a mão sob a testa e balançando a cabeça negativamente – Eu tinha me esquecido completamente disso...
– Está tudo bem? – quis saber imediatamente – Aconteceu algum problema?
– Acabei de receber um e-mail com a confirmação da reunião hoje na hora do almoço – explicou- Eu tinha me esquecido completamente disso... Como é que vamos fazer com a Libby, será que a April pode tomar conta dela?
– Hoje é dia de semana, ela deve estar na escola – lembrei – Mas você sabe que eu posso levar a Libby para o hotel comigo.
Ele me encarava como se eu tivesse acabado de dizer o maior absurdo do mundo, mas no fundo sabia que não tinha muita escolha quanto a isso.
– Sim, você tem razão – acabou concordando por fim – É melhor a Libby ir com você para o hotel, é melhor do que ficar lá presa na minha sala sem fazer nada esperando a minha reunião acabar.
– Bom, Libby, você ouviu o seu pai... – voltei a me virar na direção da minha filha – Você vai para o trabalho da mamãe hoje.
– Oba! – disse animada – Vai ser divertido também.
– Sim, vai ser – concordei – E agora a senhorita vai até o banheiro escovar os dentes. Vai indo que eu já vou te ajudar.
– Está bem, mamãe... – deu um pulo para se levantar da cadeira antes de correr para a porta da cozinha.
– Só preciso falar uma coisa com o seu pai e já vou até o banheiro – gritei, mas não sei se ela estava perto o suficiente para ouvir.
– Klaus tinha voltado a tomar o café totalmente alheio ao que passava a sua volta.
– Não precisa se preocupar, Klaus, a Libby vai ficar muito bem lá comigo – assim que comecei a falar, meu noivo voltar a me olhar – E não precisa se preocupar, o Elijah raramente aparece no saguão, tenho certeza de que ele nem vai ver a sobrinha lá.
– Certo... – concordou – Se você quiser, eu posso passar para buscar ela depois que a minha reunião acabar.
– Se você quiser – dei de ombros – Mas preferia que você não fizesse isso, nós vamos ficar bem e faz tempo que eu não passo um tarde inteira de um dia de semana com a Libby – dei um sorriso bobo – Mas mudando de assunto: você vai ver a Camile hoje?
– Provavelmente, ela precisa me entregar um trabalho, junto com o resto do pessoal da turma de surrealismo – respondeu – Mas porque a pergunta?
– Se você encontrar com ela, queria que falasse com ela por mim – estava olhando para o tampo de madeira da mesa – Sei que fui grossa com ela no sábado e sinceramente, nem sei porque fiz aquilo, mas queria me desculpar.
– Pode deixar que eu falo com ela – afirmou.
– Mãe! – ouvi Libby gritando lá do banheiro, quase que esqueci que ela estava lá esperando por mim.
– Bom, acho que o dever me chama – ri enquanto me levantava – Deixa eu ir lá ajudar ela.
– Vai lá – disse – Pode deixar que eu lavo a louça toda aqui.
Dei um selinho nele antes de sair da cozinha e seguir pelo mesmo caminho que a minha filha tinha feito alguns instantes antes.
***
Menos de meia hora depois eu e Libby estávamos saindo a caminho de hotel. Ela estava bem empolgada com a ideia de passar o dia inteiro comigo hoje, tanto que assim que paramos no estacionamento, ela foi saltitando até a entrada.
– Espera por mim, Libby... – comecei a chamá-la enquanto me apressava para poder alcançá-la – Você sabe que não pode correr assim sozinha, ainda mais em um estacionamento.
– Desculpa, mamãe... – parou de andar e estendeu uma das mãos para que eu pudesse segurá-la.
Assim que chegamos ao saguão encontro Rebekah e Katherine em pé próximas ao balcão da recepção. Nesse mesmo instante Libby solta a minha mão e corre na direção das duas.
– Tia Bekah! Tia Kath! – disse no momento em que foi pega no colo pela tia.
– Mas que saudades eu estava de você, princesinha... – Rebekah deu um beijo no topo da cabeça dela enquanto falava — Já faz tempo que você não vem aqui e eu ando tão ocupada que não tenho tempo de ir lá te visitar.
– Também estou com saudades de você, tia Bekah – garantiu.
– E quanto a mim, Libby? – Katherine se fingiu de indignada – Você não está com saudades da sua madrinha favorita?
– Você é a minha única madrinha, tia Kath – lembrou – Mas é claro que eu estava com saudades de você também
– Mas é claro que ela gosta mais de mim – minha cunhada brincou – Afinal, sou a tia dela – Kath mostrou a língua em um gesto bem infantil em resposta.
– É sério mesmo que vocês estão brigando por causa disso – comentei fazendo com que as duas se virassem para mim – Sério, as vezes eu acho que vocês duas são mais infantis que a Libby.
Elas olharam para o chão a sua frente, como uma criança que acabou de ser pega fazendo alguma travessura.
– Você não precisam se preocupar, eu amo vocês duas da mesma maneira – Libby colocou o braço em volta do pescoço de Katherine, puxando a madrinha para mais perto de si.
– Mas mudando de assunto: Caroline Forbes, me mostra agora! – fiquei encarando a minha amiga, totalmente confusa – E não se finja de desentendida, pode ir me mostrando anel de noivado.
– Como é que você...? – nem precisava perguntar, já desconfiava – Bekah!
– Eu sou uma romântica incorrigível – minha cunhada se defendeu – Fiquei tão empolgada que precisava contar para alguém.
– Por favor, Care, deixa de me enrolar – Kath puxou a minha mão direita para poder ver o anel que reluzia no meu dedo – É lindo! O Klaus tem mesmo muito bom gosto.
– Claro que ele tem bom gosto, o Klaus vai casar comigo – decidi entrar na brincadeira, o que fez com que as duas revirassem os olhos para mim.
– O meu pai e a minha mãe vão se casar, isso não é legal, tia Kath – minha filha voltou a se empolgar – E eu vou ser a daminha honra, o papai já me prometeu.
– E você vai ser uma daminha linda – garantiu – Já vou avisando que vou ficar muita brava se não for chamada para ser madrinha desse casamento.
– Não poderia pensar em outra pessoa para ser a minha madrinha, Kath – respondi e era mesmo verdade, ela foi a minha primeira amiga aqui em Londres e surgiu na minha vida em um momento que estava precisando muito de alguém – Vocês duas, na verdade, e tenho certeza de que o Klaus vai concordar comigo.
– Já vou avisando que vou querer saber todos os detalhes do pedido – minha amiga avisou – Quero dizer, nem todos os detalhes, é claro.
– Você está muito curiosa, Kath – revirei os olhos e fiz uma careta – Mas, voltando a mudar de assunto: a Esther já chegou? Preciso falar uma coisa com ela.
– Sim, chegou há uns vinte minutos e foi direto para a minha sala – foi minha cunhada quem falou – Pelo jeito ela já estava esperando mesmo que você fosse falar com ela, pois disse que quando você chegasse podia ir até lá direto.
– Então é isso que eu vou fazer – avisei – Será que vocês podem olhar a Libby para mim enquanto isso?
– Claro! – Rebekah e Katherine responderam ao mesmo tempo.
***
– Com licença, Esther – a porta da sala estava aberta, mesmo assim tive uma preocupação em me anunciar antes de entrar – A Rebekah disse que você já estava me esperando.
– Caroline, querida! – ela estava concentrada olhando alguma coisa no computador, mas assim que me viu abriu um enorme sorriso – Você pode entrar e, por favor, sente-se.
Foi exatamente o que eu fiz.
– Só espera mais um minuto – voltou a pedir – Preciso responder esse e-mail que a Freya acabou de enviar sobre um pequeno incidente no hotel lá de Paris.
– Claro, não tem problema, pode demorar o tempo que precisar – disse – Espero que não seja nenhum problema grave.
– Foi apenas uma confusão com uma das reservas – explicou – Nada com que precise se preocupar.
Fiquei ali olhando todos os cantos da sala enquanto minha sogra digitava freneticamente sem tirar os olhos da tela a sua frente. Aquela sala com certeza tinha a cara da Bekah em cada pequeno detalhe, mas algo diferente me chamou a atenção: uma foto de todos os sete irmãos Mikaelson quando eram mais novos, incluindo até mesmo o bebê Henriky.
– Essa é uma das fotos que eu mais amo no mundo – Esther comentou, provavelmente logo que percebeu para onde eu estava olhando – Acho que é a única que tenho com todos os meus filhos reunidos.
– É adorável mesmo – concordei, meus olhos se voltaram imediatamente para a figura de um Klaus aos 13 anos, imprensado entre o braço de sofá e Freya; apesar de ser magro e aparentemente desajeitado, consegui enxergar um pouco do meu noivo naquele garoto – Fico imaginando como deve ser incrível ter uma família grande assim.
– É incrível, mas também muito cansativo – revirou os olhos – Quem sabe você e Niklaus não se animam e resolvem me dar mais seis netinhos.
– Não acho que essa seja uma boa ideia – afirmei – Acho que quero ter no máximo mais um; talvez dois, mas só se eu tiver outro bebê tão tranquilo quanto a Libby.
– Acho que eu tive um pouco de sorte, pois o Henriky nasceu no mesmo ano em que Finn foi para a faculdade e também não demorou muito para Freya se mudar também – continuou – Acredito que se eu tivesse meus sete filhos morando juntos ao mesmo tempo, teria surtado em algum momento.
Ela sorriu com o próprio comentário e foi impossível não imitar o seu gesto.
– Mesmo assim, eu faria qualquer coisa para ter momentos como esse novamente – soltou um longo suspiro após a declaração – Mas os filhos crescem, seguem seus próprios rumos e fica cada vez mais difícil conciliar as agendas, ainda mais no meu caso com sete filhos e cada em um canto e do mundo e fazendo uma coisa diferente.
Mas eu sei exatamente no que ela está pensando: que nunca vai conseguir reunir todos os filhos assim, pelo menos não enquanto Klaus insistir em se afastar da família. Queria dizer a Esther que esperasse o casamento, mas decidi ficar quieta, já que é uma coisa que não depende só de mim, afinal, mesmo que meu noivo cumpra o nosso acordo, não é garantia que seus irmãos irão aceitar o convite.
– Bom, mas você não está aqui para me ouvir lamentar – balançou a cabeça negativamente dando um fraco sorriso – Como você veio até aqui, imagino que já tenha uma resposta para a proposta que eu te fiz no sábado, não é mesmo?
– Sim – afirmei – Eu e Klaus conversamos muito e chegamos a um acordo sobre o que responder.
– Não sei qual será a sua resposta nem se eu falar alguma coisa vai te fazer mudar de ideia – prosseguiu – Mas eu realmente espero que você aceite tomar conta do hotel de Washington.
– E a minha resposta é sim – decidi não prolonga mais a espera dela – Essa será uma grande mudança, mas pode ser uma coisa boa para nós, sem contar que é um grande passo para minha carreira no ramo de hotelaria; então sim, seria uma honra ficar a frente do hotel em Washington.
– Você não sabe o quanto está me fazendo feliz dizendo isso, Caroline – segurou as minhas mãos por cima da mesa de vidro – Tenho plena confiança de que você é a melhor pessoa para ocupar o cargo.
– E eu prometo que não irá se arrepender disso – garanti.
– Agora vamos falar de algumas questões técnicas – continuou – Como eu disse antes, o hotel já funciona na cidade há vários anos e conversei com a diretoria e decidimos manter os funcionários atuais e colocando apenas alguém de confiança para tomar conta de tudo, no caso, você.
Apenas concordei com a cabeça, esperando que ela prosseguisse com a explicação.
– Vou mandar os relatórios dos últimos doze meses para que você possa analisá-los e saber a real situação de tudo – avisou – E quando é que você vai poder ir para Washington?
– O mais rápido possível – respondi – Diga-me quando vai precisar de mim lá e eu irei imediatamente.
– O que acha de se preparar para ir daqui a um mês? – sugeriu – Parece ser tempo o suficiente para organizar as coisas antes de se mudar.
– Para mim parece perfeito – disse, mas a verdade é que eu estava tremendo por dentro; daqui a um mês estarei de volta a Washington e eu ainda não sei o que realmente pensar a respeito disso.
– Agora me diga como está as coisas em casa com Niklaus? – quis saber – E como é que está a Elizabeth?
– As coisas estão muito bem – garanti – E a Libby está ótima, ela está aqui no hotel hoje, na verdade.
– Mas que noticia boa – comentou, animada – Sabe, eu gostaria muito de poder levá-la par passar o dia comigo, talvez levá-la para dar uma volta no shopping, almoçar por lá e talvez até mesmo ir ao cinema. Espero que um dia você e Niklaus possam me permitir isso.
– Por que você não aproveitar para fazer isso hoje que ela está aqui – sugeri – Isso se você não tiver nada de importante para fazer hoje aqui no hotel, é claro.
– Na verdade, tudo que eu tinha para fazer hoje era conversar com você – respondeu – Você tem certeza de que não vai ter nenhum problema? Niklaus é sempre tão zeloso com a filha, talvez fosse melhor perguntar para ele.
– É só uma saída, não fará mal nenhum – dei de ombros – E vai ser bom para a Libby, assim ela não vai ficar entediada o dia inteiro sem fazer nada aqui no hotel.
– Então vamos lá falar com ela – pareceu bastante empolgada enquanto se levantava.
***
Libby também adorou a ideia de ir passar o dia inteiro com a avó no shopping. As duas saíram quase que imediatamente e eu pude seguir com o meu trabalho sem precisar me preocupar com o que minha filha está fazendo, embora não tivesse exatamente muita coisa para fazer hoje no hotel.
Já estávamos mais ou menos no meio da tarde e eu e Katherine estávamos totalmente entediadas, por isso decidimos jogar conversa fora.
– O que você está planejando para o casamento? – minha amiga quis saber, estávamos ambas debruçadas no balcão da recepção – Esse tem que ser o maior evento da história da Londres, maior até que qualquer casamento da realeza.
– Ora, não exagera, Kath – foi impossível não revirar os olhos – Esse é um casamento apenas para tornar tudo oficial e o Klaus sabe disso; sendo sincera, eu nem sei se quero me casar na igreja, talvez apenas uma cerimônia no civil para a família e os amigos mais íntimos.
– Nem pense em uma coisa dessas, Caroline Forbes – fingiu me ameaçar – Toda mulher sonha em se casar com tudo que tem direito, duvido que você nunca pensou nisso?
Claro que eu tinha o sonho de me casar na igreja, o casamento mais perfeito do mundo. O único problema é que não era o Klaus que eu imaginava como noivo nesse momento e de alguma forma seguir com os esses planos me parece errado.
– Eu e Klaus temos uma filha – usei a primeira desculpa que veio na cabeça – Vou parecer uma ridícula tendo um casamento de princesa sendo que é mais do que obvio que já tivemos a nossa lua de mel há muito tempo.
– Isso é bobagem, Care – tentou fazer com que eu mudasse de ideia – Olha, a verdade é a seguinte: já me conformei que nunca irei me casar, então quero viver isso pela minha melhor amiga.
– Você já se conformou que nunca vai se casar? – fiquei realmente surpresa com as palavras dela – O que aconteceu com a sua convicção de que o Elijah vai largar a esposa para ficar com você?
– Vamos ser realistas, Care, a verdade é que o Elijah nunca fará isso – soltou um suspiro de frustração – No fundo do meu coração sei que ele só está com a Hayley por conveniência, mas é assim que as coisas são, sem contar que eles tem um filho e eu jamais iria querer ser responsável por destruir uma família.
Vendo a situação de Katherine com o Elijah percebo cada vez mais que tomei a decisão certa deixando o Stefan para a Elena e vindo para Londres. Esse era o destino que me esperava se eu tivesse decidido ficar em Washington e decididamente não era a vida que eu queria para mim.
– Kath... – coloquei a mão sob a da minha amiga – Sei o quanto isso tudo deve ser difícil para você.
– Apesar de tudo, eu ainda amo o Elijah – enxugou as lágrimas que se acumularam em baixo dos seus olhos – Acho que não conseguiria ficar longe nem mesmo se eu quisesse.
– Acredite em mim, Kath, eu te entendo perfeitamente – foi tudo que eu disse – E acho que eu posso pensar com carinho na ideia de ter um casamento de princesa, talvez não seja tão ruim assim.
– Que bom, Care! – começou a pular parecendo uma criança na manhã de natal – Tenho certeza de que você será a noiva mais bonita de todas e eu ficarei muito honrada de estar ao seu lado como madrinha no dia mais importante da sua vida.
Em seguida ela me abraçou com tanta força que não sei como não quebrei nenhuma costela.
– Ora, Klaus! – ela disse quando se afastou e quando eu me virei dei de cara com meu noivo atravessando o saguão na nossa direção – Que surpresa te ver aqui!
– Acho que posso dizer o mesmo – comentei quando ele me deu um selinho – O que você está fazendo aqui, meu amor?
– A reunião demorou mais tempo do que eu estava imaginando, tanto que eu precisei mandar uma mensagem para o centro comunitário desmarcando as minhas aulas de hoje – fez uma careta, sem o quanto ele detesta faltar aos compromissos, anda mais quando se trata das aulas no centro comunitário – E como já estou indo para casa, pensei em passar aqui para buscar a Libby.
– Foi mesmo uma boa – concordei – Mas acontece que a Libby não está aqui agora.
– Isso eu percebi – pensou que eu estava me referindo a ela não estar aqui no saguão – Aposto que ela está lá dentro do a Rebekah, não é mesmo?
– Na verdade ela não está aqui no hotel... – expliquei melhor – A sua mãe a levou para passar o dia no shopping.
– Como é? – Klaus gritou tão alto que a sua voz ecoou pelo ambiente, por sorte o hotel estava vazio hoje ou seria um espetáculo e tanto – Como você pode fazer uma coisa dessas, Caroline?
– Achei que seria mais divertido para ela do que passar o dia inteiro aqui – lembrei – Além disso, é bom que ela passe um tempo com a sua mãe, que é avó dela afinal de contas.
– Você sabe que eu tenho sido cuidadoso em afastar a nossa filha de tudo que envolve essa família! – continuou – Você muito bem disso, mas mesmo assim a entregou de bandeja para a minha mãe!
– É só uma ida inocente ao shopping, Klaus – sei que não devia, mas acabei revirando os olhos – Além disso, a sua mãe sempre te apoiou em todas as suas escolhas, você mesmo já me disse várias vezes.
– Só me apoiou achando que eu mudaria de ideia em algum momento – lembrou – Eu já te falei isso e você mesma viu; ela está te usando para tentar me manipular e agora está querendo usar a Libby também. E vai conseguir se você continuar ajudando!
– Klaus, a Libby não tem nem três anos de idade – acabei elevando o meu tom de voz também, detestava quando ele começava a ficar paranóico desse jeito – Ela é pequena demais para ser influenciada a respeito da carreira que vai seguir quando for mais velha.
– Mas é assim que começa – prosseguiu com os seus argumentos absurdos – Agora Libby está só com três anos, mas se a deixarmos convivendo com a minha mãe, logo ela vai estar com 18 anos e dizendo que vai fazer hotelaria para assumir o negócio da família. Eu vi isso acontecer, Care, seis vezes.
– E qual seria o grande absurdo se ela decidir fazer hotelaria? – quis saber – Foi o que eu escolhi e estudar e sinceramente, ficaria muito feliz se a minha filha seguisse os mesmos passos que eu.
– Não tem problema nenhum – respondeu – Mas ela quem tem que escolher, não ser forçada por alguém.
– Pois parece que você está querendo fazer essa escolha por ela – apontei o dedo na direção de Klaus – Querendo que ela escolha qualquer coisa que não tenha nada a ver com hotelaria, qualquer coisa que não permita que ela trabalhe com qualquer coisa ligada a hotéis. E isso é tão ruim quanto o que o seu pai fez com você e os seus irmãos.
– É melhor vocês dois se acalmarem... – quase tinha me esquecido da presença de Katherine, nesse momento ela estava com a mão no ombro em uma tentativa de me acalmar – Pode não ter ninguém aqui, mas ainda é um lugar público, tenho certeza de que nenhum dos dois quer que os hóspedes escutem a discussão de vocês.
– Família é importante – continuei, ignorando totalmente o que minha amiga tinha falado – Se tivesse uma família tão grande quanto a sua, ia querer que a Libby convivesse com os avós e os tios.
– Mas essa não é a sua família, é a minha e eu a conheço milhares de vezes melhor que você – insistiu – Sei muito bem que eu posso deixar conviver ou não com a minha filha.
– Acontece que ela é minha filha também – já estava gritando novamente, mas mesmo assim foi possível ouvir passos se aproximando.
– O que está acontecendo aqui? – era a voz de Rebekah – Nik, o que você está fazendo aqui?
– Já estava de saída – disse de forma ríspida para a irmã – E Caroline, é melhor você ligar para a minha mãe voltar logo do shopping e então levar a Libby imediatamente para casa.
– Bekah esperou que ele tivesse passado pela porta de saída do hotel antes de voltar a se virar para mim.
– Está tudo bem, Care? – passou a mão pelo meu cabelo enquanto perguntava – Parece que vocês e o Nik andaram brigando.
Mas eu não consegui falar mais nada, pois já tinha caído no choro.
***
Por fim, Katherine acabou contando tudo que tinha acontecido. Minha cunhada me levou para a sala dela alegando que eu precisava me acalmar.
– Aqui está, é água com açúcar – ela me entregou o copo, foi só nesse momento que eu percebi o quanto estava tremendo – Se quiser eu posso pedir para te fazer um chá de camomila.
– Eu não quero... – neguei com a cabeça.
– Simplesmente não consigo acreditar que o meu irmão falou todas aquelas coisas para você – se ajoelhou ficando em frente a mim – Ele sempre foi intrigado em relação a nossa família, mas isso tudo já está virando uma grande obsessão.
– Ele disse que é tudo para proteger a Libby – fiz uma careta – Mas tenho as minhas dúvidas.
– Tenho certeza de que aquilo tudo aconteceu no calor do momento – garantiu – Espere vocês se acalmarem, tenho certeza de que vocês irão se ajeitar.
– Será? – duas batidas na porta interromperam a nossa conversa.
– Com licença... – era Kath – A senhora Mikaelson acabou de chegar com a Libby, eu disse que você estava com um pouco de dor de cabeça e por isso veio aqui para dentro.
Ótimo... Não pude deixar de agradecer mentalmente pela minha filha não ter escutado todas aquelas barbaridades que o pai me disse.
– Não quero voltar para casa – avisei – Ir para lá agora não fará bem nem para mim nem para minha filha.
– Você tem razão, Care – minha amiga concordou – Vocês podem ficar comigo o tempo que você precisar, seu antigo quarto ainda está lá, nunca precisei dele para nada e por isso o mantive do jeito que você deixou.
– Obrigada, Kath – dei um pequeno e fraco sorriso.
– Você e a Libby não tem nenhuma muda de roupa – foi Bekah quem lembrou – Vocês não podem ficar apenas com a roupa do corpo.
– Eu sei disso – concordo – Mas não quero colocar os pés naquele apartamento, não quero olhar para a cara do Klaus.
– Posso passar lá e pegar algumas roupas para vocês – sugeriu – Vou ligar para o Marcel, ele pode me ajudar com isso.
– Obrigada também, Bekah – voltei a sorrir – Vocês duas estão sendo realmente grandes amigas.
– E é exatamente isso que somos – Kath lembrou.
– Você está nervosa é o mínimo que eu poderia fazer – minha cunha deu um beijo no topo da minha cabeça – Tenho certeza de que você e o Klaus vão se acertar rapidinho.
Apesar de Rebekah ter falado com tanta convicção, eu mesma não estava certa que as coisas seriam assim tão simples. Posso estar pensando isso de cabeça quente e talvez até mude de opinião logo, mas a minha intenção no momento é não ver Klaus até ir embora para Washington, ele se quiser pode ir atrás de mim.
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