Second Chance

4 Capítulo 3 – Boas Novas


Notas iniciais
Oi gente, Aqui está mais um capítulo da fic. Espero que gostem E nos vemos lá embaixo nas notas finais.

Tentei me concentrar na leitura do texto, já que eu tinha uma grande prova no final dessa semana, e precisava me preparar muito bem para ela. Eu queria estar 100% focada nos estudos, mas tudo em que eu conseguia pensar era no Stefan e nos beijos que trocamos na noite do meu aniversário; nunca pensei que eu pudesse me envolver tanto com alguém que eu acabei de conhecer, porém simplesmente aconteceu.

Depois do primeiro beijo, não foi tão difícil assim irmos para o segundo, terceiro, quarto..., até chegarmos ao vigésimo primeiro; não falamos muito depois disso, mas com certeza aproveitamos cada momento. Ainda continuamos na sorveteria por pouco mais de meia hora, até que eu recebi uma ligação de Elena querendo saber onde estávamos e então voltamos para a boate onde encontramos minha amiga para podermos ir embora.

Isso aconteceu há exatos três dias e infelizmente não tenho nenhuma notícia de Stefan desde então.

– Cheguei! – minha mãe passou pela porta segurando várias sacolas de supermercado – Acho que essas compras vão ser o suficiente para você não precisar ir ao mercado pela próxima semana.

– Você não precisava ter feito isso mãe – já perdi as contas da quantidade de vezes que eu disse isso – Já estava mesmo nos meus planos ir até o mercado hoje à noite.

– Mas eu quis fazer isso por você – afirmou – Não passo tanto tempo com você como eu queria, então me deixe mimá-la quando tenho oportunidade.

Minha mãe ia voltar para Mystic Falls amanhã, então ela veio ao meu apartamento quando cheguei da aula, sugerindo que fizéssemos alguma coisa juntas hoje. Eu até já tinha aceitado sacrificar a minha tarde de estudos, mas quando ela viu o estado da minha geladeira, decidiu mudar todos os planos e foi imediatamente fazer compras.

– Por que você não vem aqui me ajudar a guardar tudo? – sugeriu – Assim pode ver exatamente o que eu comprei.

– Claro – retirei os meus óculos de leitura e pousei em cima da mesa antes de me levantar.

Peguei a primeira sacola e retirei o requeijão e o iogurte de lá antes de guardá-los na geladeira.

– Por favor, mãe, não me diga que você trouxe qualquer tipo de carne... – quis saber – O máximo que vai acontecer é a carne estragar dentro da geladeira e só vai te fazer gastar dinheiro à toa.

– Pode ficar tranquila que eu não comprei nenhum tipo de carne – garantiu – Já que não adianta eu falar, que eu não vou te convencer a comer carne. Você puxou essa teimosia do seu pai.

Isso era verdade. Steven costumava falar a mesma coisa, que eu era tão cabeça dura quanto o meu pai.

– Que bom que você sabe disso – brinquei.

***

No meio do processo de guardar todas as compras nos armários e na geladeira, a campainha do meu apartamento tocou. Fiquei confusa imaginando quem poderia ser, afinal, eu não estava esperando por ninguém.

– Vai lá ver quem é – minha mãe avisou – Pode deixar que eu termino de arrumar tudo aqui.

Fui até a porta e a abri a tempo e encontrar a minha melhor amiga.

– Lena! – sorri ao encontrá-la aqui, ainda totalmente surpresa pela visita – O que você está fazendo aqui?

– Oi, Care... – ela também me cumprimentou – Desculpa ter vindo sem avisar, mas eu lembrei que você normalmente não trabalha às segundas-feiras, então decidi arriscar.

– Não tem problema, Lena, você sabe que é sempre mais que bem vinda ao meu apartamento – lembrei – Por favor, entra... – dei espaço para que ela passasse pela porta.

– Obrigada! – sorriu antes de entrar no meu apartamento, foi quando ela viu o meu livro e o meu caderno que estavam sobre a mesa – Você estava estudando? Eu precisava conversar, mas posso voltar outra hora, se for te atrapalhar.

– Caroline, querida, quem estava na porta? – minha mãe já foi perguntando enquanto saía da cozinha – Ah! Olá, Elena! – cumprimentou a minha amiga assim que a viu.

– Oi, Liz... – Lena a cumprimentou – Bom, então eu volto outra hora, Care.

– Não precisa se incomodar com isso, Elena, eu já estou indo mesmo – ela completou – Vou deixar vocês duas conversando.

– Você tem certeza disso, mãe? – perguntei – Pensei que tivesse vindo aqui para passarmos o dia juntas.

– Exatamente, você não precisa se incomodar, Liz – minha amiga garantiu – Não é nada urgente, posso conversar com a Care depois.

– Eu já atrapalhei demais por hoje – continuou – Não vou atrapalhar a conversa de vocês duas também.

– Se você diz – dei de ombros – Mas...

– Meu voo está marcado amanhã para uma da tarde – me interrompeu, provavelmente já prevendo o que eu ia falar – Essa hora você já saiu da aula, não é mesmo?

– Sim... – balancei a cabeça afirmativamente.

– Perfeito, então você pode me levar ao aeroporto antes de ir para o trabalho – concluiu – Tenho certeza que o Steven não vai se importar se você demorar alguns minutos a mais para chegar ao trabalho.

– Sim, tenho certeza de que ele não vai se importar – concordei.

Então ela se despediu de mim e deu um pequeno aceno para Elena antes de ir embora. Agora eu e minha amiga estávamos sozinhas.

– Vou pegar um pouco de água para mim – avisei em seguida – Você quer beber alguma coisa, Lena?

– Não quero nada, Care, obrigada... – balançou a cabeça negativamente.

Então eu fui até a cozinha para beber água. Quando retornei Elena não estava só sentada, mas jogada no meu sofá.

– Tudo bem, estou de volta – me sentei na poltrona em frente a ela – O que você quer tanto falar comigo, Lena?

– Acho que eu estou apaixonada, Care! – avisou enquanto se sentava, usava o seu tom de voz empolgado.

Isso não era exatamente uma novidade, Elena é do tipo que se apaixona pelo menos uma vez por mês. Só resta saber quem é o cara da vez.

– Por favor, só não me diga que é pelo Tyler – pedi – Ou então eu vou precisar te lembrar o quanto ele te magoou quando vocês dois terminaram, então talvez assim você mude de ideia.

– Pode ter certeza de que não é o Tyler – fez uma careta – Ainda estou arrependida por ter ficado com ele sexta-feira, na boate.

– Certo, eu também não entendo... – tive que concordar e nós duas começamos a rir – Tudo bem, mas se não é o Tyler, quem é?

– O nome dele é Enzo, é da minha turma de literatura Elisabetana – explicou – Ele é inglês é tem o sotaque mais charmoso que eu já ouvi – deu um suspiro sonhador – Resumindo, ele é perfeito.

– Estou vendo... – observei.

– Ele me convidou para ir assistir um filme no dormitório dele hoje – continuou – Mas você sabe como o meu pai é em relação a eu ter encontros e por isso eu vou precisar me esquivar. Vou dizer para os meus pais que vou dormir aqui na sua casa, tudo bem?

– Você vai dizer aos seus pais que vai dormir aqui em casa e na verdade vai estar com um cara... – repeti – Estou me sentindo de volta no Ensino Médio.

Quando Elena passou para a Georgetown, o pai dela praticamente a obrigou a continuar em casa, alegando que seria melhor do que dividir um dormitório com uma colega de quarto qualquer. O grande problema é que ela continua precisando dar satisfação de tudo que faz na vida, apesar de já ter 21 anos.

– Às vezes eu sinto que devia ter feito a mesma coisa que o Jer e ido fazer faculdade em outra cidade – revirou os olhos – Agora ele está lá com um apartamento próprio em Boston e eu estou aqui. É totalmente injusto...

– Bom, eu não posso fazer nada quanto a isso, mas posso tentar te ajudar – disse – Você pode dizer aos seus pais que vai dormir aqui em casa hoje à noite.

– Obrigada, Care! Você é mesmo a melhor amiga do mundo! – levanto-se para me abraçar – Mas agora chega de falar de mim e me diga: como é que estão as coisas entre você e o Stefan?

– Não estão de maneira nenhuma... – dei de ombros – Nós ficamos, ele foi embora e não nos falamos depois disso.

– Sério? – pareceu decepcionada com a minha resposta.

– Eu não me importo com isso, Lena – tentei me fazer de indiferente, mas a verdade é que eu me importo sim – Foi divertido por uma noite, mas eu não estava mesmo querendo me envolver com ninguém no momento, preciso me focar no meu último ano de faculdade e ter alguém agora só iria atrapalhar isso, na realidade.

– Bom, é mesmo uma pena que você pense assim – lamentou – Então acho que você não quer saber que o Stefan jantou lá em casa no sábado e basicamente me fez um interrogatório a seu respeito.

Fiquei realmente surpresa ao ouvir minha amiga falando aquilo, mas não pude deixar de sorrir. Isso quer dizer que Stefan tem pensado em mim da mesma maneira que eu tenho pensado nele.

– Engraçado, esse sorriso no seu rosto não parece ser de alguém que não se importa... – brincou.

– Não é nada disso... – tentei disfarçar, embora não saiba se tive muito sucesso – Eu não sabia que o Stefan estava tão próximo assim da sua família.

– Ele está sozinho aqui em Washington e meu pai esta tentando fazê-lo se sentir em casa, afinal os dois vão passar bastante tempo juntos até as eleições – explicou – Meu pai até convidou o Stefan para ficar lá no nosso apartamento e economizar com o aluguel ou com hotel.

– Bem prático mesmo... – tive que concordar, ainda tentando fingir que não me importava.

– Ele disse que precisava de alguns dias para pensar – continuou – Mas se o Stefan aceitar, você vai poder vê-lo sempre, é só arranjar alguma desculpa para ir até lá em casa.

– Eu já disse que não me importo, Lena! – insisti – Você me conhece e sabe perfeitamente que eu não sou do tipo que corre atrás dos caras; isso é totalmente humilhante.

– Você não precisa correr atrás dele – garantiu – Eu dei seu telefone para ele.

– Você fez o quê? – gritei um pouco mais alto do que estava planejando – Não acredito que você fez mesmo isso... – se fosse possível realmente morrer de vergonha, eu já estaria morta nesse momento.

– Não tenho culpa, foi o Stefan quem me pediu – deu de ombros – Ele ainda não ligou, mas com certeza vai ligar; eu disse que você gostava de surpresas.

– Você é mesmo inacreditável, Lena – balancei a cabeça negativamente, mas sorrindo ao mesmo tempo.

– Acredite em mim, amiga, eu ainda vou ser madrinha desse casamento – avisou – Quem sabe nós não fazemos um encontro duplo? Você e o Stefan, eu e o Enzo.

– Acho que você está exagerando um pouco, Lena – revirei os olhos.

– Conversa comigo daqui a alguns dias – completou – Então você diz se eu estou exagerando ou não.

***

Terça-feira já não costuma ser um dia muito cheio nem no restaurante nem na delicatessen, mas hoje o local estava especialmente entediante: só havia três reservas para o jantar e um pouco depois de escurecer não apareceu mais nenhum cliente na parte da loja também. Como eu não tinha nada para fazer, fiquei organizando e reorganizando a agenda dos próximos dias, mas depois de uma meia hora não tinha mais nada que eu pudesse fazer e agora estava totalmente entediada.

Fiquei olhando na direção da porta de vidro na esperança de que alguém entrasse, mas isso não aconteceu.

– Caroline, porque você não vai para casa mais cedo? – Steven apareceu na recepção – Não tem mesmo mais nada para você fazer aqui hoje.

– Tem certeza de que não vai mesmo precisar mais de mim? – questionei.

– Tenho certeza de que não vai mais aparecer ninguém aqui hoje – respondeu – O seu pai comentou comigo que você tem uma prova importante essa semana, assim você vai para casa estudar em vez de ficar perdendo tempo aqui.

Ele tinha razão quanto a isso. Os funcionários da delicatessen já tinham ido embora há algum tempo pelo mesmo motivo e talvez fosse mesmo perda de tempo eu continuar aqui.

– Você tem razão – concordei – Vou aproveitar que está cedo e vou embora.

Eu me abaixei para pegar a minha bolsa na parte de baixo da bancada quando ouvi um barulho de sino que indicava que porta tinha sido aberta. Fiquei em pé a tempo de encontrar Stefan caminhando na minha direção.

– Pelo jeito eu estou mesmo no lugar certo... – ele sorriu assim que me viu.

– O que você está fazendo aqui? – foi a primeira coisa que passou pela minha cabeça, só depois percebi que poderia ter soado um pouco grosseira – Desculpe, não que você não possa estar aqui, mas...

– Tudo bem, eu entendi – me interrompeu – Você me disse que trabalhava alguns dias na semana. Já se esqueceu disso?

– Claro que eu me lembro – afirmei – Só não me lembro de ter te dado o endereço, por isso a minha surpresa.

– Você realmente não me deu o endereço, foi a Elena – passou a mão pelo cabeço enquanto respondia, isso não era exatamente uma surpresa – Eu ia vir ontem, mas ela disse que você não tinha vindo trabalhar, então esperei para vir hoje mesmo.

– Acho que eu estou sobrando nessa conversa – foi só nesse momento que eu me lembrei da presença do meu padrasto.

– Mas que falta de educação a minha. Steven esse é o Stefan, meu... amigo – apressei-me em fazer as devidas apresentações – Stefan, esse é Steven, meu padrasto.

– O dono daqui, certo? – estendeu a mão para poder cumprimentá-lo – Caroline me disse que o senhor faz o melhor macarrão com molho branco da cidade.

– A Caroline está exagerando – parecia extremamente sem graça ao saber do meu elogio – Tenho certeza de que devem ter macarrões com molho branco bem melhores que o meu.

– Pois eu não acho isso – garanti.

– Estou aqui para verificar se ela está falando a verdade – Stefan avisou – Isso se tiver alguma mesa vaga para mim.

– Claro que temos uma mesa vaga – meu padrasto afirmou – Qualquer amigo da Caroline é mais que bem vindo aqui.

– Perfeito! – pareceu satisfeito – Caroline, eu sei que você está trabalhando, mas adoraria que você jantasse comigo, assim poderíamos continuar aquela conversa do outro dia.

Quase imediatamente senti as minhas bochechas esquentarem só de imaginar qual seria essa “conversa”, espero que nem ele nem o Steven tenham percebido.

– Ela vai adorar jantar com você – foi o meu padrasto quem respondeu — A Caroline estava indo embora, mas pode demorar mais um pouco, não é mesmo?

– Claro – afirmei, por fim – Vou adorar jantar com você, Stefan – ele deu um pequeno sorriso depois que eu falei.

– Vou levá-los até a mesa de vocês – avisou enquanto colocava a mão nas minhas costas – Por favor, me sigam.

***

Steven nos colocou na melhor mesa do restaurante, a mesma que eu usei para almoçar com os meus pais no dia do meu aniversário. Gostaria muito de saber o que estava passando na cabeça dele a respeito de tudo e tinha quase certeza de que tudo chegaria aos ouvidos do meu pai em breve.

– Bom, vou deixar vocês conversando à vontade – avisou – Os pratos ficarão prontos em breve e antes disso vou pedir para algum garçom para trazer as bebidas de vocês.

– Está bem, obrigada, Steven – agradeci.

Ele deu um beijo no topo da minha cabeça e quando estávamos sozinhos eu voltei a olhar para Stefan.

– O seu padrasto é mesmo muito legal – comentou – Há quanto tempo ele e a sua mãe são casados?

– Oh não, você entendeu tudo errado – apressei-me em explicar – O Steven está com o meu pai. Os dois namoram desde que eu tinha uns oito anos e decidiram morar juntos quando eu estava com 11.

– Uau... – pareceu surpreso com a minha revelação, mas parecia bem tranquilo com a situação, o que era um alívio, pois o que eu mais detesto na vida são pessoas preconceituosas – E você morava junto com os dois.

– Sim – balancei a cabeça afirmativamente – Minha mãe me mandou para morar em Washington quando eu tinha cinco anos, então eu fui basicamente criada pelo meu pai e pelo Steven, embora eu a visse sempre nas férias e alguns feriados.

– Parece ter sido uma infância bem divertida – comentou.

– E foi mesmo – concordei – Mas agora chega de falar sobre mim. Aquele dia na sorveteria você me fez milhares de perguntas e soube que depois você quis saber mais coisas sobre mim pela Elena, então agora é a minha vez.

– Sou curioso por natureza, não posso fazer nada – deu de ombros tentando se fazer de inocente – Mas o que você quer saber, senhorita Forbes?

– Deixe-me ver... – coloquei a mão no queixo pensativa – Onde foi que você nasceu?

– Atlanta – respondeu – Nascido e criado na mesma casa até ir para a faculdade com 18 anos. E antes que você pergunte, eu estudei em Yale, me formei em ciências políticas.

– Eu ia chegar lá – revirei os olhos – Tem irmãos?

– Apenas um – mostrou o número com a mão enquanto falava – Damon, é três anos mais velho que eu; somos bem próximos, embora não o veja com tanta frequência quanto eu queria por causa das nossas vidas corridas.

– Você tem sorte, eu sempre quis ter um irmão – admiti – Claro que eu tenho a Elena, que é como uma irmã para mim até hoje, mas não é exatamente a mesma coisa.

– Damon e eu temos as nossas diferenças como qualquer irmão – continuou – Mas sinceramente, não sei como seria a minha vida se não tivesse ele.

Ficamos em silêncio por alguns instantes e eu passei a encarar a toalha branca que cobria a mesa.

– Mais alguma pergunta, senhorita Forbes? – quis saber.

– Alguma namorada? – nem sei exatamente porque eu fiz aquela pergunta, simplesmente saiu.

– Você quer que eu fale por ordem alfabética ou por estado? – fez uma cara séria, mas sorriu logo em seguida – Não se preocupe, eu estou só brincando. Não vou mentir para você, eu tive muitas namoradas, mas eu estou totalmente solteiro há mais de um ano.

– Isso é bom... – e mais uma vez eu falei totalmente sem pensar, por sorte a minha voz saiu quase como um sussurro e não tenho certeza se ele conseguiu ouvir.

– E quanto a você? – foi a vez de Stefan perguntar – Tem algum namorado, lá na sua faculdade de hotelaria, que você está escondendo de mim?

– Não tem nenhum namorado – apressei-me em responder, ao mesmo tempo em que balançava a cabeça negativamente – Também estou solteira há algum tempinho.

– Ótimo... – colocou a mão sobre a minha.

Fomos interrompidos pela chegada do garçom trazendo uma garrafa de vinho branco e duas taças.

– O senhor Steven pediu para trazer para vocês – ele pousou as duas taças em cima da mesa enquanto falava – Disse que é o vinho que mais combina com o prato que vão comer.

– Para mim está perfeito – Stefan comentou – Você vai querer também, Caroline?

– Sim, mas só uma taça – disse – Estou dirigindo e não posso beber muito.

O garçom abriu a garrafa e colocou o conteúdo nas duas taças antes de se afastar. Tomei um pequeno gole; aquele era mesmo um vinho muito bom, talvez até o melhor que tinha no restaurante.

– Vamos continuar com as perguntas? – quis saber quando voltamos a ficar sozinhos.

– Claro – concordou.

– Deixe-me ver – fiquei contornando a borda do copo com o dedo enquanto pensava – Já sei! Você está aqui em Washington para se candidatar a deputado, certo? Por que você escolheu seguir a carreira política?

– Acho que quero isso desde que me entendo por gente – deu de ombros – Minha família sempre teve uma boa condição financeira, mas existe uma grande desigualdade social em Atlanta e sempre senti que isso era muito injusto. Se existe algo que eu posso fazer para ajudar essas pessoas, então eu farei.

– Isso é mesmo incrível – afirmei – Mas não será algo fácil, é melhor você estar preparado para isso – não sou nem um pouco ligada em política, mas, quando se mora na capital do país, é meio que inevitável saber uma coisa ou outra, sem contar o fato de ter praticamente crescido na casa da Elena.

– Acredite em mim, eu sou um cara muito paciente – disse – Sei o quanto pode ser difícil, mas estou preparado para enfrentar o que for para realizar o meu sonho.

– E qual é, exatamente, o seu maior sonho? – nem esperei para já ir perguntando.

– Chegar à Casa Branca – falou com bastante convicção.

– Não quero ser chata, mas acho que esse deve ser o sonho de pelo menos 1/3 da população americana – retruquei – Basta ir a qualquer colégio e perguntar o que elas querem ser quando crescer, a maior parte delas vai dizer: ser presidente dos Estados Unidos.

– Desse jeito você vai acabar destruindo os meus sonhos – se fingiu de bravo, mas sei que ele estava se segurando para não rir – E quanto a você, senhorita sabe-tudo, qual o seu maior sonho?

– Essa é fácil: abrir a minha pousada – respondi – Ainda não sei se vou abri-la em uma cidade pequena como a que eu cresci ou se vai ser perto da praia, mas com certeza terei a minha pousada um dia.

– É mesmo um belo sonho – completou – E seja lá onde você for abrir essa pousada, quero ser o seu primeiro hóspede.

– Vou ficar esperando por isso – garanti.

O garçom nos interrompeu mais uma vez, agora para trazer a nossa comida.

– Aqui está! – colocou um prato na frente de cada um – E não se preocupe, Caroline, o Steven pediu para te dizer que ele retirou todo o bacon do seu prato.

– Ótimo... – a receita de macarrão com molho branco tradicionalmente leva bacon, mas meu padrasto sempre fazia o favor de retirar para mim.

– Não quero ser intrometido, mas será que eu posso saber exatamente o porquê disso? – ficou olhando repetidas vezes do seu prato para o meu tentando ver alguma diferença.

– Eu sou vegetariana – expliquei – Claro que não tenho nada contra quem come carne, é só uma opção minha mesmo.

– Entendo... – disse – Bom, é melhor começarmos a comer antes que esfrie.

– Tem razão – concordei.

***

Depois de terminar de comer e de Steven nos mandar um pouco de mousse de maracujá de sobremesa, nós dois continuamos a conversa por mais algum tempo e, quando percebemos já não tinha mais ninguém no restaurante e decidimos ir embora também.

– Se você quiser eu posso te dar uma carona até o hotel – sugeri – Melhor do que ficar esperando até um táxi aparecer.

– É mesmo uma boa ideia – respondeu – Vou aceitar a carona sim.

– Imagino que vocês já estejam indo embora... – meu padrasto apareceu antes que saíssemos do salão – Espero que o jantar tenha sido agradável.

– Foi muito agradável sim – Stefan afirmou – Pode ter certeza de que voltarei aqui outras vezes.

– Isso é mesmo muito bom – sorriu antes de se virar para mim – Caroline, será que eu posso conversar uma coisa com você antes de ir embora?

– Claro que sim – disse – Stefan, você não se importa de me esperar lá fora por alguns minutos, não é mesmo?

– Pois eu já estou indo – avisou – Vou deixá-los conversar à vontade – aproximou-se para me dar um beijo a poucos milímetros dos meus lábios.

Eu fiquei observando-o caminhar na direção da saída do restaurante e só quando não pude mais vê-lo que eu voltei a me virar na direção de Steven.

– E então, o que está acontecendo entre vocês dois? – já foi logo perguntando.

– Steven...! – o reprimi – Não está acontecendo nada entre mim e o Stefan, pelo menos por enquanto.

– Pois eu tenho certeza de que esse “por enquanto” não vai durar muito tempo – garantiu – Ele teve todo esse trabalho vindo até aqui, te chamando para jantar e conversando com você todo esse tempo. Certamente ele não quer ser apenas seu amigo.

Eu apenas dei de ombros. Sinceramente, não sei bem o que pensar sobre isso.

– E ele é mesmo um gato – completou.

– Isso é verdade – tive que concordar – O Stefan é realmente um gato.

– Caroline, eu só quero que você saiba que, assim como o seu pai, eu também quero a sua felicidade – prosseguiu – E, se ele estiver te fazendo feliz, vai em frente, pode ter certeza de que eu vou te dar todo o apoio.

– Muito obrigado – deu um beijo no rosto dele – Ah! Só mais uma coisa, Steven...

– Você não quer que eu comente nada com o seu pai, por enquanto – me interrompeu, completando a minha frase – Pode ficar tranquila que eu ficarei quieto.

– Sabia que podia contar com você – sorri antes de finalmente sair do restaurante.

***

O trânsito estava bem tranquilo naquele horário, por isso o caminho foi bem rápido. Parei o carro no estacionamento para que ele pudesse sair.

– Acho que é isso... – falei – Foi mesmo uma noite muito legal, eu me diverti muito, Stefan.

– Também me diverti muito – procurou a minha mão para poder entrelaçar os dedos nos meus – Caroline, eu fiquei a noite toda procurando uma maneira de conversar sobre os nossos beijos naquele dia, na sorveteria. Eu...

– Eu também gostei muito – não sabia se era isso que ele ia falar, mas decidi arriscar – Já fazia bastante tempo que eu não ficava com ninguém, e acho que não lembrava o quanto sentia falta disso.

– Não consegui deixar de pensar em você um minuto sequer desde que você e a Elena me deixaram aqui na porta do hotel – continuou – Acho que você não tem ideia do quanto eu esperei para finalmente poder te encontrar de novo.

– Também pensei muito em você nos últimos dias – admiti.

– Sei que não nos conhecemos há tanto tempo assim, mas sinto que nunca vou me perdoar se não te fizer essa pergunta – a mão dele que não estava segurando a minha foi para o meu rosto e eu, automaticamente, fechei os olhos, aproveitando essa pequena carícia – Caroline Forbes, você aceita ser minha namorada?

E ali estava a pergunta que eu não esperava ouvir de um cara pelo menos até o dia da minha formatura. Tenho que admitir que eu gosto de Stefan e ele tem me feito sentir melhor que qualquer um dos meus ex-namorados, mas será que eu estou mesmo pronta para dar um passo tão importante desse com alguém que eu conheço há apenas quatro dias?

E eu já sabia exatamente qual era a minha resposta.

– Sim – disse quase que imediatamente – Eu aceito ser sua namorada, Stefan.

Então ele apenas puxou o meu rosto e uniu os nossos lábios. Exatamente como das outras vezes, foi um beijo calmo e sem a menor pressa.

– Você é mesmo incrível – afastou-se apenas alguns centímetros antes de sussurrar – Ainda não acredito que você agora é minha namorada.

– Sinto o mesmo em relação a você – falei da mesma maneira enquanto passava a mão pelo seu cabelo.

Então voltamos a nos beijar. Se dependesse de mim, acho que ficaria ali para sempre, mas infelizmente as coisas não podiam ser assim.

– Acho melhor eu entrar – Stefan parecia tão frustrado quanto eu nesse momento – E você também precisa voltar para a sua casa.

– Tem razão – concordei – Quero ver se ainda consigo estudar um pouco antes de dormir.

– Posso te ligar amanhã? – balancei a cabeça afirmativamente em resposta – Perfeito! Boa noite!

– Boa noite! – respondi.

Stefan me deu mais um selinho antes de sair de dentro do carro. Eu o observei caminhar até a entrada do hotel e só então voltei a ligar o carro e fui embora.

Notas finais
E o Stefan e a Caroline estão oficialmente namorando. O que acharam da surpresa que o Stefan fez indo encontrá-la no restaurante? E o que estão achando das atitudes da Elena em relação a Steroline? ** Bom, é isso Agora vocês comentam digam o que estão achando. É muito cedo ainda para pedir uma recomendação?