Second Chance

14 Capítulo 13 – Recomeço


Notas iniciais
Oi gente, Finalmente quarta-feira e um capítulo novinho de SC. Como eu disse antes, nesse capítulo vamos ver mais um pouquinho do inicio da Caroline em Londres. Espero que gostem

Foi impossível não abrir um enorme sorriso quando a imagem do meu pai surgiu na tela do computador. Nessas duas semanas que eu estou aqui em Londres tenho falado com ele todos os dias por telefone, mas sempre bom “vê-lo”.

– Minha filha! – pelo jeito ele também parecia feliz em me ver – Você parece bem, isso é ótimo!

– Estou bem, viva e inteira – respondi – Sei que essa era a sua maior preocupação.

Nesses primeiros dias de estágio no hotel Mikaelson tivemos tanta coisa para fazer que não dava tempo nem de respirar direito, por isso mesmo só conseguia ligar para casa e falar rapidamente com o meu pai. Ele ficou insistindo para que nos falássemos logo pela internet, mas só consegui isso agora.

– Fui obrigado a te deixar ir para milhares de quilômetros de distância e preciso garantir que você está mesmo bem – insistiu – Esse é o seu quarto?

Eu estava sentada de lado na cama de um modo que eu ficava de costas para a porta da varanda e era exatamente isso que ele estava vendo pela câmera do notebook.

– É sim! – afirmei – Temos uma varanda com uma linda vista da rua, não dá para ver nenhum monumento, mas já é alguma coisa.

– E como é que estão indo as coisas aí no estágio? – quis saber – Você disse que por enquanto só estavam assistindo palestras, quando é que irá começar o trabalho mesmo?

– Agora depois do almoço vai ter a distribuição de tarefas para os estagiários – expliquei – As palestras vão continuar, mas em menos frequentes.

Não que eu achasse as palestras ruins, muito pelo contrário, elas eram bem úteis, mas eu estou muito ansiosa para começar a trabalhar logo e essa espera está acabando comigo.

– Fico feliz em ouvir isso – disse – Mas fora o estágio, como estão indo as coisas? Já conheceu muitos lugares legais ai em Londres?

Por um momento fiquei sei saber o que responder. A verdade é que tenho passado todo o meu tempo livre conhecendo a cidade com o meu novo guia turístico particular; mas contar para o pai a respeito do Klaus? Depois de todo o drama com o Stefan, não sei o que ele pode pensar.

– Acho que posso dizer que eu conheci uns lugares bem legais da cidade – me limitei a dizer, dando de ombros – Londres é mesmo linda, pai, é um mesmo um sonho estar aqui.

Quando terminei de falar percebi que estava sorrindo e imediatamente tentei ficar séria.

– Mas chega de falar de mim, como estão as coisas aí em Washington? – mudei imediatamente de assunto – Onde é que está o Steven? Não me diga que ele já foi para a Delicatessen? – rapidamente fiz as contas: se estamos no final da manhã aqui na Inglaterra, na costa leste dos Estados Unidos deve ter acabado de amanhecer.

– Ele ainda está em casa, mas está no escritório acertando os detalhes do bufet de uma festa que ele vai fazer – explicou – Não se preocupe, ele já vem aqui falar com você. Acredite, tem momentos que eu acho que ele o Steven está sentido mais a sua falta do que eu, está sempre falando “como será que está a Caroline?” ou “o que será que a Caroline está fazendo agora?”.

– E você não falou em pensou isso nenhuma vez, não é pai? – revirei os olhos – Vou fingir que acredito.

– Finalmente! Achei que a senhora Gilbert não fosse calar a boca nunca – ouvi a voz de Steven ao fundo – Maldita hora que eu fui aceitar esse trabalho, vou ficar mais do que agradecido hoje a noite quando esse jantar finalmente passar.

O jantar para onde o serviço de bufet do Steven vai trabalhar é na casa dos Gilberts? Não preciso pensar muito que esse jantar é para comemorar o noivado da Elena com o Stefan; minha amiga comentou que a data estava mesmo perto.

– Steven, querido, olha quem está aqui... – meu pai chamou a atenção dele, provavelmente tenso pensando o que vou pensar a respeito do que acabei de ouvir – Ela não pode ficar muito tempo, porque está quase na hora do almoço lá em Londres; mas ela quer falar com você.

– Caroline, minha querida! – ele surgiu na frente da tela e acenou – Que saudades eu estava de você! Sei que só faz duas semanas que você viajou, mas para mim parece uma eternidade.

– Também estou com saudades de vocês, Steven – afirmei – E que jantar tão importante é esse que você vai fazer na casa dos Gilberts? – decidi me fazer de desentendida e perguntar logo de uma vez.

Os dois trocaram um rápido olhar de preocupação.

– Caroline... – meu pai continuou – Você está tão bem ai em Londres, a gente não queria te trazer lembranças ruins, por isso não te falamos nada.

– Pai, está tudo bem – garanti – Sendo sincera, eu nem penso mais nesses problemas que eu deixei aí em Washington – isso era verdade, grande parte graças ao Klaus.

– Sim, Caroline, o jantar de noivado do Stefan e da Caroline é hoje a noite, tenho certeza de que era nisso que você estava pensando – foi meu padrasto quem respondeu – Quando a senhora Gilbert me contatou querendo que eu fizesse o bufet eu pensei em dizer não; mas o dinheiro que ela vai me pagar é muito bom, sem contar a divulgação para a Delicatessen, que é sempre importante.

Pensei que fosse ficar mais tranquila ao receber essa notícia, afinal eu já sei desse casamento há mais de um mês, mas foi impossível não sentir um aperto no coração. Esse será o casamento do cara que eu amo com a minha melhor amiga, não existe uma maneira de isso não ser chocante.

– Tudo bem, Steve, eu entendo, você precisa trabalhar – garanti – Você é o melhor chefe de toda cidade de Washington, a senhora Gilbert seria uma idiota se não te contratasse.

– Você tem certeza de que está mesmo tudo bem? – quis saber, mais vez.

– Está tudo perfeitamente bem – dei de ombros, tentando demonstrar estar o mais tranquila possível – Foi assim que o Stefan quis que as coisas fossem; ele seguiu em frente e agora só me resta fazer a mesma coisa.

– Eu já estava desconfiando, mas agora eu tenho certeza... – continuou – Você está apaixonada!

– O que? – gritei mais alto do que estava planejando – Mas é claro que eu não estou apaixonada, Steven! Cheguei aqui em Londres há apenas duas semanas, sem contar que eu estou muito ocupada com o estágio.

– Ocupada ou não, você arranjou um tempo para conhecer alguém, te conheço desde pequena, Caroline, sei quando está mentindo – Steven estava com um sorriso malicioso e foi impossível não revirar os olhos – Pode ir contando tudo sobre ele.

– Que história é essa de ele? – meu pai, que tinha se levantado para ir até a cozinha, decidiu voltar justamente nesse momento – Pode começar a contar tudo, Caroline Forbes.

– Não tem ele, pai – infelizmente eu elevei um pouco o tom da voz quando falei isso, essa era a minha marca registrada de quando estou mentindo e os dois sabem muito bem disso.

Mas, para a minha sorte Katherine, minha colega, decidiu aparecer justamente nesse momento.

– Kath, que bom que você chegou! – disse – Vem aqui conhecer o meu pai e o meu padrasto.

Eu me levantei e praticamente a puxei na direção do meu computador.

– Essa daqui é a Kath, estamos dividindo o quarto – fiz as apresentações – Ela veio lá da a Bulgária.

– Oi, senhor Forbes – ela acenou timidamente – Estou muito feliz em “conhecê-lo”, a Care fala muito bem dos dois.

– Também é um prazer conhecê-la – meu pai a cumprimentou de volta – Espero que a Caroline não esteja te dando um muito trabalho aí.

– Pode acreditar, senhor Forbes, eu dou muito mais trabalho para ela do que ela para mim – brincou.

– Pai, agora eu preciso ir – avisei – Mas depois a gente conversa melhor.

Então eu encerrei a conversa e fechei a tela do notebook antes que qualquer um dos dois pudesse falar qualquer outra coisa. Foi impossível não soltar um suspiro de alívio.

– Obrigada, Kath! – continuei – Você não tem ideia de como salvou a minha vida nesse momento.

– De nada... – deu de ombros – E será que eu posso saber por que exatamente eu salvei a sua vida?

– Estávamos quase entrando no assunto “Klaus” – expliquei – E esse ainda não é o momento.

– Ainda não é o momento... – Kath fez uma careta enquanto sentava na própria cama – Care, vocês dois estão juntos há duas semanas; sei que o seu pai está morando em outro país, mas uma hora ou outra você não vai ter que contar a ele sobre o Klaus, de preferência antes das coisas entre vocês ficarem sérias.

No meu primeiro “encontro” com o Klaus, logo no dia seguinte a minha chegada a Londres, acabei levando Katherine junto comigo, mas logo que voltamos ao hotel ela disse que tinha percebido o clima entre a gente e que não estava afim de “segurar vela”. Kath não estava tão errada assim, pois quando ele me levou para conhecer o London Eye a gente acabou se beijando pela primeira vez, desde então temos vivido uma espécie de “amizade colorida”.

– As coisas entre mim e o Klaus não estão exatamente sérias – dei de ombros – E não tenho certeza se algum dia elas estarão, é cedo para dizer.

– Sinceramente, Care, eu não entendo esse seu bloqueio – voltou a reclamar – Se joga logo em cima dele, tenham uma noite bem quente juntos e esse bloqueio vai embora na mesma hora.

– O Klaus é um cara lindo, charmoso, um verdadeiro lorde inglês e beija absurdamente bem – admiti – Mas ainda não é a hora de me entregar dessa maneira... – apesar de estar totalmente disposta a seguir em frente, tudo que aconteceu no meu namoro com o Stefan ainda está muito vivo dentro de mim e sendo sincera acho que ainda preciso de alguns meses para me recuperar totalmente.

– Estou achando que essa beleza toda é de família... – continuou – Não sei os outros irmãos deles, mas o Elijah... Faria qualquer coisa para ter ele nos braços e na minha cama.

– Você sabe que ele é casado, certo? – lembrei; Elijah Mikaelson não é de falar muito, mas é possível ver a enorme aliança brilhando na sua mão esquerda – Klaus não se dá com o irmão, mas pelo que ele comentou, a esposa do Elijah é bem ciumenta.

– O Elijah passa mais tempo aqui do que em casa e eu também estou aqui – observou – O que a esposa dele não sabe não atinge ela.

– Por favor, Kath, não faz isso – alertei – Eu já fui a “outra” na vida de alguém e a história não acabou bem para ninguém. Acredite, em uma situação dessas a corda sempre arrebenta do lado mais fraco e nesse caso, é o da amante.

– Espera, não estou acreditando no que estou ouvindo – ela basicamente ficou de joelho em cima da cama e se virou para mim – Caroline Forbes já foi a amante na vida de um cara? Pode começar a contar tudo!

– Quem sabe outra hora – menti, era claro que eu nunca iria falar para ela sobre isso – Agora estamos atrasadas, o almoço começa a ser servido em cinco minutos.

– Certo... – fez uma careta – Vamos lá.

***

Logo depois do almoço fomos até um dos salões do hotel onde a Rebekah e o Elijah iriam anunciar qual seria a divisão das tarefas dos estagiários a partir da próxima semana. Estava com sorte, pois fui colocada no balcão de atendimento do hotel, juntamente com a Kath, certamente será uma experiência muito divertida.

– O que acha de fazermos alguma coisa juntas? – Katherine perguntou quando fomos liberados no final da “reunião”, tínhamos o resto daquele dia de folga – Ou você já combinou alguma coisa com o Klaus?

– Sinceramente, ainda não sei – dei de ombros – Não combinei nada com ele, mas nunca se sabe.

– Pensei que poderíamos dar uma volta no shopping, talvez ir ao cinema – sugeriu – Mas se você for fazer alguma coisa com o Klaus tudo bem, não vou atrapalhar o programa de vocês.

– Deixe-me olhar se o Klaus mandou alguma mensagem no meu celular – avisei enquanto pegava o aparelho no bolso da minha calça.

E não foi nenhuma surpresa quando o telefone terminou de ligar e tinha uma mensagem do Klaus.

Klaus: Care, você já está livre?

Assim que terminei de ler o que ela tinha me enviado, percebi Kath estava fazendo o mesmo por cima do meu ombro.

– Tudo bem, Care... – garantiu — Pode falar que você está livre para marcar alguma coisa com ele.

– Você tem certeza, Kath? – fiquei em dúvida; Katherine era a melhor e única amiga que eu tenho aqui e não posso deixá-la de lado só por causa de um cara – Porque eu tenho certeza que o Klaus vai entender se eu disser que vamos fazer alguma coisa juntas.

– Sim, eu tenho certeza – voltou a afirmar – Podemos ir ao shopping juntas amanhã; o que acha?

– Gostei dessa ideia... – concordei – Combinado, vamos ao shopping amanhã e passamos o dia inteiro juntas.

– Perfeito! – sorriu – Agora vai logo responder ao seu gato, acho que vou dar uma volta pelo hotel, quem sabe eu não consiga conversar com direito com o Elijah.

– É sério, Kath, é melhor você desistir... – revirei os olhos.

– Sou mais teimosa do que você pode imaginar – me jogou um beijo enquanto andava de coisas – Me deseje sorte, amiga.

Balancei a cabeça negativamente enquanto ela se afastava, só então comecei a digitar uma resposta para o Klaus.

Caroline: Estou sim, acabou agora a reunião do estágio e tenho o dia inteiro de folga.

Klaus: Perfeito! Estou naquele parque que fica perto do hotel, o que acha de vir aqui encontrar? Está fazendo um dia tão lindo e gostaria muito de aproveitá-lo com você.

Caroline: Parece divertido! Só preciso trocar de roupa e já vou aí te encontrar.

Klaus: Estou aqui te esperando...

– Você parece feliz... – retirei os olhos da tela do celular a tempo de encontrar Rebekah parada em frente a mim – Pelo jeito está vendo uma coisa muito legal aí.

Ainda não tive a oportunidade de conversar com a Rebekah, só trocamos algumas palavras no dia em que eu cheguei a Londres, mas pelo que Klaus fala a respeito da irmã ela parece ser uma ótima pessoa. Espero que a gente ainda tenha a oportunidade de se dar muito bem.

– Acho que posso dizer que sim – apenas dei de ombros.

– E isso, por acaso tem alguma coisa a ver o meu irmão? – eu estava olhando para os meus pés, mas essa frase dela fez com que eu voltasse a encará-la – Desculpa se eu estou parecendo intrometida, mas eu vi o Nik vindo te buscar várias vezes aqui na porta do hotel.

– Eu e o Klaus estamos apenas... nos conhecendo – me limitei a responder.

– Nik sempre foi fechado em relação as namoradas, não me lembro dele ter apresentado nenhuma garota para a família, nem mesmo nos bons tempos – explicou – Meu irmão já sofreu muito nessa vida por causa da rejeição do nosso pai, talvez você seja a garota que vai trazer um pouco de felicidade para ele.

– Acho que você está colocando muita perspectiva em mim – comentei – E tenho medo de não corresponder a isso.

– Pois eu acho sim – garantiu – Bom, vou deixar você aí, depois a gente conversa. Mande um oi para o Nik por mim.

Rebekah tinha me dado muitas coisas para pensar, mas decidi não pensar nisso agora. Decidi seguir para o meu quarto para tomar uma ducha e trocar de roupa para poder sair.

***

Klaus estava certo, estava fazendo raro dia de sol em Londres, o tipo de dia que é mesmo preciso aproveitar.

Assim que cheguei ao parque não demorou muito para encontrá-lo, ele estava em pé próximo a sombra de uma árvore e dava aula para um grupo de cinco crianças que não deviam ter mais do que seis ou sete anos. Elas estavam todas sentadas na grama com seus blocos de desenho e totalmente concentradas em suas artes.

Da distância que eu estava não conseguia ouvi-lo, mas Klaus parecia usar um tom delicado com seus pequenos alunos e foi impossível não pensar que ele com certeza será um excelente pai um dia.

Quando ele se virou por um instante na minha direção, os nossos olhos acabaram se encontrando.

– Care! – gritou enquanto acenava para mim – Venha até aqui!

– Oi... – dei um sorriso tímido enquanto me aproximava – Eu posso ficar observando daqui mesmo, não quero atrapalhar a sua aula.

– Você nunca atrapalha, Care – deu um beijo no meu rosto – Turma, essa é a Caroline. Ela não é linda?

– Sim! – eles responderam em uníssono, o que fez com que eu sentisse o meu rosto esquentando quase que imediatamente.

– Klaus... – revirei os olhos.

– Eles estão apenas sendo sinceros, não posso fazer nada – apenas deu de ombros, fazendo a cara mais inocente do mundo – Muito bem crianças, a nossa aula acabou. Se na semana que vem o tempo estiver tão bom quanto hoje, a gente pode fazer a aula aqui no parque novamente.

Todos eles se levantaram e correram na direção de suas mãos, que estavam um pouco mais distantes observando a aula.

– Aula de artes ao ar livre – comentem em seguida – Essa é uma coisa que eu nunca imaginei ver uma coisa dessas aqui em Londres.

– Gosto de trazer as minhas turmas aqui para o parque quando o dia está bom, principalmente quando são crianças, acho que elas se concentram mais aqui – explicou – E as mães também gostam; então estou unindo o útil ao agradável.

Então Klaus me puxou pela cintura fazendo que meu corpo colocado no seu e me deu um selinho. Soltei um suspiro e entreabri os lábios correspondendo ao beijo colocando os braços em volta da sua cintura; posso até estar em dúvida sobre a nossa situação, mas certamente nunca vou me cansar disso.

– O que foi? – ele perguntou no momento em que nos afastamos quando o ar foi necessário.

– Só estava pensando no que você poderia estar planejando para nós hoje – disse – Não que eu esteja reclamando, mas tenho quase certeza de que você não me chamou aqui só para ficar me beijando.

– Talvez eu tenha feito isso... – deu de ombros – Mas tudo bem..., já a gente pode dar uma volta aqui pelo parque e aproveitar o resto do dia. O que acha?

– Perfeito! – concordei.

– Só preciso pegar as minhas coisas – avisou enquanto se afastava de mim – Aí podemos ir.

Klaus pegou o bloco de notas e os lápis dele que estavam embaixo da árvore. Em seguida segurou a minha mão e saímos andando juntos.

– E como é que foi no hotel hoje? – quis saber – Está mesmo sendo tudo que você imaginava que seria?

– Sinceramente, está sendo até mais do que eu poderia imaginar – admiti – Certamente nunca vou me arrepender de ter tomado a decisão para Londres.

– Como você sabe eu desisti de qualquer carreira na área de hotelaria, então acho que nunca vou entender essa sua empolgação – revirou os olhos – Mas a sua decisão de vir para Londres fez com que a gente se encontrasse, então certamente foi uma coisa boa.

– Certamente outra vantagem... – tive que concordar.

Ele soltou a minha mão e colocou o braço em volta do meu ombro. Qualquer um que nos visse de longe pensaria que somos um casal apaixonado de namorados.

– E eu tive uma conversa bem interessante com a Rebekah hoje — continuei – Sobre você.

– Você teve uma conversa com a minha irmã sobre mim? – parou de repente para poder me olhar – E será que eu posso saber exatamente o que vocês conversaram.

Abri e fechei a boca várias vezes sem saber o que responder; será que eu conto para ele sobre as perspectivas da Rebekah a respeito do nosso relacionamento que nem ao menos existe? Para a minha sorte um homem passa perto de nós com um carrinho de sorvete nesse mesmo instante.

– O que acha de tomarmos um sorvete? – fiquei muito feliz em poder mudar de assunto – Eu pago.

– Aceito, mas sou eu quem vou pegar – avisou já retirando a carteira de dentro do bolso, tínhamos saído vezes o suficiente para eu saber que era melhor não discutir com o Klaus a respeito disso – Qual sabor você quer?

Estava pronta para dizer que queria um sorvete de chocolate, o meu favorito, mas...

– Quero o mesmo sabor que você quiser – decidi por fim – Claro que nada muito exótico, por favor.

– O que acha de limão? – sugeriu e eu apenas balancei a cabeça afirmativamente – Vamos querer dois picolés de limão.

Assim que ele pagou e pegamos os nossos sorvetes continuamos com a nossa caminhada.

***

– Posso te mostrar uma coisa? – estávamos no meio da tarde e decidimos sentar em uma área do parque tinham diversas barriquinhas de lanche – É algo que eu tenho trabalhado bastante nas últimas semanas, ainda não está pronto, mas quero muito que você veja.

– Estou oficialmente curiosa – afirmei – Do que se trata, exatamente?

– Está aqui... – pegou a pasta que estava ao seu lado e tirou o bloco de desenhos lá de dentro – Espero que não ache estranho ou precipitado, saiba que eu fiz isso de coração e espero que mesmo que goste.

E lá estava... Era um desenho mesmo apenas até a altura do ombro, parecia mesmo apenas um esboço, mas Klaus tinha mesmo conseguido captar todas as minhas expressões e até mesmo um brilho nos meus olhos.

– É lindo... – disse por fim.

– Comecei a desenhar isso logo depois de darmos o nosso primeiro beijo – prosseguiu com a explicação – Cheguei a casa naquela noite e não consegui parar de pensar em você e quando dei por mim estava com o bloco de desenhos e fazendo isso aqui.

– Eu me sinto lisonjeada – admiti – É sério! Acho que ninguém nunca tinha feita nada parecido para mim antes.

– Sendo sincero, também nunca tinha feito isso para ninguém antes – ele foi se sentar mais perto de mim – Care, eu... Eu nunca senti por ninguém o que eu estou sentindo por você e por mais ridículo que possa parecer esse tempo que tenho passado ao seu lado tem sido o ponto alto das últimas duas semanas, algo que eu só costumo sentir apenas quando eu estou dando aula no centro comunitário. Sempre pensei que seria um solteirão convicto, que nunca teria filhos e talvez viver para paparicar os meus sobrinhos, mas te conhecer, me fez questionar tudo isso.

Klaus colocou a mão sob a minha, um gesto quase que automático.

– Eu sei o que você vai dizer a agora – o interrompi – E eu sinto muito, Klaus, mas eu não posso pensar em seguir em frente com você, pelo menos não agora.

– Certo... – pude ver a decepção nos seus olhos e isso realmente cortou o meu coração – Eu entendo, mas será que eu posso ao menos saber o porquê disso? Tem alguma coisa a ver com aquele fim de relacionamento traumático sobre o qual você falou logo que a gente se conheceu?

– Em parte sim, mas é um pouco mais grave do que isso – dei de ombros, talvez tenha chegado o momento de finalmente me abrir com alguém sobre tudo que aconteceu – Eu acabei de perder um bebê.

– Uau... – pareceu mesmo chocado com a minha revelação – Eu sinto muito, sinto de verdade.

– Vai fazer dois meses na semana que vem – continuei – Eu tive um quadro de pressão alta durante a gestação e acabei tendo uma pré-eclampsia. Por sorte os médicos conseguiram me salvar, mas o bebê não teve tanta sorte.

– Era uma gravidez recente? – quis saber.

– Entre 17 e 18 semanas – disse – Tinha acabado de descobrir que ia ter uma menina, ela ia se chamar Emma. Eu estava mesmo empolgada com a ideia de ser mãe, mas não era para ser, então...

As lágrimas se acumularam nos meus olhos, falar da Emma ainda era muito doloroso para mim.

– Não fica assim, Care – Klaus passou a mão pelo meu rosto para poder limpá-lo – Foi por isso que o seu namoro terminou? O pai da sua filha ficou bravo quando você perdeu o bebê e te largou?

– Não... A perda do bebê foi certamente uma das razões, mas não o principal motivo – balancei a cabeça negativamente – E ele vai se casar com outra. Falei com o meu pai mais cedo e descobri que o jantar de noivado vai ser hoje.

– Dois meses do fim do namoro e ele já está noivo de outra..., deve ter sido mesmo um baque para você – afirmou – Eu entendo o seu lado, Care, mas eu não sou ele e jamais faria nada para te magoar.

– Eu sei disso, Klaus – dei um pequeno sorriso – Mas eu ainda preciso de um tempo, porque ficar com você agora me daria uma sensação de estar me vingando do meu ex-namorado e eu vou me sentir a pior das pessoas se fizer isso. Você entende o meu lado?

– Entender eu não entendo, mas eu te apoio — garantiu – E acredite, vou te esperar pelo tempo que precisar. Quando você estiver pronta, vou estar aqui...

Ele deu me deu um beijo na testa e eu deitei a cabeça no seu ombro. Acho que essa é a primeira vez em várias semanas que eu me sinto totalmente protegida e até mesmo amada.

Quem sabe um dia...

Notas finais
E ai, gostaram? A Caroline foi totalmente sincera com o Klaus e contou tudo que aconteceu (ou quase tudo) e ele foi um fofo com ela. Como vocês já sabem, as coisas realmente vão acontecer entre eles, mas não vamos ver tudo (talvez em flashback, mas só) No próximo cap teremos o ponto de vista do Stefan e depois começará a segunda fase da fic. **** Bom, é isso Comentem e digam o que estão achando. Recomendações?