Second Chance
22 Capítulo 21 – Adeus, Londres
Notas iniciais
— Onde é que ele está? – Libby andava na ponta dos pés enquanto caminhávamos para fora da área de embarque em uma falha tentativa de ver por cima da multidão – Você não disse que o vovô Bill ia vir nos buscar no aeroporto?
— Sim, ele vem mesmo nos buscar – afirmei; pelo menos era isso que o meu pai disse para mim ao telefone há dois dias, apesar da minha insistência que eu poderíamos muito bem ir de táxi – Venha, vamos procurá-lo – segurei minha filha com uma das mãos e com a outra empurrei o carrinho de malas.
Como sempre acontece no aeroporto de Washington, o local estava lotado, mas mesmo assim não demorou muito para eu achar que eu estava procurando. Só que não era meu pai quem veio nos buscar e sim o meu padrasto, ele estava um canto e segurava uma placa em que se lia “Caroline e Libby”, não pude deixar de sorrir com aquela brincadeira.
— Olha ele ali! – Libby soltou a minha mão segundos antes de sair correndo – Vovô Steven! Vovô Steven!
Quando eu me aproximei, Steven já tinha pegado minha filha no colo e estava comentando o quanto estava feliz em vê-la e sobre como ela parecia bem mais alta pessoalmente.
— E ai está ela! – abriu um sorriso e disse assim que eu cheguei perto o suficiente para poder escutá-lo – Caroline, querida, você está ótima!
— Obrigada, Steven, você também está ótimo – respondi, imitando o seu gesto – Mas onde é que está o meu pai? Pensei que ele quem fosse vir nos buscar no aeroporto.
— O Bill teve uma reunião de emergência com um cliente muito importante – explicou – Então eu me ofereci para vir buscar vocês.
— Você não precisava ter largado a delicatessen apenas por nossa causa, Steven – avisei – Era só ter mandando uma mensagem para o meu celular que nós pegávamos um táxi. Posso estar longe de Washington há cinco anos, mas ainda sei o endereço de vocês.
— Não foi problema nenhum vir buscar vocês duas no aeroporto – garantiu – E sobre a delicatessen você também não precisa se preocupar, eu deixei a Hanna tomando conta de tudo.
Lembro-me que quando conheci a Hanna ela estava começando a faculdade de gastronomia e provavelmente se formou um ano depois que eu terminei o curso de hotelaria e fui embora para Londres. Fico feliz em ver que ela parece estar seguindo os seus sonhos.
— Mas falando em delicatessen, imagino que vocês duas estejam com fome – comentou em seguida – O que acha de irmos até lá almoçar? É por minha conta, é claro.
— Sim! – Libby levantou os dois braços, totalmente animada – Vamos, mamãe?
— O que você acha, Caroline? – meu padrasto voltou a perguntar.
— Se é o que a Libby quer – dei de ombros – E sendo sincera, eu também estou começando a ficar com fome. Foi mesmo uma longa viagem daqui até a Londres – quase no mesmo instante, pude ouvir o meu estômago roncar.
— Então vamos lá... – ficou na minha frente e começou a empurrar o carrinho das malas no meu lugar – Deixa que eu levo isso para você.
— Steven – o reprimi; ele ia mesmo carregar a minha filha no colo e ainda levar as malas? – Deixe-me fazer alguma coisa...
— De maneira nenhuma – disse – Você deve estar exausta por causa da viagem, deixe-me fazer as coisas por você, pelo menos por hoje.
Sei perfeitamente que se meu pai tivesse vindo me buscar teria a mesa atitude, então decidi ficar quieta.
— Bom, então vamos indo... – completei.
Assim que chegamos ao estacionamento senti o vento frio batendo no meu rosto. Então fomos caminhando até o carro, que não estava muito longe da entrada do aeroporto.
— Deixe-me colocar as coisas dentro do porta-malas – Steven anunciou – E não adianta reclamar que eu estou fazendo o trabalho todo, não vou aceitar a sua ajuda para isso.
— Certo... – revirei os olhos.
E agora é oficial, estou mesmo de volta a Washington. Vivi coisas boas e ruins nessa cidade, mas de certa maneira, é bom estar de volta.
— Prontinho... – estava tão distraída que só quando meu padrasto voltou a me chamar, as malas já estavam dentro do carro e Libby também estava sentada no banco de trás e até mesmo presa no sinto de segurança – Podemos ir, Caroline?
— Claro – concordei antes de abrir a porta do passageiro e me sentando no banco.
***
*Flashback*
Depois do dia que eu tive um banho era mesmo tudo de que eu precisava. Fiquei mais de uma hora relaxando dentro da banheira e só decidi sair quando todas as espumas dos meus sais de banho já tinham desaparecido.
Como combinado, Rebekah já tinha ido ao meu apartamento pegar algumas roupas para mim e para a minha filha, infelizmente não foram muitas, mas o suficiente para nos virarmos por pelo menos uma semana. Escolhi uma roupa confortável e me vesti antes de voltar para a sala.
— Ouvi barulho de passos e imaginei que você tivesse saído do banho – Katherine surgiu alguns instantes depois – Está tudo bem?
— Vou ficar bem – afirmei – E onde é que está a Libby?
— Acabei de fazer um sanduíche para ela – respondeu – Ela se comportou muito bem aqui comigo.
Era mesmo um alívio ouvir isso. Percebi que minha filha ficou muito assustada quando disse que precisava sair de casa e não caminho do hotel até aqui ela não parava de perguntar sobre o pai e porque ele não estava aqui conosco. Por sorte agora já estava mais calma.
— Se você quiser eu posso preparar um sanduíche para você também – sugeriu.
— Não precisa – neguei com a cabeça enquanto me sentava no sofá – Eu não quero te dar trabalho.
— Não é trabalho nenhum, Care – garantiu.
— É sério, Kath, não precisa – voltei a responder – Eu nem mesmo estou com fome agora.
— Mas você precisa se alimentar, Caroline – insistiu, pude até mesmo sentir certo tom de repreensão na sua voz – Nem que seja um chá com torradas, talvez até uma sopa; eu posso preparar para você em uns vinte minutos.
— Eu como alguma coisa mais tarde – prometi – Mas tenho a impressão de que no momento não consigo aguentar nada no meu estômago.
Se você diz... – continuou – Mas saiba que eu vou ficar de olho, para saber se você vai mesmo comer alguma coisa depois como está dizendo – conheço Katherine Pierce bem o suficiente para saber que ela vai mesmo cumprir a “ameaça”.
Uma música, que reconheci imediatamente como toque do meu celular, ecoou pelo ambiente, interrompendo a nossa conversa. Minha bolsa estava ali em cima do sofá e eu a peguei o aparelho para ver quem estava ligando; o número da minha casa piscava no identificador de chamadas.
— Ele já deve ter tocado umas cinco ou seis vezes desde que você foi tomar banho – minha amiga se referiu ao meu telefone, ela provavelmente já desconfiava de quem se tratava.
— Isso não me surpreende – disse ao mesmo tempo em que apertava o botão para rejeitar a chamada – Sabia muito bem que o Klaus iria tentar me ligar, principalmente depois que a Rebekah passou lá para buscar as minhas coisas.
— E você não vai atender? – quis saber no momento em que eu coloquei o celular em cima da mesa de centro – Ele está ligando, o que quer dizer que ele está tentando se desculpar pelo que aconteceu mais cedo e era isso que você queria, não é mesmo?
— Você viu como ele falou comigo, Kath – lembrei – É preciso mais do que um pedido de desculpas para que eu possa perdoá-lo.
— Care, eu concordo que o Klaus está sendo um idiota e até mesmo um pouco paranóico com essa ideia de não querer conviver com a ninguém da família além da Rebekah – observou – Mas pensa bem: vocês dois tem um relacionamento de cinco anos, uma filha juntos e ainda estão noivos, pensei que o amor de vocês fosse forte o suficiente para superar um obstáculo desses.
Noivos... Com tudo isso que tinha acontecido até mesmo me esqueci daquele adorável pedido de casamento que Klaus me fez há apenas três dias. Rapidamente olhei para aliança que continuava a brilhar no dedo anelar da minha mão direita; como é possível que as coisas podem ter mudado em tão pouco tempo?
— A não ser que tudo isso seja uma desculpa para não se casar com o Klaus – sua voz saiu como um sussurro, mas eu estava próxima o suficiente para ouvir.
— O que você quer dizer com isso, Katherine Pierce? – quis saber imediatamente – Você acha que eu aceitei o pedido do Klaus, mas que na verdade eu não pretendo me casar?
— Bom..., você está há pelo menos três anos dizendo que não precisa se casar e que a relação estável de vocês já era mais do que o suficiente – deu de ombros – Sei que no fundo você nunca esqueceu o seu ex-namorado lá de Washington e...
— Pode parar com isso, Katherine – a interrompi – O Stefan não tem absolutamente nada a ver com isso.
Kath é a única que sabe de tudo a respeito da minha “antiga vida”. Como minha melhor amiga, contei a ela todos os detalhes do meu relacionamento com o Stefan, incluindo o fato dele ter me trocado pela Elena.
— Pois é exatamente o que está parecendo – continuou – Eu ainda me lembro exatamente de quando você me disse que gostava do Klaus e tudo mais, mas que ele não era o Stefan.
— Tudo bem, eu admito que disse isso, mas foi há cinco anos – dei ênfase ao “há cinco anos” – As coisas mudaram muito de lá para cá; desde então eu já vivi coisas com o Klaus que eu nunca vivi e que jamais viverei ao lado do Stefan.
— Tudo bem, não está mais aqui quem falou... – levantou as duas mãos em sinal de rendição – Eu só estava falando algo que eu estava pensando.
— Pois pensou errado... – voltei a cortá-la.
— Tia Kath – nós duas nos viramos a tempo de encontrar Libby parada na porta da cozinha – Eu queria um pouco de suco.
— Vou pegar para você, princesinha – ela avisou enquanto caminhava na direção da minha filha – Você vai querer suco de que?
— Tem suco de uva? – quis saber.
— Claro que tem, vamos lá pegar – afirmou enquanto a pegava no colo – Eu já volto, Care.
Concordei com a cabeça e quando as duas desapareceram no outro cômodo, passei e encarar o teto. Falar de Stefan me abalou mais do que eu gostaria de admitir e nesse momento tomei a minha decisão de que vou evitá-lo o máximo que puder quando chegar a Washington, principalmente porque irei, pelo menos a principio, sem o Klaus.
— Prontinho, ela já está tomando o suco... – Katherine voltou menos de um minuto depois e dessa vez sentou-se no sofá, bem ao menos lado – Agora, sobre o nosso assunto anterior: Care, eu quero muito que você e o Klaus se acertem o mais depressa possível, mas quero que você saiba que você e a Libby podem ficar aqui comigo o tempo que quiser e que precisar é claro.
— Obrigada pelo seu apoio, Kath – falei – Mas posso afirmar que você não vai precisar nos aguentar por muito tempo.
— Você ouviu o que eu acabei de falar, Caroline? – revirou os olhos – E não se preocupe achando que está tirando a minha privacidade ou algo do tipo. Esse apartamento já o seu antes de ir morar com Klaus e quero que continue se sentindo em casa aqui.
— Não por isso que eu estou dizendo que vou embora – balancei a cabeça negativamente – Eu... Eu queria te contar isso em uma situação melhor, mas... Acontece que Esther ofereceu para cuidar do novo hotel da rede em Washington e eu aceitei o convite, por isso estou indo embora de Londres em um mês.
— Uau... Então era sobre isso que você tinha ido falar com a senhora Mikaelson hoje de manhã? – balancei a cabeça negativamente – Acho que das milhares de coisas poderiam passar pela minha cabeça essa era a única que jamais poderia ter imaginado. Você voltando para Washington, depois de tantos anos morando aqui em Londres.
— A principio eu não queria aceitar – expliquei – Mas eu vou estar mais perto do meu pai e da minha mãe também, isso vai ser uma coisa boa e foi o argumento que o Klaus usou para me convencer.
— Então o Klaus também vai com vocês para Washington – pareceu bem animada com a minha afirmação – Isso é uma coisa boa.
— Bom essa era a intenção pelo menos: eu ir com a Libby agora e ele ir depois – dei de ombros – Mas agora, eu não sei exatamente o que vai acontecer.
— Desculpa ter tocado nesse assunto de novo, Care – colocou a mão sob a minha – Mas sabe, vai ser estranho saber que você não vai mais estar aqui na mesma cidade que eu e também saber que não vou te ver todos os dias no trabalho.
— Vai ser estranho para mim também – admiti – Mas quero que saiba que vamos estar esperando a sua visita lá em Washington, eu e a sua afilhada.
— E eu vou mesmo, pode me esperar – garantiu.
— Tudo bem, mas agora chega de falar de mim – pedi – Como é que estão as coisas entre você e o Elijah?
— Sério mesmo que você está me perguntando isso, Caroline? – revirou os olhos.
— Sim, é exatamente isso que eu estou perguntando – insisti – Quero saber todos os detalhes, ou melhor, nem todos os detalhes, é claro.
Nos duas rimos e em seguida continuamos a conversar até estar bem tarde. Era mesmo muito bom ter uma amiga para nos distrair e nos ajudar a esquecer dos problemas, mesmo que momentaneamente.
*Fim do Flashback*
***
— E como é que está o Klaus? – apesar de saber que uma hora ou outra iria precisar falar dele, a pergunta do meu padrasto naquele momento me pegou totalmente de surpresa.
Dei uma rápida olhada em Libby, que nesse momento está totalmente distraída com o seu hambúrguer e não parece estar prestando a menor atenção na nossa conversa.
— Ele está bem... – respondi, por fim – Trabalhando bastante, é claro, mas pelo menos ele está fazendo o que gosta.
— Isso é sempre importante – concordou – E você tem ideia de quando ele vai vir aqui para Washington encontrar vocês?
— Ainda não sei exatamente, ele precisa resolver algumas coisas antes de vir para cá – dei de ombros – Mas eu espero que até lá já tenha encontrado algum apartamento para nos mudarmos.
— Esse é o momento em que eu faria um discurso de que a minha casa e a do seu pai também é sua e que posso até me sentir ofendido por você querer ir embora – avisou – Mas sei que você e o Klaus precisam o cantinho de vocês, então realmente não vou discutir.
Espero que meu pai pense da mesma maneira que você, Steven – admiti.
— Tenho certeza de que ele pensa da mesma maneira, minha querida – respondeu – Acredite, mim: depois que você saiu de casa quando começou a faculdade e ainda morou fora do país por cinco anos, o Bill já percebeu que você não é mais uma garotinha.
Passei anos sem conseguir entender o motivo do meu pai ser tão super protetor comigo e confesso que isso até chegou a me irritar por um tempo. Mas tudo isso mudou depois que eu me tornei mãe.
Voltei a pegar o garfo na minha frente e continuei a comer a minha salada.
— Você tem certeza de que está mesmo tudo bem, Caroline? – Steven voltou a me questionar.
— Claro que está tudo bem! – meu tom de voz saiu mais agudo que o normal — Por que você está me perguntando isso, Steven?
— Pode ser só impressão minha, mas você parece um pouco triste – deu de ombros enquanto explicava.
Soltei um longo suspiro, eu posso até conseguir enganar o meu pai, mas nunca consigo fazer o mesmo com o meu padrasto e já devia saber disso depois de tantos anos de convivência.
— Pois é apenas impressão – garanti, apesar de saber que essa era uma tarefa quase inútil – Eu só estou um pouco cansada, tenho trabalho muito no hotel nas últimas semanas, sem contar que foi uma viagem longa até aqui.
— Se é o que você diz – ele não parecia muito convencido, mas pelo jeito decidiu não insistir mais nesse assunto.
— Vovô Steven – Libby interrompeu a nossa conversa, acho que por um pequeno instante eu quase me esqueci que minha filha estava aqui conosco – Aqui no seu restaurante tem sobremesa?
— É claro que tem, minha lindinha – pegou um guardanapo e limpou sua boquinha suja de catchup – Nós podemos perguntar para a sua mamãe e se ela disser sim, posso pedir para te prepararem um sundae gigante.
— Eu posso, mãe? – virou-se na minha direção para poder perguntar.
— Bom..., porque você não termina de comer o seu hambúrguer antes? – sugeri – Assim vamos ver ser a sua barriguinha Aguenta mesmo tomar um sorvete.
— Tudo bem – concordou balançando a cabeça afirmativamente – Mas eu tenho certeza de que eu aguento sim.
— Vamos ver então... – disse.
— Sabe, Caroline, eu fico feliz em saber que você não tentou passar os seus hábitos vegetarianos para a Libby – Steven voltou a falar enquanto observava a minha filha voltar a comer o seu hambúrguer – Não que eu esteja criticando as suas escolhas, mas ela ainda é muito pequena e precisa de todos os nutrientes possíveis.
— Acredite em mim, Steven eu bem que tentei, mas o Klaus usou esse mesmo argumento, então tive que ceder e deixá-la comer carne – foi impossível não revirar os olhos com a lembrança – Mas fico feliz em dizer que a Libby até come tofu e outros alimentos feitos de soja e por escolha dela mesma.
— Com licença... – uma voz muito conhecida ecoou pelo ambiente – Quando me contaram que você estava aqui tive que vir cumprimentá-la.
— Hanna! – me levantei para poder abraçar minha antiga colega de trabalho – Também é muito bom te ver!
Apesar de não ser difícil de reconhecê-la, Hanna estava bem mudada em relação a última vez que nos vimos. Seu cabelo no mesmo tom de loiro que meu tinha algumas mexas um pouco mais claras, estava usando uma maquiagem mais leve do que quando trabalhava no balcão e a roupa de chefe de cozinha lhe dava um ar mais profissional do que nunca.
— Quando soube que você estava vindo morar aqui em Washington novamente fiquei muito feliz – continuou – Temos tanta coisa para conversar e para colocar em dia.
— Hanna agora é a minha assistente na cozinha – meu padrasto explicou- E posso dizer que ela é muito competente no que faz e é uma das que mais trabalha nesse restaurante.
— Não sabe o quanto eu fico feliz por você,Hanna – comentei com a minha amiga – Sei que esse era um dos seus grandes sonhos e estar conseguindo realizá-lo.
— Mas você também está realizando um grande sonho seu – lembrou – Fiquei sabendo que você vai cuidar de um famoso hotel aqui em Washington e você deve estar bem feliz com isso.
— Não vou mentir, eu estou mesmo muito feliz com isso – afirmei.
— Bom, essa deve ser a sua filha – virou-se para Libby com um enorme sorriso – Ela é uma graça!
— Essa é a Elizabeth – passei a mão pelo cabelinho da minha filha – Mas pode chamá-la de Libby.
— Oi Libby... – voltou a falar diretamente com ela – Eu sou uma antiga amiga da sua mãe da época em que ela morava aqui em Washington.
— Exatamente – concordei – Eu e a Hanna trabalhávamos juntas aqui no restaurante do vovô Steven.
— Que legal! – disse.
Um telefone começou a tocar, atrapalhado momentaneamente a nossa conversa. Foi quando vi meu padrasto pegando o telefone no bolso da calça jeans.
— É o seu pai... – disse para logo após olhar o identificador de chamadas – Preciso atender – balancei a cabeça afirmativamente enquanto ele se levantava – Oi, meu querido...
Steven foi se afastando para poder conversar melhor com o meu pai.
— Sabe quem costuma vir muito aqui? – Hanna voltou a falar depois de alguns segundos – O Stefan, ele tem vindo aqui pelo menos uma vez por semana nesses últimos cinco anos.
Não posso dizer que é exatamente uma surpresa ouvir isso, afinal, sabia o quanto Stefan gostava da delicatessen do meu padrasto e costumávamos vir muito aqui quando estávamos namorando. Além disso, era óbvio que meu pai jamais saberia que eu ficasse sabendo disso enquanto estava em Londres.
— Eu não devia ter comentando sobre isso – bateu a mão na própria testa – Vocês terminaram antes de você ir embora e imagino que tudo que não deve estar querendo é saber do seu ex-namorado.
— Não tem problema, Hanna, é sério – garanti – Mas me diga: ele costuma vir aqui sozinho ou acompanhado?
Infelizmente minha amiga não teve tempo para responder, pois nesse mesmo instante Steven já estava de volta.
— Está tudo bem? – quis saber enquanto olhava de mim para Hanna repetidas vezes.
— Está sim... – afirmei tentando disfarçar, mas a verdade é que agora vou ficar nessa dúvida na minha cabeça e isso é extremamente frustrante.
— Bom Caroline, foi bom conversar com você, mas agora eu preciso voltar ao trabalho – ela se aproximou e deu um beijo meu rosto – A gente se vê em breve – acenou para Libby antes de ir na direção da cozinha.
— O seu pai ligou para saber se vocês tinha chegado bem e também para avisar que a reunião vai demorar um pouco mais do que estava planejando – meu padrasto comentou – O que significa que ele vai se atrasar um pouco para jantar.
— Então está bem – lamentei, confesso que estou ansiosa para ver o meu pai pessoalmente pela primeira vez depois de três anos, mas se ele está ocupado com o trabalho, o jeito é mesmo esperar.
Depois disso, nós três terminamos tranquilamente as nossas refeições.
***
*Flashback*
Parei o carro no estacionamento em frente ao meu prédio e não posso deixar de pensar que é um pouco estranho voltar aqui depois de cinco dias “morando” com a Katherine.
— Tudo bem, Caroline, fique calma – disse para mim mesma ainda dentro do veículo – É só uma conversa, você deve isso a ele.
Como eu já desconfiava, no momento em que abri a porta da sala, Klaus estava sentado no sofá me esperando.
— Oi... – ele deu um sorriso sem graça enquanto me cumprimentava.
— Oi... – também o cumprimentei e em seguida passamos por alguns segundos de silêncio constrangedor – Você parece ótimo – falei a primeira coisa que passou pela minha cabeça.
— Você só está dizendo isso para ser simpática – revirou os olhos – Eu estou horrível sem vocês duas aqui comigo.
Foi só então que eu realmente reparei na aparência do meu noivo e ele estava mesmo péssimo. Suas roupas estavam amarrotadas, os cabelos bagunçados e também estava com duas enormes olheiras, nesses cinco anos que a gente se conhece, acho que nunca o tinha visto dessa maneira.
— E como é que está a Libby? – quis saber em uma tentativa de descontrair o ambiente.
— Ela está ótima – respondi – Está gostando de passar um tempo com na casa da madrinha e, é claro, a Katherine está fazendo todas as vontades dela.
— Já imaginava uma coisa dessas – riu – E você está levando ela para o hotel com você nesses dias?
Fiquei um pouco receosa com a pergunta, afinal esse foi o motivo da nossa briga.
— Não tem problema se você estiver fazendo isso – afirmou.
— Mas eu não estou levando – disse – Uma vizinha que eu já conhecia da época em que dividia o apartamento com a Kath está cuidando da Libby enquanto eu estou trabalhando.
— Care, eu sinto muito – voltou a mudar de assunto – Eu realmente não queria brigar com você daquele jeito, confesso que exagerei um pouco na minha reação Você não tem culpa dos problemas que eu tenho que a minha mão e com os meus irmãos.
— Acredite em mim, Klaus, não estou mais com raiva de você – admiti – Pensei muito em tudo que aconteceu nesses últimos cinco dias e talvez eu também tenha exagerado na minha reação.
— A verdade é que eu tenho medo de que você realmente não queira se casar comigo – continuou, parecendo ignorar o que eu tinha acabado de falar – E que na verdade você vai ficar me enrolando com esse noivado.
— Klaus, eu jamais teria aceitado o seu pedido de casamento se não fosse isso que eu quisesse – tentei deixar o que eu sentia da maneira mais clara possível – O que faz você pensar uma coisa dessas.
Então era isso, Klaus não confiava 100% em mim ou nas minhas palavras. Apesar de ter certeza absoluta do que eu quero, dói saber que meu namorado (ou melhor, meu noivo), pensa dessa maneira.
— Klaus, o conheci você em um momento muito delicado da minha vida: eu tinha acabado de sair de um relacionamento difícil e tinha acabado de perder um bebê – prossegui – Estava em um momento que pensei que nunca mais poderia ser feliz, mas aqui estamos nós, cinco anos depois, uma vida inteira construída juntos, além de uma linda filha. Acho que não tenho palavras para demonstrar o quanto você é importante para mim e seria uma completa idiota se não quisesse me casar com você.
— Acontece que você nunca foi totalmente sincera comigo – lembrou – Sei poucas coisas a respeito do seu passado e isso realmente me frustra.
Logo que nos conhecemos Klaus disse que não se importava com o meu passado e que não queria saber o que aconteceu comigo antes de vir para Londres. Mas pelo jeito foi só por falar mesmo.
— A verdade é que a nossa ida para Washington me deixou um pouco inseguro – respondeu como se tivesse acabado de ler os meus pensamentos – Você irá para lá antes de mim e estará sozinha na mesma cidade do seu ex-namorado.
— Um ex-namorado que eu não vejo há mais de cinco anos e que está casado com outra – tive que argumentar – Sem contar que eu estou com você, não tenho porque procurá-lo.
Eu me aproximei e coloquei a mão no seu rosto antes de unir os nossos lábios.
— Talvez eu esteja exagerando – colou a testa na minha – Mas também acho que esse noivado pode ter sido um pouco precipitado.
— O que? – me afastei dele, assustada – Klaus, você não pode estar falando sério!
Senti as lágrimas acumulando no canto dos meus olhos. Como é que ele pode pensar em uma coisa dessas depois de tudo que vivemos?
— Care, você mesma disse que queria um tempo para contar ao seu pai sobre o nosso noivado – lembrou – Então vá para Washington sem termos nenhum tipo de compromisso e quando ambos estivermos prontos, iremos encontrar o caminho um para o outro
Acho que o Klaus pode ter razão. A verdade é que as coisas entre nós aconteceram totalmente depressa, estávamos curtindo o nosso namoro quando eu acabei engravidando e decidimos morar juntos; talvez um tempo longe um do outro seja mesmo bom para nós dois.
— Certo... – retirei o anel de noivado e entreguei para ele.
— Não, eu quero que você fique com ele – tentou me devolver – Eu comprei para você e quero que você fique com ele.
— Klaus, não estamos mais noivos – me doía dizer aquilo, mas infelizmente era a mais pura verdade – Não faz sentido que eu fiquei com o anel agora, sem contar que eu não saberia como explicar para o meu pai porque eu tenho um anel de noivado sem estar noiva.
Apesar de parecer relutante, ele acabou concordando. Não tinha mais o que fazer aqui, já podia ir embora.
— Espera, Care – Klaus segurou o meu braço antes que eu pudesse chegar a porta — Onde é que você vai?
— Voltar para a casa da Katherine – respondi – Se vamos ficar separados quando eu for para Washington, talvez seja melhor começarmos com isso agora, assim será menos doloroso depois.
— Jamais quis te fazer ir embora, Caroline – afirmou – Se quiser eu posso sair do apartamento e você volta para cá com a Libby.
— Estamos muito bem onde estamos, não precisa se preocupar – garanti – Além disso eu a Libby estamos há poucos minutos daqui e você pode ir nos ver sempre que quiser.
Fiquei na ponta do pé para beijá-lo mais uma vez. Isso não era uma despedida, apenas um “até logo”.
— Antes de ir para Washington vou voltar aqui para pegar o restante das minhas coisas e as da Libby – completei antes de finalmente sair do apartamento.
*Fim do flashback*
***
Não foi nenhuma surpresa quando pegamos um engarrafamento no caminho da delicatessen para casa do meu pai. Agora estava mesmo começando a me sentir em Washington.
— Você pretende procurar a Elena agora que está de volta? – eu estava distraída olhando para os carros parados ao nosso redor quando Steven me perguntou.
— Decididamente não – disse sem pensar duas vezes – Elena e eu não temos absolutamente mais nada em comum.
— Uma das lembranças que eu tenho das duas pequenas é de vocês brincando e dizendo que vocês seriam madrinhas de casamento uma da outra e também dos filhos uma da outra – sorriu enquanto falava – É triste ver que vocês desistiram desse sonho.
O comentário do meu padrasto me fez pensar se ele sabe se Stefan e Elena já tiveram filhos ou não. Apesar de saber que eles estão casados e que até eu mesma já segui em frente e até tenho uma filha com outro, é estranho imaginar Stefan sendo pai de um filho da minha antiga melhor amiga.
— Já se passaram cinco anos, Steven, muitas coisas aconteceram – lembrei – Elena e eu não temos mais nada em comum.
— Acho que você deveria pensar melhor no assunto – sugeriu – Sei perfeitamente de tudo que aconteceu, mas você mesma acabou de dizer, muitas coisas aconteceram nesses cinco anos. Tem certeza de que quer destruir uma amizade tão linda como a de vocês?
Mas eu já tomei a minha decisão e nada que Steven ou até mesmo o meu pai possam falar vai me fazer mudar de ideia.
— Acredite, eu tenho os meus motivos para estar fazendo isso – garanti.
Dei uma rápida olhada pelo espelho retrovisor e pude ver Libby dormindo profundamente no banco de trás do carro. É pela minha filha eu estou fazendo isso, não quero envolvê-la nesse mundo louco de articulações políticas e por ela prefiro continuar me mantendo escondida.
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