Second Chance
45 Capítulo 44 – Como deveria ter sido
Notas iniciais
— Eu não estou sentindo nada… — Libby estava com a testa franzida, totalmente confusa, enquanto mantinha a mão na barriga – Você tem certeza de que meus irmãozinhos estão ai, mamãe?
— Sim, princesinha, eu tenho certeza – respondi – Você não consegue senti-los porque ainda são muito pequeninhos. Do tamanho de duas sementinhas – afastei um pouco o polegar o dedo indicador para tentar mostrar a ela o tamanho dos bebês.
— Você está me dizendo que tem duas sementinhas dentro da sua barriga e que vão crescer e virar bebês? — ela estava ainda mais intrigada nesse momento.
— Sim, é exatamente isso – afirmei – Eles vão crescer e quando estiverem prontos, vão nascer; exatamente como você.
— E eles vão caber ai? — voltou a perguntar.
— Mas é claro que vão caber… — foi impossível não achar graça desses questionamentos dela – Eles nasceram menor do que você nasceu, talvez fique um pouco apertado para eles no final, mas, com certeza, irão ter espaço o suficiente.
— Só tem uma coisa que eu ainda não entendi – continuou – Como eles foram parar ai dentro…?
E ai está a pergunta que nenhuma mãe quer ouvir, principalmente vinda da sua filha de três anos de idade. Abri e fechei a boca várias vezes tentando pensar em algo para falar, mas não me veio nenhuma ideia.
— Bom…, Libby…., isso é algo um pouco mais complicado de explicar – disse, por fim – Acho que você vai entender melhor quando for um pouquinho mais velha, tudo bem?
— Tudo bem! — por sorte, ela aceitou sem problemas essa minha explicação.
— Mas que saber uma coisa bem legal? — prossegui – Se você falar com os seus irmãozinhos, eles vão te ouvir. E quando nascerem já vão reconhecer a sua voz e saber que você é a irmã deles.
— Sério? — pareceu bem animada com essa minha revelação.
Ela deitou a cabeça no meu colo, deixando o ouvindo encostado na minha barriga.
— Oi bebês, aqui é a Libby, sua irmã mais velha – começou, em um tom de voz bem calmo – Quero que saibam que eu já amo muito vocês e mal posso esperar para vê-los pessoalmente. E eu vou esperar por vocês bem aqui, junto com a mamãe.
Limpei rapidamente as lágrimas nos cantos dos meus olhos antes que ela voltasse a me encarar.
— Acha que eles gostaram do que eu falei? — quis saber, por fim.
—Claro que eles gostaram, princesinha – coloquei uma mecha do cabelinho loiro para trás da sua orelha – E acredite, eles devem estar pensando como tem sorte por terem uma irmã tão legal quanto você.
— Mamãe… — ela falou a falar depois de alguns segundo de silêncio – Agora com os meus irmãozinhos… Isso quer dizer que você e o papai vão voltar a ficar juntos?
Não demorei muito para contar a ela sobre o fim do meu noivado com o Klaus. Obviamente Libby ficou triste por saber que seus pais não estavam mais juntos, mas parecia ter aceitado; só que agora, minha gravidez pareci ter lhe dado uma nova esperança.
— Filha eu não vou mentir para você – disse – Seu pai foi muito importante para mim, mas, como eu já te disse antes, quando duas pessoas percebem que não se amam o suficiente para terrem uma vida juntos, é melhor que eles se separem.
— E foi por isso que vocês decidiram se separar, não é mesmo? — balancei a cabeça afirmativamente – Mas eu pensei que os meus irmãozinhos fossem um sinal de que, na verdade, vocês ainda se amam.
— Na realidade, o seu pai não é o mesmo pai dos seus irmãos – não consegui pensar em uma maneira mais fácil de explicar isso – Você está me entendendo?
— Acho que sim – respondeu – E quem é o pai dos meus irmãozinhos, então?
— Com licença… — minha mãe entrou no quarto, interrompendo a nossa conversa e eu não pude deixar de suspirar aliviada – Libby, está pronta irmos?
— Será que vocês podem me dizer onde vocês vão? — quis saber.
— A Libby queria ver como era o meu trabalho e vou levá-la até a delegacia – explicou – Isso se não tiver nenhum problema, é claro.
— Claro que não tem problema – neguei – Vai até ser bom para a Libby sair um pouquinho.
— Bom, não devo demorar mais do que uma hora lá na delegacia e depois vamos parar no Grill para comer alguma coisa – completou – Quer ir nos encontrar lá ou que a gente te traga alguma coisa?
— Podem me trazer alguma coisa – respondi, hoje eu estava com um sono maior do que o normal e não estava com muita vontade de sair de casa.
— Perfeito! — prosseguiu – Qualquer coisa você sabe o meu celular e o número da delegacia e pode me ligar.
Libby me deu um beijo de despedida e ainda disse tchau para os irmãozinhos. Depois disse voltei a ficar sozinha no quarto.
***
Depois de uns 20 minutos percebi que não era uma boa ideia ter ficado deitada e decidi ir para o andar de baixo da casa. Minha intenção era procurar alguma coisa interessante para ver, mas enquanto estava assistindo a um filme qualquer na televisão, o sono voltou a bater e eu já estava quase adormecendo no sofá.
Felizmente, meu celular começou a tocar, o que fez com que eu acordasse. Era o número da Katherine e eu não pensei nem duas vezes antes de atender.
— Kath…? — disse assim que coloquei o aparelho no ouvido.
— Care!— a voz da minha amiga surgiu do outro lado da linha – Que bom que você atendeu! Fiquei com medo de você estar ocupada ou algo assim.
— Bom, não é como se eu tivesse milhares de coisas para fazer aqui em Mystic Falls – dei de ombros, mesmo sabendo que ela não podia me ver – Mas está tudo bem ai? Tem algum problema com o hotel?
Ainda não estava totalmente preparada para voltar para casa e encarar os meus problemas de frente, mas se tivesse alguma emergência no trabalho, teria que arrumar as minhas coisas e retornar a Washington o mais rápido possível.
— Não precisa preocupar, está tudo bem aqui no hotel — garantiu – Na verdade, era sobre outra coisa que eu queria conversar com você.
— Me contar alguma coisa? — aquele assunto estava bem estranho – É algo que eu precise me preocupar ou…?
— Talvez…— soltou um longo suspiro antes de continuar – Care, eu fiz uma coisa que você pode não gostar, mas eu sei que fiz isso para o seu bem e…
A campainha tocou, interrompendo a nossa conversa.
— Kath, espera só um minuto – pedi enquanto me levantava – Preciso atender a porta.
Mystic Falls é uma cidade pequena e as pessoas costumam ir a casa uma das outras sem avisar, para levar alguma coisa, pedir uma xícara de açúcar e as vezes apenas para conversar, por isso eu não estranhei que alguém estivesse na porta. Mas a verdade é que eu não estava preparada para o que encontrei: Stefan Salvatore parado em pé na varanda da minha mãe.
— Care… — ele deu um sorriso bobo assim que me viu.
— Kath, eu te ligo mais tarde – desliguei antes que ela pudesse dizer qualquer outra coisa – O que você está fazendo aqui, Stefan?
Ele não respondeu, apenas ficou me encarando de cima a baixo. Só tinha um motivo para que estivesse aqui em Mystic Falls: Stef sabia de tudo, e apenas a ideia disso, já me deixava apavorada.
— Stefan…, eu… — várias coisas passaram pela minha cabeça no momento, mas não consegui falar nenhuma delas.
— Por que você não me contou antes? — ele finalmente me questionou – Eu… Eu teria adorado saber disso por você…
— Acho que esse não é o melhor local para termos essa conversa, minha mãe tem vizinhos e você não tem ideia de como as pessoas em cidades pequenas podem ser fofoqueiras – dei espaço para que ele pudesse passar pela porta – Venha, é melhor você entrar.
Stefan passou por mim, colocando os pés na sala. Ficou algum tempo olhando para o ambiente, até ir ao aparador onde tinham dois porta-retratos: no primeiro uma foto minha e da minha mãe quando eu tinha uns cinco anos e no outro estava Libby toda arrumadinha no dia do seu primeiro aniversário, pude ver um pequeno sorriso no seu rosto enquanto encarava aquelas imagens.
— Lena ou Kath? — minhas primeiras palavras depois de fechar a porta foram um pergunta – Quem foi que te contou?
“Care, eu fiz uma coisa que você pode não gostar, mas eu sei que fiz isso para o seu bem…” a frase da minha amiga há alguns minutos estava começando a fazer sentido.
— A Elena… – disse, por fim – Mas a Katherine me passou o endereço da sua mãe quando eu fui ao hotel de procurar.
— Entendo – murmurei.
— Só não fica brava com elas – pediu – Tenho certeza de que as duas fizera isso apenas pelo seu bem. Já que você não contava, decidiram fazer isso por você.
— Não estou brava com elas – garanti – Mas eu ia e contar, só precisava de um tempo antes para pensar bem em tudo que estava acontecendo.
— Foi exatamente o que a Elena me disse… — foi se aproximando cada vez mais de mim enquanto falava – Care…, eu passei os últimos cinco anos me culpando pelo que tinha acontecido com a Emma e…
— Stefan, eu te disse isso há cinco anos e vou repetir agora, você não precisa se culpar pelo que aconteceu – o interrompi – Foi uma fatalidade e poderia ter acontecido de qualquer maneira.
— Não consigo deixar de pensar como as coisas teriam sido se eu tivesse jogado tudo para o alto e ficado com você há cinco anos – insistiu – Se a Nossa Emma tivesse nascido e nós três tivéssemos sido uma família.
— Se tivesse sido dessa maneira, você não teria a Evelyn e eu não teria a Libby – lembrei – Não estou dizendo que alguma delas seja mais importante que a Emma, mas elas também são nossas filhas e você consegue imaginar como seria não tê-las? É preciso ver o lado bom de tudo, isso foi uma coisa que eu tentei aprender nós últimos cinco anos.
— Então chegou a minha vez de ver o lado bom das coisas – agora ele segurou a minha mão – Estamos aqui, de novo, prestes a ter dois bebês e a nossa grande chance de formarmos uma família outra vez. É a nossa segunda chance, Care…
— Não, Stefan… — me afastei dele e me virei de costas – Essa não é a nossa segunda chance, nós já tivemos a nossa segunda chance e você a desperdiçou.
— Bom, terceira chance, então – corrigiu – Isso não importa, o importante é que formaremos uma família e eu não poderia estar mais ansioso para isso.
— E foi exatamente o que você me disse há cinco anos, quando eu te disse que estava grávida – voltei a olhá-lo – Disse que talvez não fosse a melhor hora, mas que daríamos um jeito. E bom, nós dois sabemos como foi que isso terminou.
— Sei que isso não é desculpa e que não diminui a minha culpa – continuou – Mas eu tive um motivo para fazer o que eu fiz e já te disse isso antes.
— E essa é outra coisa que eu venho ouvido há dois meses – revirei os olhos – Também já estou cansada disso, Stefan! Você me diz que teve uma razão para fazer o que fez, que me magoou, me fez ir embora para Londres, mas que teve um motivo nobre, mas nunca me conta qual é esse motivo. E ainda me pergunta porque não consigo confiar em você, sendo que não é totalmente honesto comigo.
Stefan continuou em silêncio apenas me encarando. Será que ele está cogitando a ideia de finalmente me contar o que foi que aconteceu há cinco anos?
— Tudo bem, se é isso mesmo que você quer – continuou – Vou te contar tudo que aconteceu…
Ele sentou-se no sofá e suspirou pesadamente enquanto passava a mão pelo cabelo. Pelo jeito as coisas eram mais sérias do que poderia imaginar, mas não desistiria de ouvir por isso.
— Antes de mais nada, quero que você saiba que essa é a primeira vez que eu conto isso para alguém – voltou a falar – Você se lembra quando a gente se conheceu e eu te disse que já tinha tido várias namoradas e também que eu nunca demorei para transar com elas quando ficávamos juntos?
— Sim, eu me lembro – balancei a cabeça afirmativamente – as não entendo o que isso tem a ver com o que você está querendo me contar.
— Já vou chegar lá – garantiu – Quando a minha mãe morreu foi muito difícil para mim, eu só tinha seis anos e de repente eu me vi sem uma pessoa tão importante para mim.
— Sinto muito… — lamentei – Realmente não imagino como isso tudo deve ter sido difícil para você.
— Meu pai se afundou no trabalho, tanto que chegou uma época em que eu só o via no final de semana e mesmo assim por pouco tempo – prosseguiu – O único que estava lá par mim era o Damon, acho que se não fosse pelo meu irmão, não sei como teria sido. Claro que eu sabia que ele sairia de casa três anos antes de mim, então esse dia finalmente chegou.
Sentei-me ao seu lado no sofá e coloquei a mão rapidamente sob a sua, deixando claro que eu estava aqui com ele e que o estava ouvindo.
— Eu estava sozinho novamente e foi quando eu decidi me unir uma nova turma, uma gangue – voltou com o seu relato – Como eu disse, não é algo de qual eu me orgulhe ou que eu queira que meus filhos saibam que eu fiz um dia, mas eu te prometi a verdade e essa é a verdade.
Ficou em silêncio, provavelmente esperando que eu falasse alguma coisa, mas preferi ficar em silêncio para que ele continuasse.
— Nós éramos temidos, todos saíam de perto quando chegávamos e até os professores tinham medo da gente – deu um sorriso sem graça – Hoje em dia percebo o quanto isso tudo era idiota, mas aos 15 e 16 anos… Nós fumávamos, usávamos drogas ainda mais pesadas e bebíamos escondido, eu dormia cada dia com uma garota diferente, sentia como se era invencível.
— Mas, obviamente algo deu errado… — previ onde ele estava querendo chegar com toda essa história.
— Tudo começou quando um garoto da escolha decidiu nos desafiar e decidimos que ele merecia uma retaliação – disse – Usamos drogas e fomos na casa desse cara naquela noite; quebramos várias janelas, pichamos a entrada da garagem e a porta e até mesmo entramos e conseguimos pegar duas televisões; nós só não contávamos que ele fosse chegar em casa quando estivéssemos lá, mas isso também não foi um problema, nós o cercamos e batemos tanto nele que foi parar no hospital. Claro que os pais dele também chegaram e chamaram a polícia quando viram o filho caído no chão e todo machucado, então todos nós fomos presos.
— Stefan… — consegui falar depois do seu relato – Eu, nem sei o que dizer…
— Espera, deixe-me terminar – pediu – Como éramos todos menores de idade, nossos responsáveis foram chamados e acho que nem preciso dizer como o meu pai ficou irritado; recebi um grande sermão naquela noite, mas ele pagou a minha fiança. Obviamente aprendi a minha lição, me afastei daquelas “amizades”, comecei a trabalhar na empresa da família e tomei um rumo da minha vida.
— Pelo menos essa história toda teve uma cosa boa – lembrei.
— Naquela época eu já tinha a pretensão de seguir a vida política e queria estudar ciências políticas na faculdade – continuei – Meu pai sabia que essa mancha poderia destruir a minha carreira antes mesmo dela começar e como os Salvatore são uma família muito influente em Atlanta, ele pagou algumas pessoas certas para sumir com a minha ficha policial, o que não foi muito difícil, já que eu não tinha antecedentes, mas não seria assim da próxima vez e esse foi um outro motivo para eu tomar juízo também.
— Tudo bem, você foi um rebelde sem causa na adolescência, fez algumas besteiras e foi preso por isso, então o seu pai influente pagou para que apagassem isso dos arquivos da polícia, pois se alguém descobrir sua carreira política estará acabada para sempre – enumerei tudo que ele tinha acabado de me contar – Ainda não vejo o que eu ou o que aconteceu há cinco anos tem a ver com isso.
— Obviamente, alguém acabou descobrindo isso – e ainda não tinha terminado – Não me pergunte como, mas foi a Miranda, de alguma maneira, ela apareceu com uma cópia do boletim de ocorrência contra mim.
— Miranda Gilbert? A mãe da Elena? — balançou a cabeça afirmativamente – O que ela poderia querer te prejudicar com essa informação.
— Eu estava prestes a sair para a sua formatura, tinha conversado com a Elena sobre colocarmos um fim em tudo e eu ia conversar com você, naquela mesma noite – seu olhar estava distante, provavelmente lembrando-se daquele dia – Foi quando a Miranda chegou, mostrando a prova que tinha contra mim e ameaçando me entregar ao mundo se eu não me casasse com a filha dela.
— Não dá pra acreditar nisso que você está me contando, Stefan – balancei a cabeça negativamente – Isso não me parece algo que a Miranda faria.
— Ela sabia de tudo que estava acontecendo, inclusive sobre nós dois – respondeu – Tanto que quando eu disse que não ligava e que ela poderia destruir fazer o que quisesse, ela ameaçou fazer alguma coisa contra você e o nosso bebê – estava em total estado de choque com aquela revelação – Sei que você a considera sua segunda mãe, mas pelo jeito ela pensa em você como um obstáculo para conseguir o quer para a filha dela.
— Stefan, eu cresci na casa dos Gilbert, a Miranda sempre me deu concelhos, disse que eu sempre poderia confiar nela no que quer que fosse – lembrei – Simplesmente não consigo acreditar que é isso que ela pensas sobre mim.
— Sinto muito, mas achei que era importante você saber – segurou a minha mão e entrelaçou os dedos nos meus – Bom e agora você sabe toda a verdade e só quero te dizer que nada disso importa, eu estou disposto a passar por cima de tudo, isso se você também estiver disposta.
— Eu…, eu não sei – admiti — Tudo isso que você me disse, são muitas coisas para assimilar, estou ainda mais confusa agora…
Pensar que tudo poderia ter sido diferente se não fosse pela Miranda Gilbert, a mulher que eu sempre considerei como alguém de confiança. Stefan e eu poderíamos estar juntos, termos a nossa filha conosco, sermos uma família e não temos nada disso por causa dela.
— Care, eu te amo… Eu te amei desde o primeiro momento em que te vi e tenho certeza de que te amarei para sempre – voltou a falar – Não podemos voltar no tempo e mudar o que aconteceu há cinco anos, mas posso prometer que tudo será diferente agora. Vamos ter dois bebês e eu não quero simplesmente ser apenas o pai deles onde os dois moram com você e eu os vejo ocasionalmente; quero que nós quatro sejamos uma família, quero incluir a Lyn e a Libby nisso. Me dê essa chance e prometo que não irá se arrepender.
Ele colocou a mão sob a minha barriga e eu coloquei a minha sob a dele. Stefan foi aproximando o rosto até encostar os lábios nos meus e eu correspondi no mesmo instante.
— Isso é um sim? — perguntou totalmente esperançoso, sem se separar nem um centímetro de mim.
— Com certeza é um sim – afirmei.
Foi nesse momento que eu ouvi o barulho de chave e consegui me afastar de Stef antes que minha mãe abrisse a porta e ela e Libby entrassem em casa.
— Oi… — ela ficou olhando de mim para ele repetidas vezes – Será que eu perdi alguma coisa?
— Tio Stefan? — minha filha também parecia bem confusa – O que você está fazendo aqui?
— Mãe, esse é o Stefan – decidi fazer as apresentações – Tenho certeza de que já te falei sobre ele.
— Claro que já – estendeu a mão na direção dele – É um prazer conhecê-lo, Stefan.
— Também é um prazer conhecer a senhora – Stefan retribuiu o cumprimento.
— Ora, por, me chame de Liz – pediu.
— Mãe…. — Libby voltou a se manifestar, agora virada totalmente para mim – O que está acontecendo?
— Libby, lembra o que você prometeu para mim quando estávamos vindo para casa? — minha mãe lembrou – Você disse que tomaria banho assim que chegássemos, ante de qualquer outra coisa.
Ela me deu mais uma olhada antes de concordar com a avó e caminhar na direção das escadas. Nós três ficamos a observando até que chegasse ao andar de cima da casa.
— Acho melhor eu ir ajudá-la no banho – avisei.
— Espera… — minha mãe me interrompeu antes que eu pudesse seguir para o primeiro degrau – Antes, é melhor vocês dois me explicarem o que está acontecendo.
***
Quando voltei para a sala minha mãe e Stefan estavam conversando e até mesmo riam de algo divertido. Fiquei feliz e aliviada pelos dois estarem se dando bem.
— A Libby finalmente dormiu – comentei quando estava mais ou menos na metade da escadaria – Não posso dizer que tenha sido fácil, ela ficou bem agitada depois do dia de hoje.
Depois de contar para a minha mãe que eu e Stef estávamos juntos novamente parecia que tudo tinha se tornado realmente oficial; ela nos deu a sua benção e decidiu fazer a sua famosa macarronada no jantar para comemorar. Ainda não tive a grande conversa com a Libby e ela, é claro, ainda parecia bem confusa com tudo, mas depois eu conversaria melhor com ela.
— E ai, será que eu posso saber o que vocês dois estavam conversando de tão divertido? — perguntei quando me aproximei do meu namorado – Espero que não seja nada de ruim ao meu respeito.
— Sua mãe só estava me contando sobre como você era quando bebê – Stef passou o braço em volta enquanto explicava – Você parecia bem fofa, mas também aprontava bastante.
— Eu tive as minhas fases – comentei – Mas, por favor, mãe, não mostre nenhuma foto minha quando pequena, não quero assustar o Stefan agora que finalmente nos acertamos.
— Ora, Caroline, tenho certeza de que você foi um bebê lindo – deu um beijo no topo da minha cabeça – Além disso, seria uma maneira de como podem ser os nossos bebês.
— Tenho que concordar com o Stefan, Caroline – minha mãe avisou – Além disso, você era um bebê adorável.
Não pude deixar de revirar os olhos com os comentários deles.
— Olha, a conversa está muito interessante e o jantar estava maravilhoso, Liz – Stef continuou – Mas chegou a hora de ir embora.
—Embora? — fiquei surpresa com essas palavras – Pensei que você fosse dormir aqui hoje?
— Caroline está certa – minha mãe concordou – Não fique receoso só por minha causa sei o que vocês fazem, meus netinhos estão ai para provar isso – foi impossível não sentir as minhas bochechas esquentarem com aquele comentário.
— Acho que é melhor assim – Stefan avisou – Passei por uma pousada na entrada da cidade quando estava chegando, vou me hospedar lá.
— Você tem certeza? — decidi perguntar uma última vez.
— É melhor assim, Care – passou a mão pelo meu cabelo – Você me leva até porta?
— Claro – respondi.
***
— A Libby está muito irritada comigo? — Stefan perguntou quando já estávamos do lado de fora da casa.
— O que faz você pensar que a Libby está irritada com você? — questionei.
— Bom, estou aqui com você e ela pode estar achando que estou tentando tomar o lugar do pai dela – explicou – Para falar a verdade, não a culparia se ela estiver irritada.
Foi impossível não lembrar da conversa que tive com ela há alguns meses em que ela me confessou que tinha medo que o “tio Stefan” tomasse o lugar do seu pai e eu garanti que isso não aconteceria. Certamente não será fácil contar tudo para ela, mas é o que terei que fazer.
— Bom, uma hora ou outra eu precisarei contar a ela que você é o pai dos irmãozinhos dela e que nós dois queremos ficar juntos – observei – Isso não significa que você tomará o lugar do Klaus, principalmente na vida dela. A Libby terá que entender isso.
— E quando é que você pretende contar isso para ela? — quis saber.
— Será que nós podemos falar sobre isso depois? — pedi – Hoje foi um dia cheio de fortes emoções e só quero curtir as coisas boas aconteceram.
— Tem razão, pensamos em tudo isso depois – concordei – Bom, amanhã eu passo aqui; o que acha ter passarmos o dia todo juntos?
— Acho uma excelente ideia – sorri enquanto respondia – A gente se vê amanhã de manhã.
— A gente se vê amanhã de manhã – repetiu a minha última frase – E vocês três fiquem bem – passou a mão rapidamente pela minha barriga.
Ele ainda me deu um último selinho antes de ir na direção do carro que provavelmente tinha alugado em Richmond e que estava estacionado rente a calçada em frente a entrada da casa.
— Só mais uma coisa, Care – voltou a me chamar antes de entrar no veículo – Eu te amo.
— Também te amo… — disse.
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