Second Chance
12 Capítulo 11 – Essa é a minha decisão
Notas iniciais
Tinha plena consciência de alguém acariciando a minha mão. Abri os olhos lentamente e a claridade atingiu a minha retina, mas não demorou muito para as coisas começarem a tomar foco.
Eu estava deitada em uma cama com um aparelho de monitoramente cardíaco ligado do meu corpo e um soro preso ao meu braço direito. O quarto era totalmente branco, a cortina estava fechada, mas não impedia que a claridade entrasse pelo ambiente. Além disso, minha mãe estava sentada ao meu lado.
– Bom dia, meu bebê... – ela passou a mão pelo meu cabelo.
– Mãe – tentei me sentar, mas eu ainda estava me sentindo fraca, provavelmente por causa do sedativo, então preferi continuar deitada – Onde eu estou? O que aconteceu?
– Você está no hospital – explicou – Lembra do que aconteceu ontem?
– Ontem? – me espante, quer dizer que eu estava ui há um dia – Quanto tempo eu dormi?
– A enfermeira precisou te sedar antes que a médica te examinasse – explicou – Não sei se lembra, mas você estava muito nervosa quando chegamos aqui.
Tudo começou a ficar bem claro na minha mente. Minha briga com o Stefan, eu o mandando embora do apartamento, a dor insuportável que comecei a sentir logo depois e, é claro, o grande medo que senti de perder o meu bebê.
– Minha filha... – coloquei a mão sob a minha barriga – Mãe, por favor, me diz que está tudo bem com ela.
– Acho melhor chamar a médica para conversar com você – avisou.
Antes que ela pudesse se levantar da cadeira, a porta do quarto foi aberta. Pensei que fosse a médica ou até mesmo uma enfermeira, mas eu estava enganada.
– Pai? – essa foi sem dúvidas a maior surpresa do dia; o que ele está fazendo aqui?
– Você já acordou... – seu tom de voz era frio, o que me fez presumir que ele já sabia a verdade, de toda a verdade – Bom...
– Eu o chamei aqui quando chegamos ao hospital, querida – minha mãe explicou – Bill, será que você pode ver se a médica está ocupada? Ela provavelmente vai querer conversar com a Caroline.
– Claro, eu já volto – avisou enquanto se virava novamente para sair do quarto.
– Deixe-me abrir um pouco essa cortina – levantou-se indo até a janela quando voltamos a ficar sozinhas – Está um dia lindo e não é só porque você está nesse hospital que não pode tomar um pouco de sol.
– Obrigada, mãe... – dei um fraco sorriso, pude ver através do vidro que está mesmo um belo dia, bem típico de inicio de verão – O meu pai sabe porque eu estou aqui?
– Não tive como mentir para ele – respondeu – Sei que é difícil contar esse tipo de coisa, ainda mais para o pai. Apesar de você já ter quase 22 anos, sei que o seu pai ainda te vê como aquela garotinha de cinco anos toda mal-humorada por estar sendo obrigada a morar em Washington e essa é a maior prova de que você não é mais.
Eu apenas dei de ombros. Claro que eu isso era algo preocupante, mas não foi só por esse motivo que eu não tinha contado nada para o meu pai sobre a gravidez.
– Foi por causa do bebê que você decidiu não aceitar a bolsa na Inglaterra? – voltou a perguntar.
– Um dos motivos... – limitei-me a dizer, embora depois de tudo que aconteceu ontem sinto que a única coisa que realmente está me prendendo aqui nos Estados Unidos é a minha pequena Emma.
– E você vai me contar quem é o pai? – insistiu.
Meu pai retornou juntamente com uma médica e não pude deixar de agradecer silenciosamente por isso. Apesar de saber que uma hora ou outra vou precisar contar a respeito de mim e do Stefan, ainda não estou preparada para fazer isso agora.
– Bom dia, Caroline, eu sou a doutora Meredith Fell e estou cuidando do seu caso – a mulher recém chegada começou a falar comigo enquanto se aproximava do pé da cama – Será que a gente pode conversar um pouquinho?
Toda a preocupação que eu estava sentindo no momento em que acordei voltou com força total. Um dos motivos para eu não gostar de ir ao médico e por saber que quando eles vem com esse tom de voz doce e tranquilo é sinal de que não vem notícia boa por ai...
– Será que eu posso conversar com a Caroline a sós? – dessa vez ela perguntou diretamente para os meus pais.
– Claro! – foi minha mãe quem respondeu antes de se levantar – Vamos estar aqui por perto, qualquer coisa pede para nos chamar.
– Está bem – concordei antes dela me dar um beijo no topo da cabeça.
Os dois saíram de dentro do quarto, então a doutora Fell sentou-se na cadeira em que a minha mãe estava há poucos instantes.
– Muito bem, Caroline... – voltou a falar logo em seguida – Antes de qualquer coisa, me diga: como está se sentindo hoje?
– Doutora Fell, sinceramente, eu não estou com vontade de conversar agora – respondi – Tudo que eu quero saber é se está tudo bem com a minha filha.
– Caroline, você precisa saber que já chegou aqui com uma hemorragia muito grande – disse calmamente – A sua obstetra chegou aqui com o seu prontuário que indicava que você já tinha apresentado uma leve hipertensão mais cedo naquele dia.
No caminho até o hospital passei para a minha mãe o número da doutora Benson, por isso quando chegamos aqui ela já estava nos esperando. Essa era uma das poucas coisas que me lembrava,
– A pressão não estava tão alta assim – dei de ombros – A doutora Benson que isso não oferecia nenhum tipo de risco; nem para mim, nem para o bebê.
– Naquele momento – me corrigiu – Nos voltamos a medir e a sua pressão estava muito mais alta do que antes e você estava com um quadro de pré-eclampsia.
– Não... – as lágrimas inundaram os meus olhos e voltei a colocar a mão sob a minha barriga, uma estranha sensação de vazio me atingiu nesse momento – Mas vocês conseguiram reverter o quadro, não foi? A minha pequena Emma está bem e protegida aqui comigo, certo?
– Sinto muito, mas não tinha absolutamente nada que pudéssemos fazer – continuou – Infelizmente você perdeu o bebê.
Se já estava difícil de segurar as lágrimas, agora eu comecei a chorar para valer. Aquilo era tudo que eu não queria ouvir ; não podia ser verdade...
– Não..., isso não é possível – balancei a cabeça negativamente – Ela estava bem ontem, eu escutei o coraçãozinho dela, já tínhamos escolhido um nome; não é possível que tudo acabou assim...
– Foi uma fatalidade, Caroline – a doutora Fell tentou me acalmar, mas acho que nada que ela falasse nesse momento faria com que eu me sentisse melhor – Fizemos vários exames e está tudo bem você. Espere alguns meses e você vai conseguir engravidar novamente.
– Não tenho certeza se engravidar novamente é a melhor solução agora – dei ombros – Não depois de tudo.
– Gravidez não planejada. imagino... – supôs.
– Tipo isso... – não era apenas a respeito da gravidez não ter sido planejada que eu estava me referindo, mas sim dos meus atuais problemas com o Stefan; não existia nenhum tipo de clima para termos a Emma, quanto mais para fazermos outro bebê. Claro que eu não dizer isso em voz alta – Doutora, me responda com toda a sinceridade: se eu tivesse vindo aqui mais cedo, teria conseguido salvar o meu bebê?
– Quanto a isso eu não posso afirmar, mas com certeza foi possível salvar a sua vida e é nisso que você deve se focar agora – afirmou – E tente não se culpar pelo que aconteceu, pois tenho certeza de que não foi culpa sua.
– É meio difícil não me sentir culpada – soltei um longo suspiro – E pior é que eu cheguei a pensar em abortar quando descobri que estava grávida. Gostaria de nunca ter dito isso...
– Você está nervosa, tudo bem, é normal – continuou – Vou chamar a enfermeira para ela te medicar.
– Eu não quero ser medicada – reclamei – Já fui medicada ontem, eu estou cansada de ser apagada.
– Caroline, você passou por um momento de grande estresse e também de grande emoção – lembrou – Acredite, isso vai te fazer se sentir um pouquinho melhor.
E não adiantou nada. Apesar da minha relutância, a doutora Fell chamou a enfermeira para me medicar e em poucos instantes eu estava caindo na inconsciência mais uma vez.
***
Aparentemente não tinha passado mais do que uma ou duas horas quando acordei novamente. Dava para ver que ainda estava claro do lado de fora e pela intensidade dos raios de sol que entrava pela janela, deveríamos estar no máximo no inicio da tarde.
Da mesma maneira que aconteceu mais cedo, também tinha alguém dentro do quarto agora. Só que dessa vez era o meu pai, ele estava sentado na poltrona, o mais distante o possível de mim.
– Boa tarde, Caroline... – usou o mesmo tom frio de antes – A médica disse que você já estava para acordar e que eu podia ficar esperando aqui enquanto isso.
– E onde é que está a mamãe? – minha voz continuava estranha exatamente como antes, mas também, depois tantos remédios, não era de se esperar que eu estivesse meio grogue.
– O voo dela para Mystic Falls sai dentro daqui a uma hora, o Steven foi levá-la ao aeroporto – explicou – Claro que ela não concordou em sair daqui até que a médica garantisse que você já está 100%.
– Ah... – foi tudo que eu disse.
– Como não os seus exames estão normais e também não houve nenhum tipo de problema durante a curetagem, não tem motivos para você ficar aqui –continuou – Só estão esperando que você esteja totalmente recuperada do remédio que te deram e vão assinar a sua alta.
– Ótimo! – suspirei aliviada, depois de tudo que aconteceu nas últimas 24 horas estou precisando muito da minha casa e da minha cama.
– E você vai para a minha casa – avisou – Tenho certeza de que vai ser bom que eu e o Steven cuidemos de você por uns dias.
Se eu ainda tinha alguma dúvida ela foi embora nesse momento, meu pai sabia de tudo.
– Você está com raiva de mim... – aquilo não era uma pergunta.
– Não exatamente com raiva, eu estou surpreso, isso sim – ele se levantou e veio se aproximando de mim enquanto falava – A Caroline que eu conheço jamais mentiria para mim e para a mãe, principalmente por causa de um cara que obviamente não vale a pena.
Fiquei encarando um ponto fixo na parede um pouco acima da porta. E estava a razão de eu não ter sido sincero com ele até agora; sabia que meu pai nunca iria aceitar essa história, mesmo quando ainda tinha o bebê em jogo.
– Como que você descobriu? – quis saber.
– Ficou claro para mim assim que sua mãe me ligou dizendo que você estava perdendo o bebê; talvez você demorasse um pouco, mas teria me dito se estivesse namorando, ainda mais pelo fato de que você estava grávida – deu de ombros como se aquilo não fosse nada demais – Além disso, o Stefan esteve aqui no hospital ontem a noite.
– O Stefan esteve aqui? – por mais que estivéssemos brigados foi impossível não sentir o meu coração disparar, ele ainda se preocupa comigo e com a nossa filha – E ele já sabe do...
– Sim – balançou a cabeça afirmativamente, interrompendo a minha frase – Ele queria subir para falar com você, mas eu não deixei por motivos óbvios.
– Pai... – o reprimi.
– Ora..., você chamou a sua mãe quando estava passando mal e não ele, deve ter tido algum motivo para isso – se defendeu – E desconfio que isso deve ter a ver com o fato de você ser a outra e estar cansada disso; outra coisa que nunca fez o seu estilo.
– Eu não era exatamente a outra – tentei explicar – O namoro do Stefan e da Elena é falso, apenas uma jogada política; ele fingia estar com ela, mas estava comigo, por oito meses.
– Mas obviamente algo mudou – concluiu – Quer me contar o que foi?
– Pensei que com o bebê e o fato dele estar empolgado com a ideia de ser pai pudessem fazê-lo acabar com toda essa farsa, mas eu estava só me iludindo; ele vai casar com a Elena e pelo jeito nada do que eu falar ou fizer vai fazê-lo mudar de ideia – soltei um longo suspiro, aquelas lembranças eram muito dolorosas para mim e acho que sempre serão – Então nós brigamos e o resto você já sabe.
– Eu sinto muito, minha filha – colocou a mão sob o meu ombro – Mas também não posso dizer que isso era praticamente uma tragédia anunciada.
– É! Eu sei – tive que concordar.
– Você ainda o ama e isso ficou totalmente evidente quando vocês dois terminaram – lembrou – Mas mentir por oito meses por causa de um namorado, se arriscar a ser taxada de outra pela sociedade, isso não é você. O que aconteceu?
– Como você mesmo disse, pai: eu amo o Stefan – disse – Fiquei arrasada quando pensei que ele não me quisesse mais, mas então eu descobri que não era bem assim e foi impossível não perdoá-lo. Nunca senti isso antes por ninguém, nem pelo Liam e muito menos pelo Jesse; o Stefan é diferente e eu senti que por ele valia a pena enfrentar tudo isso.
– Caroline, querida, você abriu mão do estágio em Londres – insistiu – Desde que você entrou no curso de hotelaria era o seu sonho conseguir essa bolsa quando se formasse. Não acha que se o Stefan te amasse de verdade não te faria abrir mão disso.
– O Stefan não me pediu nada, a decisão foi minha – garanti – E não foi só por causa dele, mas do bebê também. Como eu ia grávida para a Inglaterra e depois me manter com a minha filha lá até o final do estágio.
– Sei que é sofrido para você ouvir isso, mas não tem mais bebê; e pelo que eu pude entender você e o Stefan também não tem mais volta depois dessa história de casamento — continuou – Ainda dá tempo de aceitar o estágio ou já é tarde demais?
– Eu tenho até a segunda semana de agosto para aceitar ou não bolsa e para a faculdade enviar toda a minha documentação para Londres – respondi – Estava esperando passar a formatura para avisar que eu não vou aceitar a bolsa.
– Então aí está! – pareceu satisfeito ao ouvir as minhas palavras – Aceite a bolsa que você queria tanto e que lutou para conseguir. Depois de tudo que aconteceu vai te fazer até bem passar um tempo em Londres, longe de todas essas lembranças todas aqui de Washington.
– Pai, eu acabei de brigar com o meu namorado e de perder o meu bebê, tudo em um intervalo de menos de doze horas – lembrei – Ainda preciso de um tempo para pensar no que eu vou fazer.
– Se é assim que você prefere – deu de ombros – Só quero você saiba que eu estou aqui para o que você precisar.
– Eu sei disso, pai – dei um fraco sorriso – E desculpa por ter mentido para você sobre o meu namoro com o Stefan, mas eu...
– Não precisa falar mais nada, Caroline – voltou a me interromper – Preocupe-se apenas em descansar e em se recuperar para poder tomar a melhor decisão.
Ele voltou a se aproximar e deu um beijo no topo da minha cabeça.
– Com licença, senhorita Forbes – uma enfermeira abriu a porta do quarto – A doutra Fell me pediu para ver como a senhorita está para saber se já pode assinar a sua alta.
– Vou deixá-la ser examinada – meu pai avisou – E não se esqueça, você vai para casa comigo quando sair daqui.
– Pode deixar que eu não esqueci – concordei com a cabeça antes que ele saísse.
***
Recebi alta menos de uma hora depois. Exatamente como tinha prometido, meu pai me arrastou para casa no instante em que eu sai do hospital; a versão oficial era de que lá eu poderia descansar e me recuperar melhor, mas sei que a intenção dele também é poder me vigiar.
A única vantagem da minha “prisão domiliciar” é que eu tenho bastante tempo para pensar, principalmente a respeito da conversa que tive com o meu pai. Dois dias depois eu já tinha tomado a minha decisão.
– Aqui está: uma sopa de frango, batata baroa e macarrão – Steven me entregou a caneca contendo o liquido fumegante – Exatamente como eu fazia para você quando era pequena e ficava doente, lembra?
– Claro que eu me lembro – sorri enquanto mexia a sopa com a colher na intenção de esfriá-la – Só é meio irônico tomar sopa em pleno verão.
– Se você quiser, eu posso ligar o ar-condicionado – sugeriu.
– Talvez seja uma boa ideia – concordei antes de tomar uma colherada, a sopa estava mesmo uma delícia, exatamente como eu me lembrava – E Steven, caso você pode ir para a delicatessen se quiser; eu com certeza não preciso de uma babá 24 horas por dia.
– Está tudo sobre controle lá no restaurante, posso me dar um dia de folga para ficar em casa mimando a minha enteada – foi impossível não revirar os olhos – E também posso dar um presentinho para ela.
Quase não acreditei quando o vi segurando o meu celular. Meu pai tinha pego o telefone alegando que mensagens indesejadas poderiam me estressar e não teve nada que eu pude ver quanto a isso.
– Você está falando sério? – quis saber.
– Acredito que proibir alguém de fazer alguma coisa só torna tudo muito pior – me entregou o aparelho – Tenho certeza que ouvi uma mensagem chegando.
– Obrigada, Steven – digitei a senha desbloquear a tela – E não se preocupe, vou devolvê-lo antes do meu pai chegar em casa.
– Enquanto você se diverte vou pegar um suco de laranja para você – avisou enquanto se afastava.
Coloquei a caneca de sopa em cima da mesa para poder olhar o meu celular. Exatamente como meu padrasto disse,tinha uma mensagem lá para mim.
Stefan: Care, não sei se você sabe, mas tentei falar quando estava no hospital só que seu pai não deixou subir e depois descobri que a minha entrada no seu apartamento também está proibida. Sei que deve estar com muita raiva de mim agora, mas a gente precisa conversar.
Steven foi quem buscou algumas roupas para mim, pois não tinha nenhuma no meu antigo quarto, eu não coloquei os pés no meu apartamento desde antes de ir para o hospital. Essa proibição só pode ter o dedo do senhor Bill Forbes.
Comecei digitar uma mensagem para ele.
Caroline: Não estou no meu apartamento, estou com o meu pai; ele está basicamente controlando todos os meus passos. Mas eu também quero conversar com você
Stefan: Entendo... Não tem mesmo como ir me encontrar agora? Estou em horário de almoço.
Caroline: Acho muito difícil, mas vou ver o que posso fazer e te respondo daqui a pouco.
– E aqui está o seu suco – Steven colocou o copo em cima da mesa de centro e se sentou ao meu lado – Conseguiu resolver o seu “problema”?
– Mais ou menos – dei de ombros – Steven, você disse agora a pouco que proibir alguém de fazer algo é pior que qualquer coisa, certo?
– Sim, foi exatamente o que eu disse – afirmou – O que você quer que eu faça por você?
– O Stefan está querendo se encontrar comigo – mostrei a tela do telefone para ele – Prometo que não quero voltar com ele ou qualquer coisa parecida, só acho que ele precisa de uma explicação a respeito do que eu vou fazer. Você me entende, não é mesmo?
– Sim, eu entendo... – afirmou – E não se preocupe, eu não vou te proibir de ir encontrar com ele, mas eu vou com você.
– Está bem – o abracei com bastante força – Obrigada, Steven, você é mesmo o melhor padrasto do mundo.
– Mas antes de ir, termine a sua sopa – avisou – Enquanto isso eu vou trocar de roupa.
– Está bem! – concordei, antes de pegar o celular para poder mandar mais uma mensagem para Stefan.
Caroline: Tudo resolvido, eu já posso ir te encontrar. No parque?
Stefan: Combinado, estarei lá em vinte minutos. No lugar de sempre?
Caroline: Sim. Eu te encontro lá.
***
Stefan já estava no lugar combinado quando chegamos. Ele se levantou do banco assim que me viu e veio caminhando na nossa direção.
– Oi, Care! – ele se inclinou para me dar um selinho, mas eu virei o rosto fazendo com que beijasse a minha bochecha – Steven... – percebi que ele ficou bem envergonhado com a minha reação.
– Olá, Stefan – meu padrasto o cumprimentou – Bom, não se preocupe, eu só vim aqui trazer a Caroline, não vou atrapalhar a conversa de vocês.
– Certo – Stefan pareceu satisfeito em saber disso.
– Preciso fazer umas ligações para saber se está tudo bem no restaurante e também para uns fornecedores, mas eu estarei por perto – ele falou diretamente para mim – Qualquer coisa pode me chamar.
– Está bem, Steven – garanti – E não se preocupe, eu vou ficar bem.
Colocou a mão sob o meu ombro antes de se afastar. Ele sentou-se em um banco o mais possível de nós e de onde provavelmente não poderia no escutar.
– Então... – voltei a encarar meu ex-namorado enquanto falava.
– Então... – repetiu as minhas palavras enquanto me olhava de cima a baixo – Está bem quente hoje, não é?
– Com certeza – concordei – Lá na casa do meu pai não parecia tanto, mas aqui no parque...
– Pensei em comprar um sorvete para mim, posso comprar um para você também... – sugeriu – Chocolate, certo?
– Sim! – sorri com a lembrança do nosso primeiro encontro, mas logo reprimi o meu pensamento, aquele não era o momento para nostalgias – Adoraria um sorvete de chocolate.
– Perfeito! Eu já volto – avisou.
Enquanto esperava eu decidi me sentar. Infelizmente tínhamos combinado de nos encontrarmos bem em frente ao parquinho infantil, onde as crianças gritavam e se divertiam.
Foi impossível não pensar na minha pequena Emma nesse momento, ainda é tudo tão recente.
– Está tudo bem, Care? – nem ao menos reparei quando Stefan se sentou ao meu lado.
– Não está nada bem... – balancei a cabeça negativamente enquanto olhava para as crianças que brincavam ali, totalmente alheias ao mundo ao seu redor, ele fez a mesma coisa que eu – Ainda fico pensando em como ela seria, com qual de nós ela se pareceria mais, do que ela mais gostaria de brincar, qual seria a sua comida favorita, esse tipo de coisa... É tão doloroso saber que nunca descobrirei essas coisas, que nunca vou tê-la aqui conosco.
– Care... – me puxou para que eu deitasse a cabeça no seu ombro – Quando eu soube fiquei totalmente arrasado, saí do hospital e chorei o caminho todo para casa, imagino que para você deva ser mais doloroso ainda.
– Desculpa, Stefan, eu molhei todo o seu terno – disse quando me afastei – Eu sou mesmo uma idiota.
– Não tem problema, é só algo – garantiu enquanto me entregava o pote de sorvete – Venha, vamos para outro lugar onde a gente possa conversar mais a vontade.
E durante todo o tempo em que tomamos o nosso sorvete permanecemos em silêncio. Parecia que Stefan queria de alguma maneira me dando um tempo para que eu ficasse mais calma.
Logo em seguida fomos nos sentar novamente, dessa vez em frente ao lago. Era um lugar isolado e apesar de estarmos perto de uma pista de corrida, raramente passava alguém por aqui.
– Você me odeia? – a pergunta dele me pega totalmente se surpresa – Sabe, depois de tudo que aconteceu não ficaria surpreso se você me odiasse.
– Eu não te odeio, Stefan, por mais que essa seja a minha vontade – admiti – Nos últimos dois dias eu realmente tentei te culpar pela perda do nosso bebê, mas a verdade é que a culpa não é totalmente sua, também é minha. Fui eu quem procurou tudo isso no momento em que aceitei ser sua amante e sou uma idiota se em algum momento eu pensei que a coisas poderiam terminar de uma maneira diferente do que terminaram.
– Claro que não é assim, Care – passou a mão delicadamente pelo meu rosto – Você nunca foi minha amante e sabe muito nem disso: você é a minha namorada!
– Consegui repensar todo o nosso relacionamento nos últimos dois dias e a verdade é que eu me iludi totalmente acreditando em um futuro com você – consegui afastá-lo de mim – Quando nos conhecemos você disse que estava aqui em Washington para seguir com a sua carreira política e que faria de tudo para realizar o seu sonho. Por mais que você diga que me ama, e eu realmente não duvido disso, o seu casamento com a Elena é o requisito para que você tenha o apoio político do pai.
– Mas não diminui o meu amor por você – garantiu – Posso ter que me casar com a Elena, mas será apenas um relacionamento de fachada; eu te garanto que nunca vou nem mesmo tocar nela.
– Até o senhor Gilbert achar que vocês dois estão demorando muito para terem um herdeiro... – dei de ombros – Vamos encarar os fatos, Stef: depois do casamento esse será o próximo passo, ele vai forçar vocês a terem um filho.
– Então nós dois teremos um também... – sugeriu – Você estava empolgada em ter a Emma e eu também. então vamos tentar de novo.
– Termos outro filho, essa é sua solução mágica para todos os nossos problemas? — soltei uma risada nervosa – Um filho que eu teoricamente precisarei criar sozinha.
– Talvez eu não possa registrar os nossos filhos, mas vou amá-los da mesma maneira – garantiu – Você nunca vai precisar fazer nada sozinha, quanto a isso pode ter certeza absoluta.
– Stef, nesses dois meses em soubemos da existência da Emma, você não foi a nenhuma consulta comigo – lembrei – Não a viu nenhuma vez ao vivo na ultrassonografia nem mesmo escutou o seu coraçãozinho.
– Você sabe que não fiz isso por querer – insistiu – Sabe que se eu pudesse teria ido a todas as consultas com você e estaria ao seu lado a todas as horas do dia.
– Está vendo, nem sempre a gente pode fazer aquilo que quer – continuei – A Emma seria a sua filha bastarda, aquela de quem ninguém poderia saber da existência, a rejeitada. Vamos encarar os fatos, talvez tenha sido melhor que ela não tenha nascido, não queria esse tipo de vida para a minha filha e sendo sincera, nem para mim.
– Então, é isso... – pude ver a decepção nos seus olhos – Você está mesmo terminando comigo? Depois de tudo que passamos é assim que as coisas vão terminar?
– Stefan, eu te amo e acho que nunca vou amar alguém da mesma maneira que eu te amo – admiti – Mas você vai ser casar com a minha melhor amiga e isso é totalmente errado. Eu já menti mais do que o suficiente para uma vida por sua causa e esse nunca foi o meu estilo, cansei de fugir das minhas convicções por sua causa... vamos apenas seguir cada um o seu caminho, vai ser melhor assim.
– Acho que você se esqueceu que a gente vai continua se vendo por causa da Elena – insistiu – Vai ser doloroso te ver e saber que não estamos mais juntos e imagino que para você também.
– Você não vai precisar se preocupar, não vai ter a tentação de me ver toda hora – respondi – Eu decidi aceitar a bolsa Mikaelson. Estou indo para a Inglaterra daqui a um mês.
– O que...? – sussurrou – Você está mesmo indo para o outro lado do oceano apenas para ficar longe de mim? É isso mesmo?
– Não é para ficar longe de você, a bolsa Mikaelson é importante para a minha carreira no ramo de hotelaria – dei de ombros – Eu apenas estou seguindo o meu sonho, da mesma maneira que você.
– Eu não vou deixar você ir – voltou a entrelaçar os dedos nos meus – O que eu posso fazer para te convencer a ficar aqui?
– Por favor, Stef, não torna tudo mais complicado... – pedi – Meus pais estão bem com a minha decisão e nada mais me prende aqui nos Estados Unidos, eu vou e está decidido.
Eu me levantei, mas Stefan foi mais rápido e me puxou para colar os lábios nos meus. Coloquei os braços em volta do seu pescoço e correspondi ao beijo, essa certamente é uma coisa da qual eu nunca vou me cansar.
Mas é errado... E quando me dei conta disso, consegui reunir toda a força que me restava para poder empurrá-lo.
– Não... – fiquei encarando os meus próprios pés.
– Eu te amo, Care! E você também me ama... – continuou – Mesmo com o senhor Gilbert pressionando, mesmo com a Elena, nós vamos fazer dar certo; prometo que você não vai se arrepender.
– Sinto muito, mas é tarde demais – segurei seu rosto com as duas mãos e fiquei na ponta do pé para lhe dar mais um selinho – Adeus, Stefan Salvatore.
Eu me afastei apressadamente sem olhar para trás e tentando conterás lágrimas. Aquele era oficialmente o fim...
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