Second Chance
19 Capítulo 18 – Em família
Notas iniciais
Quando acordei na manhã seguinte mais uma vez Klaus não estava deitado. Era sempre assim, ele não consegui ficar dormindo por muito tempo, nem mesmo nos fins de semana.
A cortina do quarto estava fechada, então a primeira coisa que fiz quando levantei foi abri-la. Não foi nenhuma novidade ver que o tempo estava totalmente nublado e que provavelmente choveria muito mais tarde.
Peguei um roupão e fui até o banheiro fazer a minha higiene pessoal antes de sair do quarto. Quando cheguei a sala, Libby estava sentada no sofá com a sua costumeira mamadeira matinal e assistia televisão.
– Bom dia, princesinha... – dei um beijo na sua testa, mas minha filha nem ao menos tirou os olhos do desenho no qual estava totalmente concentrada no momento – Tudo bem, você não quer falar comigo.
Entrei então no outro cômodo imaginando encontrar o meu noivo preparando o nosso café da manhã, mas ao invés disso ele estava com o telefone no ouvido e andava de um lado para o outro da nossa espaçosa cozinha.
– Sim, eu entendi... – revirou os olhos enquanto falava, quem será que está do outro lado da linha? – Ela acabou de chegar aqui e vamos conversar. Sim a gente se vê mais tarde, até...
Klaus revirou os olhos e colocou o telefone em cima da mesa.
– Está tudo bem? – quis saber – Você parece preocupado. Com quem estava falando?
– Care, por que você não me disse que a minha mãe estava em Londres? – perguntou, por fim.
Essa não! Com tudo que aconteceu ontem, o pedido de casamento e tudo mais, tinha me esquecido completamente da Esther e de contar ao Klaus sobre a chegada da mãe; não queria que ele descobrisse desse jeito, mas agora era tarde demais.
– Desculpa, Klaus! – apressei-me em dizer – Era para eu ter falado com você ontem, mas...
– Não tem problema, meu amor – colocou as mãos uma sob cada um dos meus ombros – Desde quando você sabe disso?
– Desde ontem, quando ela foi dar uma olhada no hotel – respondi – E ela disse que queria vir aqui em casa jantar conosco e eu concordei, achei que não ia ter problema.
Ele não disse nada, apenas cruzou os braços e ficou me encarando.
– Não fica com raiva de mim, Klaus – pedi – Sei que você tem uma relação difícil com os seus irmãos, mas a sua mãe não tem nada a ver com isso. Eu me sinto mal sabendo que vocês dois quase não conviver, ela mal conhece a neta.
– Você sabe que tenho os meus motivos para estar afastado da minha mãe – lembrou – É o melhor para mim, para você e para a Libby.
– É só um jantar... – insisti – É o que eu te peço: uma noite tranquila jantando com a sua mãe. Prometo que você não vai se arrepender.
– Você não pode prometer uma coisa dessas, Care – revirou os olhos.
– Se não posso te prometer isso, você vai precisar me prometer uma coisa – coloquei os braços em volta do seu pescoço – Comporte-se hoje a noite e tente não falar nada que possa magoar a sua mãe.
– Tudo bem, eu concordo – disse, por fim – Vamos ter um jantar tranquilo aqui: Eu, você, a Libby e a minha mãe.
– Perfeito! – fiquei na ponta do pé para beijá-lo – Estou muito animada para esse jantar, eu mesma vou cozinhar.
– Você vai cozinhar? – pareceu surpreso e levemente assustado – Você tem certeza disso?
– Eu cozinho direito – me defendi – Você lembra daquele suflê de cenoura que eu fiz no seu aniversário? Você e a Libby adoraram...
Admito que a minha experiência culinária não é lá das melhores, tenho meu histórico de pratos queimados e com gostos esquisitos nesses últimos cinco anos, mas eu tenho melhorado.
– O Steven te ajudou a fazer o suflê – lembrou – Tem certeza de que consegue cozinhar sozinha?
– Sim, eu tenho certeza – garanti – Mas, se te deixar tranquilo, eu vou ligar para o Steven e peço ajuda. Satisfeito?
– Muito... – fiz uma careta, mas ele sorriu e puxou o meu rosto para voltar a unir os lábios nos meus.
Klaus continuou a me beijar calmamente e eu me derreti totalmente nos seus braços. Se existe algo que eu nunca vou me cansar é disso.
– Eca... – Libby estava parada no batente da porta fazendo uma careta, ela estava segurando a sua mamadeira vazia.
– Isso mesmo, minha filha: Eca... – meu noivo se afastou de mim para poder pegar a nossa filha no colo – É assim mesmo que você tem que pensar, princesinha.
– Se isso é mesmo nojento, porque vocês fazem? – ela olha confusa para cada um de nós.
– Não liga para o seu pai, Libby — me aproximei e passei a mão pelo seu cabelinho loiro – Isso é uma coisa que os adultos fazem. Para você pode parecer nojento, mas quando for mais velha vai entender o que a gente está falando.
– E sendo mais velha, ela quer dizer: quando você tiver uns 30 ou 35 anos – Klaus prosseguiu.
– Klaus... – o reprimi – Seu pai está brincando, minha filha. Ele só está brincando com você.
– Então está bem, mamãe... – deu um pequeno sorriso antes de Klaus voltar a colocá-la no chão.
– Libby, hoje é um dia muito especial – me ajoelhei para poder ficar na altura dela – A sua avó vem jantar aqui conosco hoje, aqui em casa.
– A vovó Liz vem aqui? – bateu palminhas e vários pulinhos parecendo mesmo bem animada – Que legal! Eu estou com saudades da vovó Liz.
Apesar de minha mãe morar há milhares de quilômetros de distância, ela faz questão de estar sempre ligando para saber como eu estou e também que estar sempre presente na vida da neta e já esteve em Londres duas vezes depois do nascimento da Libby; meu pai nunca esteve aqui em Londres por causa da incompatibilidade dele e do Steven, mas os dois também estão sempre em contato. Minha filha é muito ligada na vovó Liz, no vovô Bill e no “vovô” Steven, essa ração dela não foi nenhuma surpresa para mim.
– Não é a vovó Liz que está vindo para cá – expliquei – E a vovó Esther que está vindo para cá, a mãe do seu papai.
– A mãe do papai? – dá uma rápida olhada para Klaus, que apenas balança a cabeça afirmativamente – Porque eu não conheço ela?
– Você a conhece – meu noivo explicou – Só que você era um bebezinho e por isso não se lembra dela.
– Ah... – continuou – E ela é legal?
– Sim ela é bem legal – fui pega totalmente de surpresa com essa reposta dele – A sua avó tem muitas histórias legais que contava para mim quando eu era pequeno, quem sabe ela não conta uma dessas histórias hoje?
– Vai ser legal – concordou – Mas eu também queria ouvir uma história sua quando era pequeno, papai. Será que ela conta?
Eu e Klaus nos entreolhamos sem conseguirmos deixar de sorrir, Libby é mesmo muito curiosa.
– Quem sabe... – ele apenas deu de ombros.
– Esse jantar vai ser muito legal, não é? – deu para ver que ela estava mesmo bem animada.
– Sim, eu também acho – completei.
***
– Prontinho... – disse enquanto colocava a lasanha verde com espinafre e a berinjela à parmigiana no forno – A salada também está no forno, acho que não falta mais nada, não é mesmo?
– Acho que não, Caroline, o seu jantar 100% vegetariano já está totalmente encaminhado – vi pelo tablet em cima da mesa que meu padrasto sorria, se divertindo muito com toda aquela situação – A não ser que você pretenda fazer mais alguma coisa.
Um pouco depois do almoço Klaus e Libby saíram para comprar as bebidas e a nossa sobremesa, então eu decidi aproveitar esse tempo sozinha para me dedicar totalmente a preparação do jantar. Claro que, como eu tinha prometido ao meu noivo, liguei para o Steven pedindo ajuda e ele se prontificou a fazer isso sem nem pensar duas vezes, embora eu ache que estou atrapalhando a sua tranquila manhã de sábado.
– Pensei em fazer alguma carne, mas o Klaus disse que não tinha necessidade – dei de ombros –Então acho que é isso, está tudo pronto.
– Você tem certeza de que a mãe do Klaus não vai achar ruim? – quis saber – Talvez ela não goste de comida vegetariana.
– Tenho certeza de que ela gosta – garanti; ainda me lembro de quando a conheci logo depois de começar a namorar o Klaus, ela disse que achou interessante descobrir que eu era vegetariana e ficou curiosa para saber a respeito da minha alimentação e talvez repetir algum prato em casa.
– Olha só você! Fazendo jantar para agradar a sogra – comentou e eu não pude deixar de sorrir – Você está feliz e isso é muito bom.
– E eu estou mesmo feliz – afirmei.
– Você deu a volta por cima depois de tudo que aconteceu e reconstruiu a sua vida – continuou – Eu não poderia estar mais orgulhoso de você e tenho certeza de que seu pai pensa da mesma maneira.
Ainda recordo perfeitamente do dia em que contei a meu pai que estava namorando outra vez e mesmo depois de “conhecer” o Klaus e conversarem por hora, sei que ele ficou com o pé atrás, mais por ficar com medo de que a história se repetisse do que por qualquer outra coisa. Claro que o tempo foi passando e ele foi se acostumando que esse relacionamento era mesmo sério e quando eu contei que estava grávida foi muito mais fácil e é claro, Libby é um verdadeiro xodó para ele.
– Posso fazer uma pergunta? – eu tinha me abaixado em frente ao forno para ver como estava a comida, mas quando Steven voltou a falar eu me virei na sua direção – Você ainda pensa no Stefan?
Aquela pergunta me pegou totalmente de surpresa. Apesar dessa vida relativamente perfeita, não posso dizer que Stefan não tenha atormentado meus sonhos e meus pensamentos durante esses cinco anos; ainda imagino como estaria a nossa vida se tivéssemos ficado juntos, se não tivéssemos perdido a Emma e se tivesse ficado tudo bem, mas é claro que não tem como acontecer mais, então tento não sofrer mais pelo que aconteceu.
– O Stefan foi uma linda história da minha vida, apesar de ter acabado da forma que acabou – falei calmamente – Mas ele é passado..., estou com o Klaus agora e temos uma filha juntos e isso é tudo que importa.
– Se você diz... – Steven deu de ombros, não sei se ele acreditou muito nas minhas palavras.
Foi nesse momento que ouviu o barulho de chave abrindo a porta da cozinha. Klaus e Libby tinham acabado de chegar.
– Oi, meu amor! – disse alto o suficiente para que me padrasto ouvisse e não fizesse nenhum comentário a respeito do Stefan – Pensei que fossem demorar um pouco mais.
– Ficamos mais de uma hora e meia fora, Care – avisou e foi só então que eu dei uma olhada no relógio, não tinha ideia que tinha se passado tanto tempo assim – Mas também conseguimos comprar tudo que precisávamos, não foi, Libby?
– Sim! – balançou a cabeça afirmativamente e foi nesse momento que ela olhou o meu tablet em cima da mesa – Vovô Steven!
– Oi, minha princesinha! – ele sorriu quando Libby se ajoelhou na cadeira para poder olhá-lo melhor – Como você está linda hoje! Aliás, você está linda todos os dias, é claro!
– Você também vai vir no jantar de hoje? – ela quis saber – a vovó Esther, que é a mãe do papai, vai jantar aqui em casa hoje.
– Eu sei, princesinha, a sua mãe estava me contando – disse – Mas eu não vou poder ir, estou em Washington agora, eu e o seu avô Bill; estamos muito longe para chegarmos ai a tempo.
– Que pena... – lamentou.
Ora! Olá Steven! – Klaus agora tinha parado entras da nossa filha para poder falar com o meu padrasto – Como estão as coisas?
– Está tudo muito bem, Klaus, obrigado por perguntar – respondeu – Bom, Libby, eu não vou poder estar aí hoje, mas quem sabe eu e o Bill não fazemos uma viagem para Londres em breve ou talvez vocês possam vir a Washington nos visitar.
– Podemos ir até Washington, mãe? – ela me perguntou totalmente esperançosa – Vai ser tão legal!
Voltar para Washington? Confesso que esse era o meu maior desejo no momento em que cheguei a Londres, mas depois de cinco anos eu não tenho nem mesmo planos para voltar aos Estados Unidos, quanto mais a Washington, são muitas lembranças.
– Quem sabe um dia... – coloquei a mão no seu ombro – Vamos ver isso, talvez a gente possa ir nas próximas férias verão.
– Vai ser legal! – concordou.
– Caroline, querida, pode ter certeza de que eu e seu pai vamos ficar muito felizes em receber vocês três aqui – avisou – É só escolherem uma data para virem.
– Nós veremos isso – avisei – Bom, agora eu vou deixar você aproveitar o seu final de semana. A gente se fala depois.
Então eu encerrei a chamada antes de desligar o tablet. Libby continuava sentada na cadeira e agora balançava as perninhas para frente e para trás.
– Muito bem, agora está na hora da senhorita tomar um banho para começar a se preparar para o jantar – avisei – Vai indo para o banheiro que eu te encontro lá, tudo bem?
– Eu não preciso de ajuda para tomar banho, mamãe – reclamou, revirando os olhos – Eu já sou uma garota crescida.
– Certo, garota crescida, mesmo assim eu prefiro não arriscar – conheço muito bem a minha filha, sei que se deixá-la tomar banho sozinha o banheiro vai ficar parecendo uma piscina no final – Mesmo que você saiba tomar banho sozinha, vou te ajudar.
Eu a peguei no colo para colocá-la no chão e botei a mão nas suas costas e a auxiliei para que saísse da cozinha. Quando me virei Klaus estava terminando de colocar as compras na geladeira.
– Que noivo mais eficiente esse que eu arrumei – brinquei – Acho que não poderia ter escolhido alguém melhor.
– Tudo que você me pedir, meu amor – ele se aproximou para me puxar para um abraço – Esse cheiro está muito bom..., só toma cuidado para não deixar queimar.
– Fica tranquilo, Klaus – revirei os olhos – Eu sei quanto tempo a comida precisa ficar no forno.
Klaus sorriu e puxou o meu queixo para me dar um selinho.
– Gostei da maneira como você falou com a Libby sobre a as mãe – continuei – Você a elogiou, falou um pouco da sua infância; gostei muito de ouvir isso e tenho certeza de que a Libby também gostou.
– Apenas estou tentando ser sociável, assim como você pediu – lembrou – Só não vamos fazer disso uma rotina, você sabe que eu tenho medo que a Libby seja influenciada da mesma maneira que os meus irmãos foram.
Eu, sinceramente, não entendo esse medo do meu noivo, afinal, quem forçou os filhos a estudarem alguma coisa foi o pai dele não a mãe. Mas prefiro não comentar, ele deve saber o que está fazendo.
– Pode ficar tranquilo, nós dois não deixaremos isso acontecer – garanti – A Libby será livre para fazer as suas próprias escolhas, assim como aconteceu conosco.
– Isso é tudo que eu quero para a nossa princesinha – concordou.
– Bom, acho melhor eu ir ajudar a Libby com o banho antes que aconteça uma tragédia – avisei enquanto me afastava – Será que você pode ficar de olho no jantar para mim? Pelo que o Steven disse, a comida ainda precisa ficar mais dez minutos no forno.
– Pode ficar tranquila que eu olho – me deu mais um selinho – E mais uma coisa: eu te amo!
– Também te amo... – sorri antes de me afastar.
***
Tinha acabado de escurecer quando Esther chegou; como sempre ela estava bem elegante. Ela pareceu bem feliz quando nos fomos recebê-la na porta.
– Niklaus, meu querido! – ela abraçou o filho com toda força – Que saudades eu estava de você!
– Também senti a sua falta, mãe... – Klaus revirou os olhos e pareceu entediado, mas mesmo assim respondeu.
– Por favor, não vamos mais ficar tanto tempo sem nos vermos – pediu – Eu sinto sua falta tanto quanto sinto dos seus irmãos.
– Sei disso, mãe – afirmou – Mas você também tem que vir mais vezes aqui em Londres.
– Bom, você sabe que eu tenho muito trabalho para fazer em Paris e também tenho que supervisionar os outros hotéis da rede e por isso não posso vir aqui tanto quanto eu gostaria – foi a vez dela inventar uma desculpa qualquer, nós dois sabemos perfeitamente o motivo para ela não gostar de vir a Londres – Caroline, querida, é muito bom revê-la.
– Também estou feliz em revê-la, Esther – afirmei – Libby, porque você não fala com a sua avó?
Minha filha estava abraçada as minhas pernas e em seguida deu apenas um pequeno e tímido aceno.
– Olá, Elizabeth... – minha sogra se ajoelhou para ficar na altura de Libby – Como você está linda! E totalmente parecida com o seu pai.
– Na verdade, mãe, ela se parece muito mais com a Caroline do que comigo, ela... – Klaus começou, mas eu lancei um olhar para que parasse, era melhor deixar que as duas se conhecessem.
– Eu trouxe um presente para você – abriu a bolsa e tirou uma boneca de pano lá de dentro – Perguntei para a sua tia Rebekah e ela disse que você tem uma coleção de bonecas, então trouxe mais uma vez.
Minha filha ficou um pouco incerta, mas acabou se aproximando da avó e pegando o presente.
– Como é que se diz, Libby? – eu a incentivei a agradecer.
– Obrigada, vovó Esther – disse bem baixinho, mas todos nós naquela sala foram capazes de ouvir – Eu adorei.
– Mas que bom, fico muito feliz com isso! – pareceu satisfeita – Eu também trouxe um chocolate, esse eu vou entregar para a sua mãe, assim ela pode controlar quando você pode comer ou não. Combinado?
– Combinado! – levantou os dois dedos polegares.
Era impossível não me comover com aquela cena. Além de Libby, Esther tem mais quatro netos (um casal do Finn, um menino filho do Elijah e há poucos meses Freya também teve um bebê, uma menina) e aparentemente tem contato com todos eles. Me sinto culpada sabendo que minha filha mal conhece a avó a materna e se dependesse de mim já teria feito algo quanto a isso.
– Bom, vou deixar vocês aí enquanto vou dar uma olhada na comida – já estava tudo pronto há mais de uma hora, mas queria dar a oportunidade de Klaus conversar um pouco com a mãe e da Libby passar um pouco mais de tempo com a avó – O jantar não vai demorar muito para ser servido, vocês não precisam se preocupar com isso.
– Você precisa de ajuda, meu amor? – meu noivo quis saber.
– Não precisa... – balancei a cabeça negativamente enquanto respondia – Posso me virar sozinha.
Então eu me virei e segui na direção da cozinha.
***
– Além nem ao menos se mexeu quando eu a coloquei na cama – voltei a me sentar ao lado do de Klaus depois de levar a Libby para o quarto – Bom, acho que podemos continua a conversarmos.
O jantar foi muito agradável e divertido; logo depois da sobremesa voltamos para a sala e não demorou muito para a Libby apagar, por isso achei melhor colocá-la na cama, tinha mesmo sido um dia bem agitado.
– Eu ia esperar vocês me contarem as novidades, mas como os dois ficaram quietos – Esther prosseguiu – Eu reparei no belo anel que Caroline está usando, um anel que ela não estava usando ontem.
Nós nos entreolhamos por alguns segundos. Como o pedido de casamento tinha sido no dia anterior, ainda não tínhamos conversado sobre como iríamos contar as pessoas, por isso não tínhamos falado nada para ela.
– Eu pedi a Caroline em casamento ontem, mãe – Klaus decidiu responder – Ainda não planejamos a data nem nada, não estamos exatamente com pressa. Certo, Care?
– Exatamente – afirmei – Já moramos juntos há mais de três anos e até temos uma filha, o casamento seria apenas para tornar tudo oficial.
– Mas não deixa de ser especial... – avisou – Vocês não sabem o quanto estou feliz com essa notícia! Imagino que eu sou a primeira a saber as novidades.
– Na verdade, a Rebekah já está sabendo – tomei bastante cuidado para não comentar a respeito da exposição; ela já parece bem chateada por não contarmos sobre o noivado, não quero nem imaginar o que faria se soubesse que não foi avisada da exposição – Mas você é a segunda a saber, bom, terceira, se contarmos a Libby.
– Fico muito feliz em saber que você continua se dando bem com a Rebekah – mudou levemente de assunto – Claro que preferia que você estivesse falando com todos os seus irmãos, mas pelo menos não está totalmente isolado da família.
– Mãe, você sabe perfeitamente os meus motivos para não querer conviver com os meus irmãos – lembrou – Mas a Bekah é diferente, sempre esteve lá me dando apoio, sem contar que foi graças a ela que eu conheci a Caroline – me puxou e deu um beijo no topo da minha cabeça.
– E no final é isso que mais importa... – continuou – E voltando a falar do casamento, por favor, pensa em convidar os seus irmãos para o seu casamento, pelo menos isso.
– Caroline já me fez esse mesmo pedido – revirou os olhos, deixando bem claro o quanto desaprovava esse pedido – E pode ficar tranquila, eu vou chamar todos os meus irmãos para o casamento.
– É por isso que eu gosto de você, Caroline – sorriu – Dedes o momento em que te conheci, sabia que seria a pessoa que daria um jeito em Niklaus.
E essa era a grande questão que fazia o Klaus não querer conviver coma mãe. Sei perfeitamente que Esther via em mim uma maneira de fazer o filho se interessar pelo negócio da família, isso é algo que irrita muito o meu noivo e não tem como tirar a razão dele.
– Olha a minha cabeça, já com toda essa história de noivado já ia me esquecendo do motivo pelo qual eu pedi para marcar esse jantar – prosseguiu – Tenho um convite para fazer a vocês, na verdade, uma proposta.
– Que tipo de proposta? – quis saber, seria mentira se dissesse que não fiquei preocupada sobre o que poderia ser.
– O pai de Niklaus sempre teve o sonho de abrir um filial do nosso hotel fora da Europa, mas infelizmente nunca surgiu nenhuma proposta para isso enquanto ele era vivo, mas agora consegui realizar o sonho do meu marido – começou a explicar – Um pouco antes de vir para Londres consegui adquirir o nosso primeiro hotel nos Estados Unidos; Washington, para ser mais específica.
– Washington? – minha voz saiu como um sussurro – Vocês vão abrir um hotel em Washington?
– Não exatamente abrir, o hotel já existe, apenas vamos passar a administrá-lo – disse – E é aí que vocês dois entram.
Sabia exatamente onde ela queria chegar com essa conversa e sei que Klaus também percebeu, pois o senti ficando tenso ao meu lado.
– Sei que sua família mora em Washington, Caroline, e é exatamente por isso que eu decidi fazer essa proposta – continuou – Quero que você fique a frente desse novo hotel.
– Eu? – apesar de já estar esperando por isso, foi impossível não ficar surpresa ao ouvir o convite – Mas eu achei que os hotéis fossem administrados apenas pelos membros da família.
– E de certa forma será – respondeu – Você já é membro dessa família, Caroline, vai se casar com o Niklaus muito em breve, sem contar que a Elizabeth será uma das herdeiras de tudo isso um dia.
É estranho pensar na Libby é uma das herdeiras do hotel Mikaelson. Ela é a minha bebê, ainda gosta de tomar a sua mamadeira de manhã ou antes de dormir e também tem medo de monstros embaixo da cama. Imaginá-la com uma responsabilidade tão grande dessas é assustador, principalmente se não foi isso que ela quer.
– Você não precisa responder isso agora – completou – Pense durante o final de semana e me responda na segunda-feira.
– Certo... – balancei a cabeça afirmativamente.
– Ela vai pensar com muito carinho, mãe – Klaus garantiu – Quanto a isso pode ficar tranquila.
– Era exatamente o que eu queria ouvir – avisou enquanto se levantava – Acho melhor ir embora, vocês devem estar cansados e não vou mais impor a minha presença para vocês.
– Foi muito bom recebê-la aqui em casa, Esther – eu imitei o seu gesto para poder cumprimentá-la – Espero que venha aqui mais vezes.
– Eu também espero isso – garantiu.
– Vou levar você até lá embaixo, mãe – meu noivo foi com ela até a entrada do nosso apartamento.
Assim que os dois saíram, eu me joguei no sofá, soltando um longo e pesado suspiro. Tinha mesmo muita coisa para pensar nesse próximo dia, embora já tivesse alguma ideia de qual seria a minha resposta.
***
– Como é que é? – gritei tão alto que fiquei com receio de acordar a Libby, afinal ela está no quarto ao lado – Você não pode estar falando sério, Klaus...
– Nunca falei tão sério em toda a minha vida – afirmou – Acho que você deve aceitar o pedido para administrar o hotel de Washington.
– Aceitar voltar para Washington cuidando do novo hotel Mikaelson, algo que eu nunca pensei que fosse acontecer – revirei os olhos enquanto sentava na ponta da cama – Também nunca pensei que ela fosse concordar com uma coisa dessas.
– Care, nós dois sabemos perfeitamente qual foi a intenção da minha mãe ao fazer esse convite – lembrou – Então vamos fazê-la achar que estamos caindo nesse jogo, mas as coisas não serão bem assim.
Sim, eu sei, Esther acha que o simples fato de deixar um hotel em minhas mãos irá fazer o Klaus magicamente se interessar pela carreira de hotelaria. Ela realmente não conhece o filho que tem...
– Você sabe que vamos ter que nos mudar para Washington – ele balançou a cabeça afirmativamente – Você acha mesmo que isso é uma ideia?
– Isso te deixará perto do seu pai e do Steven e ainda estará a apenas algumas horas da sua mãe – respondeu – Sei o quanto você sente falta deles e seria até mesmo egoísmo da minha parte te impedir de uma coisa dessas.
– Posso ficar mais perto dos meus pais indo para Washington, mas também estarei perto dos problemas que eu decidi deixar para trás quando vi para Londres – em outras palavras: morando em Washington existe uma grande chance de eu esbarrar no Stefan e na Elena.
– A cidade é grande, tenho certeza de que é quase impossível você evitar alguém que não queira encontrar – garantiu – Além disso, qualquer coisa eu estarei lá para te proteger.
Foi impossível não sorrir. Klaus era praticamente o meu cavaleiro de armadura.
– Eu até tenho um trabalho garantido em Washington, mas e quanto a você? – lembrei – Sei o quanto você gosta de dar aula na faculdade e no centro comunitário, sem contar a galeria que provavelmente vai querer te contratar para outras exposições. Eu quem vou me sentir egoísta se te impedir de fazer isso.
– Na faculdade e no centro comunitário posso ficar por algum tempo até arranjarem um novo professor – disse – E quanto a galeria, posso trabalhar dos Estados Unidos e enviar as obras para ele, isso não é um problema. Sem contar que eu posso arranjar algum trabalho lá em Washington.
– Você parece ter mesmo tudo planejado... – murmurei – Só não quero que você se arrependa da decisão de sair da cidade que você nasceu e onde viveu toda a sua vida.
– Não vou me arrepender, Care – ele se ajoelhou em frente a mim e mexeu rapidamente no meu cabelo – Nada me prende a Londres se você e a Libby não estiverem aqui, quero estar onde vocês duas estão, sempre...
Talvez uma mudança de ares não seja tão ruim assim.
– Então está certo... – concordei, por fim – Acho que estamos indo para Washington, então.
– E seremos mais do que feliz lá – garantiu.
Aproximou-se para poder me beijar e puxou as minhas pernas para que eu as entrelaçasse na sua cintura ao mesmo tempo que colocava a mão nos seus cabelos. De alguma forma, tendo Klaus ao meu lado faz com que eu sinta que nada nunca daria errado.
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