Second Chance
18 Capítulo 17 – O pedido
Notas iniciais
Exatamente como Klaus especulou, dei milhares de recomendações para April antes de sairmos. Ela costuma cuidar da Libby sempre que precisamos de uma babá, mesmo assim é sempre bom relembrar algumas coisas, só por garantia.
Já dentro do carro levamos cerca de vinte minutos para chegar a Galeria, que ficava em um bairro diferente daquele em que moramos. O local ainda estava vazio, a exposição ainda não tinha começado e era de se esperar que o homenageado chegue mesmo antes de todo mundo.
– Então, o que você achou? – ele perguntou, parecendo um pouco receoso.
Estávamos na entrada da galeria e de lá eu podia ver um pedaço do salão e apenas a ponta de um dos quadros pendurado na parede, mas tenho que admitir que estava tudo muito bem arrumado, inclusive com arranjos florais, e ao lado da porta tinha uma placa com uma grande foto do meu namorado em que se lia “Alexander’s Gallery apresenta: Niklaus Mikaelson”.
– Está incrível! – disse, por fim – Quantos quadros seus tem na exposição? Acho que você não comentou comigo...
– São 16 quadros na exposição – explicou – Como eu disse, hoje é a abertura, mas os quadros ficaram expostos por mais duas semanas e depois, se tudo der certo, talvez me contratem para uma nova exposição.
– Tenho certeza de que você será contratado para outras exposições – garanti – Você é talentoso, eu sei disso e agora todos em Londres vão saber também.
– Só você mesma para ser tão otimista, Care... – ele me puxou para junto de si – E esse é o motivo para eu te amar tanto.
Ele encostou os lábios nos meus e fiquei nas pontas dos pés para poder beijá-lo melhor.
– E aqui está a nossa grande estrela da noite! – uma vez masculina fez com que nos afastássemos. O homem parado na nossa frente era alto, tinha a pele bronzeada, aparentava ser bem musculoso por debaixo do terno que vestia e seu cabelo castanho era até mesmo mais cumprido que o meu e estava preso em um rabo de cavalo.
– Olá! Estava mesmo me perguntando onde é que você estava – esticou a mão para cumprimentá-lo – Care, meu amor, esse é o Alexander, dono da galeria.
Foi uma surpresa ouvir aquilo, ele não parecia dono de galeria. Eu o olhei de cima a baixo e rapidamente o cumprimentei.
– Essa é a Caroline, minha namorada – prosseguiu com as apresentações.
– É um prazer finalmente conhecê-la, Caroline, o Klaus fala muito ao seu respeito e devo dizer que ele não estava exagerando – senti minhas bochechas esquentarem, Klaus e sua mania de me elogiar – Aliás, fala muito da filha de vocês também, mas ela eu conheci hoje mais cedo.
– Espero que ela não tenha dado muito trabalho – comentei; Libby é uma criança tranquila desde que nasceu, mas quando quer ela sabe aprontar.
– Ela se comportou muito bem – ele afirmou – Foi um verdadeiro anjinho, pode ficar tranquila.
– Dei um fraco sorriso e Klaus colocou o braço em volta dos meus ombros.
– Bom, mas antes que a exposição comece, eu tenho uma boa notícia para vocês – continuou – Todos os quadros já estão vendidos!
Isso era mesmo uma excelente notícia! Klaus estava tão preocupado de não gostarem dos quadros dele, mas pelo jeito a exposição já é um sucesso.
– Desculpe perguntar, mas como isso é possível? – quis saber – Quero dizer: a exposição ainda não abriu, como é que todos os quadros já estão vendidos?
– O acervo da exposição foi para o site da galeria 24 horas antes da exposição – meu namorado me explicou – E a partir desse momento os quadros já estão a venda. Claro que eu nunca imaginei que eles iriam vender tão rápido...
– Isso porque você continua de subestimando, Klaus – revirei os olhos – Mas agora você não pode mais fazer isso.
– Ela tem razão, Klaus – Alexander prosseguiu – As provas estão aí para você ver: 15 quadros vendidos, todos da exposição, com exceção de um e isso porque você não permitiu.
– Como assim, Klaus? – me virei para ele enquanto perguntava.
– Pedi que um dos quadros que eu enviei para a exposição não fosse colocado a venda – disse – Mas isso porque o quadro já não me pertence.
Continuei olhando o Klaus, ainda mais confusa.
– Vem comigo, você vou te mostrar o quadro – voltou a segurar a minha mão – Você vai entender o que eu estou falando.
– Isso, vão até lá ver os quadros – o outro homem voltou a falar – Enquanto isso eu vou ver se está tudo certo lá na frente.
Então ele saiu, seguindo pelo mesmo lugar que chegamos, deixando eu e meu namorado sozinhos mais uma vez.
– Tenho certeza de que você vai adorar... – avisou.
– Certo, vamos lá – revirei os olhos – Vamos lá ver esse quadro misterioso que você não quer vender.
***
O quadro ao qual Klaus estava se referindo chamava-se “As mulheres da minha vida” e nela podia ver uma janela que cobria quase a tela inteira e por trás de uma cortina era possível ver a sombra de uma mulher sentada em uma cadeira com um livro no colo e uma garotinha no chão. Para quem nos conhecia era totalmente obvio que se tratavam de mim e da Libby.
– Isso é incrível... – minha voz saiu como um sussurro, ainda não tinha conseguido tirar os olhos daquela pintura – Eu nem sei o que te dizer.
Apenas diga se você gostou ou não – pediu.
– É claro que eu amei, isso é obvio – voltei a me virar na direção do meu namorado – Você pintou um quadro para mim, não tem como eu não gostar, Klaus.
Apesar de já ter feito vários desenho meus e também fez alguns da nossa filha, mas os quadros dela retratavam apenas a natureza ou a cidade. Klaus nunca tinha me retratado em uma tela, essa é a primeira vez.
– Agora você entende porque eu não pude colocá-lo a venda – continuou – Alexander até fez uma boa oferta por ele, mas eu neguei; quero esse quadro em algum lugar de honra na nossa sala, isso se você não quiser colocar em outro lugar, esse quadro é seu e a escolha é sua.
– Acho uma ideia perfeita deixá-lo na nossa sala – respondi – Acho que não poderia pensar em um lugar melhor para ele.
– Então é onde colocaremos o quadro... – afirmou.
– Essa era a tal surpresa de que a Libby estava falando? – voltei a perguntar, era obvio que ela tinha visto o quadro e Klaus deve ter contado sobre os seus planos.
– Isso era uma surpresa que eu estava planejando, mas não era essa a surpresa de que a Libby estava falando – deu de ombros – Essa é outra surpresa.
– Mais surpresas... – revirei os olhos – Você sabe que eu sou impaciente e detesto esperar por uma surpresa.
– Vai valer a pena, meu amor, eu prometo – colocou a mão na minha cintura e fez com que eu girasse para ficar em frente a ele – Espere até a hora do discurso.
– Discurso? – fiquei ligeiramente preocupada; quer dizer que seria uma surpresa na frente de todo mundo? – Klaus, o que você está aprontando?
– Confia em mim, Caroline – voltou a pedir.
– Eu não estaria aqui agora se não confiasse em você... – lembrei — Apesar de realmente estar curiosa sobre o que você está aprontando.
– Isso você já vai descobrir, logo – sorriu – E realmente espero que você tenha uma boa reação a minha surpresa.
– Então você também está curioso para saber a minha reação... – brinquei – Por que não mostra logo essa surpresa e acabamos logo com isso?
– De maneira nenhuma... – negou com a cabeça – Eu e você precisamos aprender a ter paciência.
Eu revirei os olhos e me fingi de brava, mas Klaus segurou o meu rosto com as mãos e me puxou para mais um beijo. Foi quando ouvimos um barulho na entrada da galeria, um lembrete de que não estávamos sozinhos.
– Daqui a pouco as pessoas vão começar a chegar para a exposição... – ele comentou – Pronta para isso.
– Claro... – entrelacei a mão na dele – Sempre...
***
Em pouco tempo o local encheu, todos pareciam falar das obras e alguns até mesmo paravam para cumprimentar o Klaus. Era oficial, a exposição era mesmo um sucesso.
– Aquela ali é a Rebekah? – avistei a minha cunhada na entrada do salão e rapidamente falei.
– Sim, é ela – ele confirmou – Quem será aquele lá com ela?
Rebekah realmente não estava sozinha. O homem ao seu lado era alto, morena e aparentemente raspa o cabelo. Eles estavam os braços entrelaçados e pareciam bem íntimos um do outro.
– Acho que é o novo namorado, dela... – sabia que o Klaus ficaria bem irritado com essas palavras – Algum problema com isso, meu amor?
– Apenas não gosto dessa situação – admitiu – Você pelo menos já viu esse cara alguma vez na vida? Sabe se ele é digno de confiança?
– Sendo sincera, Klaus, eu nunca tinha visto ele antes – respondi – Mas a Bekah parece feliz com ele, não é isso que importa?
Apesar de já sermos amiga há cinco anos, Rebekah não é muito de falar a respeito da sua vida pessoal e provavelmente pelo fato de eu namorar o irmão mais velho dela; mas uma coisa eu tenho que admitir, acho que nunca vi a minha cunhada tão feliz, pelo menos eu nunca a vi sorrir tanto quanto estou vendo agora.
– Mesmo assim eu quero conhece-lo melhor – avisou – Apenas para garantir que ele não vá magoar a minha irmã.
– Klaus, a Rebekah tem 26 anos e sabe muito bem se cuidar, principalmente quando o assunto é a vida amorosa – lembrei e ele apenas revirou os olhos – Niklaus Mikaelson, não me diga que você está com ciúmes?
– Não é ciúmes! – tentou se explicar – Apenas estou tentando garantir que a minha mãe mais nova vá ficar bem nesse novo relacionamento.
– Vou fingir que acredito... – foi impossível não rir daquela situação, se você está fazendo isso com a Rebekah, imagina como vai ser quando a Libby tiver idade para namorar.
– Isso não vai acontecer – disse – Porque nenhum aproveitar vai chegar perto da minha princesinha antes 30, talvez dos 40 anos.
– Por que será que isso não me surpreende – reviro os olhos – Sorte Da Libby eu estar aqui, pois se dependesse de você ela iria acabar virando freira.
– Até que não é uma ideia tão ruim – brincou – Está decidido! Amanhã mesmo vamos começar a procurar um bom colégio interno para ela, um que de preferencia tenha um convento.
– Você é mesmo impossível, Klaus... – fiz uma careta.
– Com licença... – uma voz feminina interrompeu a nossa conversa – É que eu gostaria de cumprimentar pessoalmente o artista.
A mulher a nossa frente era loira, olhos verdes, usava um vestido preto e não parecia ser muito mais velha do que eu.
– Cami! – Klaus parecia conhecê-la, pois foi rapidamente cumprimenta-la – Mas que surpresa você ter vindo.
– Acho mesmo que eu iria perder a sua exposição? – disse – Você tem falado tanto disso nas últimas duas últimas semanas, não poderia deixar de dar uma conferida...
– Pelo jeito você foi a única – lamentou – Não vi mais ninguém aqui.
– Ouvi muita gente comentando que teria aula hoje a noite – explicou – Tenho certeza de que todos estariam aqui se pudessem.
– Com licença... – fingi um pigarro, fazendo com que os dois se virassem para mim – Acho que estou perdendo alguma coisa...
– Mas que falta de educação a minha... – meu namorando balançou a cabeça negativamente – Cami, essa é a Caroline, a minha...
– Sua esposa – o interrompeu enquanto esticava o braço para me cumprimentar – Já ouvi falar muito a seu respeito, Caroline.
Estava prestes a corrigi-la e dizer que Klaus é na verdade o meu namorado, apesar de ser apena um pequeno detalhe, mas achei que não era importante, sem contar que não estava com vontade de discutir a minha vida amorosa com ela.
– Pois eu nunca tinha ouvido falar de você – respondi enquanto retribuía e o seu gesto e olhava rapidamente para o Klaus.
– Camille é uma das minhas alunas na aula de surrealismo – ele explicou – Ela é estudante de psicologia.
– Fazer uma matéria do curso de artes é fugir bastante da sua área de atuação... – observei – Está vendo se é isso que você quer ou algo parecido?
– O tema do meu trabalho de conclusão de curso fala sobre a influência de traumas e histórias de infância nas pinturas dos artistas – falou – Meu orientador sugeriu eu fizesse uma matéria do curso de artes e achei que surrealismo era o que tinha mais a ver com tema.
– E ela é umas das que mais pergunta e participa da aula – avisou, seu tom de voz demonstrava certo orgulho – Até mais do que os alunos que realmente são do curso de arte.
– Ele está exagerando – Camille voltou a falar para mim – Apenas comento o que acho importante para o meu trabalho.
– Que legal...! – dei um sorriso forçado, fingindo animação.
– Já que você faz comentários pertinentes ao seu trabalho, me diga o que achou dos meus quadros – meu namorado pediu – Acha que eu tenho algum problema de infância irrecuperável?
– Diria que eu ainda preciso analisar – brincou – Mas caso você acha que tem problemas de infância, tenho ótimos psicólogos para te indicar.
Eles continuaram a conversa, então eu decidi me afastar, nenhum dos dois parecia ter reparado que eu fiz isso.
***
Tinham algumas cadeiras espalhada pelo salão e eu arranjei uma para me sentar depois de pegar uma taça de champgne. Meia hora depois Klaus ainda estava conversando com a tal de Camille, os dois estavam rindo e se divertindo muito; apesar de ter confiança no nosso relacionamento, não posso deixar de me sentir incomodada com a situação.
– Finalmente eu te achei... – Rebekah estava parada bem na minha frente – Estou tentando falar com o Nik, mas até agora não consegui encontra-lo sozinho.
– É a exposição dele e o Klaus está sendo muito solicitado – lembrei.
– Bom, depois eu falo com ele então – avisou enquanto se sentava na cadeira ao meu lado – Eu vi o quadro que o Nik pintou de você e da Libby ficou mesmo incrível.
– Eu também achei – foi impossível não dar um sorriso bobo.
– Embora eu nunca tenha duvidado disso, essa é a prova de que o meu irmão realmente te ama – afirmou – Vocês três formam uma linda família e com certeza são uma inspiração para mim.
Bekah tinha razão, Klaus me ama e nós temos uma relação sólida, além de uma filha juntos. Preciso me focar nisso e é exatamente o que eu vou fazer.
– E será que essa inspiração tem alguma coisa a ver com o cara que está aqui com você – perguntei, tirando todos os outros pensamentos anteriores da minha cabeça – Quem é ele? Pode contar tudo, Rebekah Mikaelson!
– O nome dela é Marcel, ele é amigo de uma amiga e nos conhecemos em uma festa há pouco mais de um mês – respondeu – Ainda estamos no conhecendo e eu não sei como as coisas vão ser, mas tenho bastante esperança.
– Fico feliz por você, Bekah – admiti – Você parece feliz e isso é mesmo muito bom.
– Espero que o Nik pense da mesma maneira que você – riu – Nós dois sabemos o como o meu irmão pode ser difícil.
– Oh sim! – concordei – Mas tenho certeza de que ele vai acabar aceitando, pode ficar tranquila – ela sabia que não era exatamente verdade, mas não se opôs.
– E aí está você! – foi a vez de Klaus aparecer – Olá, Rebekah! Bom te ver aqui.
– Olá, Nik – ela se levantou para cumprimentar o irmão – Bom, vou deixar vocês dois conversarem.
Bekah acenou para mim antes de voltar a se afastar, provavelmente foi procurar pelo Marcel. Enquanto isso meu namorado sentou-se ao meu lado, no local em que ela estava alguns segundos antes.
– Eu estava conversando com a Cami e de repente você sumiu – voltou a reclamar.
– Isso prova que você estava mesmo distraído conversando com a sua amiguinha... – apenas dei de ombros.
– Agora eu estou começando a entender a situação – observou – Você está com ciúmes da Camille...
– Eu tenho motivos para isso? – decidi ser totalmente direta – Vocês dois pareciam bem íntimos e eu nem ao menos tinha ouvido falar dela, pensei que não tivéssemos segredos um com outro.
– Care, estamos juntos há cinco anos, moramos juntos e temos uma filha – segurou a minha mão enquanto lembrava – Acha mesmo que eu iria te largar depois de toda a nossa história juntos?
– Como é que eu vou saber o que se passa na sua cabeça? – respondi – Você sabe que eu...
– Eu não sou o seu ex-namorado – me interrompeu elevando o seu tom de voz, embora não tenha sido alto o suficiente para que chamássemos atenção – Eu sei tudo que você passou antes de nos conhecermos e jamais faria mesma coisa você. Eu te amo, Care! Nunca se esqueça disso.
– Não vou me esquecer – garanti.
Ele se levantou e segurou a minha mão para me ajudar a fazer a mesma coisa.
– Você quer uma prova do quanto eu realmente te amo? – apenas balancei a cabeça afirmativamente – Então venha, está na hora do meu discurso.
***
– Antes de mais nada, eu queria agradecer a todos por terem vindo aqui – Klaus estava no palco improvisado e todos estavam ali ouvindo o seu discurso – Para mim é muito importante que estejam curtindo e admirando as minhas obras, foi por isso que eu escolhi essa profissão – houve uma pequena salva de palmas – Todos aqui devem ter visto o quadro nomeado “As mulheres da minha vida”, agora eu quero que vocês conheçam uma dessas mulheres da minha vida.
Fiquei alguns instantes sem reação e sem saber exatamente o que fazer, isso até que Alexander me chamou e me fiz subir no palco ao lado do meu namorado.
– Essa daqui é Caroline Forbes, o alicerce da minha vida, minha companheira, a mãe da minha filha – ouvi alguns comentários sobre como isso era fofo, obviamente já estava sentindo as minhas bochechas esquentarem de vergonha – Nunca pensei que fosse amar alguém como eu amo essa mulher.
– Foi impossível não sentir a lágrimas se acumulando no canto dos meus olhos, aquela era mesmo a declaração de amor mais linda que eu já tinha recebido na minha vida.
– Klaus, isso é... – comecei, mas ele colocou o dedo sob os meus lábios.
– Espera, me deixa terminar – pediu – Eu realmente não consigo me lembrar de como era a minha vida sem você; tem sido cinco anos incríveis e espero passar muito mais tempo ao seu lado.
Quando ele se ajoelhou todos voltaram a bater palmas. Tentei não acreditar que isso estava mesmo acontecendo até que ele retirou uma caixa azul de veludo lá de dentro.
– Klaus... – consegui sussurrar – Não acredito que você está mesmo fazendo isso.
– Caroline Forbes – abriu a caixa, relevando um anel com um único e pequeno diamante em cima; era bem simples, mas muito bonito – Você aceita se casar comigo?
– Sim! – respondi sem nem mesmo pensar duas vezes.
Ele colocou o anel no meu dedo e se levantou para poder me beijar, a reação da nossa plateia foi imediata.
– Então essa era a grande surpresa? – perguntei quando nos separamos, mas ainda nos mantínhamos perto o suficiente um do outro.
– Eu consegui te surpreender? – quis saber totalmente esperançoso.
– Com toda certeza – afirmei – Acho que nem nos meus sonhos mais loucos eu poderia imaginar que seria uma coisa dessas, ainda mais aqui.
– Fico feliz em ter te surpreendido – completou antes de voltar a me beijar.
***
Além dos cumprimentos ao Klaus pelos quadros e pela exposição, agora também no parabenizavam pelo nosso noivado.
Ainda permanecemos na galeria por pouco mais de uma hora e quando chegamos em casa a primeira coisa que eu fiz foi olhar a minha filha e quando vi que Libby dormia profundamente fui para o meu quarto.
– Comprei hoje cedo – meu agora noivo entrou no local com uma garrafa de champagne e duas taças – Para podermos comemorar.
– Então você já estava confiando que eu ia aceitar o seu pedido? – cruzei o braço e me sentei na cama – Quanta pretensão, senhor Mikaelson...
– Não é pretensão, apenas tinha certeza de você ia aceitar o meu pediu – garantiu – Senhora Mikaelson.
Ele também se sentou na ponta da cama, ao meu lado, e deu um beijo no meu ombro.
– Eu ainda não sou a senhora Mikaelson – lembrei – Pelo menos não oficialmente.
– Apenas uma questão de tempo – deu de ombros – E se dependesse de mim, a gente e casaria amanhã mesmo, mas eu sei que você prefere fazer tudo da maneira tradicional, então...
Era isso mesmo. A verde é que eu sempre fui uma romântica incorrigível e sempre tive o sonho de me casar na igreja, com um belo vestido e uma festa para todos os meus amigos. Pensei que meu sonho nunca fosse se realizar, mas agora eu posso ter.
– Sim, eu faço questão de ter um casamento com tudo que eu tenho direito – respondi – Mas será que a gente pode conversar sobre isso depois? Tudo isso ainda está girando na minha cabeça e eu faço questão de planejar tudo bem perto.
– Você manda... – avisou – E agora, vamos comemorar.
Ele se aproximou de mim e m beijou calmamente. Quando voltamos a nos afastar, Klaus me entregou as duas taças e abriu a garrafa de champagne antes de colocar o conteúdo em cada uma delas.
– Um brinde – levantou a sua taça e eu fiz a mesma coisa – Ao nosso noivado e a nossa vida juntos.
Nos brindamos e em seguida e tomei um gole da minha bebida.
***
– Posso te pedir um favor? – depois de terminarmos a garrafa de champagne decidimos tomar um banho relaxante e depois fomos deitar; apesar de amanhã ser sábado e nenhum de nós dois trabalhar, mas hoje tinha sido um dia cansativo e estávamos ambos exaustos.
– A respeito do que? – quis saber – Vou fazer de tudo para realizar, é claro, mas preciso saber o que é.
– Não é nada demais, pode ficar tranquilo – disse – É sobre o nosso casamento, na verdade...
– Pensei que você não quisesse falar sobre isso agora – lembrou.
– Não é nada demais – dei de ombros – Eu só quero que você convide os seus irmãos para cerimônia.
Sabia que esse não era um pedido fácil, assim que nos conhecemos Klaus me disse que tinha rompido com os irmãos e isso era mesmo verdade. Lembro-me quando ainda estava morando no hotel quando era bolsista e ele ia me buscar para podermos sair, já encontramos Elijah várias vezes e os dois nem ao menos se cumprimentaram.
– E eu vou chamar – afirmou – A Bekah.
– Não quero que você chame apenas a Rebekah – insisti – Quero que você chame todos os seus irmãos.
– Por que isso agora, Care? – reclamou – Você sabe o meu relacionamento com os meus irmãos e...
– Eu sei disso tudo, meu amor – o interrompi – Mas eles são os seus os seus irmãos. Sei que sou filha única, mas se tivesse irmãos, ainda mais tantos quanto você, não iria querer perder o contato com eles. Família é algo importante.
– Você e a Libby são minha família – colocou uma mecha do meu cabelo para trás da orelha – Vocês duas são tudo de que eu preciso.
– Se eu sou tão importante assim para você, faz o que eu estou pedindo – continuei.
– Nem sei se meus irmãos vão aceitar vir ao nosso casamento – revirou os olhos.
– Apenas faça o convite – voltei a pedir – E se eles não aceitarem, pelo menos você tentou e fez a sua parte.
Klaus ficou algum tempo em silêncio, gostaria muito de saber o que está se passando pela sua cabeça, mas infelizmente eu não tenho dom de ler pensamentos.
– E então? – arrisquei perguntar.
– Tudo bem, eu convido os meus irmãos – concordou e eu não pude deixar de sorrir – Mas você também vai ter que me fazer um favor.
– O que é? – quis saber, tinha certeza de que não teria problemas em fazer qualquer coisa que ele quisesse.
– Quero que você chame a sua melhor amiga de Washington para o casamento – avisou – Elena o nome dela, certo?
– Sim, é Elena – afirmei.
Lena e eu sempre conversamos sobre sermos madrinha de casamento uma da outra e, é claro, de sermos madrinhas uma do primeiro filho da outra. Claro que nada disso deu certo: eu já não fui madrinha de casamento dela por motivos óbvios e ela também não foi madrinha da Libby, não sei se ela e o Stefan já tiveram filhos e sendo sincera nem quero pensar nisso.
Mas é claro que o Klaus não sabe de todos os drama envolvendo eu, minha melhor amiga e o meu ex-namorado; por isso não posso nem ao menos contra argumentar o pedido dele.
– Certo, eu acho justo – repeti – Eu vou falar com a Elena sobre o nosso casamento, talvez não a chame para ser madrinha, pois não nos falamos há anos e seria um convite estranho... – isso pode até ser bom, seria uma maneira de mostrar ao Stefan que eu segui em frente — Satisfeito?
– Muito... – puxou o meu rosto e me deu um selinho – Eu te amo, sabia disso?
– Eu também te amo, Klaus – dei um sorriso bobo.
Encostei a cabeça no seu peito, me aninhando melhor ao meu noivo antes de fechar os olhos. Não demorou muito para o eu cair na inconsciência.
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