Second Chance
13 Capítulo 12 – Rumo a Londres
Notas iniciais
– Senhores passageiros do voo 681 com destino a Londres – a voz no alto-falante ecoou por todo o aeroporto – O procedimento de embarque acontecerá dentro de instantes no portão 8; tenham em mãos suas passagens e os passaportes.
– Bom é isso... – me virei para o meu pai enquanto falava – Chegou a hora de ir...
– Estou tentando me fazer de forte por todas essas semanas, mas agora que chegou o momento percebo que não estou preparado – ele me abraçou com bastante força – É bom você ir logo ou eu não vou te deixar entrar naquele avião.
– É sério, pai...? – revirei os olhos – Acho que eu devia ter aceitado a sugestão do Steven me trazer ao aeroporto ou talvez eu desse ter vindo de táxi.
– Tudo bem, eu prometo que vou me comportar – garantiu enquanto se afastava de mim – Está tudo certo? Você está pronta para ir?
– Sim, totalmente – balancei a cabeça afirmativamente – Parece que eu estou esperando por esse momento a minha vida inteira.
– Não se preocupe com as suas coisas que ficaram aqui em Washington, vou cuidar muito bem delas – avisou – E o Steven me pediu para te avisar que ele depositou o seu último pagamento ontem.
– Eu sei, dei uma olhada na minha conta bancaria ontem antes de ir dormir – respondi – Embora tenha um pouco mais do meu salário habitual, bem mais que o de costume para falar a verdade.
– Sua mãe e eu decidimos colocar um pouco mais de dinheiro para te ajudar nesses primeiros meses em Londres – explicou – E não adianta reclamar, é um presente e não vamos aceitar devolução.
– Terei a ajuda de custo da bolsa durante o estágio – lembrei – Além disso, eu não preciso me preocupar com moradia ou alimentação lá em Londres.
Então coloque em uma poupança para quando acabar o estágio – sugeriu – Ou compre alguma coisa que goste.
– Tudo bem, pai, prometo que vou pensar com carinho no que fazer com esse dinheiro extra – concordei – Mas agora eu preciso ir ou vou acabar perdendo o avião.
– E decididamente não queremos isso – sorriu – Antes de você ir, só quero que você saiba o quão orgulhoso eu estou de você, minha filha.
– Eu sei... – dei um sorriso sem graça antes de voltar a abraçá-lo – E você se cuida, vou ligar todos os dias para saber como é que você e o Steven estão.
– Vou ficar esperando ansiosamente por isso – garantiu – E não se esqueça de avisar quando você chegar em Londres, não importa quantas horas seja aqui.
– Eu avisarei – afirmei.
Ele me deu um beijo no topo da minha cabeça antes que eu me afastasse. Então eu saí apressadamente em direção a área de embarque.
***
Já estava confortavelmente sentada na minha poltrona perto de uma janela e com um livro no colo para ler em algum momento da viagem. As portas do avião já tinham sido fechadas e deveríamos decolar dentro de poucos minutos.
Fechei os olhos e tentei relaxar. Aquelas últimas semanas de preparação com a documentação e as malas foram totalmente exaustivas, essa é a primeira vez em dias que me permiti relaxar totalmente.
Minhas mãos esbarraram com os pingentes da minha pulseira. Foi impossível não me lembrar da visita que recebi ontem em casa.
*Flashback*
Meu pai sempre me disse que essa minha mania de deixar para fazer tudo de última hora ainda iria me fazer perder alguma coisa importante e agora estou começando a perceber que ele tinha mesmo razão. Eu viajo para Londres em menos de 24 horas e estou totalmente desesperada olhando todos os cantinhos do meu apartamento para ter certeza absoluta de que não estava esquecendo nada de importante.
Eu já tinha fechado a mala das roupas e a dos sapatos e estava fazendo uma última vistoria nas gavetas do banheiro quando ouvi o barulho da campainha tocando.
– Pai, eu disse que tinha tudo sob controle... – andei apressadamente para poder abrir a porta – E estava falando sério, não preciso de ajuda com nada aqui.
Mas não era o meu pai...
– Lena? — foi certamente uma grande surpresa encontrar a minha amiga parada no corredor, bem na minha frente – Oi! O que você está...?
– Sei que você está ocupada com a mudança, mas eu prometo que serei o mais breve o possível – garantiu – Será que eu posso entrar?
– Claro... – dei espaço para que ela pudesse passar.
Elena ficou parada por alguns instantes apenas olhando todos os cantos da minha sala de estar.
– Pensei que você já fosse viajar amanhã – observou – Mas está tudo arrumado, não parece que você está no meio de uma mudança.
– Vou ficar hospedada no hotel Mikaelson, é um dos benefícios concedidos pela bolsa – expliquei – Só vou levar as roupas e algumas outras coisas pessoais, mas os meus móveis vão ficar aqui; a maioria o meu pai vai vender e os outros ele vai levar para o meu antigo quarto.
– Ah sim... – continuou.
– E como é que você está, Lena? – decidi perguntar – Eu detesto ficar sem falar com você tanto tempo assim.
– Acredite em mim, Care, eu também – ela admitiu – Queria ter vindo aqui antes, mas minha mãe quer que eu esteja presente vendo todos os detalhes do jantar de noivado e ela está conseguindo me enlouquecer totalmente, estou sem tempo até mesmo para respirar.
– O jantar de noivado... – soltei um longo suspiro, acho que não estava preparada para ouvir isso – Stefan comentou sobre esse jantar, mas não tinha ideia de que seria tão cedo.
– Ah, não! – balançou a cabeça negativamente – Que grande insensibilidade estar falando sobre isso com você... Desculpe-me, Care, desculpa mesmo.
– Está tudo bem, Lena – garanti – Não vou mentir, eu ainda amo o Stefan. O que a gente viveu não é algo que dê para superar em apenas um mês, mas eu escolhi seguir em frente e é assim que vai ser, não tem como voltar atrás.
– Claro que tem como voltar atrás, Care! – insistiu – Sempre tem como voltar atrás.
– Você veio aqui, por causa dele, não foi? – revirei os olhos só de pensar nessa possibilidade – Lena, você é a minha melhor amiga e eu sempre fico mais do que feliz em te receber aqui em casa, mas se você só tiver vindo para fazer algum favor para o Stefan, prefiro que vá embora.
Não que eu esteja brigada com o Stefan ou algo parecido, mas a gente não se fala ou se vê desde aquela tarde no parque em que eu contei que estava indo para Londres, há pouco mais de um mês. O histórico de chamadas perdidas do meu celular são a prova de que ele até tentou me ligar, mas eu não atendi e também deixei bem claro na portaria do prédio para não lhe permitirem subir ao meu apartamento de maneira alguma; é melhor assim.
– Ele nem ao menos sabe que eu estou aqui – respondeu – Queria conversar com você primeiro.
– Conversar comigo? – apenas cruzei os braços – Sobre o que, exatamente?
Elena não disse nada, ela apenas se sentou no sofá, pegando um dos pares de sapatinho de bebê que eu tinha colocado em cima da mesa. Por sorte aquelas eram as únicas coisas que eu tinha comprado para a minha filha, eram menos coisas para eu precisar me livrar agora.
– Sinto muito pelo bebê, Care – falou – Quando o Stefan me contou que você tinha perdido o bebê eu quis ir até o hospital, mas eu não sabia o que te falar naquele momento, então...
– Está tudo bem, Lena – a interrompi – Eu nem fiquei muito tempo no hospital mesmo e quando estava lá estava dormindo.
– Sabe, eu realmente fiquei empolgada com a ideia de ser madrinha da sua filha – admitiu – Se eu já estou chocada com tudo que aconteceu, imagina você que era a mãe.
– Você e o Stefan vão se recuperar rapidinho, tenho certa – dei de ombros – Garanto que não vai demorar muito para vocês terem o seu próprio bebezinho.
– Eu não quero me casar, Caroline – aumentou o tom de voz, provavelmente para que eu não a interrompesse – Nunca quis me casar, eu entrei nessa história totalmente contra a minha vontade. Talvez eu devesse ter tomado uma atitude antes, mas agora eu estou sendo obrigada a casar com um cara que eu não amo e a quem eu vou estar presa pelo resto da minha vida, tudo por causa de um acordo político. O meu pai está praticamente me vendendo e você não sabe o quanto eu odeio isso.
Ela tentou limpar o canto dos olhos, mas foi em vão, as lágrimas já estavam rolando pelo seu rosto. Aquela cena estava realmente cortando o meu coração; Elena sempre me pareceu aquele tipo de pessoa que tem tudo, só que as coisas não são bem assim quando você olha mais atentamente.
Rapidamente eu sentei ao lado da minha melhor amiga e coloquei a mão sob a sua.
– Lena, não fica assim... – pedi.
– Care, eu perdi o Enzo por causa desse acordo estúpido – lembrou – Quando eu fui contar para ele sobre o casamento, o Enzo disse que isso ele não aceitaria. Estou tentando me fazer de forte sobre isso, mas é difícil.
– Eu sei, Lena – continuei – Sinto muito, de verdade...
– Mas olha só que coisa – deu um fraco sorriso – Em um minuto estávamos falando da perda do seu bebê e do nada eu começo a chorar por causa de um fim de namoro. O que com certeza não é nada comparado ao que aconteceu com você.
– Nós duas perdemos alguma coisa por causa dessa história de namoro e de casamento arranjado – falei – E certamente estamos encarando tudo de maneiras totalmente diferentes.
– Eu posso dizer que não vou casar! – sugeriu – O jantar de noivado é só daqui a duas semanas, o casamento é em seis meses, eu tenho tempo. Vou bater o pé, dizer que não participo dessa palhaçada, ele não vai poder fazer nada e vai ser obrigado a aceitar o relacionamento de vocês.
– Não faz isso, Lena – pedi – Você vai se indispor com o seu pai e não vai adiantar nada, porque eu não quero voltar com ele!
E foi a vez dela ficar me encarando sem dizer nada.
– Mas você mesma acabou de dizer que ainda ama o Stefan – lembrou – Então você o ama, mas não quer ficar com ele?
– O Stefan não me vê como uma prioridade, ele me largou pela carreira política sem nem pensar duas vezes; não posso voltar a me relacionar com alguém assim, não sem confiança – respondi – Além disso, eu estou indo para Londres amanhã.
– Vocês poderiam namorar a distância – deu de ombros – O estágio é só por um ano e meio, não é? Daria para levar um namoro a distância sem problema algum.
– Mas eu decididamente não quero isso – garanti – Estou encarando essa ida a Londres como um recomeço: novo trabalho, nova vida e quem sabe até mesmo um novo amor.
– Se você diz... – soltou um longo suspiro – É que... as coisas entre mim e o Enzo já não deram certo, não queria que as coisas fossem diferentes para você e o Stefan. Você é a minha melhor amiga, Care, e acho que eu nunca te vi tão feliz quanto nesses meses ao lado do Stefan.
– Eu estou correndo atrás dos meus sonhos agora – completei – Posso não estar totalmente feliz depois de tudo que aconteceu, mas eu vou ficar bem, pode ter certeza.
– Se você diz... – soltou um longo suspiro – Só não quero que você não se arrependa depois.
– Eu não vou me arrepender... – afirmei – E quanto a você: sei que essa não é a situação ideal, mas você vai se casar, tente ser feliz e faça o Stefan feliz; isso é tudo que eu desejo para vocês.
– Eu vou tentar... – ela me puxou para um abraço – E por favor, não vamos perder o contato, quero saber de tudo que você está fazendo em Londres.
– Pode deixar, te mandarei e-mails toda semana – estava prestes a dizer que eu não fazia questão de saber o que ela estava fazendo aqui em Washington, principalmente se o assunto for Stefan Salvatore, mas acho que isso era algo que eu não precisava falar.
– Só mais uma coisa... – ela retirou a pulseira que estava usando e me entregou – Quero que você fique com isso.
– Mas essa é a pulseira que a sua mãe te deu no seu aniversário de 18 anos – lembrei – Você ama essa pulseira! Eu não posso aceitar...
– E você é a minha melhor amiga – argumentou – Você está indo para outro continente, para o outro lado do oceano Atlântico, e quero que você tenha algo para se lembrar de mim.
Então ela colocou a pulseira no meu braço direito, tinha mesmo ficado linda em mim.
– Obrigada – agradeci – Quer saber, estou arrumando mala desde cedo e estou precisando muito fazer uma pausa. Por que não vamos sair para almoçar? Assim a gente pode conversar um pouco mais.
–Acho uma excelente ideia – concordou enquanto se levantava – Vamos lá!
Fui até o quarto para pegar a minha bolsa para só então sairmos do apartamento.
*Fim do flashback*
Sorri com aquela lembrança, foi mesmo muito importante passar um tempo com a minha melhor amiga antes de ir embora. Realmente não queria perder essa amizade, mas eu sinceramente não sei como vai ser depois do casamento dela com o Stefan e não quero pensar nisso agora.
– Senhores passageiros, iremos iniciar agora o processo de embarque – uma das aeromoças a bordo começou a falar – Por favor, permaneçam sentados e com os cintos afivelados.
Tinha chegado o grande momento. A próxima parada: Londres.
***
Depois de pegar as minhas malas fui para a área de desembarque onde várias pessoas esperavam por seus amigos e parentes que estavam chegando de viagem. Comecei a procurar no meio da multidão por alguém que parecesse ser funcionário do hotel Mikaelson.
Já estava quase desistindo e ligando para o número do hotel ou até mesmo pegando um táxi quando eu o vi, em pé “escondido” no canto. Ele não parecia com um motorista, nem se vestia como um, mas segurava um cartaz em que se lia “Caroline Forbes” em uma bela letra cursiva.
– Com licença... – disse assim que me aproximei – Eu sou Caroline Forbes, acredito que você esteja aqui para me buscar.
– Oh sim! – esticou a mão para mim e eu retribui o seu cumprimento – Prazer em conhecê-la, Caroline Forbes, eu sou Niklaus.
– Niklaus – repeti o seu nome.
– Por favor, me chame de Klaus – pediu – Acho que só me chamam de Niklaus quando querem chamar a minha atenção e não consigo deixar de pensar que estou fazendo alguma coisa errada quando me chamam de Niklaus.
– Então está bem, Klaus... – foi impossível não sorrir – Mas só se você me chamar de Care.
– Care... Combina com você – me olhou de cima a baixo – Você veio dos Estados Unidos, certo? Aposto que deve estar exausta da viagem.
– Para falar a verdade, não – admiti – Eu dormi a maior parte do caminho. Estou um pouco dolorida porque a poltrona do avião não é confortável, mas cansada não.
– Então vamos embora, vou te levar para o hotel – avisou – Quatro malas! Um pouco exagerada, não acha? – comentou olhando para as minhas bagagens.
– Vou passar pelo menos um ano e meio aqui – lembrei – Queria ter trazido mais coisas, só que eu iria acabar pagando excesso de bagagem.
– Como eu fui criado com duas irmãs esse seu comentário – ele começou a empurrar o carrinho com as minhas coisas; meu lado feminista estava pronto para reclamar, mas Klaus estava sendo tão fofo – É a sua primeira vez em Londres?
– Primeira vez na Europa, na verdade – respondi – Já estive no Canadá com o meu pai e também já passei as férias no México com uma amiga, mas nunca tinha saído da América da América do Norte.
–Eu nasci aqui, então sou um pouco suspeito para falar – deu de ombros – Mas para mim Londres é uma das cidades mais incríveis do mundo, você vai amar viver aqui.
–Assim eu espero – estava nos aproximando da entrada do aeroporto onde ficava o serviço de manobrista – Pelo menos essa é a intenção...
– Aqui está – entregou o ticket para o homem que estava na bancada em frente a uma parede cheia de chaves de carro.
– Obrigado... – ele virou-se para pegar um dos chaveiros – Vou pedir para alguém trazer o seu veículo, senhor Mikaelson.
Mikaelson? O Klaus, esse cara simpático que veio me buscar no aeroporto é um Mikaelson?
– Você é um Mikaelson? – perguntei quando voltamos a ficar sozinhos – Você é um dos herdeiros do hotel!
– Sim, eu sou um Mikaelson e teoricamente sou um dos herdeiros de hotel – deu de ombros – Mas a história não é bem assim.
– Como a história não é bem assim? – fiquei mais confusa ainda – Você foi adotado e agora os seus irmãos ficam te fazendo de motorista.
– Oh não! Essa história de motorista é só um favor que eu estou fazendo para a minha irmã – disse – É uma longa história, mas eu estou disposta a te contar tudo se aceitar ir almoçar comigo. Talvez você não esteja cansada, mas como fome você com certeza está.
– Sendo sincera estou sim, a comida do avião é péssima e a altitude do avião me deixa enjoada e sem a menor vontade de comer – fiz uma careta, só a lembrança já faz o meu estômago embrulhar – Sim, eu aceito ir almoçar com você, se não for causar nenhum tipo de problema é claro.
– Não é problema algum – garantiu enquanto pegava o celular no bolso da calça jeans – Só preciso mandar uma mensagem para a Bekah e avisar que a gente vai demorar um pouquinho mais que o planejado.
***
Klaus me levou a um pub que, segundo ele, é um dos mais populares da cidade. Como estamos na hora do almoço o local está servindo os mais variados tipos de prato, mas como a maioria deles envolve carnes exóticas, decidi ficar na tradicional batata-frita com queijo e uma lata de refrigerante.
– Muito bem... – falei quando ele se sentou em frente a mim, tinha escolhido uma torta de alguma coisa não que consegui identificar o sabor – Pode começar a falar.
– Vamos ver... – colocou a mão no queixo fingindo estar pensativo – O que você sabe sobre a história da minha família? Deve ter lido alguma coisa ou outra na internet, imagino.
– Sim, eu dividi fazer umas pesquisas quando decidi aceitar a bolsa fiz umas pesquisas – respondi – Eu sei que o seu avô começou o hotel como uma pequena pensão no centro de Londres, então o seu pai expandiu o negócio para um hotel e ainda abriu outras filiais em Liverpool, em Edimburgo e Paris; agora você e os seus irmãos se dividem cuidando de todos os hotéis da rede.
– Certamente a versão romantizada e aprovada pelo meu pai da história – revirou os olhos – A verdade é que o grande visionário Mikael Mikaelson obrigou os filhos a estudar qualquer coisa que fossem úteis para o desenvolvimento do hotel e se algum de nós pensasse em estudar algo diferente disso, poderia ser considerado deserdado. Primeiro o Finn, meu irmão mais velho, o puxa-saco, estudou hotelaria e hoje em dia cuida sozinha da filial de Liverpool; Freya, a garotinha do papai, se formou em economia e agora está fazendo mestrado em administração de hotéis, ela trabalha em Paris junto com a nossa mãe; depois vem o Elijah, fez faculdade de administração e é o responsável pelo hotel aqui de Londres, você vai conhecê-lo ainda hoje; o Kol é o primeiro dos irmãos que é mais novo que eu e foi o último que o nosso pai viu se formando, também em administração, então ele “ganhou” a filial de Edimburgo de presente; a Rebekah está no último ano da faculdade de hotelaria, agora virou aprendiz do Elijah e vai ajudá-lo com os estagiários; o Herink ainda tem 13 anos, mas tenho certeza de que já tem alguém fazendo a cabeça dele para seguir o mesmo caminho que o restante da família.
– E a julgar pelos seus comentários altamente venenosos e sarcásticos a respeito dos seus irmãos, imagino que você não tenha cedido a chantagem do seu pai – observei – Estou certa?
– Desde pequeno eu faço brinquedos com tudo que eu encontrava: madeira, sabonete, fósforo usado... Quando eu fiz sete anos minha mãe me colocou em uma aula de pintura e meu pai só aceitou pois achava que seria apenas um hobby, mas ele não poderia estar mais enganado – continuou – Quando eu entrei na faculdade comecei a fazer várias aulas do curso de artes e quando o meu pai se deu conta eu já estava praticamente formado, acho que nem preciso dizer o quanto ele ficou irritado quando soube.
– E ele te deserdou por causa disso? – perguntei totalmente espantada. Sempre tive uma excelente relação com os meus pais e os dois sempre me incentivaram a seguir os meus sonhos; não consigo imaginar que alguém possa renegar o filho por um motivo tão fútil quanto esse.
– Não exatamente... – negou com a cabeça – Ele até queria, mas a minha mãe não o deixou fazer isso. Estava seguro quanto ao dinheiro, mas isso não me livrou das críticas do meu pai nem dos meus irmãos; fora a Bekah nenhum deles me considera mais como da família e sendo totalmente sincero, eu não ligo.
– Sinto muito – foi tudo que eu consegui dizer.
– Apesar de receber a minha cota no lucro dos hotéis, eu não ligo para o dinheiro, eu o deixo em uma poupança para uma emergência ou qualquer coisa parecida – prosseguiu com a sua explicação – Dou aula em um centro comunitário e estou terminando o meu mestrado em arte moderna e já comecei a fazer umas monitorias na graduação, isso paga as contas e ainda compra a comida.
Percebi que eu estava encarando ele como uma completa idiota quando Klaus parou de falar e ficou me olhando também.
– Você deve estar me achando um idiota, não é mesmo – quis saber – Eu poderia estar muito bem trabalhando em um dos hotéis da minha família e em vez disso eu decidi seguir os meus sonhos e virar artista.
– Não te acho idiota, Klaus, é totalmente o contrário – garanti – É lindo ver uma pessoa correndo atrás dos sonhos assim, mesmo com tudo contra você não desistiu do que queria, é realmente inspirador; você me lembra muito uma pessoa – com muitas ressalvas, é claro.
– Espero que isso seja um elogio – franziu o nariz.
A determinação e a vontade de correr atrás dos próprios sonhos, essa foi a semelhança que vi entre o Klaus e o meu ex-namorado. E posso dizer com toda a convicção que esse foi o motivo que fez com que eu me apaixonasse pelo Stefan tão rápido...
– Acredite, esse é o maior elogio que eu poderia te fazer – afirmei.
– Agora me conte algo sobre você – pediu – Eu aqui despejei todos os meus problemas familiares em cima de você e ainda não sei nada ao seu respeito. Você é de que lugar dos Estados Unidos?
– Ou moro, ou melhor, morava em Washington – respondi – E acredite, não tem nada de interessante para saber sobre mim.
– Pois eu duvido – argumentou.
– A verdade é que eu estou tentando recomeçar aqui em Londres – expliquei – Basicamente joguei tudo para o alto e vim para cá sem um passado.
– Aposto que isso deve ter alguma coisa a ver com um fim de namoro – concluiu, e o pior é que ele não poderia estar mais certo – E ainda arrisco dizer que não deve ter acabado de uma maneira muito legal.
– Talvez seja isso... – dei de ombros – Eu não quero falar sobre isso, por favor, entenda...
– Se é o que você quer – para o meu alívio ele concordou – Bom, em homenagem ao seu recomeço e a sua primeira vez em Londres, tenho uma proposta a te fazer.
– Uma proposta – coloquei as mãos embaixo do queixo – Que tipo de proposta?
– Quero oferecer meus serviços de guia turístico – disse – Não só aqueles lugares que todo turista vai, mas pontos que só quem mora aqui conhece; como você vai ficar morando aqui, imaginei que você se interessaria em conhecer.
– É mesmo uma excelente ideia – concordei – Vou adorar ter você como meu guia turístico.
– Ótimo! – ele sorriu parecendo satisfeito com a minha concordância – Sinto que esse é o começo de uma bela amizade.
– E eu sinto a mesma coisa – disse.
Fale com o autor