Second Chance
5 Capítulo 4 – Convite
Notas iniciais
Eu passei a semana inteira com medo dessa prova, mas, quando chegou o momento de fazê-la, percebi que não era tão difícil assim. Na noite do dia anterior, sentia que não tinha estudado tanto quanto eu queria, mas parecia que tinha sido o suficiente, pois as respostas simplesmente saíam da minha cabeça com bastante facilidade.
Saí da sala 15 minutos antes do que normalmente costumo sair. Enquanto caminhava pelos corredores da faculdade, peguei o meu celular dentro da bolsa e vi que tinha uma mensagem do Stefan.
Stefan: Amor, onde você está? Já terminou de fazer a sua prova?
Não pude deixar de dar um sorriso bobo ao ler aquilo, estamos juntos há apenas três dias, mas posso afirmar com toda certeza que Stef é o namorado mais fofo do mundo. Eu parei de andar e me encostei na parede mais próxima para digitar uma resposta para ele.
Caroline: Eu acabei de sair da prova. Onde você está? Pensei que poderíamos almoçar juntos, o que acha?
Stefan: Infelizmente eu não posso, Care, tenho várias coisas para fazer aqui no trabalho. Mas nós podemos fazer alguma coisa mais tarde.
Caroline: Tudo bem... Acho que vou para o trabalho mais cedo então e como alguma coisa lá no restaurante mesmo.
Stefan: O que você acha de eu te encontrar lá no restaurante mais tarde? Nós podemos ir ao cinema e talvez fazer um lanche no shopping depois, o que acha?
Caroline: Acho uma ideia perfeita!
Stefan: Ótimo! Então a gente se vê mais tarde. Beijos!
Caroline: Beijos.
Dei um suspiro triste quando voltei a colocar o meu celular dentro da bolsa. Claro que eu estava chateada por não poder ver o meu namorado agora, mas pelo menos nós íamos nos encontrar mais tarde e isso já era um alívio.
– Caroline! – Matt vinha caminhando na minha direção enquanto falava – Que bom te encontrar aqui. Você saiu com tanta pressa de dentro da sala quando entregou a prova.
– Oi, Matt... – acenei e dei um fraco sorriso para ele – Desculpa, é que quando eu terminei a prova tudo que eu pensei em fazer foi sair de lá o mais rápido possível.
– Está tudo bem? – quis saber – Você parece triste ou preocupada com alguma coisa.
– Eu estou bem – dei de ombros, não estava com vontade de desabafar os meus problemas com ninguém; eu só estava um pouco chateada pelas coisas não terem acontecido como eu queria, mas logo ia passar.
– Por favor, só não me diga que você acha que foi mal na prova – pediu – Eu até estava otimista sobre como tinha me saído, mas se você, que é a melhor aluna da nossa turma, achar que não foi bem, então eu provavelmente estou perdido.
– Não é nada disso, Matt, pode ficar tranquilo – garanti – Mas acho que você está exagerando, não sou a melhor aluna da nossa turma.
– Oh sim, você é – afirmou – E não sou eu quem fala isso, são os professores.
– Eu apenas estudo bastante, só isso – tentei explicar – Talvez nós possamos estudar juntos para a próxima prova.
– Acho uma excelente ideia – concordou – Onde você costuma estudar? Gosto muito de ir para a biblioteca do congresso, é melhor do que ficar no meu apartamento, acho que se o meu colega de quarto pudesse ele andaria com uma banda para qualquer lugar que fosse.
– É em momentos como esse que eu agradeço por morar sozinha – fiz uma careta – Mas não concordo com você sobre o melhor lugar para estudar ser em uma biblioteca, eu pessoalmente não consigo me concentrar no silêncio total: preciso ouvir barulho de trânsito, uma música tranquila, alguém conversando perto de mim ou talvez até o barulho da televisão.
– Então podemos estudar em outro lugar que você preferir – sugeriu dando de ombros – Talvez no seu apartamento ou até mesmo aqui na faculdade.
– Será que nós podemos falar sobre isso depois? – pedi – Depois dessa prova eu quero passar pelo menos o final de semana sem pensar em estudar.
– Certo, eu entendo – ele sorriu com o meu último comentário – O que você acha de almoçarmos juntos? Prometo que não vou falar nada sobre a prova, apenas amenidades.
– É uma oferta tentadora, mas eu vou ter que recusar – respondi – Estou indo para o trabalho agora.
– Bom, pelo menos eu tentei – pareceu chateado com a minha recusa, mas tentou não demonstrar – Será que pelo menos você aceita que te acompanhe até o seu carro?
Estava prestes a dizer que não precisava, pois ainda estava claro e provavelmente não teria nenhum tipo de perigo daqui até o estacionamento. Mas eu já tinha dito muitos “nãos” para ele hoje e Matt estava sendo tão simpático comigo...
– Claro – balancei a cabeça afirmativamente – Vou adorar a sua companhia até o carro.
O caminho foi feito em completo silêncio. Quando chegamos ao lado de fora do prédio dei de cara com Stefan parado na calçada; ele sorriu assim que me viu e meu primeiro pensamento foi descer as escadas e correr na direção do meu namorado.
– Você está aqui! – disse quando finalmente me aproximei, Stef apenas sorriu – Mas você disse que estava preso no trabalho e...
– Eu menti – apenas deu de ombros – Não tinha muita coisa para fazer no gabinete do senador Gilbert hoje, então eu decidi comprar o almoço e te fazer uma surpresa.
– Seu idiota... – dei um tapa de leve no braço dele – Eu realmente acreditei que você estivesse atarefado no trabalho e fiquei chateada por você não poder me ver.
– Ai...! – colocou a mão onde eu tinha batido e fingiu sentir dor – Pensei que você tivesse ficado feliz em me ver.
– Não disse eu não gostei – dei de ombros – Mas não faça isso novamente; sei que a Elena disse que eu gosto de surpresas, só que não precisa fazer uma toda vez que a gente se vê.
– Certo, eu entendi – me puxou pela cintura para encostar o meu corpo no seu e me deu um selinho – Prometo que não faço mais isso.
– Você é mesmo um idiota, Stef – sussurrei – Mas é o meu idiota – e foi a minha vez de beijá-lo.
Mal tinha encostado os lábios nos dele e ouvi um pigarro que fez com que nós dois nos virássemos. Já tinha esquecido completamente da presença de Matt.
– Desculpe... – ele parecia ligeiramente sem graça com aquela situação – Eu não queria atrapalhar, mas...
– Stef, esse é o Matt, um colega meu da faculdade – decidi apresentá-los – E Matt, esse é o Stefan, meu namorado.
– Prazer em conhecê-lo, cara – Stefan estendeu a mão para ele.
– Namorado? – ficou olhando para nós dois repetidas vezes, sem retribuir o cumprimento – Não sabia que você estava namorando, Caroline.
– É bem recente, na verdade... – dei de ombros – Não é mesmo, Stef?
– Sim, é recente – respondeu enquanto voltava a me abraçar – Mas isso não faz com que seja menos especial... – completou dando um beijo no meu rosto.
– Parabéns para vocês, então – soltou um longo suspiro e passou a mão pelo cabelo – Eu preciso ir embora; nos vemos outra hora, Caroline.
– Claro – concordei, mas não sei se Matt chegou a ouvir, pois ele já tinha se afastado de onde estávamos.
– Ele está apaixonado por você – Stefan comentou logo em seguida.
– Você está ficando completamente maluco, Stef – revirei os olhos quando voltei a me virar na direção dele – O Matt é apenas meu amigo, nada mais que isso.
– Você pode até pensar assim, mas ele não – explicou – Pode acreditar em mim.
– Stefan, eu conheço o Matt há uns três anos e ele nunca demonstrou nenhum tipo de interesse em mim – tentei argumentar – Pelo menos não que eu tenha percebido.
– Então está explicado, você não percebeu – concluiu – Vamos ser sinceros, Care; você não é exatamente a pessoa mais ligada do mundo.
– O que você quer dizer com isso? – cruzei os braços usando a minha expressão mais séria – Tudo bem, eu admito que não sou uma especialista na arte de flertar, mas acho que sei quando um cara está dando em cima de mim.
– Eu estava dando em cima de você no dia do seu aniversário – lembrou – E você só reparou quando eu falei sobre isso abertamente.
Abri e fechei a boca várias vezes, mas eu não tinha nenhuma resposta para isso, talvez eu realmente não fosse tão perceptiva quanto pensava. Mas será que Stefan estava mesmo certo a respeito de Matt? Ele tem me feito milhares de convites para nos encontrarmos fora da faculdade nas últimas semanas, mas pensei que só estivesse sendo simpático, não que tivesse qualquer tipo de segunda intenção.
– Stefan Salvatore, não me diga que você está com ciúmes? – foi impossível não sorrir enquanto fazia essa pergunta – Porque pensei que você soubesse que não existe a menor possibilidade de eu te trocar por ele, nunca.
– Eu não estou com ciúmes – apressou-se em negar – Talvez um pouco cauteloso, só isso...
– Pois não precisa ficar com ciúmes, nem cauteloso – voltei a colocar os braços em volta do seu pescoço – Eu sou só sua e de mais ninguém...
– Fico muito feliz em ouvir isso – me deu mais um selinho – Agora chega de falar sobre os seus admiradores; porque não vamos almoçar? – mostrou a sacola que só agora eu percebi que ele estava segurando.
– Acho uma excelente ideia, estou mesmo com fome – afirmei antes de entrelaçar meus dedos com os deles – Vem, eu conheço um lugar sossegado para almoçarmos tranquilamente.
***
Levei Stefan para a parte de trás do prédio da faculdade onde tinha umas mesas que os alunos costumam estudar em dias de sol, a essa hora não costuma ter ninguém aqui e poderíamos almoçar sem nenhuma interrupção. Ele trouxe para mim uma salada com molho de mostarda e mel, um hambúrguer para si mesmo e refrigerante para nós dois.
– Aqui é mesmo bem agradável – comentou depois de algum tempo – Deve ser um lugar muito bom para estudar.
– E é – afirmei – Apesar de estar ansiosa por me formar e poder começar a minha carreira, admito que vou sentir muita falta desse ambiente da faculdade.
– Sei exatamente o que você está sentindo – disse – Aconteceu o mesmo comigo quando eu me formei. Uma vez eu dirigi até o campus de Yale apenas para matar a saudade de todo aquele ambiente.
– Aposto que a sua experiência universitária deve ter sido bem mais emocionante do que a minha está sendo – prossegui – Quero dizer, fui ao campus de Yale junto com a Lena quando estávamos no último ano do Ensino Médio, é uma cidade lá dentro. Acho que eu teria gostado de estudar lá.
– Sendo bem sincero, até que é divertido morar em um campus universitário, mas só durante o primeiro ano – admitiu – Ao longo do curso fatalmente você acaba ficando entediado de ver as mesmas coisas e as mesmas pessoas todos os dias. Acho que perdi a conta da quantidade de vezes que desejei ter escolhido ir para uma faculdade em que ficasse no meio de uma grande cidade: como Georgetown, Columbia, Universidade da Geórgia, ou até mesmo UCLA.
– Acho que nunca estamos satisfeitos com a faculdade que temos, não é mesmo... – dei de ombros – Sabe o que eu acabei de perceber? Quando eu e a Elena estivemos em Yale, você ainda devia estudar lá, não é mesmo?
– Sim – concordou com a cabeça – Eu me formei no meio do ano passado, então eu ainda estava em Yale quando vocês foram até lá.
– Quem sabe a gente não se esbarrou por lá e não sabe? – sugeri.
– Acho muito difícil isso ter acontecido – colocou a mão por cima da minha – Eu lembraria se tivesse te visto, mesmo que tenha acontecido há mais de três anos. Acredite mim, Care, você é inesquecível.
Dei um sorriso sem graça antes de voltar a comer a minha salada. Acho que não importa a quantidade de tempo que estivermos juntos, sempre vou ficar envergonhada quando Stefan me elogiar.
– Você sempre quis estudar aqui ou foi algo que você decidiu apenas quando se formou no Ensino Médio e precisava escolher uma faculdade? – mudou de assunto quando percebeu o meu desconforto.
– Não é exatamente assim – expliquei – Como eu já te disse, quero ter a minha própria pousada e, quando eu tinha 14 anos, descobri que para isso eu precisava estudar administração ou hotelaria. Então eu comecei a pesquisar faculdades com as melhores referências desses dois cursos. Aqui nos Estados Unidos, no Canadá e até mesmo na Inglaterra. Fui aprovada em mais da metade dos lugares em que eu me inscrevi, mas escolhi ficar aqui em Washington, para poder ficar perto do meu pai e do Steven.
– Seu pai parece ser mesmo muito especial para você – observou – Quero muito conhecê-lo em breve.
– Você vai conhecê-lo – afirmei – Só quero esperar mais algumas semanas. Acontece que meu pai pode ser bem ciumento quando se trata da única filha; meus ex-namorados têm horror dele.
– Sorte minha que não pretendo ser seu ex-namorado. Nem agora, nem nunca – continuou – Só pretendo deixar de ser seu namorado para virar seu noivo e depois seu marido.
E mais uma vez eu fiquei sem graça e sem saber exatamente o que dizer no momento. Claro que eu não sou aquele tipo de garota que no primeiro mês de namoro já está planejando o casamento ou quantos filhos vai ter. Ainda está muito cedo para começar a pensar em qualquer coisa assim, mas é claro que a ideia de ter um futuro ao lado do Stefan me deixa verdadeiramente animada.
– Acho que você também vai gostar de conhecer a minha mãe – foi a minha vez de desviar um pouco do assunto – Quem sabe a gente não faz uma viagem até Mystic Falls por um fim de semana? Garanto que ela vai amar te conhecer.
– E eu vou amar conhecer a sua mãe – sorriu enquanto mexia no meu cabelo.
– E não pense que você vai escapar, também quero conhecer a sua família – avisei – Você comentou a respeito do seu irmão, mas nunca falou a respeito dos seus pais. Como é que eles são?
– Acho que precisamos mais que esse tempo de almoço para contar a respeito dos meus pais – respondeu dando de ombros – É um pouco... complicado.
– Já sei: seus pais são separados, como os meus – supus – Não há nada de complicado nisso, Stef, eu entendo muito disso.
– Não, eles não são separados – negou com a cabeça – Será que podemos conversa isso outra hora?
– Claro – concordei, mas tem uma coisa que o Stefan ainda não sabe sobre mim é que eu sou extremamente curiosa, com certeza eu me lembrarei dessa conversa e vou cobrá-la dele.
– Ótimo... – completou antes de dar uma mordida no seu hambúrguer – Isso aqui está mesmo uma delícia, sinceramente, não entendo como você pode não gostar de carne.
– E eu não entendo como você pode comer carne – fez uma careta e revirei os olhos.
– Confesso que eu até admiro a sua força de vontade por não comer nenhum tipo de carne – admitiu – Acho que eu não conseguiria ter essa mesma determinação.
– Para falar a verdade eu não sou totalmente vegetariana, as vezes eu como peixe – expliquei – Mas fora isso, não como mais nada: nem carne, nem frango, nem porco.
– E por que exatamente você quis virar vegetariana? – quis saber – Quando foi que você acordou e pensou: hoje eu não vou comer mais carne?
– Eu tinha acabado de fazer 15 anos e fomos até uma fazenda em uma excursão da escola – respondi – Todos aqueles animais presos e que fatalmente seriam abatidos, é algo tão desumano; sem contar na quantidade de hormônio que se coloca na alimentação desses animais, fazem mal tanto para eles quanto para nós. Depois disso nunca mais consegui colocar nenhum pedaço de carne na boca.
– E o que os seus pais pensam a respeito disso? – continuou com as perguntas.
– A princípio meu pai achou que era apenas um capricho de adolescente, mas depois acabou aceitando que eu não ia mudar de ideia – disse – Já a minha mãe, até hoje tenta me fazer comer carne.
– Estou começando a desconfiar que a sua mãe vai mesmo gostar muito de mim – aproximou o rosto do meu – Por que eu posso fazer você comer carne.
– Ah é? – apoiei a mão no rosto sem deixar de encará-lo – E como é que você pretende fazer isso?
– Assim... – completou antes de me beijar.
Fui pega totalmente de surpresa, mesmo assim eu o abracei pelo pescoço e o puxei para mais perto de mim. Continuamos ali curtindo os lábios um do outro até o barulho do celular dele nos interromper.
– É só o alarme que eu coloquei – avisou enquanto retirava o aparelho de dentro do bolso – Preciso ir embora.
– Mas já? – fiz um biquinho – Pensei que fossemos passar mais um tempo juntos hoje. Você ficou pouco tempo aqui.
– Eu sei, mas é que eu realmente preciso ir – lamentou – Mas vamos nos ver hoje à noite, não é mesmo?
– Vamos? – o olhei em dúvida – Pensei que o convite para o cinema fosse apenas uma desculpa para eu não perceber que você estava vindo até aqui me encontrar.
– De uma maneira até era, mas... – deu de ombros – Não estava pensando exatamente em irmos ao cinema, mas talvez um jantar apenas nós dois, no restaurante do hotel em que eu estou hospedado.
– Isso parece bem chique – admiti – Mas eu estava mesmo com vontade de assistir um filme.
– Não seja por isso: esquece o jantar, vamos para o meu quarto e assistimos a um filme lá, o que você acha? – sugeriu – Podemos ficar abraçadinhos e depois podemos até prolongar a nossa noite.
Sei exatamente o que ele queria dizer com “prolongar a nossa noite” e não pude deixar de engolir em seco com essa proposta.
– E então? – voltou a perguntar – O que você acha sobre isso? Aceita o meu convite?
– Claro! — afirmei, por fim – É mesmo uma ideia mais que perfeita.
– Ótimo! – me deu um último selinho antes de se levantar – A gente se vê mais tarde – então ele se afastou.
Não sei exatamente o que esperar dessa noite, mas as expectativas são grandes. E eu estou ansiosa e temerosa ao mesmo tempo.
***
Depois de uma longa tarde de trabalho, saí do restaurante poucos minutos antes das seis horas e fui diretamente para casa. Tomei uma rápida ducha e coloquei uma roupa que ao mesmo tempo me deixasse confortável, mas que também não me deixasse com a aparência desleixada.
Já estava pronta para sair novamente quando peguei meu celular apenas para verificar as horas e, quando vi já estava discando o número da Elena. Apesar de ter passado as últimas horas me convencendo que não tinha nada do que ter medo, ainda assim não custava nada eu pegar alguns conselhos com a minha melhor amiga.
– Oi, aqui é Elena Gilbert – depois de alguns toques, a ligação caiu na caixa postal – No momento eu não posso atender, mas deixe o seu recado após o sinal e eu retorno assim que possível – em seguida eu ouvi o bip, sinal de que eu podia deixar a minha mensagem.
– Lena, sou eu, Caroline – comecei a falar – Estou saindo agora para me encontrar com o Stefan, mas me liga assim que ouvir esse recado, é meio urgente.
Assim que desliguei comecei a procurar o número do meu namorado, mas agora eu ia apenas mandar uma mensagem.
Caroline: Stef, eu estou saindo de casa agora.
Stefan: Perfeito! Estou aqui esperando por você.
Então era isso... Coloquei o telefone de volta na bolsa, peguei a chave do meu carro e saí de casa.
***
Quando cheguei ao hotel, a recepcionista disse que Stefan já tinha avisado da minha chegada e que eu podia subir sem ser anunciada. Bati na porta do quarto e ele atendeu ainda vestindo a calça e a camisa do terno e com uma toalha sobre um dos ombros. Ficou óbvio que estava prestes a entrar no banho.
– Care! – sorriu assim que me viu e se aproximou para me beijar – Por favor, entra!
Aquela era uma típica suíte de hotel: tinha duas poltronas, uma mesa de centro e uma mesa de quatro lugares que pode ser usada tanto para trabalhar quanto para fazer as refeições e do lado oposto ao que eu estava tinha uma porta que provavelmente levava ao quarto.
– Você chegou agora do trabalho? – arrisquei perguntar.
– Estava chegando quando recebi sua mensagem – explicou – Eu ia tomar banho antes de você chegar, mas fiquei com medo de não dar tempo, então preferi te esperar.
– Devia ter me avisado, eu teria demorado um pouco mais para sair de casa – avisei – Sabe que eu não quero te atrapalhar, não é mesmo?
– Você não me atrapalha nem um pouco – garantiu – Além disso, você pode me esperar por alguns minutos, não é mesmo?
– Sim, vou ficar aqui quietinha te esperando – balancei a cabeça afirmativamente – Pode demorar o tempo que for.
– Perfeito! Fique a vontade – avisou – Aqui não é lá essas coisas, mas é a minha casa, pelo menos até segunda-feira.
– Por que até segunda-feira? – fiquei curiosa – Você vai se mudar daqui ou alguma coisa assim?
– Esqueci de comentar com você mais cedo – balançou a cabeça afirmativamente, lamentando não ter falado nada comigo – O senhor Gilbert me convidou para ficar lá na casa dele, assim eu não vou ter despesa com hotel e com aluguel de algum apartamento, pelo menos por esses primeiros meses.
– A Lena comentou isso comigo há alguns dias – lembrei – Mas ela também disse que você tinha pedido para pensar se queria ir ou não.
– Acontece que eu não queria dar trabalho para eles – explicou – Mas a própria senhora Gilbert veio falar comigo e disse que seria maravilhoso me ter lá e desde que o outro filho deles foi para a faculdade a casa está vazia demais.
– A senhora Gilbert é mesmo uma ótima pessoa – concordei – Desde que eu e a Elena éramos pequenas ela fazia de tudo para que me sentisse em casa sempre que eu ia lá.
– E você... – segurou uma das minhas mãos – Pode ir me visitar lá sempre, é claro.
– Vou adorar... – sorri.
– Bom, agora eu vou tomar banho, ou vai ficar muito tarde – completou – Eu não demoro.
Ele me deu mais um beijo, dessa vez no rosto, e se afastou, indo na direção do banheiro. Eu me sentei em uma das poltronas e fui verificar se tinha alguma ligação ou até mesmo alguma mensagem de Elena, mas ela ainda não tinha entrado em contato.
Foi só nesse momento que eu reparei um porta-retrato em cima da mesa de centro. Nele tinha uma foto com dois garotinhos que imaginei serem Stefan e o irmão dele, os dois estavam sentados em cima de uma toalha em algum lugar que parecia uma praia ao lado de uma mulher morena e seus olhos pareciam azuis, os três sorriam e pareciam muito felizes nesse dia de sol.
– Sou eu, o Damon e a nossa mãe – me virei a tempo de encontrar o meu namorado, ele estava com uma roupa mais confortável e seu cabelo estava molhado – Essa foto foi tirada apenas uma semana antes do acidente.
– Acidente? – ele apenas balançou a cabeça afirmativamente e eu entendi perfeitamente o que tinha acontecido – Eu sinto muito por isso, Stef...
– Fomos passar algumas semanas na nossa casa na praia e estávamos voltando para casa e o carro da família foi atingido por um caminhão – estava encarando o chão a sua frente, mas pude ver as lágrimas se formando nos seus olhos – Eu e Damon estávamos no banco de trás e não sofremos nada, meu pai que quebrou o braço e teve alguns cortes pelo rosto e pela perna, mas a minha mãe...
– Tudo bem, não precisa falar nada mais – pedi enquanto passava a mão pelo seu rosto – Imagino como deve ter sido difícil para você, perder a mãe tão cedo.
– Foi por isso que eu não quis falar nada quando você perguntou sobre os meus pais – continuou – Meu pai tentou suprir a falta dela durante todos esses anos e ele realmente fez tudo que foi possível, mas mesmo assim é impossível não sentir falta dela.
– Não posso dizer que entendo a sua situação – disse – Mas eu moro longe da minha mãe desde que tinha sete anos e apesar do meu pai ser incrível, eu também sinto falta dela, existem aquelas momentos em que tudo que precisamos é de um pouco de colo de mãe...
– Será que podemos falar de coisas alegres? – perguntou e eu assenti – Antes de vir para casa eu passei no cinema que tem no shopping aqui perto e compre pipoca para nós, também trouxe chocolate e algumas balas. Claro que se você quiser também podemos pedir o jantar pelo serviço de quarto.
– Não precisa, sendo sincera, eu não sinto muita fome de noite – respondi – E qual é o filme que vamos assistir?
– Esse daqui... – foi até a mesa e mexeu na sacola que estava lá em cima, tirando a caixa do DVD que estava ali dentro.
– Cinderela em Paris – sorri enquanto olhava para a capa – Eu amo esse filme! Como é que você soube? – não precisava nem esperar ele falar para saber qual a resposta – Deixe-me adivinhar: Elena...
– Não exatamente – deu de ombros – Ela apenas me disse que a sua atriz favorita é a Audrey Hepburn e eu confesso que eu tive que pesquisar, pois não tinha a menor ideia de quem era ela – foi impossível não revirar os olhos nesse momento – Achei o nome de vários filmes dela, mas esse me chamou atenção, principalmente por ser uma comédia romântica, Elena disse que são as suas favoritas.
– E são mesmo – concordei – Eu amei! Você acertou em cheio na escolha do filme.
– E eu comprei esse DVD para você – avisou – Meu presente para você pela nossa quase uma semana de namoro.
– Não posso aceitar, Stef – balancei a cabeça negativamente – Eu não comprei nada para você.
– Não preciso de nada, apenas de você ao meu lado – essa frase saiu quase como um sussurro – A não ser que você já tenha esse filme em casa, é claro. É a única maneira que eu vou concordar que você negue o meu presente.
– Para falar a verdade, esse filme eu não tenho – admiti – Não é tão fácil assim achar filmes da Audrey Hepburn em DVD. Meu pai me deu “Bonequinha de luxo” e a “Princesa e o Plebeu” quando eu fiz 15 anos e a Elena me deu “Sabrina” em um outro aniversário meu, mas eu nunca tinha achado “Cinderela em Paris” antes e essa era uma das minhas maiores frustração.
– Então está resolvido, agora você tem – concluiu – E você vai me convidar para ver esses outros filmes no seu apartamento, como eu já disse, não conheço nenhum deles.
– Combinado! – concordei.
– Agora vamos logo assistir esse aqui – pediu – Já perdemos bastante tempo aqui e eu também estou curioso para assistir um dos seus filmes favoritos, com a sua atriz favorita.
Dei um sorriso bobo, então Stef colocou a mão nas minhas costas e me guiou na direção do quarto.
***
Assistimos ao filme inteiro sem nenhum problema ou interrupção e Stefan até parecia bem interessado na história. Quando começou a passar os créditos eu me levantei da cama para poder tirar o DVD de dentro do aparelho e colocá-lo de volta na caixa.
– Até que não foi tão ruim assim – ele comentou enquanto se espreguiçava.
– Você gostou mesmo? – quis saber enquanto me deitava ao seu lado – Não está falando isso apenas para me agradar?
– Eu gostei – afirmou – Não sou muito fã de filmes antigos nem de comédias românticas, mas esse conseguiu me prender. Acho que posso dizer que isso é graças a você.
Passou a mão pelo meu rosto e eu apenas fechei os olhos aproveitando aquela boa sensação que o seu toque me causava.
– Não sei exatamente porque, mas você exerce algo sobre mim que me faz querer saber e experimentar tudo que você gosta – sabia que ele estava próximo bem próximo de mim, pois podia sentir a sua respiração quente no meu rosto – E o melhor de tudo é que eu não quero que isso acabe nunca.
Abri os olhos e passei a encarar os seus, profundamente verdes, como a grama em um lindo dia de verão.
– Eu também quero saber tudo a seu respeito, Stefan – sussurrei – Sinceramente, nunca senti por ninguém o que eu estou sentindo por você.
Continuamos algum tempo ali apenas nos olhando, acho que poderia continuar ali por horas, ou até mesmo pelo restante da vida. Meu braço estava doendo por eu ficar com o corpo apoiado nele, então eu me mexi.
– Você precisa ir embora para casa? – ele perguntou, tentando esconder o tom de decepção na sua voz.
– Não – neguei com a cabeça – Amanhã é sábado, eu não tenho aula e também não vou trabalhar. Acho que posso ficar aqui por mais um tempinho.
– Ótimo! – segurou o meu rosto e o puxou para mais perto do seu.
A medida que foi aprofundando o beijo, Stefan foi deitando por cima de mim. Ele enroscou os dedos nos meus cabelos e eu passei a arranhar as suas costas por cima da camisa.
– Steeef... – falei quando finalmente desgrudou os lábios dos meus, minha voz saiu um misto de sussurro e gemido – Eu...
– Care... – deu uma mordidinha no lóbulo da minha orelha e depois passou a beijar o meu pescoço – Acho que não consigo tirar as mãos de você.
– Então não tire... – não sei exatamente de onde saiu aquela frase, eu simplesmente falei.
Meu namorado passou a explorar a parte de dentro da minha blusa até chegar ao meu sutiã, também pude ver como ele estava “animado”. Aquela preocupação de mais cedo voltou, e agora com força total.
– Espera, Stefan! – reuni toda a força que eu tinha para empurrá-lo – Não posso...
– Tudo bem, eu entendo – passou a mão nervosamente pelo cabelo enquanto se sentava em frente a mim – Será que eu posso ao menos saber por que você não quer? Pensei que estivesse curtindo tanto quanto eu.
– Não é isso. É claro que eu quero, é só que... – pensei nas melhores palavras para usar nesse momento – Só não estou preparada para dar esse próximo passo tão importante.
Concordou com a cabeça antes de segurar a minha mão novamente e encará-la por alguns instantes entre as suas.
– Care, eu sei que estamos juntos há pouco tempo e algumas pessoas podem achar que transarmos agora pode ser precipitado – disse calmamente – Mas eu gosto de você e você gosta de mim, por que esperar mais?
– Não é exatamente por isso que eu não quero – tentei explicar – Acontece que eu não sou exatamente experiente quando o assunto é sexo.
Eu e Liam, meu primeiro namorado, nunca passamos dos amassos, acho que o máximo que ele me viu foi usando calcinha e sutiã e ficamos juntos por mais de um ano sem o menor problema; já Jesse foi o cara com que eu perdi a minha virgindade e foi certamente a pior experiência da minha vida, apenas uma vez para nunca mais e esse foi o motivo para o nosso relacionamento ter acabado depois de apenas três meses. A única pessoa com quem eu me sentia confortável para conversar sobre isso era com a Elena, pelo menos até agora.
– Falta de experiência nunca foi um problema para mim – garantiu – Acho que nunca fui o primeiro cara de ninguém, mas não vejo problema de ser o seu.
– Essa seria a minha primeira vez com você – tentei deixar o mais claro possível que eu não era tão inexperiente assim – Só que eu tenho medo que a minha pouca experiência atrapalhe de alguma maneira.
– Care, vai ser perfeito de qualquer maneira – avisou – Sei disso porque será com você e não tem como não ser perfeito.
Voltou a colocar a mão no meu rosto e me deu um selinho.
– Eu adoro você, Caroline Forbes – continuou – Claro que eu jamais de forçaria a nada e se você realmente não estiver pronta vou entender, mas saiba que eu adoraria ficar com você hoje à noite.
– Também adoro você, Stefan – soltei um longo suspiro enquanto encarava as nossas mãos – E sim, eu também quero ficar com você hoje à noite.
Stefan abriu um sorriso, e no segundo seguinte, estávamos nos beijando.
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