Second Chance
36 Capítulo 35 – Erros e acertos
Notas iniciais
Elena
Não pude deixar de dar um sorriso bobo assim que ouvi o barulho do chuveiro sendo aberto. Vir até aqui hoje foi a melhor ideia que eu poderia ter tido hoje, foram duas longas semanas apenas dedicada a festa de aniversário de casamento dos meus pais e tudo que eu estava precisando era relaxar.
Levantei para pegar o meu celular e verificar a hora, pois tinha perdido completamente a noção do tempo. Foi quando descobri que eu tinha uma nova mensagem da minha mãe.
Mãe: Elena, não poderia falar isso na frente do seu pai, mas nós duas temos que conversar sobre a volta de Caroline Forbes a Washington.
Conversar sobre a volta de Caroline Forbes a Washington… Fui falar com ela sobre o retorno da minha amiga quando o meu pai estava por perto justamente para evitar essa conversa, mas de alguma maneira eu sabia que não poderia fugir disso para sempre.
Decidi digitar uma resposta para ela agora mesmo.
Elena: O que tem a Caroline?
Mãe: Você sabe muito bem “o que tem a Caroline”. Estou preocupada que ela possa ser uma ameaça ao seu casamento com o Stefan. E você também deveria estar preocupada com isso.
Revirei os olhos para o que eu tinha acabado de ler. Não importa que eu esteja em um casamento “estável” com o Stefan há quase cinco anos e que tenhamos uma filha; para a minha mãe, o nome Caroline Forbes sempre será uma ameaça a vidinha perfeita que ela e meu pai me fizeram construir.
Deite na cama e fiquei encarando o teto. Não era essa a vida que eu queria para mim, esse nunca foi meu plano e cada dia mais ou me arrependo amargamente de ter cedido a pressão da minha família.
A vida certamente era bem mais tranquila na época da faculdade…
*Flashback*
No instante em que sai do quarto do meu “noivo” foi como se um peso de vinte quilos tivesse saído das minhas costas. Sabia que Stefan não queria esse casamento tanto quanto eu não queria, mas ele precisava muito do apoio do meu pai para se eleger e parecia disposto que se sacrificar apenas por isso, não tinha nada que eu pudesse fazer contra essa decisão.
Mas Stef finalmente tinha caído em si e decidiu enfrentar as nossas famílias para não se casar comigo.
Não estava só aliviada por mim, mas também pela Caroline, que está esperando um filho dele e tinha ficado no meio dessa história de mãos atadas. Minha melhor amiga merece toda a felicidade do mundo ao lado do cara que ela ama e do bebê dos dois.
— Que sorriso é esse, minha filha? — tomei um susto quando terminei de descer as escadas e encontrei minha mãe no andar debaixo do apartamento – Gosto de te ver feliz desse jeito.
— E eu estou mesmo feliz, mãe! — afirmei – Não tem ideia do quanto eu estou feliz.
— Será que eu posso saber qual o motivo de toda essa felicidade? — perguntou.
Minha mãe tem sido minha grande confidente nesses últimos meses. Eu precisava desabafar com alguém sobre o que está acontecendo e ela tem sido bem compreensiva com toda a história e também parece estar do meu lado.
— Acabei de conversar com o Stefan – comecei a explicar – E ele finalmente percebeu o quanto essa ideia de casamento é errada e está disposto a falar com o meu pai, amanhã.
— Ele está mesmo disposto abrir mão do casamento com você? — pareceu em dúvida – Será mesmo que essa é a melhor solução.
— Claro que é a melhor solução, mãe – garanti – Nem eu nem o Stefan queremos nos casar, se levarmos isso adiante será um grande erro.
— Bom, se o Stefan está mesmo disposto a arriscar a carreira política dele – deu de ombros.
— Não diria que a Caroline e o bebê deles seja uma besteira – observei.
— Você sabe o quanto o seu pai está relutante – lembrou – Sem o casamento, sem o apoio para a eleição do Stefan.
— Mas o papai não sabe que a Caroline está grávida ou que o Stef é o pai – insisti – A Care não fez isso de propósito, nem ela nem o Stefan pediram para se apaixonar um pelo outro, mas aconteceu; além disso tem uma criança inocente no meio dessa história e que merece crescer com o pai e a mãe por perto. Tenho certeza de que o meu pai não vai se opor a isso quando souber de toda a verdade.
Minha mãe ficou me encarando sem dizer nada, fico imaginando o conflito que deve estar na sua cabeça. Ela prometeu guardar segredo de tudo que eu lhe contei a respeito do meu falso relacionamento como Stefan, mas, com certeza, não deve ser nada fácil esconder isso do meu pai.
— E também é o melhor para mim – continuei – Eu e o Stefan merecemos ser feliz com quem a gente quiser ficar e, com certeza, não é um com o outro.
— Você ainda tem esperanças de voltar com o Enzo? — quis saber – É isso?
— Enzo… As lembranças de nossa última conversa há três semanas ainda eram muito dolorosas para mim. Ele deixou claro que ainda me amava, mas não estava disposto a me dividir com o Stefan, então se a minha intenção era mesmo me casar, nós dois não poderíamos ficar juntos e, sendo sincera, não poderia culpá-lo por pensar desse jeito. Obviamente minha vontade era jogar tudo para o alto e ficar com o cara que eu amo, mas não dependia apenas de mim.
Mas será que se eu for até o dormitório dele e dizer que não haverá mais casamento, nós ainda teremos uma nova chance? É isso que eu espero…
— Sendo sincera, sim – afirmei com a cabeça – Eu ainda tenho esperanças de voltar com o Enzo.
— Elena, você é a minha única filha, minha princesinha – colocou a mão sob os meus ombros – Tudo que eu quero é que você seja feliz. E se essa felicidade é do lado do Stefan ou do Enzo ou…
— É do lado do Enzo – a interrompi – Tenho certeza disso.
— Bom, conversamos sobre isso depois – avisou – Preciso levar as compras lá para cima – estava tão distraída que não percebi que ela estava cheia de sacolas nas mãos, sinal de que tinha acabado de chegar do shopping – Você estava de saída? Está tão arrumada.
— Eu vou para a formatura da Caroline – respondi – Só estou esperando o Stefan para sairmos, ele ainda está la em cima.
— Entendo… — completou – Bom, divirta-se.
Ela me deu um beijo no rosto antes de subir as escadas. Depois de ter essa conversa com a minha mãe, senti que tudo isso realmente poderia dar certo e está cada vez mais próximo de acontecer…
*Fim do Flashback*
Elena: Não se preocupe com a Caroline, eu sei o que estou fazendo…
Apertei o botão para enviar a mensagem e fiquei encarando a tela do meu celular. Espero que depois disso, minha mãe me deixe em paz, já estava cansada de toda essa pressão dela.
Será que eu posso saber o que a senhora está olhando com tanta concentração no seu celular? — me virei a tempo de ver Enzo saindo do banheiro, ele estava com os cabelos molhados e estava com uma toalha branca amarrada na cintura.
— Não faz isso… — decidi provocá-lo, ignorando completamente a sua pergunta – Você sabe que eu não resisto a ver você de tolha e ainda sai de dentro do banheiro desse jeito.
— Hum… Então quer dizer que você não consegue resistir quando você me vê assim? — deu um sorriso malicioso enquanto se aproximava — O que vai fazer se eu, por acaso, tirar essa toalha.
— Se fizer isso, eu não respondo por mim… — assim ele chegou perto o suficiente, eu me ajoelhei e o puxei para um beijo, ele soltou um pequeno gemido e me empurrou para voltar a deitar e ficando por cima de mim.
É incrível como as coisas acabam acontecendo de uma maneira que você na esperava, mas acabam sendo muito boas. Quando me casei com o Stefan, perdi todas as minhas esperanças de ter uma vida ao lado do cara que eu amo; decidi me dedicar totalmente ao meu marido e ao meu bebê que estava para nascer, mas com o tempo não foi o suficiente.
Reencontrei Enzo totalmente por causa em parque aqui na cidade há pouco mais de dois anos; precisava de um tempo para respirar, esquecer os problemas a minha volta, e acabamos nos esbarrando. Começamos a conversar, relembrar dos velhos tempos e quando menos percebi estávamos nos beijando e indo para o apartamento dele.
Claro que o problema que nos separou três anos antes ainda existia, mas Enzo deixou claro que pensou muito durante todo esse tempo, que não conseguiu ficar com nenhuma outra mulher depois de mim, que apesar de tudo não estava mais disposto a ficar longe e que esse nosso encontro casual foi coisa do destino. Estamos juntos desde então e muito felizes com isso.
— Pode parar por ai senhorita Gilbert… — segurou os meus pulsos quando tentei abrir a sua toalha; Enzo gostava de me chamar pelo meu nome de solteira, assim parecia que as coisas nunca tinham mudado – Sabe que eu já estou atrasado para a editora e se você ficar me provocando desse jeito, só vai piorar a situação. Quer que eu seja demitido?
Depois de terminar a faculdade de literatura inglesa, ele começou a trabalhar em uma conhecida editora aqui de Washington e hoje, depois de quatro anos, tem um cargo muito importante lá.
— Sem graça… — fiz um biquinho quando ele se afastou – Você é muito sem graça, Enzo…
— Só quero garantir que darei uma boa vida para você e para sua filha quando chegar a nossa hora – tocou a ponta do meu nariz com o dedo indicar e não pude deixar de sorrir – Mas agora me diga: porque você estava olhando tão concentrada na tela do celular – ele se afastou e foi até o armário para poder escolher uma roupa.
— Era a minha mãe… — revirei os olhos enquanto respondia – Ela anda toda desconfiada quando descobriu que a Caroline está de volta a Washington.
— Espera um minuto…, a Caroline está aqui em Washington? — parou o que estava fazendo para me encarar – Isso é sério?
Quando eu e Enzo nos reencontramos contei tudo que tinha acontecido desde a última vez que nos vimos, inclusive sobre a ida da Caroline pra Washington. Ele lamentou pelo desentendimento da nossa amizade, mas que sentia que iriamos acabar nos entendendo novamente.
— Ela voltou há um mês, mas só a encontrei há duas semanas, ela está trabalhando no Washington Place— expliquei – Eu a convidei para a festa dos meus pais.
— Uau… — pareceu chocado com a revelação, mas eu mesmo tempo percebi que estava feliz – Isso é mesmo uma boa notícia, não é mesmo?
— Acho que sim – dei de ombros – Não posso dizer que a nossa amizade esteja da mesma maneira que era há cinco anos, mas é um começo.
— E o Stefan? — voltou a me questionar – O que ele está achando de tudo isso?
Obviamente nós evitávamos falar sobre o Stefan quando estamos juntos. Mas sei exatamente onde ele quer chegar com essa conversa.
— O Stefan tem agido de um jeito estranho desde que soube da volta da Caroline – disse – Eu até me desentendi com ele outro dia; nem sei porque eu fiz isso, provavelmente apenas para manter a farsa. A verdade é que eu não importo com o que ele faz, eles podem ficar juntos se quiserem.
Claro que Caroline está noiva de outro no momento. Podia está bêbada na festa de sábado, mas percebi claramente que Klaus a ama mais do que ela a ele; minha amiga ainda não esqueceu o Stefan e isso ficou claro na primeira conversa que tivemos.
— Bom, na minha opinião – Enzo continuou enquanto terminava de abotoar a sua camisa – Essa era oportunidade perfeita para você pedir o divórcio ao Stefan logo de uma vez.
— Você só pode estar brincando, Enzo… — sorri, mas logo percebi que ele estava com a expressão séria – Pedir o divórcio? Isso não é tão simples assim, meu amor, e você sabe disso.
— Para mim parece bem simples – deu de ombros – Converse com o Stefan, se ele ainda ama a Caroline como você disse que ama, ele, com certeza, aceitará a proposta. Se divorciando de você, terá o caminho livre para ficar com ela. Nem precisa tocar no meu nome se não quiser.
— E quanto aos meus pais? — lembrei – Você sabe que se não fosse pelo dois eu teria me divorciado assim que o Stefan ganhou a eleição e não precisava mais do apoio político do meu pai, mas…
— Mas você e uma mulher adulta, é mãe e paga a suas próprias contas – me interrompeu – Eles não podem mais mandar em você, Lena, pode se divorciar quando bem entender.
Enzo já tinha terminado de se vestir, embora estivesse com a gravata sob o pescoço sem dar nó. Ele se aproximou de mim e me deu um selinho.
— Elena…, você sabe o quanto eu quero ficar com você e dar tudo que você e a sua filha merecem – seu tom de voz era sério – Separe-se do Stefan, mesmo que seus pais não te apoiem, eu estarei aqui com você… sempre.
Era mesmo uma ideia tentadora. Pegar a Lyn e vir morar com o Enzo, é como um sonho se tornando realidade, a família que eu não pude formar.
— Você tem razão – concordei, por fim – Vou falar com o Stefan ainda hoje, prometo.
— Era isso que eu queria ouvir – inclinou-se para me dar mas um beijo – Prometo que não vai se arrepender dessa decisão.
— Sei que não vou me arrepende – concordei enquanto voltava a ficar de joelhos para poder olhá-lo melhor – Agora deixa eu arrumar essa sua gravata.
Ele concordou, então eu dei um nós em sua gravata rapidamente. Agora Enzo já estava pronto para ir ao trabalho.
— E como eu estou? — quis saber enquanto dava uma volta em torno de si.
— Como um perfeito editor… — respondi – Mas…, você tem certeza de que precisa mesmo ir agora?
— Você sabe que sim – avisou – Mas podemos marcar de novo de nós vermos amanhã, o que acha?
— É uma ideia perfeita – concordei – E agora vai faltar muito pouco para podermos ficar juntos definitivamente e sem precisarmos nos esconder.
— Mal posso esperar por isso – me deu um último selinho antes de voltar a se afastar – Fique aqui o tempo que quiser, tome um banho relaxante e coma alguma coisa se ainda estiver com fome. Depois você pode deixar a chave na portaria, eu pego quando voltar.
— Pode deixar – afirmei.
Ele vestiu o terno e então saiu do quarto. Alguns segundo depois eu ouvi o som da porta da sala sendo fechada
***
Era um pouco mais de uma da tarde, então não foi nenhuma surpresa pegar o trânsito causado pelas pessoas que estavam voltando para os seus trabalhos depois do almoço. Estava indo para o escritório de Stefan, que ficava do outro lado da cidade em relação a onde eu estava, o que significa que vai ser uma longa viagem para mim.
Comecei a pensar em toda a conversa que tive com o Enzo agora pouco. Estava fazendo uma parte do que tinha prometido, mas e quanto a minha amizade com Caroline? Gostaria muito que as coisas voltassem pelo menos a metade de como eram há cinco anos…
Tive que parar mais uma vez, por conta do engarrafamento, e quando percebi, já estava pegando o meu celular e procurando o número da Care.
— Alô!— a voz da minha melhor amiga surgiu no alto-falante do carro depois de dois ou três toques – Caroline Forbes falando.
— Care, sou eu, a Elena – disse, meio incerta sobre o que ela poderia pensar dessa minha inesperada ligação – Está tudo bem, com você?
— Apenas com trabalho demais para fazer…— soltou um longo suspiro depois de responder – Mas tudo bem, não estou reclamando nem nada, eu gosto do que faço.
— Fico feliz em ouvir isso – sorri, Caroline sempre disse o quanto queria ser gerente de hotel e futuramente abrir uma pousada, imagino o quanto ela deve estar feliz em trabalhar com o que sempre sonhou – Se você estiver muito ocupada agora, podemos nos falar em outra hora.
— Você não está me atrapalhando, Elena — avisou – Acabei de voltar do almoço e estou aqui atoa esperando a reunião de planejamento daqui a uma hora. Então pode falar.
— Eu estava pensando que quase não tivemos tempo de conversar sábado na festa – comentei – O que você acha de combinarmos de almoçarmos juntas um dia desses?
— Acho uma ideia perfeita – respondeu – Quando?
— Você escolhe – disse – Afinal, você tem o seu trabalho e sabe quando pode me encontrar.
— Para falar a verdade, essa semana eu estou bem atarefada, não só pelo trabalho, mas porque o Klaus o está aqui – explicou – O que você acha de sexta-feira? Um lanche?
— Por mim está combinado – afirmei – Sexta-feira, lanche juntas.
— E, Lena, será que você pode levar a Evelyn junto com você?— pediu – Quero apresentar uma pessoa para vocês duas.
Caroline quer apresentar uma pessoa para mim e para a Lyn? Imediatamente fiquei curiosa, quem será? Mas pelo jeito teria que esperar até sexta-feira.
— Está bem – concordei, por fim – Marcamos para depois das quatro da tarde, assim eu buscar a Lyn e vou encontrar você, ou melhor, vocês.
Foi nesse momento que comecei a ouvir um barulho que indicava haver uma ligação em espera.
— Care, agora eu tenho que desligar – avisei – Tenho que atender outra ligação aqui.
—Está bem— falou – A gente se fala melhor durante semana para combinarmos onde vamos nos encontrar na sexta-feira.
— Perfeito…, tchau… — apertei o botão para encerrar a chamada e imediatamente atendi a seguinte – Alô…
— Senhora Salvatore…— era a voz da babá da minha filha, imediatamente, fiquei preocupada – Só estou ligando para avisar que ligaram da escola da Lyn e…
— Está tudo bem com ela? — perguntei antes mesmo que ela pudesse terminar de explicar – Por favor, Davina, não me esconda nada. Aconteceu alguma coisa com a minha filha?
— Ela está bem, senhora Salvatore…— garantiu – O que aconteceu foi que o aquecedor da escola quebrou e eles já chamaram alguém para concertar, mas estão ligando para todos os pais para irem buscar as crianças.
— Ah sim… — não pude deixar de suspirar aliviada.
— Vou junto com o motorista para poder buscá-la— continuou – Só queria avisar isso.
Dei uma rápida olhada onde estava, há poucos quilômetros da escola da Lyn. Mesmo presa no trânsito, chegaria lá bem antes da Davina.
— Não precisa ir, Davina, eu mesma buscarei a Lyn na escola hoje – avisei – E pode tirar o restante do dia de folga hoje.
— Então está bem— completou – Muito obrigada, senhora Salvatore.
Desliguei a ligação e quando os carros a minha frente eu imediatamente liguei a seta para poder mudar de pista e assim poder virar na próxima rua.
***
*Flashback*
— Tudo bem, o que você quer falar comigo? — me sentei no sofá do escritório do meu pai, minha mãe trancou a porta para termos mais privacidade durante a nossa conversa.
— Bom, Elena… — ela sentou-se na poltrona, em frente a mim – Você já está oficialmente noiva há um mês e acho que podemos conversar sobre isso sem problemas e sem que você se sinta ofendida.
Um mês, já faz um mês desde o jantar em que eu e o Stefan oficializamos o nosso noivado e o casamento acontecerá dentro de cinco meses. Não posso dizer que tenha aceitado totalmente a situação, mas estou me acostumando.
— E o que mais você poderia querer que eu fizesse, mãe? — quis saber – Já vou me casar com o Stefan, algo que eu não queria, mas estou fazendo porque é o que você e o papai querem. O que mais vocês querem de mim?
Houve um momento que eu realmente pensei que fosse “escapar” disso, mas então Caroline perdeu o bebê, decidiu ir embora para Londres e o Stef decidiu dar prosseguimento ao casamento. Sinceramente, não sei o que aconteceu e o que fez mudar de ideia, mas eu nem quero saber.
— Estou falando de filhos… — explicou – Está na hora do que na hora de você pensar em engravidar.
— Filhos? — falei um pouco mais alto do que estava planejando, para falar a verdade, eu tinha gritado – Você está mesmo falando sério? Filhos? Agora?
— Sim…, eu estou falando sério – seu tom de voz continuava calmo como sempre e ela ainda mantinha a mesma expressão de antes – Não estou entendendo o seu espanto. Qual o problema o problema de falar sobre a possibilidade de você e o Stefan terem filhos?
Qual o problema? Poderia pensar em milhares de respostas: estou terminando a faculdade esse ano, Stefan ainda está abalado com a perda do bebê dele e de Caroline, e sem contar que nós não estamos oficialmente casados.
— Foi o meu pai quem te pediu para conversar isso comigo? — quis saber, eu tinha certeza de que logo ele começaria a cobrar um herdeiro, mas não pensei que seria tão cedo.
— Sou eu quem estou falando isso com você – disse – Um assunto apenas de mulheres.
— Mãe…, é claro que eu e Stefan teremos filhos, mas não agora – decidi explicar – Conversamos e esperamos um tempo, até estarmos totalmente preparados para sermos pais.
— Elena, querida, entenda uma coisa, não existe essa de “momento certo para engravidar” — revirou os olhos, como se eu tivesse falado um grande absurdo – Stefan está entrando na política e aceite o concelho de uma mulher de senador, é melhor garantir que você tenha um herdeiro, essa criança será a sua garantia.
Aquele era o maior absurdo que eu já ouvi na vida. Minha estava ali me incentivando a dar um “golpe da barriga”, ela quer que eu encare um filho, uma criança apenas um negócio e uma possível moeda de troca… Senti meu estômago revirar com esse pensamento.
— Foi isso que você com o meu pai? — decidi questioná-la – Você decidiu me ter para segurar o meu pai em casa? Foi isso?
— Você fala como se isso fosse uma coisa horrível… — continuou – Eu e seu pai já estávamos casados há dois anos quando engravidei de você, mas não posso dizer que tenha sido um alívio.
— Bom, mas eu não posso garantir que eu vá engravidar agora, muito menos depois de casar – lembei – Até porque, não sei se o Stefan vai concordar, ele está bem convicto em esperarmos um ou dois anos antes de termos filhos. E você tem que concordar que eu preciso dele para fazer um bebê.
— E quem disse que ele precisa saber dos seus planos? — continuou – Elena, existem milhares maneiras de engravidar sem que o marido ou namorado saiba e ainda vai conseguir fazer parecer ter sido um “acidente”.
Abri e fechei a boca várias, não consegui pensar em algo para dizer nesse momento.
— Sei que você e o Stefan tem transado durante esse mês em que estão noivos – não pude deixar de sentir as minhas bochechas esquentarem de vergonha nesse momento; claro que depois de tirar a primeira noite do caminho, eu e Stefan temos dormido juntos com bastante frequência, mas não era algo que eu queria conversar com a minha mãe – Tenho certeza que você vai arranjar um jeito.
— Não posso fazer isso… — estava olhando para as minhas mãos pousadas no meu colo e balançando a cabeça negativamente – Sinto muito…
—Sei que a Caroline foi embora para Londres, mas ela pode voltar e isso será uma ameaça ao seu casamento – completou – Pense bem se é isso que você quer…
Ela saiu e me deixou sozinha no escritório…
*Fim do Flashback*
Estava na entrada da escola quando a avistei a professora trazendo Lyn consigo. Assim que me viu, minha filha soltou a mão da mulher e correu na minha direção.
— Mãe! — em abraçou na perna, única parte do meu corpo que ela alcançava – Você veio me buscar! Que legal!
Eu me ajoelhei ficando na altura dela e passei a mão por seu cabelinho castanho. Posso não ter engravidado pelos motivos certos e posso não ter sido a melhor mãe do mundo nos últimos quatro anos, mas Evelyn é, sem dúvida, a pessoa mais importante da minha vida e já que estou mesmo concertando as coisas, farei o mesmo com o meu relacionamento com a minha filha.
— Senhora Salvatore, obrigado por vir, aqui estão as coisas da Evelyn – me entregou a mochila, a pastinha e a lancheira dela – O técnico que veio arrumar o aquecedor disse que terminará tudo ainda hoje, então amanhã terá aula normalmente.
— Está bem…- me levantei a segurei a mãozinha de Lyn – Vamos embora, filha?
— Claro… — foi caminhando comigo em direção ao estacionamento – Estou muito feliz que você tenha vindo me buscar, mamãe, muito feliz mesmo!
— E eu fico muito feliz que você pense assim – sorri.
Chegamos ao carro e coloquei todo o material do colégio dentro do porta-malas. Em seguida acomodei minha filha no banco de trás antes de ir para o lugar do motorista.
— Eu tenho uma ideia – me virei para olhá-la – O que você acha de irmos tomar um sorvete.
— Oba! — levantou os dois bracinhos – Eu acho uma excelente ideia!
— Então está bem… — liguei o veículo e comecei a sair da vaga – Será que o seu pai quer ir conosco? Podemos ir até o escritório para perguntar a ele, o que acha?
Meus planos quando sai da casa de Enzo era ir falar com o Stefan sobre a minha decisão de pedir o divórcio e ainda estava totalmente convicta em fazer isso, não vou desistir.
— Sim! — concordou mais uma vez – Vamos até lá.
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